– Olá... Po-posso me sentar com vocês?
A garota que estava gritando parou e me encarou, junto com as outras duas. Foi os três segundos mais esquisitos da minha vida. Três desconhecidas me avaliando com um olhar estranho, como se eu fosse algum tipo de alienígena.
– Mas é claro. – Diz a garota com o estilo punk e olhos azuis eletrizantes.
Eu me sento rapidamente em frente às três.
– Nunca te vi aqui. – diz a garota dos cabelos castanhos que estava gritando.
– É que eu entrei na escola hoje. – digo.
– Então nesse caso, iremos te mostrar quem é quem agora. A proposito, eu souThalia Grace. – diz a garota dos olhos azuis.
– Prazer, sou Annabeth Chase. – ela e as outras duas meninas me cumprimentam.
– A menina que estava gritando é a Clarisse La Rue, a mais barraqueira da esc-
– Hey! Eu não sou barraqueira. – diz nervosa.
– E eu odeio Green Day. – ironiza Thalia. – E a calada com cara azeda é a Zoë Doce-Amarga.
– Que está mais para Zoë Sempre-Amarga. – diz Clarisse. Thalia ri.
– Apenas porque fiz um voto de castidade, não significa que sou amarga. Apenas me livrei do pecado que foi cometido pelo meu nascimento. – diz Zoë e Clarisse bufa.
– Claro, claro Zoë. – diz Thalia. Ela aponta para a mesa do meio do refeitório. – Por alí: Silena Beaureard, a mais popular da escola. Sua vida é maquiagens e dar para todos. – diz num tom de desdém e aponta para a menina na frente de Silena. – Está é Rachel Elizabeth Dare. Patricinha que fala igual pobre na chuva, mas gente boa. – Aponta para a menina ao lado de Silena. – Essa aí é a Juníper. A menina do meio ambiente. Presidente do clube de jardinagem. Nem sei porque ela anda com as populares. – Aponta para Glimmer.
– Essa aí é a Glimmer, a vaca que me jogou da cadeira. – digo e elas me olham nada surpresas.
– Vai se acostumando, ela tende a pegar no pé das meninas que não são máquinas de fazer coito e perversões do tipo. – diz Zoë.
– Aquela aí é vadia de carteirinha, é mesmo. Se ela pegar no teu pé me avisa que eu dou uma surra nela. – Clarisse cerra os punhos e eu rio.
– Obrigada, será um prazer ver ela com aquele rosto cheio de maquiagem todo estourado e roxo. – As meninas riem. – E as outras mesas?
– Aquela mesa no fundo do outro lado é a mesa dos que aprontam. Os gêmios que acabaram de roubar a carne daquele menino são os mais trolls de todas as histórias. Cuidado com eles. Travis e Connor Stoll. O moreno é o Charles Beckendorf. Ele é apaixonado com a Silena maçaneta, pobre iludido. – diz Thalia solidária com o tal Beckendorf. Clarisse olha para ela nervosa.
– Hey! Você esqueceu de apresentar o Chris!
– Ah, é mesmo. O outro da mesa é o Chris Rodriguez. A Clarisse ama ele com todas as suas forças de barraqueira. – Thalia fala na lata e Clarisse fica escarlate. Só não sei se é de vergonha, raiva ou um pouco dos dois.
– Um péssimo gosto. Não rogarei pragas, mas hei de dizer que espero convictamente o momento de vocês desistirem de se envolver com estes meninos repugantes. – diz Zoë. – O mesmo se aplica a você Annabeth, já que estamos envolvendo laços de amizade. – diz Zoë me fitando.
– Hum, certo. – digo sem saber direito.
Clarisse e Thalia comentavam sobre as pessoas das outras mesas. (N/A: Não vou colocar todas, porque o resto de princípio não irá aparecer na história.) Clarisse sempre colocava prós e contras nas pessoas enquanto Thalia encontrava um modo de zoar com a cara de todos. Zoë de vez em quando fazia comentários desaprovadores de garotos e garotas com uma atitude "pra frente". Elas pararam de falar, sem perceber que não havia falado de uma mesa. Aponto para ela.
– E aquela mesa? – pergunto.
– A mesa ao lado das populares. Adivinha? Os populares homens. – diz Clarisse.
