Capítulo 2: Olhos Verdes
Sam Jones tremeu levemente de frio. Devia ter trazido algo mais quente para vestir, mas além de não ter muita roupa, se trouxesse algo mais quente, seria um casaco que ocultaria por completo o seu tronco e dessa maneira os clientes não o poderiam apreciar devidamente, pelo que teria muito menos hipóteses de ser escolhido e de conseguir ganhar dinheiro nessa noite. A concorrência era feroz. Olhando à sua volta, Sam conseguia ver pelo menos mais uma dúzia de prostitutos, todos à espera de uma oportunidade para ganharem dinheiro.
Algumas pessoas poderiam perguntar porque é que estavam todos ali à espera e não espalhados por outras ruas. A resposta era fácil de entender para qualquer pessoa. Estavam todos juntos por segurança. Em outros tempos, alguns prostitutos tinham tentado ficar sozinhos nalguma rua, à espera de clientes. Mas a maioria dos prostitutos tinha acabado mal. Esfaqueados, roubados ou abusados por grupos de homens que vinham em carros e os puxavam para lá.
Assim, todos juntos, podiam ver quem ali parava o carro. Podiam avaliar a pessoa, ver se estava sozinha e não estavam sujeitos a tantos perigos. Claro que, tal como era perigoso para um cliente estar a sós com um prostituto num local isolado, o mesmo se aplicava ao prostituto em relação ao cliente, já que nem todos os clientes eram iguais e alguns tinham taras esquisitas ou podiam ser maníacos homicidas. Nunca se sabia.
Um carro parou perto do passeio e Sam e os outros prostitutos aproximaram-se. O homem dentro do carro escolheu um deles, que entrou no carro. Os outros, incluindo Sam, recuaram novamente para as suas posições iniciais e voltaram a aguardar. Sam sabia que, apesar da vida que levavam, alguns prostitutos tinham amizades sinceras uns com os outros, mas não era o caso de Sam. Mal falava com os outros e na verdade não o queria fazer de todo.
Quase todos os que ali estavam se prostituíam todos os dias, o que não era o caso de Sam. Não se considerava igual a eles. Alguns eram viciados em sexo, que se prostituíam apenas para se satisfazerem sexualmente. Outros aceitavam mais clientes por noite do que Sam poderia sequer pensar em aceitar. Não sabia como conseguiam satisfazer tantos homens e algumas mulheres também e ainda assim estarem dispostos a mais. Para esses, era o dinheiro que falava mais alto. Quanto mais, melhor.
Nesse momento, Gordon Walker passou por Sam e ele olhou-o, mas não disse nada. Gordon era um dos chulos do bairro. Supostamente, a sua função era garantir que não haveria confusão entre os prostitutos e defendê-los caso fosse necessário. Teria de os proteger. Na prática, Sam sabia que não era assim. Se algo realmente grave acontecesse, duvidava que Gordon fizesse alguma coisa para ajudar qualquer um deles. Contudo, quem não tinha um chulo não poderia prostituir-se.
Sam não percebia qual era a ideia de haver essa estúpida regra, mas sabia que tentara prostituir-se sem ter um chulo e que quase fora espancado. Gordon tinha aparecido, não para o ajudar, mas para se oferecer para seu chulo, indicando que se Sam aceitasse, seria um dos prostitutos do bairro e assim não teria problema com os outros. Sem outra alternativa, Sam aceitara. Era verdade que a partir daí já não houvera confusão com os outros, mas se no futuro isso acontecesse, estaria por sua conta e risco.
"Estou cheio de frio e não aparecem mais clientes. Nesta noite, talvez prefiram estar em casa do que vir para a rua apanhar frio. Bom, a nossa função é aquecer-lhes o corpo, por assim dizer." pensou Sam, suspirando de seguida. "Mais hoje e amanhã e poderia passar alguns dias sem ter de vender o meu corpo. Terei o dinheiro suficiente para me aguentar uns dias. Devia estar agora a estudar para o teste que vou ter, mas não tenho alternativa."
