Mil Coisas Belas por Duinn Fionn

tradução: Camila Merlin Gesser
betagem da tradução: Ivich Sartre e Serim


Capítulo Segundo

It is our choices that show what we truly are, far more than our abilities.
São nossas escolhas que definem quem somos realmente, muito mais do que nossas habilidades.

J.K. Rowling

Professor Snape ouviu o barulho dos estudantes do quinto ano se acumulando do outro lado de sua porta nas masmorras. Nenhum deles estava animado para o início da aula; sempre se juntavam lá fora, atrasando o inevitável e papeando entre si até o momento em que uma massa se acumulasse e todos entrassem juntos.

"Smith, o que você está fazendo aqui?", disse Seamus Finnigan do outro lado da porta. "Explodiu sua poção, não foi? Ou só queria ver como nós grifinórios fazemos?".

"Não, não fui eu. A gente 'encadeou' ontem".

Encadear era uma gíria de Hogwarts, usada desde o tempo de estudante de Snape, que significava estragar uma poção e causar explosões em cadeia. Algumas misturas eram muito sensíveis, e, às vezes, a falta de cuidado fazia com que um caldeirão explodisse e estragasse os outros, criando um efeito dominó. Quando isso acontecia, os afetados tinham que repetir o trabalho com a próxima turma que tivesse Poções - então hoje, alguns Lufa-Lufas e Corvinais estavam se juntando aos Sonserinos e Grifinórios.

"Quem fez, então?", Finnigan perguntou a ele, ainda falando do outro lado da porta.

"Terry Boot".

"Qual o tamanho do estrago?".

"Treze de nós", Smith respondeu, e então riu. "E todos nós iremos a Hogsmeade hoje, então eu espero que ele tenha salvado alguns galeões".

A tradição era que o causador da corrente deveria comprar uma rodada de cerveja-amanteigada para todas as vítimas do incidente para compensar a aula extra.

"Treze - cara! A sala estará cheia hoje".

Snape ouviu uma nova voz falar. "Nenhum de nós deveria estar aqui". Esse era Dean Thomas.

"Jura", Smith respondeu, propositalmente abaixando o tom de voz.

Finnigan também tentou falar baixo, mas não chegou remotamente perto de conseguir. "Só aquele idiota do Snape para obrigar a gente a ter aula um dia depois dos N.O.M.'s. É tão injusto! Dumbledore não devia deixá-lo se livrar dessa".

"É, ninguém consideraria dar aulas depois dos N.O.M.'s", Smith disse. "E tem uma boa razão para isso".

Finnigan usou uma voz forçada que Snape reconheceu como uma terrível imitação de sua voz. "Eu não aceitarei vocês do quinto ano andando pelos corredores atrapalhando outros estudantes. Eu acredito que todos estão em Hogwarts para aprender. Se a única razão pela qual vocês estão aqui é porque se preocupam com uma simples nota de exame, deveriam reconsiderar sua educação".

Risada seguiu esse discurso de brincadeira.

Thomas conseguiu manter sua voz baixa, mas Snape ainda conseguia ouvi-lo claramente.

"Você não tinha que vir, Seamus. Snape disse que todos que tinham certeza que tinham reprovado nos exames de Poções dos N.O.M.'s estavam dispensados". O comentário gerou mais risadas.

Seamus fez um som de indignação, e então disse, "Tá, tá. Quem vai admitir isso? Você está aqui".

Smith acrescentou, "Ele vai retirar pontos se alguém estiver faltando. Você sabe disso".

Snape sorriu. Ele sempre tinha uma ameaça para usar contra eles.

A massa de alunos já tinha crescido no corredor, e os estudantes entraram na sala sob o olhar impassível de seu professor.

Poucas opções eram válidas para os estudantes de Poções. Eles vestiam quase idênticos uniformes escolares, carregavam as mesmas malas, e tinham as mesmas expressões reservadas e precavidas. Enquanto eles tomavam seus lugares, todos tiraram de suas malas idênticos livros, penas e potes de tinta. À sua frente, colocavam uma varinha que não escolheram, já que a varinha escolhia o bruxo. Obviamente, os estudantes não tinham escolhido estar lá naquele dia, e ele sabia que não teriam o escolhido para ser seu professor - a maioria deles o detestava. Mas no quinto ano, tinham aprendido pela pior maneira que liberdade de escolha era melhor ser deixada para outras matérias. Criar poções era uma tarefa exata, e desviar instruções levava à catástrofe. Então mesmo que nenhum estudante na sala soubesse disto, em outras áreas ele intencionalmente permitia que seus alunos tivessem o máximo de liberdade de escolha.

Se informação garantia poder, então Snape era um homem poderoso. Era um cuidadoso observador com uma memória meticulosa. Sob seu olhar observador a escolha mais trivial era analisada e categorizada em um arquivo mental que ele juntava sobre todos que cruzavam seu caminho. Se fosse um homem generoso, poderia dividir suas descobertas com as pessoas que analisava - mas ele não era tal homem.

Mesmo assim, dava aos seus estudantes todas as opções possíveis, e observava.

Ele não designava assentos, portanto o lugar que escolhiam para sentar já lhe dizia muito. Aqueles na aula dupla dos grifinórios e sonserinos não eram obrigados a sentarem separados, mas tinham feito assim por escolha própria desde o primeiro mês. Pareciam divididos perfeitamente com um pente.

É claro, no quinto ano os estudantes já tinham um sistema tão rígido de lugares que sentar no lugar usual de alguém era tão alarmante quanto usar sua cama. Alguns deles sentavam no fundo desde o primeiro dia de Hogwarts - como Draco e seus amigos Crabbe e Goyle. A fofoca dessa semana - que o pai de Draco agora chamava Azkaban de casa - os havia isolado, e a classe evitava as carteiras perto deles.

Ele observou com certa satisfação que quase todos os assentos estavam ocupados. Diferente da maioria dos professores de Hogwarts, ele acreditava na filosofia de que era melhor ser temido do que amado.

"Foi bom vocês terem se juntado a mim hoje para a aula. Aparentemente, alguns de vocês ainda estão sob a ilusão de que passaram em seus OWLs de Poções-". Ele deliberadamente manteve seu olhar em Longbottom, que estava achando seu livro estranhamente interessante no momento. "Mas vocês se livrarão dessa idéia em breve".

Foi até a carteira de Finnigan. "Eu sei que alguns de vocês questionam a necessidade de se preocupar com aulas hoje. Esperavam que eu estivesse sob alguma obrigação - talvez imposta pelo diretor, hmm? - de permitir que vocês passeassem pela escola sem rumo toda a semana para fazer o que quisessem. Eu garanto a vocês, nisso estão enganados".

Ele se dirigiu até a carteira de Smith, e seus longos dedos trilharam atrás da cadeira dele. "Vocês talvez queiram perder seu tempo em Hogsmeade. Porém, eu acredito que seu tempo seja mais bem gasto aprendendo. Tolice minha, eu sei, mas eu acredito que essa é a razão pela qual vocês estão nessa escola".

Ele andou até as carteiras vazias usualmente ocupadas por Granger e Weasley. "Mas eu vejo que nem todos concordam. Dez pontos de cada casa por colegas faltantes".

Notou com satisfação o choque nas faces de todos.

"Mas a Hermione e o Rony ainda estão na Ala Hospitalar", Thomas murmurou.

"Sim, eu sei disso. Eu sei também que os ferimentos foram provocados devido à estupidez deles em sair dos terrenos da escola sem permissão. Eles devem lidar com as conseqüências. A não ser, talvez, que as regras não se apliquem a alguns favoritos?". Isso o rendeu um olhar venenoso de Finnigan, mas ninguém se atreveu a questioná-lo. E Potter ainda recusava a levantar os olhos. Afogando-se em culpa, sem dúvida.

Ao passar dos anos, ele tinha assistido às mesas ao redor de Potter serem abandonadas dependendo da sua popularidade, quando outros alunos o temiam, odiavam ou ignoravam. Hoje, as mesas ao redor estavam cheias, o que não tinha sido o caso durante a maior parte do ano. Mas a entrevista de Potter dois dias atrás tinha trazido seus colegas a seu favor mais uma vez. Julgando pela quantidade de corujas na mesa da Grifinória vindas leitores do Profeta Diário desejando-o boa-sorte, não eram apenas seus colegas.

"A lição de hoje está no quadro". Ele começou. "Essa poção é complicada, então vocês talvez queiram prestar mais atenção do que o pouco normal". Essa afirmação era um anticlímax. Os estudantes extras de hoje falavam muito sobre o alto risco de reprovação. Ele viu Terry Boot, o culpado da catástrofe do dia anterior, desviar o olhar nervosamente.

"Os ingredientes estão listados. Desperdiçá-los irá diminuir sua nota". Ele colocou o primeiro ingrediente, pérolas em pó, diretamente à sua frente. Todos os ingredientes valiosos eram manejados dessa maneira para desencorajar os estudantes mais desastrados. Sentando, ele preveniu um som de irritação de sair da sua garganta por causa do ruído de cadeiras se arrastando enquanto os alunos se levantavam.

