As flores brotam e morrem.
As estrelas brilham, mas um dia se apagarão.
Tudo morre. A Terra, o Sol, a Via Láctea e até mesmo todo esse universo não é exceção.
Comparado a isso, a vida do homem é tão breve e fugidia quanto o piscar de um olho.
Nesse curto instante, os homens nascem, riem, choram, lutam, sofrem, festejam, lamentam, odeiam pessoas e amam outras.
Tudo é transitório, e em seguida todos caem no sono eterno chamado morte.

Cavaleiros do Zodíaco Além do Orgulho. (Saga de Hades)


Capítulo II – Entre Amigos e Inimigos.

"Você está bem?" Draco ouviu a voz de Blaise Zabini a seu lado e não pode deixar de sorrir. O primeiro sorriso verdadeiro que conseguia dar em semanas.

"Estou." A resposta não era uma verdade por inteira. Mas ele se sentia bem agora, sabendo que o amigo estava lá. Era algo tão patético, mas era verdade. Não era como a companhia do pai, que o deixava desconfortável. Blaise estava lá porque queria estar. Estava lá por opção e porque gostava de Draco.

Era reconfortante.

"Conversei com Pansy ontem à noite." ele comentou de repente. Ajeitou-se melhor no banco de mármore do jardim e seguiu o olhar do amigo para o céu. Um céu azul escuro, onde a lua cheia brilhava parcialmente encoberta por algumas nuvens. O ar cheirava a flores. Flores que estavam preenchendo quase todos os cantos do jardim.

"Como ela está?"

"Puta da vida" respondeu, rindo-se. "Você precisava ver, Draco. Ela ameaçou ir até o Ministério e lançar uma imperdoável no Ministro." O loiro balançou a cabeça sorrindo de leve. Era tão do feitio de Pansy algo assim. Mesmo não estando lá no momento, quase podia formar a imagem em sua cabeça.

"Como conseguiu impedi-la?"

"Disse que daríamos um jeito dentro da lei." Falou virando o rosto para Draco. "Ela disse que vai vir visitá-lo."

"Eu fiquei surpreso por ainda não ter vindo." Confessou, enfrentando o olhar do amigo pela primeira vez naquela noite. "Como andam as coisas para o casamento de vocês?"

"Perfeitamente normais." Blaise suspirou e se espalhou pelo banco. "Ela é impossível. Eu disse que não quero uma festa e mesmo assim ela está organizando uma. E sabe qual o pior?" Draco fez que não com a cabeça. "Convidou quase todo mundo mágico. Pelo menos o que sobrou dele..."

Draco riu e imitou o amigo, encostando as costas no mármore duro e ficando de um jeito nada elegante no banco.

"Como se você não a conhecesse, Blaise." Disse com certo divertimento, balançando a cabeça.

"Eu pensei que ela tivesse algum juízo, Draco." Ele respondeu indignado. "Eu estou a ponto de enlouquecer. Ela é completamente maluca."

"Onde está a parte do perfeitamente normais?" O loiro ergueu uma sobrancelha e Blaise fez uma careta.

"Como se existisse algo normal com Pansy no meio."

Draco riu e fechou os olhos. O cheiro de flores estava mais forte agora.

"Sinto falta dela..." Murmurou Draco. Blaise sabia que não era mais de Pansy que ele estava falando e respirou fundo.

"Eu sei." O negro sorriu fracamente, colocando uma das mãos sobre o ombro do loiro, tentando passar algum consolo mesmo sabendo que não conseguiria. Sentia-se tão impotente nesses momentos que doía. "Eu sei, Draco." Repetiu.

"É tão injusto..." Ele sussurrou debilmente, sentindo lágrimas, que ele sabia que não derramaria, queimarem seus olhos.

"Shh, está tudo bem..." Blaise passou os braços por baixo dos do loiro, puxando-o para um abraço. Draco afundou o nariz na curva de seu pescoço, tentando controlar as lágrimas. "Tudo bem, Draco."

Blaise suspirou antes de colocar uma das mãos no cabelo macio do loiro. Ele sabia que esse momento iria chegar, uma hora ou outra. O momento em que Draco falaria da mãe e se machucaria. Porque doía. E, Deus, ele sabia o quanto doía.

"Porque você ainda insiste em ficar aqui?" Perguntou quando o amigo finalmente conseguiu colocar suas emoções em ordem novamente. "Não é saudável."

"Eu gosto daqui." Respondeu Draco, sua respiração batendo contra seu pescoço. Blaise o puxou mais forte contra si.

"Mas ficar apenas aqui não te faz bem." O corpo dele ondulou de leve com uma risada. "Estou falando sério." Repreendeu o negro.

"Eu sei." Expirando lentamente, Draco continuou. "Eu não te contei uma coisa..."

"Draco, você tem visita." A voz de Lucius Malfoy o interrompeu e Draco levantou o rosto que, minutos antes, estava enterrado contra o pescoço de Blaise. Parado ao lado de seu pai, com uma expressão fechada, estava Harry Potter.


Harry se dizia, novamente, que aquela era uma péssima idéia.

Mas agora já estava ali, parado em frente à Lucius Malfoy. Era como se voltasse a ter novamente quinze anos de idade e ele fosse o homem que estava atrás de uma profecia para Voldemort, em uma sala proibida do Ministério da Magia.

Talvez devesse ter tentado encurralar Draco na saída do Ministério, mas o problema é que raramente se encontrava com Malfoy por lá. Ele tinha o dom de conseguir ser invisível quando queria. E mesmo sendo Harry Potter ele não poderia entrar no Departamento dos Mistérios e ordenar vê-lo. Se fizesse, seria preso antes que conseguisse colocar em palavras o que viera fazer, ainda mais quando Quinn já estava no limite com ele. Gostava muito de seu emprego para jogá-lo pela janela sem motivos.

