2.
Planeta Diário
- Como, Lois?! Como você sabia disso e nunca contou?! – Perry deu um murro na mesa diante de Jimmy Olsen e Lois. – Seria a matéria do século!
- Eu fiquei boquiaberto... – Jimmy comentou. – O CK ser o Supercara? Parece surreal!
- Perry, eu não podia contar um segredo que não era meu, por favor, entenda! – Lois exclamou.
- Lois, eu sei que Clark é o seu marido, mas antes de tudo ele é o Superman, droga! – Perry retrucou. – E você é a repórter desse jornal! É uma jornalista! A sua missão é reportar o que for importante, doa a quem doer!
- Eu jamais trairia a confiança de Clark! – Lois exclamou. – Sempre tive em mente que o mundo não estava preparado para saber que Clark era o Superman e toda essa histeria coletiva é a prova disso! Tem gente que já está absolvendo Luthor pelas suas atrocidades!
- É difícil confiar em alguém que mente, Lois... – alegou Perry. – Clark mentiu para todos nós. E é irônico, já que ele vivia pregando por aí que Superman não mente!
- Perry, você conhece Clark...
- Eu achei que o conhecia, agora nem sei quem ele é realmente! Clark Kent... Kal-El... Superman...
- Tanto nomes para um só super cara... – murmurou Jimmy, pensativo.
- Clark não é a ameaça global que muita gente está por aí cuspindo que ele é, você sabe disso, Perry! – Lois insistiu. – Superman é o que ele pode fazer! Um símbolo! Clark Kent é o que ele é! Perry você me ensinou a não julgar precipitadamente...! Não faça isso com Clark, por favor! – ela pediu.
- Poxa, Chefe, você é o padrinho da Lara... – Jimmy lembrou. – Eu também fiquei besta quando ouvi Lex Luthor dizer que Clark é o Azulão, pensei que ele está drogado, mas depois tive que cair na real... Mas nem assim eu vou deixar de ser amigo dele. – afirmou.
Lois sorriu, comovida.
- Obrigado, Jimbo.
- Amigos são para o momentos bons e principalmente os ruins, Lois.
Perry começou a andar de um lado para o outro e passou a mão pela cabeça.
- Eu ainda vou enfartar nesse trabalho... – resmungou. Olhou para Jimmy e Lois. – Ok. Apesar de ter ficado chateado por Clark ter mentido na minha cara por anos...
- Ele só fez isso para te proteger. – justificou Lois. – Demorou anos para que Clark me contasse o segredo... Ele tem muito medo de que os seus amigos se tornem alvos fáceis de seus inimigos...
- Bom, se eu fosse você, Lois, se prepararia para o chumbo grosso. – avisou Perry. – Luthor não deve ficar muito tempo na cadeia, ele ainda é o presidente, mesmo que tenha sido preso e ele tem muita influência. Como você está vendo pela internet e a televisão, algumas pessoas estão enlouquecidas com essa história do Clark não ser só mais um repórter aqui do Planeta. A coisa vai esquentar ainda mais. Eu ainda tenho que ver a posição do jornal...
- Clark poderia dar uma entrevista exclusiva ao Planeta Diário, explicando o lado dele. – sugeriu Lois.
- Não é uma má ideia. – disse Perry, pensando na repercussão que teria uma manchete como essa. – Mas quem vai escrever será o Ron Troupe.
- Troupe?! – Lois exclamou, indignada. – Eu sempre fiz as matérias com Superman, Perry!
- Pelo fantasma de César, Lois, você não tem a imparcialidade necessária! – Perry se exasperou.
- Perry, eu sempre fui imparcial com o Superman!
Jimmy pigarreou.
- Nem sempre, né, Lois? Dava pra perceber que você tinha um crush no Azulão e agora todos sabem o porque. – ele alegou e Lois rosnou, irritada.
- É Troupe ou Cat Grant. Escolha. – Perry disse.
- Afe! – Lois colocou as mãos nos quadris. – Ok! Troupe então! Aquela gata de rua iria querer colocar aquelas garras dela no Clark mais do que nunca agora que ela sabe que ele é o Superman!
Perry e Jimmy acharam graça.
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Clark passou voando pela céu de Metropolis enquanto todos os cidadãos o olhavam. Pessoas o xingavam e outras o apoiavam. A cidade, que havia se acostumado com seu protetor de capa vermelha, agora após a revelação, estava mais confusa do que nunca. Clark pousou no terraço do Planeta Diário e Lois foi ao seu encontro. Se abraçaram e ficaram de mãos dadas.
- As pessoas estão com raiva de mim. – começou Clark, com um semblante carregado. – Elas não compreendem...
- É difícil para elas aceitarem que você não seja só o Kal-El de Krypton...
- Eu menti pra todos. Eles se sentem enganados. – disse Clark, pensativo. – Eu não fiz por mal. Fiz para proteger aqueles que amo de pessoas como Lex Luthor.
- Eu sei. E as pessoas vão acabar entendendo também. – disse Lois, tentando animá-lo. – Clark, você salvou Metropolis incontáveis vezes! Você é o herói de todos nós! Você quase morreu para nos salvar de Zod! As pessoas te adoram e te admiram!
