"Então," Sara diz, olhando entre Oliver e Felicity, incapaz de manter o sorriso nos lábios. "Parece que tenho que dar os parabéns".
Oliver olha bravo para ela.
"Isso não é engraçado", diz ele, respirando fundo enquanto ele esfrega as mãos sobre o rosto. O ar parece que está pegando fogo, queimando sua garganta e pulmões, sufocando-o lentamente.
"É meio engraçado", responde Sara. Ele range os dentes contra o sorriso na voz dela e ela coloca as mãos em sinal de rendição, fazendo-o franzir o cenho.
Ela está brincando com ele. Ela está brincando com ele sobre o fato de que ele tem uma filha com a Felicity - um relacionamento com a Felicity - no futuro... O que significa que não estarão claramente mais juntos.
Oliver nunca teve ilusões sobre seu relacionamento com a Sara. Eles não são o tipo de casal 'para sempre', e francamente isso sempre foi uma das coisas que o atraiu. Ela entende a vida que ele vive e ela não tem expectativas de um futuro juntos, algo que ele nunca poderia ter... Pelo menos, um futuro que ele pensou que não poderia ter com ela, com ninguém. E mesmo que eles nunca tenham falado sobre isso, ele tem quase certeza de que ela sente da mesma maneira em relação a ele.
Mas, ainda assim, isso deve ser uma experiência extremamente difícil para sua namorada... Se é que ela, na verdade, ainda é sua namorada depois de tudo o que aconteceu nos últimos cinco minutos.
Apesar de tudo isso, ainda é muito, muito mais fácil olhar para ela do que para Felicity... E para a menina que ela está segurando nos braços.
A menina que é sua.
Eles têm uma filha.
Juntos.
Eles ficam juntos - eles dormem juntos - em algum momento no futuro e têm uma filha.
Ele não consegue pensar sobre isso como sendo algo possível, além do fato de que eles têm uma filha juntos, a menina está em grande perigo, ela viajou através do tempo para escapar de seja qual for o perigo que está enfrentando – sei lá quem – o perigo que ela está enfrentando provavelmente por ser filha de quem ela é, porque ela é filha dele.
Seu peito está ficando cada vez mais apertado, sua garganta está seca.
"Oi, pai."
Ele se sente doente.
"Nós vamos resolver isso, Ollie," Sara diz, com sua voz suave, e ele não faz nada para ajudar, porque Ellie está aqui e... Ela é sua.
Deles.
"O que nós vamos fazer?" Felicity pergunta e apenas o som de sua voz faz com que a dor piore. "Ela não pode ficar aqui."
"Eu sei." Oliver diz... E isso é tudo que ele consegue dizer nesse momento. Ele olha para Felicity, e a incerteza e medo em seus olhos quase o faz ir em direção a ela novamente, tocando-a, sussurrando um calmo "Vai ficar tudo bem", mas ele não faz nada disso. Porque ele não sabe se isso é verdade, e porque a cabelos loiros da Ellie estão no ombro dela, local onde ele normalmente a toca.
Ele faz isso? Ele sempre favoreceu um ombro?
O que diabos ele está pensando?
"Mamãe?" Ellie pergunta, sua pequena voz suave e musical causa algo dentro dele, algo que ele quer desesperadamente que desapareça.
Como pôde ter sido tão imprudente, ter uma filha? O que acontecerá no futuro?
Deus, ele ainda não sabe nem de que ano ela veio.
Ellie levanta a cabeça e olha em volta, mordendo o lábio inferior. Não foge a sua atenção que a Felicity segura a Ellie com um pouco mais de força, naturalmente, se mexendo para se ajustar em relação à menina - a filha deles.
Ele sente como se tivesse levado um soco no estômago.
Eles estão juntos no futuro? Será que eles só têm Ellie ou ela tem irmãos? Eles são casados? Ele ainda é o Arrow à noite?
Eles estão felizes?
