Capítulo 2
Assim que Pierre terminou a coisa importante que ele tinha pra fazer, apoiado na parede e encarando o espelho, ele respirou fundo. Gotas de água escorriam por seu rosto quando ele rangeu os dentes e apertou os punhos. Seu reflexo fez o mesmo. Ele suspirou novamente, abrindo a torneira, e deixando a água encharcar seu cabelo e o colarinho da sua camiseta, a água fresca acordando todas as partes do seu corpo que estavam adormecidas, por que era o que ele queria que tudo isso fosse: um sonho. O pensamento de tocar David do jeito que ele quisesse, o excitava; ele não podia negar que se sentia um pouco incomodado em estar fazendo isso. O inferno que "isso" fosse.
Ele não tinha mais certeza do que estava acontecendo. Pat havia dito coisas sobre fadas e agora aqui estava ele. Ele tinha uma fada em seu quarto. Uma fada que não sabia nada sobre seu mundo e que, estranhamente o bastante, precisava dele para se transformar em humano. Através de sexo. Ele devia estar amedrontado? Correr ao redor da cidade, gritando por ajuda? Ou apenas comprar um monte de lubrificante já que a fada envolvida parecia muito atraente? Ele estava completamente confuso.
E, não havia como negar isso, meio excitado.
Ao contrário do que as pessoas da cidade iriam, provavelmente, fazer, Pierre apenas manteria isso em segredo por enquanto. Ele não queria, como Pat disse, fazer seus pais pirarem. Não havia nenhum modo dele poder justificar o aparecimento repentino de uma tão adoravelmente perfeita criatura em seu quarto. Ele também não seria capaz de explicar apenas porque a dita criatura adoravelmente perfeita estava crescendo e tinha asas luminosas.
Agora, Pierre era uma pessoa legal. Certo que ele era rude às vezes, não seguia o toque de recolher que seus pais haviam posto e adiava muito as tarefas, mas ele era bondoso... Bem, o bastante para querer ajudar a fada em seu quarto, de qualquer modo. David parecia um bom espírito. Misericordioso e, Pierre odiava admitir isso - mas uma parte dele estava palpitante ante a perspectiva - fácil de enganar.
David era inocente quando o assunto era o mundo humano, mas claro que Pierre estava disposto a ensiná-lo o básico, de qualquer forma. E sim, algumas coisas mais. A despeito de suas fraquezas por David, Pierre não podia fazer nada, além de sentir simpatia pela fada. Claro que ele havia lido em livros que haviam certos tipos de fadas – duendes – que eram astutos e traiçoeiros, sempre fazendo brincadeiras com humanos suscetíveis como ele, batendo nas paredes para assustar as crianças e assoprando velas, mas David parecia ser o exato oposto do que ele foi levado a acreditar.
Ele soava verdadeiro o bastante para enganar Pierre, e parecera de verdade que ele queria ser como Pierre, humano. Ele não dera a impressão de ter motivos obscuros para com o maior.
E era sexo que eles tinham que fazer. Quão duro sexo pode ser? Sem trocadilhos, é claro.
Antes que sua mente pudesse ser levada para aquela parte do plano, entretanto, Pierre afastou seus pensamentos, não querendo lidar com outra ereção para ter que passar outros quinze minutos se aliviando no banheiro, ou como ele tão afetuosamente chamou, se aquecendo para a coisa de verdade.
Voltando para o quarto, Pierre hesitou na porta, antes de entrar, trancando a mesma atrás de si, por que ele não queria que seus pais entrassem e encontrassem David, seus olhos escuros examinando o quarto até achar o pequeno.
E, então, seus olhos se arregalaram, um nó se formando na sua garganta assim seu olhar fixo caiu sobre as costas muito comestíveis de David, pele pálida e sua ah-meu-deus, bunda redonda encarando Pierre inocentemente, as asas haviam sumido de suas costas e o crescimento havia parado também.
David estava de quatro, cutucando a televisão com o dedo, enquanto a observava de perto. A TV ligou por suas incessantes cutucadas, as figuras surgindo, vivas, na frente dele e David se afastou, assustado, sentando-se sobre seus calcanhares enquanto assistia, hipnotizado, à caixa mágica com pessoas falantes dentro dela. Como esses humanos cabem dentro dessa caixa pequena? Eles estiveram em posse de mágica esse tempo todo?
A fada esbelta não ouviu Pierre voltando; ele estava muito ocupado estudando a geringonça humana que capturou seu interesse, enquanto seu humano resistia ao desejo de segurá-lo em suas mãos.