Oriundo de uma família modesta, Sam fora criado no campo e não na cidade. Aos sete anos fora à escola pela primeira vez e estudara até aos treze anos. Porém, a situação da sua família era complicada e tivera de sair da escola para ajudar o pai no trabalho no campo. Crescera e mesmo depois de sair de casa dos pais, tivera de continuar a trabalhar para se sustentar. Inscrevera-se novamente na escola. Estudava e trabalhava, mas a fábrica onde trabalhava fora à falência.
E depois disso, o dinheiro começara a escassear. Tentara arranjar outros trabalhos, mas sem grandes habilitações eram bastante difícil. Acabara por ser render à situação da prostituição, para se sustentar e para continuar a estudar. Sam queria ter estudos e formar-se. Queria aprender. Sempre gostara de aprender, de ler e sobretudo de desenhar e pintar. Na escola, quando era mais novo, diziam-lhe que desenhava bem. Agora em adulto, nas aulas de desenho tinha sempre a nota máxima.
"Tenho de continuar a prostituir-me até conseguir terminar os estudos e conseguir encontrar um emprego decente. Se conseguisse encontrar um emprego agora, seria óptimo, mas é muito complicado. Ainda me faltam estudos para ter os requisitos mínimos, como lhes chamam, para um emprego base. Mas não vou desistir." pensou Sam. "E talvez, apenas talvez, um dia consiga ser um pintor famoso. É esse o meu sonho, ter estudos e pintar. Mesmo que não seja famoso, que continue a pintar. Mas as telas são caras e as tintas também…"
Sam despertou dos seus pensamentos ao ver mais um carro parar perto do passeio e deu alguns passos em frente, pondo-se, juntamente com outros, à frente do vidro do pendura, que se abriu. O homem dentro do carro estudou os prostitutos e Sam lembrou-se do homem. Já tivera relações com ele e o homem fora bruto. Tinha deixado uma grande nódoa negra no braço. Recuou e o homem escolheu um dos outros prostitutos, que entrou no carro.
Voltando ao seu lugar, Sam desejou ter nascido numa família com posses. Desejou ter podido estudar, formar-se e depois trabalhar, sem nunca ter de enveredar por este mundo obscuro do sexo. Gordon Walker aproximou-se de Sam e tocou-lhe no braço. Sam encarou-o.
"Porque é que te afastaste daquele cliente?" perguntou Gordon, num tom pouco amistoso. "Podia ter-te escolhido a ti."
"Já estive com ele e é má peça. Magoou-me e não tem respeito por nenhum prostituto. Não queria estar com ele novamente." respondeu Sam.
"Estás aqui para servir o cliente e não para o julgares. Podem fazer-te o que quiserem e dizer-te o que quiserem, se te pagarem."
Sam cerrou os punhos, furioso. Detestava Gordon. Primeiro, fora obrigado a aceitá-lo como chulo, pois Gordon era tão mau como qualquer outro chulo, portanto era indiferente quem escolhia, mas além disso, os chulos ainda ficavam com uma parte do dinheiro que os prostitutos ganhavam. Sam detestava isso, mas se se revoltasse, não poderia mais prostituir-se e perderia de vez todo o dinheiro que ganhava. Claro que, quando por alguma razão recebia mais dinheiro do que o normal, como tinha acontecido com o cliente dos olhos verdes da noite anterior, Sam guardava o extra para si e Gordon não chegava a saber.
"Espero que não voltes a afastar-te assim de nenhum cliente, a não ser que queiras problemas para o teu lado." disse Gordon, em tom de ameaça, afastando-se.
Sam ficou ainda mais aborrecido que antes. Detestava ameaças, mas sabia que realmente se voltasse a fazer o que tinha feito, haveria problemas. Não com os outros prostitutos, pois eles ficavam satisfeitos se tivessem menos uma pessoa a competir por um potencial cliente, mas sim com Gordon. E Gordon, apesar de tudo, era influente entre os outros chulos. Se se metesse em sarilhos, seria expulso dali e nenhum dos outros chulos o aceitaria.