Lisa Turpin, como sempre, continuou sentada até que finalmente percebeu a mudança de ritmo na sala.

"Esperando por um convite pessoal?", ele perguntou bruscamente, e foi gratificado pelo susto dela. Ansiosamente, ela colocou um pouco de pérola em pó em seu recipiente com precisão obsessiva, e então se deslocou até o fim da mesa de Snape onde se encontravam os vermes.

Vermes vivos eram ingredientes muito usados em poções. E Snape sempre oferecia mais do que o necessário, apesar de não ser um homem generoso. A tigela onde eles se encontravam, sedados e esperando um destino que não podiam mudar, também era generosa - muitos estudantes podiam ficar na frente dela ao mesmo tempo. Nenhum dos alunos realmente apreciava a liberdade de escolha nessa situação. Sabiam que Snape os observava enquanto pegavam a pérola em pó, mas não tinham idéia que ele prestava ainda mais atenção na tigela do outro lado da mesa.

Depois de anos observando, ele podia prever as escolhas de cada aluno em relação aos vermes tão facilmente como podia prever quais assentos eles escolheriam. Weasley, por exemplo, sempre se apressava para ser um dos primeiros, e então pegaria o maior verme na tigela como se temesse que outra pessoa pegasse todos e ele ficasse sem nenhum. Bem, ele vinha de uma grande família com poucos recursos - sua escolha era muito fácil de ser decifrada.

Granger, por outro lado, iria escolher o dela com extremo cuidado, como se estivesse escolhendo um parceiro para o resto da vida. Quaisquer que fossem as virtudes para a perfeição dos vermes, Granger as identificava e comparava. Ela não tinha pressa, e seus colegas há muito tempo desistiram de apressá-la.

Thomas e Finnigan, melhores amigos desde a primeira semana, iriam até a tigela juntos, conversando facilmente, alheios à atenção de seu professor. Não se importava em virar sua cabeça - ele não precisava. Podia ver suas mãos na tigela, e após cinco anos, ele conhecia bem as mãos de seus alunos. Finnigan, que quase nunca estava parado, sempre escolhia um verme em movimento. Thomas preferia o dele já morto. Eles voltaram à mesa, agora incluindo os vermes na sua conversa.

Ernie MacMillan e Padma Patil, melhores amigos desde a semana passada, eram os próximos. Ele observou o garoto pegar um verme grande e fazer uma piada de jogá-lo dentro do decote dela. Ela riu nervosamente, um pouco longo demais, e a mão dele se afastou. Ela fez uma tentativa de retirar um verme com uma cara de nojo, embora ela nunca tenha sido fresca antes, e seu galã pegou um para ela, levando os dois vermes no recipiente enquanto se dirigiam à mesa deles.

"Vai logo", ele ouviu Crabbe murmurar para a garota na sua frente, que estava tentando pegar um pequeno verme com um pedaço de papel. Depois de cinco anos, a maioria deles não se importava mais em pegar vermes com as próprias mãos, mas alguns ainda resistiam. A generosidade de Snape não se estendia a luvas.

"Só um minuto," ela respondeu irritada, sem olhar para trás. Finalmente conseguindo, saiu do caminho, balanceando o verme delicadamente no papel.

Crabbe escolheu o verme que estava mais longe de Snape, como se pegar algum mais próximo fosse perigoso. Bem, talvez para Crabbe fosse.

Goyle, o próximo na fila, também era um agarra-e-sai, nunca olhando para a tigela, mas observando Snape tão intensamente como um ladrão observa um detetive.

Draco sempre esperava até que um grifinório nervosamente viesse ficar ao lado dele, então ele percebia qual verme a mão ao seu lado iria pegar. Usando reflexos de Quadribol, ele pegava-o antes que o outro estudante pudesse, e saía com olhar vitorioso, como se o verme fosse um pomo de ouro.

No decorrer dos anos, ele tinha assistido a muitas mãos interagirem com a tigela, alerta aos pequenos movimentos que escondiam importantes mensagens. Ele notava os pequenos gestos de camaradagem que trocavam, ações agressivas contendo aviso, toques tentativos como o leve bater das asas de um pássaro, significando interesse. Nunca mostrava que percebia essas mensagens, ficando em silêncio enquanto as mãos trabalhavam.

Potter finalmente se dirigiu até a frente da sala. Parecia estar completamente em outro local: ouvia pouco e falava ainda menos. Parou na frente da pérola em pó e começou a medir sem olhar para cima. Snape observou o garoto ajeitar a garrafa e recolocá-la na mesa. Notou as pequenas cicatrizes que estavam cravadas na mão direita do menino; havia descoberto os novos acréscimos à notória coleção de cicatrizes de Potter há alguns meses, durante uma lição de Oclumência. Na primeira vez em que viu as palavras Eu não devo contar mentiras, e viu a gravação delas na memória do garoto, ficou enojado. Potter nunca tinha contado a ninguém na Ordem, é claro, provavelmente achando que seu segredo era corajoso de alguma maneira. O modo grifinório de lidar com isso. Snape achava que era masoquista, isso sim.

Então, justo quando ele achava que a interação havia sido sem importância, Potter olhou para ele. O olhar penetrante era tão cheio de ódio que Snape inconscientemente deu um passo para trás. Teve que reunir todas suas forças para não dizer o que queria naquele momento quando percebeu que Potter o culpava pelo fiasco de algumas noites atrás, e esperava que ele agisse como o vilão desse drama. Em vez disso, segurou o olhar hostil e retornou nada a não ser ódio até que Potter desviou o olhar e foi até os vermes.

Abalado, Snape manteve sua raiva sob controle e sua atenção escondida.

Potter era obviamente instável. Se tinha um padrão de escolha Snape não sabia: escolhia vermes grandes, pequenos, em movimento e mortos. Não agarrava e corria como Goyle, mas não demorava como Granger. Até onde podia dizer, Potter estava esperando por um sinal da famosa e telepática cicatriz dele. Estava congelado na frente da tigela de vermes, sua mente mais uma vez longe de lá, até que outro estudante parou ao seu lado, trazendo-o de volta à realidade. Nenhum dos estudantes falou um com outro, mas Snape não esperava que eles o fizessem. Assistiu com indiferença forçada aos dois pares de mãos circulando.

Apenas peguem um dessa vez e saiam de perto de mim, Snape pensou, já que a demora estava ficando irritante. Não estava mais com humor para esses jogos de observação. Que diferença eles podiam fazer agora? Depois dessa semana de revelações, estava claro que todos no mundo mágico enfrentavam escolhas bem mais sérias - entre Dumbledore e o Lord das Trevas, bem ou mal, vida ou morte. Apenas essas escolhas importavam agora. Esses estudantes eram apenas um pouco mais novos do que ele era durante a primeira Guerra contra Voldemort. Snape sabia, e eles não, os horrores que iriam enfrentar.

Então viu pelo canto dos olhos, aqueles dois pares de mãos se mexendo. Ele viu o cuidadoso toque de pele com pele, uma mensagem enviada e recebida que dizia, claramente, Eu percebi você. Estou interessado.

Ele estava chocado, mas não tanto quanto Potter estava. A mão de Harry saiu da tigela como se os vermes tivessem se transformado em cobras, então ele parecia ter se recuperado o suficiente para agarrar um antes de voltar à sua mesa.

Nossa. Pelo jeito, até algumas pequenas escolhas feitas em Poções ainda tinham alguma conseqüência. Mas mesmo que ele soubesse o quem e o quando, ele, como sempre, não podia começar a entender por quê.

Perto do fim da aula, a poção de Crabbe repentinamente explodiu e todos na sala assistiram sem poder fazer nada enquanto, um por um, caldeirão atrás de caldeirão explodiu até que nenhum ficou intocado. De uma estranha maneira, tinha esperado isso desde o começo.

No dia seguinte, Snape observou os mesmos estudantes entrarem na sala de Poções, dessa vez com a adição de Weasley e Granger, que tinham sido liberados da Ala Hospitalar. O encadeamento liberado por Crabbe na aula anterior tinha criado um novo recorde em Hogwarts. Pelas conversas na sala, Snape percebeu que ninguém estava muito feliz com a catástrofe, já que Crabbe nunca respeitou a tradição de cerveja amanteigada em Hogsmeade. Era muito tarde para isso, de qualquer jeito: as aulas terminavam em dois dias.

Desde que foram reunidos, Granger e Weasley tinham virado as sombras de Potter, como se ele fosse um famoso ator trouxa sendo perseguindo por fãs persistentes. Naquele momento, no entanto, ele viu que os dois cães de guarda de Potter estavam absortos em uma disputa verbal, discutindo como recém-casados, e Potter se afastou silenciosamente. Enquanto ele recolhia pérola em pó, Snape deliberadamente manteve seus olhos na sua mesa, sem dar ao outro a satisfação de contato visual. Potter podia brincar de mártir sem ele.

