Prólogo 2: Kurosaki Ichigo.

Seu nome era Kurosaki Ichigo. Um garoto de oito anos, que costumava chamar atenção onde quer que fosse por causa de seus cabelos de cor incomum. Sempre caçoavam de seu nome, chamando-o de "Morango". E ele sempre retrucava, dizendo que seu nome não significava "Morango, e sim "Protetor", o que era inútil, pois sempre voltavam a caçoar.

Sua família era sua razão de viver. Sei pai era o doutor de uma pequena clínica ao lado de sua casa. Francamente, ele achava que seu pai era louco e que precisava de um tratamento psicológico intensivo urgente. Tinha duas irmãs mais novas, gêmeas. Yuzu era a típica menininha meiga que ficava o tempo todo pra lá e pra cá com sua boneca, enquanto Karin era do tipo moleca, sempre com sua bola de futebol. E sua mãe, bem...Ele praticamente idolatrava-a. Amava sua mãe acima de tudo e de todos. Considerava-se o garoto mais sortudo do mundo, pois tinha a mãe mais maravilhosa do universo.

Ichigo praticava Kong Fu quase todas as tardes, junto de sua grande amiga Tatsuki. Ele sempre perdia para ela. No começo sempre chorava quando era derrotado, mas era só avistar sua mãe lhe esperando na saída que já abria um enorme sorriso.

Naquele dia ele estava decidido. Desta vez com certeza iria derrotar Tatsuki, e quando sua mãe chegasse, ele finalmente poderia dizer "Eu venci" para ela. Lutou bravamente, mas a luta terminou em empate. Ficou um pouco decepcionado, mas isso já era um progresso. Isso queria dizer que ele tinha ficado mais forte.

Avistou sua mãe e logo correu ao seu encontro. Chovia muito forte, por isso os dois andavam lado a lado em baixo do guarda-chuva.

- Mamãe. Hoje eu empatei com a Tatsuki-chan. – diz o menino, alegre.

- Sério?! Isso é ótimo! – respondeu Masaki, igualmente alegre.

- Sim! – sorri. – Logo eu vou derrotá-la, e então vou ser forte o bastante para te proteger. – disse decidido.

- Claro que vai. – apoiava. – Mas você quer proteger só a mim?

- Não. Eu quero proteger todo mundo, mas a mamãe vem em primeiro lugar! – sério.

- Pois eu fico muito honrada em ser a primeira da lista. – sorria.

Estavam de mãos dadas, pois a chuva piorava a cada minuto. Um vento forte começou a soprar, o que fez o guarda-chuva acabar escapando das mãos da mulher e sair voando. Ichigo automaticamente saiu correndo atrás do guarda-chuva, sem se quer olhar por onde pisava.

- Ichigo! Espere! – correu atrás dele.

O guarda-chuva caiu na margem do rio. Sem pensar o garoto correu para pegá-lo. Acabou tropeçando. Ia cair direto, mas foi puxado. Sua mãe havia-o puxado, mas em troca caiu em seu lugar.

Masaki caiu margem abaixo e acabou batendo a cabeça com muita força em uma pedra.

O garoto estava paralisado. Se quer piscava. Sua mãe estava ali, caída na margem, com sangue não parando de sair de sua cabeça. Finalmente voltou a si.

- Mamãe!! Mamãe!!!! – gritava desesperado, mas não obtinha resposta alguma. Ele não conseguiria tirá-la de lá sozinho. Precisava de ajuda e rápido, pois o rio já estava quase transbordando. Levantou-se e correu. Bateu como louco na porta de uma das casas, em busca de ajuda.

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Todos no Hospital. As irmãs não paravam de chorar, o pai apreensivo tentando tranqüilizar as filhas, e ele. Ichigo não tinha coragem de encará-los, sabia que tudo aquilo era culpa dele. Se sua mãe morresse jamais se perdoaria. Jamais.

- Meu Deus, por que está demorando tanto? – Isshin já estava impaciente. – Faz mais de duas horas que ela está na cirurgia! – suava frio.

- A mamãe vai ficar bem, não vai? Logo ela vai voltar pra casa com a gente, não vai? – perguntava Yuzu, entre soluços.

- Claro que vai. Vai dar tudo certo, meu bem. – dizia o pai, fingindo estar mais calmo.

