Sasuke nunca havia se deparado com um navio que não pudesse abordar ou com uma mulher que não se rendesse aos seus encantos... Até se defrontar com Haruno Sakura, que era tão graciosa quanto atrevida, a ponto de ameaçar levá-lo á justiça!
Sakura tinha seus motivos para querer acabar com a arrogância de Uchiha Sasuke, o notório pirata de quem seu noivo desejava se vingar. Mas quando Sasuke escapou à armadilha que ela cuidadosamente lhe preparara, Sakura viu-se arrebatada pelo irresistível poder de sedução daquele homem. Agora Sasuke teria de enfrentar o único perigo para o qual não estava preparado, pois embora tivesse conquistado inúmeros corações, ele jamais imaginara encontrar uma mulher capaz de sem o menor esforço, roubar o seu!
Por Angel-chan
Coração Pirata
Capítulo Dois
Na noite seguinte, no interior da barulhenta taverna¹, Sakura tinha a impressão de que seus pulmões ficariam impregnados de fumaça pelo resto de seus dias.
Ja fazia quase duas horas que ela tratava de se esquivar de mãos e de investidas abusadas. Nesse tempo, mantivera os ouvidos mais do que atentos às conversas dos marujos, à cata de qualquer menção ao nome ou as histórias de Uchiha Sasuke. O mais estranho de tudo, porém, era pensar que qualquer um daqueles homens poderia ser o pirata que, segundo diziam, havia ceifado mais vidas do que a epidemia de varíola que devastara Charleston no ano anterior.
Por que não? Ele bem poderia ser aquele baixote na faixa dos cinquenta anos, junto ao balcão, que não tirava os olhos dela. Ou aquele rapaz sozinho que, diante da lareira, flertava com sua caneca de cerveja. Talvez fosse o homem desacompanhado num dos cantos do estabelecimento, que levava o olhar à porta toda a vez que ela se abria.
Afinal, que aparência teria o pirata? Alto ou baixo? Moreno ou loiro? A brutalidade dele se expressaria em seu rosto? Era bem provável...
Diante da mesa ocupada por quatro fregueses, Sakura serviu a cerveja que haviam pedido e, imitando o tom rude de uma atendente de taverna, perguntou:
"Vão querer só isso? Ou posso trazer alguma coisa para comerem?"
Um dos homens estreitou os olhos para as curvas dos quadris de Sakura.
"Acho que vou aceitar um pouco dessa coisa gostosa aí."
"Deixe disso, seu palerma!" - Sakura desviou a tempo do beliscão que o sujeito pretendia lhe dar. - "Esta coisa gostosa aqui lhe daria uma indigestão brava... Sem falar da bacia de água fervente que vou jogar na sua cara se não parar de me importunar com suas brincadeirinhas sem graça."
Os outro três caíram na gargalhada, depois um deles, um homem de cerca de sessenta anos, comentou:
"É melhor ter cuidado, Cara, pois ela parece ser do tipo que cumpre o que promete!"
"Se eu não cumprir." - Retrucou Sakura, ajeitando a bandeja no braço. - "Podem estar certos de que o meu amor, que está ali no bar, irá se encarregar disso."
Os quatro viraram-se ao mesmo tempo para o balcão onde Karl Harringer, o dono da taverna, erguia um barril de rum sobre um dos ombros para depois encaixá-lo no alto de uma prateleita. Embora fosse pouco mais alto que Sakura, o rapaz era corpulento e forte como um tronco de carvalho, e todos os que frequentavam o Cabeça de Bagre² conheciam seu gênio mal-humorado.
"Aquele urso feio é o seu amor?" - O mais jovem dos homens perguntou a Sakura. - "Não acredito!"
"Ei, Karl." - Ela gritou, para fazer-se ouvir em meio à algazarra na taverna. - "Quem é o seu amorzinho?"