As mãos de Potter estavam novamente no meio dos vermes, mas elas não ficaram sozinhas por muito tempo. Novamente, um contato de pele, mas dessa vez, o contato foi prolongado. Ainda estou interessado. Snape lutou contra a vontade de virar sua cabeça e observar os dois estudantes. Ele deve ter mostrado alguma reação, no entanto, pois a garota pegando pérola em pó na frente dele nervosamente deixou um pouco cair no chão. Ela ofereceu um rápido pedido de desculpas que ele prontamente ignorou.

Observou enquanto, dessa vez, Potter não retirou a mão. As mãos dele ficaram firmes, e então, para a surpresa de Snape, retornaram a mensagem com um pouco de hesitação, então um toque mais firme, uma resposta sem voz, mas clara.

Sim.


Hoje é o dia da graça. Hoje é o dia caça e do caçador
Caçada - Chico Buarque


Professor Snape não fora o único a perceber a troca de toques na tigela de vermes. Olhos cinza claros arregalaram em surpresa enquanto assistiram à inesperada cena entre Potter e Zacharias Smith.

Draco não tinha prestado muita atenção no Lufa-lufa ao longo dos anos, a não ser a concluir que ele tinha um temperamento explosivo e não tinha nenhum talento especial. Smith estava definitivamente fora de liga para Potter, mas isso nunca tinha impedido ninguém antes - Potter sempre atraía atenção de estudantes por causa da sua fama. Não, para ele o detalhe impressionante foi o aparente retorno do interesse de Harry. Isso pedia investigação, ele decidiu, e planejou assim seu próximo passo. Conseguiu persuadir Gregory a terminar a poção para ele enquanto ele se dirigia discretamente ao banheiro perto da porta.

Não teve que esperar muito. Potter esperou todos irem embora, ficando atrás da classe. Smith facilmente o alcançou, e eles ficaram no corredor, sem saber que estavam sendo observados. As vozes deles estavam muito baixas para Draco ouvir, então ele lançou um feitiço que Snape o tinha ensinado para aumentar as vozes apenas para quem lançou.

"Potter", Smith disse, e Draco teve a impressão que ele estava nervoso com a conversa.

O grifinório tinha uma expressão perturbada, mas parecia estar tentando cobri-la com um pouco de interesse. "O quê?".

Smith acabou com a distância entre eles e colocou uma mão no braço de Potter. "Olha, E - eu te devo desculpas. Droga, eu tenho sido um idiota. Desculpa por ter sido tão pentelho esse ano. Foi estúpido e infantil da minha parte".

Potter parecia surpreso com a confissão, e Draco imaginou o que teria acontecido entre eles. De alguma maneira, tinha uma história ruim ali.

"Está tudo bem", Potter respondeu. "Eu entendo. Eu recebo muito disso, na verdade". Acrescentou rindo, mas Draco não ouviu prazer no riso.

"Não, não está bem. De jeito nenhum. Você estava fazendo de tudo para ajudar a todos, e eu chutei você na cara". Smith olhou Harry nos olhos timidamente. "Para falar a verdade, eu estava com inveja de você".

Potter fez um som de incredulidade, e então achou sua voz. "Com inveja de mim? Não há nada para se invejar".

"Bem, eu discordo. Você realmente é incrível, sabia".

Potter teve o bom senso de parecer envergonhado à confissão.

Smith respirou fundo. "Bem, Ginny me contou um pouco sobre o que aconteceu com Você-Sabe-Quem alguns dias atrás no Ministério. Ela disse que estava lá e que alguém foi morto - alguém próximo a você. E eu queria dizer que eu sinto muito".

Draco escutou, fascinado. Ele tinha lido no Profeta Diário sobre coisas estranhas acontecendo no Ministério, e o inesperado aprisionamento de seu pai. Pela primeira vez, tinha provas do lado sombrio dele - Lucius havia se revelado como sendo tão perigoso quanto Draco imaginava. Sua cumplicidade contra o Ministério devia ser inquestionável, para eles o prenderem - ele tinha comprado seu silêncio durante anos. Mesmo assim, apesar de tudo, era doloroso pensar no seu pai à mercê dos dementadores, sugando-o seco.

A repentina mudança de história do Profeta sobre a volta de Você-Sabe-Quem, e as novidades que sua tia Bellatrix estava envolvida de alguma maneira, tinham vindo como uma surpresa. Estupidamente, ele ainda não tinha pedido a Snape por mais informações, mesmo sabendo que o Profeta era, sem dúvida, não confiável. Ele não sabia que alguém tinha morrido, e se perguntava quem.

Potter não respondeu. Parecia estar lutando para manter suas emoções em controle, e enquanto isso Smith tinha se aproximado ainda mais. Mas Potter não se afastou, permitiu que o outro garoto deslizasse sua mão pelo braço dele como gesto de conforto, de uma maneira muito íntima. Interessante.

"Eu queria pedir para a gente recomeçar, se você permitir," Smith disse. "Eu espero que você possa me perdoar por ser tão idiota o ano inteiro e deixar-me tentar novamente".

Potter olhou para o outro garoto através de seu cabelo desordenado, de uma maneira calculista, e ofereceu ao outro um sorriso fraco. "Sim, você foi um idiota, não foi?". Ele riu brevemente. "Ok. Vamos recomeçar. Meu nome é Harry Poter. É um prazer conhecê-lo".

Smith riu, e ofereceu sua mão. "Zach Smith. Eu ouvi muito a seu respeito. É um prazer te conhecer também, Harry".

"Zach". Eles apertaram as mãos. Quando terminaram, no entanto, nenhum deles largou a mão do outro. Draco achou a intimidade inesperada. Snape estava certo sobre os benefícios da espionagem – já tinha tido suspeitas quanto Smith. Mas Potter era outra história - nunca tinha considerado-o nada além de completamente hétero. Quando teria o Lufa-lufa encontrado sinais do contrário?

Smith olhou Potter nos olhos, pareceu hesitar, e então disse, "Alguns de nós vamos para Hogsmeade hoje à noite. Eu estava pensando se você gostaria de ir comigo?".

Os olhos de Potter se arregalaram, e Draco se segurou para não rir da face de completo choque do Grifinório. "Você está me convidando? Hum. Quero dizer, obrigado. Mas, ah, nesse momento tudo está muito estranho na minha vida, e eu estou fazendo o que posso para sobreviver essa semana. Eu sei como isso soa. Dramático. Não era minha intenção. Mas eu não posso pensar em mais nada agora". Ele parecia preocupado, voltando seus intensos olhos verdes para um corado Smith, e então ofereceu um sorriso tímido. "Hum. Obrigado, mesmo assim".

Então esse era o famoso atrativo de Potter, Draco pensou secamente. Algo que ele tinha ouvido falar, mas nunca vira por si mesmo.

Smith parecia um pouco aborrecido com o fora, mas não se afastou. "Tudo bem, Harry. Talvez outra hora".

Potter concordou. "Olha só. Convida de novo depois das férias, e eu digo sim". Dessa vez eram as mãos de Potter fazendo todo o toque, para o divertimento de Draco.

Smith parecia muito satisfeito consigo mesmo.

Então, Harry Potter, garoto modelo de tudo que é bom e puro, jogava para o outro time. Vendo os dois indo embora lado a lado, Draco pôde ouvir o som de corações femininos se quebrando por toda Hogwarts.

Snape olhou para cima dos papéis que estava lendo quando Draco entrou novamente na sala, cinco minutos após ter saído.

"Aprendeu alguma coisa que eu já não saiba?". Ele sabia que Draco não resistiria espionar em Potter.

"Smith convidou Potter para um encontro. Potter deu um fora nele". Draco pegou uma cadeira e sentou na frente do professor. Cruzou seus braços graciosamente, inclinando para frente com interesse. "Potter prometeu a ele uma segunda chance em algum momento indefinido no futuro".

"Draco, você está se tornando um fofoqueiro".

Draco soltou um som de indignação. "Estou praticando, só isso. Nunca se sabe quando se ouvirá algo de valor. Além disso, eu consegui ouvir tudo que disseram e eles nem perceberam que eu estava lá".

Ele desvalorizou a explicação. "Isso já deve ser brincadeira de criança para você".

Draco decidiu que aquilo foi um elogio.

"Severus, me diga. O que realmente aconteceu no Ministério? Por que Lucius está em Azkaban?".

Snape, percebendo o uso do primeiro nome do pai de Draco, respondeu. "Demorou para você perguntar. Eu estava começando a me preocupar com sua alarmante falta de curiosidade".

"Meu erro. Eu achava que o Profeta tinha reportado tudo".

Snape deu uma curta risada. "Quando que aquela desculpa para jornal escreveu uma história corretamente? Por favor, Draco. Você me faz pensar que eu falhei em fazer de você um detetive decente".

"Bem, estou perguntando agora".

E então Snape contou.