A porta da sala de cirurgia se abre. Era o médico. Todos se calaram e o encararam. Esperavam, tinham esperanças de receber alguma boa notícia. Mas o garoto sabia, sentia que algo muito ruim havia acontecido. Seu coração apertava mais a cada segundo, esperando as palavras do médico.

- Eu...Sinto muito. – disse tristemente o médico. – Nós fizemos o possível para salvá-la, mas o ferimento era muito grave, o que acabou causando uma hemorragia cerebral. Ela não conseguiu resistir a cirurgia. Realmente, sinto muito. – disse por fim e saiu.

Não conseguiam acreditar. Como? Como iriam viver sem ela? O que fariam sem ela por perto? Ela, que era o centro daquela família, o sol que iluminava a vida de todos, havia os deixado. Seu brilho havia se apagado.

Pela primeira vez na vida aquelas crianças viram seu pai chorar de verdade. As gêmeas estavam desoladas. Lágrimas não paravam de rolar pelo rosto do pequeno ruivo, mas ele não se mexia mais. Seus olhos estavam opacos, sem vida. Parecia que sua alma havia sido sugada. Mas de fato, parte daquele garoto morreu naquele momento. Algo que jamais superariam.

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Um mês havia se passado desde a morte de Masaki. Yuzu ainda vivia chorando, Karin fazia-se de forte para não preocupar ninguém, Isshin trabalhava menos, queria ficar o mais perto possível dos filhos e Ichigo, já não era mais o mesmo. Não ia mais a escola nem ao Kong Fu. Estava sempre mal-humorado e de cara fechada, ficava o tempo todo trancado no quarto. Não suportava ver o sofrimento de sua família, sabendo que era tudo culpa dele.

- Iiiiiichigooooo!!! –Isshin entrou no quarto com tudo. – Hora do almoço, meu filho! – disse sorridente.

- Não estou com fome. – diz friamente.

- Como não?! – indignado. – Você mal tem comido ultimamente! Se não comer nunca vai crescer! – apontava na cara dele.

- Por que...Por que você não me culpa? –cabisbaixo.

- Hã? – surpreso.

- Por que você não me culpa pela morte da mamãe?! – encara-o com lágrimas nos olhos. – Foi por minha causa que ela morreu! Era para eu ter morrido, e não ela! Eu não pude fazer nada, se quer pude salvá-la! Estão por que ninguém me culpa?! – chorava. O pai apenas aproximou-se e pos a mãe na cabeça dele.

- Que besteiras você esta falando, Ichigo. Você é meu filho, como poderia culpá-lo? Masaki te salvou porque você era o amado filho dela. Eu faria exatamente a mesma coisa. É dever de um pai proteger seus filhos. Ou será que você realmente acha que se fosse você quem tivesse morrido alguém aqui estaria menos triste? – sorria ternamente. O menino não sabia o que dizer. Apenas engoliu o choro e limpou as lágrimas. – Agora vamos, pois suas irmãs estão nos esperando para comer.

Sim, seu pai era estranho, mas sem duvida alguma era um ótimo pai. Sentia como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas. Ainda sentia-se culpado e isso não mudaria, mas agora talvez pudesse encarar a situação de frente.

As meninas ficaram felizes por finalmente ver o irmão um pouco melhor. Elas já estavam preocupadas com o modo como ele estava. Depois do almoço o garoto resolveu dar uma volta, ignorando as advertências de Karin sobre a tempestade que estava vindo.

Chovia tão forte quanto naquele dia. A ruivo estava parado, debaixo da chuva, em frente aquele mesmo rio. Depois do acidente a maioria das pedras da margem foram retiradas, para evitar que aquilo se repetisse. Já nem sabia mais há quanto tempo estava ali. Seu coração doía. Ele ainda conseguia enchergar o corpo de sua mãe caído ali.

- Desculpa mamãe. Eu não consegui te salvar... – cabisbaixo.

De repente ouve um grito. Quando olha para o lado tudo o que vê é uma garota de cabelos negros caindo no rio. Não pensou duas vezes e correu até lá.

- Rápido! Segure a minha mão! – gritou, esticando-se o máximo que podia para alcançá-la. A garota lutou contra a forte correnteza e conseguiu pegar sua mão. Ichigo se esforçou e puxou-a para fora da água.

-Você está bem? – encara-a. – Ei!! – tarde demais. A garota já havia desmaiado.

E foi assim que Kurosaki Ichigo conheceu Kuchiki Rukia.