"A que devo a surpresa de sua visita, Potter?" A voz arrastada, idêntica a do filho, chegou a seus ouvidos e ele ergueu uma sobrancelha.

"Preciso falar com Draco." Respondeu, sentindo-se ligeiramente feliz por ter vindo de farda. Ele parecia mais ameaçador usando-a. Ou pelo menos achava isso.

"O que quer com meu filho?"

"É particular."

Harry observou a expressão impassível no rosto aristocrático. Os mesmos lábios, nariz e olhos de Draco. Perguntou-se se a forma de se vestir era uma tradição familiar. A roupa que o Patriarca Malfoy usava era fechada até o pescoço. Idênticas as que sempre via o loiro usar.

"Só espero que seja boas notícias. Draco não está em condições de ouvir lamentações no momento. Se está aqui para pedir desculpas por não ter conseguido fazer nada, peço que se retire imediatamente, Potter."

Harry ouviu a declaração de Lucius sem se abalar. Já o enfrentava mais vezes do que gostaria, e por isso estava acostumado a ouvi-lo com uma indiferença polida. Ele era conhecido por sempre tentar interferir em assuntos ministeriais, mesmo não tendo mais a mesma reputação de antes, e por isso Harry aprendeu a simplesmente ouvir o que ele falava a ignorar imediatamente. Sorriu e apenas balançou um pouco a cabeça enquanto juntava as mãos nas costas.

"O assunto que quero tratar com seu filho não envolve desculpas, mas é particular." Harry disse com displicência e segurança. "E estou com pressa, se você não se importar..."

Lucius parecia ter vontade de expulsar Harry de sua casa, mas o moreno sabia que ele não faria algo assim. Se a guerra lhe ensinara alguma coisa, foi que Lucius, apesar de seu jeito sempre superior e arrogante, prezava a família acima de dinheiro, poder ou vingança. E ele já perdera a esposa para a mulher com quem Draco estava destinado a se casar. O orgulho era o último dos problemas daquela família, e ele sabia disso. Malfoy nunca fora burro, e não começaria a ser agora.

O loiro mais velho o olhou demoradamente. Um olhar que não transparecia nada, apenas interesse e certa curiosidade amistosa. Então fez um gesto para que Harry o seguisse por um corredor.

A Mansão Malfoy era gigantesca. Com mais portas que Harry poderia contar. Havia muitos quadros, muitas estátuas e muitos objetos decorativos e impecavelmente organizados e polidos. Harry nunca entenderia o que levava alguém a comprar uma casa tão grande se não usava nem metade dos cômodos, e nem gostaria de imaginar quantos elfos domésticos trabalhavam ali. Hermione, em seu lugar, arrumaria um jeito de visitar a cozinha da mansão para tentar causar uma rebelião entre eles.

Lembrou-se de Dobby, um ex empregado de Lucius Malfoy, e de como o libertara. Uma pequena pontinha de orgulho nasceu em seu peito, algo que lembrava muito euforia. Saber que vencera o homem a sua frente lhe dava uma satisfação mórbida.

Quando finalmente chagaram ao grande jardim onde Harry imaginava que Draco estava, seguiu o olhar de Lucius até um dos bancos distribuídos pelo local.

"Draco, você tem visita." Anunciou Lucius, e Harry observou impassível Draco afastar o rosto do pescoço de Blaise Zabini para olhá-lo. Seu nariz e olhos estavam vermelhos, seus cílios úmidos. Draco definitivamente estava chorando.

Por um momento, se viu em seu lugar há vários anos, quando usou o ombro de Hermione para desabafar sobre a dor que sentia após a guerra. Era difícil conseguir paz ao lembrar de todas as pessoas que havia perdido. Era uma dor tão forte que chegava a ser sufocante. Saber que demoraria anos até finalmente conseguir respirar normalmente, sem o peso de tantas mortes em seus ombros era quase desesperador. Era como olhar para Draco e ver a si mesmo, mas por dores e desesperos diferentes.

Nunca gostara do loiro. Ele era arrogante demais, briguento e infantil demais. Sua língua era afiada, e seu humor era distorcido. Mas ele abandonara Voldemort antes que ele caísse, e arriscou a própria vida mais de uma vez pela Ordem da Fênix.

Talvez ele soubesse que era a única maneira de sobreviver, juntando-se ao lado do bem. Talvez o peso do que teria que fazer, em seu sexto ano, fosse forte demais para que conseguisse agüentar.

Draco era fraco. Ele era fraco demais para encarar a realidade do que o esperava sendo um Comensal. Era horrível demais, forte demais. Harry sabia que talvez demorasse meses, talvez anos, até que finalmente entendesse que havia feito o certo. Era cruel pensar assim, mas o moreno sabia que ser seqüestrado por três meses e torturado até quase a morte o havia feito crescer como pessoa, e enxergar as coisas de uma maneira diferente. Uma maneira mais justa e correta.

Draco o olhou e tentou disfarçar as lágrimas, limpando os olhos e pigarreando. Olhou para Blaise antes de se levantar do banco e acenar de leve para Harry com a cabeça.

"Olá, Potter." Disse cordialmente e sua voz saiu firme. Harry lhe retribuiu o cumprimento e Blaise levantou-se em seguida.

"Já estou de saída, Draco." Despediu, colocando uma das mãos no ombro do loiro e apertando de leve antes de ir embora.

Lucius o acompanhou até a saída e ambos ficaram sozinhos. Apenas o barulho dos pássaros e do vento contra as folhas quebrava o silêncio.

"Se você veio aqui para me dizer que não conseguiu fazer nada em relação ao casamento, eu não quero nenhum pedido de desculpa, fui claro? Eu não preciso delas."

Harry ficou imaginando como alguém poderia ser tão parecido com o pai. Talvez estivesse na genética.

