Capitulo I
Aturdida com o locutor que falava sem parar, Bella Swan desligou o rádio-relógio e voltou a re costar a cabeça no travesseiro.
Na certa ela estava bem confusa. A prova disso era ter colocado o rádio-relógio para despertar às cinco e meia. Tudo por culpa daquela tempestade que durava três dias que a mantivera presa ali naquela casa. Outro motivo que deixava Bella certa que estava muito confusa era a vontade que tinha de sair pela praia à procura de pedaços de maneira para a sra. Weber.
Bella fechou os olhos. Coitada da sra. Weber... A mulher parecia tão triste quando lhe mostrara sua coleção de arte, isso caso se pudesse chamar de arte inúmeros pedaços de madeira recobertos por flores de plástico e conchas.
Mas a vizinha de Bella, obviamente gostava muito desse passatempo. Logo pela manhã a mulher adorava ficar vasculhando a praia. De acordo com ela, o mar sempre lhe trazia grandes surpresas. E essas grandes surpresas eram pedaços de madeira de tamanhos e formas inimagináveis. E tudo precisava ser recolhido bem cedo, antes que o mar retirasse da praia o que lá havia deixado.
— Eu sempre facilito a minha vida — Bella disse se espreguiçando. — Da próxima vez que prometer algo a alguém preciso me lembrar que detesto acordar tão cedo.
Bella olhou para o rádio e lembrou-se do que Arnie, o locutor, estava dizendo quando ela acordara.
— Onde ele consegue arrumar tanto assunto, tanta disposição às cinco e meia da manhã?
Devagar, Bella tirou uma das pernas de sob o lençol e tocou o tapete que Aro Volturi havia lhe trazido de presente na última viagem que fizera ao Taiti.
— O tapete é macio, mas a minha cama é muito mais. — Ela voltou a colocar a perna sob o lençol e disse se repreendendo: — Vamos, Bella Swan. Não seja assim tão preguiçosa. Faça exatamente o que tinha se proposto. Afinal, a vida é bela e acordar às cinco e meia da manhã não é uma grande tragédia. Vamos, abra os olhos e encare a vida. Não seja covarde! — Mais uma vez ela se espreguiçou. — Mas eu sou uma covarde! Uma grande covarde! Estava tendo um sonho tão bonito... Aí o Arnie me acorda falando sobre gorilas, patos... Será que era isso mesmo que aquele locutor maluco estava falando? Não sei... Só sei que preciso me levantar! E vai ser agora! — Ao pronunciar a última palavra, Bella deu um pulo da cama e se aproximou da janela.
— Cada dia me surpreendo mais comigo mesmo. Ontem tinha certeza que a tempestade ia passar, viu James?
James era um gato de cinco anos.
— Foi por isso que coloquei esse maldito despertador tão cedo. E olha lá, amigo! O sol está brilhando e a praia está repleta de objetos: latas, garrafas, um ténis e muitos outros produtos dessa humanidade que se acha maravilhosa. Quando é que as pessoas vão aprender que precisam se preocupar com o meio ambiente?
— Bella olhou para o gato que estava sobre um tapete. — James? Por que você não fala comigo? Olha lá: também tem dois tocos bem grandes e... e... Mas aquilo na beira da praia não é um toco. Pelo que sei, tocos não têm braços nem pernas... James: é um homem! E ele pode estar morto!
Assustada, Bella saiu da janela e correu para a cozinha: pre cisava entrar em contato com o serviço de emergência! Mas ao chegar na cozinha lembrou-se que não mandara ligar o telefone pois quando fora para aquela casa estava pretendendo ficar bem longe do mundo civilizado.
— Como sempre, você tem ideias maravilhosas, Bella Swan. Faz trinta e dois anos que você tem ideias geniais! Um homem jogado na praia e você não tem como pedir ajuda.
Bella abriu a porta da cozinha com cuidado. Dali dava para ver o homem que continuava sem se mexer.
— Agora tenha um pouco de coragem e vá até lá! — Bella estava parada junto à porta. — Mas ele pode estar fingindo, não pode? Você se aproxima e pronto: é atacada! Se pelo menos tivesse uma arma, poderia chegar perto dele com mais segurança.