Pouco depois, um outro carro parou perto do passeio e Sam aproximou-se novamente do vidro da frente do carro, juntamente com os restantes prostitutos. Quando o vidro baixou, Sam susteve a respiração ao ver que se tratava de um dos clientes com quem tinha estado no dia anterior. O cliente dos deslumbrantes olhos verdes. Dentro do carro, Dean olhou para os rostos e reconheceu o prostituto com quem estivera na noite anterior. Sem saber porquê, a sua pulsação acelerou.
Fez sinal a Sam para se aproximar. Sam aproximou-se do vidro e disse a Dean o mesmo preço que tinha dito na noite anterior. Ele acenou afirmativamente e Sam entrou no carro, fechando a porta atrás de si. Pouco depois, o carro arrancou e Dean conduziu novamente para o mesmo local onde tinha parado na noite do dia anterior. Enquanto se dirigiam para lá, Sam olhou para o seu cliente, ficando aliviado por ter sido escolhido e ir fazer algum dinheiro, além de que sabia com o que podia contar com aquele cliente.
"Sei, pelo menos, que não é bruto como muitos outros. E ontem deu-me dinheiro a mais e tudo." pensou Sam. "E tem uns olhos… porque é que estou a pensar nisso agora? Que estupidez. É apenas mais um cliente e é só isso."
Nessa noite Sam trazia vestida uma t-shirt preta e justa, para, como sempre, lhe realçar os abdominais e músculos. A vida do campo, apesar de difícil, tinha-lhe moldado o seu corpo num corpo forte e atraente e Sam dava graças por isso, caso contrário estaria perdido e nem à prostituição poderia recorrer, pois ninguém iria ter relações com ele se não fosse atraente. Trazia vestidas novamente umas calças de ganga e novamente um colete, desta vez um colete verde-escuro, mas mais fino do que o que usara no dia anterior.
Lançando um olhar discreto ao seu cliente, Sam verificou que ele trazia vestidas umas calças escuras e um casaco escuro também. Tinha também uma camisola azul escura e um relógio de pulso preto, que parecia caro. Antes de ir para o bairro, Dean tinha mudado de roupa em casa, deixando o fato completo para trás.
"Definitivamente, tem dinheiro." pensou Sam. "Tem boa roupa, um bom carro, um bom relógio… e eu estou com inveja. Quem me dera ter todas estas facilidades e não ter de me prostituir. Mas parece que nem todos merecem ter sorte. Não devo ter pena de mim, porque isso não ajuda em nada. Vou fazer o que tenho a fazer com ele e depois passo ao próximo cliente."
Quando chegaram finalmente ao local onde tinham estado no dia anterior, Dean parou o carro e trocou um olhar com Sam. Como tinham feito no dia anterior, passaram ambos para o banco de trás e Dean trancou a porta do carro. Desta vez, Sam avançou de imediato. Queria acabar depressa com aquilo. Estava a incomodá-lo estar junto daquele cliente e desta vez não queria demorar-se mais tempo para poder ganhar mais dinheiro. Despiu o casaco de Dean e de seguida a camisola dele, começando a beijar-lhe o pescoço.
Dean gemeu levemente, enquanto Sam deixava de lhe beijar o pescoço e lhe lambia o peito, passando de seguida para os mamilos. Dean voltou a gemer e fechou os olhos por alguns segundos. Quando os voltou a abrir, Sam estava a começar a desapertar-lhe as calças. Nesse momento, Dean decidiu seguir com a ideia original que tinha para aquela noite. Puxou Sam mais para si, levantando-lhe a cabeça até estarem ao mesmo nível e aproximou os seus lábios dos lábios do prostituto. Sam recuou.
"Ei! Os beijos na boca não estão incluídos no preço." disse Sam, quebrando o clima de sensualidade que se fizera sentir nos segundos anteriores.
"Eu pago o que for preciso." disse Dean.
