Cap.1: Annabel, decepções e Nova York
Notas iniciais do capítuloFinalmente, o segundo cap
Boa leitura a todos!
Não conversamos durante todo o percurso, quando cheguei em casa apenas o dei passagem e ele entrou, acendeu a lareira ficando imóvel na frente da mesma. Coloquei meu sobretudo no cabideiro e me juntei a ele
– Quer alguma coisa? Chá, alguma bebida...? - Silêncio.
A lenha dando leves estalos na lareira. Ele se virou pra mim, não havia o informante Comensal frio, irônico e sarcástico, apenas Severus. Levei as mão até sua capa, desabotoando-a com cuidado. A deslizei pelos seus ombros largos, fazendo a cair no chão. Voltei minhas mãos até seu pescoço, desabotoando sua casaca negra, fazendo o mesmo ritual de antes, deixando aquela camisa branca que eu simplesmente adorava a mostra.
– O que você...
– Deixa sair Severus... - Me deu um olhar interrogativo - A sua cabeça, eu te conheço a mais de dez anos e consigo ver como você está arrasado por dentro - Comecei afazer uma leve caricia em seu rosto - Eu sei, que essa cara de indiferença é só uma mascara, que por mais que você esconda de todos, você tem sentimentos também e que tem muita coisa presa aqui dentro - Coloquei a outra mão em seu peito, no lugar do coração - Eu sei que você esta prendendo tudo isso aqui, e que agora mais do que nunca, elas estão gritando pra sair - Voltou o olhar pra cima, tentando de alguma forma, recolocar a sua mascara - Você vê? Não precisa usar a mascara perto de mim, porque eu sei melhor que qualquer um o que tem embaixo dela. Sei que você só a usa para se proteger, para se tornar mais forte.
– Ster... - Ele ia começar outro discurso sobre "Eu sei me virar sozinho e não preciso que ninguém me ajude!", e como eu sei esse discurso de cor, o interrompi
– Mas você não precisa dela esta noite. Nada vira te machucar, eu prometo. E se vier... - Cruzei os braços em torno do seu pescoço, fiquei na ponta dos pés, e o abracei - Eu te protejo - Sussurrei em seu ouvido
Ficamos ali, alguns minutos imóveis. Eu já estava ficando desconfortável, de ficar ali na ponta dos pés. Tentei me afastar, faz fui impedida pelos seus braços
– Você não existe... - Apoiou sua cabeça no meu ombro - Merlim, o que eu fiz pra merecer você?
– Você não fez nada... E quem disse que você não é digno do meu amor? Eu nem dou tudo que você merece... - Ele se afastou de mim. Eu ia reclamar, mas ele capturou meus lábios, me fazendo esquecer qualquer argumento que eu iria usar. Era simplesmente perfeito, o modo como nossas línguas se mexiam em perfeita sincronia, como seu hálito me embriagava a cada movimento, suas mãos subindo vagarosamente pelas minhas costas. Interrompi o beijo, sem ar. Fiz ele se sentar no sofá
– Tudo bem pra você se ficarmos por aqui hoje? Eu sei que sempre que você vem pra cá... Nós praticamente não dormimos, mas eu estou realmente cansada hoje.
– Não vejo problema nenhum nisso, eu também quero dormir hoje - Me levantei, puxando-o pela mão até o meu quarto
Coloquei um pijama qualquer e me deitei com a cabeça apoiada em seu ombro.
No dia seguinte...
Quando acordei pela manhã, ele não estava mais na cama. Então me levantei e fui fazer a minha higiene matinal.
As vantagens de ser um auror, é que você não tem um trabalho rotineiro. Você não precisa acordar sedo, ir para ao ministério e ficar lendo e assinando papéis até dizer chega. Você fica em casa, até quando o responsável pelos aurores, no caso Scrimgeour, te encarregar de um trabalho. Resumindo: eu recebo todo o mês apenas para estar disponível quando for necessário, e posso ter qualquer outro emprego além de ser auror. Claro que se você for encarregado de um serviço cumpri-lo, eles iram fazer um pequeno aumento na sua folha de pagamento do mês, e se fizer um trabalho sem ser o encarregado, o aumento é maior ainda. Eu já tinha capturado treze comensais sem ter sido encarregada deste trabalho em apenas um dia, então poderia viver por um bom tempo muito bem, sem muita preocupação.
