Meu nome é Rin Daidouji tenho 22 anos, tenho os cabelos escuros, na realidade, não tão escuros, são cor de chocolate, como meus olhos, tenho 1,75 de altura, nasci na cidade de Nagoya, é uma linda cidade que fica no meio do meu amado país... o Japão, tenho dois cachorros um dogue alemão todo preto e um labrador na cor marrom. Nossa casa era bonita e ficava numa rua extremamente tranqüila, era uma casa branca com cercas também brancas que naquela época era da minha altura. Minha casinha ficava na Rua das Sakuras, n.º 1998, no bairro de Kyoto. Residi lá até meus oito anos de idade foi a parte perfeita da minha infância minha família era extremamente feliz.
Flash Back
Estava no mês de Dezembro, era dia 18 estávamos ansiosos pelo Natal, titio Bokuseno viria passar o natal conosco pela primeira vez em anos, papai estava ansioso pois ele era seu irmão. Um músico famoso e ele queria que eu mostrasse a ele que eu já tocava bem a flauta e o piano, pois ele ia me arranjar uma vaga na escola Utae Nakagawa para que eu estudasse música. Nessa mesma noite houve uma tentativa de assalto ao nosso lar, não me lembro direito, mas mamãe gritava desesperada, e papai dizia ao moço de capuz que ele podia levar tudo, mas que nos deixasse em paz. Mas o moço parecia muito bravo, e bateu no meu papai, e na minha mamãe. Meus irmãozinhos começaram a chorar e ele os golpeou na cabeça, eles caíram e não levantaram mais. Eu fiquei em baixo da cama dos meus papais, e ouvi um barulho que parecia uma bomba das que eu e meus irmãos usávamos para assustar mamãe. Só dois. Então o moço começou a andar pela nossa casinha. Jogou nossas roupas nos chão... ele parecia procurar alguma coisa, e não estava encontrando. Graças a Deus algum vizinho nosso ouviu os tiros pois agora eu podia ouvir um barulho de uma sirene como a dos bombeiros, que eu sempre ouvia nos brinquedos dos meus irmãos. Fiquei em baixo da cama até ouvir alguém dizer que estavam todos mortos. Me arrastei para fora da minha cama, e quase me acertaram pois quem havia denunciado o assassino disse que ele não havia saído da casa. Foi então que dolorosamente constatei, que da minha família feliz, somente eu sobrei... daquela fatalidade minha família não escapou com vida. Eu tinha perdido minha mãe, meu pai, e meus dois irmãos (eram gêmeos), que foram brutalmente assassinados apenas eu sobrevivi e fiquei sob a guarda de titio Bokuseno.
Flash Back
Meu pai era dono de uma linda loja de instrumentos a Daidouji Instrumentos Musicais, e como ele dizia sempre que eu e meus irmãos cuidaríamos da loja, eu quis aprender a tocar flauta e piano para poder falar com propriedade dos instrumentos da loja, e apesar de muito nova, eu já tocava os dois instrumentos com uma perfeição infantil. Meu tio Bokuseno, é um pianista de renome internacional, ele é muito famoso ainda, apesar de que agora, ele não toque mais para público, ele só me dá aulas e às vezes enquanto toco, ele vê que estou com dificuldades e me ajuda sentando ao piano... Ele é muito exigente, tanto comigo que estudo quanto consigo próprio, que toca à anos. Quando meus pais morreram, fiquei sob a guarda dele porque ele era o único irmão vivo de meu pai, ele pega no meu pé sempre dizendo que se temos de fazer alguma coisa, que seja bem feita, e ele sempre me cobra mais pratica no piano, apesar de estar careca de saber que minha preferência é a flauta, e por ela sim eu sou apaixonada sempre pratiquei durante 4 horas por dia, independente de ter aulas no colégio no outro dia, ou de minhas tarefas estarem atrasadas.
Minha disciplina, em todos os pontos da minha vida, eu devo à minhas aulas de piano e flauta. Pois sem eles eu não saberia o que fazer, já que minha paixão é a música.
