Draco Malfoy encontrava-se no seu quarto na Mansão dos Malfoy. Havia uma particular mancha no tecto do quarto que ele achava bastante interessante.
Já estava a fixar aquela mancha há horas, mas não estava realmente a analisar a dita mancha. O Draco estava a imaginar novamente as costas da Misteriosa.
O dia depois do Baile de Mascaras, Draco tinha voltado para Hogwarts, durante toda a viagem reviveu os momentos da noite anterior, quando viu as costas da Misteriosa, e curiosamente apaixonou-se imediatamente por ela, a pele dourada que contrastava perfeitamente com a pele branca dele, a forma como a sua pele era suave.
Viu-lhe a cara, parcialmente, visto que ela insistiu em não tirar a mascara. De inicio, Draco pensava que os olhos dela eram dourados, devido ao contraste com a maquilhagem preta e a mascara prateada, mas quando ela olhava directamente para ele, pareciam que os olhos dela se tornavam castanhos-escuros.
A forma como os olhos dela brilhara quando ela finalmente olhou para ele directamente nos olhos, deixando-o mostrar-lhe a sua alma. Afinal os olhos são o espelho da alma. E o que o Draco viu nos olhos dela foi o suficiente para sentir o seu coração, que até então só tinha sido usado para uma pessoa, a sua Mãe, quebrou-se. A sua Misteriosa estava com medo, Draco fixou-a atentamente, ele queria perceber se estava com medo dele, mas reparou que ela estava sempre a olhar para as pessoas a volta deles.
Nesse momento Draco tento não sorrir de felicidade, ele não sabe se conseguiu não sorrir, mas decidiu trazê-la para mais perto dele, protegendo-a das outras pessoas na sala. Quando sentiu a mão dela na sua cara, Draco decidiu naquele momento que esta guerra tinha que acabar, e não seria o Snake Face a ganhar. Ele iria ajudar os outros a vencerem sem nunca revelar as suas intenções.
Imaginou-se a reencontrar-se com a Misteriosa e voltar a beija-la, voltar a tocar na sua pele suave, essencialmente voltar a estar com ela.
Procurou-a pelos corredores de Hogwarts, cada vez que ia a Hogsmeade ou Diagon-al, mas nunca a viu e Draco não queria imaginar o que lhe poderia ter acontecido, resignando-se a amaldiçoar-se por ter colocado a marca nas costas em vez da cara onde seria muita mais facilmente identificável do que andar a despir raparigas.
Foi imaginar-se de novo com ela, que ajudou o Draco a ultrapassar os seus dias em Hogwarts, a suportar os irmãos Carrow, a suportar as ordens do Senhor das Trevas, e principalmente a não matar a Bellatrix.
Aquela mulher representava tudo o que ele não suportava, até conseguia ser pior que a Granger. A tia Bella consegue irrita-lo, assusta-lo e deve ser a única criatura neste mundo que o pudesse levar a querer cometer homicídio contra ela. Mas Draco conseguiu até agora não sujar a sua alma, e não seria de certeza a sua querida tia a mudar isso nele.
- Draco, podes descer querido? – Perguntou Narcissa Malfoy.
Draco juntou-se a mãe no fundo das escadas, as mesmas escadas onde ele tinha visto a Misteriosa a subir no dia do Baile. O olhar do Draco fixou-se nas portas do salão, a espera que estas se abrissem revelando a Misteriosa. Como todas as vezes, nada acontecesse.
A mãe do Draco levou-o para a sala de estar. A primeira coisa que o Draco viu foi a louca da sua tia. 'Porquê que não lhe deram o Beijo.' Era o mesmo pensamento que lhe vinha a cabeça cada vez que tinha de estar na presença da tia.
A querida tia Bella explicou-lhe o que ele teria de fazer, e segundo os pais se ele conseguisse identificar o Potty e os seus amiguinhos, o Senhor das Trevas seria clemente para a sua família, perdoando os erros do pai.
Felizmente a cara do Potty estava deformada, sendo bastante fácil para ele não confirmar que era o Rapaz Que Sobreviveu. Depois mostraram-lhe a Granger. E ao vê-la, o Draco lembrou-se da Misteriosa e o medo que ela lhe tinha transmitido quando se encontravam numa sala cheia de Devoradores da Morte, se ela estivesse na posição da Granger, ela estaria a tremer de medo, enquanto a Granger está a tentar esconder o seu medo.
