Olá Pipow!!
.
Sim, aqui é mesmo a fofa da Illy-chan HimuraWakai, fazendo contato tudo bom?? o/
Aqui serei breve, mas se alguém quiser mais esclarecimentos, é só acessar o profile do Grupo, ok?
Através do 'Illy-chan e Grupo Gundam Wing Traduções', tenho orgulho em trazer para vocês...
...O re-lançamento de alguns capítulos iniciais de várias fanfics traduzidas anteriormente por mim, quando eu estava no XYZ, agora com uma Tradução mais cuidadosa e um excelente trabalho de Revisão, num esforço conjunto meu e de amigas muito queridas...
...Além destes re-lançamentos, o 'Illy-chan e Grupo Gundam Wing Traduções' postará também capítulos de várias outras fics traduzidas pelas Aryam MacAllyster, Blanxe, Aninha_SaganoKai, Ilia Verseau, Kuu_chan, Marlon Kalango... Ou seja, por alguns dos nomes mais conhecidos no fandom nacional de GW \o/\o/
Mas atenção – apenas os capítulos iniciais destas fanfics serão postados aqui no FF. Net, como 'Teasers', para instigar a curiosidade das leitoras...
Os demais, ou seja, a continuação destas mesmas fanfics só serão encontradas no MEU SITE, o qual LOGO LOGO deverá estar sendo anunciado por aqui ohhohohoh
Portanto, não esqueçam deste aviso importante, ok?
Agora o 'Illy-chan e Grupo Gundam Wing Traduções' lhes agradece a atenção e desde já, pedimos: Mandem seus reviews!! Mandem mesmo!!! ^~
.
Autora: Lorena
Tradutora: Illy-chan Himura Wakai
Revisores: Marlon Kalango e Aninha-Sagano Kai
Gênero: Yaoi, Romance.
Casais: 3x4, 2x1, 5xOC.
Censura: Nenhuma por enquanto ^~
Avisos: Humor, Drama, Angústia, Lemon, Universo alternativo.
Retratações: A série Gundam Wing e seus personagens são propriedades das empresas japonesas Soutsuu Agency, Sunrise Television e Bandai. Ninguém aqui ganha um centavo que seja com eles.
Nota da Autora: Fic número 01 do ARCO 01 – Bildungsroman. ^~
.
Nota da Tradutora – Illy-chan:
Esta fic foi escolhida para dar continuidade aos trabalhos do 'Illychan e Grupo Gundam Wing Traduções', pois se trata de uma das mais bonitas fics 3x4 existentes no fandom americano, além de ser escrita por uma autora cujas fics são verdadeiras declarações de amor ao casal Trowa&Quatre \o/
.
"CHIAROSCURO"
'Luz e Sombra'[1]
By Lorena
.
Prólogo
.
Quatre observou o carro de seu pai desaparecer à distância em meio a uma nuvem nociva de pó e monóxido de carbono. Um após o outro, todos os outros carros arrancaram do estacionamento formando uma fila única, ofuscante e metálica que serpenteava seu caminho na via recentemente re-pavimentada da academia. Os pais e famílias abandonavam seus filhos aos cuidados do Victoria College, um das escolas particulares mais prestigiadas da área.
Não era uma faculdade – tecnicamente era só uma escola secundária. Mas a Fundação da Ordem Franciscana acreditava na "educação de faculdade" para acrescentar ao prestígio da escola e, realmente, recusava-se a chamar a escola de qualquer coisa que não fosse uma academia. "Afinal de contas, a denominação 'escola' é muito comum." – diziam os monges.
Quando não pôde mais ver a silhueta familiar do RollsRoyce branco, Quatre voltou sua atenção aos demais rapazes e garotos que haviam sido deixados para trás. Grande parte deles estava retornando como estudantes àquele dormitório. A maioria eram alunos prestes a se formar, junto com os outros de graduação menor – e maior – todos divididos em hierarquias por sua respectiva área de dormitórios: os calouros nos dormitórios Sul; os secundaristas nos dormitórios Leste, os do penúltimo ano no dormitório Oeste e os veteranos nos dormitórios do lado Norte. Cada um dos edifícios se erguia em suas áreas, designadas ao redor do perímetro exterior do campus, com os limites da área inteira cercada por uma barreira de cerca viva e arame farpado envolto por cruzamentos eletrificados, devidamente ocultos por pés e mais pés de uma planta cheia e bonita chamada buganvília.
