HINATSCHEPSUT
A Primeira Faraó do Egito
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Tebas...
"Ai, ai... já estou cansada de tanta falsidade. Todas as vezes que algum deles aparece, tenho vontade de sumir!" - desanimou-se a rainha, jogando-se numa espécie de 'divã', algumas horas após um jantar de 'confraternização' com dois faraós de reinos vizinhos.
"Sim, mas... é necessário. Precisa manter as relações com os outros reinos estáveis. Sabe que esperam um movimento seu para a guerra começar." - aconselhava Nejitmés II, seu meio-irmão.
"Fico enjoada só de lembrar daqueles sorrisos amarelos e dos olhares que trocavam, pensando que eu não percebia... é deprimente!"
"Vai ter que se controlar, se quiser manter a paz nesse reino! As pessoas a amam e não merecem sofrer por causa da inveja e ambição desses idiotas. Não estão preparadas para um confronto dessa proporção. Seria uma... derrota certa!"
"Não posso continuar com isso... cedo ou tarde eles inventarão um motivo para atacar. Mesmo que eu mantenha a diplomacia... isso só está aumentando a expectativa deles e não vai demorar pra chegar no limite..." - Hinatschepsut olhava, pela janela, as pessoas que trabalhavam em uma estátua que ficaria em frente à escadaria que dava acesso ao seu palácio. Dedicada à ela.
Lembrou-se do dia em que Shinomut, um oficial do exército e amigo, informou-lhe das intenções do povo, em retribuição ao carinho que a rainha dispensava à todos, sem discriminação. Esse era mais um dos motivos de revolta de seus inimigos, que achavam um absurdo a degradação do posto destinado aos deuses, eles mesmos.
"Ouça... é louvável tudo o que você faz pelos egípcios e isso já repercutiu entre as classes mais baixas de outros reinos. Muitos se mudam pra cá, para serví-la e, até agora, os faraós não se manifestaram. Uma guerra pode arruinar totalmente o futuro do seu reinado, não só pelas baixas incontáveis que teremos, como também pela sua força política, que cairá consideravelmente! Será o seu fim como rainha!"
Nesse instante, um de seus astrônomos, Shikamerut entrou apressadamente no grande salão, esquecendo das formalidades.
"É terrível, é terrível!! A imagem criada pela disposição das estrelas entres nuvens, revela angústia, dor e desespero em breve! É preciso ofertar ao deus-sol, só ele pode nos livrar do sofrimento!" - e parou um breve instante, para respirar, só então notando os olhares espantados sobre si.
"O que disse?? Sofrimento? Aqui? Você deve estar errado!" - exclamava a rainha.
"Calma, irmã! Shikamerut, respire fundo e explique essa loucura..." - Nejitmés se mantinha imóvel, seus temores pareciam se confirmar, enquanto o astrônomo explicava as posições das estrelas, num gráfico detalhadamente desenhado, aberto sobre uma enorme mesa de pedra.
Num longo suspiro, olhou para Hinatschepsut, que ainda não havia conseguido pronunciar uma só palavra, diante de tal notícia. Mas, quando seus olhares se encontraram, ele soube que a irmã já começava a arquitetar idéias para evitar o temido conflito. Claro, sua inteligência sempre a precedeu e não falharia agora. Mesmo assim, lamentou não poder evitar o que lhes era predestinado.
"Irmão, mande chamar Shinomut"
"E o que pretende?" - fazendo sinal à um dos guardas para que chamasse o oficial.
"Quero saber qual o nível de preparação dos soldados. Evitarei essa guerra o quanto puder mas... vamos nos prevenir, com treinamento intensificado... e diferenciado." - e pegou uma taça de ouro, com inscrições em sua homenagem, presente de sua mãe. No mesmo instante, Inotemkheb entrou no salão, trazendo uma jarra, também de ouro, com vinho, importado da Grécia. Sumiu tão rápido como chegou, assim que os serviu. Inotemkheb era considerada pela rainha como uma quase irmã, apesar de escrava. Eram muito amigas, mas quando se tratava de assuntos políticos, sabia que o melhor era ficar de fora. Se a rainha quisesse, depois lhe confidenciaria seus sentimentos, como sempre fazia.
Um silêncio instaurou-se no palácio, apenas quebrado quando Shinomut chegou, acompanhado de Kibseneb, ministro e sumo-sacerdote de Rá... e nada sutil. Todos sabiam quando ele chegava...
Nejitmés nunca cansou de se surpreender com a percepção do sumo-sacerdote. Estava sempre nos lugares adequados sem que ninguém precisasse avisá-lo. Um leve sorriso trocado entre os irmãos, confirmava o pensamento mútuo.
"Ótimo! Vamos começar..." - Hinatschepsut sentava-se em seu trono. - "Temos que mudar o destino anunciado por Shikamerut. Este reino não cairá!"
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continua...
Personagens (pers.) deste cap:
Hinatschepsut: Hinata / Hatschepsut (rainha - pers. real)
Nejitmés: Neji / Tutmés II (meio irmão de Hatschepsut - pers. real-)
Shinomut: Shino / Senemut (ministro e oficial do exército da rainha - pers. real-)
Shikamerut: Shikamaru (astrônomo) nome adaptado: Benermerut
Inotemkheb: Ino (escrava e amiga) nome adaptado: Isetemkheb
Kibseneb: Kiba / Hapuseneb (ministro e sumo-sacerdote de Rá - pers. real-)
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