N/T: Traduzido por Mellie E. Betado por Gika Black.
Eu espero que todos gostem Capítulo 2. Não se esqueça de comentar. Tenho certeza de que Mellie vai me ajudar com traduções.
Obrigada!
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Harry parou por um momento, tentando descobrir o que tinha acontecido e então se decidiu por não seguir a Professora McGonagall e exigir que ela lhe dissesse o que quisera dizer. Ele acabara de ver uma Minerva McGonagall emocionada e percebeu que estava contente como estava. Não desejava ser transformado em um sapo pela poderosa bruxa. Ele recolocou a capa da invisibilidade e se apressou de volta ao buraco do retrato, saindo debaixo da capa apenas para dizer a senha à Mulher Gorda antes de correr para a cama. Nem tentou dormir, sabia que, se antes teria sido difícil adormecer, agora seria quase impossível.
Ele permaneceu deitado pensando em tudo o que acontecera por algumas horas antes de admitir derrota e levar a redação de Feitiços ao Salão Comunal para tentar terminá-la. Já nem se lembrava dos pesadelos.
Quando se deu conta, os outros alunos saíam dos dormitórios para o café da manhã e Harry percebeu que adormecera no grande sofá em frente ao fogo. Ele piscou, desconfortável, por uns instantes, recapitulando os acontecimentos da noite. Foi interrompido por uma cutucada de Hermione.
"Você está bem, Harry?" Perguntou ela, notando sua aparência desgrenhada e as olheiras sob seus olhos.
"O que? Hm, não, quer dizer, sim, estou bem," gaguejou ele, voltando repentinamente para o presente. "Na verdade, Hermione, eu tenho uma pergunta." Ele lançou um olhar penetrante para ela. Ela revirou os olhos e se sentou perto dele.
"Okay, mas não espere que eu lhe dê as respostas. Honestamente, estou surpresa que você e Rony aprendam alguma coisa." Disse Hermione balançando a cabeça.
"Não, não é isso que eu queria perguntar. Hoje é 31 de outubro, certo?" Ela assentiu, incerta sobre o rumo da conversa. "Fora o Halloween, aconteceu alguma coisa importante hoje, em qualquer ano?" Perguntou Harry, tentando parecer casual. Hermione pensou por um momento, franzindo as sobrancelhas e mordendo o interior da bochecha.
"Não que eu saiba Harry, por quê?" Respondeu a garota, genuinamente interessada. Harry encolheu os ombros, sem querer responder.
"Eu só... Alguém disse uma coisa ontem a noite e eu pensei que talvez hoje fosse um aniversário de alguma coisa ou algo assim."
Hermione pensou sobre o assunto por um momento.
"Nós dois moramos no mundo trouxa até dois anos atrás, Harry. Talvez alguém de uma família bruxa saiba?" Propôs ela, levantando-se. "Venha, eu estou faminta."
Eles chegaram rápido ao Salão Principal e se sentaram ao lado de Neville Longbottom e dos gêmeos Weasley. Harry e Hermione sabiam que Rony desceria quando acordasse – Rony, afinal, não gostava de acordar cedo. Enquanto comia, Harry olhou para a mesa dos professores e viu que a Professora McGonagall parecia melhor do que estivera por algum tempo. Por um momento, pensou que a noite anterior fora um sonho; então viu o lírio preso às habituais vestes verdes da professora. Como se o universo achasse que Harry pudesse duvidar mais, ele viu Snape encarando-o de seu lugar. Harry voltou o olhar para sua torrada e ouviu Hermione perguntar aos meninos se sabiam de um aniversário ocorrendo neste dia.
"Você está louca?" Perguntaram os gêmeos em uníssono.
"Hoje -" começou Jorge.
"-é o dia –" continuou Fred.
"-em que o velhote que não deve ser nomeado-"
"-foi completamente destroçado," disse Fred com um floreio, recebendo um olhar gélido de Hermione pela expressão utilizada.
"-por você." Os gêmeos completaram e bateram nas costas de Harry.
"Hoje foi o dia em que Você-Sabe-Quem desapareceu, Harry," explicou Neville tristemente do outro lado de Harry e o garoto subitamente entendeu o que aquilo queria dizer. Doze anos antes, neste mesmo dia, seus pais haviam morrido.
Hermione compreendeu quase que ao mesmo tempo. Ela arfou e se virou para Harry. Tocou seu braço de maneira reconfortante e ele lhe ofereceu um sorriso débil que mais parecia uma careta antes de sair do Salão Principal. Caminhou em direção as grandes portas de carvalho e se apressou, passando correndo por elas sem notar a chuva que caía na grama molhada. Estava ansioso por ficar sozinho com seus pensamentos, sem se importar com mais nada, nem mesmo com Sirius Black.