Draco voltou a dar uma resposta indirectamente deixando muitas dúvidas no ar. Ele só queria sair da sala durante uns momentos, era tudo o que ele precisava, só precisava de uns momentos. Mas a sorte nunca está em seu favor, então quando a tia descobriu que eles tinham a espada do Gryffindor, a mulher perdeu qualquer tipo de racionalidade, como se ela tivesse alguma vez sido racional.
Depois começou a tortura e o interrogatório para a Granger, cada vez que a tia aplicava o Cruciatus e que Hermione gritava 'Não sei', Draco tinha de morder a língua para não gritar 'Idiota, eles são Gryffindorks, estavas a espera de encontrar o quê com eles' para a tia. Cinco minutos depois de a tortura ter começado, Draco conseguiu sair da sala. E conjurou o Dobby o elfo, apesar de o pai ter tratado mal o Dobby, Draco gostava do elfo.
Quando o Draco voltou para Hogwarts depois do Baile, ele foi ter com o elfo e pediu-lhe desculpas por tudo o que o pai tinha-lhe feito, e agradeceu-lhe por nunca ter revelado ao pai que tinha sido o próprio Draco a contar ao Dobby o que o pai tencionava fazer com o diário.
Draco explicou ao Dobby que o Harry Potter e os seus amigos se encontravam na casa dele, e que ele tinha de os ajudar a sair. Dobby desapareceu imediatamente.
Draco voltou para a sala, onde se podia ouvir a Granger a gritar, ninguém tinha reparado que ele tinha desaparecido. Instantes depois viu o Weasel e o Potty, ninguem ainda tinha notado a presença deles. Draco posicionou-se de maneira a permitir ao Potty de o atacar, e assim voltar a ter as suas varinhas.
Nunca lhe tinha passado pela cabeça que tinha aplicado o seu plano na perfeição, ninguém notou que todos os seus movimentos eram calculados de maneira a permitir ao Trio de escapar. Os pais asseguraram-lhe que não tinha sido culpa dele, e que o Senhor das Trevas seria compreensível. Tanto Lucius como Narcissa eram completamente delirantes, o Senhor das Trevas é conhecido pela sua compaixão, ui, Draco sofreu duas longas horas de tortura.
Severus Snape fixava atentamente o Draco Malfoy, o seu afilhado. Não conseguia acreditar na história que ele tinha acabado de ouvir. Draco Malfoy tinha ajudado o Potter, o Weasley e a Granger a fugir da Mansão dos Malfoy. Quando o professor Snape perguntou-lhe a razão desta confissão, Draco olhou para o professor e disse numa voz calma:
- Eu sei onde anda a sua lealdade.
Snape não negou nem afirmou, manteve o olhar fixo no seu afilhado, e depois de alguns minutos, disse:
- Tenho uma missão para ti. Nos próximos dias, cada vez que o Senhor das Trevas der uma ordem a um dos teus amigos, segue-os, e controla-os, os teus amigos não tem o teu sentido de restrição.
Draco percebeu perfeitamente o que o professor estava a dizer-lhe, os seus amigos não tem as reservas que ele apresenta em relação a tirar a vida de pessoas até de desconhecidos.
Duas noites depois dessa maravilhosa conversa, a batalha final começou.
Havia um murmúrio nos corredores que dizia que o Harry Potter se encontrava no castelo. O primeiro pensamento do Draco foi que isso iria acabar, que era esta noite a última noite desta guerra. Independentemente do resultado, Draco iria deixar de ser um homem livre. Se o Potter conseguir destruir Snake Face, a sua família e ele iriam responder perante os Aurors e a Ordem de Fénix, mas se o Senhor das Trevas ganhar, vai ficar preso para sempre a marca do braço dele. com a Ordem não estaria preso a qualquer ordem, poderia escolher o que fazer com o seu futuro, teria escolha.
Estava na sala comum dos Slytherin, quando ouviu a voz do Voldemort a ecoar no castelo. Depois viu o Crabbe e o Goyle a saírem da sala, com um ar importante. O mesmo ar que apresentavam cada vez que o Draco lhes dava uma ordem. Lembrando-se do pedido do seu padrinho, o Snape, Draco seguiu os amigos. E apercebeu-se rapidamente onde é que estes iam, para a sala das Necessidades. Apressou-se a esconder-se dos seus amigos sem os perder de vista.