- Nem todas. Hoje, na televisão, um menininho estava chorando e dizendo que se sentia decepcionado por que eu sou um mentiroso. Ele jogou um bonequinho do Superman no chão e pisoteou com raiva.
- Oh, Clark... – Lois o abraçou, condoída. – Isso vai passar. É só o primeiro momento, as pessoas ainda estão absorvendo a novidade, mas você vai ver, as suas ações falarão por si. – ela sorriu. – Perry pediu para que Ron Troupe o entreviste para que você dê a sua versão dos fatos. Vai dar tudo certo.
- Talvez... – Clark não estava muito certo disso. – Lois, se as coisas se complicarem, quero você e Lara longe daqui.
- O que? Claro que não, Clark!
- Eu preparei a Fortaleza da Solidão para que vocês fiquem em segurança caso as coisas saiam do controle. – ele continuou.
Lois segurou o rosto dele com força e o forçou a fitá-la.
- Clark, não iremos te abandonar. Nunca. Não vou permitir que ninguém te atire aos cães.
Ron Troupe chegou ao terraço.
- Clark... digo, Superman... Pronto para a entrevista? Estão todos ansiosos para ouvi-lo.
Clark assentiu gravemente.
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Lara estava comendo um sanduíche quando uma pedra atravessou o vidro da janela. Ela se assustou e foi ver o que era. Várias pessoas com cartazes exigindo que Superman fosse embora do planeta jogavam pedras contra a casa.
- Fora! Fora! Fora, alienígenas! Fora! – gritavam, furiosas.
Lara foi atingida por uma pedra mas não sentiu nada graças aos poderes. Fisicamente estava bem, mas estava chocada por ver as pessoas atacando sua casa com todo aquele ódio. Foi para o lado de fora.
- Parem! Parem, vocês estão loucos?! Meu pai sempre defendeu a todos vocês e é assim que agradecem?!
- Ele é um alien! Ele nos enganou! Ele é um mentiroso! Uma ameaça! Tem que ir embora! Não queremos aliens aqui! – gritavam as pessoas.
- Eu pensei que essa era a terra da liberdade onde todos eram bem-vindos... – Lara disse, decepcionada.
- Ela deve ser alienígena igual ao pai! – um homem gritou e jogou uma pedra contra Lara, mas ela não se feriu. – Não disse?! É uma aberração! Filha de um alien e de uma vadia traidora da raça humana!
- O que?! Dobre a língua ao falar dos meus pais! – Lara gritou, irritada.
Krypto apareceu voando e começou a latir contra as pessoas para defender Lara. A adolescente o segurou.
- Krypto, pare. Está tudo bem.
- São aliens! Todos aliens! Todos são aberrações!
Antes que jogassem mais pedras contra Lara, o exército apareceu. Sam Lane se aproximou da neta. Seus sentimentos eram conflitantes. Lara ainda era a sua netinha querida, mas ao mesmo tempo, ela tinha sangue alienígena, o que ele sempre abominou e estava ainda chocado por descobrir que seu genro era um kryptoniano.
- Lara, você tem que vir comigo. – Sam disse com uma voz grave.
- Não posso. Estou esperando meus pais e...
- Lara, seus pais não voltarão mais para essa casa. Ninguém os quer aqui, você não vê? – apontou para a pequena turba ruidosa. – Superman será interrogado.
- Ele é meu pai, vovô! Não acredito que até o senhor vai deixar que o tratem como uma ameaça! Ele salvou esse bando de ingratos!
- Lara, entenda que a situação é grave. É preciso ter certeza de que Clark... – ele pigarreou e se corrigiu. – Superman não é uma ameaça ao mundo.
- Ele não é. Nunca foi e o senhor sabe disso. – afirmou Lara.
- Não, eu não sei. Ele mentiu para todos. Ele pode ter feito uma lavagem cerebral em Lois.
- O que? Claro que não! Eles se amam! Vovô, pelo amor de Deus...!
- Vamos, Lara. – Sam segurou o braço da neta. – É preciso. É para sua proteção também.
- Não vou. – Lara se desvencilhou e alçou voo mas foi alvejada com bala de kryptonita azul, caindo no chão. Krypto tentou defendê-la mas também foi alvejado. Lara olhou decepcionada para o avô. – Eu nunca pensei... Eu achei que você me amava.
- Lara, tudo que eu faço é para o seu bem e de Lois. Jamais esqueça isso. – Sam disse com um olhar triste.
Lara viu tudo escuro e fechou os olhos.
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Lara acordou em quarto todo branco. Krypto não estava com ela. Lara usava um macacão branco com o número 002 desenhado na manga comprida. Não havia nada lá além de uma cama e uma cadeira de chumbo. Lara suspirou. Sam Lane entrou no local com uma bandeja com comida e suco para a neta. Lara o olhou com reprovação.
- Sei que você não compreende... – Sam suspirou e colocou a bandeja em cima da cama. – Mas é preciso que você seja protegida até de si mesma. Você fará alguns testes...
