N/A: Reunião de drabbles, one, fliclets e afins.

Personagens: Sakura, Itachi, Hinata

Temas: Despertar, Esperar, Legar.


-II-

Despertar, Esperar, Legar.


Despertei chorando, os olhos úmidos e quentes, enquanto o rastro de uma gota esfriava sobre minha bochecha. Na negridão das minhas pestanas percebo um espaço físico, provavelmente largo e denso devido aos móveis. Havia algo como madeira.

Era o cheiro, o primeiro sentido ciente. Depois veio o tato que só percebe a maciez do tecido e a dormência repentina de um dos meus dedos.

Tomo consciência da existência do meu corpo, por inteiro, como uma única massa.

Estou viva. Mais uma vez eu tinha sobrevivido.

Oh... Estou um pouco diferente, mas não entendo ainda por que choro.

Nunca o fiz. Talvez por que eu estivesse morrendo por dentro, como outrora sempre ocorria, e, entretanto, eu não sentisse nada. Não sentir nada além do que o olfato e o tato eram capazes de me dá.

Não sentia culpa.

E estava chorando enquanto acordava e me dava conta de estar viva. Mais uma vez.

Estou confusa.

(...)

Há algo aqui. Há alguém aqui. O cheiro de pó e perfume caro. Mesmo sabendo que não deveria abrir os olhos eu o fiz. Os cabelos negros flutuando no ar, que com o movimento do corpo não foi capaz de acompanhar. O rosto branco, a roupa azul marinho provavelmente manchada de sangue.

Consigo imaginar a cor.

Itachi.

O som do tiro veio logo depois. E meu corpo em puro instinto moveu-se, agarrei o tecido e o levei ao peito.

Ele estava morto, e ela, no entanto, manteve-se parada até o momento em que me encarou. Os cabelos negros, os olhos inertes e violetas, quase brancos.

Não sentia medo, no entanto. Talvez pelo rastro de luz em seus olhos, talvez por que no meu íntimo eu concluísse que ao final eu não tinha sobrevivido.

- Desculpa. - ela sussurrou - Você está chorando. Me desculpa.


Você ainda está dormindo. Como sempre esteve nesses últimos anos. Descansando por fim sobre minha cama, finalmente afastada do caos. Aposto que há um pouco de liberdade eu seus sonhos, algo que nunca teve.

Não há mais sangue, Sakura. Não há mais sangue em suas mãos.

Sinto meus últimos instantes enquanto queimo o tabaco. Ele cheira a madeira nesse quarto sufocante. Queima, um minuto depois o último tom, laranja como o fim de um dia.

E, entretanto isso é tão leviano. Tão frio. Tão avulso. O fim, quem diria, provocando-me assim.

O nosso fim... Acostumei com ele, por ele ser tão inevitável. E nada obstante ele ainda provoca-me algo incomodo e insistente. É um ponto que lateja, à medida que meu corpo está todo relaxado esperando quem irá entrar por aquela porta.

Esperando por aquele instante.

E, assim sendo, eu preciso olhar para você, enquanto, em minhas mãos, seguro a arma. Não irei usá-la, mas sinto-me mais presente aqui com ela em mãos.

É algo que nos marca, não é?

(...)

Um ponto brilhante em suas pestanas rosadas.

Um instante de fé.

Você está chorando por mim.

Um dia talvez você me perdoe.

(...)

Alguém entrou, e eu preferi continuar olhando para você.

Desejando apenas observá-la chorar por minha causa.

E por isso me levanto aproximando-me de sua cama. Mas não a alcanço.

Meu peito queima. Não posso mais esperá-la.


Não havia mais ninguém naquele extenso corredor que me impeça de restitui-lo, Neji-nii-san. Estou tão próxima, tão próxima de consegui-lo, que já sinto as lágrimas acumuladas sobre as pestanas.

Não posso chorar. Não quando estou com uma arma em mãos e faltando tão pouco.

Era a quarta porta. Um quarto sufocante. Uma poltrona, uma cama e ele lá, sentado, na mão esquerda um charuto, na outra uma arma.

É só um instante. É só um instante.

Ele se move sem me olhar. E eu disparo.

Ele está morto. Por fim. Todos se foram Neji-nii-san.

Eu dou um passo. Eu quero chorar, mas me contenho. Quero sentir, ver, mesmo que apenas por alguns segundos ele morto sobre o carpete.

Quero murmurar em minha mente "acabou".

Acabou.

E, no entanto, quando a percebo sobre a cama, as mãos no lençol, os olhos verdes vibrados brilhando pelas lágrimas, eu percebo que havia acabado, e nesse ato, restaurado. Que aquela dor presenteada pela sua morte, eu acabava de legar a ela.

Eu legava a dor de sua perca sem sentido.

- Desculpa. - digo, pois sei que ela irá sofrer. Pois ela o ama como eu te amo - Você está chorando. Me desculpa.


N/A: Oh, totalmente sem sentido hauha'

Eu não pensei em Itachi a principio, e no entanto não achei ninguém mais adequado. Pensei em Gaara, em Sasuke, em Naruto, até no Kakashi. E no entanto, havia algo que não encaixava ... e Itachi tornou-se minha única opção. Desculpa aos fãs haha'

Em realidade, essa cena eu imaginei para um projeto antigo sobre a Máfia, mas nunca consegui encaixar os personagens certos. E por que também queria escrever algo sobre uma Hinata louca. E não sabia um substituto para o Itachi.

Um beijo de Amora (vocês também já enjoaram de sete belo?).

Oul K.Z