N/A: Continuação após quatro anos paralisada. Espero que gostem.


Quarto do Sono

Segunda Parte


Chá de Hortelã e Negação

Ino sempre gostou de tomar chá de hortelã, mesmo que fosse amargo e tão sem graça. Ela sentia prazer em notar os cantos do maxilar contraírem com o gosto amargo. Quando Shikamaru a convidou, entretanto, ela não tinha sequer percebido que tomava seu chá favorito.

- Tão pensativa. O que está acontecendo?

Ino escutou a pergunta, mas seus olhos continuaram fitando um ponto aleatório da árvore. Bebiam o chá ao ar livre, e o calor um tanto insuportável do verão de Konoha, era quase imperceptível.

- Pensando em Shino-san.

- Já faz uma semana, certo?

- Sim… Ele não demoraria tanto, ele é sistemático demais para isso.

- Sim… - o assunto morreu, por que na realidade aquela conversa tinha surgido várias vezes antes. - É curioso que você esteja tão apegada a uma pessoa tão sistemática.

Ela não negou. Ela não podia negar nada, pois receava estar mentindo sobre alguém já morta.


Notícias

Ela tinha terminado todo o serviço burocrático e entregado nas mãos do próprio Kakashi.

O Hokage não levantou a vista quando ela entrou, e Ino nem precisou abrir a boca para pedir informações.

- Não temos notícias, de nenhum dos membros na verdade. – neste instante, em razão do mínimo de sensibilidade que a situação exigia, Kakashi levantou o rosto para fitá-la – Eu lamento Ino.

Ela sabia o que isso significava, por isso quando foi dormir em sua cama e se lembrou dos olhos, da pele pálida e do semblante distante, Ino manteve-se controlada para não chorar. Naquela noite ela conseguiu, entretanto, quando completou duas semanas, ela chorou pela primeira vez.


Chorar

O choro era capaz de curar as pessoas. Ino decidiu. Pois no dia seguinte ela tinha voltado para floricultora e seu humor tinha voltada a ser exatamente como antes. Ela sorria para clientes, dava sugestões e dizia que rosas ainda eram românticas independente dos anos de casamento.

- Sete anos é muito…

Seu cliente tinha completado a frase, mas ela não escutou por que avistou de relance um ninja de cabelos escuros e uma cicatriz marcante no rosto. Pensou ser o mesmo ninja que saíra em missão com Shino, e por isso sem pensar duas vezes, saiu correndo e o puxou.

- O Aburame - ela não deu espaço para perguntas. - Ele voltou?

O ninja demorou para entender a situação, mas então seu olhos caíram. Os lábios de Ino ficaram pálidos.

- Ele faleceu em combate…

- O-oque? Como?

- Ele estava em meu esquadrão quando…

Ela decidiu que não era importante escutar a explicação. Correu, sem considerar o casamento de sete anos de seu cliente.

Quando entrou no grande lote dos Aburane ela esperava mais pessoas vestindo negro. Sabia que ali não morava todos os clãs, mas apenas os membros lideres e representantes com suas respectivas famílias. Ao aproximar da porta ela só viu uma única mulher vestindo um Yukata negro e se perguntou o que seria ela de Shino e se ela deveria ir lá dar suas condolências. Não teve espaço para isso, pois a porta foi aberta antes dela anunciar sua entrada.

- Yamanaka-san?

O pai de Shino vestia branco. A mulher atrás dele vestia um yukata florido. Estava atrasada para o luto? Será que os Aburames não ficavam de luto como era devido?

Quando Shino desceu as escadarias e a viu logo na entrada seu primeiro pensamento foi o mais prático possível. Ela se encontrava descabelada, com os olhos azuis avermelhados e em um estado deplorável. Ino sempre foi leve, pálida e limpa.

Agora ela parecia pesada, aflita e sem palavras.

- Ino… - seu chamado soou mais baixo que os seus pés sobre o soalho. Quando se aproximou seu pai já tinha girado o corpo, e ela se encontrava lá, frente a frente sem reação. - Aconteceu alguma coisa?

Ela não disse nada, só piscou, levou a mão até o peito e girou o corpo escondendo sua expressão. De imediato ele a puxou pelo o braço, mas não adiantou, ela já tinha desviado e saltado sobre o telhado.