Sam hesitou. Já tivera experiências anteriores em que alguns dos seus clientes o tinham tentado beijar. Em quase todas as situações, tinha sido horroroso. Homens meio desdentados a beijarem-no, homens feios e repulsivos e alguns com muito mau hábito. Não, não tinham sido experiências muito agradáveis. Porém, olhando para aquele cliente à sua frente, com aqueles olhos verdes, acenou afirmativamente. Esperava que não fosse assim tão mau e, mais que tudo, iria cobrar um extra e precisava mesmo do dinheiro.
Depois de Sam acenar em assentimento, voltou a aproximar a sua cara da cara do seu cliente. Dean avançou, colocou um dos seus braços por detrás do pescoço de Sam e de seguida beijou o prostituto. Sam deixou a língua do outro entrar na sua boca e explorar. A principio o beijo foi cuidadoso e depois tornou-se bastante mais intenso, numa batalha de línguas. Sam apressou-se a corresponder ao beijo. Afinal, era para isso que o outro lhe estava a pagar. E Sam percebeu que pelo menos com este cliente, estava enganado. O cliente beijava muito bem e não tinha nenhum mau hálito ou qualquer falta de dentes que pudessem tornar a experiência desagradável.
Quando Dean quebrou o beijo, apressou-se a tirar o colete a Sam e de seguida despiu-lhe a t-shirt. Quando Sam já se preparava para voltar ao seu objectivo anterior, de desapertar as calças do seu cliente, Dean empurrou-o suavemente, fazendo-o deitar-se por completo no banco do carro. Para surpresa de Sam, logo de seguida o seu cliente debruçou-se sobre ele e começou a beijar-lhe o peito. Sam soltou um gemido involuntário.
De todas as vezes em que se prostituíra, nunca tinha acontecido isto. Nunca nenhum dos seus clientes lhe tentara proporcionar deliberadamente algum tipo de prazer. Sam gemeu novamente quando Dean passou a língua por um dos seus mamilos e o mordiscou. Dean ergueu um pouco o olhar e sorriu ligeiramente, continuando de seguida com os seus afazeres. Estava a conseguir dar prazer ao prostituto, tal como quisera fazer.
Sam fechou os olhos, enquanto várias sensações passavam pelo seu corpo. Pensava que estava agora tão automatizado que nem sentiria certas coisas, mas estava enganado. Quando era ele a fazer isto aos seus clientes, não sentia nada. Era trabalho. Mas desta vez era um cliente que o estava a excitar a ele e Sam sentia tudo. Queria realmente sentir. Alguém estava a fazê-lo sentir-se bem.
Contudo, forçou-se a abrir os olhos. Tinha de parar o cliente agora. Não sabia que intenções teria e onde isto o poderia levar. Ergueu-se um pouco e Dean parou de brincar com os mamilos do prostituto, olhando-o. Sam engoliu em seco, ao ver aqueles olhos verdes pousados em si. Aqueles olhos verdes, agora parecendo flamejantes e cheios de desejo e excitação.
"O que é que está a fazer?" perguntou Sam, desconfiado. "Quais são as suas intenções ao fazer isto?"
Dean encarou o prostituto olhos nos olhos.
"Parece-me justo que sintamos os dois prazer." respondeu Dean, numa voz um pouco rouca.
"Eu estou a ser pago para lhe dar prazer a si e não para que me dê prazer de volta."
"Mas e se eu o quiser fazer?" perguntou Dean. "Estou no meu direito, não é verdade? Pago-lhe o tempo que utilizar, por isso não se preocupe."
Dean aproximou-se mais de Sam e beijou-o novamente. O prostituto ainda estava em choque. Nunca tivera um comportamento daqueles da parte de nenhum dos seus clientes. Correspondeu ao beijo novamente e ficou agradavelmente surpreendido por estar a ser ainda melhor que o anterior. Sem pensar, colocou os dois braços à volta do pescoço do seu cliente e aprofundou o beijo. Ficaram a beijar-se durante alguns segundos, até terem de se separar para respirar. Sam apressou-se a tirar os braços do pescoço do seu cliente. Dean aproximou a sua boca de orelha de Sam.
