Notas do capítulo
Espero que gostem, de verdade! Estou bem nervosa com a reação de vocês!
—-/-/Kagome/-/-
A dor beirava o insuportável. Assim era morte? Uma eterna agonia? Mas de certa forma, me alegrava saber que meu masoquismo fizera com que a dor em meu peito diminuísse e passasse para seu tórax ou para o resto de seu corpo.
—Ela acordou_ uma voz grossa, não muito longe pode ser ouvida, me fazendo estranhar. Meu inferno particular teria uma companhia?
Não me demorei muito nisso, já que uma nova pontada se fez presente quando meus pulmões se encheram de ar. Fiz o possível para não me mexer.
Maldito Inuyasha! Porque ele teve que fazer isso comigo? Maldito! Por que fui assim tão burra? Para confiar cegamente nele, burra o suficiente para não desconfiar quando ele me pediu a joia, Que Burra! Idiota! Desmiolada!
Era guardiã da joia e quando finalmente a teve completa novamente, a perderá para sempre!
Eu... Eu... Não mereço... Eu deveria... NÃO, Kagome nem pense nisso!
Calma, respira fundo. Tentei me acalmar e me arrependi profundamente quando uma nova pontada me fez gemer.
Ate respirar dói, mas... Que cheiro é esse? Onde estou? Me sinto observada.
Escutei o som de passos, tinha companhia, o que me fez duvidar se estava morta. A possibilidade de ter sido salva era tão remota quanto à de nevar no verão! Mas de qualquer forma, tento abrir os olhos, não saberia até provar. A luz me irritou um pouco, mas logo pude enxergo um teto irregular, acho que de pedra, uma caverna com certeza.
Mas como cheguei aqui?
Tentei me levantar e a dor se espalhou pelo meu corpo, dessa vez mais forte e aguda. Tive de fazer um esforço descomunal para não gritar na frente de quem quer que tenha me ajudado. Busquei com os olhos alguma presença na caverna. A pequena fogueira me dava uma visão disforme de um grupo.
Estou fraca.
—Quem?_ tentei falar, mas ao que parece, não passou por de um sussurro. Sentia a garganta seca. No entanto a curiosidade era maior, o que me fez tentar levantar novamente.
Na mesma hora sinto pequenas mãos me deitando delicadamente e uma voz infantil dizer:
—Kagome-sama não se esforce, ainda está muito machucada_ Olho para a criança ao meu lado. Ela segurava um tecido, que a vi molhar um balde e colocar em minha testa.
Ele estava aqui antes?
—Onde? Estou? Rin?_ tentei falar pausadamente, superando a aspereza que sentia na minha garganta. Ela teve que se concentrar para entender algo do que eu falava, e eu vi que não entendera. Tentei virar a cabeça para ver se reconhecia o lugar, mas uma pontada na nuca me fez desistir.
—Deve estar com sede não é?_ ela pergunta, pegando a toalha em minha testa, molhando e colocando de novo no mesmo lugar.
Devo estar com febre.
Aceno com a cabeça devagar e a vejo pegar um pouco de água com uma vasilha. Ela apoia minha cabeça em seu colo e direciona o recipiente para minha boca. Bebo em pequenos goles e sinto o incomodo em minha garganta diminuir. Um copo de água nunca me fez tão bem.
—Eu tratei de seus ferimentos, enfaixei algumas partes e passei uma pasta de ervas para ajudar a cicatrizar. Só que eu não achei uma erva para disfarçar a dor, gomene._ ela disse parecendo culpada ao terminar de me dar água, dou um pequeno sorriso para ela e ela sorri para mim.
Até isso dói.
—Você fez bem pequena, arigatou._ agradeço.
Se não fosse por ela eu estaria morta.
—Consegue comer senhorita Kagome?_ Rin pergunta docemente
—Hai_ respondo e tento me sentar
—eu te ajudo!_ disse ao ver meu esforço e me ajudou a encostar-se à parede. Posicionando-me de uma maneira mais confortável. Ela vai ate uma fogueira mediana no centro da caverna e pega um pedaço de carne, coelho ao que me parece. Não me demoro a mastigar com vontade, bebendo água no processo. Não havia percebido a minha fome, até o momento.
—arigatou Rin!_ Digo e retorno a comer.
—esta gostoso senhorita Kagome?_ ela pergunta e eu paro de comer
—hai, Rin_ digo, antes de questionar:
—há quanto tempo estou aqui?
.
.
.
—gochisousama_ digo após terminar de comer e descanso a cabeça na parede, tentando ignorar a dor de meu corpo. Sabia que estava com uma perfuração profunda no tórax, mas temia ainda estar fraca demais, tanto física quanto espiritualmente, para curá-la.
Fazia quatro dias que estava desacordada sob os cuidados de Rin. Quatro dias sem Inuyasha, quatros dias sem a joia e ainda não sei o que irei fazer daqui em diante, meu trabalho era protegê-la e agora tudo mudou.
Suspirei.
Se pelo menos eu pudesse voltar a minha era...