Draco parecia atordoado, e Snape percebeu que ele estava tentando manter outras emoções escondidas. "Então meu pai foi um dos principais lutadores contra Potter? Eu não acredito que ele se expôs tão abertamente. Seu estilo é deixar seus subordinados fazer o trabalho sujo e deixá-los levar a culpa".

"As apostas eram muito altas. O Lord das Trevas estava envolvido diretamente, então seu pai teve que se arriscar também". Ele pausou, pensando que, embora Draco agisse como se não ligasse mais para seu pai, a verdade poderia ser difícil de ouvir. "Você percebe que o Ministério teve que agir rapidamente contra ele. Você precisa entender, Draco, que eles farão de tudo para que seu pai continue em Azkaban".

"Eu sei". Draco não olhou para Snape quando respondeu. "Mas ele escolheu esse caminho. Ele tem que sofrer as conseqüências".

Snape viu que, como ele esperava, não foi fácil para Draco condenar seu pai. Sua graça natural se fora, trocada por uma conversa tensa e nervosa. Talvez ele só estivesse dizendo o que sabia que Snape queria ouvir.

"Isso deixa sua mãe sem Lucius para cuidar dela. Embora eu acredite que os Comensais da Morte vão sentir a obrigação de protegê-la. Para lançar um bom exemplo, entende".

Draco parecia confuso. "Eu não acho que ela tenha se dedicado à causa. As esposas dos Comensais da Morte geralmente eram deixadas fora dos planos - tia Bellatrix é exceção. O Ministério deveria deixá-la em paz".

"O que o Ministério deveria fazer e faz não é sempre o mesmo".

"Malditos", Draco murmurou, mudando de posição na cadeira.

"Mesmo assim, eles nunca mostraram interesse por ela no passado, então, por enquanto, eu acho que ela está a salvo. E até agora, eles não a incomodaram".

"Mas agora que os dementadores abandonaram Azkaban...".

"Lucius não vai ficar muito atrás deles. O Lord das Trevas precisa muito dele para não libertá-lo".

Draco mudou novamente de posição, e disse, "Essa foi a razão da minha última briga com Potter, na verdade. Por mandar Lucius para Azkaban, eu o ameacei". Riu. "Eu imagino como ele entendeu isso".

"Se a varinha dele na sua garganta for alguma indicação, eu diria que ele entendeu como um convite". - Ele sorriu antes de continuar. "E por sua indiscrição, e incrível azar que a professora McGonagall passou naquele momento, Grifinória ganhou 250 pontos".

Draco parecia envergonhado. "Não foi meu melhor momento. Potter fez tanto estrago quanto eu, mas de alguma maneira, ele sempre acaba como o menino-que-sobreviveu querido por todos".

"Não por todos".

Draco lançou-lhe um olhar cortante. "Não. Mas você sabe que iremos ouvir sobre o grande menino-que-sobreviveu por semanas e semanas".

Formulou sua resposta cuidadosamente. A animosidade dele com Potter era melhor ficar guardada, mesmo que Draco compartilhasse o sentimento. "Talvez dessa vez, se tivermos sorte, Potter perceba que ele não merece a atenção".

Draco deu-lhe seu melhor sorriso malicioso. "Bem, terá que ser sua sorte. A minha está obviamente curta essa semana".

Snape permitiu a Draco um pequeno sorriso, e então mudou de assunto. "Pelo menos nos livramos daquela mulher, Umbridge. Que desastre ela se tornou - não só para Hogwarts, mas pata o Ministério também".


Sugar and stress, do everything at least twice; Catch your fingers in your private vices.
Açúcar e estresse, faça tudo pelo menos duas vezes; Pegue seus dedos em suas corrupções privadas.

Sugar and Stress - English Beat


Draco amava ser um monitor da Sonserina. Ele amava o senso de autoridade que isso lhe concedia. Não que ele já não tivesse; sendo um Malfoy, sendo rico, sendo o filho de alguém com muito poder. Mas esse tipo de poder refletido não o satisfazia, porque podia sentir o ressentimento por trás dele, a pergunta - "Nós sabemos o que seu pai pode fazer - mas e quanto a você?"

Agora tinha seu próprio poder, concedido a ele por ninguém menos do que as autoridades de Hogwarts. E mais, o título ainda vinha com um broche, um emblema visível mostrando quem ele era e o que isso significava. Mesmo que alguns estudantes não o respeitassem, eles tinham que respeitar o símbolo de poder dado a ele pelo próprio diretor, Albus Dumbledore.

Honestamente, ele também amava os altos que vinham com o trabalho. A posição realmente tinha seus privilégios. Privilégios como o uso do exclusivo banheiro dos monitores, que oferecia uma grande quantidade de extravagância e luxo que ele estava acostumado. Ele havia criado um hábito no seu sexto ano de se retirar para esse santuário depois de um dia particularmente estressante. Como hoje.

Mas, ser um monitor não o salvou de uma detenção depois que McGonagall o apanhou lançando uma maldição em uma garota do quarto ano que tinha uma enorme insinuação com ele. A garota tinha colocado na cabeça que eles foram feitos um para o outro, seguindo Draco por todos os lados do castelo. Ele não se arrependeu da maldição - fora necessária; a garota estava se comportando como uma idiota, e seus amigos não o deixavam em paz sobre o assunto. Arrependeu-se de ter sido pego. Principalmente por aquela vaca da McGonagall, que tinha algum fetiche por humilhá-lo. Ela nunca o fazia copiar pergaminhos, ou arrumar livros em ordem alfabética, ou qualquer uma dessas punições que ela dava para seus queridos grifinórios - ah, não. Para ele era sempre alguma tarefa ridícula digna de um elfo-doméstico, de joelhos, e quanto mais sujo melhor. A mulher tinha uma séria perversão por humilhação.

Cansado, suado, e sujo, ele juntou suas coisas e foi ao banheiro para um banho tardio.

A água bateu na sua pele cansada, massageando seus músculos com pequenas agulhas de pressão. Ele passou o sabonete pelas suas pernas e braços, assistindo à espuma branca se formando aos seus pés. Virando as costas para o jato de água, espalhou o xampu pelo seu cabelo e ouviu assim como sentiu o barulho de suas mãos massageando seu coro cabeludo. Limpo novamente, ele ficou parado, apenas sentindo a água batendo em seu corpo.

Ela era particularmente boa batendo em seu pênis. Alcançou preguiçosamente o sabonete e permitiu que sua mão lubrificada aumentasse o poder da água para excitá-lo. Excelente.

Não se preocupou em parar ao ouvir a porta sendo aberta. Virando um pouco, viu Joseph Flint, o irmão mais novo de Marcus e monitor do quinto ano da Sonserina. Não alguém com quem ele se preocuparia normalmente. Flint tinha um lastimável defeito, não tinha o poder de influenciar outros - como ele havia conseguido virar monitor era um mistério que nunca seria solucionado. Ele fechou os olhos e voltou à sua atividade mais gratificante.

"Malfoy. O que você está fazendo?", Flint perguntou, com surpresa aparente em sua voz.

Irritado, ele abriu os olhos para encarar o outro garoto com malícia. "O que parece que estou fazendo?".

Flint começou a andar na direção dos chuveiros, e parou abruptamente. "Hum. Eu...Certo".

Draco fez um som de concordância. "Sim, certo. A próxima pergunta é o que você está fazendo?".

"Eu, hum, eu queria tomar banho".

"Fique à vontade", ele disse e fechou seus olhos novamente. Sua mão manteve seu ritmo vagaroso, se masturbando sem demora. "Fique ou vá".

Ele ouviu Flint colocar seus pertences em algum lugar perto dele, o som amplificado no grande banheiro. Draco sorriu consigo mesmo com a idéia desse estudante não sofisticado tentando parecer despreocupado na presença de um veterano se masturbando. Inicialmente, ele não tinha parado por egoísmo, não querendo parar suas ações por causa de alguém como Flint. Mas agora percebeu que estava intrigado com a idéia de uma audiência, e estava ficando muito excitado por saber que estava sendo observado. Isso era uma situação completamente nova. Dava-lhe uma sensação de poder que nunca tinha experimentado antes.

Flint limpou sua garganta para chamar a atenção. "Você não vai parar?".

"Não".

"Você é algum tipo de pervertido, então?". Flint riu nervosamente.

Ele abriu os olhos e lançou um olhar 'Malfoy' cheio de poder para o outro garoto e ficou satisfeito ao vê-lo encolher em resposta. "Escute, Flint. Ou fique, ou vá. Ignore ou assista. Dá tudo no mesmo para mim. É sua escolha, não minha". Até mesmo um idiota como Flint iria captar a mensagem.

Flint ficou. E Draco sabia que ele estava assistindo. Ele ouviu o som metálico do cinto de Flint bater no chão. Draco observou enquanto o garoto ligou o chuveiro, e o som da água aumentou no banheiro. Draco encarou, sem expressão, enquanto Flint colocou-se embaixo do jato de água, seu cabelo preto e encaracolado ficando ainda mais escuro. Flint olhou para ele com nervosismo e excitação. Ele estava corado, o rosado descendo até seu pescoço e tórax, e ele já estava parcialmente ereto.