"Espero que isto esteja realmente a dar-te algum prazer. É esse o meu objectivo." disse Dean. "Responde-me com sinceridade. Sentiste algum prazer?"
"Sim, senti." respondeu Sam, de imediato.
Depois calou-se subitamente. Devia, apesar de tudo, manter uma certa distância do cliente. Deveria excitá-lo, dar-lhe prazer e satisfazê-lo fisicamente, mas não lhe dar confiança para além da parte física. Contudo, tinha apenas dito a verdade. Por seu lado, Dean olhou para o prostituto, tentando perceber se ele estava a dizer a verdade ou não e Sam devolveu-lhe o olhar. Parecendo satisfeito, Dean voltou a falar.
"Qual é o ponto do teu corpo que te dá mais prazer?" perguntou Dean.
Sam hesitou. Devia parar por ali. A situação estava a fugir totalmente ao seu controlo. Por esta altura, deveria já ter feito sexo oral ao seu cliente e já estar quase despachado de tudo, porém encontrava-se numa situação que nunca lhe acontecera. Enquanto a sua mente lhe dizia para tentar arranjar maneira de se livrar do cliente, o seu corpo parecia ter ideias diferentes. Dean passou uma das mãos pelo pescoço de Sam e ele não conseguiu conter-se mais.
"O pescoço." respondeu ele.
"O pescoço? Muito bem…"
A boca de Dean avançou para o pescoço de Sam, como se Dean fosse um vampiro preste a saciar a sede. Lambeu-lhe o pescoço, beijo-o, mordiscou-o e Sam não conseguiu conter-se, gemendo. Era de facto a parte do corpo que, quando estimulada, lhe proporcionava mais prazer. Enquanto beijava o pescoço de Sam, Dean começou a desapertar-lhe as calças. Sam fechara os olhos novamente, esquecendo-se de onde estava ou com quem estava por alguns segundos.
Sam abriu novamente os olhos quando Dean lhe tirou as calças e colocou uma das mãos dentro dos seus boxers, acariciando-lhe o pénis. Dean parou de lhe mordiscar o pescoço, beijando novamente a boca do prostituto, antes de se baixar mais e começar a estimular o órgão sexual do prostituto. Sam gemeu novamente, voltando a fechar os olhos. Tudo à sua volta parecia desvanecer-se, tendo apenas consciência do prazer que recebia. Quando o prostituto estava próximo do clímax, Dean parou de o estimular oralmente.
Sam abriu lentamente os olhos, vendo Dean tirar um preservativo de dentro do casaco. Os passos seguintes eram os mesmos do dia anterior. Dean humedeceu os dedos e introduziu um deles dentro do rabo do prostituto, com cuidado para não o magoar. Quando Sam estava finalmente pronto, Dean puxou-o mais para si e penetrou-o. Desta vez, o sexo foi mais intenso. Depois de alguns segundos de penetração, Dean fez o prostituto mudar de posição. Sam subiu para o colo de Dean, continuando a ser penetrado e colocando as pernas à volta da cintura de Dean, mas agora estando os dois frente a frente.
Sam gemeu novamente quando Dean lhe começou a passar as mãos pelo peito e a beijar um dos mamilos. Há muito tempo que Sam não se sentia assim. Desta vez estava realmente a sentir prazer. Não estava a fingir nada. Quando Sam e Dean chegaram ao clímax, Dean parou de penetrar o prostituto e ficaram os dois, ofegantes, olhando um para o outro. Sam baixou um pouco a cabeça e Dean beijou-o novamente. Pouco depois, limparam-se com os toalhetes que Dean tinha no carro e voltaram ao banco da frente. Dean arrancou com o carro, indo de volta ao bairro da prostituição.
Sam suspirou, olhando para Dean, desta vez sem ser discretamente. Aquele cliente era bastante diferente dos que costumava encontrar. Tinha-o tratado bem, tinha-lhe dado mais dinheiro no dia anterior e agora proporcionara-lhe realmente prazer, como nenhum dos outros clientes tinha feito ou pelo menos, não intencionalmente e nunca fora tão avassalador como desta vez.