Encosto minha cabeça na parede atrás de mim e fecho os olhos me concentrando para não relembrar da briga e cair em prantos. Não sabia quando Rin iria voltar e fazê-la se preocupar ainda mais comigo, me deixaria como o sentimento de culpa.
Parte do meu dia se passou nesse dilema e acabei não percebendo que já não me encontrava sozinha.
—Que tipo de hanyou deixa sua humana andar sozinha pela floresta?_ ouço uma voz grossa falar a minha direita, me assustando. Acabo virando minha cabeça rápido demais e sinto minha visão ficou turva.
Teria caído, se já não me encontrasse no chão.
—tão silencioso_ resmungo baixinho para Sesshoumaru não ouvir, mesmo sabendo que é inútil.
—O que fazia sozinha na floresta, humana do Inuyasha?_ ele questiona e finalmente minha visão volta ao normal. Ergui meu olhar, cruzando com os âmbares dele ao escutar sua voz.
Ele se encontrava sentado de forma altiva no outro lado da caverna, descansava sua mão na Bakusaiga e seus olhos pousaram em mim quando lhe encarei, a fogueira os deixavam com um ar sombrio. Era como se o olhar dele congelasse minha alma.
—Meu nome é Kagome._ falo com esforço, ignorando a sua pergunta.
—O que você fazia na floresta?_ ele diz com um tom de desprezo, como se eu o houvesse irritado. Baixo minha cabeça. Ele queria que eu contasse tudo?
—Responda_ disse altivo e decido que lhe devia isso. Ele me salvou.
—Estava... Fugindo_ respondo sussurrando, sei que ele conseguiu ouvir. Seu olhar me avaliava.
—De quem?_ pergunta novamente, sem alterar a voz. Desvio o olhar, sentindo as lagrimas se formarem pela simples menção do que aconteceu. Amaldiçoei-me.
Droga, não agora, por favor.
—De... De..._ Não consegui terminar e os prineiros soluços vieram silenciosos.
Por que o youkai tinha de me lembrar de Inuyasha?
Alguns minutos de silencio se passaram e os únicos barulhos ali eram meus soluços e a madeira que crepitava ao toque do fogo. Sesshoumaru não me encarava mais e agradeci por essa pequena privacidade. Já me sentia humilhada demais ao lembrar-se do seu irmão, quanto mais chorar copiosamente na frente do youkai!
—Senhorita Kagome voltei!_ ouço Rin gritar na entrada da caverna e rapidamente enxugo minhas lagRinas com o dorso de minha mão, tentando disfarçar o choro. Não a queria preocupada.
A criança carregava um balde, ela tinha ido encher num rio próximo.
—Okaeri Rin-chan_ digo com um pequeno sorriso no rosto, o rosto dela se iluminou e ela abriu um imenso sorriso. Sinto um leve calor, percebi que a pequena tem o dom de alegrar o seu arredor.
—Arigatou Senhorita Kagome!_ ela diz enquanto coloca o balde próximo a mim, no lugar onde se encontrava Sesshoumaru, que agora estava do outro lado da caverna.
—-/-/Sesshoumaru/-/-
A miko escondia algo
Constatei o óbvio assim que a vi fingir alegria quando Rin chegou. Tornava-se engraçado de tão irônico que era a minha situação. Protegendo a humana que um dia tentei matar.
A encarava tentando compreendê-la.
Via suas expressões de dor todas as vezes que se mexia, mesmo assim, ela se esforça o máximo para não demonstrar, como se seu orgulho a impedisse disso. Era curioso o fato de mesmo sendo humana, ela tentasse se passar de forte quando, na verdade, é a criatura mais frágil que existe.
Humanos são tediosos.
A observei enquanto ela tentava manter o monólogo de Rin bem alimentado com seus murmúrios. A miko ouvia e acenava, como se falar fosse um esforço muito grande, mesmo assim, ela animava a minha protegida. De tempos em tempos, Rin trocava a toalha em sua testa e verificava seus ferimentos perguntando se estava doendo ou algo do tipo, sempre recebendo uma resposta negativa.
Após algum tempo, anoitecera, e Jaken já estava dormindo apoiado em Arurun. Rin já tinha bocejado duas vezes. Não a encarava, estava atento aos sons da floresta. Não era raro haverem youkais por perto, portanto deixei minha presença oscilar como um aviso.
—Kagome-sama, posso dormir com você?_ ouvi Rin perguntar e as observei pelo canto do olho. A menor coçava o olho devido ao sono e a sorria, abrindo os braços.
Rin, com cuidado deitou-se no colo da humana, que começou a acariciar seus cabelos. Após um tempo sinto a respiração de Rin se acalmar.
—Oyasuminasai Rin-chan_ ela sussurra e mesmo com uma careta de dor no rosto, ela se abaixa lentamente para alcançar a testa da menor e depositar um beijo ali, dormindo a seguir.
Notas finais do capítulo
Reviews não? ok, sei que não mereço por que dessa vez ficou muito pequeno T.T mesmo assim espero que tenham gostado