- Como cobaia? É isso que eu sou agora? – ela indagou, cruzando os braços.
- Ninguém vai machucá-la, Lara. Só precisamos saber como uma... criança... pode ter nascido da concepção de uma humana com um alienígena.
- Não se refira aos meus pais assim. – ela disse, furiosa. – São Lois e Clark. Um mulher e um homem que se amam e não uma humana e um alienígena! O que você acha que eu sou, hein, vovô?! Uma aberração como aquelas pessoas que me atacaram covardemente falaram?! É isso! Você me viu crescer, droga! Eu sou sua neta!
- Lara, talvez hajam coisas que nem mesma você saiba... Você pode ser...
- Uma híbrida ou um experimento que deu certo. – Tess entrou na sala e fitou Lara. – É quase impossível que uma humana possa ter gerado um ser com tantos poderes como você, Lara Kent.
- Lane- Kent. – corrigiu Lara, olhando para Sam, que desviou o olhar. A menina não poderia estar mais magoada com aquele gesto. – Você acha que eu sou uma coisa, não é, vovô? Não me vê como sua neta... Também acha que eu sou uma ameaça nacional...
- Lara, o alienígena é muito poderoso e inteligente. Ele tem aquela Liga de vigilantes fantasiados ao lado dele e muitos recursos. Você pode ser sim uma híbrida ou um experimento que ele fez pra nos enganar... Tudo que sabemos pode ser uma mentira... Lois pode ter sido enganada também e...
- Não foi! – Lara berrou. – Eu sou filha de Lois Lane e Clark Kent, gostem vocês ou não! Não sou uma aberração, sou uma pessoa! Meu pai é muito mais humano do que vocês dois e toda sua corja juntas! Dessa cobra da Tess eu já esperava qualquer coisa mesmo, mas de você, vovô...? Nunca pensei...
- Lara... – Sam tentou se justificar.
Tess se aproximou de Lara com um ar debochado.
- Ele não pode ser avô de uma aberração. Mesmo que você não seja um experimento e sim filha de uma humana, ainda assim é uma mutação. Não é completamente humana, ainda mais que herdou os genes alienígenas do pai.
Lara deu um tapa no rosto de Tess, tirando sangue da boca dela.
- Você poderia ter me matado!
- Não usei nem um décimo da minha força, sua cobra cascavel! É só o tapa que você está merecendo há tempos! Se bem que do jeito que você é capacho do Luthor, deve gostar de apanhar!
- Sua...! – Tess apontou uma arma para Lara, mas ela foi retirada por Sam Lane.
- Já chega! Essas briguinhas não levarão a nada! Lara, por favor, colabore conosco... É para o seu bem.
- Foi o que Lex Luthor disse sobre seus super clones que quase destruíram Metropolis. – Lara lembrou e sentou na cama. – Os fins justificam os meios, não é assim? Eu não vou compactuar com isso. Ao contrário de você, General Lane, eu tenho brios. Minha mãe me ensinou assim. Deve ter aprendido com a mãe dela.
Lara virou o rosto para Sam, que ficou triste. Tess ergueu uma sobrancelha.
- Ela é abusada com a Lois Lane. Deve ser filha mesmo daquela cretina. – resmungou e ganhou um olhar feio de Sam. – Sua filha traiu a Humanidade, General, casando e procriando com um alien.
- Lois pode ter sofrido algum tipo de influência do alienígena... – achou Sam.
- Influência na cama e o resultado está aqui bem diante de nós. – Tess disse.
- Já chega, Mercer. Saia. – ordenou Sam.
Tess bufou, contrariada, mas saiu dali. Sam suspirou e olhou para Lara.
- Lara, só queremos saber o quanto o alien afetou o que você é. Só isso. Não pense que estou contra você.
Lara não respondeu e Sam abaixou a cabeça. Ele saiu do local, cerrando a porta. Lara se permitiu chorar e depois limpou as lágrimas.
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Planeta Diário
Perry escondeu Lois em sua sala. As pessoas estavam agitadas na redação após a saída intempestiva do Superman quando o exército apareceu por lá. Perry olhou para a repórter.
- Você tem que sair daqui. Temo que você não esteja livre de ser a próxima que os militares vão procurar.
- Meu pai é um General, Perry.
- Sim e ele odeia o Superman, nunca negou isso. – lembrou Perry. – Lois, Lex conseguiu um habeas corpus. Está solto e já destilando o ódio dele contra o Super, fazendo as pessoas se questionarem ainda mais se Clark é confiável. As coisas saíram do controle muito rapidamente. As Forças Armadas querem deter Superman de qualquer maneira. Ele já é visto como uma ameaça.
- Clark salvou a bunda desses caras e eles agora se voltam contra ele! É o fim da picada!
Perry abriu uma passagem na parede.
- A passagem te levará até o estacionamento sem que ninguém te veja. Pegue um carro e saia da cidade.
- Perry, eu não posso abandonar as coisas agora e...
- Lois! – Perry a sacudiu pelos ombros. – Você é o alvo agora, entende? Ficar aqui não é mais uma opção! Vá! Vá logo, antes que entrem aqui! Por favor!
