2 - As primeiras decisões
"O único lugar que tínhamos para estarmos juntos era a noite. Enquanto o sol dorme nas sombras, nós podemos nos esconder na encosta da montanha. Passamos nosso tempo juntos, mas ele se foi quando a manhã veio. Você é o lobo, eu sou a lua e no céu sem fim nós somos um."
Férias de Verão, 1996. Pós-Quinto ano.
O cheiro de grama recém aparada encheu as narinas de Pansy assim que saíra da Mansão, instantaneamente os cantos de seus lábios repuxaram-se para cima, em um pequeno sorriso de satisfação. Por alguma razão, que a Sra. Parkinson não entendia e nem tentaria entender, pois estava ocupada demais com seus próprios problemas, a herdeira da família tornara-se bastante infeliz durante seu quarto ano em Hogwarts.
Os olhos verdes da menina correram pelo jardim, pousando nos galhos tortuosos de uma árvore de grande estatura que se erguia majestosamente há alguns metros da fonte de água. Ela se aproximou e fitou com curiosidade o ninho de passarinho escondido atrás das folhagens, e se perguntou onde estava a ave ou se havia ovos ali. Pansy não podia ignorar a ideia mirabolante pulsando como um alarme insistente dentro de sua cabeça afim de saciar sua curiosidade infantil. Mordendo o lábio inferior, ela abaixou o rosto para encarar as próprias vestes, uma careta de reprovação estampando seu rosto. A morena espiou ao redor, e quando teve certeza que não havia ninguém por perto, retirou a fita ao redor sua cintura, jogando-a no ar e em seguida deslizou para baixo o zíper lateral de seu vestido verde-á qualquer delicadeza, Pansy chutou a roupa, que rolou desajeitadamente numa bola de tecidos pelo gramado, o coração da menina bateu um pouco mais animado do que meio minuto atrás. A sensação de desobedecer às ordens de sua mãe e desafiar a elegância que a supremacia de sangue exigia dela foi simplesmente maravilhosa.
Vestida apenas com um sutiã de renda rosa-chá e uma anágua trilobal de barra rendada da mesma cor, Parkinson desfilou cheia de confiança pelo jardim da Mansão. O tecido era suave contra suas coxas bronzeada, e aquela foi a primeira vez que a menina se sentiu confortável em um longo tempo. Pansy decidiu aproveitar ao máximo a sensação do sol em sua pele e a leveza da brisa que bagunçava seu cabelo chanel escuro.
Rapidamente Parkinson chegou a seu destino, suas mãos agarraram a casca grossa do tronco da árvore, enquanto ela fazia impulso para subir. Havia bastantes galhos, o que era excelente, porém alguns eram finos demais para suportar seu peso e ela teria que tomar cuidado, caso não quisesse ralar sua pele imaculada. O galho em que o ninho repousava não tinha aparência frágil, mas Pansy preferiu ficar segura no que ficava logo acima dele, a uma distância curta de centímetros. Para não ter que equilibrar-se no galho errado, Pansy esticou-se ao máximo. Isso a fez lembrar de sua infância, quando ela costumava se pendurar nos galhos das árvores e fazer acrobacias perigosas até que sua mãe mandasse um elfo doméstico para obriga-la a descer e se comportar como "uma boa menina puro-sangue".
Pansy deitou de bruços, a madeira incomodava um pouco e ela tinha certeza que havia algumas formigas picando a pele a mostra de sua barriga, mas ignorou. Lá de cima, ela tinha a visão perfeita do ninho de passarinhos, ainda vazio. A menina não podia esconder seu desapontamento, os lábios formando um pequeno beicinho embirrado. Depositando o peso nas mãos, a morena levantou a parte superior de seu corpo. Ela usou os joelhos como um segundo apoio, estava pronta para descer da árvore, quando para sua surpresa um pequeno pássaro canário amarelo sobrevoou sua cabeça – em seu bico o restante do material para a construção do ninho. A morena voltou a sua antiga posição, um sorriso leve tomando conta de seus lábios, fitando com os olhos vidrados enquanto a mamãe-pássaro construía com perfeição o lar de seus futuros bebês.
