Parte 2 – Face a face

Dee pisou no freio de seu Lamborghini e entrou no desvio da estrada que levaria para a casa da única pessoa que seria capaz de encontrar Sam e Dean Winchester. Poderia ter chegado mais cedo, mas os caçadores sabiam se esconder muito bem. Tinha repassado mentalmente milhares de vezes tudo o que diria e faria na frente dos caçadores, mas mesmo assim, estava preocupada.

Ela estacionou o carro próximo a uma casa velha e aparentemente abandonada, mas não se aventurou para fora do carro. Dee analisou a si mesma, nada poderia falhar olhou para suas próprias roupas: jeans, camisa branca, jaqueta preta e tênis branco, estava vestida para impressioná-los, afinal, eles não tratariam com hostilidade uma típica adolescente de dezessete anos. Por fim, animou-se e pegou sua bolsa grande, e rapidamente saiu do carro e caminhou decidida até a casa. Ela não precisou bater, a porta foi aberta repentinamente por um homem com barba e boné que imediatamente colocou uma espingarda na testa dela. Bobby percebeu o que ela era assim que a viu.

- Bobby, eu suponho - disse Dee, lentamente, olhando fixamente para o calado homem. Percebendo que ele não iria se distrair nem mesmo para responder a sua pergunta, Dee fechou os olhos e, em seguida, abriu-os, revelando os olhos totalmente verdes, continuando seu monólogo: - Nós sabemos que esta não é uma Colt, então, por favor, não estrague minha pele nem minhas roupas – Os olhos de Dee voltaram ao normal, ela colocou o dedo na ponta do fuzil de modo desafiador. - Acalme-se um pouco. Não quero machucar ninguém, não se preocupe.

- O que você quer? Bobby finalmente perguntou o que estava fervilhando em sua mente.

- Eu preciso falar com Dean e Sam, é urgente ...

- Cai fora! - Bobby gritou, já fechando a porta.

- Não! - Dee colocou o pé na porta impedindo que fosse fechada, ela continuou. - John me disse que se eu precisasse de ajuda, poderia contar com seus filhos, e eu preciso, agora! É importante - Dee disse em voz baixa.

Percebendo que não seria capaz de dissuadi-lo, Dee disse a primeira coisa que pensou - Você pode me prender na armadilha.

Bobby abriu a porta lentamente, a mente fervia calculando os riscos e consequências do seu ato.

- Entre! - Bobby disse bruscamente, balançando o seu rifle em direção a um grande tapete que estava no centro da sala.

Dee caminhou lentamente para o local, ela sabia o que estava debaixo do tapete e não se sentiu mal ao ser presa, ao contrário, sentiu um alívio imenso.

- Bobby! - Dean atendeu o celular alegremente.

Depois de destruirem uma lenda urbana que havia matado três meninas, Sam e Dean estavam sentados no bar de beira de estrada, esperando que servissem o café. Sam sorriu para o irmão, sabia que Dean estava alegre daquela forma porque a bela garçonete havia passado para ele o número de seu telefone depois de dizer "Você vai fazer alguma coisa esta noite?" – Claro que depois de um dia duro de trabalho, ele não perderia a oportunidade de ter algo mais com aquela mulher.

- O quê? - Dean falou em voz alta, chamando a atenção no restaurante. – Presa? Bom... Nós estaremos aí em duas horas. - Dean silenciou antes de prosseguir. - Bobby ... Cuide-se, ok? - Dean pareceu surpreso quando desligou o telefone. Sam tentava entender o que estava acontecendo com Bobby.

- Bobby prendeu Dee Hartford. E o mais sinistro, ela procurou Bobby porque quer a nossa ajuda - disse Dean, deixando algum dinheiro na mesa, levantando-se apressadamente sem notar o olhar decepcionado da garçonete.

- Eu não acredito. - Sam pensou alto enquanto seguia Dean, eles estavam atrás de Dee e ela estava o tempo todo atrás deles.