Lois assentiu, entendo a gravidade da situação e abraçou Perry, se despedindo. Entrou na passagem secreta, que foi logo fechada. Lois escorregou numa espécie de tobogã que a levaria para o estacionamento do jornal. Entrou no seu carro e saiu em alta velocidade. Foi para casa e viu tudo cercado por faixas amarelas e a casa depredada. Lois sentiu um aperto no peito.
- Lara...
Lois entrou correndo em casa, gritando pelo nome da filha, mas não houve resposta. Nem mesmo o cãozinho Krypto estava por lá. Lois se sentiu sem ar. Seu instinto materno dizia que havia acontecido algo de ruim com a filha. Lois viu os militares chegando e entrando na casa.
- Senhora Kent, a senhora terá que vir conosco. – disse um militar.
- Que pena, não vai dar. Hoje eu ainda tenho que ir ao cabeleireiro.
- Lois Lane, resistir só piorará as coisas. – avisou o militar.
- Meu pai é General Sam Lane.
- Sim, ele já levou a alienígena que atende pelo nome de Lara ao local adequado.
- Meu pai... – Lois ficou em choque. – Não é possível que a aversão dele ao Superman o deixou cego desse jeito! Como ele pode?! Lara é só uma criança!
- Isso ainda será averiguado. Agora, venha conosco.
- Pra onde a levaram? Pra onde? Respondam! – exigiu Lois, mas ninguém respondeu.
- Sra. Kent, a senhora nos força a uma medida mais radical.
Lois viu um dos militares lhe apontando uma arma e saiu correndo. Os tranquilizantes não a atingiram porque Clark surgiu em super velocidade e a tirou dali. Foram para a sede da Liga da Justiça no espaço, já que a sede na Terra já havia sido invadida.
- Chloe quase foi presa mas felizmente cheguei a tempo e fugimos. – contou Oliver, segurando a mão da loirinha. – As coisas estão loucas lá fora. Até mesmo lá na Suíça, Connor foi hostilizado. – o Arqueiro se referia ao seu filho com Chloe.
- Lex Luthor está dando uma entrevista alegando ter certeza absoluta que Clark só nos defendeu de Zod e de todas as outras ameaças para um dia nos dominar. Mostrou até um vídeo em que Clark ''confessa'' isso. – contou Chloe, exasperada.
- Eu jamais disse algo do tipo. – afirmou Clark.
- Claro que não, Escoteiro. O vídeo foi editado. – contou Oliver. – Bem editado, mas foi.
- Lex é muito baixo mesmo! – Lois exclamou, indignada.
- Podemos desmascará-lo mas o problema é que os militares agora querem que Clark vá até eles para terem certeza de que não é uma ameaça. Que ele não quer nos dominar.
- A única coisa que quero agora é que Lara fique em segurança. – disse Clark, tenso. – Vou conversar com eles e dizer minhas condições.
- Clark... – Lois segurou a mão do marido, que a beijou.
- Eu sei... Não vou deixar que machuquem nossa filha... Vou me entregar no lugar dela e acabar com essa loucura.
- Clark... – Lois começou a chorar. – Eu... eu não sei o que eles farão com você...!
- Está tudo bem. Desde que você e Lara fiquem a salvo, por mim, está tudo bem.
Lois abraçou Clark com força e o beijou. Sabia que estavam em um beco sem saída.
- Eu ainda posso falar com meu pai. O general é durão, mas Lara é a neta dele. Você não precisa se entregar.
- Lois, você sabe muito bem que descobrir o meu segredo deve ter aumentado ainda mais a ojeriza que seu pai tem contra os vigilantes. Ele é assim.
- Mas ele não faria mal para Lara...
- Ele não mas e os outros? A cada minuto que eu fico aqui, mais riscos Lara corre. É o melhor que se tem a fazer. Eles me querem. Querem uma explicação pra tudo isso.
- Você não deve nada a esse mundo, Clark. Nada. – afirmou Lois.
- Eu só quis protegê-los. – ele disse, triste. – Pelo menos você e Lara eu ainda conseguirei proteger. Vocês são o meu mundo. – ele afirmou e a beijou de novo.
Era um beijo de despedida. Lois viu Clark alçar voo e sair da sede da Liga da Justiça. Chloe se aproximou da prima.
- Lo, Bruce também está tentando resolver isso mas...
- Ele não vai conseguir. Ninguém da Liga conseguiria. As pessoas não confiam mais nos heróis depois que descobriram as identidades deles, eu sei. – Lois suspirou. – Mas eu preciso tentar falar com o General. Meu pai não pode permitir que Clark vire... sei lá... uma cobaia na mão do governo, sendo dissecado. Onde está o jatinho da Mulher-Maravilha?
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Superman parou diante dos militares fortemente armados. Qualquer movimento suspeito e eles tinham ordem para atirar. Lex Luthor se aproximou de Clark, que ficou furioso.
- Lex...