"Então, quem é o pervertido agora?", Draco perguntou, com um olhar cortante.

Flint lhe ofereceu um sorriso e então começou a vir na direção dele.

"Pare". Ele ordenou e o outro garoto pareceu surpreso, mas parou imediatamente.

"Fique onde está. Você pode olhar, mas não pode tocar".

"Eu não ia-".

Ele fez um som de irritação. "Merlin, Flint, cala a boca. Muita conversa. Você está arruinando o clima aqui". Com isso, foi novamente para debaixo d'água, inclinando sua cabeça para cima e deixando o jato bater contra seu rosto e ombros como uma onda quente.

Se antes ele estava concentrado em terminar o trabalho, agora estava pesando no show que estava dando a Flint. Não que estivesse remotamente interessado no outro garoto. Isso não tinha nada a ver com Flint. Era tudo sobre poder e controle. E era tudo pelo prazer. Era erótico. Era estimulante demais.

Suas mãos desenhavam texturas sedutoras pela sua pele pálida e molhada. Ele adicionou um pouco mais de sabonete em suas palmas e permitiu que elas deslizassem pelos seus ombros e tórax. Seus dedos circularam seus mamilos rosados, beliscando-os gentilmente, e continuando sua viajem para baixo, baixo, até que seu pênis estava novamente em suas mãos. Ele suspirou em puro prazer, uma mão em sua ereção, enquanto a outra acariciava seu saco e enrolava os dedos nos pêlos molhados da base. Ele ouviu um baixo gemido da sua audiência, e não conseguiu disfarçar seu sorriso satisfeito.

Ele nunca tinha apreciado totalmente o poder que esse tipo de ação sexual poderia trazer. Ele sabia por observação, é claro, que ele era considerado muito atraente entre garotas e garotos, e até mesmo entre alguns amigos de seu pai. Mas ele só tinha apreciado isso de uma maneira abstrata - até agora. Porque era incrível - saber que Flint estava obcecado por ele durante esses breves momentos, a expressão de adoração no rosto do outro rapaz provando seu desejo.

Durante toda sua vida, tinha aprendido de seu pai os fatos cruciais sobre ter e usar poder, mas talvez sua mãe soubesse de algo sobre poder também - algo que ele não tinha percebido. Nunca havia analisado antes, mas ela tinha um poder sutil e genuíno; homens intencionalmente concediam poder a ela enquanto respondiam às suas manipulações sensuais. E de repente, com sua mão em sua ereção e os olhos de Flint sobre si, estava se sentindo muito mais como filho de sua mãe.

Aproximava-se de um orgasmo, ficando mais excitado do que jamais tinha ficado usando sua própria mão. Tão duro agora que era quase doloroso, ele abriu seus olhos para olhar diretamente para Flint, que estava de boca aberta em óbvio desejo diante da exibição na sua frente. A própria mão de Flint estava em seu pênis, mas sem mover-se, como se o garoto mais novo tivesse esquecido de si próprio completamente. Draco concentrou-se nos olhos do outro sonserino, e então ele chegara ao clímax, desinibido, furioso, extravagante. Sua respiração rápida e seus gemidos ecoaram pelo banheiro.

Draco se apoiou na parede no banheiro até que sua respiração voltasse ao normal e suas pernas pudessem carregá-lo novamente. Então, depois de uma última enxaguada no chuveiro, ele desligou a água, enxugou-se bruscamente, vestiu seu robe, e sem uma única palavra ao seu espectador, dirigiu-se à porta.

Um rápido olhar, no entanto, mostrou que Flint finalmente lembrara o que sua mão era capaz de fazer.


In the locust wind, comes a rattle and hum; Jacob wrestled the angel, and the angel was overcome.
Na nuvem de gafanhotos vem um chocalho e um zumbido ;Jacob lutou contra o anjo, e o anjo foi derrotado.

Bullet the Blue Sky - U2


Draco sempre gostava das suas tardes clandestinas passadas treinando com Snape, especialmente quando ela oferecia um descanso dos estudos para os NIEM's. Na verdade, sua preparação estava indo ótima, mas a de Gregory não. Ele estava impressionado que seu amigo tivesse sobrevivido ao curso rigoroso do sétimo ano. Gregory, que nunca fora um estudante talentoso, tinha apenas continuado em Hogwarts por Draco. Em gratidão, ele sentia-se obrigado a ajudá-lo quando podia. Mesmo assim, ele mal podia esperar pelas tardes longe das aulas particulares com seu amigo.

Ele e Snape estavam trabalhando com Veritaserum, e Draco nunca sabia com certeza se as sessões o faziam mais intrigado ou temeroso. Mas a droga era uma arma primária em espionagem - ambos os lados dependiam dela para interrogações.

"Veritaserum é a poção mais usada no mundo mágico". Snape o informou.

Ele não resistiu. "Não é o lubrificante, então?".

Snape meramente revirou seus olhos pela impertinência.

"O governador romano Pôncio Pilatos fez a famosa pergunta, O que é a verdade?". Ele continuou. "Todos sabem que Veritaserum faz com que respondam todas as perguntas com apenas a verdade. Mas muitas verdades são suficientes para responderem as perguntas. Eu vou ajudá-lo a praticar, contando o mínimo possível de verdades que você puder".

Ele estava fascinado. Nunca tinha pensado nas respostas que se poderia dar sob e efeito da poção. "Então é possível mentir sob Veritaserum?".

"Você não pode mentir, mas enquanto você acredite que o que está contando é verdade, você poderá responder de várias maneiras. Faça uma pergunta e eu demonstrarei".

Ele considerou o desafio, então sorriu maliciosamente. "Está bem. Você já dormiu com alguém?".

Snape fez um som de indignação. "Você parece pensar que eu não esperava essa pergunta em particular de você. Eu o conheço há muito tempo". Ele pausou, mas Draco sabiamente continuou quieto. "Uma maneira para eu responder essa pergunta é com um simples sim. Porque sua pergunta é muito vaga e permite várias interpretações, eu posso dizer sim, porque eu literalmente dormi com alguém. Minha mãe, por exemplo, quando era uma criança. Colegas de quarto quando era um estudante - tecnicamente, estávamos dormindo no mesmo quarto, então eu acredito que a resposta seja sim".

Draco tinha que lhe dar crédito pela sutileza da resposta. "Então a pergunta foi inútil".

"Sim. Muitos interrogadores cometem o mesmo erro que você quando fazem uma pergunta que pode ser entendida de outras maneiras. Use isso para sua vantagem, se puder".

Ele sabia que Snape não iria se aprofundar na pergunta impertinente. "Posso tentar outra?".

Snape concordou com um gesto da cabeça.

"Você é um espião para Dumbledore?".

"Muito bom. Sem treinamento para resistir à sua pergunta, eu ficaria tentado a dizer sim. Mas eu levarei quanto tempo a poção permitir para olhar a pergunta sob diferentes aspectos, e procurar por uma resposta não incriminadora. Então ao invés de responder sim, eu posso dizer que Dumbledore acredita que eu seja um espião para ele - o que é verdade - e que sua crença é necessária para meu disfarce - também verdade. Se minha resposta for elaborada o suficiente, eu posso disfarçar o fato de que não respondi a pergunta diretamente".

Depois de algumas semanas com esse tipo de preparação, Draco sentia-se mais confiante em sua habilidade de 'mentir' sob questionamento. Até mesmo Snape parecia satisfeito com seu progresso. Talvez, por ser um sonserino, ele tinha uma vantagem natural. Pelas próximas três sessões, eles praticaram com Veritaserum. Para começar, Draco iria testar sua habilidade de desviar as perguntas, e então Snape tomaria uma dose para que Draco pudesse praticar perguntas úteis.

Snape lhe passou a pequena dose da poção, misturada a um pouco de uísque, e Draco levantou o copo, engolindo o líquido sem objeções. Eles esperaram alguns minutos para a dose surtir efeito.

"Você completou sua tarefa de casa essa tarde antes de vir aqui?". Snape sempre começava a interrogação com algumas perguntas inocentes, designadas a relaxar Draco e colocá-lo no costume de responder diretamente. Seu objetivo era desviar das perguntas simples até um padrão mais dissimulado.

Ele esperou o quanto pôde para responder, mas a pressão para falar acumulou-se rapidamente, até que ele foi forçado a responder, "Nada me impediu de vir aqui hoje".

"Nem mesmo Goyle?".

"Gregory nunca tenta me prejudicar. Ele é um amigo leal".

Snape fez um sinal de aprovação. "Você está se preparando adequadamente para os NIEM's?".

Ele sorriu. "Sim. E não." Ele tinha se baseado na palavra adequadamente - subjetiva o suficiente para que ele pudesse interpretá-la de várias maneiras.