Ou a menina é um acidente, algo que apenas aconteceu?
Espontaneamente, a imagem de Felicity com a Ellie no colo lhe vem à mente - elas estão de vestidos e ambas estão sorrindo, seus cabelos ao vento... Ele sabe, sem dúvida alguma que elas têm o mesmo sorriso. Ele a vê correndo atrás da Ellie em torno de um parque, as risadas ecoando ao seu redor... Ele vê Felicity com Ellie como um bebê, levando-a em uma daquelas coisas que amarra o bebê, embalada perto de seu peito enquanto ela anda através de uma loja de departamentos, procurando por cortinas e todas as outras coisas banais que sua mente poderia imaginar... E então ele a vê, deitada de lado em uma
cama de lençóis brancos, com a mão em sua barriga inchada, parecendo perfeitamente serena...
Brilhando.
Felicity seria uma mãe incrível.
Ele não faz parte de nenhuma dessas imagens, e seu peito esvazia.
Como ele pôde fazer isso com ela?
"Onde estamos?" Ellie pergunta.
"Uh, bem... Estamos em um lugar, um lugar que..." Felicity responde, pensando no que deveria dizer. Ela olha para ele, mas ele não tem nada, e ninguém aparece para ajudar. Oliver observa o ainda presente sorriso nos lábios da Sara e a maneira como o Diggle está lutando contra seu próprio sorriso pela falta de resposta da Felicity. "Um - um lugar chamado... Arrow Cave. Não é Arrow, como o Arrow-Arrow, mas... É uma caverna. Com... Flechas."
"Uma caverna?" Ellie repete, olhando ao redor, sua pequena testa franzida. "Onde estão as rochas, então?"
Oliver espera Felicity deixar escapar alguma coisa, mas em vez disso ela sorri, seu rosto se transforma enquanto ela ergue a cabeça, avaliando Ellie sob uma nova luz, e é mais um soco no estômago.
"Você é uma menina inteligente", diz Felicity. "Este é um tipo diferente de caverna."
"Será que papai vai nadar com as sereias nesta caverna também?" ela pergunta e os olhos da Felicity se alargam e Oliver sente seu estômago revirar.
"Uh... Sereias?" Felicity olha para ele, mas ele está apenas olhando para Ellie, sua mente em branco. "Quem lhe disse que ele nadou com sereias?"
"Papai contou. Lembra? Quando fomos para o Havaí."
Ellie pronuncia 'Hawaii' de maneira errada, mas é o suficiente para fazer com que o aperto em seu coração fique ainda maior com o pensamento de que ele um dia irá para algum lugar como o Havaí... Com uma família. A sua família. Ele escolherá uma ilha para passar suas férias?
"Fomos para aquela caverna e havia rochas e água, e papai disse que ele costumava nadar com sereias há muito tempo. Ele disse que elas eram suas amigas e que foi realmente bonito. O nome dela era Shado, porque ela era pequena e sorrateira e havia uma chamada Sara, que era como o sol".
Os olhos de Oliver voam para Sara, assim como os dela o procura. Ela arqueia as sobrancelhas, com um sorriso nos lábios, "Sunshine?".
Ele sente seu rosto ficando vermelho.
A única coisa que Felicity consegue falar é um tímido, "Oh".
Ela está falando sobre a ilha? Ele disse a sua filha sobre os horrores que enfrentou em Lian Yu? Será que ele realmente modificou os acontecimentos usando sereias na história?
A cabeça de Oliver está girando. Ele tenta encontrar palavras, tenta dizer algo, tenta voltar a si, mas nada vem.
Ele não consegue respirar.
O silêncio paira no ar, mas parece que a Ellie não é uma criança que gosta de silêncio. Ela se aconchega mais ainda, parecendo animada e elétrica, as lágrimas em seu rosto desaparecendo à medida que ela olha em volta novamente antes de se concentrar no Oliver.