Enquanto a menina Parkinson observava com admiração o canário, um estrangeiro de olhos escuros a observava. Acabara de descer da carruagem, usando vestes negras, Rodolfo Lestrange. Seu cabelo e barba estavam tingidos magicamente de ruivos, também havia uma pequena alteração no formato de sua boca e tamanho de seu nariz. No entanto, seus grandes e redondos olhos negros eram impossíveis de não serem reconhecido, principalmente pelo brilho malicioso que estava sempre presente no mesmo. Logo em seguida, desceu também o sr. Parkinson da carruagem, abotoando seu terno grafite bem alinhado.
Katherine Parkinson saiu pela porta de entrada da Mansão, seu cabelo preso em um coque elegante, uma grossa gargantilha de couro enfeitando seu longo pescoço de cisne, enquanto o sorriso estava pintado de vermelho vibrante, o que combinava perfeitamente com seu vestido preto. Diferente da filha, a sra. Parkinson gostava de exibir sua palidez, fazendo questão de evitar o bronzeado de verão o máximo possível.
"É um prazer recebe-lo novamente em nossa residência, sr. Lestrange." Cumprimentou educadamente a sra. Parkinson. " Como tem passado?"
"Muito bem, sra. Parkinson." Respondeu o homem, em sua voz não havia qualquer interesse em manter uma conversa animada com a deprimente e bajuladora Katherine Parkinson.
"Querida, onde está Pansy? Vá chama-la para cumprimentar nosso convidado. Rodolfo irá passar o restante do verão aqui, não é formidável?"
"Com certeza!" concordou a mulher, seus lábios tão esticados num grande sorriso "Irei pedir para Dink procura-la! Eu tinha certeza que ela estava aqui no jardim..."
Os olhos opacos de Katherine correram pela grama verde do jardim, a procura de sua filha problemática. O som baixo da risada de Rodolfo chamou sua atenção.
"Não seria sua filha em cima daquela árvore, Katherine?" com o dedo indicador, o Comensal apontou para a visão seminua de uma Pansy Parkinson distraída.
Há alguns metros de distância, a herdeira Parkinson parecia não ter interesse em qualquer outra coisa senão o desenrolar da construção de um ninho de pássaros. Ela tinha os cotovelos apoiados no galho, as mãos nas bochechas, apertando seu rosto e esticando os lábios carnudos de maneira cômica, enquanto as pernas expostas estavam suspensas.
A sra. Parkinson achou que poderia ter um ataque do coração, tremendo foi o susto e constrangimento que a atingiram assim que avistou os pés bronzeados de Pansy balançando no ar – suas unhas tingidas de rosa vibrante, bastante chamativo e brilhante quando exposto aos raios solares. As mãos pálidas de Katherine tamparam seus lábios abertos, um reflexo de seu corpo.
"E-Eu..."ela finalmente retirou a mão da boca e se virou para encarar o convidado, que ainda parecia bastante divertido com toda a situação "Sinto muitíssimo pela falta de modos de minha filha. As crianças de hoje em dia...!" deixando a frase morrer no ar, a loira agarrou a saia de seu vestido e andou apressadamente em direção a sua filha.
Todo o choque foi substituído por ira. Nunca os olhos opacos de Katherine pareceram tão ameaçadores.
"Pansy Genevieve Parkinson!"
O latido fino e irritado de sua mãe despertou Pansy de seu mundo de fantasias. Assustada, ela esticou os braços, desequilibrando-se. Um gritinho curto espancou de sua garganta quando seu corpo caiu e aterrissou na grama fofa do jardim. Seu cabelo estava bagunçado e tampando grande parte de seu rosto, inclusive seus olhos, mas ela sentia que sua saia havia subido completamente e sua calcinha estava a mostra. Rapidamente Pansy levantou as costas, sentando-se no chão e puxando a anágua para baixo, porém foi um movimento quase inútil uma vez que ela ainda estava apenas de sutiã.