- Eu venci, alienígena. – o presidente sorriu. – Finalmente todos perceberam quem você realmente é. Demorei anos mas descobri que aquele que eu julguei ser meu amigo era uma farsa. O jovem fazendeiro tímido, o pacato repórter, o garoto do Kansas escondia o disfarce perfeito. Eu tenho que reconhecer que você, seus pais e todos seus comparsas fizeram um bom trabalho. Mas agora terei o prazer de vê-lo longe daqui. Você não pertence a esse mundo, alien.
- Meu pai estava certo o tempo todo. Você nunca foi meu amigo, Lex. Você sempre me invejou e queria o meu mal.
- Eu queria que fossemos como irmãos! – Lex exclamou. – Você poderia ser meu aliado, Clark! Poderíamos dominar o mundo com os seus poderes e a minha inteligência, mas você preferiu me dar as costas!
- Você é completamente insano, Lex! Eu não quero subjugar ninguém, meus poderes não devem ser usados para o mal! Eu jurei proteger a Humanidade e o farei até meu ultimo suspiro!
- Que será em breve. – afirmou Lex, diabólico. – É o seu fim, ET. Não mais saída. Não há mais volta. Se você tivesse segurado minha mão quando eu a estendi, as coisas não teriam chegado a esse ponto.
- Eu vou com vocês, mas quero Lara fora disso.
- A híbrida? – falou Lex com desprezo. – Eu não esperava menos de Lois Lane, aquela dali é outra que não presta. Não me surpreende ela ter traído a Humanidade e copulado com um alienígena.
Clark segurou Lex pelo pescoço.
- Mais uma palavra sobre Lois e minha filha e eu ...
- O que? Vai me matar? É só o que falta pra você mesmo, alien! – Lex exclamou.
- Solte o presidente, alienígena, é uma ordem! – gritou um dos soldados.
Clark soltou Lex, que ajeitou o terno.
- Isso é só mais uma prova do quanto você é perigoso para todos nós. Você e a aberração da sua filha agora estão sob a tutela do governo. Levem-no! – ordenou.
- Lex você não tem o direito de manter uma criança presa! – protestou Clark.
- Eu nasci com esse direito! – rebateu Lex. – Eu faço pelo bem da raça humana!
Clark ainda derrubou alguns soldados mas acabou sendo atingido por kryptonita verde, caindo fraco no chão. Lex sorria, vitorioso. Ele havia vencido seu maior inimigo. Agora era questão de tempo para o mundo ser seu.
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Sam Lane abriu o quarto onde Lara estava presa. A menina fechou a expressão ao vê-lo.
- Lara, vamos.
- Não vou a lugar nenhum com o senhor, General. – ela disse, seca.
- Lara, o Superman foi capturado pelo exército a mando do presidente Luthor. – contou Sam e Lara arregalou os olhos. – Não acho que ele sairá dessa vivo. Lex o odeia mais do que qualquer pessoa. E agora eu sei que os planos dele para você são os mesmos. Vão te dissecar até que você se torne descartável. – Sam jogou um uniforme militar para a neta. – Me perdoe por ser tão cego. Apesar de tudo, você é a minha neta querida. Não quero que ter que enterrá-la.
Lara abraçou o avô e depois ele saiu para que ela se trocasse. Ela o fez em supervelocidade e logo eles estavam caminhando pelo corredor.
- Não vai demorar muito para que percebam que você não está no quarto branco. A Srta. Sullivan-Queen está mandando um sinal errado para o computador mas não fará efeito para sempre. Sua mãe a aguarda fora daqui. Você deve ir com eles.
- Mas e o meu pai? Não posso deixá-lo aqui!
- Farei o que for possível, Lara. – disse Sam.
- Eu tenho os mesmos poderes dele, eu posso...
- Seus poderes não funcionam aqui, Lara. – Sam a interrompeu. – Você é apenas uma garota. Vá ao encontro de Lois.
Lara assentiu e abraçou o avô com força. Saiu do local por uma porta secreta. Chegou do lado de fora e viu o Arqueiro Verde, que a levou até o jato invisível da Mulher-Maravilha. Lois e Lara se abraçaram.
- Filha, você está bem? Fizeram algo com você?
- Não. Não deu tempo. Mas bem que a Tess queria, já que pra ela eu sou a híbrida. – contou Lara.
- Aquela vaca! – Lois exclamou, furiosa. – Vou arrancar cada fio daquele cabelo de ferrugem! Lara, entra no jato. Chloe está guiando-o.
- A senhora não vem? – quis saber Lara.
- Eu não posso. Clark precisa de mim.
- Lois, não foi esse o combinado! – Oliver protestou. – Você e Lara voltam para a sede da Liga e nós resolvemos tudo por aqui!
- Nós quem, cara-pálida? Os membros da Liga foram acuados, a maioria foi capturada! – Lois exclamou. – Lara entra no jato agora!
- Eu não vou mais te ver? – Lara estava com os olhos marejados. Tinha uma intuição em relação a essa missão.
Lois abraçou a filha com todo amor que possuía e beijou a testa dela.
- Eu sempre estarei com você, querida, de um jeito ou de outro. Seu pai e eu te amamos muito. Você foi o que de melhor aconteceu nas nossas vidas. Lembre-se sempre disso.