Instantes depois chegou o Potter com os seus dois amigos, entraram na sala, e quando a porta fechou, o Crabbe e o Goyle saíram dos seus esconderijos. Draco revelou-se, preparou-se para os atacar, impedindo-os de atacarem o Potter. Mas os outros dois tiveram um momento de inteligência e apontaram as varinhas para o Draco.
- connosco? Ou contra? – perguntou o Goyle.
Draco tinha apenas uns segundos para responder sem levantar suspeitas.
- Juntos – respondeu. Se precisava de ajudar o Potter até este conseguir destruir Snake Face, mais valia andar com os seus dois amigos evitando problemas.
Mas o Draco estava enganado, os seus amigos tinham aprendido uns truques enquanto estiveram com os devoradores da morte durante o verão. O fogo começou, queimando tudo a sua volta. Quando o Potter o ajudou, Draco queria agradecer, mas não teve tempo, desmaiou. Quando voltou a acordar, estava com esperanças de ver a Granger por cima dele a ver se ele estava bem, ou se calhar com um dos seus abraços que ela reserva sempre aos seus dois amigos estúpidos, mas não teve essa sorte, ele estava sozinho no corredor, não sabia onde andava o Trio.
Draco demorou a aperceber-se do que tinha desejado. 'Um abraço daquela coisa?' Realmente, ele estava mais intoxicado pelo monóxido de carbono do que previra, estava a delirar.
Durante a última batalha, enquanto o Potter e o Voldemort estavam a lutar, Draco entrou no salão grande sem dar nas vistas, ele era realmente bom nisso, e começou a procurar os pais. Encontrou imediatamente a mãe, e ficou aliviado por verificar que ela estava bem.
Assim que tudo terminou, Draco juntou-se a mãe, e sem nunca a perder de vista, começou a ver as pessoas a sua volta a colocar os corpos no chão. Draco queria ir agradecer a Mãe do Weasel por se ter livrado da querida tia Bella, mas depois de ver toda a família, mais o Potter e a Granger a chorarem, acho melhor fundir-se na decoração, continuando a não dar nas vistas.
Enquanto via a família Weasley, viu o Weasel e a Granger a beijarem-se. Sentido inveja do Weasel, ele perdeu tudo, a sua honra, não sabia o que o futuro lhe reservava, e o Weasel punha-se a beijar miúdas no meio do nada. Ele é que devia estar no lugar do Weasel a beijar a Granger e a ser confortado por ela. Bem, ele estava com ciúmes daquilo que o Weasel tinha, não do facto do Weasel ter a Granger.
Uma semana depois da guerra, Draco foi a julgamento em frente a Wizengamot, a Narcissa e ele, iriam ser os primeiros a serem julgados. O próprio Harry Potter ia testemunhar em favor deles, e mais uma testemunha anónima. Draco estava desejoso de ser saber o veredicto para poder procurar a Misteriosa.
Dois dias depois do julgamento, Narcissa e Draco foram condenados a três meses de convivência com muggles, não tendo direito a varinha, nem qualquer contacto com magia. Sendo o Draco obrigado a voltar para Hogwarts, no fim desses três meses.
Foi-lhes atribuído um apartamento, Narcissa tinha de trabalhar numa livraria que pertencia a um muggleborn, enquanto o Draco iria ajudar num centro de jovens em Londres.
Os três meses passaram-se sem problemas, a Narcissa aprendeu a cozinhar usando o equipamento de cozinha que lhe tinha sido dado, e Draco conseguiu criar umas amizades no centro.
Um dia antes de ele ter de voltar para Hogwarts, voltaram a mansão, mas depressa fizeram as suas malas, com o que mais precisavam, e algumas lembranças, mudando-se para uma casa com três assoalhadas em Londres.
O Senhor Davis, o dono da livraria muggle, tinha-lhes arranjado a casa, efectuou todas as papeladas necessárias. Levaram apenas dois elfos com eles, os únicos dois que não aceitaram roupa, não querendo deixá-los na mansão sozinhos. a mãe dele iria continuar a trabalhar com o senhor Davis, segundo Narcissa Malfoy 'O contacto com pessoas não mágicas que não sabem das atrocidades deste mundo é fantástico'.
Depois chegou o dia do Draco voltar para Hogwarts. Draco estava decidido em encontra-la, em ver a sua marca nas costas dela. A primeira pessoa que ele viu quando apareceu a Hogsmeade foi a Hermione.
