Reencontro Não Muito Amistoso
Na manhã seguinte à visita que Milo fizera a Kamus, lá estava o grego de volta ao Santuário, vestindo jeans azul e uma camiseta branca. Parou o carro na frente das ruínas esperando alguma coisa acontecer, mas nada ocorreu. Teria Kamus esquecido da visitinha noturna do loiro?
Milo esperou, olhou em volta notando a falta de almas vivas, aquilo não lhe agradava. Ficou tanto tempo esperando que resolveu subir as escadarias do templo, novamente tendo arrepios e calafrios, mesmo sendo de manhã.
Aquele francês maldito teria muito o que explicar... Ninguém o deixava esperando, ainda mais naquele calor! Mas os pensamentos de Milo foram apagados quando ele pisou na décima primeira casa zodiacal.
Um ruivo suado, vestindo apenas uma calça azul escura de moletom, fazia flexões no chão gelado do templo. O grego parou embevecido com aquela visão de Kamus concentrado em seus exercícios matinais, contraindo cada músculo dos braços, peitoral e abdome. O loiro chegou a se apoiar em uma pilastra, temendo cair sentado no chão, tamanha era sua surpresa.
O francês parou o que fazia, notando a presença nada silenciosa do outro. Ergueu o corpo suado, tirando os fios vermelhos que grudavam na testa e pescoço, deixando Milo ainda babando.
-O que faz aqui?
-...
Kamus notou que o outro estava um tanto que absorto em seu corpo definido, ao invés de prestar atenção em suas palavras.
-Estou falando com você!
Milo pareceu acordar e desencostou-se do pilar, encarando o outro muito constrangido.
-Desculpe... O que dizia?
-Perguntei o que faz aqui.
-Você disse que eu deveria voltar amanhã e então você me ajudaria. Não se lembra?
-Ah... Então não foi um sonho? – Um sonho? Milo não deixou de se sentir orgulhoso, afinal em sua concepção, Kamus sonhar com ele era muito bom.
-Não. Eu realmente estive aqui... Vai me ajudar? – O francês bufou cansado e virou-se de costas.
-Espere eu tomar um banho. – Sem dizer mais nada subiu as escadas, deixando Milo boquiaberto, sem desviar a atenção de suas nádegas perfeitas.
Em pouco tempo o francês estava de volta, vestindo roupas simples e um óculos escuros. Trazia o cabelo ruivo solto e molhado, uma espada na mão esquerda.
-Pra que a espada? – Milo encarou curioso a arma do outro, sem entender o que uma espada de samurai fazia com o ruivo.
-Você espera que eu o mate com as mãos?
-Oh... Então você usa espada, não uma arma de fogo?
-Não, idiota... Eu luto com espadas, só. Arma de fogo é para covardes. – Kamus virou-se descendo a escadaria do templo, deixando Milo para trás com cara de bobo.
Ambos sabiam que aquela missão era meio ridícula, mais ainda do que sair com uma espada na mão em pleno dia. Mas mesmo assim os dois insistiam, sabendo que, de alguma forma, aquilo os levaria a algo grandioso.
OoOoO
Afrodite acordou dolorido no dia seguinte... Shura não perdoava quando era interrompido por causa de trabalho. Porém o espanhol não deixava de estar também um pouco 'quebrado'.
-Mor... Você dirige.
Shura encarou o amante com cara feia, mas aceitou as chaves da Ferrari preta e entrou no carro. Naturalmente saberiam aonde ir... No centro de Athenas. Segundo Aioros, Red Tiger sempre voltava aos lugares de partida e, estando este, em busca de Afrodite, seria fácil encontrá-lo.
Dito e feito. Os dois amantes chegaram ao centro, porém nada de Red Tiger. Apenas pessoas normais e aquele dragão miserável, observando-os para relatar ao chefe seus progressos. Dragão era um garoto de dezessete anos, guarda-costas do chefe deles, lutava cinco estilos diferentes de Kung fu e era perito na arte da espada chinesa. Resumindo, Afrodite o odiava.
Mesmo o odiando, era melhor fazer tudo para agradá-lo ou o dedo duro miserável falaria bobagens ao chefe.
-Di... Aquele moleque está aqui.
-Já percebi, Shurinha... Ignore-o. Onde você acha que nosso amigo vermelhinho está?
-Atrás de você! – Afrodite virou-se a tempo de notar o assassino que procurava. Porém ele parecia não notá-los ali.
Shura e o sueco se separaram, seguindo a vítima de perto para fora do centro. Onde ele estaria indo? Bem, talvez não fosse possível alcançá-los... E não foi, o desgraçado era rápido e parecia se camuflar na multidão.
-Droga. Perdemos ele.
-Relaxe, amor... Fizemos o nosso trabalho por hoje. Red Tiger está realmente em Athenas e mais perto do que esperávamos... Mas ainda não podemos pegar ele, vamos esperar que Shaka faça isso.
