Capítulo I
~Operações no morro~
Meiling recebe uma denúncia da existência de um paiol de armas encima de um morro e parte com seu escudeiro, Ahmad, para investigar…
"As revoluções e as guerras revolucionárias são inevitáveis na sociedade de classes, e sem elas é impossível realizar qualquer salto no desenvolvimento social e derrubar as classes dominantes reacionárias e, portanto, impossível para o povo ganhar o poder político."
– Citações do presidente Mao Zedong, capítulo 5, citação 4
Hotan, Xinjiang, Maio de 2014
Eram cinco horas da manhã.
O muezim gritava do topo do minarete da mesquita, com um microfone em mãos, a shahada, a profissão da fé islâmica, dizendo que "Não há deus senão Alá e Muhammad é o seu enviado" em árabe. Era um aviso para todos que o Farj, a primeira oração muçulmana, estava para começar.
Naquele morro, homens saíram dos seus casebres de pedra, moldados pela areia do deserto, com baldes de água nas mãos para fazerem as abluções, uma lavagem ritual das mãos e dos pés, antes do começo das rezas em direção à Meca, pois o Exército de libertação popular havia cortado o fornecimento de água para a mesquita no topo do morro.
Um carro blindado, tal como os carros-fortes de banco, freou bruscamente no sopé daquele morro, levantando poeira atrás de si. Os fiéis ficaram apreensivos ouvindo a freada e os símbolos do Exército popular de libertação impressos na lataria. A porta do blindado negro se abriu e uma mulher de cabelos longos, lisos, negros e olhos vermelhos com uma boina preta na cabeça saiu de lá. Ela ajeitou a boina, fez uma cara de mal terrível, conferindo seu colete a prova de balas e erguendo sua submetralhadora Type 79 para o alto.
Atrás dela, um jovem oficial de cabeça raspada e barba ainda por fazer chamava o restante dos soldados de dentro daquele carro. Os demais homens e mulheres partes daquela operação estavam encapuzados, pois eram moradores de Xinjiang e temiam represálias dos bandoleiros contra seus familiares.
Antes mesmo que pudessem subir o morro pra rezar, a mulher mostrava a eles que rezariam quando o Partido e o Exército determinassem:
– Vai subir ninguém, vai subir ninguém! Podem ficar quietinhos aí!
Alguns homens soltaram seus baldes na hora e correram para suas casas. Outros, mais resistentes e barbudos, ficaram parados olhando para ela para ver o que ia acontecer. O jovem oficial do lado dela se aproximou de um deles e deu uma coronhada forte no rosto dele com o fuzil:
– Não ouviu a capitã? Vai subir ninguém, seu barbudo! Que barba é essa? Tu é terrorista?
O homem dizia não com a cabeça enquanto sua barba era extraída a força pelo oficial com um canivete. O partido comunista baixou uma determinação em Hotan proibindo barbas longas demais ou mulheres com niqab, a veste islâmica que cobre o corpo todo. Aquele espetáculo de força foi o bastante para dizimar a coragem dos mais resistentes que ficaram olhando.
– Ahmad, vamos, não temos tempo a perder e eles podem ter avisado os outros.
– Positivo, Capitã!
Os militares continuaram a caminhar em filha indiana até o topo do morro, dando cobertura um ao outro com suas armas apontadas para o alto. O risco de morte era iminente, mas eles não estavam aí para morrer, nem pra prender ninguém.
Chegaram em um terraço na frente de uma casa e ouviram um homem dando instruções finais para um grupo de Mujahidin, homens preparados a fazerem o martírio em nome do Islã. Esconderam-se numa mureta próxima antes que fossem descobertos, esperando o momento certo par atirar. Um dos soldados se distanciou mais ainda para obter informações visuais dos elementos, gesticulando de longe com os dedos para a capitã.
– Soldados de Alá, hoje é o nosso dia de glória! Vamos atacar com tudo o quartel-general dos infiéis e mostrar para eles que Alá está do nosso lado! Mulheres definitivamente não foram feitas para lutar, nem comandar exércitos! Que o nosso martírio de hoje seja a alvorada de um amanhã ao profeta, que a paz esteja com ele!
