- Parte 2 -

Madame Pomfrey, ao avistar as três garotas, disfarçou e tentou fechar a porta da ala hospitalar, mas a perspicaz Christine percebeu.

- Ah, não senhora! - ela disse em seu tom de voz ligeiramente alto - Temos uma pessoa... Er... Embriagada.

- De novo? - exclamou Madame Pomfrey - Mas quase todo dia essa menina tá assim! Eu vou precisar falar com o Dumbledore, viu!

- Nós já falamos - Anne disse baixinho.

- E então?

- Ele a chamou para tomar um golinho de licor.

- Velho fanfarrão!

Uma vez que a amiga estava sendo tratada com glicose mágica, Anne e Christine voltaram ao jardim, que ia ficando cada vez mais cheio.

- Que Ronaldo! - exclamou Anne com as mãos na cintura - Isso aqui está parecendo o Sesc Itaquera!

Anne imaginou que ouviria a risada estridente da amiga, e como a garota estava no mais absoluto silêncio, ela resolveu checar, e o que encontrou foi uma Christine paralisada.

- Por Michael! Ela foi petrificada! Chris! Chris!

- Eu? - sua expressão era sonhadora.

- Pronto, agora parece a Lovegood.

- Oi?

Vendo que não tinha outro jeito, Anne resolveu olhar na direção em que sua amiga tinha os olhos fixos. Ninguém mais, ninguém menos que Severus Snape, estava estendido à beira do Lago Negro, tomando sol, sem camisa, com os cabelos jogados para trás.

- Uh la la! - disse Anne - Agora vejo o que toda aquela roupa preta escondeu!

- ¬¬

- Será que ele não precisa de uma nova Lily?

- Será que o Lupin não precisa de uma enfermeira para aqueles arranhões? Olha, que ele gostou dessa fantasia, riri.

Com um pulo, Christine escapou da amiga, que tentou acertá-la com um soco.

- Tá com ciúme, Anne? - provocou.

- Não, é só que...

- Bom, vou lá tomar um sol com Snape.

- Mas Chris, você não gosta de sentir calor nem nos braços!

- Mas gosto em outras partes!

Christine, então, partiu para onde Snape estava tomando sol, tranquilamente, e Anne foi em seu encalço.

- Oi, professor - disse a garota - posso usar um pouco do seu Sundown fator 50?

- Fique à vontade, Srta. Lestrange.

Realmente Christine ficou tão à vontade que tirou a roupa. Sim, ela arrancou a camisa e a gravata e ficou com sua saia e seu sutiã de oncinha. De repente Snape parecia mais gago que Quirrell.

- E... E... E sua m-mãe, como e-está?

- Louca, como sempre. Agora está apaixonada por Voldemort, mas não conta para o meu pai. Mamãe diz que ele não dá no tranco, mas quer manter as aparências.

- É, eu sempre achei, realmente, que Rodolphus cortava para o lado do Richarlyson.

- Papai tinha um caso com Dolohov.

Snape ficou com uma cara de assustado.

- Que foi, Sev? Isso é tão natural hoje em dia! Mas você fica lindo assim, assustado.

Anne deduziu que estava sobrando, e então resolveu ir dar uma volta. Caminhou sem destino pelo jardim, e quando se deu conta, já havia se embrenhado na mata.

- FUDEU! - gritou - Como eu vou voltar?

De repente, Anne percebeu que gritar não era uma boa idéia. Um monte de bichos estranhos começaram a aparecer aos poucos, encurralando a garota, definitivamente. Foi quando um lobo enorme, de pelagem castanha apareceu, botando todos os animais para correr. Anne também fez menção de sair, então ele, para evitar, assumiu a forma humana.

- Oi - disse sorrindo.

Anne avaliou o rapaz e cobriu os olhos.

- Ah, desculpe - ele disse constrangido, desamarrando a bermuda do tornozelo e vestindo-a - É o costume.

- Não, tudo bem.

- Jacob Black - disse, estendendo a mão.

- Anne Hale - a garota apertou-a - Prazer, e que prazer!

- Hale? Ah, não! Você é parente de Rosalie Hale, ou eu estou viajando?

- Uma prima bem distante.

- Sua prima é uma vaca.

- Eu sei.

Anne abaixou os olhos, e se arrependeu imediatamente, ao se deparar com certas coisas, diretamente proporcionais à estatura de Jacob.

- Mas o que veio fazer em Hogwarts? - disfarçou.

- Visitar um amigo. Remus Lupin.

- Por Merlim! Você é amigo do Lupin?

- Sim, sou. Por quê?

- Isso é que eu chamo de um ótimo círculo de amizade!

- Como, senhorita?

- Nada, nada. Bom, seja bem vindo! Qualquer coisa, mande chamar Anne Hale, certo?

- Você não tem medo de lobisomens? - ele disse marotamente.

- Tenho medo de não resistir.

Percebendo que havia falado demais, Anne se despediu rapidamente do lupino e pegou o caminho da roça, digo, do castelo, cantarolando: "Quem tem medo do lobo mau, do lobo mau, do lobo mau!"