Gisele POV
Eu abri meus olhos com dificuldade, sentindo as pálpebras pesadas. Franzi as sobrancelhas, tentando me acostumar com a baixa claridade do quarto. A dor continuou e eu inevitavelmente fechei os olhos de novo. Respirei fundo, sentindo um incômodo no meu rosto. Minha mão esquerda tentou tatear o que estava preso ao meu nariz, mas assim que eu me movi, senti as agulhas presas na minha pele do braço se mexendo. Tentei, então, mexer a mão direita, mas percebi que havia um peso extra e alguma espécie de tipoia impedindo que eu conseguisse tirar o braço do lugar. Resmunguei, sentindo minha garganta arranhar. Havia alguma coisa na minha boca também. O que estava acontecendo? Puxei o braço com mais força e senti uma dor aguda na pele conforme as agulhas voltaram a se movimentar. Resmunguei outra vez e outro arranhão machucou minha garganta. Respirei fundo e continuei a tentar me mexer. O tubo que estava na minha boca começou a ficar mais incômodo e eu tossi, sentindo sua movimentação na minha garganta. Merda. Onde eu estava?
"Gisele". Ouvi uma voz conhecida e parei, tentando olhar pra quem quer que fosse. Assim que rolei meus olhos, encontrei Hobbs de pé, ao meu lado. "Está tudo bem, você está no hospital".
Olhei em volta com mais atenção e vi uma série de aparelhos e monitores ao lado de Hobbs, que faziam um som contínuo e irritante. Fechei os olhos mais uma vez e a última memória que eu tinha me invadiu como um flash, fazendo com que eu abrisse os olhos mais uma vez. Agora eu sabia o porquê de estar aqui. Eu não tinha morrido. Aquilo me deixou agitada e eu tentei me levantar, sentindo dor em tantos lugares, que eu não podia sequer contar. Grunhi, ouvindo minha própria voz pela primeira vez. Não que eu não estivesse feliz em ver Hobbs, mas onde estava todo mundo?
"Se acalme" Ele pediu e eu ignorei, tentando livrar minha mão esquerda para arrancar o aparelho do meu rosto. Resmunguei de novo e olhei Hobbs, implorando que ele tirasse tudo aquilo de mim. "Você só vai se machucar se continuar a se mexer; fique quieta". Ele olhou pela porta e logo um médico chegou. Minha agitação não desapareceu e eu continuei a me debater. Será que ele não podia entender que eu só queria respirar por minha própria conta? Aquele aparelho estava me sufocando. Tentei falar, mas tudo que saiu foi um bocado de grunhidos e resmungos. O médico aplicou algo em um dos acessos na minha veia e eu puxei o braço, tentando evitar que ele fizesse aquilo. Eu realmente odiava ser submetida a algo contra a minha vontade. Minha mente foi ficando leve e meus músculos relaxaram, mesmo que eu ainda me sentisse agitada. Olhei Hobbs mais uma vez e fechei os olhos, apagando.
Hobbs POV
Quando Gisele abriu os olhos, eu me levantei, ficando de pé ao lado da cama dela. Ela pareceu confusa por um instante, tentando mover seus braços presos aos aparelhos médicos. Eu fiquei em silêncio, imaginando que ela ainda não havia percebido o que estava acontecendo. Talvez ela não se lembrasse do acidente. Eu comecei a ficar tenso, pensando na possibilidade de ela ter perdido a memória ou ter ficado com alguma sequela grave. Quando Gisele chegou ao hospital, ela tinha um edema sério na região frontal do cérebro e, nas últimas horas, os médicos me disseram que ela poderia ter perdido algumas capacidades mentais. Eu respirei fundo e me aproximei mais, olhando diretamente seu rosto pálido.
"Gisele, está tudo bem. Você está no hospital" Disse.