"Ambas? Como isso é possível?", Snape perguntou.

"Eu nunca sei se minha preparação é inteiramente adequada. Depende do dia, eu suponho".

"E quantos NEWTs você acha que conseguirá?".

"Todos que eu realmente quiser".

"Você tem um número em mente?".

"Sim". Ele teve que se segurar para não oferecer o número, já que não tinha sido perguntado diretamente qual era.

"Ótimo, Draco. Você melhorou muito desde nosso primeiro julgamento". Ele pausou.

"Mas responder essas perguntas é como capturar o pomo de ouro azarado, não é assim que você diz?".

Nunca tendo realmente feito isso, poderia só responder, "Eu não sei".

"Já é hora de você prosseguir. A maioria das perguntas que serão feitas sob essas condições terá um grande componente emocional a elas. É muito mais difícil respondê-las cuidadosamente e controlar suas emoções ao mesmo tempo."

Draco ficou nervoso diante dessas palavras.

"Então vamos tentar essa: você já dormiu com alguém, Sr. Malfoy?".

Ele sorriu, lembrando da pergunta idêntica que fizera a Snape há algumas semanas.

"É claro, Professor".

"Significando...".

"Eu dormi com minha mãe quando era um bebê e com meus companheiros de quarto no dormitório".

Snape sorriu cruelmente antes de perguntar, "Você já teve algum tipo de relação sexual com alguém ao ponto do orgasmo?".

O sorriso desapareceu de seu rosto. "Eu... Eu... Não". Ele não tinha conseguido pensar em nenhum significado alternativo para aquela pergunta antes que o Veritaserum o forçasse a responder.

"Você já beijou alguém?".

"Sim". Dessa vez ele nem se preocupou em sorrir.

"Significando..."

"Minha mãe. Meu pai. Meus avós. Metade dos meus parentes, na verdade".

"Você já beijou alguém em uma maneira sexual?".

Novamente ele sentiu-se preso antes de responder, "Sim".

"Essa pessoa sortuda é uma garota?".

Draco hesitou. Ela poderia ser considerada uma mulher agora, não uma garota. Mas que resposta ele iria dar - sim ou não? A poção estava insistindo em seu cérebro que ele respondesse, limitando sua linha de pensamento. Sem saber qual o beneficiaria, ele resolveu responder, "Talvez".

"Você já beijou algum garoto?".

Isso o irritou. Mas era similar o suficiente à outra pergunta para responder da mesma maneira. "Talvez".

"Algum do sexo masculino?".

Preso. "Sim".

"Quem foi?".

A raiva de Draco aumentou, e ele perguntou, rispidamente, "Por que você está me perguntando isso? Não é da sua conta". Mas então ele sentiu a pressão se construindo para que ele respondesse, e ele ouviu-se dizendo, "Zacharias Smith". Era embaraçoso admitir que ele ficara com alguém que ambos sabiam que era sobra de Potter.

Por sua parte, Snape parecia não ter sido afetado pela explosão emocional de seu aluno. "Como eu disse, Draco, essa sessão é para ajudá-lo a desviar perguntas sob estresse emocional. Suas repostas não fazem diferença para mim".

"É só que... Esquece". Ele parou, ainda irritado.

"Isso ocorreu mais de uma vez?".

Ele lutou com a palavra isso, procurando por uma brecha no significado, mas sua compostura estava trêmula. "Sim". Mas ele se recusava a confessar mais que isso. Uma pequena vitória.

"Você ainda vê o Sr. Smith?".

Vê, aí estava uma palavra útil. "Sim. Eu o vejo todos os dias, nas aulas".

"Você ainda está trocando beijos de natureza sexual com o Sr. Smith?".

Isso tinha que ser mais do que um exercício de treino. "Não".

"Por que não?".

Ele nunca iria parar? "Está no passado". Pronto, essa foi um pouco mais vaga.

"Por que você não está mais romanticamente envolvido com o Sr. Smith?".

Merlim. "Foi semanas atrás. E nunca foi desse jeito - romântico. Era simplesmente dois caras experimentando".

"Você sente falta dele?".

"Severus.Chega. Você disse que nunca iria tão longe. Você sabe, sobre minha sexualidade. E não, eu não sinto falta dele, tá bom?".

Snape sorriu. "Essas informações nunca sairão daqui. Eu prometi isso a você e pretendo cumprir. Eu sei que você acha isso embaraçoso, mas tente olhar além da natureza das questões e concentre-se no objetivo. Estou tentando ensiná-lo como resistir minhas perguntas".

"Mas eu não posso. Não há brechas".

"Exatamente". Snape relaxou em sua cadeira com um ar satisfeito. "Nem toda pergunta pode ser facilmente contornada. Algumas são tão específicas que você não pode fazer nada a não ser respondê-las. Você deve aprender a aceitar isso".

Draco fez um som de irritação e desviou o olhar.

"Você está trocando beijos de natureza sexual com alguém no momento?".

Ele controlou seu crescente desconforto e pensou cuidadosamente. Tudo bem, não nesse exato minuto.

"Não".

"Na semana passada?".

Draco não parecia satisfeito. "Não".

"Você se arrepende da situação em que está?".

Ele sabia que Snape estava propositalmente tentando irritá-lo, e mesmo assim ele não pôde conter sua crescente raiva. "Sim. Maldição, eu tenho dezessete anos. É claro que eu gostaria de estar trocando beijos de natureza sexual com alguém".

Ele percebeu seu erro imediatamente, e Snape se apressou em explorar a brecha que ele tinha oferecido.

"Quem seria esse alguém, Draco?".

Ele tentou diminuir o ritmo da conversa, para que tivesse mais tempo para pensar. "Hum. Tem muitos candidatos. Eu acho que começaria com o apanhador do Puddlemere United, cujos... talentos... Estão à mostra na mais recente capa da Bruxa Semanal. Tem um atendente na Floreios e Borrões que é certamente interessante. Alguns de meus colegas". Ele sentiu como se tivesse retomado controle da conversa e relaxou um pouco.

"Mas tem alguém específico em sua mente?"

Draco estava ficando desesperado. "Eu tenho várias pessoas em mente no momento".

"Mas tem uma pessoa em particular na sua vida com quem você gostaria de trocar aqueles beijos de natureza sexual?".

Não. Deus, não. "Por favor, Severus. Por favor não me pergunte isso. Eu não posso... Eu não quero contar...". Mas a pressão estava insuportável, ele viu-se confessando, "Porque é você". Ele abaixou a cabeça, sentindo-se miserável e derrotado. "Por que você... Eu só... Sinto muito".

Ele não podia olhar para seu mentor. Ele estava acabado. Por que Snape tinha que fazê-lo admitir aquilo - por quê? Será que ele suspeitava e não deixaria Draco em paz até que tivesse certeza?

O silêncio começou a ficar doloroso ao redor deles. Finalmente, Snape falou. Sua voz tinha perdido todo o antagonismo, parecendo quase gentil.

"Desculpe por tê-lo a dizer isso. Acredite, eu não tinha idéia de que você... Bem. Eu peço desculpas".

Draco ainda não conseguia encará-lo. "Eu nunca contaria isso. Eu sei que você é meu professor, e nós dois poderíamos se complicar se algo acontecesse entre nós. Eu sei disso".

"Por favor, não se desculpe. Se eu soubesse, eu nunca teria começado aquelas perguntas".

Ele sentia uma gigante necessidade de continuar se explicando - se era efeito da poção, ele não podia dizer. Sua dignidade estava em pedaços. Snape com certeza achava que ele era simplesmente um adolescente movido a hormônios com uma paixão pelo professor. Não que ele estivesse completamente errado, mas mesmo assim...

"Eu não estou apaixonado por você ou algo do gênero". Ele admitiu, olhando para o chão. "É só que eu passei a conhecer você melhor nesses últimos três anos. Você não é quem demonstra ser. Eu o acho interessante, só isso".

Snape estava sendo muito paciente com ele, tentando aliviar o peso da confissão. "Eu entendo. Não pense que me ofendeu, Draco. É lisonjeador. Mas irreal. Agora, não diga mais nada até que os efeitos do Veritaserum tenham acabado. Eu acho que temos aproximadamente cinco minutos. Então você poderá retornar ao seu quarto, ou nós continuaremos com seu treinamento".

Ele concordou com um aceno da cabeça. Ele percebeu que Snape havia se deslocado para outra parte do escritório, deixando-o em respeitosa solidão. Depois do que pareciam agonizantes horas, mas na verdade eram aproximadamente dez minutos, ele retornou.

"Você ainda está irritado comigo?", Snape perguntou.

"Eu acho que não vou responder isso, se não se importa", ele disse, com um sorriso. Os efeitos do Veritaserum tinham acabado.

"Nós podemos parar agora se quiser".

"Ah, não, eu quero minha vez com você. Vá em frente e tome a poção como um bom espião para os Comensais da Morte". Ele finalmente reunira coragem suficiente para encarar o outro homem, e ficou satisfeito com o sorriso que viu em resposta a sua pequena tentativa de humor.