Bella inspirou profundamente. Precisava fazer alguma coisa. Não podia ficar ali parada sem fazer absolutamente nada!
Com muita cautela, se aproximou do homem e ficou olhando para ele.
"Ele não pode estar morto! Deus, por favor, não brinque comigo: o que vou fazer com um homem morto? Decorar o seu corpo com flores de plástico e conchas?", ela se perguntava em pensamento.
Vendo que o homem continuava em se mexer, Bella agachou-se ao lado dele e ficou olhando. Mesmo de bruços, com os braços estendidos para frente e com quase metade do corpo coberto pela água, dava para perceber que o homem tinha um belo físico.
— Ele poderia pelo menos dar um sinal de vida. O que eu faço na praia de camisola, na companhia de um homem que não sei se está morto? E ele usa umas roupas estranhas... — Bella balançou a cabeça. — Será que agora, Bella Swan, vai se preocupar se o homem conhece ou não a moda masculina atual? Esqueça a roupa e faça alguma coisa útil!
Bella achava que a primeira atitude a tomar seria colocá-lo de costas.
— Isso. De costas. Você tem que colocá-lo de costas. Mas se estiver morto? Vai começar a gritar de medo? — Com cautela, encostou um dedo no braço dele e imediatamente o retirou. — Se está morto eu não sei, mas esse homem está supergelado! Mas isso pode ser por causa da água.
Ela entrelaçou os dedos como se rezasse e tentou se lembrar do curso de primeiro socorros que havia feito.
— Acho que primeiro devo bater nas costas dele. Será que é isso mesmo que tenho de fazer? — Ela pensou um pouco e concluiu: — Bem, se de nada adiantar, caso esteja vivo pelo menos vai saber que eu estou aqui. Mas será que se eu fizer isso não vou prejudicá-lo ainda mais?
Bella pensou um pouco e resolveu bater nas costas do homem. Mas logo desistiu.
— É melhor virá-lo de costas. — Desta vez Bella não titubeou e resolveu fazer o serviço. Mas onde encontrar forças para virar um homem daquele tamanho? — Não interessa se você tem ou não forças. Vamos! Vire esse homem de barriga para cima!
Com um esforço muito grande ela finalmente conseguiu virá-lo.
— Agora chega de pânico! Ponha em prática os seus conhecimentos!
Como por milagre tudo o que havia aprendido no curso foi se descortinando a sua frente.
— É isso mesmo! Não desista! Continue! Vai dar certo! Quem diria, hein Bella Swan? Quem diria que um dia você estaria numa praia de manhãzinha, tentando ressuscitar um homem!
De repente o homem tossiu.
— Maaaravilha! — ela gritou e continuou executando tudo o que se lembrava. — Agora respire, moço! Vamos, respire! Não está me ouvindo? Respire!
De repente, dois olhos de um verde estonteante a fitaram.
— Nossa! Mas que cor de olhos! — ela disse admirada.
O homem, depois de alguns instantes a empurrou e começou a vomitar violentamente.
Bella agora fitava o homem com imenso orgulho. Ela havia conseguido. Ela, a avoada Bella Swan havia conseguido salvar a vida de um homem. A vida fizera dela uma heroína!
"Quem disse que eu só sirvo para fazer revisão de livros? Também sirvo para muitas outras coisas!", ela pensava satisfeita.
— Melhorou? — Bella perguntou ao homem que continuava deitado.
— Não estou sentido-me nada bem. O que aconteceu?
— A mim você vem perguntar o que aconteceu?
O desconhecido tentou levantar-se mas voltou a deitar-se.
Bella foi para mais perto dele e estendeu-lhe a mão.
O homem ficou olhando para a mão dela sem saber o que fazer.
— Vamos, pegue a minha mão. Eu ajudo você. Vai querer ficar o dia inteiro deitado aí? — Vendo que ele mal conseguia se mexer, ela voltou a agachar-se. — Se apoie nos meus ombros. E foi exatamente o que ele fez. Só que nos instante em que Bella estava se levantando, o homem soltou todo o peso do corpo sobre ela.