"Olá, mamãe." Disse Pansy forçando um sorriso.
"Pelo amor de Merlin, coloque uma roupa, nós temos convidados! Você realmente não tem concerto, não é mesmo Pansy?" o desgosto em sua voz atingiu completamente o emocional de Pansy. O bom humor de outrora foi drenado de seu corpo com demasia rapidez – a conhecida tristeza abdicou de volta o controle sobre ela.
"Sinto muito, mamãe." Sussurrou de volta, se erguendo do chão "Não sabia que teríamos convidados hoje."
"Isso não é motivo para andar nua pelo jardim!" sua mãe gritou. Katherine massageou as têmporas, os olhos firmemente fechados enquanto ela tentava retomar a respiração "Me diga, como vamos conseguir encontrar um bom marido para você, Pansy? Você está crescendo e ainda age dessa maneira desleixada..."
Sua mãe parecia estar à beira das lágrimas, com a voz estrangulada e as faces rosadas. Pansy não sabia como lhe responder, então ela apenas agarrou o vestido abandonado na grama e correu de volta para a Mansão.
Os dois homens haviam entrado assim que a sra. Parkinson se retirara. Caminhavam em direção ao escritório, mas quando os ouvidos de Rodolfo captaram os sons apressados de passos no assoalho de madeira, se virou. Ele não conseguiu ver nada além das panturrilhas morenas de Pansy subindo as escadas, o tecido sujo de seu vestido arrastando no chão logo atrás dela.
"Algum problema, Rodolfo?" Edmund perguntou. O outro homem voltou a encara-lo e negou com a cabeça "Novamente, sinto muito por nossa filha, estou completamente envergonhado por seu comportamento. Mais tarde ordenarei que ela venha desculpar-se pessoalmente."
O comensal acenou com a cabeça, havia uma mistura perigosa de pensamentos que rodeavam sua mente, porém ele sabia as esconder muito bem por trás de um sorriso cortês.
As costas de Pansy doíam, faltava ar em seus pulmões e suas bochechas estavam manchadas de lágrimas. Tudo o que ela queria fazer era arremessar uma quantidade absurda de objetos no chão e depois pisar em cima, ela queria rasgar os travesseiros e gritar até que sua garganta estivesse crua e dolorida pelo resto da semana.
Ela não devia.
Ela não podia.
Suas ações não eram decisões que ela podia escolher tomar, Pansy tinha que seguir as regras e ser perfeita. Era isso que seus pais esperavam dela, porque era isso que o mundo todo também esperava.
Sua respiração era fraca, Parkinson se sentou na cama com as mãos em seu colo, ela ignorou seus dedos trêmulos e continuou a encarar a parede. Expirando, inspirando, expirando, inspirando... O processo continuou até que ela se acalmasse e as lágrimas parassem de escorrer. A mente de Pansy viajou para alguns anos atrás, em seu segundo ano, quando ela atrevidamente bisbilhotou as estantes da Sessão de Estudo dos Trouxas na biblioteca de Hogwarts. A menina se lembrava de ter lido escondido dois livros antes que Millicent descobrisse seu segredo. Um dos livros era sobre as engenhocas que os trouxas inventavam para compensar sua falta de magia: máquinas. Pansy se sentia como uma máquina, criada apenas para reproduzir o trabalho que lhe foi designado.
O elfo doméstico apareceu diante de seus olhos.
"O que quer Dink?" perguntou. Não havia realmente nenhum tipo de intensidade e expressão em sua voz, era simplesmente vazia.
"Mestre pediu para senhorita Parkinson se banhar."
"Está bem. Prepare meu banho, Dink." A menina se levantou da cama "Pode deixar o quarto agora."
O elfo se retirou da mesma maneira que surgiu, Parkinson foi deixada novamente com seus pensamentos. Pansy caminhou em direção a penteadeira, a imagem refletida no espelho não era bonita e isso a aborreceu – mas não muito, pois a menina sabia exatamente como lidar com isso. Ela tinha roupas bonitas e caras e um elfo doméstico com diversos feitiços de beleza a disposição.