"Onde estão as sereias, papai?" Oliver sente algo se remexer internamente, a maneira como ela olha para ele, com lindos olhos azuis, ainda um pouco brilhante por causa das lágrimas. "Elas precisam de água, elas são como peixes." Ela aponta para uma parede, lhe perguntando: "O mar é lá fora? É onde elas estão?".
Ele não responde. Ele não consegue responder nada, mesmo com todos - incluindo sua filha e a mãe dela - olhando para ele com expectativa.
"Oliver", Felicity fala, sacudindo-o do seu estupor.
"Uh... Não," diz ele, sem querer dando alguns passos para trás e colocando as mãos nos bolsos. "Não existem sereias nesta caverna."
A boca da Ellie se torce em consternação, antes de franzir as sobrancelhas. "Papai, você precisa chorar?"
Todos ficam de boca aberta.
"É... O quê?" sussurra Oliver.
"Você parece triste. Você me disse, algumas vezes, que os adultos têm que chorar quando estão tristes e, em seguida, eles se sentem melhor."
Ninguém diz uma palavra, todos os olhos estão virados para ele, e Oliver quer desesperadamente voltar a poucos minutos atrás, quando lidar com Slade era o seu maior problema. De repente tudo aquilo parece muito fácil de lidar se comparado a isto.
Slade.
Mesmo que ela seja sua filha do futuro, isso não muda o fato de que suas vidas estão em perigo agora, que eles ainda estão muito longe de resolver seus problemas com Slade, que eles estão completamente no escuro sobre os seus planos.
Eles têm que pará-lo.
"Eu não estou triste," Oliver diz, tentando se esquivar da pergunta. Ellie faz beicinho como quem não acredita nele. Felicity franze a testa também, mas ele a ignora, virando-se para o Digg e Sara. "Precisamos encontrar um lugar para escondê-la e voltar a agir. Só porque nós fechamos uma porta não significa que ele não irá encontrar outra."
"E onde exatamente você está pensando em levá-la, Oliver?" Digg pergunta, levantando as sobrancelhas. "Não temos uma babá à espera."
"Posso ir para o tio Roy e tia Thea?" Ellie pergunta e todos congelam novamente, todos os olhos se viram para ela. Ela abre um enorme sorriso olhando para a Felicity. "Ele me deixa comer sorvete. Ele me deu um grande cone de waffle, mas o cone de waffle quebrou e caiu tudo no chão. Ele me disse para não contar a você ou à tia Thea."
"Isso está ficando cada vez melhor," Sara diz, rindo em silêncio, enquanto Oliver olha para ela novamente. Ela morde o lábio para não sorrir, mas seus olhos ainda estão brilhando com humor.
"Você não pode ir no tio Roy, querida," Felicity diz, fazendo uma careta quando ela sussurra, "E considerando tudo o que está acontecendo, essa é a coisa mais estranha que eu já disse... Nós vamos para outro lugar... Diferente dessa vez, um lugar que iremos escolher. Logo. Como agora." ela termina, enviando um olhar significativo para todos, mas as opções são mais do que escassas.
"Eu posso ficar aqui, mamãe", diz Ellie. "Eu vou ficar bem."
Felicity arregala os olhos, mas Sara é mais rápida em responder.
"Eu não acho que é uma boa ideia, docinho", responde Sara.
Ellie olha para ela, com certo franzido entre suas sobrancelhas - e por uma fração de segundo, ela se parece com Thea. A semelhança é tão grande que deixa o Oliver sem ar.
Sara olha para ele. "Talvez pudéssemos levá-la para Laurel. Ela poderia encontrar um lugar seguro para ela."
"Essa vai ser uma conversa divertida", diz Felicity. " 'Ei, Laurel, você pode cuidar da minha filha, que eu supostamente terei com minha ex-secretária. Ah, e 'Terei' é a melhor parte dessa história. Ela é do futuro. Louco, né!? Quero dizer... Isso é algo que você lê em revistas baratas, não na vida real. Bem, não na sua vida real, pelo menos, porque na nossa vida real isso acontece'." Felicity olha para Ellie. "Bem, essa será a nossa vida." Ela olha para Oliver. "Eu acho."