- Eles estão vindo? - Dee perguntou quando viu Bobby.

- Não é da sua conta - foi a resposta seca de Bobby.

- Como você é rude Bobby! Estou morrendo de fome, tem alguma coisa para comer aqui?

- O quê? - Bobby falou, observando cada movimento feito por Dee, ele sabia que não podia se arriscar.

- Você é o pior anfitrião que já encontrei - Dee respondeu, colocando a mão na bolsa. Bobby rapidamente apontou o rifle na direção de Dee, mesmo sabendo que aquilo não iria detê-la.

- Ei! É apenas um inofensivo celular, tá vendo? – Disse Dee enquanto discava.

Bobby foi rápido, tomou o telefone, queria saber para quem ela estava telefonando.

- Restaurante? - Disse Bobby intrigado. - Você ligou para um restaurante? - Ele não conseguia imaginar os planos de Dee.

- Quantos? - Perguntou o atendente. Anotei tudo. Sim, vamos entregar o mais rapidamente possível. Obrigado, Miss Hartford.

Depois de desligar o telefone, o atendente correu para a cozinha para entregar o pedido. O chefe imediatamente mobilizou todos os seus ajudantes, um pedido de Dee Hartford tinha total prioridade.

- Pronto! - Dee disse, jogando o celular dentro da bolsa.

- Quem virá para o jantar? - Bobby perguntou em tom irônico.

- Será um jantar em família, somente eu, você e nossos garotos - Dee respondeu, bem descontraidamente.

- Então, para que tudo aquilo? - A pergunta soou mais como uma certeza de que algo iria acontecer e que tudo aquilo não passava de um truque para pegá-los desprevenidos.

- Você é muito desconfiado! Após uma breve pausa, Dee pareceu constrangida: - Bobby, você pode me dizer onde é o banheiro?

O aspecto intrigante da face de Bobby e o pesado silêncio que se seguiu denunciaram qual era a resposta de Bobby.

- Falta muito ainda? - Dee perguntou esticando o pescoço para Bobby.

- Se você me perguntar mais uma vez ... - Bobby ameaçou, apertando o rifle com força.

- Você fala assim porque não é com você. Eu sabia, eu deveria ter entrado no corpo de um homem, vocês tem certas facilidades... - A conversa nada convencional foi interrompida pelo som do motor de carro.

Bobby imediatamente se levantou da cadeira em que vigiava Dee e saiu da casa, ele estava feliz em ver os rapazes, ergueu um dos braços e os cumprimentou bastante aliviado.

Sam e Dean entraram na casa com cautela, olharam para Dee que estava sentada de cabeça baixa em cima do tapete velho, eles sabiam que ela estava presa, mas estavam incomodados porque não sabiam nada sobre o demônio de olhos verdes. Dee, por sua vez, levantou a cabeça e os encarou, sorriu e acenou com a cabeça em sinal de aprovação, foi a primeira a quebrar o pesado silêncio: - Eu gostaria de me levantar e abraçá-los, mas eu estou incapaz de me mover e tudo por culpa do Bobby.

Dean e Sam viraram-se para Bobby, estavam curiosos para saber que tipo de armadilha poderosa ele havia usado, mas Bobby adiantou-se: - Ela quer ir ao banheiro.

- É urgente! - Dee gritou.

Todos se entreolharam, indecisos em libertar um demônio que sequer sabiam quais poderes tinha. Depois de alguns segundos, Bobby saiu da casa e retornou com um pequeno balde e o entregou para a incrédula Dee.

- Você estão brincando, não é? Dá um tempo, vocês não acham que eu ... - Dee foi interrompida secamente por Sam: - Você não vai sair daí - o tom de voz firme acabou com qualquer discussão.

- Certo, mas eu quero privacidade. - Dee disse, aceitando o balde.

