- Quê? – Assustada, a garota deu alguns paços para trás. O rapaz não podia se mexer, mal conseguia falar, e ainda assim, seus olhos estavam cheios de ódio e amargura. – Meu nome não é Kikyou. Meu nome é Kagome. Ka-go-me !

- Tirem...esta mulher daqui. – Ele disse, virando o rosto.

- Saiam todos do quarto. – Disse o médico.

- Isto só pode ser um milagre doutor! Pensei que o quadro dele fosse irreversível! – Comentou uma enfermeira.

Kaede chorava sem parar, não conseguia acreditar naquilo. Depois de tantos anos, de tantas visitas, Inuyasha estava ali, vivo. E aparentemente sem nenhuma sequela. Ela rapidamente compreendeu a antipatia de Inuyasha para com Kagome, e a levou para fora.

- Ele...ele acordou ! Isto não incrível senhora Kaede? – Ela dizia, animada. Estava feliz por ele, e até esqueceu a forma como fora tratada. - Mas eu não entendo...de quem é que ele estava falando ? Quem é aquela tal de Kikyou ?

A velha mulher não sabia o que dizer. Tudo o que envolvia aqueles dois era tão trágico, e agora que o jovem estava de volta, as coisas provavelmente ficariam muito complicadas.

- Lembra-se que eu disse que você se parecia muito com alguem ? Esta pessoa era a Kikyou.

- "Era" ? Ela...morreu?

- No mesmo dia em que o Inuyasha foi parar naquela cama. È uma história complicada, é melhor você esquecer isto. Além do mais, está quase na hora de você ir para a estação. A sua vida não é aqui.

- Está certo... – Era óbvio que ela ficara curiosa, quem não ficaria, ao descobrir que existe alguem no mundo tão semelhante a você, a ponto de serem confundidos? Balançou a cabeça em negativa aos seus proprios pensamentos. Aquilo era besteira. Toda aquela história maluca acabaria em poucas horas, quando ela finalmente voltasse para casa. – Senhora Kaede...acho que eu já vou indo.

- Não quer que eu vá com você menina?

- Não precisa se preocupar, acho que é melhor a senhora ficar por aqui. – Ela disse, sorrindo, virando o rosto na direção do quarto. – Eu vou ficar bem.

- Tome cuidado. Ainda é muito cedo, espere dentro de algum lugar até a hora do embarque. – A idosa abraçou Kagome com carinho.

- Eu nunca vou poder agradecer tudo o que a senhora fez comigo...vovó Kaede. – Antes de sair do hospital, Kagome colocou a mão na mochila, lembrando-se que a tal jóia ainda estava ali. Respirou fundo seguiu andando, o hospital ficava a poucas quadras da estação, mas parecia um caminho interminável.

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- Inuyasha...precisa responder as perguntas do médico. Ele está aqui para ajudá-lo. – Kaede tentava convencer o rapaz, mas este, permanecia quieto e recusava-se a falar. – Quanto mais você colaborar, mais rápido irá para...

- Casa? Você ficou gagá velhota? – Ele respondeu, ríspido, mas sem olhar para a senhora.

- Bem, vejo que não está com dificuldades para falar. Isto é um bom sinal. – Concluiu o médico. – Agora, por favor. Consegue mexer os braços e as pernas ?

- Por que não conseguiria idiota? – Ao dizer isto, o jovem tentou sentar-se, mas não conseguiu. – Maldição.

- Não seja mal educado! – Repreendeu Kaede – E pare de teimosia, cinco anos não são cinco dias, seu corpo está muito debilitado.

O rapaz resmungou e finalmente permitiu que os médicos continuassem os exames, e eles, ficavam cada vez mais espantados, já que ele não deveria ser capaz sequer de se mover por pelo menos dois meses, contudo, tinham a impressão de que se virassem as costas, o jovem seria capaz de fugir do hospital. A velha senhora não saia um minuto do quarto, e ao mesmo tempo em que se preocupava com Inuyasha, não conseguia esquecer de Kagome.

