Capítulo 02 – Minha babá

– Como alguém entrou aqui com uma bomba?! – Levy perguntava completamente alterada. Lucy nunca havia a visto tão nervosa antes.

– Não temos ideia. Todos passaram pelos detores de metal na entrada – Gajeel resmungou em um tom de defesa.

– O pior é que ninguém viu nada! – Levy disse desanimada.

– Nós vamos pegar esse idiota, Levy – Lucy disse confiante.

– Isso é sério, Lucy. Se não fosse a Erza vocês todos poderiam ter se machucado. Estavam perto demais do Jellal e a bomba, por mais que não tivesse uma potência muito grande, poderia ter ferido vocês seriamente.

– Aliais, Erza – Lucy se virou para a amiga que estava encostada na parede do outro lado do camarim. – Como você sabia que tinha uma bomba naquele urso?

– Foi apenas um palpite – ela disse em um tom indiferente. – Jellal realmente não parece estar levando essas ameaças a sério.

Obviamente a confusão estava armada depois daquela bomba. Os fãs ficaram chocados e os repórteres que cobriam o evento completamente alucinados com a possibilidade de uma primeira página literalmente bombástica. Então o show teve que ser cancelado.

Passado o susto inicial, Jellal tirou Erza de cima de si e antes que a ruiva pudesse dizer algo, ele se trancou no próprio camarim e continuava por lá até agora. Enquanto isso os outros discutiam as possibilidades de segurança, mas a única conclusão a que chegavam era que Jellal precisava urgentemente de um segurança 24 horas por dia (e isso ele já havia dito que não queria de jeito nenhum) e, além disso, cancelar os shows enquanto esse louco não fosse preso. Contudo, isso também não parecia uma boa saída já que geraria muitas especulações sobre o futuro da banda.

– Bem, não adianta muito discutirmos isso hoje. Todos estão de cabeça quente e o maior interessado na solução parece não estar nem aí para nada – Erza disse. – É melhor irmos para casa.

– A Erza tem razão. Não adianta muito ficar quebrando a cabeça agora – Levy concordou.

Lucy esfregou os olhos sentindo-se subitamente exausta. O melhor mesmo era seguir o conselho de Erza.

– E aí, loira? – Erza disse em um tom de brincadeira enquanto largava-se no lugar vago no sofá ao lado de Lucy.

– O que você está fazendo aqui, ruiva? – Lucy perguntou e não pode evitar que um sorriso surgisse em seus lábios. Era bom ter Erza por perto outra vez. Ela encostou a cabeça no ombro da amiga e fechou os olhos. Os outros já estavam deixando o camarim e elas poderiam conversar com tranquilidade.

– Salvando a pele de vocês – Erza respondeu após um suspiro. – Porque se depender do Jellal vocês todos vão parar no hospital.

– Isso não é muito animador – Lucy torceu o nariz.

– E algo que venha do Jellal consegue ser animador? – Erza ergueu a sobrancelha.

Lucy abriu os olhos e se afastou um pouco para poder encará-la.

– Parece que depois que você e o Jellal brigaram sei lá porque você não consegue ver nenhuma qualidade nele – Lucy analisou.

– Me diga uma qualidade dele – Erza cruzou os braços e perguntou em tom de desafio.

– Ele é teimoso, introvertido, birrento...

– Essas não são qualidades, Lucy – Erza sorriu.

– Tirando o "introvertido", são suas "qualidades" também.

– Ai, não me compare com ele – a ruiva disse aborrecida.

– Mas vocês não são teimosos? Super teimosos! – Lucy girou os olhos. – Até embora da cidade por causa dele você foi!

– Não foi por causa dele – Erza se defendeu. – Meu pai foi transferido para outra cidade.

– Eu implorei para que você ficasse. Meu apartamento na época não era muito grande, mas daria para nos virarmos bem – Lucy lembrou. – Tá. Esquece. É passado. Você voltou para ficar?

– Pelo menos até prenderem esse louco que anda colocando a integridade física de vocês em risco – Erza respondeu.

– Você acha que essa ameaças são sérias mesmo? Que essa pessoa está realmente tentando matar o Jellal? – Lucy perguntou preocupada.

– Matar eu não sei, mas com certeza ela quer causar um estrago...

Lucy mordeu o lábio inferior com força. Erza segurou a mão dela e sorriu.

– Eu vou ficar por aqui. Não vou deixar nada acontecer a vocês.

Os olhos de Lucy se encheram de lágrimas e ela, impulsivamente, abraçou a amiga.

– Que isso, Lucy? Você nunca foi muito de chorar por nada.

– Eu estou tão feliz por você estar aqui – a loira disse com a voz embargada. – Pena que teve que acontecer tudo isso para você resolver voltar. Manda o tal filho do primeiro ministro pastar e fica aqui com a gente!

– Ai, nem me fala desse cara – Erza deliberadamente mudou de assunto para distrair Lucy e fazê-la parar de chorar.