- Não, mãe, por favor. Não vai. – Lara pediu, chorando.
- Eu preciso, querida. Agora vai, o alarme vai soar e vocês precisam estar longe daqui. Vá, Lara.
Lara ainda hesitou mas o alarme soou em todo o quartel-general. Lara entrou no jato e Chloe saiu dali. A loirinha também não tinha um bom pressentimento mas entendia a decisão da prima.
Lois e Oliver entraram no local e tiveram que enfrentar os guardas. Os dois foram capturados. Lois foi levada a uma sala onde viu Lex Luthor. Ele se aproximou da repórter.
- A intrépida Lois Lane...
- O sujo Lex Luthor...
- Eu sou o presidente dessa nação e devo protegê-la, Lane. Você está presa por alta traição ao Estado.
- Seu cretino! – Lois cuspiu no rosto de Lex.
Lex limpou o rosto e deu um sorriso gélido.
- Creio que você e esse Arqueiro de meia-tigela vieram em busca de algo.
- Você é mesmo um desgraçado covarde, Lex. – disse Oliver, irritado.
- Falou o anjo verde. – ironizou Lex. Ele apontou para uma tela e Oliver e Lois viram Clark detido em uma sala vermelha. – Tinta de chumbo. Isso inibe seus poderes.
- Lex, você é um filho da mãe! – Lois gritou, furiosa.
- Não, você é filha do seu pai! – Lex sorriu e o General Lane chegou algemado. – Um General se prestar a esse papel... Libertou a híbrida e tentou fazer o mesmo com o alien. Por sorte, conseguimos evitar mais essa traição. – Lex pegou uma arma da mão do guarda e atirou na testa de Sam Lane, matando-o. – É isso que faço com traidores.
- PAI! – Lois gritou, chorando. – Não! Lex, seu maldito, eu vou te matar! Desgraçado!
Oliver conseguiu se livrar dos guardas e se iniciou uma luta. Lois também usou suas habilidades para enfrentar os guardas. Lex saiu correndo e Tess parou diante de Lois.
- Nem mais um passo, Lois Lane.
Lois deu um soco em Tess e as duas começaram a trocar socos e pontapés. Lex abriu a cela onde Clark estava. Lex se aproximou de seu maior inimigo.
- Eu vivi apenas para ver o seu fim, alien.
- Você é lunático, Lex. Nada do que você faz é para o bem da raça humana. É apenas para alimentar o seu ego. – afirmou Clark.
Lex se enfureceu e deu um soco em Clark com um soco inglês de kryptonita verde. O rosto de Clark sangrava com os socos mas ele se recusava a cair diante do seu arqui-inimigo. Lex segurou a cabeça de Clark com força.
- O seu destino é ser destruído por mim, alien!
- Sai de perto dele, Lex! – Lois deu uma paulada em Lex, fazendo-o desmaiar. Clark caiu de joelhos no chão, fraco. – Clark! Clark, vai ficar tudo bem! – Lois o abraçou.
- Lois, você tem que ir embora, por favor.
- Nunca! Nunca, Clark! Prometemos ficar juntos para sempre, não foi?
Os guardas entraram na sala e viram Lex no chão. Miraram contra Lois e Clark se jogou na frente, tomando um tiro diretamente no peito.
- CLARK! – Lois gritou e também foi alvejada.
Lois e Clark caíram mortos no chão, um corpo em cima do outro. Lex acordou e arregalou os olhos ao ver a cenas.
- Seus idiotas! Eu quem deveriam matá-lo! EU! – Lex gritou, furioso.
O Arqueiro Verde entrou na sala e se deparou com a triste cena. Lex gritava furioso, socando a parede, enquanto os corpos de seus maiores inimigos jaziam no chão.
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Cemitério de Smallville
Lois Joanne Lane-Kent
Amada mãe e amiga.
Clark Joseph Kent
Amado pai e herói.
Chloe estava abraçada a Lara, que assistia ao enterro de seus pais. Oliver estava ao lado delas. Lois e Clark deixaram uma procuração lavrada em cartório cedendo a tutela de Lara aos seus padrinhos em caso de falecimento dos progenitores. O corpo de Sam Lane fora enterrado com honras do exército. Lex Luthor estava novamente preso e dessa vez para não mais ser libertado. Fora provado por Perry White que o vídeo para incriminar Superman fora editado. A matéria de capa do Planeta Diário era dedicada a Lois Lane e Clark Kent, o dinâmico duo do jornal mais famoso de toda a Metropolis.
A Liga da Justiça estava de luto e o mundo se perguntava como seria agora sem Superman.
Uma chuva fina caía enquanto Lara jogava flores sobre os caixões de seus pais. Sentia-se anestesiada. Parecia um pesadelo e quando acordasse, seus pais estariam vivos e ao seu lado. Porém, ela viu ambos serem enterrados.
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Mansão Queen
Star City
- Se você quiser algo para comer ou beber... – Chloe ofereceu.
- Não quero nada, tia Chloe, obrigada. – disse Lara, sentando na cama.
Chloe suspirou ao ver o abatimento da menina. Seus olhos se encheram de lágrimas.