- Quem era aquela mulher de antes? – Ele perguntou, ao ficar sozinho com Kaede.

- Ela estava perdida e pediu minha ajuda para voltar para casa. – Respondeu. – Acabei trazendo ela para cá enquanto esperava a hora de pegar o trem.

- Você é muito burra... – Ele riu, ironico. – Ela podia ser uma daquelas golpistas que atacam velhos...

- Ficou preocupado comigo, Inuyasha? – Kaede sorriu, fazendo-o corar.

- Cale a boca! Além do mais...aquele médico idiota disse que estou aqui há cinco anos, como é que ainda está viva velhota?

- Cinco, não cinquenta. – A velha senhora respondeu sem se importar com as grosserias típicas do outro. - O tempo também parece não ter passado para você no final das contas não é?

- Keh!

- Não vai perguntar sobre ela ? – Ela sabia que ele estava tentando tocar no assunto, já que não parava de olhar para o corredor, como se procurasse por alguém.

- Estou pouco me lixando para o que aconteceu com aquela maldita, só estava me perguntando se ela ainda trabalha neste hospital decadente.

- Ela morreu, Inuyasha. Naquele dia. – Ele tentou disfarçar o choque. Kikyou estava morta. Estava tudo acabado.

- Há! Bem feito! – Ele riu - Pelo menos, eu não fui o único que se ferrou nesta história.

Kaede balançou a cabeça, desaprovando a atitude . De repente, a imagem da garota de antes veio a mente do rapaz. Não eram iguais, mas havia entre elas uma semelhança que o perturbava.

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Atenção senhores passageiros, informamos que devido a um problema técnico todos os embarques estão temporariamente suspensos. Lamentamos o transtorno.

- E essa agora... – Kagome estava em uma cafeteria da estação quando ouviu o comunicado, eram 13:30 da tarde. Ela respirou fundo e ficou pensando no que familia não tinha carro, logo, pedir para alguém ir busca-la estava fora de questão. O jeito era esperar. Tentou ligar para casa mas não conseguiu. – A mamãe vai ficar desesperada, eu disse a ela que voltaria hoje.

A colegial estranhou que mesmo com os atrasos, não haviam muitas pessoas circulando na estação. Ela já havia reparado que o lugar era vazio, mas aquilo a surpreendeu. Ela resolveu sair da cafeteria ao perceber que as garçonetes já a olhavam torto por ficar ocupando a mesa sem gastar como nada além de um pedaço de bolo.

- Finalmente encontrei você ! – A voz familiar fez a colegial congelar, mas ela não teve tempo de reagir desta vez, um forte golpe a fez perder a consciência.

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Os olhos de Kagome se abriram lentamente, sua cabeça doia muito e ela logo percebeu que estava no chão, com as mãos amarradas. O lugar parecia um galpão abandonado, com algumas caixas de madeira espalhadas.

- Agora você vai me explicar direitinho de onde saiu isto aqui garotinha. Era mesma mulher magra que a perseguira no dia anterior, a diferença é que agora ela tinha no rosto um sorriso malicioso. Entre seus dedos estava a pérola.

- Eu...eu não sei! Eu achei na rua, juro! -A garota jamais revelaria onde encontrara a jóia, era óbvio que a outra estava interessada no resto do colar.

- Mentirosa ! - Ela gritou irritada, e se aproximou, encostando sua faca no pescoço da jovem. – Acha que estou de brincadeira? Alguém que não está tentando completar a Shikon no Tama não estaria andando com isto por aí. Bem, fique ai pensando um pouco, quem sabe muda de ideia.

A mulher guardou o objeto no bolso da calça e saiu. Kagome então começou a pensar em uma forma de sair dali, queria chorar ou gritar, mas percebeu que ninguem ouviria. Ela pensava na familia, nas amigas, em Houjo...o que aconteceria se ela nunca mais voltasse para casa? Queria vê-los de novo, queria assistir televisão e comer a comida de sua mãe, queria até mesmo ir para a escola e escutar seus professores lhe perguntando mais uma vez que profissão ela pretendia seguir. Por Deus, talvez ela não tivesse sequer a chance de decidir.