"Eu não vim aqui pedir desculpas." Disse lentamente, aproximando-se mais do loiro para sentar no banco. Draco hesitou antes de sentar a seu lado. "Eu conversei com o ministro." Explicou, omitindo deliberadamente o fato de também ter falado com o curandeiro que o atendeu quando foi internado em estado quase terminal em St. Mungus. "Ele disse que não vai permitir que você escape da lei."

Draco não disse nada, apenas o encarou ao fim da declaração de maneira fria e indiferente, mas suas mãos ficaram ligeiramente tremulas, Harry reparou quando ele afastou uma mexa de cabelo dos olhos. Os olhos claros fitaram distraidamente um ponto no outro lado do jardim.

"Eu já imaginava isso." Draco disse resignadamente. "Nem você pode mandar no ministério, Potter. Mas era minha única esperança, então me agarrei nisso."

"O que você pretende fazer?" Harry perguntou delicadamente, tentando fazer a voz soar firme e sem nenhum tipo de piedade. Draco o encarou nos olhos antes de dar de ombros.

"Eu não sei, mas não me casarei com ela. Azkaban me parece muito mais atraente." Explicou com displicência, colocando as mãos dentro do casaco de frio. Harry encarou seu perfil por algum tempo, observando a maneira como seus contornos brilhavam contra o luar e a pequena saliência do osso do nariz.

"Há uma maneira de escapar do casamento com Lauren McFly sem ser preso." O moreno declarou, odiando-se internamente. Não queria ter que jogar sua liberdade ao vento por causa de alguém que passou metade da vida odiando, mas seu complexo de herói falava mais alto. Ele sabia que não conseguiria dormir a noite se não fizesse isso. Nunca mais teria paz.

O loiro o olhou novamente, e havia um pequeno brilho de emoção em seus olhos tempestuosos.

"E qual é?" Perguntou por fim, ainda encarando-o.

Harry imaginou qual era a maneira mais fácil de lhe dizer aquilo. Imaginou se ele aceitaria ou não. Por um momento, desejou que recusasse, e se sentiu ligeiramente egoísta por isso. Era sobre o sofrimento de alguém que estava falando. Precisavam ficar casados por apenas um ano, e então cada um seguiria sua vida da maneira que quisesse.

"Quinn me deu a alternativa de casar com você, então ficará livre do casamento com McFly."

O brilho que se instalara nos olhos de Malfoy sumiu, e seus ombros caíram antes que ele encostasse as costas no mármore do banco. Ele suspirou e sua respiração formou uma pequena fumaça branca no ar, que rapidamente evaporou.

"Porque você veio me falar isso, Potter? É alguma vingança pra você? Deve ser bom saber que é o único que conseguiria me livrar disso, não?"

Harry franziu o cenho com as palavras carregadas de rancor que ouviu de Draco. Ele realmente pensava que o moreno só falara aquilo para poder jogar em sua cara que poderia salvá-lo se quisesse? Ele não faria algo assim nem com o pior inimigo. Era crueldade demais.

"Eu não estou falando isso, Malfoy." Disse com uma calma que não possuía, fechando os olhos com um suspiro. "Eu estou dizendo que estou disposto a me casar com você."

Pela primeira vez Harry percebeu que havia conseguido deixar Malfoy sem palavras. Ele estava com os olhos ligeiramente arregalados, e sua declaração demorou algum tempo até fazer sentido para o loiro, que o olhou como se ele fosse de outro planeta.

"Você está falando sério? Está realmente disposto a casar comigo depois de conseguir um certificado em que se livrou dessa lei?" Perguntou com incredulidade, mantendo os olhos fixos na figura fardada que sentava displicente sobre o banco. Harry apenas assentiu inexpressivo, e não conseguiu achar palavras apropriadas para respondê-lo, então permaneceu em silêncio.

Malfoy desviou os olhos de seu rosto e voltou a encarar um ponto fixo em frente, parecendo absorto em pensamentos. Harry percebeu que havia uma pequena faísca de esperança em seus gestos, algo como alívio, e soube que ele aceitaria a proposta. Deveria estar desesperado demais para aceitar algo tão louco quanto o que era proposto.

"Você é gay?" Perguntou para Harry, que riu de uma pergunta tão boba em circunstâncias que iam muito além de preferências sexuais.

"Não, eu não sou. E você?" Questionou, sem realmente querer saber a resposta. Draco apenas balançou a cabeça em negativa, e Harry percebeu que para ele isso também não parecia ser um problema.

"Nós teremos que dormir juntos, você sabe, não é?" Indagou o loiro daquela mesma maneira evasiva, observando a reação de Harry.

"É um problema pra você?" Rebateu, fazendo-o semicerrar os olhos e estalar a língua após algum tempo.

"Não exatamente, mas você sabe que o Ministério administrará de perto nossa relação e se certificará de que estamos tomando poção para fertilidade masculina, certo?"

A idéia de ter um filho com Malfoy não era algo que Harry apreciava. Fora por esse motivo, os filhos, que se recusara terminantemente a casar. Não achava que estava psicologicamente preparado para ter uma criança, e tinha receios de que não conseguisse ser um bom pai. Mas agora não era um momento para pensar sobre isso. Não quando a vida de alguém estava em jogo.

Porque Lauren McFly gostaria de casar com Malfoy? Era óbvio que alguma coisa obscura estava por trás disso. Não havia alternativas. Estava em um beco sem saída, em que a única alternativa era se juntar a Malfoy.

"Eu sei. É uma conseqüência que eu estou disposto a fazer." Disse algum tempo depois, sabendo que era uma afirmação falsa. Queria sim ter filhos, mas não de Malfoy, e não agora.