Depois que entrei no colegial, descobri que a minha paixão era uma forma profissional de ganhar a vida, ter renda, sucesso na profissão e ao mesmo tempo me divertir enquanto trabalho. Descobri ainda que o que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida seria tocar flauta, e até piano, se tio Bokuseno, não pegasse tanto no meu pé. Hoje eu estudo na Escola de Música e Artes Utae Nakagawa assim como papai queria que eu fizesse. Estou me formando hoje, e como me formei com excelência e mérito acadêmico, fui escolhida para tocar uma canção aos convidados da nossa festa de formatura, me foi dada a chance de escolher a canção que eu gostaria de interpretar. Com muita dificuldade, entre tantas que gosto finalmente me decidi e escolhi uma música ao piano para homenagear meus pais e titio Bokuseno, minha premiada foi a 7º Simphony (Op. 92) de Beethoven, uma linda música que meu pai amava e que meu tio também aprecia e como fiz o curso com ênfase em dois instrumentos, pude optar por fazer um solo de flauta ou de piano. Mas o piano predominou, só dessa vez... (N/A: Eu achei que ia ficar melhor ao piano... N/C: Oi Gente!!!! Como minha primeira nota, e pra variar eu digo,... Alice... psiu, cala e volta pra história. N/A: ok ok... Ela continua atrevida) Apesar de já ter me formado sempre quis me aperfeiçoar em flauta. Meu grande sonho é entrar no Conservatório de Paris e ser uma grande concertista. Tio Bokuseno sempre apoiou minha decisão de me tornar concertista da Grand Orquestra de Paris entrar lá é um desafio, não tem japoneses naquela orquestra. Ele na realidade deu asas à minha vontade de ser solista. E ele sempre disse que o meu pai iria adorar, se eu tivesse sido uma solista, e eu não me lembro direito do meu pai e da minha mãe mas ele sempre me diz que eu era o tesouro deles. E que eles ficariam extremamente orgulhosos.
Quando começamos as comemorações por nossa formatura, teve uma linda cerimônia, com os nossos professores falando sobre cada um de nós o que foi fácil, além de nos conhecerem desde o início do curso que durou 4 anos, minha turma no início do curso haviam 40 pessoas e hoje naquele grande salão haviam apenas 18 se formando. Quando meu nome foi chamado ouvi o burburinho das pessoas à minha volta, na platéia, e até alguns dos nossos professores. Ainda estava viva na memória de todos, os acontecimentos trágicos envolvendo a família Daidouji e eu como sua única descendente e um dos dois últimos elos dela, era observada com espanto enquanto pegava meu diploma e abraçava meus professores.
Terminadas todas as cerimônias, e todas as solenidades, meu nome foi chamado outra vez. E o burburinho foi outro, disseram agora que eu ganhei esta honra apenas pela tragédia que envolvia minha família, e que deveria ser algo chamado de "pena acadêmica", tudo porque eu era uma coitada sem família, e que talvez fosse até um prêmio de consolação. Apesar do professor que anunciou meu nome ter descrito todos os meus méritos e meu destaque com excelência acadêmica, muitos dos que estavam na platéia não deram muita importância. As línguas ferinas, foram piores do que tudo para mim, naquele momento foi a única vez que eu gostaria de ter desaparecido e sem olhar para trás esquecer meu sobrenome. Quando me dirigi à plataforma para começar minha canção os comentários indiscretos sobre pena, pela minha família ter sido morta, só fizeram-se mais audíveis. Mas quando comecei a tocar, os comentários se abafaram e eu era capaz de ouvir até o zumbido do vácuo que era gerado, a platéia estava estática, ninguém falava, ninguém se mexia, até os mosquitos se fizeram inexistentes. Minha música era de veras grande. E quando chegou ao meio fiz umas manobras exageradamente lindas que me deram uma sonoridade impressionante. Eu que já não me impressionava muito com piano, achei que foi uma manobra manual linda. Finalizei a música sem mais nenhuma estrepolia e fui aplaudida de pé por todos. Depois desse exibicionismo, desci do pequenino palanque e fui recebida por tio Bokuseno que me olhava emocionado.