Os grandes olhos castanhos giraram até me encontrar e ela pareceu me reconhecer. Ela olhou, então, os aparelhos que a cercavam e fechou os olhos, respirando fundo. De repente, os dois orbes se abriram de uma vez e ela ficou agitada, tentando sair da cama. Uma sensação de alívio ultrapassou meu corpo e eu respirei fundo, sem tirar os olhos dela. Parecia que ela tinha se lembrado dos momentos antes do acidente e agora estava tentando entender o que estava acontecendo.
"Se acalme. Você só vai se machucar se continuar a se mexer; fique quieta". Eu pedi e ela me ignorou, continuando a se mexer e a tentar falar, mesmo com o tubo de respiração na boca. Gisele parou por um instante e me olhou diretamente, com um pedido bastante óbvio para que eu a tirasse dali. Apoiei minhas mãos na borda da cama e olhei o médico que observava nossa movimentação através de um vidro transparente. Ele rapidamente entrou na sala e aplicou um calmante na veia dela, que ainda tentou se mexer, resmungando. Sua agitação desapareceu aos poucos conforme ela voltou a dormir, com a mesma expressão confusa no rosto.
Eu respirei fundo, começando a me preparar para o que viria. Nunca fui bom em lidar com essas coisas, mas eu teria que ter calma para conversar com Gisele. Primeiro porque ela ainda estava frágil e segundo porque eu sabia que seria difícil convencê-la a fazer o que eu precisava.
Gisele POV
Assim que eu abri meus olhos de novo, me sentindo meio grogue, eu vi Hobbs novamente. Ele era a última pessoa que eu queria ver ali, já que estava com raiva por ele ter deixado me doparem daquela forma. Antes que eu pudesse fuzilá-lo com o olhar, eu respirei fundo e percebi que o incômodo na minha garganta havia desaparecido. O volume de aparelhos no meu rosto também desapareceu e eu ainda estava deitada, embora a cama estivesse ligeiramente inclinada e eu já pudesse olhar diretamente para os aparelhos, sem ter que mexer o pescoço. Isso permitia que minha mão alcançasse meu rosto e eu assim fiz, checando se aquele maldito tubo havia sido mesmo tirado de mim. Assim que eu confirmei a tese e toquei minha própria pele, respirei de novo e fechei os olhos por um instante. Eu quase não podia acreditar que havia acordado. Quando eu soltei as mãos de Han, tive a certeza de que aquele era o fim da linha pra mim. Não havia chance alguma de eu sobreviver a uma queda daquelas, na velocidade que estávamos. Pela dor que eu sentia, eu sabia que provavelmente havia ficado muito machucada. Meus ossos pareciam ter sido moídos e meus músculos estavam duros feito pedra. Eu agora conseguia ver minha perna e mão engessadas, além de uma infinidade de curativos e cicatrizes.
"Onde eu estou?" Perguntei, com a voz rouca.
"Ainda na Espanha". Ele explicou, cruzando os braços. "Você está em um hospital militar, mas vai ficar bem".
Passei a mão pela testa até a raiz dos meus cabelos, tentando amenizar a dor de cabeça que sentia. O quarto não tinha janelas e eu não via mais ninguém ali, me deixando totalmente desnorteada, sem referência alguma. Eu já não tinha mais nenhum corte aparente e meus hematomas estavam todos curados, o que me levava a pensar que eu já estava aqui há algum tempo. Onde estavam os outros, então? Será que mais alguém havia se machucado?
"Onde está Han? Mia está bem? Dom, Brian, Roman, Letty..." Eu continuei a enumerá-los.
"Estão todos bem" Hobbs me cortou, ficando em silêncio. Eu tinha certeza que eles estariam do meu lado no hospital, não importasse quanto tempo eu passei aqui.
"Quanto tempo?" Inquiri, continuando com o interrogatório.
"Seis meses"
"Seis meses?!" Repeti, arregalando meus olhos. "Como eu fiquei seis meses desacordada?"