David bateu contra a tela da TV, olhando curiosamente antes de seus olhos se estreitarem e ele pressionar a bochecha contra a mesma, querendo ficar o mais próximo possível dos humanos de lá, lutando para entender o que eles estavam tentando lhe dizer. Estavam pedindo por ajuda? Havia Pierre os prendido ali? Mas Pierre parecia ser um humano legal, por que ele teria cometido tal crime hediondo?
"David vai ajudá-los a sair!" David disse, assentindo para si mesmo conforme sua afirmação. Pierre limpou a garganta e se ajoelhou ao lado de David, levando uma mão para um leve tapinha nas costas dele.
David, perdido em sua tentativa de ajudar os humanos a saírem da caixa mágica maligna que Pierre mantinha em seu quarto, se virou para encarar seu humano... E Pierre rezou para quem quer que estivesse ouvindo que, por favor, por favor, não o deixasse ter esses pensamentos sujos e, por favor, por favor, não o deixasse cair em tentação... Recompensando o maior com uma boa visão de sua frente.
David era esbelto, as curvas do seu quadril fazendo a boca de Pierre salivar desesperadamente, e sua pele era branca, mas não muito branca, e o lembrava de leite, e seus mamilos – porra! –, eles eram as coisas mais quentes que Pierre já havia visto. Eram de um tom rosado, e pareciam macios, pequenos, mas não minúsculos, e eles tinham apenas o tamanho certo, e Pierre se perguntava como seria se ele os chupasse, deixando sua língua se mover sobre eles. Mas antes que seus pensamentos pudessem continuar analisando quão bom e apertado David ficaria ao redor do seu pênis, David deslizou até ele, sentando-se no colo dele, e puxando-o pelas costas. Pierre abafou um choramingo, seus jeans começando a ficar apertados novamente.
"Pierre me enganou!" David disse, a testa se franzindo, enrugando seu rosto perfeito quanto o cabelo cobriu seus olhos. Ele não fez um movimento para jogá-lo para trás e apenas continuou a fixar Pierre com incredulidade, mãos apertando seus ombros. Ele se ajeitou e sentou-se com as pernas abertas sobre a ereção de Pierre, inconsciente do quão inconfortável o mortal estava se sentindo com ele pressionando todo seu peso nele. "Pierre é um mortal ruim! Você trancou outros humanos nessa... Nessa caixa mágica!", ele apontou para a TV atrás dele e estreitou seus olhos para Pierre, cujos olhos arregalaram quando David curvou a cabeça para baixo, de modo que seus rostos estavam quase se tocando e as pontas do cabelo do menor fazendo cócegas na pele do maior.
Pierre se arrepiou, engolindo sua luxúria, enquanto sua mão deslizava até o quadril de David. "David, não, eu não tranquei ninguém ali!", ele riu nervosamente enquanto David piscava para ele, parecendo positivamente adorável com a confusão em seu rosto. "Isso se chama TV, David. Televisão." David piscou novamente, um tímido tom avermelhado em suas bochechas enquanto ele se sentava, sua bunda contra o meio das pernas de Pierre. "Tele...Vi... São.", ele repetiu. "Não caixa mágica?"
Pierre riu, fazendo David corar mais ainda. "Não, não é uma caixa mágica, infelizmente. Isso é o que nós, mortais, usamos para passar o tempo. Nós a assistimos." Ele riu ainda mais com o olhar de confusão no rosto de David.
"Você está zombando de mim, mortal?", a fada perguntou com os olhos estreitos. Pierre balançou a cabeça. "Eu não quis dizer isso, David." Ele assegurou assim que o pequeno piscou novamente. "Você apenas… Você me diverte."
"David diverte Pierre?"
Pierre não pôde fazer nada, a não ser sorrir. "Yeah." David se afastou de Pierre abruptamente, rastejando de volta para a TV e a cutucando novamente. "Tele... Vê... São." Ele repetiu. "Televisão." Pierre o corrigiu. David sentou-se de novo e olhou para Pierre. "T… ele… vichão."
Pierre sorriu. "Quase."