Depois desta pequena reflexão, coloquei um vestido confortável para se ficar em casa, e desci para o café. Qual não foi a minha surpresa quando encontrei Severus sentado a mesa, lendo o Profeta Diário.
– Bom dia. Dormiu bem? - Disse levando a xícara de café a boca
– Sim, e você? Está melhor? - Perguntei já me sentando a mesa e me servindo de café
– Um pouco... Que milagre é este que Rita Sheeter não escreveu nada sobre o julgamento de ontem?
– É... Digamos que eu a convenci de não escrever nada sobre mim
– Você a convenceu, ou a ameaçou?
– Digamos que eu saiba de alguns podres dela e ameacei dizer tudo ao ministro. E em troca do meu silêncio, eu apenas pedi que ela não fizesse da minha vida algo publico...
– Então você a ameaçou - Ele voltou sua atenção ao jornal, e um cheiro horrivelmente doce invadiu as minhas narinas. Um cheiro tão doce que me dava enjoo
– De onde vem esse cheiro?
– Que cheiro?
– Não sei, é um cheiro doce... Horroroso - Minnie aparece com uma jarra, e o cheiro aumentou
– Aqui está a calda de ameixa que senhor pediu. Minnie espera que o goste
Nesse ponto eu já não estava aguentando mais, só deu tempo de levantar, correr para o banheiro mais próximo e me ajoelhar na frente do vaso sanitário. Fiquei ali uns bons minutos "Como é possível eu estar vomitando se não tenho nada no estômago?"
– A senhora está bem? Minnie trouxe isso para a senhora - Ela me estendeu um copo de água
– Obrigada Minnie, eu estou bem. Foi só aquele cheiro doce que deixou meio enjoada, só isso - Bebi a água, ainda pensativa "Severus sempre colocou calda de ameixa nas panquecas, e por mais que o cheiro seja realmente um pouco forte pra mim, principalmente pra mim que tenho o olfato aguçado, eu nunca reagi desta forma. Só quando..."
– Não... Não pode ser... Pode? - Disse num murmúrio pra mim mesma. Era uma ideia meio absurda, mas estava analisando todas as possibilidades , e essa era uma das duas mais plausíveis - Minnie, que dia é hoje?
– Primeiro de novembro, por que senhora? - "Está atrasada, já faz uns..." Devolvi o copo para Minnie, começando a contar nos dedos "Meses? Como...?"
– Tem certeza que está tudo bem Ster? - A voz de Severus me despertou
– É o que nós vamos ver agora! - Me levantei, ainda com aquela ideia absurda na cabeça e fui direto para o meu quarto
Fui na gaveta de lingerie, e ela não estava lá. Na minha gaveta de perfumes: nada. A gaveta de roupas: não. Debaixo do colchão: não estava lá
– O que você está procurando Ster? - Severus apareceu na porta, me assustando
– Ai! Que susto Severus.
– Desculpe, mas você não respondeu a minha pergunta.
– Coisas de mulher Severus, coisas de mulher - Fui até a porta ele me deu passagem rapidamente - Minnie! Você sabe onde está a minha caixinha?
– A caixa está no banheiro, mas o caderno está no escritório! - Minnie gritou da cozinha
– Obrigada - Corri para o escritório, murmurando um "Eu tenho que ser mais organizada!"
– Ster! - Não respondi, abri a gaveta da escrivaninha, e o meu caderno estava lá - Ster! Você poderia me explicar o que está acontecendo? E pra que serve este caderno?
– Você quer MESMO saber? - Lhe mandei um olhar de irritação, dando ênfase no "mesmo". Mas ele assentiu que sim - Tudo bem, é meio complicado, mas eu vou resumir. Eu anoto neste caderno, os dias em que eu estou "fértil" e os que eu não estou! Satisfeito? - Me sentei na minha velha poltrona de couro escarlate e abri o caderno, procurando o mês de julho
– Sim, mas o que isso tem a ver com toda essa correria... Você acha que está...