"Você, minha doce Sakura!" - A carranca de Karl se suavizou num arremendo de sorriso. - "Só você."
Satisfeita com a resposta, ela se pôs a circular por entre as mesas. Foi somente nos fundos do estabelecimento que se deparou com o olhar furioso de Sai. Em vez do uniforme da Marinha ele usava um jaquetão simples e calça sem adereços, um contraste com a postura rígida sobre a cadeira, os modos altivos de sempre.
Sai não fizera a barba aquele dia. Havia explicado a Sakura que tal medida serviria para lhe conferir o aspecto rude e descuidado dos marujos que costumavam se desbruçar sobre canecas na taverna. Ela, porém, achava que o noivo estava era com um jeito de parvo.
A medida que Sakura se aproximava, os olhos de Sai se estreitavam mais e mais. Era evidente que ele tinha ganas de estrangulá-la. Sakura sempre demonstrava uma queda para flertes atrevidos e namoricos inconsequentes; Sai sabia disso, mas agora que estavam noivos, esperava que ela se comportasse de acordo.
Sakura não só contrariava as expectativas dele, como também sentia o prazer em atormentá-lo. Desde o ínicio do namoro, vivia ultrapassando os limites da tolerância de Sai apenas para ver como se safaria se ele viesse a ter acesso de fúria. Ele, por seu lado, dizia que tal comportamento era resultado da forma como Sir Haruno Takeda mimava a filha única; Para Sai, o bom homem sempre fora indulgente demais com Sakura, liberal demais com relação à educação dela e tolerante demais com suas traquinagens.
"Você me parece um pouco pálido, docinho." - Comentou Sakura com um ar travesso, aproximando-se dele. - "Será que está precisando de outra caneca de cerveja?"
Sai fez uma expressão de repulsa para recusar a bebida, depois perguntou:
"Alguma notícia do terrível Uchiha Sasuke?"
Baixando a cabeça, ela fingiu limpar uma mancha sobre a mesa enquanto informava, agora sem sotaque algum:
"Há uns dois ou três piratas aqui, mas nenhum deles é Sasuke Uchiha."
Sai olhou para os dois homens que o acompanhavam. Ambos tinham ordens expressas para conduzir Sakura a um local seguro no instante em que Sasuke aparecesse por ali.
Ela percebeu a preocupação do noivo e, tornando a prender o pedaço de pano ao cós da saia, cuidou de tranquilizá-lo:
"Com você, seus homens e Karl por perto, quem haveria de me fazer mal?"
"Sakura." - Sai pegou no braço dela. - "Isto não é uma daquelas brincadeirinhas tolas que fazíamos quando crianças. O terrível Sasuke Uchiha poderia matá-la num piscar de olhos."
"Para isso, primeiro ele teria que me agarrar. E eu ainda não conheci um homem capaz disso."
Sai largou o braço dela e deixou escapar um suspiro desanimado.
Como vinha acontecendo ultimamente nas últimas duas horas, a porta de entrada da taverna se abriu. Em meio à golfada de ar fresco e limpo que se espalhava pelo estabelecimento, Sakura já havia dado um ou dois passos na direção da porta, quando sentiu de repente, um par de braços a enlaçava pela cintura, arrastando-a para um canto escuro antes que ela pudesse esboçar qualquer reação.
"Ora, ora, mas o que temos aqui?"
Um cheiro acre, mistura de cerveja e mau hálito, quase a sufocou.
"Largue-me!" - Sakura exigiu, num tom que fária vários marmanjos se acovardarem.
Ela não podia ver o homem, mas ele levou uma mão imunda ao seu seio.
"Seja boazinha, doçura. Vou pagar bem, acredite."
Assustada, a Haruno olhou para a mesa de Sai. Ele havia se levantado e fazia menção de ir socorrê-la, quando um de seus homens, agarrando-o pelo braço, fez sinal para que tornasse a se sentar.