David sorriu, parecendo absolutamente feliz. "Pierre faz David se sentir especial." Ele admitiu, um rosado tímido em suas bochechas. Pierre tentou esconder seu repentino embaraço, mas então algo no sorriso de David mudou. Ele parecia sério agora, erguendo-se e caminhando até Pierre. "Você realmente quer aquecer sua cama comigo?", ele perguntou, um tanto hesitante assim que levou sua mão fina para espalmar a lateral do rosto do mortal. "Eu posso sentir suas dúvidas, Pierre. Você não confia no David. Você acha que David é uma fada má. Você acha que ele está te enganando."
"Não, não, David!" Pierre corou violentamente quando a fada se aproximou, parando bem perto. "Isso não é verdade."
"Não é?" David perguntou, surpreso, enquanto olhava para Pierre e lutava para decifrar a expressão em seu rosto. Ele parecia muito vermelho e ele se perguntou o que havia causado essa mudança repentina em sua palidez.
"A verdade, David, é que eu quero aquecer minha cama com você!", ele deixou escapar. "Eu estou te dizendo a verdade! Eu realmente, realmente, quero te foder." No minuto que essas palavras escaparam por seus lábios, Pierre se amaldiçoou, agora ele queria que a terra partisse sob seus e o engolisse. Ótimo jeito, Bouvier.
David, por outro lado, parecia curioso novamente e um pouco alegre. "Foder? Você quer foder o David?" ele sorriu novamente, a luz capturando seus olhos. "Então, Pierre vai aquecer sua cama comigo? Me ajudar a virar um humano? E Pierre quer foder o David?", e então, ele pareceu absolutamente confuso. "Mas, Pierre, o que significa foder?"
"Uh," Pierre engoliu. Merdamerdamerda. "Uh, isso significa… Eu quero ser seu amigo." Ele balançou a cabeça. "Yeah. Eu quero ser seu amigo." O sorriso no rosto de David derreteu o maior que estava completamente imóvel.
"David quer foder Pierre também." Ele murmurou para dentro da orelha do humano alto e Pierre quase desmaiou.
"Uhh... David, eu acho que nós devíamos encontrar algo para você vestir. Você não está sentindo um pouco de frio?", ele sugeriu, tentando mudar de assunto. Toda essa conversa sobre sexo estava lhe dando uma ereção. A fada meramente balançou a cabeça para ele, não percebendo seu embaraço.
"Imortais não sentem a mudança do tempo, Pierre. Apenas vocês mortais sentem."
"Oh, mas você sabe, você ainda tem que vestir roupas." Ele explicou, tentando não olhar fixamente o corpo de David e apenas focar-se em seu rosto, seus olhos escuros e cativantes. Eles eram muito hipnotizantes. "Se você quiser aprender a virar humano, de todo modo."
David assentiu. "Oh, eu lhe asseguro. David gosta de aprender seus modos."
"Vá se sentar ali primeiro, okay?", Pierre instruiu. "Eu vou achar algo para te vestir."
David sorriu e fez como lhe foi dito. Obediente a coisa pequena, não é?
Pierre andou até seu armário e puxou algumas roupas. Ele lançou um olhar a David, praticamente sorrindo como a criatura pura que estava aninhada graciosamente na sua cama, e franziu o cenho. Suas roupas pareciam um pouco grandes demais para uma pessoa pequena como ele. E por mais que fosse parecer melhor com as calças caindo, Pierre não achava que essa era uma maneira apropriada de tratar David. Ele era novo no mundo humano, vulnerável aos costumes trapaceiros e intrigantes (ou eram apenas seus costumes trapaceiros e intrigantes?). Pierre não queria se aproveitar da inocência de David. Muito.
Ele remexeu pelo resto do seu guarda-roupa, pegando suas roupas antigas para deixar David experimentá-las... Um par de calças e uma camisa que havia ficado muito pequena para servir nele agora. Ele acenou para David, que se ergueu da cama e caminhou até ele. O maior ofereceu as roupas à ele.
"Aqui." Ele disse. "Você veste essas, okay?" David apenas piscou enquanto fitava a calça.
"Oh, e, yeah, boxer. Merda, você precisa de roupa de baixo." Pierre se virou para suas gavetas e puxou uma boxer muito velha. Era pequena e ele tinha 13 anos quando sua mãe a deu como presente. A boxer tinha pequenos dinossauros desenhados por todo o tecido e ele se recordava vagamente de quão aborrecido ele se sentiu quando abriu esse presente em particular e não era o novo vídeo game que ele queria.
Mas, apesar disso, ele a ofereceu a David também. Elas não eram usadas, de qualquer modo. Nenhum problema com higiene ou o que fosse.