Oliver pode sentir os olhos dela sobre ele, mas ele simplesmente fecha seus olhos, principalmente para não olhar para ela - ele realmente não pode lidar com isso agora, mas
também porque ela tem razão. Laurel não é uma idiota, bastaria uma olhada na Ellie para ver a semelhança, e não apenas do seu lado. Apenas olhando para ela nos braços da Felicity, você pode dizer que elas têm alguma relação. Quanto mais o Oliver olha para elas, mais elas começam a parecer como gêmeas. Ellie é uma versão em miniatura dela com alguns traços dele.
Seu coração se aperta no peito, esse pensamento o aquece e antes que ele possa pará-lo - algo perigoso acontece internamente e ele se sente atraído por elas. Por ela.
É uma atração que ele está evitando há meses.
Não.
"Não temos tempo para isso," Oliver diz abruptamente e ele evita o olhar penetrante de Felicity. "Temos que encontrar um lugar para deixá-la para que possamos cuidar do Slade. Ele não pode saber que ela existe, e muito menos que ela está aqui. Se ela é realmente minha... Se ela é nossa...".
Ele não pode, nem mesmo dizer a palavra.
Oliver suspira, inclinando a cabeça. "Vamos apenas... Vamos resolver algo. Eu conheço o Slade, e ele não vai parar até que ele consiga o que quer." Antes que alguém pudesse responder, Ellie mexe nos braços de Felicity. "Eu quero descer, mamãe."
"Oh, tá bom... Ok, eu acho, mas..." Felicity parece que não está completamente certa do que fazer com ela, enquanto a Ellie se mexe. Ela lentamente a coloca no chão, mas ela segura sua mão, para não deixá-la ir. "Não vá para nenhum lugar estranho. Ou longe. Ou... Qualquer lugar, na verdade. Apenas fique aqui, consegue ficar perto de mim?"
"Sim", Ellie responde em exasperação.
Os olhos da Felicity se ampliam e o Diggle dá uma leve risada.
"Tá bom, então," Felicity diz, deixando a ir.
Mas Ellie não vai longe.
Ela faz o caminho mais curto, direto para Oliver.
Ele congela. Ele ouve o suspiro que a Felicity dá, vê-la dar um passo em direção a eles, como se ela estivesse prestes a avisar a Ellie para não fazer isso... Mas ela não o faz, e fica apenas observando.
Ellie ergue os braços até ele e fala simplesmente, "Abraço".
O Oliver não se move.
"Oi?" ele diz, a palavra quase inaudível.
"Papai, abraço." Ellie mexe as mãos em um tipo diferente de exasperação - é mais paciente, como se ela estivesse esperando por isso, como se com ele fosse sempre mais
difícil. Quando ela diz, "Você está triste, você está com um olhar triste, como quando mamãe estava dormindo e o homem mal entrou em seu quarto. Você precisa de um abraço".
Suas palavras o acertam como uma bala de canhão e seus olhos voam para Felicity, seus pulmões ficando sem ar.
Algo acontece com ela? O homem mau? O que aconteceu? Ela está bem?
As perguntas estão na ponta da língua, mas o olhar no rosto da Felicity o impede. Ela está olhando para a Ellie com um olhar estranho; não há qualquer medo ou preocupação sobre o que sua filha acabou de dizer. Em vez disso, é algo quase... Melancólico.
Os olhos dela se encontram os seus e ele vê que tudo está fortemente afetando a ela tanto quanto a ele.
Esta é a filha deles.
Eles têm uma filha.