Afrodite tinha bastante experiência nisso, pegar a presa. Normalmente Shaka fazia o papel de investigador e ele matava, mas ultimamente o chefe não estava muito satisfeito com isso e mandara o sueco no lugar do loiro. Não saberia explicar o porque da mudança, mas tinha um palpite... Ele seria a primeira vítima de Red Tiger.
OoOoO
Kamus aos poucos perdia a pouca paciência que tinha com Milo, mas procurava se manter frio, por algum motivo não queria se desentender com o escorpiano. O trabalho era bem simples, porém parecia que o loiro não sabia nem onde encontrar o tio.
-Por Zeus, faz horas que nós estamos andando em círculos, as pessoas estão começando a reparar! – O grego, nervoso, deu um sorrisinho e parou na frente de um beco.
-Desculpe, Kamus, isso não deveria ter acontecido...
-Você nem imagina o quanto... – O ruivo sussurrou entre dentes, com a mão na espada. Milo achou que fosse morrer no lugar do tio, mas quem perdeu a cabeça foi um homem às suas costas.
-O que... Quem...?
-Quieto... – Kamus levou o outro para as sombras dentro do beco, escapando de olhares curiosos. – Você está bem? – Milo parecia confuso e um pouco nervoso com o acontecido, mas sacudiu a cabeça afirmativamente.
-Estava atrás de mim?
-Não sei dizer... – O ruivo analisou ao longe o corpo estendido, conhecia as roupas, a espada, o jeito de agir... Sabia muito bem de onde viera o homem, mas com Milo por perto seria difícil que o atacassem. – Vamos embora daqui.
-Para... Onde? – Milo ainda estava preocupado com o cidadão morto aos seus pés, mas o francês já estava do outro lado da rua. – Ei! Me espere!
Kamus estava com um mau pressentimento, um frio estranho na barriga. Alguma coisa estava acontecendo nas ruas e só havia uma pessoa a procurar naquele fim de mundo. O ruivo não perdeu tempo, carregou Milo consigo para evitar confrontos armados, porém levou a espada por precaução.
O grego não entendeu muito bem porque acompanhava o outro, mas entendeu muito bem quando Kamus o mandou ficar calado e grudado nele. Nem levantar os olhos Milo ousou... Os homens do restaurante japonês onde estavam eram por demais mal encarados!
-O senhor não pode passar a menos que se identifique. – Kamus olhou enviesado para o homem.
-Diga ao seu senhor que o ruivo que ele espera está aqui!
-Ruivo que ele espera? – Milo sussurrou baixinho para si mesmo, morto de ciúmes do francês.
-Seu nome!
-Droga... Será que você é surdo? Ou não me conhece? – O aquariano estava perdendo a paciência, em breve nada sobraria do guerreiro a sua frente.
-Não faço idéia de quem seja... Diga seu nome ou não passará por mim. – O homem parecia irredutível, mas o ruivo era teimoso.
-Está bem... Você quer pelo lado difícil da coisa... – Ele colocou a mão na bainha da espada e respirou fundo... Junto consigo, Milo também respirou fundo, mas de medo.
-Kamus... Espera, ele só quer o seu nome... – O francês lançou um olhar congelante a Milo e se virou ao segurança.
-Eu sei o que ele quer saber, mas não tenho obrigação de obedecer a isso. – Ainda teve tempo de dar um sorrisinho, antes de encher os pulmões e berrar. – LOIRO! VENHA AQUI AGORA MESMO ANTES QUE EU ENCHA ESSA PORRA DE LUGAR COM O SANGUE DESSES IDIOTAS!
Milo arregalou os olhos e deu um passo para trás, com medo de ter seu sangue sugado por aquela espada também, junto com o dos homens a sua volta. Já os cidadãos que impediam a entrada de Kamus, apenas riram... Mas logo um loiro alto de cabelos lisos escancarou uma porta dupla atrás dos seguranças.
-Por Buda o que é isso? Ficou louco, ruivo? Quer me matar de susto? – O indiano afastou o segurança para o lado e puxou o ruivo pela mão. – Vamos, entre logo e pare com o escândalo.
Kamus acompanhou Shaka, indicando que Milo fizesse o mesmo. Eles entraram por uma sala, onde um rapaz de cabelos negros e lisos estava sentado sobre os calcanhares em frente à mesinha, onde acabava com uma garrafa de saquê.
O rapaz usava uma roupa chinesa negra que marcava seu corpo, os cabelos estavam presos em uma trança, muito bem feita, e ele tinha uma espada chinesa ao seu lado. Porém, o que mais intrigou Milo, foi que o garoto não tinha mais do que quinze anos, um pouco jovem para usar uma espada daquelas, ou beber saquê daquela forma.
-Você conhece o Dragão... – Kamus assentiu com a cabeça, mas o garoto nem sequer parou o que fazia. – Sente-se, quer beber algo?