Eram cerca de três homens em pé e vinte cinco homens ajoelhados. A Capitã engatilhou o seu fuzil e atacou-os antes que pudessem fazer mais alguma coisa.
TA, TA, TA, TA! Todos mortos.
O ataque daquele pelotão foi rápido o bastante para que as restantes janelas que estavam abertas de curiosos naquelas casas do morro se fechassem de uma vez. Os vinte e cinco mujahidin ajoelhados e dois dos homens que estavam em pé foram mortos. A capitã arrastou pelos cabelos o único sobrevivente até um círculo formado pelos militares daquele pelotão, arrastando-o pilha de sangue e corpos que se formava.
– Bom dia, filho. Tava rezando é?
– Eu… eu só tava ajudando… – O homem tremia. Ele era jovem demais para planejar alguma coisa, concluiu a capitã. – Eu só sou talibã, sabe?
A capitã sorriu ironicamente dele:
– Ah, tu é Talibã, é? – A capitã olhou para os demais soldados em volta deles e apertou com mais força os cabelos dele. – Ele é talibã, galera!
Todos gargalharam.
– Tu é talibã, filho da p***! Tu é talibã, é? – Os soldados começaram a chutar violentamente aquele rapaz. Depois disso, a capitã voltou a agarrá-lo pelo cabelo, apontando a cabeça dele para a pilha de corpos. – Tá vendo isso aqui? É você quem financia essa Merda! É você quem financia essa p****! – A capitã pessoalmente distribuía tapas, socos e chutes no rapaz. Ele começou a chorar.
– Ahmad, traz o saco e o cabo de vassoura! Nesse aqui vamos colocar areia pra lubrificar o rabo!
Quando Ahmad já pegava um cabo de vassoura e uma sacola naquele quintal, o rapaz apontou tremulamente para uma casa:
– É ali… é ali que estão as armas que a gente ia… – O rapaz soluçou, com o nariz escorrendo sangue. – Usar no ataque de hoje!
A capitã agarrou-o pelo colarinho e desferiu mais tapas no rosto dele.
– Cai fora daqui! Cai fora daqui, seu bosta! – Ela olhou para o jovem oficial sem capuz enquanto o jovem talibã sumia atrás do morro. – Ahmad, traz o C4.
O oficial e a equipe encheram o casebre com explosivos, esperaram um tempo até que explodissem.
BOOM! A explosão espalhou pedaços de pau e pedra pelo lugar e gerou um leve tremor no morro. Ahmad temia que aquele terremoto e aquele fogaréu atingisse as casas vizinhas.
Ao ver o fogo consumir aquele barraco, os militares voltaram para o carro-forte.
– Isso vai atrasá-los por um tempo.
A capitã percebeu que o seu jovem oficial hesitava:
– O que foi, Ahmad?
– Capitã… vão matar ele… destruímos o paiol de armas de e… eu conhecia ele… ele tem mãe, tem família e…
– E ele, não ia matar a gente? Deixa de ser besta e vamos embora!
Entraram no carro-forte e saíram de lá.
Notas:
Mujahidin: Guerrilheiros radicais que combatem em nome da religião islâmica aqueles considerados infiéis.
Hotan: Cidade no extremo oeste da China, com cerca de trezentos mil habitantes.
Xinjiang: Província no oeste da China, formada pelo deserto de Taklamakan e pela cadeia de montanhas de Tian Shan. Um quarto da fronteira terrestre e um sexto da área do país é formado pela região.
Talibã: Significa estudante em árabe. Depois, esse nome foi posteriormente tomado pelos fundamentalistas islâmicos do Afeganistão para se denominarem, por isso ele diz que é "talibã" e Meiling interpreta como sendo dos fundamentalistas.
Muita ação e adrenalina nesse cap. Meiling invade o morro e bota tudo pra quebrar, chutando o pau da barraca com tudo! O que será que vai acontecer daqui pra frente? Surpresa! Esperem e verão…