A ruiva começou a falar sobre as situações que o filho do primeiro ministro a fez passar e as duas passaram um bom tempo conversando até Natsu voltar reclamando que estava com sono e perguntando se Lucy iria com ele (os dois eram vizinhos então geralmente iam para casa juntos).

– Você tem onde ficar? – Lucy perguntou a Erza enquanto caminhavam pelo corredor levava a saída do prédio.

– Ah, não se preocupe comigo. Eu me viro – a ruiva garantiu.

[...]

Jellal esperou até que todos fossem embora. Obviamente Levy tentou de todas as formas convencê-lo a ir para casa acompanhado por um segurança, mas ele recusou a ideia terminantemente. Ele não iria andar com um armário a tira colo para todo os lados por causa daquelas ameaças sem sentido. Não mudaria toda a sua rotina por causa de um idiota que não tinha o que fazer e resolvera atormentar a sua vida.

Tranquilamente e sem qualquer imprevisto ele foi para o seu apartamento em uma zona mais afastada da cidade. Se havia algo de "bom" naquele atentado era que ele havia sido em casa porque, caso tivesse sido em alguma outra cidade, ele teria que voltar para o hotel e aguentar os surto de Levy e Lucy além dos resmungos de Gray e os berros de Natsu.

O sinal a sua frente ficou vermelho e ele foi diminuindo a velocidade devagar.

Vermelho.

Ele não gostava daquela cor. Lembrava uma pessoa que ele não queria lembrar. Uma pessoa que havia pulado em cima dele diante de milhares de pessoas.

– Parece que ela não pensa no que está fazendo... – Jellal resmungou. E ele não queria nem saber se ela havia o salvo. Era uma bomba pequena! Não iria machucar tanto. Não precisava daquele escândalo todo.

Aquela teimosia era um nítido sinal de que ele não iria agradecer pelo que ela havia feito.

– Eu não vou vê-la mais mesmo – ele concluiu, imaginando que Erza deveria estar apenas de passagem pela cidade.

O sinal abriu e ele continuou dirigindo tentando chutar para longe da mente alguns refrãos de uma música que havia pipocado em sua mente assim que seus olhos cruzaram com aqueles tempestuosos olhos castanhos.

Talvez ele fosse um pouco masoquista por ficar fascinado com um olhar de ameaça.

– Fascinado coisa nenhuma! – ele disse entre os dentes.

Dez minutos depois de muitos resmungos e grunhidos ele chegou em casa. Ele começou a abrir os botões da camisa ainda no elevador. Estava tarde e nenhum vizinho iria flagrá-lo. Mas logicamente não abriu mais do que três botões por causa das câmeras de segurança do elevador. A última coisa que ele precisava era que um vídeo seu se despindo no elevador fosse parar no youtube.

Ele abriu a porta, acendeu a luz da sala e quase caiu para trás ao ver quem estava sentada no sofá.

– Como você entrou aqui? – ele perguntou assombrado. Aquele prédio tinha uma segurança praticamente militar!

Erza girou os olhos enquanto descruzava as pernas para virá-las para o outro lado. Jellal bem que tentou não prestar atenção em como a coxa dela estava bem delineada pela calça preta de couro que ela usava. Ele teve vontade de bater a cabeça na parede ao perceber como seus olhos o traíram naquele momento.

– Se eu fosse a sua fã louca assassina não teria problema nenhum em te matar – a ruiva balançou os ombros. – Foi extremamente fácil entrar. Nem precisei subornar o porteiro.

Jellal suspirou irritado e fechou a porta. Erza adorava fingir que não havia ouvido as perguntas que faziam a ela.

– O que está fazendo aqui?

– Vim ver se você chegaria em inteiro. Só você para sair sozinho depois de receber um "urso assassino" de presente.

– Vocês fizeram escândalo por nada. Aquela explosão não iria me ferir.

– Sabe, Jellal, você deveria pensar que não está sozinho no palco. Você poderia não se ferir, mas os nossos amigos sim – Erza disse tentando controlar o tom de voz para não soar irritada demais, mas era difícil. Era incrível como Jellal conseguia deixá-la furiosa sem nem ao menos se esforçar muito para isso.

– Ainda acho que foi muito escândalo por nada – Jellal jogou as chaves em cima da mesa de centro.

"Teimosos! Vocês dois", a voz de Lucy gritou dentro da mente de Erza.

– E agora que já viu que eu estou inteiro será que você poderia ir embora?

Erza sorriu sem qualquer humor ou amabilidade.

– Me expulsando de uma forma tão gentil...

– Você tem que voltar lá para perto do filho do primeiro ministro para continuar sendo babá dele.

– Na verdade eu vou passar uma temporada aqui.

– Por quê? – o rumo daquela conversa não estava agradando Jellal.

– Alguém tem que se preocupar com a sua segurança já que você não faz isso.

Só então Jellal percebeu a montanha de malas que estava atrás do sofá.

– Você não está pensado que vai...?

Erza voltou a sorrir.

– Vou passar uma temporada aqui sendo sua babá – ela disse ironicamente.