Para uma mulher, no mundo aristocrata dos puristas-de-sangue, a beleza era apenas uma máscara feita sob encomenda. O conteúdo era dispensável desde que ela soubesse onde era seu lugar.
"Você tem que ser perfeita, Pansy!" resmungou a menina caminhando em direção ao banheiro "Tem que ser mais bonita que Astoria Greengrass, pois veja só: dois anos mais nova e já atrai mais pretendentes que você..." ela continuou, imitando as falas de sua mãe com um tom agudo e zombeteiro "E por que você não pode ser elegante como a outra menina Greengrass? Sua amiga Daphne." ah, claro! Daphne era tão elegante! Principalmente quando enfiava as mãos entre as pernas de Pansy "Até a sangue-ruim Granger é mais inteligente que você." Mais inteligente que Pansy e todo os outros alunos de Hogwarts "Que vergonha de você, Pansy!"
Ela encerrou o discurso completamente despida e novamente encarando a si mesma no espelho. Pansy ainda não gostava do que via, infelizmente.
Nem sempre as coisas foram assim, houve um tempo em que a menina gostava de si, ela apreciava sua beleza e acreditava fielmente haver algo genuíno dentro dela, mas esses dias passaram e hoje Pansy preferia ser qualquer outra pessoa, exceto ela mesma.
Os seios começaram a se desenvolver cedo, porém não alcançaram tamanho o suficiente para a altura dela. Parkinson, então com seus dezesseis anos, encontrava-se com seios menores que a média e uma altura acima da mesma. Medindo 1,75, tinha pernas compridas e bronzeadas, os ossos da costela eram salientes e a cintura fina, quadril estreito e bumbum arredondado, tamanho mais ou menos satisfatório, nada que chamasse a atenção. A menina puxara da mãe o pescoço longo e fino. Em geral, sua aparência era bastante agradável, agraciada com uma boa estrutura óssea e lábios gordos, mas tinha o nariz curto e arredondado, com aberturas largas, o que resultava piadas.
Muitas vezes veio à cabeça de Pansy quebrar o próprio nariz para que alguém o corrigisse e mudasse seu formato, no entanto sabia que jamais o faria. Seu nariz era um lembrete constante de quem ela realmente era – não importasse o formato de seu nariz, a menina sempre seria chamada de "cara de pug", uma vez que todos sabiam que a verdadeira intenção por trás do apelido era chama-la de cadela.
Caminhando até a banheira aquecida e perfumada magicamente com sais, a morena se lembrou do conselho que sua tia Anastacia deu a ela quando criança: Quando você se sentir a pior, aja como se fosse a melhor. Era isso o que Pansy constantemente fazia andando de nariz erguido pelos corredores de Hogwarts como se pertencesse a realeza.
Ela entrou na água e brincou com as bolhas, recostou na banheira e fechou os olhos verdes, fingindo que o mundo era maravilhoso e brilhante. Pansy foi tirada rapidamente de seus pensamentos quando ouviu o 'click' da porta. Estava entrando no banheiro – seu banheiro! – com o mesmo terno e olhos escuros de outrora, Rodolfo Lestrange.
Um grito de pavor entalou na garganta da menina, que se encolheu de baixo das bolhas fitando o invasor com olhos arregalados.
"O que... O-O que faz aqui, sr. Lestrange?"
O homem admirou a ingenuidade de Pansy, seus olhos escuros brilharam além do normal, uma excitação crescendo lentamente dentro de sua calça. Como pode uma criatura tão jovem ser tão encantadora? Com um sorrio torto cheio de confiança, o homem se sentou à beira da banheira.
"Acredito que senhorita me deve desculpas por seu comportamento mais cedo." Ele discursou, havia grande curiosidade e diversão em descobrir as reações da menina.