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Hermione quase se decidira por seguir Harry, mas foi distraída por Rony quando o ruivo se largou no banco ao lado dela, reclamando que ela não o havia acordado.
"Eu não sou sua mãe, Rony," disse ela, revirando os olhos enquanto espalhava geleia sobre a torrada e tentando ignorar o fato de que o amigo agora falava com ela com a boca cheia de comida.
"Onde está Harry?" Ele perguntou enquanto mastigava. Rony ouviu, surpreso, Hermione relatar o que acontecera. "Caramba," disse Rony, tomando um gole de seu suco de abóbora. "Eu sempre achei que ele lidava bem com isso. Nunca pensei em dizer nada."
Hermione encolheu os ombros e se levantou, pegando os livros.
"Vamos, Rony, ele vai ficar bem. Só precisa de tempo para aceitar," ela disse, puxando a manga dele. "Nos encontramos com ele em Poções; não podemos nos atrasar."
Rony se levantou hesitante, enfiando mais duas salsichas na boca enquanto os dois se arrastavam para as masmorras. Ao entrar na sala de aula, eles se encolheram ao perceber que Snape estava com o humor ainda mais desagradável do que o usual. O professor de Poções lhes lançou um olhar furioso enquanto se sentavam, mas quando percebeu que Harry não estava com eles, seus lábios curvaram-se em um sorriso maldoso.
"O menino maravilha não está aqui então?" Ele fez a pergunta retórica, ignorando as expressões dos dois alunos. "Que pena. Cem pontos a menos para a Grifinória pela insolência do Sr. Potter."
Alguns Sonserinos deram risadinhas por trás das mãos enquanto os Grifinórios lançaram olhares venenosos para o professor, mas não disseram nada. Eles perceberam que hoje não era um bom dia para discutir com o Professor Snape.
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Após uma aula dupla particularmente terrível na qual Neville conseguira manchar as mãos de um tom de verde parecido com a cor de vômito, perdendo mais trinta pontos para a Grifinória, eles se arrastaram para História da Magia, ávidos por uma aula fácil. Enquanto o Professor Binns falava sobre as Guerras dos Goblins, Hermione e Rony sussurravam por trás dos livros-texto.
"Sim, mas onde ele está?" Sussurrou Rony. Harry contara a ambos o que o pai de Rony lhe dissera na estação de trem e eles estavam preocupados por não ter ideia de onde ele estava.
"Eu não sei. Eu ia atrás dele quando você sentou, Ronald," chiou Hermione. Rony se encolheu ligeiramente devido ao tom de voz dela, mas continuou.
"Bom, o que nós vamos fazer?"
Rony faria qualquer coisa pelos melhores amigos, mas deixava Hermione tomar as decisões, pois sabia que seriam racionais e, de modo geral, melhores que as suas.
"Se ele não voltar até nós chegarmos ao Salão Principal para o almoço, nós vamos procurar por ele," disse Hermione e com um aceno de cabeça de Rony eles voltaram a prestar atenção ao professor, Hermione tomando notas e Rony olhando pela janela para o céu carregado de nuvens. Ele notou que, apesar de a chuva ter parado por um momento, logo recomeçaria, graças aos turbulentos outonos escoceses que já haviam enfrentado.
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Enquanto isso, Harry estivera perambulando pelo terreno sem prestar atenção aonde ia até começar a tremer, a brisa fria de outono aumentando. Ele foi arrancado de seus pensamentos quando percebeu estar olhando para a cabana de Hagrid. Ele sabia que o gigante estava dando aulas, uma vez que evitara os alunos do quarto ano no caminho, mas ao notar a fumaça saindo da chaminé, Harry imaginou que Hagrid não se importaria se ele entrasse para esquentar as mãos e emprestar uma capa. Foi isso que ele fez, satisfeito por encontrar a cabana vazia, exceto por Canino, que recebeu um carinho atrás das orelhas. Ele ainda não se sentia pronto para falar com ninguém e estava contente porque os outros tinham aula de Poções de manhã, de modo que ninguém viria atrás dele. Harry pegou a menor capa de chuva que conseguiu encontrar e voltou para o terreno, novamente pensando nos pais e não na chuva batendo na capa que estava usando. Ele parou para descansar perto do lago e se sentou no chão ensopado, arrumando a capa debaixo de si para não ficar muito encharcado. Abraçando os joelhos, ele observou as pequenas ondas na água se moverem para frente e para trás devido ao vento. Nem mesmo a lula gigante queria vir à superfície hoje.
Harry pensou sobre os pais e sobre como sua vida seria se eles tivessem sobrevivido ao ataque doze anos antes. Ele imaginava que seria feliz, poderia até mesmo ter um irmão ou irmã ou quem sabe ambos. Ele entenderia melhor a magia e ele seria amado. Teria alguém com quem praticar Quadribol nas tardes de domingo e teria alguém para se orgulhar de suas conquistas.
