Sorria ao entrar novamente por aquele enorme corredor de mármore onde os saltos faziam cleck e as pessoas passavam apressadas. Avistou Sango na recepção com um sorriso no rosto e pôde ver que tudo iria ficar bem.
- Bom dia Rin! Animada com seu primeiro dia?
- Acho que vou gostar desse lugar – dizia olhando para a recepção de uma ponta a outra.
- Tenho certeza que sim, ainda mais com o Sesshoumaru como chefe.
- Ele é o de menos, afinal porque ele é tão... estressado?
- Hahaha – Sango riu – ele trabalha demais Rin e ano passado não foi um bom ano para ele.
- Entendo. E quando eu começo? – já perguntava animada.
- Venha por aqui, eu te mostro.
Sango fez questão de fazer um tour pelo andar e mostrar tudo que poderia ser interessante para Rin. Quando chegou a sua mesa em si, Rin logo se acomodou e foi tomando ciência de tudo que seria o seu trabalho, gostava de aprender tudo de uma vez, preferia a parte prática. E assim foi seu primeiro dia, sem muitas emoções, Sesshoumaru não estava no escritório, havia ficado no tribunal durante todo o dia para inúmeras audiências.
Ao chegar em casa tudo que ela queria era tomar um banho, jantar e cama, esse era o caminho para a felicidade de Rin naquele momento.
No seu segundo dia estava muito disposta e animada, aquele emprego a tiraria da divida de quatro meses de aluguel e ela finalmente poderia respirar sem peso. Decidiu chegar mais cedo e já ir arrumando tudo, chegou mais cedo até mesmo que Sango. Caminhando pela entrada deparou-se com a sala de Sesshoumaru com a porta entreaberta, aproximou-se e viu aqueles cabelos prateados caídos sobre o rosto, lendo e assinando alguns papéis.
- Você nunca dorme? – indagou Rin.
- Bom dia para você também – não a mirou.
- Bom dia Sesshoumaru – sorriu.
- E você? O que faz aqui tão cedo? – levantou o pulso checando as horas no relógio.
- Queria começar a organizar algumas coisas já que você ainda não me pediu nada.
- Pode começar então – disse sem muita emoção, ainda olhando para os papéis.
Virou-se e decidiu organizar os arquivos, enquanto ia coletando algumas pastas, ela começou a sentir seu estômago implorando por comida e nesse momento pensou "será que Sesshoumaru já comeu?". Olhou novamente para a porta e não pensou duas vezes, correu até o elevador para o térreo e foi até a lanchonete que ai havia.
- Ohayou, por favor... – nesse momento parou e pensou novamente que não tinha nem ideia de que tipo de café ele gostava, então decidiu arriscar – um cappuccino, um suco de laranja e dois tamagoyakis.
Pegou tudo e desajeitadamente foi de volta até o elevador. Não queria dar na cara, então escondeu discretamente a comida nas costas e colocou somente o rosto para dentro da sala.
- Você comeu hoje Sesshoumaru?
- Preciso me preparar para esses casos, comerei depois.
- Acho que não – empurrou com o corpo as portas – vai comer agora.
Sesshoumaru surpreendeu-se com a comida e bebida a sua frente, não demonstrou, porém, somente olhou-a de cima a baixo e pensou quando foi a última vez lhe perguntaram se havia comido.
- Ninguém ganha processo de barriga vazia – sorriu docemente tentando decifrar o rosto de seu chefe.
- Cappuccino? Sério? – e então aquele leve sorriso de canto surgiu em sua boca.
- Argh! Não reclama e come ok? Não sabia o que você gostava – fazia cara de emburrada.
- Obrigada Rin – ainda a olhava, impressionado com o pequeno ato.
Ao caminho de sair da sala, Rin virou-se.
- Ah, estava pensando em organizar os seus processos por sobrenome, fechado, aberto e anulado. O que acha?
- Acho – ainda mastigando, levou a mão a boca – Ótimo, a última secretaria tinha um sistema de organização que não funcionava muito bem.
- Qual era o sistema dela?
- Largar em cima da mesa.
Rin riu e Sesshoumaru adorou o som que ela fazia ao rir. Saiu da sala e começou a organizar os processos em um pequeno arquivo que ficava ali, quando percebeu que não havia mais espaço bateu na porta de seu chefe.