"Eu sei que você não quer isso," Malfoy começou a falar quase delicadamente, como se estivesse com medo de que Harry pudesse mudar de idéia "mas é apenas por um ano. Se nós não tivermos filhos até lá, tudo o que precisamos fazer é assinar papéis e estaremos afastados um do outro."

"Mas e se tivermos filhos, Malfoy?" Harry perguntou olhando para ele. Sabia que estava sendo precipitado, uma vez que nem haviam se casado ainda, mas queria deixar as coisas claras desde já. "Se tivermos filhos, eu ficarei com eles."

Os lábios de Draco se repartiram de leve, parecendo surpreso com o que lhe fora dito. Harry sabia que estava sendo egoísta, mas não podia deixar que um filho seu crescesse perto de Lucius Malfoy, ou do próprio Draco. Apesar do que acontecera antes da queda de Voldemort, o moreno sempre pensaria em Lucius Malfoy como alguém cruel e sem coração. E em Draco como uma pessoa manipulável.

"Mas eles serão meus filhos também!" Exclamou piscando de leve. "O que você está propondo é quase cruel."

"Eu não acho que você e seu pai serão uma boa influência para uma criança, mas não estou dizendo que te proibirei de vê-los. Apenas quero deixar claro que elas morarão comigo quando nos separarmos." Esclareceu, percebendo que Draco parecia um pouco mais aliviado agora.

"Eu entendo seu ponto de vista." Disse com calma, passando uma das mãos pelos cabelos muito loiros. "E eu aceito. Mas com sorte, talvez não tenhamos filhos."

Harry apenas assentiu e percebeu que não havia mais motivos para alongar a conversa.

"Conversarei com Quinn e direi o que decidimos." Disse para Malfoy, que apenas balançou a cabeça em concordância. Harry se levantou.

"Bom, vou indo agora." Disse um pouco sem jeito, passando a mão pela farda de auror um pouco amassada. Draco se levantou também e o acompanhou até a saída do jardim, e antes que Harry saísse, o segurou pelo braço.

"Obrigado." Disse, olhando-o nos olhos. "Eu sabia que você daria um jeito nisso."

Harry engoliu em seco e assentiu delicadamente, forçando um sorriso e saindo pela porta. Sabia que Draco estava tentando ser agradável apenas por que estava salvando sua vida, mas mesmo assim notou que havia algo de diferente nele. Algo como mais emoção, mais dor.

Mesmo sentindo falta dos pais, Harry nunca os conhecera e aprendera a viver sem eles. De algum jeito, era menos doloroso dessa forma. Mas Draco convivera com o amor da mãe desde o nascimento, adolescência e início da vida adulta. Perde-la deveria ter sido insuportavelmente doloroso.

Harry se sentiu momentaneamente triste pelo loiro, mas estava fazendo algo por ele ajudando-o a se livrar do casamento.

Apenas um ano, disse a si mesmo com um suspiro, vai passar rápido.


"Você aceitou o quê?" Ron exclamou perplexo, largando o prato que lavava na pia com estrépito e jogando um pano de prato de qualquer jeito sobre a mesa após secar as mãos. "Você ouviu isso, Hermione? Ele aceitou se casar com Draco Malfoy!" Exclamou novamente, parecendo ainda mais perplexo e esperando a mesma reação da esposa. "Você só pode estar brincando!"

Hermione que estava sentada pacientemente no sofá ao lado de Harry, apenas balançou um pouco a cabeça e colocou uma das mãos no ombro do amigo, como se lhe oferecesse conforto. Harry sorriu de leve, a cabeça girando um pouco com tantas decisões tomadas em um espaço curtíssimo de tempo.

"Harry fez o que achou certo, Ron." Hermione disse com delicadeza, mas mesmo assim determinada. Olhou para o marido com cara feia antes de levantar e pegar o prato que Ron abandonara para enxaguar. "Eu te disse que ele estava sendo obrigado a se casar com Lauren McFly, não disse?"

"Mas mesmo assim..." Começou Ron exasperado, sentando-se na poltrona de frente para Harry. "Ele merece isso, Harry. Passou metade da vida sendo um filho da puta ingrato."

Hermione soltou uma exclamação de raiva e Ron pareceu arrependido do que falara, afundando na poltrona com um suspiro.

"Olha, eu entendo que você tem essa mania de sempre querer salvar o mundo, até as pessoas más, mas você precisa parar com isso, Harry." Ron continuou após alguns segundos de silêncio, sendo quebrado apenas pelo barulho da água contra a louça que Hermione lavava. "Draco fez por merecer e você sabe disso."

"Eu não sei de nada, Ron." Harry falou cansado. Soltou um suspiro e balançou a cabeça um pouco, tentando clarear os pensamentos. "O que eu sei é que não o deixaria nessa situação. Eu sabia que iria aceitar a sugestão de Quinn no momento em que ele a sugeriu. É o único jeito."

"Mas estamos falando de ficar preso à Malfoy por um ano. Conviver com ele. Falar com ele. Transar com ele e talvez ter um filho dele." Essas eram coisas que Harry não queria se lembrar e Ron às jogava em sua cara sem a menor piedade. Hermione desligou a torneira e interferiu na conversa antes que o moreno resolvesse ir embora.

"Você às vezes é tão extremista, Ronald" disse a morena para o marido, sentando-se graciosamente no sofá em que estivera minutos antes ao lado de Harry. "Eu conheço Draco, trabalho com ele todos os dias, e posso dizer com todas as letras que ele mudou e não é mais a mesma pessoa de antes." Virando-se para Harry, continuou: "Eu sei que deve ser muito complicado pra você conseguir aceitar essa situação, mas está fazendo o certo."

"Mas você têm que entender que de uma maneira ou de outra terá que fazer sexo com ele, e está preparado para isso? Eu li todo o possível sobre essa nova lei quando descobri a situação do Draco, tentando descobrir algum furo para que conseguisse livrá-lo, mas não achei nada. E o Ministério da Magia lança feitiços no casal para que eles não tentem ser espertinhos e não manter relações sexuais."