Devagarzinho, Sai afundou-se de volta na cadeira. Como ele ousava? Indignada perante a submissão do noivo a um oficial de patente inferior a ele, Sakura sentiu o sangue ferver. Ah, quando ela conseguisse se livrar daquele bêbado, Sai iria ver com quantos paus se fazia uma canoa!
Inflamada tanto pela raiva quanto pelo medo, Sakura respirou fundo e pisou com toda a força de que foi capaz no peito do pé do homem que a segurava.
Vociferando um palavrão, ele a soltou.
Sakura então correu em direção a porta, que acabara de abrir-se novamente. Mas, antes que pudesse alcançar a saída, o bêbado, que fora em seu encalço, tornou a agarrá-la. Entre aterrorizada e furiosa, Sakura virou-se para ele, arfando à visão dos olhos verdes injetados, dos cabelos rosados ensebados e da expressão no rosto asqueroso, uma mescla de raiva e lascívia. Sem lhe dar tempo para reagir, ele a encostou de encontro a uma parede e pôs-se a lhe acariciar o corpo com mãos imensas.
"Eu disse a você que me deixasse em paz, seu... miserável!" - Sakura tentou usar a bandeja para defender, mas o homem tomou-a de suas mãos e arremessou-a ao chão.
"A jovem lhe fez um pedido. Você deveria atender."
Foi como se tais palavras, proferidas num timbre firme e profundo, tivessem o poder de varrer a taverna com a energia de um trovão. No poderoso silêncio que agora dominava o ambiente, Sakura perguntou-se se já não teria ouvido aquele voz em algum outro lugar.
Ela então ergueu o olhar e...
... Seu coração quase parou.
A primeira coisa que viu, foram os olhos ônix profundos, agora sombreados por lampejos de uma ira fria e mortal. Os olhos do conde Himura Hapsburg.
Mas em vez do impecável traje aristocrático, naquela noite ele vestia uma camisa de linho branco aberta até o peito, e seu colete sem mangas, verde-escuro, estava totalmente desabotoado. A claridade proporcionada pelo lampião mais próximo iluminava os cabelos pretos, que eram lisos na frente e espetados atrás, bem como a espada que ele trazia embainhada na cintura.
Colocando a mão sobre o ombro do homem que a molestava, ele perguntou:
"Será que você não me ouviu?"
"Não se meta. Esse assunto é entre mim e a moça."
"A moça não quer saber de você, e você deveria elogiar o bom gosto dela." - Os lábios do conde se curvaram num sorriso zombeteiro. - "Agora, se não tirar as mãos da jovem, você vai discutir esse tal assunto comigo."
O brutamontes ainda hesitou por um breve instante, mas, com a testa já empapada de suor, acabou por se afastar de Sakura. Ajeitando o casaco com um forte puxão nas laterais, ele se desculpou:
"Perdão, senhorita. Eu não pretendia lhe fazer mal."
E com isso o beberrão se encaminhou a passos largos para a porta.
Aliviada, Sakura ficou olhando para o belo semblante que conhecera na noite anterior. Um rosto que, como o de Sai, tinha o sombreado da barba de um dia. Só que no conde, em vez de fazê-lo parecer aparvalhado, os pêlos crescidos produziam um efeito estonteante, másculo, viril.
"O que houve com seu sotaque?" - Ela perguntou.
O conde esboçou um sorriso meio constrangido, depois tentou o mesmo truque que os homens usavam com as mulheres desde os tempos de Adão e Eva:
"Desculpe-me, senhorita, mas do que é que está falando?"
"Como assim, do que estou falando? Você aqui, vestido desse jeito, sem o seu sotaque búlgaro... O que significa isso?"
"Sinto muito, mas você deve estar me confundindo com outra pessoa."
