N/A: Desculpe pela demora, Ket, eu surto demais imaginando e escrevendo, então acabo enrolando. Sem contar os blocks da vida, claro. Recomendável ouvir Maybe Tomorrow do Stereophonics e Smoke do Moddi, mesmo que a letra das duas não tenha nada a ver. Mas o ritmo é o certinho. Enjoy it.

Maybe Tomorrow

POV Eve

It's there, it's where it begins and it's calling your name

My brain tells me you're dangerous and my belly says you're just too hard to find

Era uma inquietante manhã de domingo. Eu mal conseguira dormir nas últimas horas com Jane gemendo ao meu lado. E, como se não fosse o bastante, meus nervos estavam mais do que à flor da pele. Eu estava quase levantando e indo tomar um banho bem gelado quando o despertador tocou. Involuntariamente, desaforos e mais desaforos começaram a sair da minha boca enquanto eu procurava a origem do barulho. E quando achei, consegui derrubar o despertador no chão, antes que o alcançasse de vez e o desligasse.

- Em pleno domingo. – Resmunguei. Mas tinha sido mais para aplacar o susto que eu tinha levado, enquanto devaneava com o corpo da mulher ao meu lado, do que por qualquer outra coisa.

Empurrei Jane mais para o lado, já que nessa brincadeira toda ela havia pegado mais do que a parte dela da cama e resmunguei qualquer coisa enquanto fazia uma careta. Ela abriu aqueles maravilhosos olhos cor de carvão dela e me encarou com um sorriso. Eu podia sentir as malditas borboletas no estômago que sentia sempre que olhava para ela ou ouvia aquela voz rouca próximo a mim. E Jane não estava tornando nada mais fácil quando se aproximou de mim e começou a mordiscar meus lábios apenas pelo prazer de fazê-lo.

A claridade da manhã se refletia nela e dava um brilho exótico àquela pele levemente bronzeada. Mal consegui distinguir as palavras dela em meio às imagens que surgiam na minha mente do que eu queria fazer com ela. Mesmo assim, mais pela expressão dela do que por qualquer outra coisa, sorri e puxei levemente a mão esquerda dela para mim, passando o indicador pela aliança no anular dela, e mordiscando-lhe os dedos enquanto me lembrava do quão bonita fora a nossa cerimônia de casamento.

Eu estava usando um vestido num tom tão escuro de marrom, que quase chegava a ser preto, enquanto Jane se vestira inteiramente de branco, com seus cachos soltos e revoltos como sempre e um sorriso estampado no rosto, que por algum motivo, fizera com que eu começasse a chorar de emoção no mesmo instante. Era uma linda tarde de verão e estávamos em uma praia perto de Boston. Mavis estava no meu pé, pedindo que eu usasse ao menos um pouquinho de maquiagem, mas só conseguira me convencer a usar um pouco de batom e nada mais. Aquilo era simplesmente ridículo. Por mais que tudo estivesse lindo, era simples formalidade. Nós já morávamos juntas há alguns meses e nos conhecíamos há anos. Se não fosse pela insistência de Angela, provavelmente demoraríamos mais algum tempo para nos casarmos. E não que eu não amasse Jay o suficiente para me casar com ela, eu apenas não sentia a necessidade de provar o meu amor a mais ninguém.

Estávamos de costas uma para a outra; Nadine, Mavis e Mira tentando me segurar no altar improvisado, e provavelmente Angela, Maura e Frankie tentando segurar Jane no começo do enorme tapete vermelho. Consegui me desvencilhar das três e me virei para Jane no mesmo momento que ela conseguira se virar também e me encarar. Eu via o seu sorriso imenso e não podia deixar de sorrir também. Mesmo que meu estômago se revirasse mais do que se eu tivesse levado um soco. Ouvi uma piadinha de Peabody e tive vontade de chutá-la, mas eu não queria estragar a coisa toda com algo tão fútil. Ouvi alguém fungando e, por um rabo de olho, vi Angela enxugando as lágrimas. Continuei a me concentrar no rosto de Jane e, aparentemente, uma melodia começara a tocar, já que ela estava vindo até mim pelo imenso tapete. Tudo o que eu conseguia ver era ela.

Frank estava ao seu lado e senti vagamente seu aperto de mão, mas aquele sorriso nos lábios dela não me deixava olhar e sentir qualquer outra coisa. Eu queria beijá-la, pular toda aquela cerimônia e ir para casa. Apenas para ficar com ela e podermos desfrutar da cama nova. Mas apenas entrelaçamos nossas mãos e nos viramos para o juiz, que nos encarava com um meio sorriso. Eu mal me concentrei nas palavras que foram ditas. Só conseguia me concentrar no cheiro dela tão próximo ao meu, na sua mão entrelaçada a minha, e era como se o mundo não existisse. Ouvi e disse o que nós duas já sabíamos: que ela me amava e que eu a amava. Eu estava feliz por tê-la ao meu lado. E eu não conseguia parar de sorrir ao ver lágrimas nos olhos dela. Droga, eu estava quase chorando também.

Beijamo-nos no em seguida, um leve toque de lábios, antes que Jay se aproximasse do meu ouvido e sussurrasse que eu não sabia o que me esperava em casa.

- Você realmente quer ser amarrada e amordaçada na cama, não é, Jay? – Sussurrei de volta com um sorriso. Tentei esconder a malícia que provavelmente estava estampada no meu rosto, já que havia mais do que duas pessoas olhando na nossa direção.

Jane riu como se não houvesse coisa melhor no mundo. E eu sabia que ela não estava levanto aquilo a sério. Mal sabia o que a esperava.

E aqui estávamos nós agora, sem nenhum caso em aberto no momento, curtindo um domingo a sós. Lembrei-me mais uma vez do quanto ela gemera durante a noite e não pude deixar de perguntar com o que ela estava sonhando, mesmo que imaginasse qual seria a resposta.

- Você.

Eu sentia meu coração batendo em disparada e me aproximei o bastante para colarmos nossos corpos.

- E como era o sonho?

Ela o descreveu em detalhes enquanto tocava meu corpo de uma forma que devia ser proibida. As unhas levemente crescidas arranhavam meu corpo e sua boca estava em todos os lugares. Falando comigo, gemendo, mordiscando e me beijando. Ela se encaixou em meio às minhas pernas enquanto brincava com meus mamilos e descia com aquela boca cada vez um pouco mais. Mal pude conter um grito quando suas mãos acharam o ponto atrás dos meus joelhos que me fazia ficar zonza. E ela não desperdiçou nem um minuto até que eu gritasse o nome dela entre aquelas quatro paredes enquanto um orgasmo delirante explodia o meu corpo e me fazia ofegar.

Assim que consegui me recuperar o bastante para me mexer um centímetro que fosse, virei-me para ela com um sorriso e beijei-lhe os lábios em retribuição.

- Se seus sonhos continuarem assim, eu não sei o que será de mim, Jay.

Ela riu, e antes mesmo que pudéssemos fazer qualquer outra coisa, um telefone tocou. Jane suspirou. Logo em seguida outro tocou e foi a minha vez de suspirar antes de me virar para o criado-mudo e atender o maldito celular.

- Eve Dallas.

- Jane Rizzoli.