Ele não correu atrás. Não podia fazer algo sem razão para fazê-lo.


Sua Falta

Não a viu por três dias, até que se esbarraram em um bar, ambos com seus respectivos times. Hinata tinha o convencido a sair, pois seu retorno inesperado tinha sido uma surpresa e todos já estavam tentando convencer a família a fazer um funeral.

- O corvo não chegou com os avisos?

- Que corvo maldito foi esse?

- Não amaldiçoe os animais, não é correto.

Kiba o ignorou enquanto ria ao avistar Shikamaru e Naruto no outro lado do bar.

O Nara. Seus olhos procuraram rapidamente a Yamanaka pelo bar. Queria vê-la. Queria conversar com ela. Mesmo que ele não soubesse o que deveria ser conversado.


Sua Falta II

O viu assim que saiu do banheiro. Pensou um instante, sentindo o coração acelerar. Usava as roupas ninjas, com a mesma cara pálida e inexpressiva, a mesma responsabilidade imutável. Ele não tinha feito nada. Nada. Nem olhado, nem falado, nem avisado. Simplesmente tinha chegado em Konoha. Sem procurá-la, sem se importar de dizer que tinha corrido tudo bem.

Ele não tinha culpa. Não tinha culpa da sua ingenuidade e vontade insana de vê-lo, de conversar com ele, de tocá-lo, e senti-lo por perto.

Tentou disfarçar, mas quando chegou à mesa, Kiba já próximo, sua desculpa de que deveria ir embora não convenceu ninguém. Pelo menos não Shikamaru ou Chouji.

Os dois sempre sabiam tudo sobre ela. Depois de anos era inevitável.

- Vou indo. - não disse mais nada e saiu pela porta em que não seria obrigada a passar por ele.


Sua Falta III

Ela estava fugindo e ele não soube por que. Não soube dizer tambem por que ele imediatamente a seguiu dessa vez. Talvez tenha tinha sido a vontade frustrada ao vê-la sair.

- Ino. - a voz saiu baixa novamente. Desviou em um último instante de um casal que acabara de entrar.

A viu no final da rua, e quando a alcançou eles já estavam em um lugar com poucas pessoas, de terra batida, com luzes de velas faiscando sobre os abajures de papel.

- Ino! - a chamou, e teve certeza que ela nunca tinha escutado sua voz tão alta. Ela parou com brutalidade - O que está acontecendo?

Não tinha cerimônias. Shino nunca tinha cerimonias.


Sua Falta IV

- Shino-san. - ela disse fingindo um sorriso educado. Aquele sorriso de cumprimento. - Desculpa não tê-lo cumpprimentado…

- O que está acontecendo?

Ele nunca tinha cerimonias. Ela por instante pensou eu tambem não ter.

- Quando você voltou?

- Há três dias.

- E você não pensou em me avisar?

Sentiu-se ridícula perguntando, mas a voz já tinha saído e os braços cruzados já estavam lá. O vermelho na face também o coração palpitando nunca tinha deixado de palpitar, entretanto.

- Eu pretendia, mas você saiu sobre meu telhado.

- Eu pensei que você tinha morrido.

- Todos pensaram.

- Eu pensei que eu estava ridícula naquele estado.

- Realmente estava.

Ele nunca tinha cerimônias, mas isso não a incomodava. Era ele, e naquele principio tudo nele poderia ser qualquer coisa.

- Quando você ia me avisar?

- Logo depois que eu entregasse o relatório.

Ela suspirou pelo nariz. Eles ficaram em silêncio. Ela sabia que estava sendo a garota mais boba, infantil e incontrolável nos últimos três dias.

- Eu senti sua falta.

Quando ele disse aquilo, não se importou de ter sido a mais estúpida garota de toda Konoha. Só conseguiu dizer:

- Eu estava preocupada.

Sua face estava sorrindo.


Honestidade

Ele a deixou em casa dois dias depois quando convenientemente se esbarraram em uma barraca de pratos típicos de Suna. Quando ele e Kiba entraram na loja, o Inuzuka soube logo de cara que era coincidência demais que o Aburame tenha decidido logo uma restaurante como aquele.

A Yamanaka estava ali. Seu amigo tinha bom gosto para coxas, ele pensou quando, tomando a iniciativa, sentou-se na mesma mesa que ela e Sakura. Sem formalidades típicas de sua personalidade sentou-se ao lado da Haruno enquanto Sai encontrava-se no outro lado da mesa.

