Boot Camp

Por: Snowdragonct

Tradutora autorizada: Aryam

Campo de Treinamento

Prólogo

Primeira pessoa: Duo

Meu Deus.

Não acredito que estou sentado nessa droga de ônibus sendo levado a quilômetros no meio da maior floresta deserta desse maldito planeta. É, bem surreal.

Ou melhor, não estou surpreso de estar nesse ônibus em particular. Fui, afinal, pego pela terceira vez invadindo e roubando peças novas de computadores. Atenção para a palavra 'terceira'. Isso quer dizer que, apesar do fato de eu ter apenas dezessete anos, estava a caminho da prisão (cadeia de verdade, não o reformatório) se não fosse a Iniciativa Peacecraft.

E sinceramente, tenho que ficar de joelhos e beijar os pés dos diretores da Fundação Peacecraft, pois verdade seja dita, a prisão seria o meu fim.

Como disse, tenho dezessete... nada mais que um garoto magrelo... e pra ficar pior, sou meio que – bem – bonito, para um rapaz, e tenho um longo (estou falando de longo até a bunda) cabelo castanho que uso em uma trança. Certo, antes de me dizer que estou provocando, tem uma razão bem triste e sentimental para a cabeleira e não vou nem tocar no assunto. Mas resumindo: não vou cortar. E se me mandarem para a prisão com ele... com todos aqueles caras durões e gangues... Tenho certeza de que a trança acabaria dependurada na parede de algum presidiário como algum tipo de troféu doentio.

Então, considere-me grato pela Iniciativa Peacecraft. É a última chance da lei para ofensores juvenis repetentes como eu. Antes de nos mandarem para o sistema malvado da cadeia, resolveram fazer um último esforço desesperado de reabilitação de incorrigíveis.

Por isso estou aqui, neste ônibus, indo para o Acampamento Peacecraft. É uma base militar construída no meio da floresta. Cercada por alguns milhões de acres de árvores, montanhas e lagos, é um acampamento de férias do Inferno.

Na verdade, 'campo de treinamento' seria um termo mais apropriado, uma vez que é assim que o programa funciona. Pelo menos foi o que me explicou o advogado de defesa público, seria como um quartel misturado com prisão.

Confuso? Eu estou. Mas entendi por cima. Os internos passarão por treinos físicos, salas de aula e o que chamam de trabalho de 'campo'. Se isso significa catar lixo de acostamento de estrada, eu 'to fora daqui! Mas o objetivo é educar a nós, jovens repreensíveis para nos tornar membros potencialmente produtivos para a sociedade.

Ou criminais mais espertos... heh, heh.

E aqueles que conseguirem e receberem uma recomendação podem ser convidados a freqüentar a Academia da Subdivisão de Móbile Suits. Daí em diante, a entrada na Subdivisão seria garantida, uma organização semi-oficial mantedora da paz designada para prevenir rebeldes de começar uma guerra civil. Conhecida como o grupo de elite nesse meio, procuram por carne nova (mas pelo amor de Deus, jovens do reformatório?) em lugares estranhos... Querem pensadores livres e inovadores mais do que apenas zumbis descerebrados. E por alguma razão insana, acreditam poder encontrar essas qualidades em nós.

Vai entender.

Assim sendo, farei parte do primeiro grupo a tentar esse importante programa de reabilitação. Por mais engraçado que possa soar, meu advogado conseguiu me colocar nessa... Acho que tem a ver com um teste bobo de aptidão que fiz na prisão juvenil.

Quando me foi oferecido escapar de estupradores e brutamontes em uma cadeia de adultos e passar alguns meses num jardim selvagem com rapazes da minha idade correndo pistas de obstáculos e coçando por causa de heras venenosas, escolhi o óbvio. Mas quanto mais esse ônibus me leva para o meio do nada, menos essa escolha parece tentadora.

Não gosto muito de ficar na natureza.

Caramba, cresci na colônia L2, nunca nem sequer vi uma árvore de verdade até ser adolescente.

Entendo porque escolheram esse lugar.

Meus conhecimentos toscos de escapar e misturar entre as pessoas se desfazem a cada metro pelo qual nos dirigimos para longe da civilização.

Ao sairmos da estrada pavimentada (note, eu enfatizo 'fora da estrada pavimentada') sabia que fugir seria inútil. Morreria de fome ou seria devorado por quaisquer criaturas vivendo e sobrevivendo nessa terra-de-ninguém em apenas um dia.