Agora, David não estava exatamente entendendo o que Pierre estava tentando fazê-lo fazer, então ele sentou-se na cama e deslizou as pernas por onde os braços deveriam ir.
"David, não, isso é uma camiseta." Pierre suspirou enquanto tirava a camiseta das pernas da fada. David parecia encabulado. "Desculpe. David não sabe."
"Está tudo bem." Pierre sorriu. "Eu vou te ajudar."
"Okay." David sorriu.
"Agora, essa camisa vai por aqui." Apontou na direção do peito. "Levante os braços, David." O menor fez o que foi pedido, Pierre passando a camiseta por sua cabeça para cobrir a parte de cima do corpo nu.
"Agora, as boxers..." ele engoliu. "Elas vão aqui em baixo. Levante e coloque seus braços ao redor do meu pescoço." David enlaçou os braços finos ao redor de Pierre enquanto o mesmo se ajoelhou à sua frente, tentando controlar suas respiração quando ficou cara a cara com... Bem, a preciosidade.
"Agora erga um pouco sua perna esquerda," ele instruiu. "Agora sua a direita." Ele deslizou a boxer para cima e se ergueu, David fazendo o mesmo, de forma que eles estavam prensados um contra o outro, Pierre olhando para baixo, para David, que estava o observando docemente.
O humano engoliu em seco, inspirando a fragrância celeste que o corpo de David parecia estar emanando. Os olhos dele eram escuros e atrativos, fazendo Pierre sentir-se realmente estranho, quase embalado para dormir. Eles ficaram parados juntos por um momento, sem se mover e apenas observando um ao outro.
"Pierre é bonito." David murmurou suavemente dentro da orelha de Pierre, fazendo-o tremer e engolir com força novamente.
Ele desviou o olhar, ficando da cor de uma beterraba. "Uh, David, eu acho que talvez devêssemos te ajudar a vestir as calças agora."
[...]
David nunca se confinou para dormir. Fadas não precisavam dormir. Elas descansavam às vezes, ao longo de barrancos ou dos pântanos ruidosos na solidão da noite, ou, muitas vezes, elas fariam uma pausa do seu dia-a-dia para apreciar a beleza da floresta ao redor, mas não conheciam o termo "dormir". Dormir era apenas reservado para os mortais, que se cansavam fácil. Fadas, no entanto, eram outra coisa e a fadiga nunca as superava.
Pierre estava adormecido próximo à David na cama, os olhos fechados firmemente. Ele estava roncando ruidosamente, murmurando coisas em seu sono e David se ajeitou para tocar o rosto dele. Ele deu risadinhas quando Pierre grunhiu, ainda completamente adormecido, e moveu seu rosto para longe do alcance de David.
Depois de ajudá-lo com as roupas, que deixaram o menor sentindo-se um pouco sufocado e com coceira, Pierre havia insistido que eles deviam dormir um pouco. David havia perguntado se Pierre queria aquecer sua cama com ele naquele momento, mas o mortal disse não e optou por esperar o próximo dia. Ele tinha dito que era cedo demais.
David gostava que Pierre fosse paciente com ele. E ele gostava mais ainda que ele fosse um mortal amável. Ele não era como o tipo que David via ao redor da floresta, as crianças que batiam nos animais indefesos com pedras ou aqueles com roupas engraçadas e grandes máquinas. Pierre era diferente. E ele era bonito também. O mortal grunhiu em seu sono novamente, dizendo o nome do menor num gemido profundo e David corou furiosamente, curvando sua cabeça, assim que ele a descansou contra os travesseiros com fragrância doce.
Pierre, inconscientemente, o puxou para si, enlaçando um braço ao redor da sua cintura enquanto David se movia para perto, aconchegando-se contra o calor que ele sentiu, pressionando seu nariz contra Pierre para senti-lo respirar.
Ele fechou seus olhos, copiando Pierre e, durante a noite toda, ele ouviu o som da respiração do humano para se ocupar.
[...]
A manhã veio e David escorregou para fora da cama. Ele perambulou até as prateleiras e puxou os livros. Ele não podia entendê-los. Não tinham figuras. Então ele rapidamente se cansou deles e se sentou na frente da caixa mágica novamente. A caixa mágica era engraçada.
David a cutucou novamente, como ele fez na noite anterior e, como ele estava esperando, ela se abriu.
Ele olhou para outra caixa também, mais para baixo. Exceto que essa era retangular e tinha mais botões. Ele os cutucou, observando-os acender, num divertimento infantil, enquanto as imagens na caixa mágica (já que ele esqueceu como Pierre a chamava) estalaram e mudaram.