- Kiba. - Ino levantou uma sobrancelha - Você não cansa de ser tão educado?

- Relaxa, Ino, você vai ficar bastante feliz. - Ele levantou o braço - Shino, arrumei uma mesa pra gente.

Ela levou o chá até a boca. Mas Kiba percebeu que era indiferença demais para ser verdade. Ino nunca era tão discreta.


Honestidade II

Quando ele sentou ao seu lado Ino teve a impressão que uma camada quente surgiu entre eles. Como se o corpo sentado tivesse uma energia totalmente diferente que ela era capaz de sentir no tato. Quando ele sem querer encostou seu joelho em sua coxa ela não conseguiu disfarçar o sorriso no rosto, e nem tentara controlar o vermelho das faces. E quando tomou sua segunda garrafinha de saquê ela já não conseguia parar de observar como seu pomo-de-adão era grande e movia-se sexy quando ele bebia qualquer coisa.

O que a salvou foi o fato de que Kiba e Sakura estavam tão altos e alegres quanto ela.

- Você realmente não tem barba, não é?

Aquela era a pergunta que ele esperava para ter uma boa razão para levá-la para casa. Não para sua casa, para casa dela, antes que começasse a falar mais do que queria de fato.

- Não é Shino?

Ela repetiu, e ele suspirou.


Honestidade III

- Desculpa. - pediu constrangida quando já estavam diante do seu apartamento. - Eu bebi demais, estava dizendo muitas bobagens.

- Eu sei. - ele respondeu sério, enquanto tentava abrir a porta. Ela não estava em condições de achar a chave na própria bolsa. - Está tudo bem.

Ino suspirou alto e encostou-se na parede.

- Não está tudo bem. - deslizou-se pela parede sentando-se no chão. Enfiou o rosto entre as pernas. A voz saiu abafada: - Desculpa, mas minhas bobagens eram no fundo verdadeiras.

Shino por um instante não disse nada. Afastou-se, ficou de cócoras e mesmo que ela não pudesse vê-lo respondeu:

- Eu sei.

A resposta repentinamente lhe provocou uma dor no peito. Entendia o que aquelas palavras significavam. Que ele sabia de seu interesse, de seus anseios, de suas saudades, de suas vontades caladas.

E não significavam nada senão o mero entendimento das palavras.

- Isso não o deixa feliz?

Tentou.

Shino negou com a cabeça.

Ela reprimiu a vontade de chorar. Levantou-se exatos cinco segundos depois e bruscamente tentou entrar em casa. O alto som da maceneta sendo puxada. Estava fechada. Os olhos começaram a lacrimejar. Estava tudo dando errado. Só queria dormir.

- Eu… gosto quando você é sincera. Como você sempre foi comigo naquele quarto.

- Não importa. Não importa nada disso. Provavelmente o nosso relacionamento só existe naquele quarto. E isso não é suficiente.

Estava chorando de raiva. Levantou o rosto para que ele pudesse ver seus olhos brilharem. Estava sendo honesta agora.

Ele também queria ser honesto. Não assim.


Insetos pela janela

Ela pegou uma missão de quinze dias. Shino cuidou de seus insetos a maioria do tempo, o restante ele se via sufocado por algo inexplicável. Sentia sua falta. Queria poder explicar tudo.

Um dos besouros saíram por debaixo de suas roupas. Andou por sua mão e voou saindo pela janela do seu quarto.

Tudo nublado, frio, emadeirado e opaco.

Sentia falta das cores de Ino. Sentia falta dela em todos os aspectos. Até de suas relutâncias honestas.


Correto é comprar flores

Shikamaru lhe disse que ele estaria ali. Ele o tinha visto passar em frente à floricultora no mesmo horário durante toda semana.

- Ele entrava e comprava uma flor. Como se ele tivesse alguma obrigação de comprar qualquer coisa para entrar ali.

Sakura era uma romântica. Ino, no entanto já sabia. Ele o fazia por que achava que era o correto. Mas não importava, de fato no dia seguinte a sua chegada, ele entrou pela floricultura, a olhou por longos segundos, pegou a primeira flor que viu e seguiu até o balcão.