A viagem de volta ao bairro foi feita em silêncio, apesar dos dois ocupantes do carro estarem ambos pensativos. Quando chegaram à rua onde estavam os outros prostitutos, tal como fizera no dia anterior, Dean parou do outro lado da estrada e pagou a Sam. Novamente, era dinheiro a mais, mas desta vez Sam não disse nada, pois Dean lançou-lhe um olhar que dizia para ficar com o dinheiro. Quando se preparava para sair do carro, Sam hesitou e olhou para Dean.
"Obrigado. Eu nunca… esqueça. Adeus." disse Sam, abrindo a porta do carro.
"Espera. Diz-me, realmente valeu a pena o meu esforço para te tentar proporcionar prazer?" perguntou Dean.
Sam não respondeu com palavras, mas acenou afirmativamente. Subitamente, sentia-se bastante envergonhado olhando para aqueles olhos verdes que o observavam. Dean sorriu ligeiramente.
"Uma última coisa, se não for pedir muito." disse Dean. "Como te chamas?"
"Eu chamo-me Sam. Adeus."
Sam saiu do carro e fechou a porta, correndo para o outro lado da estrada, desta vez sem olhar para trás. Amaldiçoou-se mentalmente. Não devia dizer o seu nome a nenhum dos clientes, muito menos o nome verdadeiro e não lhes devia dar tanta confiança, porém, com aquele cliente tudo tinha sido diferente, pelo que não soubera como reagir. Segundos depois, o carro de Dean arrancou e desapareceu ao virar para outra rua. Sam suspirou novamente.
"Quem será aquele homem? Gostaria de saber, mas nunca lhe perguntaria." pensou Sam. "Mas gostaria de saber quem é. Porque é que alguém como ele recorre a prostitutos? Não compreendo. Tem dinheiro, dá prazer à outra pessoa… quem me dera poder encontrar alguém assim. Mas alguém do meu nível e não alguém que tenha mais posses que eu e me veja apenas como uma mercadoria do sexo."
Bater de Dois Corações
Quando Sam chegou ao seu apartamento, já era bastante tarde ou, visto de outra perspectiva, era bastante cedo, pois chegara a casa nas primeiras horas da madrugada, como era costume quando tinha de se prostituir. Ficou surpreendido por chegar ao apartamento e verificar que as luzes estavam acesas. O apartamento era pequeno, com uma sala e cozinha juntas, uma casa de banho, uma pequena dispensa e dois quartos, também eles bastante pequenos. Sam partilhava o apartamento com Meg Masters, para poderem dividir as despesas.
Sam fechou a porta e viu que Meg estava sentada no sofá velho que tinham na sala. Estava concentrada a ler uma revista, vestindo uma camisa de noite azul e mal tinha reparado que Sam tinha entrado pela porta até ele se sentar ao seu lado no sofá. Meg também pertencera ao mundo da prostituição durante algum tempo, até conseguir um emprego numa loja de roupa. Agora estava mais feliz e mais descontraída. Anteriormente usara o cabelo loiro comprido, pois atraía mais os homens, mas agora tinha-o cortado mais curto. Apesar de tudo, o ordenado de Meg não era muito alto, pelo que ainda não conseguira mudar-se para um apartamento melhor. Como já viviam no mesmo apartamento há algum tempo, Meg e Sam tinham-se tornado bons amigos.
"Já voltaste? O tempo passou a correr. Nem dei por isso." disse Meg, abanando a cabeça e pousando a revista no colo.
"Esperava que já estivesses a dormir a esta hora. Tens de ir trabalhar amanhã, não é verdade?" perguntou Sam.
"Sim, é verdade. Eu deitei-me, mas não consegui dormir, por isso levantei-me, vi um pouco de televisão e agora estava entretida a ler esta revista." respondeu Meg. "Mas como é que te correu a noite?"