Que coisa deprimente.

Tudo bem, estamos em uma estrada coberta de cascalhos agora... e o sacolejo quase me fez bater no teto várias vezes. Não tem alguma regra sobre 'castigo cruel e incomum' para encarcerados?

Quem me dera poder dormir. Consegui apenas nas primeiras seis horas de viagem. Contudo, após termos passado pelos últimos vestígios de civilização e a vastidão selvagem começou a se aproximar, não dormiria nem se minha vida dependesse disso.

Esperto, Maxwell, esperto. Não conseguiu se conter depois das duas primeiras condenações, não é?

Aw, falando sério, isso é apenas uma tática de retardamento. Claro, vou seguir as regras do jogo e tentar sobreviver esse 'acampamento na mata', mas e depois? Na melhor das hipóteses, consideram-me educado e reformado e me libertam... e já que não minto, tenho de admitir, vou direto voltar a hackear em qualquer sistema de computador que conseguir.

Sim, eu vou.

E novamente vou usar as informações que conseguir para encontrar lugares perfeitos para invadir... sem dúvida eventualmente vou dar algum deslize e os policiais vão aparecer... e vou resistir e serei preso novamente, provavelmente sendo acusado de agressão outra vez... e lá estarei eu, no grande e malvado sistema da prisão que quero tanto evitar.

É mais ou menos como vejo meu futuro. O que mais posso fazer? Nas favelas de L2 não há muitas ocupações legais e eu sou um rato de rua.

Não tem como mudar.

Olho em volta para os outros caras do busão.

Têm uns quarenta.

Com um rápido olhar, identifico quem são os 'predadores'... e quem serão as 'presas'. Sinceramente, eu geralmente entro na categoria de 'presa' até alguém testar a teoria e acabar sangrando.

Sou bem mais forte do que pareço, fisicamente... e mais maduro do que ajo, mentalmente. Quero dizer, sou sociável, conversador e inconveniente como o diabo, com os guardas, cárceres e prisioneiros companheiros. Mostro-me como frágil e tolo. E é muito deliberado de minha parte. Se acreditarem que sou inofensivo, terei a vantagem em qualquer briga. Se eu fosse uns quinze centímetros maior e uns quarenta e cinco quilos mais pesado, nem teria medo da cadeia.

Mas não sou, então tenho.

Como disse antes, não teria a menor chance.

Falando de 'presa', tem um belo rapaz loiro dois assentos na minha frente, encarando a janela com olhos azuis emocionados. Ele será um alvo desde o início. Mas não é problema meu, né? Deixo meus olhos vagarem por ele um pouco mais...

Acho que é uma boa hora para mencionar minha, er, orientação sexual.

Gosto de rapazes.

Porém, deixe-me intervir aqui que isso não me faz ansioso para ser jogado em uma prisão da pesada. Definitivamente os presidiários não fazem meu tipo.

E ninguém quer ser forçado... nunca.

Voltando para o bem apessoado loiro. Tem algo tão puro e inocente nele que nem ao menos o considero como um interesse romântico em potencial. Ele nota meu olhar e o retribui com um sorriso fraco, sem dúvida ressegurado pela minha própria aparência inocente.

Imbecil.

Ainda assim, sorrio de volta, sentindo uma pontada estranha de pena pelo garoto de jeito gentil. Ele deve ser mais novo do que eu, talvez por um ou dois anos. Pensei que ninguém abaixo de quinze fosse aceito no programa, mas agora não tenho certeza. Daria a ele uns treze ou quatorze... com um rosto clássico de bebê... mas posso estar errado. E não posso evitar de notar que os dois rapazes com ele não estão o incomodando de modo algum.

Por que será?

Estudo-o por alguns minutos, tentando não ser muito óbvio. Ou ele é muito mais durão do que parece (o que posso me identificar) ou ele tem um protetor... um amigo ou alguém que garante seu bem estar. Acho que vai precisar dos dois para onde estamos indo... esse campo de treinamento.

E bem quando decidi que meus dentes estavam se soltando por causa da viagem no veículo balançante, chegamos ao Campo em Lugar Nenhum.

Continua...

Dê uma injeção de ânimo na tradutora: comentário! Não vão se arrepender e não custa nada!