– Severus, você lembra se nós ficamos juntos na ultima semana de julho? - Ele estava imóvel. Acho que estava digerindo a informação - Severus, não me deixe mais tensa do que eu já estou e me responda pelo amor de Deus! - Me recostei na poltrona, e passava as mão desesperadamente pelos cabelos
– S-Sim... - Eu comecei a chorar, de felicidade
– Então eu não acho, eu tenho certeza que estou grávida!
– Não acha melhor consultar um curandeiro para ter certeza?
– Eu vou consultar. Mas eu tenho certeza absoluta que estou grávida, eu não deveria estar te dizendo isso mas...
– Não precisa dizer mais nada Ster. Eu acredito em você - Ele veio me abraçar com animo - Eu vou ser pai, essa é... A melhor noticia que eu poderia ter recebido nos últimos meses.
– Nós vamos ser uma família muito feliz! - Retribui o abraço.
Aquela tal felicidade era tão grande, que chegava a ser apalpável. E eu sentia que nada poderia nos separar, bom... Quase nada...
3 meses depois...
7 de fevereiro de 1992
Snape POV's On
Eu sabia, EU SABIA QUE SE ELA FIZESSE MUITO ESFORÇO PODIA DAR NISSO!
Eu avisei, "Ster, você tem uma gravides de risco. Não pode se esforçar, NEM FICAR ANDANDO POR AI COM UM LOBISOMEM!" Mas ela não me ouviu! Ela TINHA que sair com o irresponsável do Lupim!
E agora? Agora eu estou aqui! Andando de um lado para o outro, TENTANDO controlar o meu nervosismo, enquanto a minha mulher está dando a luz no sétimo mês de gestação!
– Fique calmo homem! - Arthur Weasley tentava me acalmar - Vai ficar tudo bem, você vai ver. Digo por experiência própria, já estou no sétimo.
– Se ela tivesse me escutado, isso não estaria acontecendo!
– Eu já pedi mil desculpas Snape! Eu não sabia que a gravides dela era de risco! - Lupim se levantava da mesa, aparentemente nervoso - O que mais eu tenho que fazer?
– Pedir desculpas não vai apagar a sua irresponsabilidade! - Me aproximei, na tentativa falha de acabar com a raça daquele... Misto de homem e cachorro com as minhas próprias mãos. O Weasley me impediu
– Mas será possível, que nem com uma mulher dando a luz no andar de cima vocês param com essa implicância?
Eu ia responder, mas madame Pomfrey apareceu na porta, um tanto nervosa
– Parabéns Severus, você é pai de uma linda princesinha! - Travei, num misto de nervoso e felicidade. Eu nunca me imaginei um pai, nem em meus mais loucos sonhos. E agora...
– Ora homem! Você vai ficar ai, parado que nem um dois de paus? Suba aquelas escadas e vá ver a sua filha! - Pomfrey me despertou, e subi as escadas de dois em dois degraus.
Cheguei no quarto, que por algum motivo parecia mais iluminado que o normal, principalmente para as quatro da tarde. E elas estavam ali, Ster deitada na cama, chorando, com um pequeno embrulho no colo, amamentando. Pareciam tão imersas naquele mundo, um mundo que parecia tão distante do que eu era, um ex-Comensal, e ao mesmo tempo tão próximo, como...
– Como se... - Dumbledore me assustou com aquele jeito de aparecer do nada, como se brotasse do chão - Com mais um passo, você quebrasse todas as barreiras e entrasse nele, de tal forma que seria impossível sair. - Ele me olhou, por cima daqueles óculos meia-lua - Sua mente fica muito vulnerável quando está perto delas Severus, mas não pense que é um sinal de fraqueza, muito pelo contrário - Voltou o olhar para Ster e a bebê - Apesar das dificuldades, a vontade de proteger as coisas que amamos nos tornam cada vez mais fortes.
Depois de amamenta-la, Ster finalmente me percebeu no batente da porta. Me deu um lindo sorriso, e me estendeu a mão. "Um convite... Para participar deste mundo com ela" Me aproximei, com um sorriso bobo, que por mais que eu tentasse, não conseguia desmanchar
– Ela é linda
– Tem o seu cabelo, e o seus lábios também - Ela fazia um carinho bem leve na testa da minha linda princesinha
– Ela tem os seus olhos
Ela erguei a pequena mãozinha pra mim. Era tão delicada e tão pequena, que eu tinha medo de pega-la e quebrar. Peguei sua mão, e ela fez um pequeno barulhinho, seguido de um sorriso lindo
– Ela tem um sorriso igual ao seu
– Só espero que não herde o nariz do pai! - Tinha até me esquecido que estava debaixo do mesmo teto que Remo Lupim
– Remo... - Ster disse com uma voz repreenciva
– Tudo bem Ster. Hoje eu vou simplesmente fingir que ele não existe.
