Era mais uma tarde monótona no salão comunal da Grifinória. Sim, eu Hermione Granger, estou falando isso. Depois que eu terminei com o Weasley passei a ver as coisas de outra forma; na verdade, não foi quando terminamos, foi quando passei a conversar com o Malfoy.

Harry estava se agarrando com Gina em um sofá perto da lareira, e eu assistindo. Por um momento eu pensei que seria pornô ao vivo no salão comunal para os primeiranistas, mas eles pararam a tempo. Gina passou as mãos em suas vestes, sorrindo.

Pigarreei e eles se lembraram de mim e todos os outros no salão.

— Então, eu estava pensando, Mione... – Ela começou.

— Na verdade, Gina, há muito tempo você já não estava pensando. – Ela ergueu uma sobrancelha. – Se você não se lembra, você disse essa mesma frase antes de começar a beijar o Harry. Digamos que... mais ou menos meia hora atrás! – Sim, eu estava perdendo a paciência.

— ...que nós poderíamos fazer uma festa depois da formatura. – Falou como se eu não tivesse a interrompido.

— Uma festa? Gina, você nem vai se formar com a gente. – Eu me lembro da última festa... uma Hermione sóbria para cuidar de alguns bêbados!

— Mas nós podemos fazer mesmo assim. Fora do castelo. Por nossa conta.

— Digamos que seja uma boa ideia, vai arrumar dinheiro para bancar comida de graça para esfomeados de onde?

— É simples, podemos fazer algumas coisas para conseguir alguns galeões.

— Galeões? Acho que está pensando alto demais. – Cantarolei antes de me levantar.

— E poderíamos chamar um certo loiro... – Ela soltou no ar.

— Não sei de quem você está falando. – Me virei e subi para o dormitório.

Não passou meia hora e ela já estava entrando saltitante.

— Tudo resolvido, vamos para aquela praia.

— Que praia? – Perguntei sem tirar os olhos do livro de poções.

— Aquela que o seu mais novo amigo te contou. – Ela falou feliz demais, eu deveria ter suspeitado.

— E fazer o que lá?

— Ah, o que mais se faz em uma praia? Arrume suas coisas, vamos aparatar em poucas horas.

— O quê?!

— Isso mesmo, voltamos para as aulas de segunda-feira.

Eu nem tive como discutir. Principalmente quando Harry me pediu para ir.

Ela tinha excluído o próprio irmão, o que eu realmente gostei, dos planos para fim de semana. Mas em compensação, os outros dois iriam. Se eu ainda não mencionei, eles iriam aparatar com a gente.

Fomos levados para o escritório do Professor Dumbledore e ele nos mandou para a Toca. O sr. e a srª. Weasley já estavam dormindo, e os gêmeos esperavam impacientes na sala.

— Pensamos que tivessem dado pra trás. – Um deles falou.

— E teríamos que ir busca-los à força. – Completou o outro.

— Não sejam chatos, Fred, Jorge. – Gina reclamou se jogando no sofá. - Podemos ficar aqui até de manhã e então, aparatar.

— E qual seria a graça de não gastar o que não temos e um pouco do dinheiro do Harry? – Um deles falou.

— Ei! – Harry reclamou, mas riu. – Realmente, qual seria a graça? Vamos aparatar.

É, Malfoy má influência pra mim, e eu virei má influência para os outros...

Ficamos uns cinco minutos parados olhando para cima. Parecia aqueles hotéis de luxo de filme trouxa, a diferença era a enorme quantidade de coisas que passava voando perto de nossas cabeças.

Paredes brancas e douradas, tive a impressão de que era ouro puro, um estacionamento um tanto peculiar de Firebolt's logo à frente da porta de entrada, e manobristas. Certo, estranho.

— Harry, tem certeza que quer...? – Comecei.

— Agora estou curioso para saber como é por dentro. Vamos antes que pensem que estamos querendo roubar.

Após um breve barraco com a recepcionista, Gina e eu conseguimos fazê-la acreditar que Harry não era um impostor e a cicatriz era real; logo, tivemos bons quartos pela metade do preço.

— Alguém vai perder o emprego... – Cantarolei enquanto Fred e Jorge iam na frente rindo.

Em outra época eu teria condenado o 'idiota' que tivesse feito isso, provavelmente um dos Weasley, mas ultimamente... acho que nem preciso falar muito não é?

Subimos algumas escadas e finalmente atingimos o andar de um dos quartos. Sim, estava tão cheio que não conseguimos todos os quartos no mesmo andar. Os gêmeos se adiantaram, dizendo:

— Aproveite, Harry, não vamos impedir de ficar no mesmo quarto que nossa irmã, mas qualquer coisa... – Gêmeo 1.
— Você não sabe se inventamos um estoura bolas automático. – Gêmeo 2.

Não reclamem, não sei mais o que diferencia um do outro; vou falar à lá Malfoy.

Continuamos nosso caminho e Gina e Harry ficaram no próximo e eu fui abandonada no último quarto. Dois andares acima. Assim que coloquei meus lindos e cansados pés no último degrau, não pude conter:

— Santo Merlim. Eles deveriam permitir vassouras dentro do hotel, ou pelo menos um elevador.

— Como se isso fosse melhorar sua situação, não é? – No mesmo instante eu congelei. Eu reconheceria aquela voz até depois de passar uma temporada em Azkaban.

— Você gritaria seus pulmões para fora se erguesse alguns centímetros no ar. – Continuou.

Certo, ele não vinha aqui há algum tempo, mas decidiu aparecer exatamente quando estou aqui. Nada suspeito.

— Ora, ora. Se não é a doninha. – Eu me virei para encará-lo, tentando ficar impassível, como eu sabia que ele estaria.

Draco Malfoy é aquele rico gostoso. Isso ninguém pode negar.

Ele estava vestindo uma camisa e calça social, branca e preta, respectivamente. A gravata já estava meio frouxa – com certeza estava se agarrando com alguém.

— O que faz aqui, Granger? Assaltou Gringotes? – Um sorriso debochado dançou em seus lábios finos.

— Não, foi a sua casa mesmo. – Respondi com um sorriso rápido e me virei para desfilar satisfeita pelo corredor, até meu quarto.

— Está aprendendo, sim... – Ele riu. – Definitivamente, sou uma má influência.