Ellie dá uns passos para frente e agarra seus pulsos, seu toque fazendo ele sobressaltar. Ela tira as mãos de Oliver dos bolsos e, com determinação em seu rosto, diz "A mamãe está bem, papai, você não precisa mais ficar triste".
Oliver se mexe antes que ele perceba - ele não sabe se é uma resposta ao tom da voz dela, ou se é uma reação ao seu toque que o faz sentir centenas de quilos mais leve, ou se é o olhar no rosto da Felicity, mas no segundo seguinte ele está se ajoelhando diante dela.
Ele hesita, sem certeza de como ele deve...
Ellie salta imediatamente em seus braços.
Oliver a pega, seus olhos se fecham, mal sentindo o peso leve quando ela envolve-se em torno dele. Ela é tão pequena, tão frágil em seus braços... E ele ainda se sente como se ela pudesse carrega-lo por quilômetros. Uma força irradia dela, abrangendo ele, e seus olhos se enchem de lágrimas porque, nesse momento, é tudo real.
Ela é sua.
Oliver lentamente a abraça, embalando-a contra o peito, virando o rosto para o seu cabelo, respirando seu perfume. É uma mistura estranha de shampoo de morango, com algo picante como ácido de bateria, cheiro de comida caseira e ela.
Sua filha.
Ellie abraça o mais apertado que ela consegue, empurrando o rosto em seu ombro e sussurra: "Você se sente melhor, papai?".
Algo em seu peito se quebra, ao mesmo tempo que algo cicatriza, e ele balança a
cabeça, um sorriso inseguro em seus lábios.
"Eu me sinto melhor", ele responde, sua voz áspera. E ele realmente se sente. "Obrigado."
Ele, com o canto dos olhos, percebe a Felicity se mexendo e então olha para ela, e a vê com lábios apertados com força, seus olhos molhados... E o tempo para.
Este é o futuro dele e então, por uma fração de segundo, ele acredita que isso realmente vai acontecer – algo que ele quer tanto que chega a queimar.
"Bem, não é uma imagem bonita?"
O sotaque australiano acentuado ecoa pela sala, quase como se estivesse vindo de todos os lugares ao mesmo tempo, de tudo ao seu redor, e o sangue do Oliver congela, um pânico louco toma conta dele.
"Que lindo."
Ele os encontrou.
Oliver se move, mais rápido do que ele já se moveu em sua vida. Um segundo ele está segurando Ellie e no próximo ele está balançando-a para fora de seu abraço e a escondendo atrás dele, o grito assustado que ela dá quando ele a empurra para embaixo da mesa médica é quase inaudível para ele com tanta coisa passando pela sua mente.
"Entre e não se mexa", ele se fala.
Ela instantaneamente obedece, o som dela batendo a mão sobre a própria boca e a fungada que ela dá, rasgando-o ao meio - ela já teve que fazer isso antes.
Seus olhos procuram desesperadamente por Felicity, mas ela já está ao seu lado, agarrando seu pulso fortemente, eles ficam lado-a-lado - juntos, apesar do desejo louco de empurrá-la para junto da Ellie - ao mesmo tempo, Slade sai das sombras.
John e Sara trocam sussurros e se armam, mas Slade só olha para o Oliver.
Ele está com a vestimenta completa de Deathstroke, igual às fotos da ARGUS que o Oliver viu - o mais surpreendente é a sua máscara, que surpreendentemente faz referência a que ele usava em Lian Yu, e isso o faz querer vomitar.
Há apenas um espaço para seu olho.
"Este é um lugar precário para uma criança, Oliver," Slade observa. "Você nunca sabe que tipo de perigos pode aparecer."
Oliver não responde. Em vez disso, ele se vira para Felicity e sussurra: "Quando atacarmos, pegue Ellie e corra."
"Eu não vou... Eu não posso deixar você, Oliver", ela diz baixinho. "E se..."
Oliver a puxa pelos punhos e chega mais perto dela. Ele a segura firmemente pelas
mãos e com uma voz baixa, mas desesperada, fala "Eu não vou ser capaz de lutar se eu ficar me perguntando se você está bem, Felicity. Por favor".