- Sesshoumaru, alguns arquivos anulados podem ficar no arquivo do seu escritório? O de fora está ficando cheio.
- Claro, vou pedir mais arquivos.
- Não farei barulho, prometo.
Continuou arrumando as pastas quando se deparou com um arquivo que possuía uma nota de importante em vermelho.
- Sesshoumaru?
- Você disse que não faria barulhos – quase sorriu.
- Desculpe, é que um arquivo aqui possui uma nota em vermelho e está anulado, você gostaria que eu colocasse em algum lugar diferente? O nome é Ogawa, Yoko Ogawa.
O semblante de Sesshoumaru tornou-se frio e distante naquele momento e ele não respondeu, mas Rin pode perceber que algo havia incomodado ele. Durante os próximos dez segundos ela não sabia o que fazer ou como se comportar até ele finalmente tirou-a daquela situação.
- Deixe em qualquer lugar. Eu, de verdade preciso ir.
O homem levantou-se rapidamente da mesa, juntou alguns processos em baixo do braço, as chaves do carro e saiu porta a fora.
Depois daquilo Rin não conseguiu tirar o dia todo aquele momento da cabeça, havia feito algo errado, com medo de seguir errando foi até a única pessoa que podia ajuda-la, Sango.
- Rin! Como está indo seu segundo dia? – perguntou enquanto via Rin aproximar-se.
- Está... Estranho.
- Como assim? – perguntou Sango impressionada com a expressão no rosto de Rin.
- Sesshoumaru, estávamos nos dando bem e de repente sinto que fiz algo errado, ele foi embora.
- O que aconteceu?
- Depois que perguntei sobre um caso, ele ficou todo esquisito.
- Você lembra qual era o caso?
- Yoko alguma coisa.
O semblante de Sango também mudou e Rin viu novamente uma expressão de distancia quando citou aquele caso, agora definitivamente estava convencida de que o problema não era ela.
- Vem comigo - puxou-a pelo braço e a levou até uma sala de reunião que estava livre – vou te explicar o que aconteceu.
- Parece sério...
- Sesshoumaru nem sempre foi assim. Há alguns anos atrás ele possuía uma noiva, chamada Yoko Ogawa. Ele era muito feliz, não trabalhava nem metade do que trabalha hoje. Um dia eles tiveram uma enorme briga, ela queria que ele fosse com ela para a casa dos pais dela, mas ele tinha processos em cima de processos, audiências de contas milionárias que não poderia deixar com qualquer associado e então depois de alguns gritos ela saiu batendo as portas do escritório, furiosa. Ele colocou a mão na cabeça, mas achou que logo ela acabaria se acalmando. Naquele dia um louco que havia bebido demais acertou o carro dela e acabou capotando. Ela ficou um tempo em coma, mas não resistiu e faleceu. Sempre senti que havia mais que isso sabe? – sentava em uma cadeira e olhava para Rin com o rosto triste, não gostava de contar aquela história – então um dia cheguei aqui mais cedo que todos e olhei o arquivo, ela estava grávida e o bebê morreu com o impacto. Você sabe qual foi a primeira coisa que ele fez assim que ela faleceu?
- Não... – também se sentava a mesa, tentando pensar no que havia despertado nele.
- Ele veio trabalhar, e não parou por uma semana seguida, eu acredito que ele não dormiu naquela semana, estava aqui o tempo todo. Quando completou uma semana, seu meio irmão, Inuyasha o confrontou e disse que se ele não saísse do escritório por bem, sairia por mal, e ele foi, saiu e desapareceu por um mês. Um belo dia ele estava de volta, cumprimentando a todos e frio, trabalha mais que todos, é sempre o primeiro a chegar, último a sair e ainda mais agora que seu pai faleceu e deixou ele como sócio majoritário da firma.
- Não posso acreditar no que eu fiz.
- A culpa não é sua, você não tinha ideia, ele tentou colocar o cara na cadeia, porém o julgamento foi anulado e ele nunca se conformou com isso. Então conselho de amiga – deu uma leve batida no ombro de Rin e disse voltando a recepção - evite esse nome, ele sempre fica estranho.
Rin ficou ali mais alguns minutos, pensando. Precisava falar com ele, voltou a sua mesa e prometeu que não sairia dali, até que ele voltasse e ela pudesse se desculpar.
