Estava abafado no Aeroporto Internacional de Perth, Austrália. Bella Swan estava cansada. Esperava que o seu tio Joe viesse logo buscá-la. Ia passar uma temporada de seis meses na casa dele. Não conhecia o tio pessoalmente; vira apenas uma fotografia de dele, tirada há trinta anos.
A longa viagem da Inglaterra até Perth tinha acabado com a disposição de Bella. Apesar disso, não se sentia numa terra estranha. A sensação era de volta ao lar.
Um homem alto e moreno aproximou-se e parou diante dela. Era impossível não notar um ar de arrogância estampado no seu rosto.
- Por acaso é a srta. Isabella Swan? - O desconhecido perguntou, numa voz grave e bonita.
Os olhos cor de chocolate de Bella arregalaram-se de espanto.
- Sim, Bella... Quem é o senhor? Não pode ser o meu tio!
- Não, mas ficaria muito orgulhoso de ter uma sobrinha tão linda!
- Como não sou vidente, não acha melhor apresentar-se?
- O seu tio Joe pediu-me para vir buscá-la.
- Por que ele mesmo não veio?
- A sua tia não está bem, mas não é nada grave. Ele ficou a tomar conta dela. Como precisava resolver uns negócios na cidade, vim no lugar dele.
- Não é o meu primo, é?
- O seu primo tem vinte e seis anos, não sabia?
- Claro. - Ela ficou sem graça, hesitando em confessar que era tudo o que sabia do seu primo, Brian. - Este engano poderia ser evitado se o senhor se tivesse apresentado desde o início.
- Por que a pressa? - Ele provocou, parecendo divertir-se em irritá-la.
- Não se trata disso. - Por causa do cansaço, Bella não conseguia dominar a raiva. - Se todos neste país tiverem esse conceito de pressa, é difícil que haja progresso!
- Se pretende ter recordações agradáveis destas férias, aconselho-a a não sair por aí a fazer comentários desse tipo.
- Desculpe. - Bella reconheceu a grosseria. - Tem razão, não devia ter falado assim.
- Peço desculpas também. Estava tão desconfiada que eu quis brincar um pouco. Sou Edward Cullen; o seu tio trabalha para mim.
A mão delicada de Bella perdeu-se na dele, e o contacto pareceu-lhe muito agradável.
- É melhor irmos andando, srta. Swan, a menos que queira atrair a atenção de um fotógrafo mais ousado.
- Eu? Por quê?
- Por que não? - Ele pegou as malas dela. - Turistas ingleses são sempre notados, principalmente quando são raparigas bonitas como tu. Mesmo com esse cabelo que a faz parecer uma garota de dezesseis anos.
- Pois saiba que tenho vinte.
- Joe me contou.
Seguindo Edward Cullen, Bella imaginava o que mais o seu tio teria contado,
- Foi difícil encontrar-me?
- Teria sido mais fácil se Joe tivesse uma foto tua.
Aquilo era estranho, porque a sua mãe tinha mandado uma foto há cerca de dois meses. E a tia Rose comentara na última carta a alegria de Joe ao ver como Bella estava bonita.
- O senhor também mora em Coolarie?
- Na maior parte do tempo. Por falar nisso, chegaremos lá amanhã à tarde.
- Só amanhã? Pensei que fosse perto daqui.
- E é, srta. Swan - Ele abriu a porta do táxi. - Na verdade, Coolarie fica a algumas horas de voo. Infelizmente, não consegui resolver todos os negócios que me trouxeram aqui e tenho um encontro muito importante amanhã. Por isso, a nossa partida foi adiada.
- Será que os meus tios não vão ficar preocupados?
- Já falei com eles e expliquei a situação.
- Mas eu posso perfeitamente ir sozinha.
- Não passou pela tua cabeça dar uma olhada no mapa da Austrália, antes de vir para cá?
- É claro. - Ela ficou indignada. - Sei que, o país é grande, mas não vejo problema em viajar sozinha.
- São mais de mil quilómetros até Coolarie e nenhum transporte público chega até lá. Como pretendes ir sem carro?
- Desculpa mais uma vez. Fiquei tão desapontada porque o tio Joe não me veio buscar, que não consigo raciocinar direito. Devo estar a parecer uma idiota.
- Não faz mal. Imprevistos acontecem a toda hora, mas garanto que te vais divertir. Depois de uma boa noite de sono, estarás mais disposta para encontrar os teus tios.
- Para onde estamos indo?
- Vamos ficar num dos melhores hotéis da cidade. Não quero que tenhas má impressão daqui.
Um dos melhores hotéis da cidade! Devia ser um lugar muito caro, mas Bella não queria dar o braço a torcer e admitir que não poderia arcar com aquela despesa extra.
Toda a viagem, desde passagens até casa e comida, corria por conta do seu tio Joe e, além do mais, se Coolarie era tão isolado quanto Edward sugerira, não teria muito com que gastar dinheiro. O pouco que trouxera seria suficiente.
- Não precisas de te preocupar - Eward interveio, como se lesse os pensamentos dela. - O atraso é culpa minha e as despesas do hotel ficarão por minha conta. E se não gostares da ideia de me dever um favor, tenho certeza de que acharás um meio de retribuir.
Ele a olhava fixamente, a admirar os cabelos castanhos ondulados que emolduravam um rosto harmonioso, de pele macia. Os olhos eram grandes e castanhos, e os lábios carnudos e sensuais.
- Quantos namorados deixas-te na Inglaterra?
- Nenhum em especial, mas o que importa isso? O tio Joe fez-me a mesma pergunta. Só que a curiosidade dele tinha razão de ser. Ele convidou-me para umas férias prolongadas e acho que não queria insistir, se houvesse um namoro sério.
Bella desviou a atenção para o movimento da rua, para fugir de um olhar insistente e indecifrável. A presença daquele homem afectava o seu autodomínio. Teria sido melhor que os seus tios estivessem ali para buscá-la. Pelo menos, podiam ter mandado Brian.
- O meu primo também trabalha para o senhor?
- Quando está por perto.
Bella não entendeu e também não conseguiu ler nada no rosto de Edward, que parecia uma máscara impenetrável. O que Brian teria feito para aborrece-lo? Pois era certo que havia com o primo algo que Edward não aprovava.