— O que está pensando que eu sou? A Mulher Maravilha? Se não me ajudar, não vou conseguir. Você é muito pesado. Também com um corpo desse! Seria muito bom que você tivesse os músculos menos desenvolvidos e fosse um pouquinho mais leve. Força, moço! Força! Tente se ajudar e me ajudar um pouquinho mais. A minha casa fica bem perto daqui. E você também não precisava ser tão alto! Ou eu podia ser menos baixinha!
O homem finalmente conseguiu se levantar.
— Ótimo! Mas não jogue o seu peso todo em cima de mim. Se continuar fazendo isso, vou me afundar na areia. — Mas o homem parecia que não a escutava. — Desse jeito não vai dar. Deve estar sendo muito difícil para você. Vamos fazer o seguinte: volte a sentar-se e eu vou tentar entrar em contato com as autoridades. Você não corre nenhum risco. Vai demorar muito para a maré voltar a subir.
De repente o homem passou a se apoiar quase que completamente nas próprias pernas.
— Não, não quero que chame as autoridades. Já estou bem, pode acreditar.
— Sabe que fazemos uma bela dupla? A Mulher Maravilha e o Super-homem!
Mas a força dele logo se esgotou. Então, passo a passo os dois foram caminhando até a porta da casa. Quando entraram, Bella resolveu levá-lo até o seu quarto.
— Não, não faça isso. Estamos chegando — ela recomendou quando percebeu que ele, mais uma vez, se apoiava quase que completamente em seus ombros. — Só faltava nós dois cairmos agora! Aguente firme. Só faltam mais alguns passos.
Usando o pouco da energia que ainda lhe restava, Bella fez com ele chegasse até a cama. — Deite-se. Vamos, deite-se.
O desconhecido deixou aquele corpanzil cair de repente sobre a cama. Com o barulho, James saiu correndo miando.
— Estarei eu no céu? — o homem perguntou olhando para ela.
— E ainda tem alguma dúvida? Você está no céu e eu sou o anjo Gabriel. Mas não precisa se preocupar. Você não morreu. Nem eu. Ainda! Mais um pouco apoiando você e na certa eu teria partido desse mundo para-o outro. Nunca pensei que fosse uma mulher tão forte. Mas agora estou precisando descansar um pouco. Afinal, ninguém é de ferro. Eu pelo menos não sou. Quanto a você, tenho quase certeza que é de ferro, sim. — Bella respirava com muita dificuldade. — Mas deixa eu me recuperar um pouco. Já já vou sair para procurar ajuda.
— Não! — ele exclamou, fazendo um grande esforço para manter os olhos abertos. — Você será muito bem recompensada pela ajuda que me deu e também pelo seu silêncio.
Será que ouvira direito o que ele lhe dissera? Aquele homem estava prometendo-lhe uma recompensa pela a ajuda e pelo silêncio dela? Mas Bella não queria fazer nada de anormal. Se ainda estivesse pensando em ligar para o Arnie, o locutor daquela rádio maluca, aí sim o desconhecido teria que ficar preocupado. Arnie na certa faria o maior estardalhaço e rapidamente toda a região saberia o que tinha acontecido. Mas a única coisa que estava pretendendo fazer era pedir ajuda.
— Olha aqui, moço, você está ferido. Se ainda não sabe, tem um belo corte na cabeça e eu o encontrei desmaiado. Pensei até que estivesse morto. Quem pode me assegurar que não está com o crânio fraturado? Isso pode ser muito perigoso. Não sou médica e tenho que tomar algumas providências. Não posso...
— Cale-se! Deus, será que vou precisar costumar a língua desta mulher? — ele a interrompeu com firmeza. Depois tocou o peito e a nuca à procura de algo. — Meu embornal! O que fez com o meu embornal, senhora? Eu preciso dele.
Bella olhava para o homem que ajudara e agora ocupava sua cama com vontade de esganá-lo. Onde já se viu alguém ser tão grosseiro? Ela lhe salvara a vida! Quem ele pensada que era? O dono do mundo?
— Diga-me, senhora, onde pôs o meu embornal?
— Na certa ele ficou na praia ou você o perdeu — ela disse com um imenso prazer pois sabia que a resposta iria irritá-lo.