"Como são esses feitiços? Eles aumentam a libido da pessoa?"

Hermione riu.

"Claro que não, Harry. Homens têm a libido lá em cima, se fizessem isso seria catastrófico. Eu não sei exatamente como funciona, mas a relação sexual tem que acontecer pelo menos uma vez por semana, caso não aconteça, eles descobrem por meio do feitiço." Explicou ela.

"Você está mesmo disposto a fazer sexo com Malfoy?" Ron perguntou para Harry, que deu de ombros.

"Não é o fim do mundo, Ron. E é apenas uma vez por semana. E é sexo, não pode ser tão ruim assim, mesmo que seja com outro homem."

Harry realmente não acreditava nisso, mas não queria expor sua opinião para o amigo e ouvir mais algumas horas sobre os motivos pelo qual estava sendo idiota por tomar uma atitude dessas. Dormir com Malfoy não o agradava em absoluto e tinha receio de pensar sobre o que aconteceria quando estivessem casados e sob quatro paredes. Mas era a única solução que conseguira, e ela tinha que funcionar.

"Preciso dizer que Draco Malfoy é absolutamente deslumbrante." Hermione disse para Harry, e apesar do moreno perceber que ela não estava mentindo, sabia que apenas falara aquilo para provocar Ron, que ficou com as orelhas perigosamente vermelhas. "Muitas mulheres do Ministério estavam torcendo para que ele se interessasse por elas. Ficarão definitivamente decepcionadas quando descobrirem que ele se casará com um homem."

Ron não disse nada, apenas soltou uma exclamação de nojo e se jogou no sofá, ignorando-a. Hermione balançou a cabeça e girou os olhos, virando-se para Harry novamente.

"Você está fazendo o que é certo." Ela repetiu baixinho para que apenas ele ouvisse. "É apenas um ano. Depois disso, vocês dois estarão livres um do outro."

Harry assentiu e fez força para conseguir sorrir. Colocou a mão sobre a dela, que afagava seu braço carinhosamente. Com um suspiro que balançou os cabelos cacheados de Hermione, falou:

"Só espero que eu não me arrependa disso, Mione. Estou abrindo mão da minha liberdade por um ano para viver com ele e ajudá-lo."

"Você não vai se arrepender de salvar a vida de alguém. Prepararei tudo para a oficialização do casamento, tudo bem? Sem festas. Tentarei ser discreta para que o menor número possível de pessoas saiba sobre vocês dois."

Harry assentiu, derrotado, e lançou um olhar demorado para a amiga.

"Obrigada pelo apoio. Não sei o que faria sem você."

Hermione sorriu, corando um pouco antes de gesticular com uma das mãos para dizer que não era nada. Harry lançou um olhar para Ron, que estava sentado no sofá com uma carranca de mau humor, e em seguida voltou a olhar para a amiga.

"Ele mereceu." Ela disse displicentemente, dando de ombros. "Ele é muito egoísta às vezes."

Harry, intimamente, concordou com a amiga. Ron era egoísta às vezes. O moreno, mas do que Hermione, sabia disso, já que trabalhavam como aurores juntos. Ron nunca se arriscava totalmente. Ele sempre tinha um pé atrás quando precisava salvar alguém que não conhecia arriscando a própria vida. Harry, entretanto, sempre acabava fazendo isso. Ele sempre conseguia fazer o impossível, e já perdera a conta de quantas vezes quase morreu nessa carreira, e era auror há apenas dois anos.

Mas o moreno aceitou os riscos no mesmo momento que vestiu a farda. E gostava de seu trabalho. Gostava de dormir a noite sabendo que ajudara a salvar uma vida. Era bom, reconfortante. Sabia que era viciado em adrenalina, em quebrar regras, em sempre pôr o bem dos outros acima do seu, mas eram coisas que já aprendera a conviver, e sabia que não conseguiria mudar da noite pro dia, mas estava trabalhando nisso.

Daria uma pequena pausa, e voltaria a pensar mais em si assim que terminasse seu casamento com Malfoy. Era apenas um ano. Um ano voava.


Pansy Parkinson olhou perplexa para o melhor amigo antes de cair no sofá da Mansão Malfoy com uma exclamação chocada. Blaise, ao seu lado, estava com os lábios partidos em incredulidade.

"Você só pode estar brincando!" A morena exclamou após a surpresa inicial, sentando-se na beirada do sofá e inclinando-se para mais perto de Draco. "Harry Potter? Estamos falando do mesmo Harry Potter? Harry James Potter? Salvador do Mundo Bruxo? Queridinho do Dumbledore? Auror no Ministério da Magia?"

"Esse mesmo." Concordou Draco, e Pansy soltou um gritinho histérico, olhando para ele fixamente, como se esperasse achar alguma coisa anormal em seu rosto.

"O quê?" Exasperou-se fazendo uma careta. Pansy nada disse, apenas desviou o olhar para o namorado, esperando-o dizer alguma coisa.

"Draco, você tem certeza que essa é uma boa idéia?" Perguntou o negro, levemente hesitante. Draco soltou um muxoxo e encostou-se no estofado do sofá, cruzando as pernas.

"Ele está se sacrificando por mim, Blaise, é claro que eu tenho certeza. Também não estou nada feliz com a idéia de casar com ele, mas é minha única opção." Explicou para os amigos em tom decisivo, sem querer se prolongar mais. "Minha única esperança é que ele não desista dessa loucura. Eu não sei o que faria se ele desistisse."