O rosto de Parkinson, que já se encontrava vermelho de constrangimento, foi ligeiramente aquecido com raiva. Ela ergueu as costas e esticou o pescoço, ainda sem deixar seu esconderijo de bolhas. Desafiadoramente, ela retrucou: "Pois, acredito eu, que o senhor é quem me deve desculpas por invadir meus aposentos e me olhar inapropriadamente durante meu banho, como um verdadeiro pervertido!"
Ela tinha uma ruga de irritação entre as sobrancelhas e os olhos eram duros, suas bochechas estavam tingidas de vermelho vibrante, e mesmo assim ela parecia adorável com uma barba de bolhas em seu queixo. Rody observou com deleite as gotas de água que tentadoramente escorrem por seu pescoço esguio.
Geralmente, ele não acreditava em sorte ou destino, mas acreditava furiosamente que Pansy seja um presente divino exclusivamente feito para ele. No instante que descera da carruagem e avistara sua imagem seminua deitada tão graciosamente na árvore, Rodolfo sabia que a queria. A última vez que ele sentira tão excitação à primeira vista, fora antes de casar-se com Bellatrix. Pansy seria sua pupila preciosa e ele estava decidido a cuidar dela.
"Uma garotinha tão bonita não deveria manter uma expressão tão séria." Brincou. O elogiou fez a expressão mau humorada suavizar um pouco, mas Pansy ainda mantinha a guarda alta.
"Eu não sou uma 'garotinha', sr. Lestrange." Ladrou a menina, erguendo desafiadoramente uma de suas sobrancelhas escuras.
"Me encontre no jardim quando seus pais adormecerem."
A mudança repentina no assunto deixou a menina confusa. O homem se levantou, ajeitando suas vestes, Pansy o encarava com desconfiança.
"Eu não vou me encontrar as escondidas com um pervertido que me espia no banho." Cuspiu cheia desaforo na voz.
"Garotinhas bonitas não devem mentir, senhorita Parkinson." Replicou Rody com diversão e expectativa pela resposta insolente que ela daria.
"Não é mentira, eu não vou me encontrar com você." Ela cruzou os braços e por uma fração de segundos, Rodolfo foi agraciado com a visão de seu mamilo rosado "E eu já disse que não sou uma 'garotinha'!" encerrou, emburrada.
"Vá até o jardim essa noite e me prove que não." Desafiou o homem cheio de malícia.
"Eu não tenho que provar qualquer coisa para você!" bufou petulante "Agora, retire-se para que eu possa continuar meu banho em paz."
Com um último olhar e sorriso torto, Rodolfo saiu do banheiro, e mesmo que ele não tenha dito, Pansy suspeitava que ele iria realmente espera-la no jardim a noite toda.
O restante do banho foi tenso, assim como todo o restante do dia. Pansy teve que exigir muito de seu autocontrole para não corar durante o jantar a cada vez que os olhos negros de Rodolfo Lestrange fisgavam os seus. Ela esperava, do fundo de seu coração, que seus pais não houvessem percebido a tensão e constrangimento presente na mesa de jantar.
A morena seguiu sua rotina normalmente, fazendo sua higiene e subindo para dormir. Ela colocou seu pijama de seda preferido e deitou-se na cama, determinada a não pensar no maluco pervertido que a esperaria no jardim pelo restante da noite. Infelizmente, seu plano fracassou, uma vez que ela era incapaz de pegar no sono.
A mente de Pansy passara quase uma hora montando uma lista de prós e contras sobre descer até o jardim – depois ela decidiu que a lista era inútil, pois a ideia era uma completa idiotice. Ela sabia as intenções maliciosas de Rodolfo, podia perceber isso em seu olhar lascivo. Mas, por outro lado, a ideia era tentadora. Apesar dos pesares, Pansy achava Rodolfo Lestrange um homem bastante sedutor, nariz reto, maxilar forte e lábios redondos, sem falar dos malditos olhos... Por alguma razão, havia uma aura perigosa e cheia de mistério que o envolvia e o tornava extremamente atraente.