- Eu também ainda não consigo acreditar... Imaginar um mundo sem Lois e Clark... é... horrível... Eles eram a minha família... Assim como você. – Chloe beijou a cabeça de Lara.
- Eu sei. – Lara murmurou. – Obrigada por tudo, tia Chloe.
- Qualquer coisa que precisar, é só me chamar.
Chloe saiu do quarto e Lara deitou na cama, olhando fixamente para o teto. Era como se a vida simplesmente tivesse parado.
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- Você acha que é uma boa ideia, Chloe? A menina ainda está traumatizada. – alegou Oliver. – Na verdade, eu mal tenho conseguido dormir esses dias...
- Eu sei, por isso você e Bruce intensificaram as rondas. – Chloe suspirou e olhou para o envelope. – Era a vontade deles. E quem sabe anime Lara? Ela mal tocou na comida esses dias. Eu tenho medo. Ela é super poderosa mas até mesmo aqueles que parecem invencíveis podem morrer de tristeza. Perder os pais assim, tão tragicamente, é um baque forte demais, ainda mais para uma menina da idade dela...
- Eu tenho muita pena dela. E sei exatamente o que ela sente. É uma ferida que nunca fecha completamente. – disse Oliver, pensando em seus falecidos pais.
Chloe se ergueu da cadeira onde eles tomavam o café da manhã. Como sempre, Lara estava no quarto, sem ânimo para nada. A loira entrou e parou diante da menina, que estava sentada perto da janela, olhando para a paisagem sem realmente vê-la. Estava perdida em suas lembranças e pensamentos.
- Lara, você não quer comer algo? Hum? Oliver fez panquecas.
- Não, obrigada, tia Chloe. – Lara olhou rapidamente para a loirinha e voltou-se para a janela.
- Você sente vontade de voltar a voar? Por isso olha a paisagem?
- Não. Eu não quero voar. Esses poderes são inúteis. Quando eu precisei deles, não pude salvar os meus pais. Nada mais me interessa. Mas às vezes... eu olho para fora e penso... não sei... de repente eu avisto meus pais chegando e vindo me buscar, como se só tivessem viajado para muito longe e resolvessem voltar.
Os olhos de Chloe ficaram úmidos. O sofrimento da menina a abalava. Era difícil saber que nunca mais veria a prima e o melhor amigo. Chloe estendeu o envelope branco para Lara.
- Seus pais deixaram para você. – ela contou e Lara a fitou, curiosa. – Se algo acontecesse, eles... acho que queriam se despedir de você.
Lara segurou o envelope. Chloe saiu do quarto para deixá-la sozinha. Lara abriu o envelope. Era uma carta extensa. As lágrimas escorriam pelo rosto da menina enquanto lia a declaração de amor de Lois e Clark para ela. Sentia como se seu peito estivesse sendo esmagado. Junto à carta havia um cristal da Fortaleza do Ártico. Lara tinha ido algumas poucas vezes lá. Era sua última herança de Krypton.
Lara deitou na cama e chorou por horas abraçada à carta até adormecer.
Lara acordou e foi para a sala. Viu Oliver e Chloe conversando de mãos dadas. Eles ainda estavam tão abatidos quanto ela. Lara mostrou o cristal da Fortaleza.
- Meu pai desativou a Fortaleza para que ninguém pudesse chegar perto dela. Para que nada fosse violado. Eu vou até lá.
- Quer que eu vá com você? - indagou Oliver.
- Não, tio Ollie. Eu vou e volto. Eu preciso fazer isso.
Chloe e Oliver assentiram concordando e Lara saiu voando pela janela.
-x-
Fortaleza da Solidão – Ártico
O lugar estava todo escuro. Era como se tudo que restasse fosse só um imenso vazio. Lara sabia muito bem como era a sensação. Ela caminhou pelo palácio de gelo até um altar de cristais. Inseriu o cristal que tinha e toda a Fortaleza se iluminou. A voz metálica de Jor-El pode ser ouvida.
- Lara-El, minha neta.
- Jor-El, meus pais morreram. – ela contou, emocionada. – Eu não tenho mais ninguém nesse mundo. Tia Chloe e tio Ollie são bons, mas eles tem a própria vida e filhos... Não é justo terem que se responsabilizar por mim... E eu também não tenho mais vontade de ficar na Terra. Não tenho vontade de sorrir, de me alimentar, de... viver... acho... Não sei. – ela suspirou. – Eu sinto como se tivessem me arrancados pedaços e eu mal pudesse respirar.
- A perda de entes queridos é algo com que a raça humana jamais saberá como lidar. Os sentimentos são muito fortes para serem ignorados. A família e o amor estão intrinsecamente ligados. Quando o membro mais jovem, sendo o filho, perde os pais, que é o alicerce, eles se sentem abandonados.
Lara deu um suspiro pesado.
- Você é só uma tecnologia avançada. Tolice minha achar que entenderia... Pra você, a morte dos meus pais são somente dados a serem acrescentados no seu disco rígido.
A imagem de Jor-El surgiu na frente de Lara.