Os caçadores deixaram a casa, Bobby estava mais calmo e aproveitou a oportunidade para contar tudo o que tinha acontecido desde a chegada de Dee. Dean estranhou o silêncio de seu irmão.

- O que você acha, Sam? Vamos matar essa coisa antes que nos ataque - Dean falou com convicção.

- Parece que ela conheceu o nosso pai e deve ter informações importantes, não podemos jogar fora uma oportunidade única - Sam disse, batendo na porta.

- Que alívio! Você sabe, as necessidades humanas me fascinam - Dee soltou um longo suspiro, enquanto levantava o balde, estendendo-o na direção deles.

Dean e Bobby quase que simultaneamente, olharam ao redor como se estivessem procurando algo, era óbvio que não fariam esse "trabalho".

Sam conhecia os truques do irmão, então pegou o balde sem dizer uma palavra e o levou para o banheiro.

- Esse é o meu irmão! - Dean falou alto, sorrindo para Bobby.

Eles esperaram Sam retornar para começar a interrogar Dee.

- Quem é você? - Sam perguntou.

- Dee Hartford - foi a resposta de Dee.

Dean desferiu um forte tapa na cara de Dee, mas ela pareceu nem sentir.

- Não brinque com fogo - Bobby aconselhou.

- Se vocês fazem tanta questão, tá legal, apesar de eu não gostar de falar sobre mim eu vou me abrir com vocês. No inferno tenho vários nomes, vocês sabem, depende se são amigos ou inimigos. Meus inimigos geralmente inventam nomes horríveis para mim, não gosto de nenhum deles. Não! Espere, "Implacável" é bom, e. ..

- Como você soube que nós? - Sam interrompeu, sabia que ela não quis revelar quem era.

- No inferno vocês são celebridades, sabiam? É verdade que nem todos gostam de vocês, mas não se preocupem, todos são críticos amadores. Quando eu cuidava de vocês, eu percebi que vocês tinham potencial - disse Dee.

- Não me venha com essa! - Dean estremeceu ao pensar que ele e seu irmão haviam ficado desprotegidos. - Nosso pai nunca negligenciou a nossa segurança, ele era cauteloso e teria notado ...

Dee interrompeu-o: - Acalme-se! Eu sei que seu pai era um caçador eficiente e como ele sabia cuidar de vocês. Eu encontrei seu pai no inferno e ele me contou tudo. Ele não tinha mudado nada, então eu escravizei seu pai, você sabe, o inferno pode acabar com qualquer um ...

Quando Sam ouviu aquilo, pareceu ter levado um choque e teve de ser rápido para evitar que Dean atirasse nela, apesar de ele próprio estar disposto a matá-la também. Dean ficou transtornado, o pai tornou-se um escravo do demônio, sofreu ao imaginar o seu pai sendo torturado e sua culpa aumentou ainda mais, porque seu pai tinha feito tudo aquilo só para ajudá-lo.

- Seu pai ainda era um caçador inexperiente. Ele não percebeu que os vampiros estavam armando uma emboscada, eles estavam prontos para matá-lo. John não tinha a menor chance de vencer e ele sentiu que estava prestes de morrer, mesmo assim não desistiu de lutar. Os vampiros começaram a torturá-lo apenas para humilhá-lo. Foi uma cena deplorável. Por um tempo eu apenas assisti a tudo, afinal, John era apenas um ser humano e caçador, mas algo em seus olhos chamou minha atenção, parecia que ele estava pedindo minha ajuda, John queria viver. Então, entrei na briga e acabei com todos eles, mas seu pai ficou gravemente ferido. Eu não podia deixá-lo lá, ele iria sangrar até a morte, eu levei John para um local seguro e cuidei dele - Dee parou de falar por um momento. Sam e Dean parecem estar emocionados ao saber quantos perigos seu pai enfrentou nos períodos em que ficava ausente. Dee abaixou a cabeça para esconder o discreto sorriso de satisfação.