Os sons eram altos e ele se ajoelhou mais perto. Havia alguns mortais dentro da caixa mágica. Eram dois homens. E o maior dos dois estava se movendo sobre o menor, cujas pernas estavam enroscadas ao redor do maior. David estava paralisado enquanto os humanos gemiam e seus corpos se pressionavam ainda mais.
"Me... Fode... Mais forte!" David parecia estático enquanto copiava o que os humanos estavam dizendo. "Me... Monte... Como... Uma… Vadia!" ele riu para si mesmo pela realização e depois de um tempo, e da caixa mágica ser desligada, ele franziu a sobrancelha. Não havia muito mais para ver depois daquilo. David procurou por algo para se ocupar. Entretanto, não encontrou nada.
Pierre ainda estava adormecido, e David o tinha esperado acordar esse tempo todo. Ele gostava desse mortal, e ele parecia bonito adormecido, mas David o preferia mais quando acordado.
"David vai surpreender Pierre!" David declarou de repente, achando que isso iria agradar seu mortal. Ele andou até o lado de Pierre e ergueu uma perna, sentando-se sobre ele, ambas as mãos pequenas pressionadas suavemente contra o peito dele. Inclinando sua cabeça para baixo, ele esperou que Pierre acordasse de seu sono, ansiosamente antecipando o momento em que as pálpebras de Pierre iriam abrir.
[...]
Pierre estava tendo o melhor sonho da sua vida. Uma pequena fada havia lhe pedido para ajudá-la a virar humana. E a única maneira de transformar essa fada um humano, era ela transar com um humano ou, como a fada (David), no seu sonho, tinha dito, aquecer a cama com um humano.
O sonho era tão real que Pierre não queria nunca acordar (a fada em questão acabou sendo a criaturinha mais gostosa em quem ele já havia posto os olhos), mas infelizmente, como todas as coisas nesse mundo, isso teve que acabar.
No momento em que os olhos de Pierre abriram, no entanto, e ele viu os escuros olhos inocentes de David o observando, ele soube, bem, porra, isso não foi um sonho, afinal.
"Pierre!" David riu assim que Pierre engoliu em seco. De repente, os acontecimentos da noite passada voltaram e ele se determinou a não ficar excitado novamente. "Pierre despertou! Você dormiu bem, mortal?"
Pierre balançou a cabeça, rindo nervosamente. "Ah, sim, yeah, dormi." Ele assentiu.
David sorriu. "Estou feliz que você teve um maravilhoso sono." Ele se sentou no meio das pernas de Pierre, inconsciente do efeito que isso estava causando no humano.
Pierre guinchou. "Um, David? Você pode sair de cima de mim agora?"
David fez o que foi pedido, embora ele estivesse começando a ficar meio curioso em porque Pierre agia tão estranhamente perto dele, às vezes.
"David está com fome. Pierre está com fome também?"
"Oh, fome?" Pierre correu os dedos pelo cabelo. "Bem, fique aqui no meu quarto, está bem? Não saia a menos que eu te diga e eu já volto. Eu vou pegar algo para você comer lá embaixo, certo?"
David assentiu.
Ele sentou, cruzou as pernas, no chão e esperou Pierre voltar.
Entrementes, Patrick e Sebastien estavam indo para a casa do maior nesse mesmo momento. Eram quase nove da manhã e eles estavam indo de bicicleta até onde Pierre vivia, na duvidosa casa dos Simonds, localizada na parte mais profunda da cidade, para o que Pierre não se lembrava, mas ele e os dois garotos haviam combinado de ficarem juntos o fim de semana todo.
Sebastien tinha até mesmo levado seu tabuleiro de xadrez com ele para afiar (ou aborrecer, qualquer termo que seus amigos preferissem) suas habilidades em jogar o mesmo, num esforço para agradar Chuck quando ele finalmente decidisse deixar de ser uma bichinha e entrasse para o maldito clube de xadrez.
Patrick, por outro lado, havia levado sua fiel câmera, junto com uma fita isolante e um pedaço de corda, na tentativa de se manter são quando Sebastien falasse incoerentemente sobre quão perfeito Chuck era, ou quão generoso Chuck era, ou quão bem ele cheirava, ou quão bom ele provavelmente beijava, durante todo o tempo em que eles ficassem na casa de Pierre.
