Capítulo 2 - Frustração
"Os parceiros serão, estas duas linhas, essas duas linhas," a nossa professora colocou as mãos para baixo sobre a minha mesa e a mesa do menino que eu tinha encarado, "e essas duas linhas. Cada dia eu darei a vocês uma missão como essa," ela começou a passar uma meia folha de papel a todos os parceiros. "Todos os dias você e seu parceiro responderão a quatro perguntas sobre a leitura das noites anteriores. Essas perguntas virão novamente nas palestras. Estes testes são vinte por cento do valor da sua nota, então eu sugiro que vocês trabalhem juntos. Normalmente eu iria apenas dar-lhes dez minutos, mas hoje vou dar-lhes um extra de cinco para conhecer uns aos outros." Ela olhou para todos nós com expectativa. "Mãos à obra!"
A sala encheu-se imediatamente de burburinho de conversas baixas e do rangido das cadeiras enquanto os parceiros se inclinavam sobre o corredor. Virei-me para o cara perto de mim, ele estava lançando-se no primeiro capítulo do livro.
"Eu sou Bella." Eu sorri. Tentei não focar no meu embaraço anterior e apenas ser legal. Se eu esquecesse isso, então não faria diferença. Ele obviamente não se importava.
Ele me olhou com o canto do olho. "Edward".
Muito para as apresentações. Tentei desesperadamente pensar em algo para dizer. Desisti rapidamente. Eu estava prestes a perguntar a ele se eu poderia dar uma olhada nas perguntas quando ele se virou para mim com um olhar duro.
"Você leu o capítulo?" Sua voz soava duvidosa.
"Sim." Eu disse quase um pouco irritada. "Pareço não ter lido?" Eu não devia tê-lo repreendido, mas ele foi meio rude.
"Desculpe." Ele murmurou, voltando-se para o livro. "Estou acostumado a estar sempre preso com pessoas que não fazem nada".
Eu conhecia o sentimento, então eu pude entender de onde ele estava vindo, o que tornou mais difícil para eu ficar irritada com ele. "Bem, eu ficaria feliz de fazer minha parte se você me deixasse olhar as perguntas." Eu estendi minha mão para a folha de papel.
Ele vagamente me entregou e voltou a virar páginas. Olhei as perguntas, relativamente fáceis se você tivesse feito a leitura.
"Você quer dividi-las, ou trabalhar junto?" Ele perguntou.
Mesmo que ele estivesse me irritando, eu respondi, "Acho que a idéia era para nós trabalharmos juntos."
"Tudo bem." Ele disse tão sem emoção. "Você quer escrever, ou eu escrevo?"
Eu encolhi os ombros. "Você provavelmente deveria. Tenho a caligrafia de um menino de seis anos de idade".
Isso me rendeu um meio sorriso. Eu teria ficado satisfeita que ele achou o meu comentário divertido, exceto pelo fato que foi à minha custa.
Depois que eu havia respondido toda a primeira pergunta sem nem olhar para o meu livro, Edward parecia um pouco melhor. Sua personalidade realmente não era convidativa às pessoas. Ele não era o tipo de pessoa que você poderia simplesmente conversar. Dos quinze minutos de interação que tivemos, eu poderia dizer que Edward gostava das coisas muito ordenadas e não queria se preocupar com as pessoas que ele achava que perderia seu tempo. Parte de mim tinha dúvidas de que Edward tivesse muitos amigos.
O pensamento de que ele era uma pessoa solitária me deixou triste. Apesar da sua rudeza mais cedo, eu sentia uma atração muito forte em relação a ele. Era óbvio que eu o achava atrativo julgando pela minha exibição na aula anterior. Ele era muito inteligente também. Tornei-me decidida a saber mais sobre essa pessoa. Edward havia se tornado rapidamente um enigma, um quebra-cabeça que eu tinha que resolver. Eu não podia desistir facilmente.
Assim que a aula terminou, eu dei a ele um sorriso e um alegre, "Vejo você na próxima".
Ele só olhou para mim e acenou com a cabeça sem expressão. Isso não seria fácil.
Minha porta de carro bateu atrás de mim. Eu corri através do labirinto de carros que enchia o estacionamento dos alunos. Eu não tinha ouvido o meu alarme esta manhã e tinha sido acordada por Alice dez minutos mais tarde do que normalmente teria saído da cama. Embora eu tivesse muito tempo para chegar à aula, a mudança na minha agenda me deixou nervosa.
Tentei correr através da faixa de pedestres, temendo que os alunos atrasados como eu decidissem que seria mais rápido me atropelar com seus carros do que simplesmente esperar. Eu não deveria ter corrido, mover-se rapidamente é uma idéia ruim para pessoas desastradas. Eu tropecei na calçada e senti a gravidade me puxar para baixo na superfície da Terra.