Os rapazes exibiam uma familiaridade com o pitoresco e ainda assim austero ambiente, o que refletia a relação de longa estadia dos mesmos com a escola. Quatre os assistiu reencontrar seus grupos, puxando suas malas enquanto movimentavam-se, fazendo seu caminho por entre a multidão entusiasmada, densa, de companheiros de quinze, treze, dezoito anos. Vozes animadas logo encheram o ar, ao passo que amigos se encontravam uns aos outros, tagarelando incessantemente sobre as férias de verão. Risadas adolescentes soavam ocasionalmente entre o zumzumzum das vozes.
Quatre notou tudo isto com a sensação de agonia muito comum em alunos novatos. Parecia que estava assistindo a todo aquele reagrupamento de um confinamento isolado, dentro de uma caixa de vidro – uma sádica e torturante prova imposta à alguém que era naturalmente amigável, amável e simpático.
Estava a ponto de erguer sua bagagem e ir procurar o quarto reservado para si, onde poderia se entrincheirar, quando repentinamente sentiu uma mão descansar ligeiramente em seu braço.
"Quatre Winner?"
O adolescente voltou-se depressa, um pouco assustado. Seus olhos azuis descansaram no semblante sorridente de uma freira vestida em um hábito branco brilhante e primitivo. Um rosário preto pendurava-se em seu pescoço, suas contas vítreas capturando e refletindo a luz do sol em faíscas minúsculas, ofuscantes. Ela olhou para ele, os olhos cinza pálidos quase sem brilho e sem vida, com a incomum claridade de suas pupilas. Quatre estremeceu involuntariamente. A freira se parecia mais com um espectro gelado do que com uma serva de Deus.
"Eu sou a Irmã Celestine". ela apresentou-se, quando ele não respondeu. A voz era baixa, quieta, quase musical. "Seu pai me pediu que o levasse pessoalmente até o seu quarto. Por favor, venha comigo".
"Obrigado". Quatre respondeu, colocando a mala em módulo de mochila arrastada, seguindo a Irmã Celestine pela multidão ruidosa, sua bagagem chacoalhando atrás dele.
Nenhum dos dois falou durante algum tempo enquanto caminhavam além do portão interno e passavam pelo dormitório Leste com um magnífico Jardim do Éden. Os olhos de Quatre arregalaram-se à vista da exposição gloriosa de arbustos e flores. O jardim retangular fora atapetado com uma luxuriante e bem-aparada grama. No centro estava uma fonte modesta que parecia somente ser uma pilha intrigante de pedras, a água gotejando suavemente em cima delas e desaparecendo em uma bacia na sua fundação – inteligentemente escondida atrás de um anel nitidamente coberto de musgo. As extremidades exteriores do jardim estavam forradas com uma coreografia de arbustos e também de roseiras, lobélios, fúcsias e camélias - todos paisagisticamente podadas e amoldadas formando um arco-íris colorido.
O dormitório Oeste era um edifício silencioso, em forma de U num tom quase cinzento, com três andares nos quais estavam dispostos quartos para acomodar um total de 120 estudantes. Os quartos em cada andar ficavam lado-a-lado em fila, as portas conduzindo para o corredor, o qual era flanqueado pelos quartos de um lado e o jardim no outro. A única coisa que separava o mundo externo da monotonia cinza do corredor era uma balaustrada de pedra que corria o comprimento inteiro do edifício. Quatre viu um punhado de estudantes parados por perto ou apoiados contra esta balaustrada, conversando entre si como se estivessem tranqüilos na serenidade do ambiente ou mesmo sentados nela, quietamente absorvidos em um livro ou um diário.
Quatre e a Irmã Celestine continuaram caminhando pela laje estreita através do edifício antes entrar de maneira abrupta à direita, para a escada que conduzia aos andares superiores.