Sakura conhecia muito bem aquele artifício. Era a mesma desculpa que Sai usava quando apanhados aos braços com Karin Hole... E o miserável ainda quisera convencê-la de que ela estava vendo coisas! Tudo isso era parte do velho ardil: 'Faça com que a garota se sinta uma estúpida, e ela acabará por concordar com você'. Um truque que os homens usavam para esconder algo que...
De repente, Sakura deu-se conta do que tinha bem diante de seus olhos.
Deus do céu, aquele era o Terrível Sasuke Uchiha!
Sim, só podia ser. Sua intuição, seu sexto sentido, seu discernimento, tudo lhe dizia que aquele homem, exatamente ele, seria o único com habilidades para frustar todas as inúmeras tentativas de captura empreendidas contra o bandido!
Respirando fundo para criar coragem, Sakura pecebeu que única maneira de sair daquela enrascada era fazer o jogo dele.
"Ah... Acho que você está certo, devo ter me confundido." - Tentou mostrar-se embaraçada. - "De qualquer modo, obrigada por ter me ajudado com aquele sem-vergonha."
Sasuke saiu da frente de Sakura e a viu passar por ele com a pressa de quem fugisse do demônio em pessoa. Tinha pecebido que ela o reconhecera no instante em que a vira duvidar de suas palavras. A danadinha era esperta que só ela.
Acompanhando com os olhos os movimentos apressados de Sakura pela taverna, viu-se encaminhar diretamentee à mesa em que estava sentado o ingles com cara de pateta. E engoliu uma praga. Viera ali naquele noite para encontrar Neji e o espião patriota, que queria que ambos passassem algumas mercadorias pelo bloqueio inglês. Ninguem mais sabia disso.
Então, qual deles o teria traído?
Sasuke não dissera a nenhuma outra pessoa que iria ao cabeça de bagre. E tinha certeza absoluta de que Neji Hyuuga, fossem quais fossem as circunstâncias, seria incapaz de uma deslealdade. Assim sendo, só sobrava o espião. O que significava que Neji estava preso numa armadilha sem o saber. Sauke suspirou. Uma vez mais, teria de livrar o amigo de uma enrascada. Mas, para isso, precisava fazê-lo saber o que se passava ali.
Sentado a uma mesa no lado direito do estabelecimento, Neji viu Sasuke aprorximar-se com um ar noturno. Alheio ao perigo que corria, fez um leve aceno antes de comentar:
"Até que enfim você chegou. Boa noite."
Ignorando o cumprimento do amigo, Sasuke foi diretamente até o espião e desferiu-lhe um tremendo soco no queixo. Ao ver o homem desfalecido escorregar para o chão, Neji franziu a testa num gesto de pura surpresa.
"Mas o que foi que ele fez? Você não gostou da cor do casaco dele, é isso?"
Apoiando as mãos sobre a mesa, Sasuke mirou o amigo com olhar fulminante.
"Presumir que fosse ele quem disse aos oficiais britânicos que estaríamos aqui esta noite. Será que ataquei o homem errado?"
"O quê?" - Neji arrega-lou os olhos.
Satisfeito por ver que o espanto do amigo era genuíno e sincero, Sasuke deu um sorriso amargo antes de anunciar:
"Caímos numa armadilha."
Do outro lado da taverna, Sakura deu um sorriso triunfante.
"Viu só?" - Ela perguntou a Sai. - "É mesmo o Terrível Sasuke. Ele acaba de dar um soco num homem sem nenhum motivo aparente."
"O sujeito pode ter seduzido a esposa dele, Sakura."
"Estou lhe dizendo que é ele. Não o reconhece da noite passada? Ele fingia ser o conde Himura Hapsburg, e na certa, buscava informações sobre o...
"Sakura, por favor." - Sai deu um suspiro impaciente. - "Aquele homem não se parece nem um pouco com o conde. Por certo se trata de algum marinheiro que veio até aqui tomar um trago. O conde usava trajes requintados e tinha modos elegantes. Aquele homem é um bruto. Além do mais, por que o Terrível Uchiha iria socorrer uma qualquer do assédio de um brutamontes embriagado?"
