É gente, eu precisava fazer a continuação dessa fic, porque eu amo demais esse anime e queria matar a saudade desses dois :3

Para quem não sabe no Japão é costume dar em retribuição um mês depois, ou seja, 14 de março, presentes ou doces a quem te presenteou no dia dos namorados. A data é conhecida como White Day. E vamos a resposta de "Chibimi" hihi!


Oden-choco - by Anjo Setsuna

Chibita tamborilava com os dedos o balcão da barraca de oden, lembrar da fita azul brilhante e cheia de glitter ainda lhe dava arrepios, e um leve rubor na face, nem mesmo ele sabia se era de horror ou de vergonha. Quando a luz deixava o tom mais brando lhe dava agonia, pois uma garota de cabelos marrons aparecia em sua mente de forma vaga.¹

Num piscar de olhos passou um ano, tudo bem que ele havia comentado sobre ganhar honmei-choco*, mas não imaginava que aquele ser doloroso iria se lembrar. Agora precisava retribuir, pensou.

— Arg, aquele idiota! Isso é coisa de garotas! - bagunçou os ralos cabelos que tinha em desespero. - Se fosse oden seria mais fácil…

Como se uma maçã tivesse caído em sua cabeça, o pequeno adolescente correu para o laboratório da escola em busca de seu professor de ciências, Dekapan.

xXxXx

— Humm pêssego? Este ano estão mais empenhadas.

Todomatsu mordiscava um pedaço do bombom recheado, era a última caixa da pilha ganha de doces que sobrara do Dia dos Namorados. Estranhou a caixa tão ricamente decorada sem cartinha de confissão nenhuma. Logo o alerta do LINE piscou na tela de seu smartphone, tirou algumas selfies e encarou o pátio da escola pela janela da sala de aula. Viu um "nanico irritante" passar correndo. Fez uma carranca tão feia, que jurariam ser de outro mundo.

— Passando mal?

O cheiro de café chegou nas narinas do Osomatsu caçula antes da voz, causando um sobressalto.

— Atsushi-kun! Não, não, apenas pensei ter visto um cocô de pombo na janela hahaha!

— Hum…

Todomatsu coçou a nuca sem graça, tentando disfarçar seu desagrado, ainda lhe revirava o estômago toda vez que via Chibita. Pegou mais um bombom da caixa e ofereceu ao seu colega de classe, enquanto mastigava outro.

Atsushi olhou hesitante, franziu as sobrancelhas com a oferta e suspirou, parecia derrotado.

— O que foi? É gostoso! Não tem cartinha, deve ser uma garota muito tímida.

O Matsuno sorriu travesso, pegou finalmente o último da caixa e ia jogar a embalagem fora.

— Você não olhou embaixo da tampa da caixa, certo?

— Hum? Embaixo? Quem colocaria algo ali? E se esbarra nos doces? Não é muito inteligente não acha?

Todomatsu riu como se tivesse falado algo tão óbvio que até Karamatsu não faria, não percebeu o leve rubor na face de seu colega de classe, com seu costumeiro sorriso felino resolveu investigar a tampa, achando um discreto bilhete envolvido em plástico protetivo.

— Ah! É verdade, agora me lembrei, você colocou esse na pilha junto com as garotas da sala, vamos, vamos, me diga como ela é, quando ela pediu pra você entregar?

Atsushi suspirou novamente, se levantando para saída da sala, acenou para o Matsuno com um pequeno sorriso antes de se retirar.

— Já foi entregue, o trabalho de ler as confissões dos chocolate é seu.

xXxXx

— Ora, ora-dazu, Chibita-kun, é claro que posso ajudar com seu presente de White Day! Em Akatsuka não vai ter oden Hiyashi* para vender, ainda está frio. Que tal ao estilo Nagoya*? Você pode usar meu laboratório, acho que tenho todos os ingredientes.

— Nagoya? Ei velhote, se explique.

Dekapan riu da cara desconfiada do garoto, perambulou pelo laboratório, pegando alguns vasilhames para cozinhar, tirou alguns potes das prateleiras mais altas, deixando em cima da bancada.

— Ora, ora-dazu. Você trabalha numa barraquinha e não sabe? - sorriu alegremente e pegou um caderno de anotações - Falta alguns temperos pro caldo. Se quiser começar, eu volto logo. Não mexa em nada-dazu!

— Oi!? Você ainda não me disse o que é!

Chibita encarou a receita no caderno, fez beicinho emburrado, só porque ele trabalhava em uma barraca de Oden não significava que era um expert. Começou seguindo as instruções, olhou o relógio apreensivo, cozinhar todos os ingredientes separados levaria um tempo que ele não sabia se teria.

— Ah então eles fazem o caldo doce? Que diabos! Esse velhote me enganou, isso não deve prestar. Se eu for na loja de conveniência ainda deve ter algum oden enlatado decorado…

Suspirou em derrota, lembrou dos dedos machucados de Karamatsu quando lhe entregou o chocolate no dia dos namorados, ele não podia dar algo pronto, devia ser feito por ele também. Suas bochechas ficaram vermelhas, a vergonha com tais pensamentos lhe fez rir de si mesmo e começar o caldo do oden, enquanto o resto cozinhava.

— Aquele velhote da barraca merece um crédito, fazer oden é trabalhoso demais, que inferno, por que tudo tem que ser cozido separado e só depois juntar no caldo pra ferver? É bom aquele sobrancelhudo comer tudo, senão…

Uma veia de irritação saltou de sua testa, continuou lendo a receita e sentiu falta de um dos temperos. Logo na parte crucial de cozinhar tudo junto, xingou baixo, procurou com olhar nas prateleiras, bem em cima tinha algo que parecia o que procurava. Subiu na bancada, esticando bem nas pontas dos pés, para ver se alcançava. Quando conseguiu tocar com as pontas dos dedos nas mãos, escorregou um dos pés indo com tudo para trás. O pote veio junto, espalhando todo conteúdo por cima dele, resmungou com o baque nas costas no chão.