– O loirinho. Luke Castellan. Um tremendo gato, mas chato demais. – diz Thalia
– O moreno. Grover. Tem relações amorosas com a Juníper. – diz Zoë. Por que será que ela fala estranho?
– O branco igual fantasma. Nico Di Angelo. Thalia é apaixonada por ele desde a terceira série. – Clarisse fala e Thalia fica escarlate.
– Larga de ser mentirosa!
– Teu rosto lhe entrega, minha cara. – diz Zoë.
Elas começam a discutir entre si, convencendo de que Thalia gostava do tal Nico e eu olhei para a mesa e vi o menino lindo que me salvou de Glimmer. Aponto discretamente para ele – Qual é o nome dele? Ele me disse hoje de manhã mais cedo. Mas eu não escutei.
As três olharam para mim. – Ah, aquele é o Perseu Jackson. Mas todo mundo chama ele de Percy, ou como eu o chamo: Percy Lerdson. – Thalia diz e Clarisse ri. – Ele é o meu primo. Ele é o menino mais popular dessa escola, e todas as meninas babam por ele. Não sei como, ele é muito lerdo e tem o cabelo estranho, não acha?
Eu a olho incrédula. Estranho? Como uma perfeição dessas pode ter um cabelo estranho? – Hãaa... – babulcio.
– Você gostou do Percy... – diz Clarisse maliciosamente. Coro.
– Mas tenho de lhe avisar. A cada dia de semana ele arranja um rabo de saia diferente. Um grande herege se quer saber. – alerta Zoë.
– Resumindo, ele é um galinha? – digo decepcionada.
– Sim, mas um galinha diferente. Ele não ilude. Todo mundo sabe que o Percy não namora. Ele sempre deixa isso bem claro para as meninas que ele leva a cama. – diz Thalia.
– Está sabendo demais hein Thalia? – diz Clarisse.
– Ele é o meu primo, mesmo sendo chato eu sei da vida dele La Rue. – diz Thalia secamente.
– Thalia e Clarisse! Será que as senhoritas hão de ficar discutindo por motivos irrelevantes todos os dias?! – diz Zoë.
Antes que uma das duas respondesse qualquer coisa, o sinal toca. Hora de voltar para as aulas, penso. Olho para a minha comida e percebo que não comi quase nada. Mas foi legal, para variar, conhecer pessoas novas. As três eram muito legais, apesar de serem muito fora do normal.
Olho no meu horário e vejo que não sei onde é a sala do próximo horário. Thalia, que está ao meu lado, espia o meu horário.
– Legal, temos aula juntas agora. Aula de Inglês. – ela diz e eu bufo. Normalmente eu gosto de todas as aulas. Mas inglês é exceção. Eu realmente não consigo prestar atenção nos textos entediantes...
– A aula é chata mesmo, mas a professora é muito lenta. Então podemos fazer o que quiser inclusive dormir. – a minha nova amiga punk diz e eu sorrio com isso.
Estávamos quase entrando na sala, quando me lembro de algo. – Ei, por que a Zoë fala daquele jeito meio...
– Esquisito? Antiquado? Como se tivesse cento e cinquenta anos? – Thalia fala e eu concordo. – Acho que é por causa da mãe dela. Vem de uma família com costumes antigos de outro país, por isso é meio formal. E o pai é muito conservador, por isso ela vive dizendo de voto de castidade, quer ser freira. Mas apesar de tudo, ela é legal.
– Sim, eu a achei engraçada. Quero dizer, sem nem saber que é. Parece ser uma ótima pessoa também, compreensiva. – digo.
Thalia senta em um lugar e eu sento ao seu lado. – E ela é. Apesar de não gostar de homens, ela é a que dá os melhores conselhos. Fique com problemas amorosos e vá até ela.
A professora entra na sala e começa a dar aula. Só de escutar a sua voz, já me dá sono.
– Agora é que eu vou dormir. Aconselho a fazer o mesmo, até o final da aula. – Thalia abaixa a cabeça e fecha os olhos na cara de pau.
Eu sigo o conselho e abaixo a cabeça também. Já estava quase dormindo até que alguém atrás de mim e sussurra meu nome.
– Annabeth?
Eu me viro automaticamente, mas com um pouco de preguiça, e os pelos do meu braço eriçam. Era Percy, o primo de Thalia, um tremendo galinha e simplesmente maravilhoso.