"Não sei se você reparou, mas não sou uma qualquer."
"Você me entendeu, Sakura."
"Mas que coisa! Você quer uma prova do que digo, não quer? Pois então vou lhe dar essa prova."- Sakura deu três passos na direção de Sasuke e gritou:
"Ei, Sasuke Uchiha!"
O homem a quem se dirigira não se moveu.
"Viu?" - Sai rejubilou-se com o gosto da vitória. - "Ele nem piscou. Eu lhe disse que não era o Uchiha."
Sakura mordeu o lábio. O pirata não se movera, mas todos os demais tinham olhado na direção dele. Pronto, ali estava a prova.
Voltando para junto de Sai, ela ordenou:
"Vá prendê-lo. Se eu estiver enganada, você o soltará."
"Se você estiver enganada, todas vão rir de mim."
"O que vamos fazer?" - Neji perguntou a Sasuke, tentando aparentar indiferença e fracassando completamente.
Mais do que acostumado a lidar com situações como aquele, Sasuke estava decidido a não se deixar abater por mais um golpe traiçoeiro,
"Quero que você saia daqui como se nada tivesse acontecido." - Ele disse ao amigo. - "Ninguem, a não ser esse patife desmaiado no chão, sabe quem você é, por isso pode considerar-se fora desta embrulhada."
"E quanto a você?"
"Não se preocupe comigo. Posso ter levado um golpe baixo, mas não vou morrer por esta ninharia. Agora vá, salve o seu pescoço."
Relutante, Neji ergueu-se da cadeira e fez o que Sasuke ordenara.
Só depois de ver o amigo sair pela porta em segurança foi que Sasuke se atreveu a olhar na direção de Sakura. E quase caiu na risada ao vê-la discutindo fervorosamente com o inglês.A cena era impagável. Por certo ele levara a noiva à taverna para conseguir informações a respeito de Sasuke Uchiha, e agora que ela o tinha descoberto, o bobalhão não acreditava em suas alegações.
Mas o que é que Sakura Haruno tinha visto naquele sujeito? Mulheres... Era impossível entendê-las.
Sasuke sabia que devia sair dali antes que Sai se convencesse de que ele era realmente ele. Mas a verdade era que estava se divertindo um bocado com aquela situação. Além do mais, não havia armadilha da qual não conseguisse escapar. Nenhum homem e mulher seriam capazes de detê-lo. Bem, talvez uma mulher nua o detivesse em sua cama por algum tempo. E aquela mulher em especial, a jovem bela Sakura Haruno, lhe despertava um intenso desejo.
Furtivamente, pôs-se a observá-la. Sakura era pequena e delicada, mas seu corpo possuía saliências e curvas que fariam qualquer mortal deleitar-se de prazer. Uma pequena sereia. E ele não seria bobo de...
Sentiu-se enrijecer por inteiro. Ela falava e gesticulava sem parar, mas se virou para apontá-lo e, quando seus olhares se encontraram, calou-se repentinamente.
Sasuke teve a impressão de que um raio o atingira e o tempo parara de correr enquanto se olhavam. O murmúrio das conversas ao redor foi sumindo, sumindo... Agora, tudo o que ouvia, eram as batidas do próprio coração. Santo Deus, havia magia no olhar daquela mulher! Uma força estranha e poderosa que ele até então desconhecia. Tudo o que queria era cobrir o espaço que os separava, tomá-la nos braços, carregá-la para a cama mais próxima e fazer amor com ela para todo o sempre. E essa constatação o fez tomar uma decisão. Desde o início, sua intenção era deixar Sakura fora daquilo tudo. Mas fora o próprio noivo dela que tomara a iniciativa de trazê-la para o centro daquela confusão. Não fora? Pois muito bem, ele não era homem de enjeitar um presente tão prazeroso. Se o destino a colocara em seu caminho por duas vezes, não seria ingrato a ponto de rejeitar tão apetitosa dádiva.