Pansy assentiu um pouco mais controlada e sentou-se ao lado do amigo no outro sofá, colocando um dos braços em volta de seu corpo. Sabia que ele odiava quando ficava vulnerável na frente de outras pessoas, e mesmo com os amigos, ainda era difícil para ele soltar completamente suas emoções.

Demorou algum tempo até que ele, delicadamente, afastasse-a. "Estou bem." Disse, forçando um sorriso.

Blaise torceu os lábios e sentou-se do outro lado, colocando uma das mãos em seus ombros.

"Estamos aqui, tudo bem? Iremos espancar Potter caso ele faça alguma merda com você."

"Isso aí, amor! Iremos quebrar ele inteirinho." Concordou Pansy com voracidade, passando confiança para Draco através das palavras.

O loiro riu um pouco, seu corpo sacudindo de leve, e revirou os olhos em descrença. Harry Potter acabaria com os dois sem muito esforço, mas era reconfortante saber que tinha os amigos para alegrá-lo em um momento como aquele.

"O que seu pai disse sobre isso?" Blaise indagou após um tempo, e Pansy franziu o cenho, virando-se para olhar o loiro com interesse. "Ele aceitou tudo sem reclamar?"

"Ele disse que eu seria tolo se não aceitasse." Draco explicou suspirando e fechando os olhos. "Disse que não há motivos para ser orgulhoso. Não quando estou sendo coagido por uma mulher."

Pansy indignou-se, colocando uma das mãos sobre o peito teatralmente, olhando para Draco com expressão carregada.

"Então quer dizer que um homem não pode ser coagido por uma mulher? Tudo bem que McFly não é uma mulher normal, mas mesmo assim..."

"Pansy!" Censurou Blaise, olhando feio para a namorada. A garota fechou a boca e mordeu o lábio inferior, cruzando os braços sobre o peito com expressão emburrada. E era óbvio que ela queria falar mais alguma coisa, entretanto manteve-se calada. "Ele tem razão, Draco. É a única maneira, e seria tolo não aceitar."

Draco assentiu com o olhar perdido.

"Eu estava pensando em mandar uma coruja pra ele... Não quero parecer desesperado, mas ao mesmo tempo estou morrendo de medo que ele desista." Confessou Draco, e fixou o olhar no amigo em busca de respostas. Blaise suspirou e balançou a cabeça.

"Você precisa ficar calmo" aconselhou o negro, e Draco respirou fundo antes de assentir mais uma vez, acalmando aos poucos a inquietação que se apossava dele. "Pelo que conheço de Potter, ele não é do tipo que rompe compromissos. Você só precisa esperar e ser paciente. Você não disse que ele foi conversar com Shacklebolt? Ele é Ministro da Magia, não deve ser assim tão fácil marcar uma hora na agenda."

"Ele é Harry Potter." Draco resmungou contrariado. "Já faz três dias."

"Draco, querido, Blaise tem razão." Intrometeu-se Pansy, colocando-se ao lado do noivo. "Você precisa ter paciência. Ele é Harry Potter! Ele não conseguiria dormir a noite sabendo que deixou alguém que depende dele na mão. Ele é bom menino demais pra isso."

Draco gemeu, afundou na poltrona e suspirou. Só esperava que os amigos tivessem razão.

O loiro não sabia o que faria caso Potter desistisse do casamento. Sabia que ele não queria isso, mas não conseguia sentir-se egoísta aceitando o pedido, como sabia que estava sendo. Passou muito tempo sendo dessa maneira para começar a se importar agora, quando realmente valia à pena. Estava com as mãos atadas, e Potter poderia ter omitido a conversa com Kings se não fosse tão bom garoto, como Pansy dissera. Mas se ele era idiota o suficiente para se casar com alguém que não gostava, quem era Draco para não se aproveitar da situação?

Estava desesperado, e todos que o rodeavam sabiam disso. Por isso a decisão de Draco não pegou ninguém de surpresa. Apenas a pessoa que estava envolvida em todo o problema foi surpreendente.

Draco Malfoy e Harry Potter casados. Quem diria?


Harry passou algum tempo do lado de fora da Mansão Malfoy esperando alguém atendê-lo. O problema era que todos pareciam estar fazendo-o de idiota. Marcara uma audiência com Kings para acertar o acordo de casamento e precisava falar com Malfoy antes para que conversassem sobre algumas coisas, mas achou que seria insensível de sua parte se conversassem por cartas ou por pó de flu. Portanto, acabou em frente à sua casa.

Finalmente um Elfo-Doméstico apareceu e apressou-se a abrir a porta ao ver quem era. Harry estava tão irritado que nem lhe agradeceu, o que teria ofendido Hermione profundamente, e apenas apressou-se a entrar e logo deu de cara com Lucius Malfoy esperando-o com a expressão impassível de sempre. Com um suspiro longo andou até ele.

"Desculpe a demora para atendê-lo, mas nossos detectores estão com problemas, precisamos reenfeitiçá-los." Disse Lucius cordialmente. Harry forçou um sorriso.

"Preciso falar com Draco em particular." Harry disse sem paciência para ser sociável. Lucius assentiu, torcendo o lábio inferior com a falta de educação e fez um gesto para Harry acompanhá-lo.

"Draco estava esperando sua visita." Lucius disse, e Harry se perguntou se ele estava tentando quebrar o silêncio ou fazê-lo se sentir culpado pela demora em contatá-lo. "Pensou que houvesse desistido do casamento." Enquanto Harry seguia pelos corredores intermináveis da Mansão, franziu o cenho.

"Ele contou sobre o casamento?" Questionou um pouco surpreso. Imaginava que o loiro não fosse contar isso para ninguém, muito menos para o pai. Era humilhante até para ele, que só estava ajudando, admitir que iria se casar com um homem com quem tinha inimizade desde pequeno.