"Você quase morreu, Gisele. Ficou em coma induzido enquanto passou pelas cirurgias e para se recuperar do trauma cerebral". Ele continuou a explicar e eu cerrei os olhos, passando a mão pelo rosto. Seis meses era tempo demais. Han deveria estar enlouquecendo a essa altura e eu não conseguia nem imaginar tudo que perdi. "É um milagre que esteja viva".
"Quais cirurgias?"
"Você teve que colocar pinos de titânio em três vértebras, na clavícula e no joelho. Quando chegou aqui, você tinha um edema cerebral grave, além de uma hemorragia interna pela ruptura do baço. Você também teve falência de um dos rins".
Eu soltei uma grande quantidade de ar pelo nariz, desviando o olhar de Hobbs. Foi muito pior que eu pensava. Eu havia sido totalmente reconstruída depois do acidente e eu começava a imaginar como seria quando eu tentasse me levantar da cama. "Tenho alguma sequela?"
"Aparentemente não. A única incerteza era sobre suas capacidades mentais: memória, falar, enxergar..." Hobbs se aproximou, recostando-se à cama. "Mas pela quantidade de perguntas que você está fazendo, tenho certeza que está bem".
"Han deve estar maluco" Cogitei, não evitando um baixo riso. Não tinha graça alguma; eu havia virado quase o Frankenstein, mas eu mal podia esperar pra ver Han novamente. "Onde ele está? Aliás, onde está todo mundo?"
Hobbs ficou em silêncio e meu riso desapareceu gradativamente. Aquilo era um péssimo sinal.
"Você disse que eles estavam bem"
"E eles estão." Ele explicou, ficando calado novamente. Um tremor atravessou meu corpo e eu olhei pra Hobbs novamente. Não era possível que todos haviam seguido em frente sem mim. Han não seria capaz de me deixar à beira da morte e simplesmente ir embora. Eu conhecia minha família; eles não fariam aquilo. Era estranho que nenhum deles estivesse lá e nem tivesse deixado sinal algum. Eles eram livres agora, não tinham mais dívidas com a polícia e poderiam ficar ali. Ninguém seguiria em frente, a menos que...
"Eles não sabem que eu estou viva". Acusei, arregalando meus olhos.
"Nem eu sabia até algumas horas atrás". Hobbs explicou e eu me mexi, agitada.
"Eles estão vindo pra cá? Eu quero falar com Han agora" Exigi, travando minhas mandíbulas.
"Han está em Tóquio". Disse. Eu estanquei, olhando o piso claro do quarto. A nossa conversa na escada da oficina voltou à minha mente e minha cabeça girou. Eu levei uma das mãos à testa, fechando os olhos.
'Que tal ficarmos em um só lugar?'
'Onde você está pensando?'
'Tóquio, você sempre falou sobre Tóquio'
'Tóquio, então'
Era impossível imaginar a dor que Han estava sentindo. Os olhos dele, a mão estendida em minha direção e o grito cortante foram as últimas coisas que eu registrei antes de atingir a pista de concreto, mergulhando na escuridão. Seis meses haviam se passado, mas o tempo congelou naquela noite, pra mim. Han havia ido pra Tóquio sozinho, pensando que eu estava morta. Eu senti as primeiras lágrimas se acumulando abaixo dos meus cílios e olhei Hobbs novamente.
"Shaw também está em Tóquio" Hobbs completou. Senti outra vertigem. O ar fugiu dos meus pulmões em um instante e eu arregalei os olhos.
"Owen escapou?" Perguntei.
"Não. Owen está morto. Ian, o irmão mais velho, quer vingar a morte de Shaw" Ele explicou, aproximando-se mais de mim. "É por isso que você tem que continuar morta".
"Se ele está em Tóquio, deve haver uma razão. Temos que tirar Han de lá" Eu avisei, começando a ficar inquieta. Eu estava realmente disposta a me levantar daquela cama e a pegar o primeiro voo pra Tóquio.