– Nossa, mal chegou e essa menina já esta movendo barreiras? - Silêncio. Ela começou a brincar com os meus dedos, e a soltar leves risinho - Seus alunos venderiam a própria alma para vê-lo agora, com um sorriso bobo na cara e chorando
– Eu não estou chorando - Ster passou o polegar debaixo dos meus olhos
– Severus, se isso não é uma lágrima, eu sinceramente não sei o que é - Ela me deu outro daqueles sorrisos radiantes, Merlim! Como eu adoro quando ela sorri pra mim.
– Não se preocupe Ranhoso, isso não vai sair deste quarto! - Voltei minha atenção a... Minha filha.– Ih! Deixa eu ir embora que Merlim está muito generoso em milagres hoje, e não vou ser eu quem vai abusar da sua bondade!
E finalmente foi embora! Me deixando a sós com a minha família.
Snape POV's Off
– Desculpe interromper o momento família, mas a Madame Pomfrey deixou um recado antes de ir embora - Molly entrou no quarto - Como ela nasceu pré matura, você vai ter que dar essas poções pra ela Ster, até ela completar três meses - Colocou uma malinha na cômoda.
– Tudo bem Molly, eu vou fazer isso.
– Ster... Eu posso - Perguntou meio receosa
– Claro Molly, pode segura-la sim - Olhei para a minha bonequinha de porcelana, e a entreguei a Molly
– Ela é muito bonita. Qual vai ser o nome dela Ster? - Molly perguntava embalando minha linda filha no colo
– Eu estive pensando em Annabel, o que você acha Severus?
– Que tal... Annabel Rose Lablum? Já que a mãe tem nome de flor, por que a filha não deve ter? - Severus sabe muito bem que eu detesto o meu nome do meio, mas era uma ocasião especial então deixei passar
– Perfeito - Disse dando um beijo rápido em seus lábios
– Sem Snape? - Molly perguntou intrigada
– Achamos melhor assim, por enquanto. Para evitar os fofoqueiros e também por causa do Volde... - Recebi um olhar repreensivo de Severus e me corrigi - Do Você-Sabe-Quem. Ainda está muito recente, vamos deixar a poeira baixar um pouco, só para ter certeza
– Bom... A filha é de vocês, então quem sou eu para dar opinião sobre o nome dela?
– Molly, eu e Severus conversamos muito, e eu decidi que você e Arthur serão os padrinhos dela. Se vocês quiserem, é claro
– É claro que eu aceito Ster! Se você não tivesse perguntado, eu ia me oferecer para o cargo - Caímos na gargalhada, e este dia não poderia ser melhor!
9 meses depois...
31 de Outubro de 1982
A dois meses atrás, eu pergunte a Severus sobre nós. Quando iríamos nos casar e quando ele iria dar o seu sobrenome a Anne, e ele simplesmente respondeu "Quando eu me sentir pronto"
Amanhã Severus voltará para a escola e a dois meses, desde que me mudei para a casa dele, nós não conversamos francamente. Ele se limita a me responder com monossílabos, e quando estou com Anne nos braços, ele se afasta como eu tivesse alguma doença contagiosa. Ontem quando ofereci meu corpo a ele, simplesmente me afastou com nojo, como se me tocar queimasse.
"Eu não aguento mais tudo isso"
"Vá conversar com ele mulher! Se você deixar para quando ele voltar nas férias, só vai ser pior"
Resolvi ouvir a minha consciência, que na maioria me dava bons conselhos, e desci até o seu escritório.
– Severus, precisamos conversar - Ele estava sentado em sua velha poltrona de couro preta, de frente para a lareira, com um copo de absinto na mão
– Não pode deixar para outra hora? - Disse frio, com a voz levemente embargada
– Não, caso tenha esquecido, amanhã é o primeiro dia...