Tudo claro, azul e ameno. As flores amarelas, os lírios, as rosas magenta. O piso de madeiras. Repentinamente tudo muito agradável como naquele quarto.


Beijo

- Desculpa. Você me entendeu errado.

Ela em resposta sorriu sem mostrar os dentes. Abaixou a cabeça e uma mecha saiu do lugar. Desejou ajeitá-la, tocá-la, abraça-la, desajeitá-la. Entretanto, não era correto.

Ino suspirou alto e ele sentiu vergonha dos seus próprios sentimentos.

- Você me confunde Shino.

Respondeu sem o encarar. Deu a volta no balcão, e passando por ele seguiu até um conjunto de pequenas flores bancas e selecionou algumas.

- Elas combinam com essa tulipa vermelha.

Shino teve a impressão que ela estava constrangida demais para encará-lo.

- Você também me confunde.

Aquele constrangimento, aquele receio, aqueles movimentos evasivos pela floricultura evitando-o completamente.

- Tudo, neste momento me confunde.

Ino em resposta parou os movimentos. Voltou-se em sua direção. As bochechas sem a cor vermelha esperada.

Branca. Loura. Anilados. Exatamente a Ino que era levada pelo sono. Não importava se ele tinha entendido tudo errado. Se ele sentia-se repentinamente inseguro. Sentia que era o correto a ser feito…

- Você…

Ele a beijou.


Beijo II

As mãos em seu pescoço vieram antes dos lábios. Frios, ressecados, gentis. No primeiro instante, um milésimo apenas, percebeu a relutância engessada. Mas não importava. No peito percebia aquela quentura se derreter. Algo subir e estimular o próprio corpo quando, sem receios, jogou os braços em seus ombros e o beijou de volta.


Esbarro III

Em um dia qualquer se encontraram casualmente em um bar. Ela seguiu até sua mesa sem nenhum pretexto, nenhum medo, nenhuma mentira. Sentou-se ao seu lado, colocou suas mãos sobre seu joelho, lhe sorriu, lhe chamou pelo primeiro nome. O encarou sem ver os olhos.

Ele em resposta segurava-lhe os dedos. Servia-lhe seus doces preferidos. A encarava sobre as lentes escuras e mesmo sem sorrir é como se sorrisse por dentro.


Outro e este momento

Ela entrou no quarto esperando encontrá-lo dormindo. Talvez o acordasse com um beijo, talvez apenas andasse pelo quarto para observar mais uma vez todas as minúcias daquele espaço.

Era engraçado como ela queria captar todos os aspectos que vinham dele, principalmente aquele espaço que a deixava em um estado incompreensível de tranquilidade.

No entanto, ela teria que fazê-lo outro dia. Shino encontrava-se de costas para porta, as costas largas e magras nuas, enquanto a caça ninja parecia muito larga em seus quadris. Ino sentiu aquele impulso interno, aquela quentura incômoda e boa, e sem que ele tivesse tempo hábil para perceber - era óbvio que eles perceberia - ela o abraçou.


Observando-o e o absorvendo-o

Shino virou-se os deixando frente a frente. Ela tinha aqueles grandes olhos azuis, brilhando, denunciando sem palavras um tipo de afeto que ele não entendia em palavras. Mas quando ela abria os lábios suavemente e deixava a respiração quente escapar, era como se o significado por trás de seus olhos mudasse. Vinha aquela necessidade quase orgânica de tocá-la, beijá-la, trazê-las completamente para si.

A situação se tornou ainda mais concreta quando ela levou suas mãos pelo seu peito nu, e enquanto seus dedos baixavam-se lentamente, ela acompanhava o movimento com o olhar denunciando toda sua curiosidade em tocá-lo.

Você tem uma pele tão bonita.

Sua respiração gradativamente irregular tornava suas palavras incrivelmente eróticas. Ela moveu as mãos até o umbigo e em seguida deslizou até suas calças. Ino não sorria quando levantou a vista para encará-lo, ela só mantinha os lábios entrecortados e os olhos azuis pedindo alguma espécie de autorização.

Ele não disse nada, nem fez nada que a estimulasse a continuar.

Mas ela ignorou. Ela sempre ignorava. Seus dedos desabotoaram sua calça fazendo-a cair. Ela afastou-se alguns milímetros para vê-lo, era engraçado como ela gostava de observá-lo, ver o que ela tinha totalmente para si.