Ela segura sua mãos tão firmemente quanto ele, e mesmo assim ele é incapaz de determinar quem deles está tremendo. Ela exala, e ele pode sentir sua luta contra o instinto de ficar e lutar, por ele, por sua família. Ele sente uma pontada de orgulho - esta é uma das qualidades que ele ama nela, sua força, sua coragem.
Oliver aperta-lhe a mão.
Felicity finalmente dá-lhe um pequeno aceno de cabeça, não faltando o medo em sua voz, "Oliver..." ela respira.
Tudo se passa no espaço de alguns segundos.
Os olhos de Oliver estão em Slade e quando ele solta uma risada... Eles se assustam ao ver a arma.
"Felicity, vai!", ele comanda, empurrando-a para trás.
Slade começa a atirar.
Eles se jogam para se esquivar dos tiros, as balas ricocheteiam ao redor deles, os disparos ensurdecedores, de uma forma como nunca antes. Tudo agora é enfatizado pelo terror, um terror que ele nunca sentiu na sua vida, porque ele escuta o grito assustado da Ellie no momento que acabam as balas. Slade segue a Sara com os olhos, enquanto ela corre pela sala.
"Vai!" Oliver grita para a Felicity assim que o Diggle apaga as luzes, deixando nada além das luzes de emergência, deixando tudo mais tenso.
Slade deixa cair a arma, mas a atenção do Oliver está focada apenas no som dos saltos da Felicity, enquanto ela mergulha para debaixo da mesa médica com um atormentado, "Vamos lá, querida, vamos lá", na mesma hora em que Sara, puxando a barra de metal do salmon ladder, se atira para cima de Slade com um grito gutural.
Oliver ouve Felicity agarrando Ellie, ouve a voz chorosa da sua filha falando "Mamãe!" e ele quase se volta para se certificar de que ela está bem quando ele vê Slade pegando Sara ainda no ar, com a mão em torno de sua garganta, de forma tão abrupta que Oliver teme que ele tenha quebrado o pescoço dela.
Sara agarra as mãos do Slade, com dificuldade para respirar por causa do seu domínio monstruoso. Ele diz sarcasticamente "Olá, Sara," antes de joga-la para o outro lado da sala, como se ela não pesasse nada, arremessando ela em cima de uma mesa, espalhando tudo pelo chão. Ela bate com força e fica desacordada.
Diggle já está em movimento, correndo na direção do Slade, com sua arma na mão.
Oliver grita: "Diggle, para trás!", mas é tarde demais. As balas são inúteis contra a armadura que Slade está usando, faíscas voando por toda parte.
"Isso é um desperdício de balas," Slade diz com satisfação cruel e Diggle deixa cair sua arma, usando os punhos no lugar.
O som dos punhos do Diggle batendo contra o metal da armadura do Slade preenche o ambiente. Oliver olha em sua volta, a necessidade de saber se a sua família saiu bem daquele lugar é ainda maior.
Ele pega um vislumbre de cabelo loiro, no canto mais distante, um flash de cor, e ele vê Felicity olhar para trás por uma fração de segundo.
Seus olhos se encontram e uma sensação surge dentro dele, cegando-o de qualquer outra coisa, menos elas.
O som de Slade jogando Diggle em uma caixa de vidro interrompe o momento.
"Felicity, vai!" Oliver grita antes de se virar para o Slade e usa toda sua força para não se virar e correr para elas, para garantir que elas fiquem bem, para protegê-las. E então ele ouve Felicity em pânico, "Oliver, não!" antes de ele ir em direção ao Slade.
Ele quer olhar para ela, ele quer ter certeza de que elas estão bem...
O barulho da porta de metal se fechando sinaliza que a fuga delas foi concluída e, então, acaba a distração.
Oliver ataca.