-Não, obrigado. – Shaka fez uma cara de desgosto com a recusa, mas não disse nada, ajeitou o kimono negro e sentou-se ao lado do rapaz de cabelos negros.
-Quem é ele?
-Ninguém importante, loiro.
-Sabe que eu odeio quando você me chama assim...
-E eu odeio ser perseguido, estamos equiparados, creio eu. – O sorriso sarcástico de Kamus desagradou e muito ao indiano, mas este último preferiu não entrar no jogo.
-Não sei do que está falando.
-Por Zeus, como pode ser tão cínico? Era um dos seus, eu os reconheço... Mande-os ficarem longe ou vai chover sangue em Athenas.
-Calma... Não precisa ficar nervoso, ruivo. – O loiro sorriu e o menino ao seu lado apenas apoiou o copo na mesa.
-Nervoso eu vou ficar se esses aprendizes de ninja continuarem a embaçar meu caminho. – Kamus falava em tom baixo e perigoso, se aproximando do loiro pouco a pouco, deixando Milo temeroso.
-Eles estavam apenas nos deixando informados...
-Ele chegou perto o bastante para que eu lhe cortasse a cabeça... Não estava apenas me espionando. – Agora o francês se ajoelhava na outra ponta da mesa, encarando Shaka mais de perto.
-Você só me dá prejuízo, ruivinho... O que o chefe vai dizer quando eu contar que um dos meninos perdeu a cabeça por você? – A piada foi bem vinda, Kamus riu discretamente, mas Milo não gostou daquela intimidade toda...
-Não ligo pro que aquele diabo diz... Mantenha esses mosquitos longe de mim, você sabe que sou alérgico. (ta, non sei porque, mas eu gostei dessa frase do Kamus!)
-Sim... E como... – O olhar cristalino do indiano tornou-se turvo por instantes, enquanto o Dragão se ajeitava, tirando a franja da testa.
-Eu devia matá-lo agora...
-Você está sozinho, meu caro... Eu tenho um pequeno ajudante...
-Bêbado. – Kamus sussurrou com um sorriso.
-Bêbado ou não, ele é bom com a espada...
Milo rezou a todos os deuses que conhecia para que Kamus tivesse paciência e calma naquele momento. Mas suas preces não foram escutadas, pois em um segundo o ruivo estava ajoelhado em cima da mesa, segurando o Kimono de Shaka com uma das mãos, enquanto a outra apontava a espada para o pescoço do mesmo.
-Não gosto do que está acontecendo, loiro... Se não me deixarem em paz eu mato um por um como faço com os mosquitos que ficam me atazanando pelas ruas de Athenas.
-Solte minha roupa, se acalme e saia daqui antes que eu resolva comprar a briga. Você sabe que está em desvantagem, além do mais o chefe não te quer morto...
-Por que não?
-Não sei...
-Não me engane... Você sabe de tudo que ele faz...
-Dessa vez nem Aioria sabe. – A conversa estava um pouco estranha para Milo, mas Kamus entendia tudo bem demais e largou o kimono do loiro.
-Nós vamos nos reencontrar, pantera... E quando isso acontecer eu vou recortar esse seu rostinho bonitinho até que seu cabelo fique vermelho como o meu. – O indiano não deixou nenhuma emoção transpassar por seu rosto, mas engoliu em seco, tentando se manter firme. (uhuuuu! Mostra pra ele Kamus! XD)
O aquariano saiu de cima da mesa, mas não guardou a espada, indicou que Milo o acompanhasse e escancarou a porta. De dentro da sala, o Dragão apenas levantou-se e os encarou.
-Não vão se importar se eu satisfizer a sede da minha espada com um desses parasitas, certo? – Shaka sorriu e ficou sério novamente. Kamus chegou perto do segurança e apontou a espada para o homem. – Não vou matá-lo... Você não serve para morrer pela minha espada... – Dizendo isso ele apenas cortou o braço do homem, em um golpe rápido e certeiro... Como na velocidade da luz.
Continua...
OoOoO
N/A: Qualquer semelhança com o Santuário, não é mera coincidência! XD
Nesse capítulo eu não me agüentei e tive que puxar o saco do Kamus mais do que o de costume, afinal ele tava perfeito quando pegou o Shaka pelo Kimono!
No próximo capítulo o Shaka vai ganhar do Mu um passarinho de estimação, se é que vocês me entendem! XD
Não me abandonem, please!
Bjus procês.
Comentários:
Shakinha: Explicações sóóóó pro final! Curta a história e non pense nisso agora.
Ia-chan: O 'au-au' non apareceu ainda! Mas no próximo, quem sabe!
Perséfone-san: Bom, não posso contar nada, se não perde toda a graça. Mas o cachorrinho foi mais uma... Metáfora, não se prenda muito a isso.