Era assim que ele sentia quando ela praticamente o desejava com olhos.


Um momento de observação eterna

Ino realmente gostava de absorver cada detalhe de pele e carne que Shino tinha. Ela gostava de tocá-lo por inteiro, desde suas orelhas, até a curva de sua barriga. Era estranho que não fosse ele a cumprir aquele papel, mas não se importava, sua curiosidade era intensa demais para ela se incomodar com aqueles detalhes tão sexistas.

Gostava de vê-lo, de comê-lo com os olhos, como se uma dominação imediata e momentânea fosse a realidade do relacionamento dos dois. Observá-lo quase nu naquele quarto ameno e amarelo, como uma figura pertencente aquele espaço há eras, quase inalterável pelo tempo, fazia-a crer que todo aquele anseio e desejo mais primitivo fossem tão eterno quanto sua presença naquele recinto.

Por isso gostava de vê-lo. Era uma espécie de crença que por um instante criava a eternidade dos dois.

E que, como o habito lhe conferira a certeza, seria rompida no instante em que a situação se tornava insustentável.

Shino simplesmente agia.

Sem pensar ele agarrava-lhe pela cintura e beijava-lhe o ombro, o pescoço, as faces. Tudo sumia no mesmo instante em que ele desatava suas roupas, enfiava-lhe a mãos entre suas pernas e empurrava até a sua cama.

Sentia seus dedos dentro de si, e um suspiro e gemido escapavam de imediato.

Um instante, no meio de tantos outros, e nada mais importava. Só os diversos atos que a invadiam e a faziam tremer, gemer, querer mais. Ela se derretia completamente quando sua língua sem pudor caminhava por seu corpo já molhado de suor, enquanto seu pênis estocava uma, duas, incontáveis vezes levando-a a um estado indescritível.

Naquele momento, que ela sabia ser apenas um momento, ele sequer pensava em regras, em posições sisudas, ou no tom de voz rouca e equilibrada.

É como se aquele quarto não existisse. Só houvesse apenas os dois. Sem qualquer necessidade de regra.

Eles retornavam a realidade apenas quando o corpo cansado necessitava dormir.


Talvez, Quarto do Sono.

Ino não conseguia dormir enroscada. Em algum momento da noite ela daria as costas e dormiria em seu próprio pequeno espaço - mesmo naquela cama minúscula. E então, quando Shino acordava no meio da noite, sentindo falta de algo, ele se veria obrigado a mudar de posição e jogar os seus braços sobre seu corpo.

- Você gosta de dormir abraçado. - Ino declarou no meio de uma noite. Ela ajeitou as pernas e ele pode sentir perfeitamente bem a pele macia em torno de si

- É o correto. - ele murmurou e ela sorriu.

- Não, você faz por que gosta.

Ela voltou-se contra ele, suas mãos enfiadas em seus cabelos, um sorriso convencido mesmo que sonolento nos lábios.

Shino não disse nada, apenas beijou suavemente na boca.

Isso é suficiente por enquanto. - Ino murmurou fechando os olhos

As luzes externas atravessavam o piso do quarto. Mantinha-se ameno, silencioso, com suas cores: o azul marinho pálido e a madeira velha. Um dia qualquer o quarto seria fechado e depois dado a outro Aburame. Teria a mesma temperatura, mas provavelmente obteria outras cores e cheiros.

Talvez ele continuasse a ser um quarto do sono. Mas isso não importa. Hoje, enquanto abraçados e juntos, eles apenas se entregam ao sono que permeia cada canto daquele recinto.


N/A: Encerrar uma fic depois de anos, quatro para ser mais exata, é algo extremamente difícil, sua cabeça mudou e sua escrita tbm, mas enfim, depois de algum tempo insistindo, Quarto do Sono saiu. Eu somente consegui encerrar por que sinceramente estou super decepcionada de ver a Ino com o Sai. Gente, Sai é assexuado e Ino combina com qualquer pessoa do elenco, inclusive o Shino, mas não com o Sai, convenhamos.

Mas enfim, mesmo eu dizendo isso, quem leu com atenção percebeu que o Quarto do Sono um dia irá ser entregue a outra pessoa assim como o relacionamento dos dois. Talvez a Ino fique com o Sai. É o jeito.

Beijos e abraços

Oul K.Z