Patrick esperava que já tivesse sido o bastante, toda essa conversa sobre Chuck estava fazendo-o ficar nauseado e realmente aborrecido, a única razão dele ter se juntado à Sebastien foi porque a Senhora Lefebvre havia lhe suplicado para ficar e ser o amigo dele e, também, porque a gentil senhora fazia os melhores cookies da cidade e prometeu-lhe cozinhar um suprimento pra vida toda desde que ele fosse um amigo sincero e confiável para Seb.
[...]
Enquanto Pierre vagava pela cozinha, ele conseguiu encontrar alguns cookies nos armários, uma barra de chocolate e uma caixa de leite na geladeira. Ele subiu a escada de três em três degraus, caminhando de volta ao seu quarto, onde David estava, sentado no chão, parecendo tão comestível, e olhou para ele curiosamente.
"Olá, Pierre." Ele sorriu. "Eu estava te esperando."
"Deus, você não faz idéia de quão duro está me deixando." Pierre murmurou sob a respiração enquanto se sentava na frente de David. David piscou. "O que foi?"
"Uh, nada! Nada!" Pierre riu, colocando os comestíveis (como se David não fosse um deles, de qualquer modo) no chão. Ele puxou um cookie do pacote e o deu a David, que o olhou curiosamente. "O que é isso? Uma pedra?"
"Não, não é uma pedra, David." Ele explicou. "Cookie. É chamado de cookie. Você come isso. Assim." Ele demonstrou e mordeu ao meio.
"Oh." David assentiu em entendimento. "C...oo...kie."
"Isso." Pierre sorriu. "Vamos lá, coma! É bom pra você."
David mordeu o cookie cuidadosamente, mastigando antes de engolir. "Então?" Pierre perguntou, ansioso. Demorou alguns segundos para David responder, seus olhos se arregalando enquanto ele colocava o cookie inteiro na boca (ele nunca havia experimentado algo tão bom antes) e Pierre, assombrado, se perguntou se alguma outra coisa grande caberia na pequena boca dele.
"Eu quero mais desse... Desse... Coo..kie!" ele riu. Pierre estendeu o pacote para ele. "É isso mesmo, haha." Ele sorriu. "Você pode ficar com todos."
E ficar com todos foi o que David fez. Infelizmente, antes que Pierre pudesse dizer qualquer coisa sobre quão fofo David era, consumindo o pacote de cookies com tanta rapidez e falhando em ver o chocolate pegajoso em sua boca, a campainha tocou e, instantaneamente, ele sentiu seu mundo desmoronar.
"Merda." Ele grunhiu enquanto se levantava e batia nas calças.
"Onde Pierre está indo?", o pequeno perguntou. Pierre sorriu e passou seu dedo na substância na bochecha de David, puxando sua mão de volta instantaneamente quando David riu.
"Eu tenho que atender a porta."
"Atender... porta?" David perguntou, confuso, abaixando o cookie. "Mas portas não falam, Pierre. Elas não são vivas, nem mortais ou imortais. Elas não podem falar com você e nem você pode falar com elas."
"Não assim, David. É uma coisa humana. Como uma expressão." Pierre explicou. "Veja, eu estou esperando alguns amigos e…"
"NÓS ESTAMOS AQUI!" Patrick anunciou assim que a porta do quarto abriu abruptamente e Sebastien e ele entraram. David olhou, sorrindo largamente. Mais humanos!
"O que diabos vocês estão fazendo no meu quarto?" Pierre perguntou assim que Patrick se sentou na cama, olhando David estranhamente. Sebastien sentou na frente dele e exibiu seu tabuleiro orgulhosamente.
"Sua mãe nos deixou entrar." Sebastien explicou enquanto sorria polidamente para David. "Pierre, quem é seu amigo?"
David sorriu, parecendo adorável. "Meu nome é David." Ele assentiu. "E Pierre quer me foder. Vocês querem me foder também?"
Sebastien pareceu um pouco ofendido e recolheu sua mão estendida. "Mamãe, o menino estranho está me assustando.", ele murmurou sob a respiração.
Pierre estava terrivelmente corado num canto do quarto.
Patrick engasgou com sua própria saliva. "Bem, então, uhm..." ele começou desconfortavelmente. "Que tipo de cueca o Chuck usa mesmo, Sebastien?"
Sebastien instantaneamente empertigou-se. "Ele usa pretas de algodão à noite e Hanes durante o dia!"
Pierre apenas piscou, afastando o restante de desconforto, e segurando a mão de David para puxá-lo do chão.