Eu me encolhi, esperando o impacto, mas fiquei surpresa ao encontrar-me acima do chão. Levei um momento para perceber que um par de braços se enrolou na minha cintura, me impedindo de colidir com o concreto.
Os braços me puxaram de volta para os meus pés. Uma vez liberada, envergonhada, eu me virei para agradecer ao meu salvador. Edward estava me olhando com aquele famoso olhar em branco em seu rosto.
Fogo passou pela minha face. Nas últimas duas semanas eu tinha começado a me encontrar cada vez mais atraída pelo meu parceiro de história. A última coisa que eu queria dele era que ele me visse tropeçar em meus próprios pés.
"Obrigada, Edward." Eu murmurei do meu peito.
Ele deu de ombros. "Você estava caindo." Foi a sua única explicação.
Eu puxei minha roupa, tentando arranjar-me de uma forma muito mais atraente. "Não seria a primeira vez." Encolhi os ombros de volta. Um riso nervoso escapou-me.
Edward olhou para mim. Seu rosto não parecia mostrar emoção. Não importa o que estava acontecendo à sua volta, o rosto de Edward permanecia tão branco como a escultura em pedra com a qual ele parecia tão igual. "Você cai muitas vezes?" Suas palavras saíram parecendo como uma linha de questionamento médico.
"Sim." Eu corei um pouco mais.
Ele me olhou por um momento. "Pode ser um problema no ouvido interno".
Eu realmente não tinha idéia de como responder a essa afirmação. Ele estava tentando ser útil, ou ele estava me provocando? De qualquer forma ele não estava fazendo um trabalho muito bom.
"Obrigada?"
Ele deu de ombros. "Ou isso, ou você precisa prestar mais atenção para onde você está andando".
Ele começou a andar para a sua aula. Tomei uma decisão em uma fração de segundos para tentar acompanhá-lo. As pernas de Edward eram muito mais longas que as minhas e eu temia tropeçar outra vez enquanto nós caminhamos pelo campus. O caminho que ele tomou era o caminho mais longo para a minha aula, mas eu não percebi. Minha cabeça estava ocupada tentando vir acima com algo a dizer. Até onde eu sabia, tudo que Edward e eu tínhamos conversado era sobre a aula de história. Salvar aula de história para aula de história. Edward começou a se desviar em direção ao prédio de música exatamente quando se tornava imperativo para eu seguir em outra direção.
"Vejo você na aula." Eu sorri para ele. Mantenha isso simples e amigável.
Ele pareceu assustado por um momento, como se tivesse acabado de perceber que eu estava andando ao lado dele durante todo esse tempo. Ele me deu um sorriso de boca fechada e levantou sua mão. O gesto poderia ter sido um aceno se não tivesse sido tão duro e parecido tão forçado.
Eu suspirei com frustração logo que ele estava fora de vista. Eu precisava encontrar algo em comum com essa pessoa se eu tivesse qualquer chance de ter uma conversa real com ele.
"Obrigada novamente por me pegar." Eu disse enquanto deslizava em minha mesa.
Edward estava desenhando no papel marrom que ele tinha usado para cobrir o seu livro de história. Ele era a única pessoa que eu conhecia desde o ensino médio que ainda encapava seus livros.
"Eu teria feito o mesmo para qualquer um." Ele disse, mais focado em seu rabiscar do que em mim.
Eu dei um suspiro. Não importa o quanto eu me canse de fazer, Edward era sempre o mesmo. Edward olhou para mim, assustado com o barulho alto que eu fiz. Sorri fracamente para ele e deitei minha cabeça na minha mesa.
Era hora de considerar desistir. Este quebra-cabeça não queria ser resolvido, como um cubo mágico de rubix que não volta e todas as peças eram grudadas. Suspirei novamente, desta vez mais calma. Não havia nenhuma maneira que eu quebraria Edward.
Aceitando a derrota, eu puxei meu fichário da minha mochila. Edward fez o mesmo. Com o canto do meu olho vi algo familiar. Enfiado na cobertura de plástico da sua pasta estava um panfleto amarelo que era idêntico ao que eu tinha no meu quadro de cortiça em casa.
Por um momento pensei em perguntar a ele sobre isso. Afinal, um tema de conversa era um tema de conversa. Mas, em vez disso, decidi não mencioná-lo e simplesmente deixar algumas das peças caírem em cada lugar por conta própria.
Nota da Tradutora:
Então, o que acharam? Edward é meio estranho nessa fic, é só o que posso dizer...
Deixem reviews! Vou tentar postar o próximo cap. durante a semana.
Bjs,
Ju
Postei hoje também em: Bella Swan: Kidnapper, Our Last Summer e Cullen Ballet Academy.