"Nós vamos garantir que Han esteja a salvo, mas não é tão simples assim". Hobbs me olhou diretamente. "Mesmo que você fuja com Han, Shaw já se mobilizou o suficiente para pegar vocês dois onde quer que estejam. E se ele sair de Tóquio, vamos ficar cegos novamente, sem imaginar onde ele está" Ele respirou fundo, fechando os olhos por um instante. "Demorei dois meses para localizar Shaw e tive sorte em descobrir que ele está no Japão. Está ficando cada vez mais difícil prever seus próximos passos e, sabendo que ele está em Tóquio, planejando encontrar Han, nossas chances de pegá-lo crescem consideravelmente".
"Você quer que eu concorde com isso?" Eu ri de maneira sarcástica, começando a ficar irritada. "Você quer fazer de Han uma isca viva".
"Eu e você podemos cuidar de Shaw antes que ele faça qualquer coisa contra Han. Você sabe que o melhor plano é atacar, não se defender".
"Eu e você?" Repeti. "Você é um agente federal, onde está a sua equipe?"
"Eu não tenho mais uma equipe" Hobbs ergueu o queixo levemente, me encarando por baixo dos cílios longos. "Desde que eu deixei Owen ir, para que Mia não fosse morta, eu perdi uma série de permissões".
"E por que é que você não avisou ao Dom? Ian deve estar com raiva de nós, mas por que ele iria atrás de Han antes de ir atrás de Toretto?" Argumentei. Não parecia lógico que Shaw seguisse essa ordem dos fatos.
"Você já ouviu falar em dividir para conquistar? Han vai ser o primeiro da lista e vai servir como um aviso. É assim que Shaw vai atingir Dom. Ele vai começar matando as pessoas do time que não estão próximas a Toretto"
"Se avisássemos todos, isso não seria um problema". Cruzei meus braços.
"É impossível cuidarmos de todos de uma só vez, Gisele. Mesmo que Dom venha pra cá com Brian e o resto da família e que busquemos Han, ainda não vai ser possível garantir que todos estejam seguros. Da última vez, mesmo com o time reunido, eles sequestraram Mia e você acabou morta" Hobbs continuou, levantando-se da cama. "A nossa melhor alternativa agora é pegar Ian Shaw, antes que ele desapareça de novo. Para tanto, ele tem que imaginar que não está sendo monitorado. Provavelmente ele já sabe que eu estou tentando encontrá-lo, mas você vai acompanhá-lo de perto, sem que ele desconfie; porque, afinal, você está morta".
Merda. Fazia todo sentido. Embora eu imaginasse que todos os argumentos de Hobbs fossem meramente palpites, já que ele não podia mais ter acesso a todo aparato de espionagem, ele tinha bastante experiência com os piores criminosos. Eu havia pensado em cumprir o plano de pegar Shaw ao lado de Han, mas certamente quando eu entrasse em contato com ele, Ian descobriria e eu também passaria a ser um alvo. Pra piorar, além de tudo, eu precisava me recuperar. Eu não podia sair por aí fazendo as mesmas coisas de sempre antes de ter certeza que eu havia entrado em forma novamente, porque, caso contrário, além de ser um alvo, eu me tornaria um alvo fácil.
"Nós vamos pegar Shaw e eu vou ter a minha vida de volta". Condicionei, vendo Hobbs abrir um meio sorriso.
"Combinado". Ele estendeu a mão pra mim, como quem fazia um acordo. Revirei meus olhos e apertei a mão dele, ainda sem ter muita certeza sobre aquilo.
"Quando vamos pra Tóquio?" Perguntei, ansiosa.
"Em alguns dias você terá alta. Até lá, eu vou conseguir novos documentos pra você e tentar coletar mais pistas sobre Shaw".
"E Han?!" Inquiri.