"Correu melhor do que esperava." respondeu Sam, tirando um maço de notas do bolso. "Consegui fazer um bom dinheiro, apesar do Gordon ter ficado com uma parte, como sempre. Mas um dos clientes deu-me dinheiro a mais e fiquei com ele sem o Gordon saber."
"Fizeste bem. Os chulos já não fazem nada para ajudar e mesmo assim continuam a querer que lhes seja paga uma parte dos lucros." disse Meg, abanando a cabeça. "Estás cansado, com certeza. É melhor ires deitar-te, que eu vou fazer o mesmo, a ver se consigo dormir agora. Amanhã tens aulas cedo."
"Sim. Felizmente é a última semana de aulas, por isso mesmo que esteja cansado, depois vou ter algum tempo para descansar de dia." disse Sam. "Mais uns dias e vou conseguir completar mais um ano da minha formação."
"Fico contente, Sam." disse Meg, sorrindo-lhe. "Estás a conseguir estudar, como querias, apesar de teres de te prostituir. Mas as coisas vão melhorar, tenho a certeza. Hás-de escapar a essa vida, tal como eu."
Sam acenou afirmativamente. Sentia-se realmente cansado. Depois do cliente dos olhos verdes, tinha tido relações com outros clientes, mais brutos e muito menos interessantes. Aquele momento, com aquele cliente de olhos verdes, tinha sido diferente e Sam não o conseguia esquecer. Hesitou, olhando para Meg. Deveria contar-lhe? Estava confuso, mas afinal Meg era a única com quem podia desabafar sobre estes assuntos.
"Meg, hoje aconteceu algo estranho." disse Sam.
"Estranho? O que queres dizer com isso, Sam?"
Sam contou-lhe sobre o cliente de olhos verdes, com quem tinha estado na noite do dia anterior e nessa noite também. Contou-lhe como tinha sido tratado e tudo o que acontecera. Meg ouviu com atenção, acenando com a cabeça em concordância à medida que ouvia o amigo relatar tudo. Quando Sam terminou, permaneceram os dois calados durante alguns segundos.
"Vou dizer-te que é realmente raro algo desse género acontecer." disse Meg. "Mas sabes, aconteceu comigo também."
"A sério?"
"Sim. Um cliente meu, da época em que ainda me prostituía, também teve uma atitude semelhante a esse teu cliente. Oh, deu-me prazer e vinha ter comigo todas as noites."
"E então?" perguntou Sam. "Continuou só a ser um cliente regular?"
"Não, nem por isso. Disse que se tinha apaixonado por mim. E sabes, também comecei a pensar nele de maneira diferente, mas entretanto ele deixou de aparecer. Vi-o novamente alguns meses depois, quando voltou a vir ter comigo à rua onde eu trabalhava. Disse-me que não me esquecera, mas estivera a passar uma fase difícil no casamento e voltara para a mulher." explicou Meg, encolhendo os ombros. "E ficou por aqui. Mas pergunto-me o que teria acontecido se as coisas fossem diferentes. Se ele não tivesse voltado para a mulher. Será que agora eu teria uma vida diferente? Com ele?"
"Estou a perceber, mas neste caso, não me parece que seja a mesma situação. Não me parece que aquele cliente seja casado."
"As aparência iludem, Sam. Se bem que se ele se envolveu contigo, espero mesmo que não seja casado. Já é complicado para uma mulher saber que o marido a trai com prostitutas, por exemplo, mas com prostitutos parece-me ainda pior e mais devastador." disse Meg. "Quem sabe esse teu novo cliente de olhos verdes não acaba por se apaixonar por ti também."
"Isso é um disparate. Com toda a certeza, com o carro que tem, as roupas e sendo bonito como é, de certeza que se quisesse alguém, encontraria a pessoa certa no meio em que vive e não num bairro onde reina a prostituição e com um prostituto." disse Sam.
Meg riu-se e Sam não percebeu a que é que ela achara graça.
"Parece-me que se não for ele a estar interessado em ti, talvez sejas tu a estar interessado nele. Com dinheiro e bonito, como tu próprio disseste, parece-me que seria um bom partido." disse Meg.
