Acônito


Harry grita.

Ele sempre grita. Eu entendo seu sofrimento e conheço sua dor mais do que ninguém, mas ele não compreende que não é o único tocado pela maldade de Tom.

Tom Riddle: o adolescente que existiu antes de Voldemort, como o acônito que anuncia o desejo de morte. E graças a sua imagem e suas palavras doces, eu nunca conseguirei pensar nos dois como uma pessoa só.

Eu sei que nas minhas primeiras palavras, minha força o encantou;
Eu sei que logo em seguida, o intriguei;
Mas, por fim, tornei-me comum.

Para Tom, eu era como todos os integrantes da Grifinória: inocente demais.

E ele dizia que eu era uma estrela timidamente brilhante, com muito a aprender e evoluir; e eu gostava. Achava que era uma forma carinhosa que ele tinha de expressar sua preocupação comigo, mostrando que eu ainda precisava crescer...

Mas eu cresci. E olhando para trás me pergunto como pude ser tão tola. Os sinais estavam tão claros e ele mesmo me dava, pois o que é uma estrela diante da imensidão?

Se eu era uma estrela, Tom era o céu inteiro.

E por isso, quando vi Harry gritar e reclamar, dizendo que ninguém o entende, não pude ficar calada diante de tamanha estupidez.

Ele sequer se lembra do que aconteceu comigo...

"Sorte sua", respondo, com mágoa.

Pois ele nunca saberá o que significou para mim.

Na minha ilusão de ter Tom ao meu lado eu o fortaleci, quase tornando real minha morte já anunciada.

Por alguns instantes eu virei o mundo dele;
Mas pela eternidade ele virou o meu.