"Claro, Potter. Sou pai dele." Falou como se fosse óbvio, fazendo Harry cerrar os pulsos por ser taxado como ignorante. "Devo dizer que fiquei surpreso, nunca imaginei que você pudesse fazer algo tão... generoso."

Harry desejou que Lucius parasse de falar.

"Meus atos generosos realmente são quase escassos." Ironizou, rodando os olhos quando sabia que o loiro não estava olhando.

Lucius lhe lançou um olhar demorado antes de parar abruptamente em frente a uma porta que Harry imaginou ser o quarto de Draco. Ele bateu algumas vezes.

"Draco, Potter está aqui para vê-lo."

Houve um grande estrondo do lado de dentro, como se alguma coisa caísse no chão, e em seguida silêncio. Harry franziu o cenho antes de a porta ser aberta por Draco, que se vestia casualmente, com calça de moletom e blusa branca. Era a primeira vez que o via sem roupas pretas.

"Potter!" Draco exclamou após Lucius ir embora, não sem antes lançar um olhar de censura para o filho quando notou seus cabelos desgrenhados. O loiro apenas torceu o nariz e não disse nada.

"Olá, Malfoy." Harry cumprimentou casualmente, entrando no quarto quando o loiro se afastou um pouco para lhe dar passagem.

O quarto era grande, espaçoso e pintado em um tom de cinza claro. Cama, closet, mesa de cabeceira, uma estante de livros e a porta do banheiro. Nada surpreendente. Imaginou o que havia caído no chão. "Marquei uma audiência com o Ministro, e Hermione me disse que seria mais fácil se decidíssemos algumas coisas agora, e não na frente de Kings.

Malfoy assentiu e se sentou na cama, sendo logo seguido por Harry, que se sentou a seu lado.

"É obrigatório morarmos juntos." Explicou, virando-se para encará-lo, não querendo demorar muito na visita. "Desculpe-me, mas não confio no seu pai e por isso acho que é melhor você se mudar para minha casa."

"Oh" Fez Draco, parecendo um pouco aborrecido. Mas logo em seguida suspirou fundo e balançou a cabeça em concordância. "Por mim tudo bem." Respondeu sem convicção, mas o moreno ignorou-o. Estava fazendo sacrifícios também.

"Acho que pouparia tempo se começasse a arrumar logo suas coisas, para que quando nos casarmos tudo já esteja lá."

"Okay." Concordou Draco suspirando. "Começarei amanhã mesmo."

"Ótimo." Exclamou Harry. Pensara que o loiro fosse fazer mais birra antes de finalmente ceder. Estava mais do que feliz por não ter que ouvir nenhum tipo de reclamação, porque de nenhuma maneira iria morar na Mansão Malfoy. "Também temos que decidir sobre nossos sobrenomes. Alguém vai ter que abrir mão do sobrenome por um ano."

"Se você pensa que eu vou retirar o Malfoy do meu nome, pode tirando o cavalinho da chuva, Potter!" Draco disse ameaçadoramente, pondo um fim no assunto. "Você sobreviverá sem o Potter. Meu sobrenome é a única coisa que tenho."

Harry suspirou novamente, e dessa vez não se enganou. Draco iria teimar em usar o sobrenome.

"Se você não ceder, eu me chamarei Harry Malfoy!" Disse Harry, tentando colocar algum senso na cabeça do noivo.

"O quê?" Perguntou com desdém. "Você deveria se sentir honrado por isso, e não falar como se fosse uma coisa ruim."

"Você se chamará Draco Potter, é um bom nome." Harry disse tentativamente. Draco balançou a cabeça.

"Nem pensar. Eu aceitei ir morar na sua casa, Potter, e abrir mão do luxo daqui. Mas não vou aceitar perder meu sobrenome." Draco falou com uma convicção que deixou Harry desarmado. "Se não aceitar, pode ir embora, sairei dessa situação do meu jeito."

O moreno se perguntou se o drama que ele fazia era proposital.

"Tudo bem, Malfoy. Ficamos com seu sobrenome." Cedeu Harry finalmente, suspirando. Apenas um ano, repetiu a si mesmo antes de voltar a olhá-lo.

Draco abriu um de seus sorrisinhos cínicos e parecia menos infeliz. Harry propositalmente havia deixado a pior pergunta por último, evitado-a o máximo possível. Draco pareceu perceber que ele estava hesitando, ou apenas notou a cor de suas bochechas, pois se inclinou para frente, parecendo curioso.

"Qual a próxima pergunta?" Indagou lentamente, olhando para o moreno atentamente. Harry pigarreou, limpando a garganta, e não conseguiu encará-lo nos olhos.

"Hermione achou melhor decidirmos quem será o passivo da relação, para informar a Kings quem terá que tomar a poção de fertilidade."

"Oh" Draco exclamou novamente, e Harry sentiu uma satisfação quase mórbida ao notar que ele também corara um pouco. Mas diferente de Harry, ele não desviou o olhar. "Bom, eu não me importo em ser o passivo. Acho que seria pedir muito de você caso não aceitasse isso."

"Olha," Harry falou após perceber que ele parecia levemente humilhado "se você se importar com isso, eu realmente não..."

"Pare, Potter." Cortou Draco, rodando os olhos. "Sim, eu definitivamente não me sinto confortável com isso, mas não é o fim do mundo. Algum de nós teria que fazer esse papel, e como sou eu que preciso de ajuda, é o certo a se fazer."

Harry pensou em como era irônico Malfoy ponderar sobre o que era certo, e assentiu. Estava aliviado por Draco ter aceitado a situação sem muitos problemas, porque realmente ainda tinha certo medo que ele recusasse ser o passivo e sobrasse para ele o papel. Era crescido demais para saber que não desistiria do casamento agora, não por algo tão bobo quanto à posição que cada um teria no sexo, e de maneira nenhuma queria que o loiro se sentisse humilhado. De um jeito ou de outro, Harry notou que aquilo aconteceria, mesmo que Draco guardasse o sentimento apenas pra si. Estava fazendo demais por ele, e ambos sabiam disso. Devia parar de se preocupar tanto com coisas minímas.

