Uma dor de cabeça absurda e agoniante a abraçou assim que ela recobrou a consciência. Abriu os olhos com alguma dificuldade, tentando identificar onde estava. Olhou ao redor, a janela semiaberta revelava raios solares, anunciando uma vívida manhã. O quarto não lhe era familiar; a cama macia e reconfortante era agradável, havia uma planta escura sobre o criado mudo, um guarda roupa escuro de mogno batido no canto esquerdo do cômodo; um quadro abstrato em preto e branco decorando uma parede quase nua. Ela havia ido para casa com Michael na noite passada? Sua cabeça latejava, pulsos intermitentes de dor e incômodo ressoando dentro do seu crânio. Ergueu os lençóis e se deu conta da sua gloriosa nudez, concluindo que sim, ela passara a noite com alguém. Por que é que ela bebera tanto?

Duas batidas na porta a alertaram, e ela ajeitou-se, puxando o lençol sobre si. "Posso entrar?" Perguntou um homem. Aquela não era a voz de Michael. Seu coração acelerou, incerta sobre o seu paradeiro.

"Pode." Respondeu ela, sentindo sua voz raspar a garganta.

Ao entrar, e assim que seus olhos se encontraram, ela sentiu seu coração parar por alguns segundos.

"Você."

O homem do pub. O atraente, delicioso e misterioso homem que ela havia visto na noite passada. Mas como é que ela terminara na cama dele? Nua? Eles haviam… Oh, boy. Ela ficaria muito decepcionada se tivesse transado com aquele pedaço de mau caminho e não tivesse nenhuma lembrança. Ajeitou-se desconfortavelmente, e percebeu o olhar dele sobre seus ombros nus. Percebeu sua roupa nas mãos dele, e ele, percebendo a atenção dela, respondeu. "Trouxe suas roupas. Elas estavam na centrífuga."

Ela assentiu, e ele aproximou-se da cama, colocando a roupa dobrada sobre a mesma. Regina observou o cuidado com que ele dobrara sua calcinha e sutiã. Encarou-o, ligeiramente acanhada.

"Você se lembra de alguma coisa sobre ontem?" Questionou ele, sorrindo educadamente. Céus, ele era absurdamente atraente. Os cabelos loiros pareciam mais brilhantes e limpos sob a luz do dia, a barba loira e bem cortada, os olhos azuis calmos e límpidos. Ele transmitia segurança, mesmo a salvo do fato de que ela estava nua em sua cama. Então ela balançou sua cabeça, assumindo de uma vez que não, ela não se lembrava de nada.

"Nós…" Começou ela, e ele balançou a cabeça.

"Não."

"Mas eu estou nua."

"Não foi eu que tirei sua roupa." Sorriu ele, encarando-a. "Eu pedi a você para entrar no quarto e colocar algo confortável enquanto eu lavava a sua roupa, e você estava vestida quando me deu o vestido."

"Certo." Suspirou ela, reparando nele com total devoção desde que ele entrara no quarto. Usava uma calça de moletom cinza e uma regata de algodão branca, o corpo largo e marcado por músculos definidos em sua atraente plenitude, lembrando-a o quanto ela havia se sentido atraída por ele desde o primeiro momento.

"Vamos fazer o seguinte. Você pode se vestir e eu espero você na cozinha. Seu estômago deve estar precisando de alguma coisa sólida. Daí eu te conto, todos os detalhes sórdidos da noite passada."

Ela suspirou. Parecia um bom plano, considerando o vazio anunciado através das vibrações em seu abdômen. "Eu espero que tenha algum detalhe sórdido. Até agora tenho a impressão de que só passei vexame."

Ele sorriu, encarando-a com certo humor antes de sair e ela permaneceu com os olhos na porta por algum tempo. Quem era esse homem?


Robin estava com os olhos na tevê quando ela surgiu em seu campo de visão. Quente como as nuances do inferno. O vestido vermelho ainda surtia o mesmo efeito, marcando o corpo pequeno e suntuoso, segurando as curvas certas, criando contrastes pecaminosos. Ela sorriu, parecendo estranhamente tímida, os pés descalços a guiando até a cadeira vazia ao redor da mesa posta. Os cabelos escuros estavam presos em um coque, e ela cheirava ao seu sabonete de macadâmia. Pernas longas se fizeram à vista quando ela sentou-se à sua frente, mas ele se esforçou em manter o foco, por mais impossível que aquela tarefa lhe parecesse.

"Temos café e suco, mas posso fazer outra coisa se quiser." Ofereceu ele, e ela o encarou, estudando suas feições por alguns segundos. Sentados ao redor da mesa, tomando café como velhos amigos, era quase como se eles já se conhecessem há tanto tempo. Regina colocou o suco no copo, pegando uma das tiras de bacon e mordiscando-a com gosto.

"É suficiente, obrigada." Agradeceu ela, respirando calmamente, os ombros movimentando-se relaxadamente. "Então…" Começou ela, sem saber como chamá-lo.

"Robin." Sorriu ele, exibindo os dentes alinhados e brancos.

"Robin." Ela encarou-o. "Como é que eu vim parar aqui? Nua, no seu apartamento, com uma ressaca absurda? Onde é que meu acompanhante foi parar?"

Ele bebericou um pouco do café escuro, há algum tempo esquecido em sua pequena xícara. Não queria que ela fosse embora tão rápido. Pelo menos ainda não. Cravejava desesperadamente saber mais daquela mulher, cravejava sua companhia; então ninguém podia culpá-lo por sua tentativa de ganhar algum tempo, não é? "Coma primeiro. A menos que esteja com pressa, ou tenha outro lugar para ir. Eu espero."

Ela pareceu cogitar a ideia, e então deu de ombros, levando mais uma tira de bacon aos lábios macios. O que ela tinha a perder?