– Eu sei muito bem que dia é amanhã. Mas você não se lembra que dia é hoje, não é?
– Hoje é trinta e um de outubro... - As peças se encaixaram. Olhei novamente para o seu rosto, estava manchado por lágrimas - Eu não acredito... Você está... CHORANDO... POR ELA?
– Tem algum problema nisso?
– Por Merlim ! Já faz um ano Severus! Você tem que esquecer...
– Eu não posso me esquecer Lablum! - Ele se levantou num rompante. E pela primeira vez, eu senti medo dele - Não importa o quanto você tente substitui-la! EU NUNCA VOU ESQUECER A LILY!
– Severus eu... Eu nunca quis substitui-la... Você sabe... Você está... - Não consegui me conter, simplesmente comecei a chorar
– Não quis, mas é o que está fazendo! Você... Tomou o lugar dela! Está me tirando dela, pouco a pouco. Como eu pude ser tão burro de deixar você me enganar deste jeito!
– Eu estou lhe tirando dela? - Naquele exato momento, a minha paciência, simplesmente se esgotou - SEVERUS. ELA. ESTÁ. MORTA! E MESMO SE ELA ESTIVESSE VIVA, ELA NÃO ESTARIA COM VOCÊ! ELA AMAVA O POTTER! E EU NUNCA ENGANEI VOCÊ! OU VOCÊ ESQUECEU DOS ANOS EM QUE EU TE AJUDEI A CONQUISTÁ-LA? MESMO DEPOIS DE EU TER TE BEIJADO, LHE REVELADO TUDO QUE EU SENTIA E VOCÊ TER ME REJEITADO, EU CONTINUEI TE AJUDANDO - Eu estava louca, só queria gritar tudo que eu sentia pra ele.
– Você me ajudou? - Ele se levantou - VOCÊ A JOGOU NOS BRAÇOS DO POTTER!
– NÃO FUI EU! FOI VOCÊ! VOCÊ A JOGOU NOS BRAÇOS DO POTTER QUANDO A CHAMOU DE SANGUE-RUIM! ELA ESTAVA DISPOSTA A TE DAR UMA CHANCE, POR QUE EU PEDI A ELA! VOCÊ QUE ESTRAGOU TUDO!
Eu simplesmente não estava acreditando. Tudo que eu fiz por ele, tudo que eu já tinha sofrido por ele... Não valeu de nada pra ele? Eu me entreguei pra ele, eu o ajudei quando tudo e todos me diziam que não era a melhor coisa a se fazer, eu tive uma filha com ele, eu fiz tudo por ele, pra isso? Pra mais uma vez, ter meu coração estraçalhado?
– VOCÊ ME CONVENCEU DE TUDO ISSO LEMBRA? EU ESTAVA CONFORMADA EM TER APENAS A SUA AMIZADE! EU ESTAVA BEM, NAMORANDO COM O REMO, COM ALGUÉM QUE REALMENTE ME AMAVA. EU DESISTI DE TUDO ISSO, POR QUE VOCÊ ME PROMETEU QUE NUNCA MAIS ME FARIA CHORAR, ME FARIA SOFRER... - Meu coração doía, a cada lembrança que eu tinha, das palavras dele, da sinceridade que ele parecia ter - Mas foram só palavras... Palavras ao vento... Por que aqui estou eu de novo, chorando que nem uma idiota... Por você... Mas essa é a ultima vez que eu vou chorar por você.
– O que você... Me deixe sozinho - Disse se sentando novamente na sua velha poltrona.
"Uma chance, de a ele uma ultima chance!" Gritava a minha consciência, ela simplesmente não me deixava em paz, então decidi ceder, em parte
"Pois bem, eu vou oferecer a ultima chance a ele. Mas se ele não aceitar, acabo!'
–Não finja que não me entendeu. Você pode ser um canalha, mas burro eu sei que você não é! - Respirei fundo, isso poderia mudar tudo. Não sei porque, mas uma parte de mim implorava para que ele reconsiderasse - Severus... Se eu sair desta sala... Saiba que eu estarei saindo da sua vida também... Pra sempre... E vou levar Annabel comigo...
– Isso é uma ameaça?