"Sim, se eu fosse uma pessoa completamente diferente, com uma vida oposta à minha, talvez algum dia tivesse a sorte de poder sequer pensar em namorar com alguém como aquele cliente." disse Sam. "Meg, talvez seja melhor eu tentar afastar-se se ele voltar a aparecer novamente."
"Não, Sam. Isso não é boa ideia. Primeiro, o teu chulo iria ficar zangado se tu te afastasses ou recusasses algum cliente. Depois, tu precisas do dinheiro e não te podes dar ao luxo de escolheres os clientes que queres. Eles é que te escolhem a ti. Além de que, este cliente em particular tratou-te bem, quis que te sentisses bem e ainda te deu dinheiro a mais. Não te parece que serias burro se o tentasses afastar? Parece-me que todos os clientes deviam ser como este. Assim é que estarias bem. Além de que nem sabes se o voltarás a ver."
Sam ficou pensativo durante alguns segundos e depois acenou afirmativamente. Era verdade que não sabia se voltaria a ver aquele cliente. Porque é que haveria de estar preocupado? Porém, sem saber porquê, ao pensar que poderia não o voltar a ver, Sam sentiu-se um pouco angustiado.
"Devo esquecer o que aconteceu. Foi uma vez sem exemplo e além disso, não é como se eu não tivesse já feito sexo com pessoas que me deram prazer. Nem devia ter sido nada de especial, uma vez que o sexo faz parte da minha vida." pensou Sam. "Mas foi diferente… senti-me diferente, não só pelo prazer, mas por tudo… senti-me como não me sentia há bastante tempo. E aqueles olhos verdes…"
Meg tocou no ombro de Sam, despertando-o dos seus pensamentos.
"Acho que está realmente na hora de irmos dormir." disse Meg, levantando-se e pousou a revista que estivera a ler em cima do sofá. "Dorme bem, Sam."
"Tu também."
Sam viu Meg entrar no seu quarto e fechar a porta. Ficou algum tempo sentado no sofá, pensativo. Depois, levantou-se e dirigiu-se ao seu quarto. Não era mais do que um espaço com uma cama, um armário para roupa e uma escrivaninha, onde guardava os seus livros e materiais escolares. Despiu o colete e as calças de ganga, vestindo umas calças cinzentas de fato treino. De seguida foi à casa de banho e depois de fazer as suas necessidades, regressou ao quarto e deitou-se.
Virou-se na cama uma e outra vez. Sentia o corpo cansado, mas a sua mente parecia não querer desligar, o que fazia com que não conseguisse adormecer. Tentou esvaziar a mente de qualquer tipo de pensamentos, mas mesmo de olhos fechados, conseguia ver uma imagem na sua mente. Via nitidamente aqueles olhos verdes, como se estivesse a olhar para eles directamente. Sam voltou-se novamente na cama e, não conseguindo tirar aqueles olhos do pensamento, acabou por abrir os seus olhos e sentar-se na cama.
"O que é que se passa comigo agora? Parece uma estupidez, mas não consigo esquecer o que aconteceu hoje e aqueles olhos. Não compreendo. Não é como se eu me tivesse envolvido com alguém pela primeira vez, não é como se eu nunca tivesse sentido prazer no sexo, nem tenho qualquer tipo de sentimento por aquele cliente. Nem o conheço, nem sei o seu nome." pensou Sam, suspirando. "E no entanto, mexeu comigo. Ok, tenho de me tentar abstrair e dormir, senão amanhã não vou conseguir concentrar-me nas aulas."
Sam deitou-se novamente e, depois de mais algumas voltas na cama, continuou a não conseguir tirar aqueles olhos verdes do pensamento. Acabou por se concentrar neles, em vez de os tentar afastar. Pensando naqueles olhos, sentia-se bem. Por alguma razão, sentia que podia confiar naqueles olhos. E, depois de alguns minutos, adormeceu.
Continua no próximo capítulo…