O Veritaserum foi tomado, com muito mais uísque do que o servido a Draco.

Enquanto esperavam a poção tomar efeito, ele contemplou as perguntas que faria. Com o sinal de Snape, ele começou.

"Quando você me perguntou quem eu tinha em mente para - bem, para coisas românticas - você sabia o que eu iria responder?".

Snape olhou-o intensamente nos olhos. "Não. Eu não tinha idéia. Se eu suspeitasse, eu nunca teria feito a pergunta. Não era minha intenção machucá-lo".

"Por que você me perguntou aquilo, para começar?".

"Como eu disse, para aumentar suas emoções. Eu sei que ser gay é um assunto sensível para você, um que eu tinha certeza que iria provocá-lo rapidamente".

"Então você usou isso contra mim?".

"Não contra você. Nunca contra você. Eu queria usar isso para ajudá-lo a fortalecer suas habilidades. Se você for questionado sob Veritaserum por Comensais da Morte, eles serão muito mais duros". Snape não estava fazendo nenhuma tentativa de desviar as perguntas, respondendo todas completamente. Ele estava se desculpando da única maneira que sabia como, Draco percebeu. Ele estava agradecido.

"Você é gay, Severus?".

Snape respirou profundamente. "Não. Eu não sou. Eu prefiro mulheres. Embora eu admita, provavelmente sem surpresas, que minha vida amorosa não tem sido tão ativa como poderia ser". Ele levantou uma sobrancelha. "Eu não estou trocando beijos de natureza sexual, também. Embora eu já não tenha mais dezessete anos".

Draco desviou o olhar rapidamente antes que a risada em seus olhos ficasse muito aparente. "Então eu não tenho chances com você?".

"Nenhuma. Mas se eu fosse inclinado, eu acharia difícil de resistir aos seus charmes, Sr. Malfoy".

Ele fez uma reverência de brincadeira. "Pois deveria, Professor. Eu sou um tesouro único e especial, como minha mãe poderia lhe dizer. Você gostaria de me elogiar em detalhes? Estou disposto a ouvi-lo, se você sentir a necessidade de desabafar".

"Você me tem em desvantagem. Então eu irei apenas afirmar que já disse tudo que tenho a dizer e deixar assim".

Ele estava se preparando para responder quando a lareira brilhou em abrupta iluminação, e o rosto sério do diretor apareceu ali. Ambos reagiram rapidamente à sua presença.

"Severus. Draco. Por favor, perdoem minha interrupção, mas eu senti que era necessário falar com vocês. Nós tivemos notícias de um aumento nas atividades dos Comensais da Morte nas últimas horas. Além disso, muitos estudantes cujos pais são leais a Voldemort foram chamados e já começaram a deixar o castelo. Na verdade, Draco, eu acredito que você encontrará uma coruja esperando por você no seu quarto. Por isso, estou convocando uma reunião imediata da Ordem no meu escritório".

Snape levantou-se abruptamente. "Estarei logo lá, senhor". Dumbledore desapareceu, mas Draco continuou a encarar as chamas em choque.

"É melhor eu me aprontar para ir embora, também", ele disse, trêmulo, levantando-se. "Meu pai provavelmente me chamou".

"Não, Draco". Snape mandou. "Eu quero que fique aqui em Hogwarts".

Ele só podia olhar para seu mentor, confuso. "O que está dizendo? Eu preciso ir. Nós planejamos isso. Nós -".

Snape o alcançou e o agarrou pelos braços rudemente, segurando-o no lugar. "Eu não acho que você deve ir ainda. Tem que ter algum jeito de atrasarmos isso. Diga a seu pai que você tem que tirar seus NIEM's. Diga a ele -".

"Não. Eu não posso. Eu não entendo porque está dizendo isso. Nós planejamos tudo, esperando que isso acontecesse".

Ele podia ver que Snape estava lutando contra o Veritaserum ainda em seu sistema, que o forçava a falar verdadeiramente. "Eu não quero que você vá. Eu temo por você, Draco. Eu quero que espere até que eu esteja lá para protegê-lo".

"Oh, Severus. Eu vou ficar bem. Em pouco tempo você poderá se juntar a mim, e você sabe que eu posso me virar até você chegar. Eu prometo não fazer nada de extraordinário. Eu não sou um grifinório - você pode confiar que vou manter minha cabeça baixa. Você me ensinou bem".

"Draco". Ele nunca tinha escutado a voz de seu professor conter tanta emoção, e Draco fechou os olhos e deixou-se levar pela sensação.

"Eu preciso ir. Se eu não for, eles suspeitarão, você sabe disso".

"Sim, eu sei disso. Mas eu queria que as coisas não tivessem que ser assim. Eu esperava que você não fosse chamado, que você pudesse ficar aqui até... Bem". Ele soltou os braços de Draco, e suspirou. "Você está certo".

Ele estava repentinamente ciente do que ele estava prestes a fazer e para onde estava indo. Ouvir Snape expressando seu medo honesto havia criado um medo similar nele, e ele admitiu isso pela primeira vez desde que a aliança deles foi formada. Ele estava com medo. Repentinamente em pânico, ele se jogou nos braços surpresos de Snape, e eles se seguraram perto.

"Dumbledore está esperando". Snape finalmente falou.

"Estou pronto", ele respondeu, embora ele soubesse que não diria isso sob Veritaserum.

Snape o abraçou por mais um momento, no entanto. "Draco, não se arrependa do que me contou antes. Eu não estou. Para mim é uma honra ser considerado tanto por você. Assim como você é por mim". Ele soltou-se então como se não pudesse agüentar admitir mais do que aquilo. "Precisamos ir".


Make a cross, make amends to set the record straight,
We've never said the only things we should have ever bothered saying
.

Faça uma cruz, faça reparos para deixar tudo certo,
Nós nunca falamos as únicas coisas que deveríamos nos preocupar em falar.

Sole Salvation - English Beat


A tarde tinha tomado um ar de tanto surrealismo que Draco lutou para manter a direção. De alguma maneira, durante os longos meses que ele passara treinando intimamente com Severus, tinha se dado ao luxo de esquecer - tinha esquecido exatamente por que ele estava treinando, o que aconteceria a seguir, onde ele iria acabar. Mas Severus o havia permitido isso. Naquela noite, ele percebeu que seu mentor tinha quase esquecido também.

A coruja de seu pai estava esperando na janela de seu quarto. Com mãos trêmulas, ele precisou de três tentativas até conseguir soltar a carta da pata da coruja, ignorando o olhar gelado da criatura. Era uma mensagem muito curta.

Chegou a hora. Venha para casa imediatamente.

Ele precisava responder para que a coruja da família pudesse retornar à Mansão, mas as palavras não vinham. No final, tudo que ele pôde escrever foi um tenso, "Sim". Ele nem se preocupou em assinar.

Sim. Chegou a hora.

Ele estava então perdido quanto a o que levar e o que deixar para trás. Xingando-se por não ter se preparado mentalmente antes, ele rumou até seu baú, retirando o essencial. Cartas de Crabbe, escritas para ele de Durmstrang. Um inesperado e luxuoso tinteiro que Goyle o tinha dado no seu aniversário. Algumas roupas, algumas fotos, sua coleção de autógrafos de Quadribol. Sua vassoura.

Ele parou, indeciso, sobre seu trabalho escolar. Algumas horas atrás, tinha trabalhado incessantemente no pergaminho sobre sua mesa, juntando teorias de Aritmancia para criar um complexo diagrama. E agora - tudo inútil. Ele olhou o resto dos papéis, todos empilhados metodicamente, prontos para serem revisados para os exames - tudo desnecessário. Não haveria mais Aritmancia, nada de aulas, nada de NIEM's. Sua vida como estudante de Hogwarts tinha chegado a um abrupto fim.

Por um breve instante, ele queria nada mais do que fazer um dramático desabafo colocando tudo em chamas, e pegou sua varinha. No último minuto, ele desistiu da idéia - impulso infantil, na verdade – e, em vez disso, usou sua varinha para encolher sua modesta mala. Ele colocou-a no seu bolso.

Com um último, triste olhar, fechou firmemente a porta do seu quarto atrás dele.

Mais uma vez que ele pensava sobre o fim de sua vida em Hogwarts, ele não conseguia se livrar da tristeza imensa que se apossou dele. Já estava de luto - era ridículo, patético, ele se disse bruscamente; não era como um Malfoy deveria se comportar nessa situação. Mas toda virada trazia uma nova distração - essa será a última vez que ouvirei a porta do Salão Comunal fechar atrás de mim... A última vez que sentirei o ar gélido nos corredores das masmorras... A última vez que verei os retratos acenando para mim enquanto passo por eles... A última vez que sentirei as geladas paredes de pedras sobre minhas mãos... A última vez...