– Pior que isso, é uma promessa! E você melhor que... - Ele se levantou e jogou o copo de absinto na minha direção, se eu não tivesse desviado teria me acertado em cheio no rosto
– O QUE ESTÁ ESPERANDO ENTÃO? VÁ EMBORA! - Aquilo foi pior do que qualquer maldição cruciatus. Não era mais o meu Severus, aquele garotinho que eu conheci, ou aquele homem que ficou bobo com a notícia que era pai. Não, esse era o resultado do que Voldemort fez dele, um Comensal.
– Pois bem... MILORD! Seu desejo é uma ordem...
Sai da sala e subi para o quarto dele. Me recusava a falar que algum dia aquele quarto foi meu. Porem quando fechei a porta veio a minha cabeça uma coisa muito importante "O que você vai fazer agora?" Eu só sabia de uma coisa, eu iria seguir em frente, sem ressentimento, sem olhar pra trás, sem ele. Arrumei as minhas malas, as malas da Annabel. Diminui todos os moveis dela e empacotei. Coloquei todas as malas e caixas em uma bolsa com Feitiço Indetectável de Extensão. Fiz um bilhete, dizendo que Annabel saberia sobre ele, TUDO sobre ele, que não o deixaria sem notícias dela. "Ela não tem nada a ver com isso!"
Com a minha filha nos braços, sai daquela maldita casa, para nunca mais voltar. Andei, sem rumo, e quando dei por mim, estava embaixo do velho carvalho da praça da Rua da Afiação. Me lembrando dele outra vez.
"Pra onde você vai?"
"Para um lugar onde eu não me lembre dele a cada canto que eu olhe. De preferência bem longe, fora do Reino Unido talvez?"
"Que tal aquela casa que a sua mãe deixou de herança? Onde fica mesmo?"
"Nos Estados Unidos, em Nova Iorque. Acho que no em um bairro trouxa chamado Manhattan."
"Fica do outro lado do oceano, não vejo lugar melhor para recomeçar! Tem uma musica sobre Nova Iorque não tem? Será que lá é como a musica diz?"
– Só tem um jeito de descobrir... - Olhei para Anne, que estava dormindo calmamente, como se nada tivesse acontecido - Nós vamos para Nova York
Aparatei, e quando vi a grande Estátua da Liberdade eu tive certeza. Não existia lugar melhor no mundo para recomeçar!
( . )
Frank Sinatra - New York
Start spreading the news, (Comece a espalhar a notícia)
I'm leaving today (Estou partindo hoje)
I want to be part of it, (Eu quero ser parte dela)
New York, New York (Nova Iorque, Nova Iorque)
These vagabond shoes (Estes sapatos de vagabundo)
Are longing to stray (Estão desejando passear)
Right through the very heart of it (Exatamente através do coração autêntico dela)
New York, New York (Nova Iorque, Nova Iorque)
I wanna wake up in a city (Eu quero acordar na cidade)
That doesn't sleep (Eu quero acordar na cidade)
And find I'm king of the hill, (E descobrir que sou o rei do pedaço)
Top of the heap (O maioral)
These little town blues (Estes blues de pequenas cidades do interior)
Are melting away (Estão longe do enternecimento)
I'll make a brand new start of it, (Eu farei um novo recomeço nela)
In old New York (Na velha Nova Iorque)
If I can make it there (Se eu conseguir lá)
I'll make it anywhere (Eu farei em qualquer parte)
It's up to you (Só depende de você)
New York, New York (Nova Iorque, Nova Iorque)
New York, New York (Nova Iorque, Nova Iorque)
I want to wake up in that city (Eu quero acordar na cidade)
That never sleeps (Que nunca dorme)
And find I'm a number one (E descobrir que sou o número um)
Top of the list (No topo da lista)
King of the hill (No topo da lista)
A number one (O número um)
These little town blues (Estes blues de pequenas cidades do interior)
(all) melting away ((Todos) estão longe do enternecimento)
I'm gonna make (Eu vou fazer)
A brand new start of it (Um novo recomeço nela)
In old New York (Na velha Nova Iorque)
And if I can make it there (Se eu conseguir lá)
I'm gonna make it anywhere (Eu vou fazê-lo em qualquer parte)
It's up to you (Só depende de você)
New York, New York! (Nova Iorque!)
New York! (Nova Iorque!)