-Nunca achei que minha menina seria capaz de fazer algo tão lindo ao instrumento que o seu pai mais amava...
-Eu não fiz nada de mais titio... Fui só eu!
-Então se quer um conselho... Seja você sempre! Foi lindo.
E meus colegas que se formavam comigo, chegaram também próximos e me parabenizaram.
-Só faltou você cantar Rin! – gritava Rika.
-Concordo, a Rin tinha que ter dado mesmo show que ela deu na aula de Canto. – disse Kohaku.
-Que show foi esse que eu não fiquei sabendo hein? – perguntou Bokuseno curioso.
-A Rin não disse ao Senhor? – indagou Kohaku.
-Não! – respondeu com uma indignação aussente.
-Que vergonha Rin – Kohaku se fingiu rogado – Ela senhor praticamente desafiou a professora Kagura. E atingiu um Mi Bemol perfeito, enquanto a professora fazia um Fá sustenido no vocal... A sala toda foi ao delírio, a Rin realmente manda muito bem quando o negócio é música.
Tio Bokuseno tinha a cara no chão. Rin tinha o rosto vermelho como um pimentão. Ela tinha se esquecido de contar ao tio sobre esse episódio na sala de Canto. Na realidade ele só gostava de saber das aulas instrumentais, mas esse episódio ele realmente teria gostado de saber de outra forma que não aquela.
-Rin, como você escondeu isso de mim sua malandrinha!
-Desculpe Tio. Me esqueci disso! Gomem ne!
-Tudo bem querida mas eu quero saber tudo sobre essa aula fantástica.
-Isso pode deixar que eu conto. – disse Kohaku animado.
E ele contou com riqueza de detalhes tudo que ocorreu do momento em que a professora Kagura pisou na classe até a hora em que ela e Rin travaram o embate vocal. Tio Bokuseno prestava a maior das atenções à narrativa quase que apaixonada do rapaz. Que se derretia cada vez que citava o nome de Rin. Se despediram e ela ao invés de ir comemorar a formatura com os amigos... colegas de curso, foi para casa com o tio. No caminho eles conversaram mais um pouco.
-Rin?
-Sim?
-Aquele rapaz, qual é o nome dele mesmo?
-Kohaku titio, Kohaku!
-Você sabe que ele é apaixonado por você não sabe?
Rin deu uma freada brusca e quase foi atingida na traseira por outro veículo, que a seguia de perto.
-O que?
-É isso mesmo. Ele gosta de você, e não se finja de boba, você sabe muito bem que é verdade.
-Não titio, ele é meu amigo... Gosto dele como irmão.
-Mas ele te ama.
-Não, ele não me ama, isso é coisa da sua cabeça.
-Rin, quer saber de uma coisa? – fez cara de filósofo – O pior cego é aquele que não quer ver! – levantou o dedo indicador, e fez cara de Buda...
Rin gargalhava e estava quase chorando de tanto rir do tio. E ele estava com a gota característica ao lado da cabeça, como se pensasse o que havia feito de tão engraçado para a sobrinha se desdobrar de tanto rir.
Chegaram à atual residência Daidouji, e rumaram para os próprios quartos. Tio Bokuseno dormia sem nem pensar em nada, e sem mais preocupações. Já Rin, pensava em uma coisa que teria que contar ao tia mais cedo ou mais tarde. Mas que adiava o quanto podia. Apesar de que seus esforços estavam sendo demasiado jogados fora, pois ela tinha até certa data para contá-lo, depois disso seria inútil, pois ele veria com os próprios olhos e não necessitaria nenhuma confissão por parte de sua sobrinha. Mas se ela não queria que o episódio na formatura se repetisse teria de agir rápido.