Suspirando, olhou para o loiro que parecia meio aéreo, olhando para um ponto fixo do quarto sem realmente enxergá-lo.

"Estou indo, então." Disse após pigarrear e chamar sua atenção. Draco o olhou e assentiu, levantando-se da cama e abrindo a porta. "A audiência é daqui a dois dias. Você pode ir até a seção dos Aurores quando terminar seu expediente?"

"Okay." Falou Draco, dando de ombros.

Harry fez um pequeno aceno com a cabeça antes de sumir de vista, deixando Malfoy sozinho com os próprios pensamentos.


Era tarde quando Harry chegou em casa. Após falar com Malfoy, teve que voltar para o Ministério e fazer hora extra devido a sua pequena fugidinha. Infelizmente, Matthew, Chefe do Departamento, o pegara bem quando aparecia via Pó de Flu no átrio.

Mesmo gostando do emprego, Harry muitas vezes se sentia sufocado e sem tempo para viver a própria vida. Deveria ser por esse motivo que não tinha uma namorada, ou qualquer relação estável com alguém. E agora iria se casar. Mas estava aliviado por não ter nenhum relacionamento, pois não saberia o que faria se tivesse. Dizer para ela que teriam que terminar a relação por um ano era pedir pelo término definitivo do namoro. Harry só esperava não se arrepender do que estava fazendo.

Largou a pasta, casaco e carteira sobre a mesa, e estava prestes a entrar no banheiro para tomar um banho quando a companhia tocou estridente.

O moreno não estava esperando ninguém, e raramente alguém aparecia em sua casa pela pela parte da frente, usavam sempre a lareira. Cansado, e preparado para expulsar quem quer que fosse, abriu a porta e se deparou com a mulher mais bonita que já havia visto na vida. Ela o olhou demoradamente, e então franziu os lábios rosados e carnudos em reflexão.

"Harry Potter?" Ela indagou com uma voz macia e melodiosa. Harry franziu o cenho, ainda impressionado.

A mulher não deveria ter mais que vinte e sete anos. Sua pele era pálida, seus lábios perfeitos e pintados de um rosa claro que a deixava parecendo uma boneca. Cílios longos e negros sombreavam olhos de um azul profundo. Ela o olhava com curiosidade, parecendo uma criança que acabara de ganhar um novo presente e não sabia qual utilidade tinha.

Harry ergueu uma sobrancelha e assentiu.

"Sou eu."

"Olá, Sr. Potter." A mulher cumprimentou sorridente. Seus dentes eram perfeitamente alinhados e brancos. "Estava ansiosa para conhecê-lo. Sou Lauren McFly."

Os lábios de Harry se partiram de maneira inconsciente e sua cabeça rodou em descrença. Percebeu que deixara sua varinha em cima da mesa, junto ao resto de seus pertences, e o coração acelerou dentro do peito.

Aquela mulher era a culpada do sofrimento de Draco e quem matara Narcissa Malfoy?


Nota da Beta: Aiiii cap cheio de pormenores não? Quem ai não esta ansioso pra ler a continuação? Se vc esta é bem simples, so deixar um review, fazer um autor feliz que assim ela posta rapidinho ^^ E eu aposto q a Lauren é uma vadia xD shaushuahsuah. Maltratou o nosso loirinho lindo. #pega o Dray no colo, e o Harry olha desconfiado pra Beta louca q adora o Draco# srsr

Ate o próximo cap.

Nota da Autora: O que acharam da Lauren? Ela é linda, não? Acham que ela é culpada ou é só delírio do Draco devido a tantas drogas que tomou? Mauahauaha. O que será que ela quer com o Harry? No próximo capítulo acaba o suspense e Draco e Harry vão se casar, e o que rola em seguida? Adianto que noite de núpcias é no capítulo quatro xD ambos, três e quatro, já estão devidamente escritos, então o próximo não vai demorar.

Muito obrigada mesmo a todas as pessoas que comentaram! Eu jamais esperaria assim tantos comentários positivos, e fiquei realmente feliz com cada um deles! E nem devia postar o capítulo agora, só quinta que vem, mas vocês foram tão lindos! *abraço coletivo*

P.S.: Talvez aurores são usem farda, mas acho tão sexy que não resisti! O mesmo vale pra Inomináveis. Sou culpada, tenho fetiche por homens fardados. E sobre os sobrenomes, achei melhor que um dos dois perdesse o sobrenome, porque aquilo de "Draco Potter-Malfoy ou Draco Malfoy-Potter" é bem chato pra mim. Não consegui ver o Draco aceitando perder o dele, porque ele tem um orgulho que só desse sobrenome! Então imaginei que o Harry aceitaria melhor isso.

E eu peguei mania de escrever N/As muito longas. Obrigada quem leu *.*

Respondendo aos reviews anônimos:

FranRenata: Eu sempre vou gostar mais do Draco do que do Harry. Ele realmente é um divo em qualquer circunstância. *.* Obrigada por comentar, e fico feliz que esteja gostando!
Ane Marie: Oi, querida. Sempre fico muito feliz com seus comentários, e também por você acompanhar o que eu escrevo. Espero que também goste desse capítulo.
Anabelly: Tem muitas fanfics boas em andamento no momento, linda, mas mesmo assim obrigada pelo elogio :* Não demorarei pra atualizar não, pode deixar. Já tenho cinco capítulos prontos e mais em andamento. Espero que continue gostando.
Alexandra: Draco realmente é uma figura xD Sempre acho difícil caracterizá-lo, então fico feliz que você esteja gostando dele, rs. Obrigada pela review!