Ele parou com os devaneios. Sabia que o que estava fazendo era perigoso. Lembrava-se das palavras de Dumbledore quando o diretor pegara Harry passando horas diante do Espelho de Ojesed.
"Não faz bem viver sonhando, Harry."
Dumbledore estava certo, pensou Harry amargamente. Isso só aumenta a dor.
Ao invés disso, ele tentou guiar seus pensamentos para a noite anterior. Ele se encolheu com a memória de Snape e fez uma nota mental para perguntar a Hermione sobre boas azarações para o caso de um dia precisar duelar contra Snape. O enigmático era a parte com a Professora McGonagall. Harry estudou o lago cuidadosamente enquanto revia o que acontecera. Estava claro para ele que ela estava chateada com alguma coisa e, devido a data, poderia ser sobre seus pais, mas ele não conseguia compreender.
McGonagall conhecia meus pais? Ele pensou, observando a lula gigante finalmente emergir e desaparecer nas profundezas escuras do lago novamente. Por que ela ficou tão chateada com a flor? Foi inapropriado? Droga, eu devia ter corrido de lá.
Harry grunhiu em frustração e passou os dedos pelo cabelo despenteado. Ele não sabia porque sentia a necessidade de consolar a professora. Ele fez uma careta ao pensar que talvez estivesse apaixonado por ela. Pensar nisso o deixava enjoado, então tinha quase certeza de que não era essa a razão. Além do mais, ele meio que gostava de Cho Chang, a garota da Corvinal, e o que sentia agora não tinha nada a ver com o que sentia quando olhava para Cho. Entretanto, ele sentia alguma coisa pela Diretora de sua Casa; alguma coisa a mais do que sentia pelos outros professores, mesmo o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, o professor Lupin. Ele definitivamente era legal e Harry, Rony e Hermione gostavam bastante de suas aulas práticas, mas o que sentia em relação à Professora McGonagall era mais forte, mais pessoal. Ele explorou esse sentimento um pouco mais, cutucando-o até estar tão confuso que desistiu e suspirou, ouvindo o barulho da chuva caindo em sua capa. Ele se moveu ligeiramente para encostar-se a um salgueiro perto da água e simplesmente existiu por algum tempo, grato que não se sentia mal o suficiente para voltar a praticar o tão vergonhoso hábito das férias de verão.
Rony e Hermione, enquanto isso, corriam de História da Magia para o Salão Principal, esperançosos que o amigo estivesse sentado na mesa de sua casa, almoçando enquanto esperava por eles. Como isso não ocorreu, eles correram outra vez para o agora úmido Saguão de Entrada, onde Rony não conseguiu evitar colidir com a Professora McGonagall, quase derrubando-a e evitando a queda dolorosa apenas por agarrar seus braços estendidos.
"Sr. Weasley, o que pensa que está fazendo?" Ela perguntou depois que ele a ajudou a retornar a posição ereta.
"Desculpe Professora, nós, bom, nós temos que estar em um lugar, só isso."
Ela olhou em volta do saguão como se procurasse por Harry, esperando que estivesse com eles, e Hermione achou que ela parecia dividida entre ajudar um grupo de primeiranistas que pareciam miseráveis ao entrar e questioná-los mais. Eles observaram os primeiranistas entrarem no castelo, encharcados pela caminhada das estufas e quando um deles espirrou, a Professora se aproximou, conduzindo-os para dentro e direcionando o tráfego outra vez. Hermione conseguiu atrair seu olhar enquanto ela e Rony continuavam com sua busca e sabia que a professora de Transfigurações os encontraria na aula.
Hermione e Rony procuraram por todos os lugares. Harry Potter não estava na ala hospitalar, na biblioteca, no Salão Comunal ou no dormitório dos meninos. Rony ficou bastante aborrecido pelo fato que Hermione podia entrar em seu dormitório, enquanto ele não podia entrar no dela.
"Tem a ver com confiança, Rony," disse Hermione, exasperada por não encontrar Harry. Eles pegaram capas pesadas e correram para fora, ignorando os avisos dos professores para ficarem fora da chuva. Eles checaram a cabana de Hagrid e o campo de Quadribol, embora até mesmo Rony achasse que Harry não era TÃO obcecado com Quadribol para praticar nesse tempo.
Eles olharam por tudo e não viram nenhum sinal dele. Eles trocaram olhares, a preocupação impregnada em suas feições, antes de Hermione olhar para o relógio, encolhendo-se.
"Vamos nos atrasar para Transfigurações," ela avisou sobre a chuva. Rony olhou para ela como se tivesse uma cabeça a mais.