Nesse instante, Pansy Parkinson sentiu-se uma mariposa sendo atraída pela luz do fogo. Merlin, ela sabia que iria se queimar! Então por que ela continuava se sentindo dessa forma, como se precisasse experimentar essa sensação de êxtase instantâneo caso contrário toda sua vida não valeria a pena ser vivida?
Quando o relógio se aproximava para marcar quatro da madrugada, Pansy saiu da cama. Ela vestiu seu roupão fofo e quente e desceu as escadas da Mansão com cuidado para não denunciar sua presença. Havia uma voz dentro dela que gritava para que ela retornasse antes que algo ruim acontecesse e havia outra que a tranquilizava, dizendo que era tarde demais e Rodolfo já deveria ter cansado de espera-la.
Assim que ela avistou os cabelos negros de Rody, seu corpo inteiro arrepiou. Medo, excitação, curiosidade e mais medo a preenchendo completamente. O que ele iria fazer? O que iria acontecer? Merlin! Por que ela simplesmente continuava a fazer essas coisas estúpidas?!
"Eu não sei por que eu faço isso... Eu não deveria estar aqui." Murmurou a menina, assim que ela parou em frente ao homem.
Rodolfo parecia radiante, seus olhos tinham um brilho intenso e seu rosto era todo tomado por um grande sorriso. Ah, ele sabia que ela viria! Rody sabia que Pansy era curiosa e aventureira, ele podia sentir.
Sem dizer qualquer palavra, o homem pousou as mãos em ambos os lados dos quadris de Pansy, puxando-a para mais perto. A morena engoliu em seco, seus lábios tremeram de pavor e frio, ela mordeu o lábio inferior nervosamente numa tentativa de parar de bater os dentes. Ele achava que ela parecia completamente adorável. Tão bonita...
Rodolfo aproximou o rosto do dela, a cabeça levemente inclinada para o lado direito, seus olhos estavam firmemente presos nos dela, a pergunta muda explícita: "Posso?". Pansy levou quase um minuto inteiro para finalmente assentir com a cabeça. Sorrindo com satisfação, ele fincou os dedos mais fundo na pele de seu quadril, colando seus lábios nos dela. Rodolfo conduziu o beijo, lento e sensual, algo que Pansy não havia experimentado ainda. A menina esperava que houvesse malícia, mas parecia tão casta e delicada suas ações para com ela. E mesmo sem perceber, sem qualquer consentimento real, ela se deixou entregar ao ritmo suave de Rodolfo, beijando-o de volta com entusiasmo.
Oh, doce Merlin, ela iria se queimar...
NOTAS DA AUTORA: Oioi, pessoal! Nem sei como começar a explicar o que aconteceu pra eu ficar tanto tempo sem atualizar. Então, me mudei de estado para começar a faculdade, depois disso TUDO virou de cabeça pra baixo HAHAH 18 anos, sozinha e tendo que me sustentar. Não sobrou muito tempo pra escrever, sabe?
Peço desculpa a todos que começaram a leitura e ficaram se perguntando onde diabos eu tinha me enfiado. É que houveram tantas coisas na minha vida, que fiquei completamente sem tempo ou vontade de escrever (detalhe: estou me formando em jornalismo esse ano! Acho que escrever por obrigação/trabalho drenou toda minha inspiração).
Ok, agora que tá explicando, quero comentar algumas coisas sobre o capítulo e a fic em si. Esse projeto sempre foi muito pessoalmente para mim, muitos acontecimentos relatados ao longo dessa história são/serão inspirados na minha própria vivência. Nunca desisti dele! Era algo que ficava constantemente martelando na minha cabeça, por isso mesmo estou retornando.
A história Pansy-Rodolfo vai continuar no próximo capítulo, o qual já estou escrevendo e pretendo postar hoje ou amanhã. Por que dividir? Acho que essa é uma parte importante da história, pois é onde finalmente a personalidade dela será definida e quis ir com calma. Enfins, mais detalhes no próximo capítulo!