"Por que ele não está usando sapatos?" Patrick perguntou de repente. "Wow, David, eu gosto dos seus pés. Eles são como... Os pés de uma garota… Só que melhores. Eu me pergunto como o resto do seu corpo se parece. Eu posso filmar você nu?", ele ergueu sua câmera e balançou suas sobrancelhas brincalhão.
David começou a tirar sua camiseta. "Uh, não! David, ele estava apenas brincando. Certo, Pat? Você estava brincando, certo?" David agora estava completamente confuso. Esses novos humanos o deixavam perplexo.
"Yeah, eu estava." Patrick disse nervosamente enquanto Pierre endireitava a roupa do menor. "Mas se você quiser fazer isso de qualquer modo, vá em frente e seja meu convidado. Eu recarreguei a bateria da minha câmera ontem à noite."
Pierre rolou seus olhos. "Enfim... Caras, esse é o David." Ele anunciou. Sebastien pareceu meio interessado quando ele, cuidadosamente, pegou as peças de xadrez e as arrumou no tabuleiro. "Ele é meu melhor amigo. De Montreal."
Pierre sorriu para David, que sorriu de volta modestamente. "E, David, esses são meus amigos Patrick e Sebastien."
Patrick sorriu meio sinceramente, enquanto Seb engolia em seco e parecia desconfortável.
"Engraçado, sua mãe nunca mencionou nada sobre ele estar aqui," Patrick disse duvidosamente, pondo sua câmera na cama enquanto andava até eles.
"Bem, é porque queríamos manter isso em segredo."
"E por que isso?"
Pierre encolheu os ombros. "David é um... Um… Famoso... Uh, baixista na cidade. Ele tem uma banda e tudo o mais. Eles são chamados... Simple Plan e são realmente bons." Ele mentiu, David ergueu as sobrancelhas para ele novamente. Ele passou um braço pelos ombros dele e David corou uma vez mais, o calor tomando suas bochechas. "E o David aqui apenas quer se manter escondido, sabe?"
"Oh!" Patrick balançou a cabeça. "Oh! Wow, David, não surpreende que você pareça melhor que o resto de nós. Você é uma celebridade. Eu sabia que algo estava acontecendo. Cara, pode me dar um autógrafo?"
"Autógrafo?" David repetiu. "Pierre, o que é um autó…?"
"Beeeem," Pierre o cortou. "Alguém quer jogar xadrez?"
"Oh, eu!" Seb guinchou. "Eu quero! Eu quero jogar xadrez! Eu! Eu! Me escolhe! Eu estou ficando bom nisso!"
Patrick piscou, suspirando e balançando a cabeça. As coisas que ele fazia pelos amados cookies.
"E você, Pat?" Pierre perguntou. "Quer vir jogar conosco?"
"São só dois jogadores, Pierre. Você não precisa de mim." Pat encolheu os ombros indiferentemente. "E, depois, eu prefiro muito mais tapar a boca do Seb com fita isolante e amarrá-lo numa árvore no meio da floresta do que esse jogo entediante."
Pierre piscou. "Sabe de uma coisa? Isso parece uma boa idéia."
Os olhos de Sebastien se alargaram. "Uh, eu acho que eu ouvi minha mãe me chamando agora." Ele riu nervosamente, juntando suas coisas e saindo pela porta. Patrick, David e Pierre se olharam depois que ele saiu rapidamente, guinchando o caminho todo.
"Pobre menino perturbado," Patrick murmurou, balançando a cabeça. "Bem, agora que ele foi. Eu acho que não tem motivo para eu ficar. Aquele garoto atrai problemas como imã atrai metal. Ou como Chuck atrai paqueras. Então, é melhor eu ir. A senhora Lefebvre comeria a minha bunda se eu não tomasse conta daquela criança."
Ele deu um tapinha nas costas de David. "A gente se vê, Dave. E não ache que eu não vou estar esperando por aquele autógrafo!" Pierre acenou quando Patrick saiu do quarto.
"Te vejo na igreja domingo!" Pierre disse.
"Yeah, você também, Pierre!" Patrick disse por cima do ombro.
A porta se fechou e Pierre caminhou até a janela, pondo sua cabeça para fora. Patrick já estava pedalando na rua em seu caminho para encontrar Sebastien. Ele suspirou, se virando para David que, para sua surpresa, estava bem atrás dele.
"Você mentiu de novo, Pierre." David disse pesarosamente. "Por quê?"