"Nós não podemos deixá-lo!" Ele gritou.
"Nós vamos contar para a Professora McGonagall," contradisse Hermione, retornando para o castelo. Ao passar pelas portas principais, eles retiraram as capas e se dirigiram para a sala de aula, onde haviam deixado os livros antes de procurar por Harry.
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A Professora soube imediatamente que algo estava errado, o indício óbvio sendo a ausência de Harry. Minerva sentiu o peito apertado.
Onde ele estava? Ela o havia aborrecido? Ela finalmente arrumara coragem para lhe contar. Típico, ela pensou, cínica.
Olhou em volta da sala, reparando que todos os seus Grifinórios pareciam particularmente sombrios, enquanto os Sonserinos pareciam bastante satisfeitos consigo mesmos.
"Muito bem turma, o que está acontecendo?" Ela perguntou antes de começarem. Se eles fossem retornar aos aspectos práticos de Transfiguração, ela precisava que estivessem pensando com clareza.
"O Professor Snape descontou cento e trinta pontos da Grifinória esta manhã, Professora," disse Dino Thomas, franzindo as sobrancelhas para os Sonserinos que soltavam risinhos abafados.
"E por que, Sr. Thomas?" Perguntou ela.
"Porque Harry não apareceu e então Neville acrescentou muitas ovas de sapo e manchou as mãos de verde."
Minerva observou Neville levantar as mãos como prova da coloração, mas estava mais preocupada com o fato de que Potter não havia sido visto desde o café da manhã.
"Cem pontos para a Grifinória," ela disse distraidamente, opondo-se aos atos vingativos de Severo. Ela não reporia os pontos de Neville, contudo, afinal era um tom de verde particularmente horroroso. "O que quer dizer com 'o Sr. Potter não apareceu'?" Ela perguntou após uma pausa, a pergunta dirigida a Rony e Hermione.
Rony se contorceu sob o olhar enérgico da professora, mas Hermione lhe lançou um olhar pesaroso. Ao perceber isso, Minerva instruiu a classe a ler sobre como transformar uma caixa de fósforos em uma almofada e, uma vez que estavam todos ocupados, ela sinalizou para que os amigos de Harry entrassem em sua sala.
"O que o Sr. Thomas quis dizer quando disse que o Sr. Potter não apareceu para a aula de Poções esta manhã?" Ela perguntou, pânico apertando seu coração. Com Sirius Black a solta, agora não era a hora de perder o Menino-Que-Sobreviveu, mas mais importante para ela, agora não era a hora de perder Harry.
"Bom, Professora, quando eu acordei hoje de manhã ele já estava no Salão Comunal. Parecia que tinha dormido lá. De qualquer forma, ele me perguntou qual era a data e se eu sabia de algum evento ocorrido hoje. Eu disse que não sabia de nenhum, mas que ele devia perguntar para alguém de uma família bruxa. Quando ele descobriu que hoje é o dia em que Você-Sabe-Quem desapareceu, ele percebeu o que isso significa para ele."
Minerva foi até a janela, respirando fundo e tentando segurar as lágrimas acumulando em seus olhos. Como ela podia dizer a ele que hoje era um dia igualmente doloroso para ela? Que ela perdera exatamente a mesma coisa que ele naquele dia? Ela se recompôs, percebendo que tinha coisas mais importantes com as quais se preocupar e que eles precisavam procurar por ele agora.
"Quando foi a última vez que vocês o viram?" Ela perguntou, a urgência transparecendo na voz. Alvo lhe contara que o Ministério da Magia estava pressionando-o para permitir dementadores nos terrenos do castelo caso Sirius Black aparecesse procurando por Harry.
"Durante o café da manhã, Professora," disse Hermione depressa. "E nós checamos por tudo. A Torre da Grifinória, a ala hospitalar, a cabana do Hagrid... Não sabemos mais onde procurar, Professora."
A Professora McGonagall pousou a mão gentilmente no braço da garota antes de se virar para o fogo ardendo fundo da sala e pegar um pouco de Pó de Flu. Ela parou antes de jogar o pó no fogo, mandando as crianças de volta a sala de aula e então se inclinou sobre a lareira, sua cabeça aparecendo momentos depois na grade do fogo de Alvo Dumbledore.
"Minerva, como está, minha querida?" Ele perguntou gentilmente. Ele notara, como fazia nos últimos doze anos, que era uma semana difícil para ela, mas era uma das únicas três pessoas que sabia o porquê. Ela parecia especialmente chateada naquele momento, contudo, ele percebeu ao se levantar para se aproximar do fogo.
"Alvo, Harry está desaparecido," ela disse, um olhar consternado fixo em sua expressão.