- Lara, minha neta. Filha de meu amado filho, Kal-El e de sua tão amada companheira, Lois Lane. Não foi a toa que eles se conheceram. O destino não deixa brechas. Kal-El encontrou o amor com seus pais humanos, Martha e Jonathan Kent e depois com Lois Lane e o seu nascimento. Seus amigos também lhe eram queridos. Kal-El viveu a felicidade.
- Por culpa de Lex, eles morreram! – Lara exclamou, inconformada. – Aquele maldito destruiu tudo! E agora virou um preso político, ainda cheio de regalias! Do jeito que a justiça humana é falha, ele logo estará solto e fazendo o que bem entende! Já os meus pais, eles não tiveram o direito de viver! Isso não é justo!
- Lara, Kal-El e Lois Lane cumpriram o seu destino.
- Destino?! Então o destino deles era morrerem assassinados covardemente?! Que droga de destino é esse?!
- Também acreditei que Kal-El triunfaria sobre seu maior inimigo mas...
- Então eles não deveriam ter morrido, é isso? – Lara o interrompeu. – Meu pai sempre disse que a vida é uma cadeia de acontecimentos. E que às vezes qualquer mínima interferência poderia trazer drásticas mudanças. Por isso ele evitava usar o anel da Legião.
- A História Humana não pode ser modificada, Lara. Ela deve seguir seu curso natural sem interferências externas. – Jor-El disse, sério e fez surgir ao seu lado imagens de Lois e Clark. – Seus pais sempre estarão com você. Eles vivem em você, Lara.
Lara estendeu a mão para tocar nos rostos dos pais, mas sua mão atravessou o holograma. Lara respirou fundo. Seus olhos azuis tão profundos quanto os de Clark, estavam umedecidos.
- Eu sinto que algo foi mudado. Luthor não conseguiria colocar as patas no meu pai tão facilmente... Qual é, ele levou anos achando que Superman e Clark Kent eram pessoas diferentes! E de repente, do nada, ele raptou meu pai, o enfraqueceu e tudo foi acontecendo!
- Lara, eu sei que para uma filha é difícil aceitar e se conformar com a perda de seus pais.
- É sim. Mas o que você disse sobre o destino, me fez pensar. Luthor nunca teve que usar uma luva preta na mão. E de repente essa luva surgiu. Parece coisa boba mas a mão dele estava completamente queimada. Ele acusou meu pai de ter feito isso mas logo depois fingiu que não disse, porque na verdade, meu pai nunca o atacou assim. Papai era muito bondoso e tolerante. – Lara fez uma pausa. – Se fosse eu, teria atirado Luthor no primeiro abismo que visse. – ela parou diante do holograma do avô. – Jor-El e se alguém mudou o curso dos acontecimentos? Eu poderia revertê-los, não é?
- Caso algum dano tenha sido feito na linha temporal...sim. Porém, é arriscado. Você pode interferir em algo que não deveria ser mexido e causar mais problemas do que soluções.
- Pior do que está não pode ficar, né? – Lara mexeu nos cristais e achou o anel da Legião. – Eu poderia consertar as coisas.
- Lara, você é muito jovem, seus sentimentos estão abalados e você pode não estar pensando com clareza. – avisou Jor-El. – Não seja impulsiva. Kal-El já foi assim e pagou preços altos por isso.
- Não estou sendo impulsiva, só quero justiça! – ela exclamou. – Não acredito que você ache normal que o seu filho e a sua nora tenham sido assassinados a sangue frio! – ela bufou. – Eu esqueço que você é só uma inteligência artificial...
- Apesar de ser uma inteligência artificial, tenho em minhas memórias, o que seriam as sensações da minha versão em carne e osso. Do que ele sentia pelo filho e por sua esposa, Lara, da qual você herdou o nome e os olhos tão azuis, assim como Kal-El. Sentimentos eram considerados fraquezas em Krypton mas Jor-El e Lara foram contra esse sistema.
- Contrariar parece ser coisa de família. Lanes também são assim. – Lara mordeu o lábio inferior e olhou para o anel, decidida. – Meu avô, Sam Lane, me ensinou que quando se entra em uma guerra e o inimigo trapaceia, devemos usar as nossas armas para que o combate volte ao pé de igualdade. Eu sou neta de um General e não vou me conformar com algo que eu poso ter a chance de mudar. Deseje-me sorte, Jor-El.
- Lara, tenha cuidado. E seja para onde você for, caso encontre outras versões de Lois Lane e Kal-El, ou de qualquer um que você conheça, evite ao máximo que saibam quem você é e de onde veio.
- Ok, vou me lembrar disso. – ela concordou. – Como é que esse negócio funciona? Devo pensar e ele atende meu pedido? Ou tenho que esfregar? Falar, anel, anel meu, quem é mais Lane-Kent do que eu? Meu pai não me deixava usar esse negócio.
- Tenho certeza de que ele tinha bons motivos.
- Você não fica legal sendo irônico. – Lara rebateu. – Foco, por favor.
- Basta colocá-lo no dedo e..
Antes que Jor-El concluísse a frase, Lara se viu sendo engolida por uma forte luz branca ao colocar o anel no dedo.