O homem virou-se para a janela e ficou em silêncio. Bella, próxima à cama, via o estado que seus lindos lençóis haviam ficado.
Ele voltou-se e pareceu ter ficado chocado com a presença de Bella.
— O que ainda está fazendo aqui? Por que deixou meu embornal na praia? Vá buscá-lo imediatamente!
"O que será que tem dentro desse embornal? E que palavra mais antiga... Embornal? Se ainda ele estivesse preocupado em ter perdido a bolsa, tudo bem. Mas embornal... E eu que pensei que fosse ter um homem aos meus pés, me agradecendo por ter lhe salvo a vida... Sou mesmo uma grande idiota. E a história de costurar a minha língua... Ah, esse machão desqualificado ainda me paga!, Bella pensava, olhando bem no fundo daquele olhos azuis.
— Vou tomar um banho e depois procurarei alguém para cuidar de você.
— Vá imediatamente procurar o meu embornal!
— Você só pode ser louco! Está na minha casa e ainda grita desse jeito desse jeito comigo! Vá para o inferno!
— Não dirija-se a mim dessa maneira! — ele disse e imedia tamente levou a mão à cabeça.
— Tudo bem, tudo bem... Não tirei você da praia para vê-lo morrendo na minha cama. Se essa porcaria de embornal é tão importante, vou procurá-lo para você. Mas vê se fica calmo. O que tem nesse embornal? Drogas?
— Drogas? E o que eu faria com drogas? Eu não sou um boticário.
— Você não é o quê?
— Eu não sou um boticário — ele voltou a responder.
E ele repetira a palavra! Não seria melhor ter dito que não era um farmacêutico? Ou ficar calado?
— Se não tem drogas no seu embornal, o que você tem lá dentro?
— O meu manuscrito — ele respondeu, tentando vira-se de lado. — Apenas vá buscá-lo. Por favor, traga-o para mim. Depois, deixe-me descansar um pouco aqui e prometo que me retirarei. Não quero causar-lhe nenhum problema, nenhum tipo de problema.
Agora havia melhorado. Ele lhe pedira com educação que fosse procurar o embornal.
— Não precisa me fazer promessas. Descanse o tempo que for necessário — Bella disse, mas o homem havia adormecido. —- É muita grosseria... Me deixar assim falando sozinha...
Bella sabia que o correto seria chamar a polícia ou ir atrás de um telefone para pedir uma ambulância. Logo estaria com pessoas ali para ajudá-la. E ela precisava de ajuda. E como! Antes, porém, iria procurar o embornal.
Bella deu uma andada pela praia, certa de que não iria encontrar nada. Mas de repente, ela viu o embornal misturado com o lixo, uns metros adiante do local que encontrara o homem.
Com o embornal pendurado no ombro, ela aproveitou para pegar alguns pedaços de madeira para a sra. Weber. Intrigada, sentou-se numa pedra. Aquele homem era bastante estranho: lindo, mas estranho! Falava de um jeito diferente, tinha um sotaque que parecia britânico e usava umas roupas...
Bella ficou ali sentada por alguns minutos. Que atitude tomar? Talvez não devesse chamar nem a polícia nem uma ambulância. Apesar de achar que homem era estranho e grosseiro, sentia que não corria nenhum tipo de risco.
— E fisicamente ele parece muito bem. Só deve estar agora muito cansado. Por isso também não vou chamar a ambulância.
Decidida a ler o manuscrito dele depois que tomasse um banho e fizesse um café, Bella foi para casa.
"Será que ele é mesmo um escritor? Vou dar uma olhada nesse manuscrito para ver se é possível publicá-lo. Mesmo se não for muito bom escritor, posso dar uma olhada no texto e entregar para o Aro ou para algum outro editor. Quem sabe? Não custa arriscar!", ela pensava já no banho. "Na minha vida já aconteceram muitas coisas estranhas, mas encontrar um homem quase morto em frente a uma casa de praia... e ainda com um manuscrito... aí já é demais... Se contasse, ninguém iria acreditar..."
— Acreditariam, sim, Bella. Mas é claro que acreditariam. Mas é claro que acreditariam. Todo mundo sabe que com você acontecem coisas incríveis! — ela disse em voz alta. — Portanto, não se preocupe!