Pierre encolheu os ombros, um pouco envergonhado de si mesmo. David não entendia o porquê dos humanos mentirem. "Veja, David, nós humanos..." ele deu de ombros, sem saber o que dizer. O que havia para ser dito? "Eu não sei explicar. Você vai entender quando finalmente virar humano, okay?"
"Okay," David sorriu tristemente. "Mas eu sinto a relutância de Pierre. Ele tem medo que David o machuque ou que ele machuque David."
Pierre estava surpreso. "Como você...?"
"Mas fique tranqüilo, Pierre. David deve pertencer a você uma vez que você tenha aquecido sua cama com ele." Pierre estava boquiaberto e certo de que estava babando. "S... Sério?", ele perguntou, quase não acreditando em si mesmo. David assentiu para confirmar o que ele era incapaz entender. "Meu corpo deve pertencer a você."
Pierre quase desmaiou.
"Você está se sentindo bem, Pierre?"
Pierre concordou. "Yeah... Eu apenas… Haha, você… e eu… e…" ele riu nervosamente.
"Você não quer estar comigo?", David perguntou soando um pouco machucado. Pierre balançou a cabeça.
"Não, David. Eu quero estar com você." Ele engoliu em seco. "Eu juro que quero."
David pareceu absolutamente feliz, ele parecia estar brilhando. "Pierre, eu quero ser humano agora."
Pierre engasgou. "Você já fez isso antes?" perguntou. "Quero dizer, com uma fada ou algo assim?"
David balançou a cabeça. "Eu sou o príncipe do meu povo. Devo permanecer puro até o amor me encontrar."
Pierre estava um pouco desanimado. O mero fato de que David estava disposto a se entregar a ele era o bastante para partir seu coração. Eles nem mesmo estavam apaixonados, tudo o que David quer é se transformar em humano e tudo o que Pierre quer é... Bem, David, mas sua pureza era o prêmio aqui. Ele estava se dando para alguém que nem mesmo merecia isso.
"David," Pierre começou. "Você tem certeza disso?"
David meramente assentiu, mas estava tentando disfarçar seu embaraço. "Eu quero você, Pierre." Ele murmurou. "Eu quero que você me ajude a virar um humano."
"Por um minuto eu pensei que você realmente me queria." Pierre murmurou.
"O quê?"
"Nada."
[...]
Pierre suspirou, trancando a porta e apontando para a cama. "Okay, vá se sentar." Ele instruiu. Ele se sentou próximo de David e mordeu o lábio inferior por um momento. "Okay, aqui vou eu." Ele inspirou profundamente e se moveu para frente, uma mão espalmando a bochecha de David enquanto ele o beijava na boca. David, no entanto, não se moveu. Um pouco surpreso com sua falta de participação, Pierre se afastou, confuso, embaraçado e um pouco ofendido.
"Por que você não beija de volta?"
"David não sabe como é um beijo de verdade." Ele admitiu. "Ou como é feito."
"Oh." Pierre fungou. "Bem, um beijo é assim. Eu pressiono meus lábios contra os seus e você faz o mesmo. Eu deslizo minha língua para dentro da sua boca..." Pierre parou. David estava muito corado. "O que foi?"
"Eu não acho que David pode fazer isso." Ele admitiu nervosamente.
"Por que não?"
"David não tem habilidade quando o assunto é beijar."
"David, não se preocupe, apenas faça o que parecer certo, okay?"
"Okay." David disse, concordando, mas ele estava ocupado controlando o tremor nervoso em seu estômago.
"Vamos tentar novamente." Pierre inspirou enquanto se movia e pressionava seus lábios contra os outros macios.
Os braços de David serpentearam ao redor dele lentamente, um pouco recatado, enquanto Pierre partia os lábios dele para aprofundar o beijo. Ele gentilmente trouxe David para o colchão, a cabeça vacilando quando o gosto de David começou a pulsar contra seu corpo. Ele era úmido e quente, como veludo aquecido, e o calor de sua boca mandava estímulos para o pênis de Pierre. David era viciante e tinha um gosto diferente. Puro e bom. Celeste e inebriante. Como um bom vinho.
Pierre deslizou sua língua na úmida caverna, gemendo assim que as línguas se atritaram, uma mão indo espalmar suas calças.
Pierre estava determinado a transformar David em um humano, e se isso tudo o que ele tinha que fazer era o foder, então iria fazer isso de um modo realmente bom.
David choramingou sob ele.