Ele queria ir para o outro lado das barreiras de Dumbledore. O caminho até os portões nunca pareceu ser tão longe, e seu coração doía com cada passo. Se ao menos seu caminho não fosse tão assustador, tão incerto, tão solitário, ele disse a si mesmo, então ele não teria caído tão rapidamente nessa melancolia negra. Se ao menos tivesse se preparado melhor...

Ouviu passos no corredor escuro atrás dele e nervosamente virou sua cabeça para ver quem o seguia nas sombras entre as estátuas.

Potter.

Ele não estava nem surpreso. Toda a tarde, desde que Dumbledore havia chamado todas as Casas juntas e deu as notícias da guerra, conversas agitadas tinham estourado na escola, e nos Salões Comunais, nos lugares secretos de Hogwarts. Draco tinha percebido a presença de Potter, registrado a tensão do garoto que estava sendo liberada como faíscas. Ele observou enquanto o grifinório andava, inquieto e alerta, como se fosse atacar qualquer um que ousasse a se mexer.

Ambos pararam, esperando. Parecia um duelo.

"Malfoy".

"Potter". Ele resistiu à vontade irracional de acompanhar o cumprimento com uma reverência, e permitiu que o outro garoto se aproximasse sem uma palavra.

"Aonde você vai?". Havia desafio naquela voz.

Ele engoliu a primeira resposta que veio à cabeça, e a segunda, e a terceira. Ambos sabiam que não era da conta dele; ele tinha o mesmo direito de vagar pelos corredores que Potter tinha. Essa conversa não tinha propósito. O que era importante já havia sido dito, todas as palavras grosseiras, os desafios e ameaças. Não havia palavras de sobra. E ele estava cansado, ele admitira estar com medo, e ele não continuaria com esses joguinhos. Não hoje. Estava acabado.

Então ele não disse nada.

"Por que, Malfoy?". Potter não precisava dizer muito; ambos sabiam o que aquela pergunta significava.

Ele não nem começaria a explicar, percebeu infeliz, mesmo que pudesse.

"Chegou minha hora de ir".

Potter fez uma careta, mesmo que tivesse esperando essa resposta ou algo muito parecido com isso. Draco observou o garoto cerrar suas mãos em punhos. "As coisas não precisam ser assim. Todos têm uma escolha. Até mesmo você, Malfoy. Você não precisa ir até Voldemort só porque seu pai foi".

Ele percebeu que, incrivelmente, Potter estava dando o discurso completo, usando toda a persuasão que possuía, toda a paixão e convicção que ele tinha pela causa. Ele deu voz à sua paixão com a sinceridade que o definia tão bem. Draco estava francamente surpreso que ele tentara, que aparentemente até mesmo Draco Malfoy não era tão sem salvação que Potter o deixaria ir sem uma luta. Draco deixou-o falar, pensando - essa é a última vez que nós nos enfrentaremos.

Em outras circunstâncias, ele teria permitido que fosse persuadido por Potter. Em uma parte distante de sua mente, ele imaginava como teria sido. Qual teria sido a reação de Potter? Ele poderia se esquecer de anos de animosidade em prol da lealdade à Ordem? Conseguiriam eles colocar a raiva e ódio de lado - talvez até ficarem amigos?

Mas o caminho de Draco o guiava em outra direção, e ele deixou suas palavras se repetirem. "Chegou minha hora de ir".

"Você não me respondeu. Eu quero saber. Por quê?".

Potter era teimoso, ele tinha que admitir. Ser o salvador do mundo mágico já era provavelmente um reflexo agora, algo do qual ele não podia desligar.

"Potter, eu não devo uma explicação. Eu tenho minhas razões". Por que ele tinha que tornar isso tão difícil?

"Malfoy—".

"Olha, eu vou encontrar você um dia quando tudo isso tiver acabado e explicar durante drinques". Mesmo quando dizia isso e imaginava os dois relaxando com uísque de fogo, sabia que era uma fantasia que nunca se concretizaria. Eles não iriam sobreviver essa guerra.

"Não. Não vá, Malfoy. Por favor".

Em retrospectiva, nunca entendeu por que Potter reagira daquela maneira - talvez fosse uma maneira de dar adeus à sua infância. Ou poderia ser uma reação da sua confissão anterior a Severus. Tudo era tão frio, tão final - o corredor, a noite, as palavras ecoando ao redor dele. Tudo estava se fechando ao redor dele, congelando-o. Talvez fosse a única maneira de procurar aquecimento. Adeus... Adeus... Essa é última vez...

Mas alguma coisa no tom de voz de Potter, alguma coisa no seu pedido suspirado, fez com que ele se rendesse ao impulso de ficar mais próximo do seu rival, de cuidadosamente colocar suas mãos nos ombros dele e puxá-lo para perto. Ele sentiu a respiração quente na sua bochecha, repentinamente mais rápida do que durante o discurso, agora íntima e tentadora. Ele agiu sem pensar muito no que estava fazendo - o que ambos estavam fazendo. Ele colocou seus lábios sobre os de Potter e sentiu a pressão de volta como se fosse uma onda quebrando sobre ele. Afogando-o. Adeus.

E no escuro, vazio corredor, onde ele se equilibrava entre dois mundos - aqui entre o passado e o futuro desconhecido - podia fingir que aquele beijo era a única coisa que importava. Ali, se permitiu imaginar que não era mais Draco Malfoy, com toda a história que vinha carregada junto, mas somente um soldado solitário caminhando para a guerra. E ali, quase podia acreditar que Potter era diferente, também.

Eles se separaram quando a realidade se fez presente novamente. Com o coração batendo forte, sua respiração rápida, ele relutantemente largou o outro garoto e tomou um passo para trás. Ele tinha agido inconseqüentemente, sem razões que podia identificar, e sua cabeça estava girando. Ele certamente não tinha esperado ter tomado prazer num beijo daqueles - mas sim.

"Pra que - pra que foi isso?", Potter conseguiu perguntar.

Ele sorriu facilmente. "Por tentar. E talvez para dar sorte".

A face de Potter tomou uma expressão determinada que Draco reconhecia de sete anos de olhares pelos corredores, de desafios nas aulas de Poções, de jogos no campo de quadribol. O outro garoto cortou o espaço entre eles e colocou seus dedos atrás do pescoço de Draco, massageando-os através de seu cabelo loiro. Inclinou-se para frente como se em câmera lenta, finalmente tocando a boca de Draco com a dele, gentil a princípio, mas rapidamente se tornando determinado e forte. Draco não o recusou, não negou nada.

Se o primeiro beijo espontâneo deles tinha sido uma pergunta - O que eu sou para você? -, então esse beijo talvez fosse a reposta. E qual era?

Draco achava que poderia ser essa: nós fizemos diferença na vida um do outro. Até esse momento, eu não valorizava isso.

O inesperado prazer de seu beijo com Potter o dominou. Se existia um nome para o que ele estava sentindo, não sabia. A troca de controle - dele para Potter - tinha mudado tudo em um instante, e o que sobrara de seu controle sumiu. Ele deixou uma mão deslizar sob o pescoço de Potter, e a outra repousar contra o tórax dele, onde ele podia sentir o coração batendo rápido. Potter estava se inclinando e segurando nele ao mesmo tempo, seus dedos segurando Draco como se nunca fossem soltar. E todo o tempo, o beijo os envolvia, os possuía, e ambos ficaram sem fôlego devido a sua intensidade. O ar frio que envolvia Draco tinha sumido.

Potter não cheirava a incensos ou lembrava Draco de estações passadas; ele cheirava a sabonete, assim como qualquer outro garoto. Sua boca não tinha gosto de vinhos exóticos ou doces caros, ele tinha gosto igual de todas as outras pessoas que Draco tinha beijado. Ele não beijava com incrível habilidade e técnica, mas ele beijava com paixão e fogo, e Draco deixou-se capturar completamente.

Se o primeiro beijo deles tinha feito com que esquecesse quem era, apenas brevemente, esse beijo o trouxe de volta à realidade. Acordou-o.

Com uma final, íntima pressão dos lábios, eles se separaram.

"Para dar sorte, então", Potter disse, sua voz soando rouca com emoção controlada. "Você precisará de muita para onde está indo".

Draco olhou uma última vez para ele, gravando na memória como ele estava naquele momento - silencioso e resignado - e virou-se. Adeus.

Mas enquanto ele ia embora, sentia-se curiosamente mais calmo, mais composto, talvez um pouco mais corajoso - e imaginou se beijar um grifinório podia fazer uma pessoa corajosa através de algum estranho tipo de transferência mágica. Com uma determinação inesperada, andou decididamente pelos corredores, abriu fortemente as portas de entrada da escola que ele sabia que nunca mais chamaria de casa, apressou-se pelas últimas colinas até o fim das barreiras, suspirou um último adeus à vida que ele conhecia - a Severus e Gregory, aos seus colegas sonserinos e professores, e sim, a Potter - e aparatou para onde quer que fosse que seu sacrifício o estava levando.