— Chibita-kun! Mas o quê? Eu disse para não mexer em nada!

— Ai…

Dekapan olhou arregalado para a cena no chão.

xXxXx

O entardecer já estava chegando, Karamatsu olhou apreensivo para a tela do celular. Era raro Chibita marcar algo, e ele não era de atrasar tanto daquele jeito. Suas bochechas que mais cedo estavam coradas ao imaginar receber seu presente de White Day, agora estavam coradas devido ao frio do restinho de inverno. A praça que combinara encontrar com Chibita já estava ficando deserta.

— Ei, idiota! Desculpa a demora.

O Matsuno quase caiu de susto do banco que estava sentado, a voz fina lhe espantou mais que tudo, na sua frente Chibimi estava presente com direito ao avental de babados.

— Chibi...mi?

Karamatsu viu a cor do rosto de Chibita mudar de tom e um sorriso irritado surgir no baixinho. Desde a confusão com Todomatsu, o garoto nunca mais encontrou Karamatsu naquelas vestes, que usava apenas quando seu patrão pedia na barraquinha de Oden.

— É tudo sua culpa, seu idiota maldito…

Escutou os resmungos do pequeno garoto que mais pareciam maldições sinceras, um calafrio passou por sua espinha, colocou seus óculos escuros no rosto como de costume e se aproximou. Pigarreou sem graça e ficaram se encarando.

— Tu-tudo bem? Você…

— Me lembre de nunca mais entrar no laboratório do Dekapan!

A voz feminina surpreendeu novamente os ouvidos de Karamatsu, ele ficou com receio de perguntar o que havia acontecido, a cara irritada na pequena garota a sua frente conseguiu lhe dar mais medo do que nunca. Logo uma delicada embalagem foi entregue em suas mãos, com um aceno de cabeça Chibita lhe incentivou a abrir, o cheiro doce se espalhou junto com calor da comida e das mãos que se tocavam gentilmente durante a troca.

— Oden-choco, he!

Chibita sorriu sapeca, parecia orgulhoso do seu feito. Karamatsu tremia todo, sem saber o que fazer, sua vontade de abraçar o garoto era enorme, mas o medo de apanhar com o ato também.

— Ei idiota! Vai derramar!

— Des-desculpe!

Rapidamente Karamatsu fechou a embalagem e colocou em cima do banco que estava sentado. Ergueu as costas de forma bem reta e se curvou após isso, em uma pequena reverência.

— Obrigado!

— Ei-ei! Idiota! Não precisa ser tão sério hunf…

Se encararam novamente, seus rostos vermelhos, Karamatsu ergueu timidamente uma das mãos, tocando os cabelos compridos de Chibimi, a peruca parecia realista demais, pensou. Se aproximou mais, seus dedos largaram os fios e percorreram as bochechas gentilmente, sentido a temperatura fria do tempo ali.

— Chibita… Eu… - hesitou - Hum…? O que aconteceu?

— Um pó esquisito no laboratório do Dekapan caiu em cima de mim. - as sobrancelhas de Karamatsu franziram em preocupação - Ah, não pegou na comida!

— Você está bem? - seus dedos que continuavam acariciando as bochechas pararam.

Um pequenino par de mãos tirou o que considerava horrível par de óculos do rosto de Karamatsu. Chibita sorriu com a preocupação genuína naquele rosto.

— Sim, ele disse que logo passa o efeito.

— Efeito?

Karamatsu não teve tempo de pensar, seus lábios foram cobertos timidamente pelos de Chibita, num beijo calmo, trêmulo e desajeitado, ele se posicionou melhor, envolvendo a pequena cintura melhorando o contato. Logo um puf foi ouvido e ambos se soltaram assustados.

— Fe-feliz Dia dos Namorados!

Chibita gaguejou sem jeito, seus cabelos voltaram ao normal e um pequeno volume de pano murchou em seu uniforme.

Karamatsu após o choque riu, finalmente percebendo que Chibita era uma garota completa até poucos segundos. O aperto na cintura no baixinho aumentou, logo ele foi erguido do chão por um Karamatsu risonho, que ignorou solenemente a tentativa de seu namorado de descer.

— Feliz Dia dos Namorados, Chibita! Por favor cuide bem mim.

— I-diota!

FIM Diabético.


*oden-choco: uma brincadeira com o sufixo -choco.

*honmei-choco – chocolate dado ao namorada/o.

*oden Hiyashi: é oden enlatado para ser consumido gelado. Admito que fiquei curiosa em um dia experimentar.

*oden estilo Nagoya: o caldo do oden é mais adocicado.

*giri-choco: É o chocolate dado para as pessoas que se tem alguma obrigação social, como chefes, clientes e colegas de trabalho do sexo masculino. O termo"Giri" significa "obrigação", portanto, estes tipos de chocolates não têm nenhuma associação romântica.

¹ Uma pequena referência a essa querida Fadinha que pode ser vista da fic de nome "Flores de plástico não morrem" aqui no fiction net no meu perfil.


"Vou te mostrar que é de chocolate, de chocolate que o amor é feitoooooo!"

Riariar *sorriso amarelo* Desculpa gente, eu só queria uma coisa coisa doce e despreocupada com esses dois. Feliz Dias dos Namorados, até pra quem só tem uma mão amiga :'D