"Han está a salvo, por enquanto. Enquanto ele mantiver negócios com a máfia japonesa, Shaw não pode se aproximar sem ser pego". Hobbs explicou e eu quase não pude piscar, inconformada. No fundo, um sorriso quase escapou pelos meus lábios quando eu percebi que Han não havia mudado nada. Me preocupava, no entanto, ele ficar entre a mira de um psicopata vingativo e a Yakuza. Era loucura. Meu peito se apertou com o sentimento ruim que aquela decisão me trazia, mas ainda assim, eu não conseguia pensar em uma opção melhor. Eu não queria perder mais ninguém da minha família e, se o custo disso for ficar longe de Han, é um preço que eu poderia pagar.
Cerca de uma semana se passou até que Hobbs finalmente conseguiu a minha liberação e meus novos documentos. Saímos da base militar direto para o aeroporto e, com o frio de Madri, os pinos colocados nas minhas fraturas causavam uma dor intensa. Eu reparei no quanto havia emagrecido, além dos cortes e cicatrizes que meu corpo ganhou depois do acidente. Eu definitivamente estava vulnerável. Embora estivesse fazendo fisioterapia desde o dia que acordei, ainda era incômodo andar, comer e até fazer atividades simples como movimentar meu ombro direito ou abaixar para pegar qualquer objeto. Eu sabia que precisava reaprender a fazer muitas coisas, mas não tínhamos tempo agora. Peguei minha bolsa, olhando o passaporte que Hobbs me deu hoje cedo. Meu novo nome era Natalie Kriger. Franzi minhas sobrancelhas, sabendo que aquele sobrenome ainda tinha origem israelense, assim como eu.
"Não parece óbvio demais que eu continue a ser israelense?" Perguntei.
"Como você acha que podemos explicar seu sotaque?" Hobbs olhou pra mim por um instante, com um brilho divertido nos olhos.
"E por que Natalie?"
"É temporário. E foi Elena quem escolheu" Ele se defendeu.
"Elena também sabe que eu estou viva?" Eu estava surpresa. Depois que fomos atrás de Letty, Elena havia dito que deixaria a carreira.
"Sim, foi ela quem te identificou na Espanha". Hobbs acenou, voltando a olhar a estrada.
"E onde ela está?"
"Ela voltou para o Brasil há alguns dias para tentar me ajudar com algumas coisas que precisaremos e depois irá para Tóquio". Explicou, entrando em um dos acessos do aeroporto.
"Eu pensei que você estivesse sem sua equipe" Disse, pegando minha bolsa e descendo assim que alcançamos o estacionamento.
"E eu estou. Elena está fazendo isso por vocês". Hobbs desceu também, abrindo o porta-malas. Elena era uma boa pessoa, eu imaginava que ela não fosse nos deixar na mão agora.
Ele pegou a pouca bagagem que estávamos levando e saiu, indo em direção ao saguão do aeroporto. Eu o segui, sentindo ainda a dor pelo meu corpo. O gesso que prendia minha perna esquerda já havia sido retirado, mas o da minha mão teria que ficar comigo por mais alguns dias. Hobbs me disse que eu esmaguei os ossos dos dedos na queda e que quase perdi os movimentos da mão. Eu ficaria profundamente irritada se isso tivesse acontecido e eu nunca mais pudesse dirigir uma moto. Aliás, eu estava com saudades daquilo.
Fizemos o check-in e seguimos para o avião. Eu não sabia exatamente como seria quando eu chegasse em Tóquio, mas ainda era estranho pensar que eu estaria presente na vida de Han sem que ele soubesse. Quanto a isso, eu tinha que me policiar bastante, para que eu não estragasse tudo. Eu sempre estive preparada para me infiltrar, mas era difícil aplicar todo meu treinamento para defender alguém que eu gostava. Todo cenário mudava. Eu tinha que me proteger e proteger Han ao mesmo tempo, além de me esconder de Shaw. Respirei fundo, atando o cinto da minha cadeira no avião. Só o destino sabia o que me aguardava em Tóquio.