Sai pôs-se em pê e, com o rosto vermelho de raiva, foi ao encontro do pirata pisando duro. Num esforço sobre-humano, Sasuke desviou o olhos dos de Sakura para encarar a expressão irritada do tenente.
"Desculpe-me senhor." - Disse Sai, após virar-se para Sakura com ar de superioridade. - "Sinto importuná-lo, mas será que poderia fazer o favor de me informar se, por acaso, o senhor é Sasuke Uchiha?"
"Sim, tenente." - Sasuke deu uma risadinha perversa. - "Você encontrou o homem que prorcurava. E agora, será que é capaz de colocar suas mãos nele?"
Com os olhos arregalados, Sai tateou a lateral do corpo em busca da espada, enquanto berrava:
"É ele! Agarrem-no!"
Mesmo rindo da inépcia do jovem, Sasuke reagiu no mesmo instante: Tirou Sai da frente com um safanão e, de espada em punho, foi atrás dos dois oficiais que levavam Sakura para fora da taverna. Era só ela que conseguia pensar.
Dois soldados emergiram em meio aos fregueses do Cabeça de Bagre para lhe bloqueiar a passagem em direção a porta. O Uchiha riu de ambos. Imaginavam que poderiam detê-lo? Justo ele, que ludibriara uma frota inteira enviada para captirá-lo? Com meia dúzia de movimentos e golpes precisos, o pirata livrou-se dos dois e seguiu no encalço do que realmente lhe interessava naquele momento.
Saiu pela porta a tempo de ver os oficiais ajudando Sakura a subir numa carruagem. Ao vê-lo, um dos homens logo desembainhou sua espada.
Aquilo estava ficando bom , pensou Sasuke. Aquele sujeito de fato acreditava que seria capaz de protegê-la? Acreditava que haveria alguém no mundo capaz de impedir Sasuke Uchiha de se apossar do que desejava? Ora, ninguém se poria no seu caminho. Nunca.
As duas espadas já se cruazavam quando um disparo ecoou pelo ar. Com uma dor lancinante no ombro, Sasuke virou-se para trás e viu Sai empunhando uma espingarda de pederneira. Furioso, cuidou logo de se esquivar dos adversários e foi para trás da carruagem para avaliar a extensão do ferimento. Ainda que o machucado sangrasse bastante, parecia que a bala o pegara de raspão. Doía muito, mas não era o suficiente para matá-lo.
Apenas para deixá-lo ainda mais irado.
Já saboreando o gosto da vingança, Sasuke deu três passos até a parte interna da carruagem, jogou ao chão o soldado que estava junto de Sakura e tomou o lugar dele. Antes que ela pudesse esboçar uma reação, agarrou as rédeas e chicoteou as costas dos cavalos. A carruagem pôs-se em movimento, logo em seguida ganhou velocidade e disparou pela ruela suja.
Virando-se sobre o assento, Sakura olhou para trás. Á medida que a figura de Sai ia diminuindo ao longe, o rosto dela empalidecia de pavor. Tornando a se virar, ela perguntou para Sasuke num fio de voz:
"O que está fazendo?"
"Parece, minha adorável criatura, que o terrível Sasuke Uchiha está raptando você."
Fim do primeiro capitulo.
. Dicionários - Dúvidas
. Taverna¹ = Um tipo de bar, geralmente dado esse nome quando se refere a espeluncas frequentadas por piratas e marinheiros.
. Cabeça de Bagre² = Nome da Taverna
Oii povoooo. Caraa amei de paixão todas as reviews. Serio. Com elas fez eu digitar esse capítulo o mais rápido possível para vocês. Espero que gostem! Se tiver algum erro me digam.. ta? ^^
Bjos até o proximo capitulo!
Fanfic dedicada a: Grande clássicos históricos. Kinley MacGregor