As horas passavam sem que Kagome encontrasse uma solução, a sequestradora ainda não havia voltado, mas a colegial sabia que não tinha muito tempo. Ela então encontrou sua mochila jogada em um canto do galpão e se arrastou como pôde até alcança-la. Precisava pegar o celular e ligar para alguem, mas aquilo não seria uma tarefa nada fácil de fazer estando com as mãos amarradas.

Com dificuldade, ela tirou o aparelho de dentro da bolsa, que por sorte estava aberta e aproximou seu rosto dele, como não podia usar as mãos, teria que encontrar um número que estivesse na discagem rápida, mas todos que tentou caíram na caixa postal.

- Olhe criança, eu não sou muito ligada nessa coisa de celular, mas fique com isto, e ligue se alguma coisa acontecer. – Kaede anotou o numero em um papel e a jovem o transferiu para o telefone.

- Por favor vovó Kaede...a senhora é a minha unica salvação! – Pensou, enquanto apertava o botão.

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Inuyasha estava impaciente. A velha senhora deixara o hospital no fim da tarde e fora para casa, já que as crianças do orfanato estavam para chegar da escola. Já era quase de madrugada e um silêncio devastador tomada conta do quarto. Olhou para a mesinha ao lado da cama e notou suas roupas - uma calça jeans velha, uma camiseta e uma jaqueta vermelha – . As mesmas que usara naquele dia. Estavam limpas e passadas, provavelmente a idosa as colocara pois nunca perdera a esperança de que um dia ele acordaria.

- Aquela velhota não tem jeito mesmo... – Comentou. Subitamente, um som de vibração veio da mesma direção. Ao ver o celular, esticou o braço para pegá-lo e atendeu sem dizer nada.

- Alô...? Hei,vovó Kaede, aqui é a Kagome. Por favor, a senhora tem que me ajudar! Ela me encontrou ... Socorro, eu não sei onde estou! - A voz do outro lado da linha estava desesperada e trêmula. Era a garota de antes, ele concluiu, mas continou calado. – Alô...a senhora está ai? Pelo amor de Deus diga que a senhora está aí !

- É aquela menina de antes...

- Quem está aí? – A garota o reconheceu. – Como era mesmo o nome...Inuyasha não é? Chame a senhora Kaede, eu preciso muito falar com ela!

- A velhota já foi pra casa. – Ele respondeu, sem demonstrar a menor preocupação com a situação em que a colegial se encontrava. – O que você quer?

- O que...o que é a Shikon no Tama? - Por que estava perguntando aquilo? E para alguem que claramente não iria ajudá-la?

- O QUE SABE SOBRE ISTO? – Inuyasha gritou, assustando a jovem. Ela respirou fundo, que alternativa tinha a não ser confiar nele?

- Eu...meio que tinha uma pérola desta jóia comigo, por isso uma mulher estranha estava me perseguindo e...

- E o que aconteceu com a pérola?

- Hein?

- O QUE DIABOS ACONTECEU COM A PÉROLA?

- Ela levou, e quer que eu conte aonde eu consegui. Espera aí, por que ficou tão interessado agora?

- Maldição...como era essa mulher?

- Bem...ela não é nova, mas não é velha. Ah, e tem uma tatuagem ridícula que parece uma centopéia ao redor do braço direito...ou esquerdo...Ai meu Deus ela voltou! - A garota desligou o celular.

- EI...menina! Ei! - O rapaz não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Se estivesse certo, sabia quem era aquela pessoa e principalmente, para onde levara Kagome.


Gente desculpem a demora. Eu tive um bloqueio criativo FERRADO e não conseguia seguir com a história, o fato é que fiquei meio empacada nesse início e só conseguia ter idéias para os capitulos futuros -_- Ah, muuito obrigada pelas reviews do 1º capitulo, eu não esperava uma repercursão tão positiva e fiquei muito feliz ! YAY!