"Não temos elevadores aqui..." a freira disse enquanto subiam, a mala do rapaz batendo contra cada degrau.
"Tudo bem". Quatre respondeu, um pouco sem jeito pelo barulho que estava fazendo.
O som de sua bagagem rolando alternadamente na fria superfície de cerâmica e batendo contra a extremidade de cada degrau ecoavam incessantemente pela escadaria. Ele não podia erguer a mala; não só porque ela era muito grande, mas também por estar bastante pesada.
Eles passaram por estátuas de Santa Clara, Santa Teresa e São Sebastião, cada uma das quais colocadas em um nicho situado em lugares elevados, como se fossem sentinelas serenas e protetoras de cada andar. Isto, junto com o eco dos seus passos e a conversa quase inexistente e ocasional entre os dois, dava a sensação de que o lugar todo fazia Quatre se sentir como se estivesse em outro mundo e ele caminhava com a cabeça curvada.
Enfim alcançaram o terceiro andar e Irmã Celestine o conduziu pelo corredor. Não passaram por ninguém durante o curto trajeto – sem dúvida os outros ocupantes dos quartos daquele pavimento ainda estavam se entrosando com seus companheiros lá embaixo, perto do portão interno. Logo, ambos pararam em frente a um dos últimos quartos e a Irmã pegou agilmente seu molho de chaves.
Quatre notou com algum interesse que elas eram de uma variedade antiga – gigantes, descoradas e iguais, até um pouco enferrujadas, unidas por um grande anel de ferro. Acompanhou com o olhar a freira colocar uma no buraco da fechadura, girar com certo esforço e enfim destrancar a porta, empurrando-a para dentro com um pequeno gemido, como se a mesma pesasse uma tonelada.
"Este é seu quarto". Ela disse animada ao entrar, fazendo um gesto amplo com um braço como se mostrasse o mais magnífico dos castelos. "É particular, como pedido por seu pai. Os chuveiros estão só duas portas abaixo, ao fim do corredor."
Ela pausou, ainda sorrindo e assistindo Quatre encará-la esperançosamente como se esperando que terminasse logo a turnê. Caminhou então em direção a um armário pequeno que se encontrava entre a cama e uma escrivaninha de estudos e o abriu, revelando vários ternos do fardamento da escola pendurados em uma fila limpa dentro dele. Retirou um deles e o sustentou no ar para Quatre ver.
Era um conjunto completo composto de uma camisa de malha oxford, branca, uma jaqueta esporte marrom, provida com uma gravata do mesmo tom – o emblema da escola bordado no bolso esquerdo da jaqueta e calças compridas cinzas.
"Este é seu uniforme. Você tem sete – dois a mais do que você realmente precisa. Mas seu pai comprou os extras para facilitar sua vida. Ele também lhe enviou sapatos, que ainda estão em uma caixa dentro do armário".
Quatre assentiu com um gesto de cabeça, em silêncio. Continuou esperando.
"Agora deixe-me dar uma rápida apresentação das regras básicas desta escola, meu rapaz". Irmã Celestine disse, enquanto tornava a colocar o terno no armário. "De acordo com o bom senso que rege nossa conduta, nós também esperamos que você mantenha os padrões mais altos de educação, ao aparecer em frente aos demais. Seu uniforme sempre deve estar limpo e passado. Suas meias não devem ser dobradas - quando você se sentar e sua perna da calça subir, não queremos ver nenhum centímetro de pele. Seus sapatos devem estar sempre polidos, assim espero que tenha trazido boa quantidade de cera para polir sapatos. Seus cabelos nunca devem cobrir completamente suas orelhas. E não devem cobrir a parte de trás de seu pescoço, também".
"Sim, Irmã".
"Nada de perfume, gel, tintura para cabelo e jóias - exceto o relógio, se você tiver um. Também nada de enfeites extras como bottons, clipes, adereços ou figuras estranhas em seu uniforme. Qualquer infração destes padrões básicos conduzirá a uma reprimenda pela diretoria. Três reprimendas em um único trimestre tem como castigo uma detenção durante um fim de semana. Mais de três e terá uma suspensão, o que ficará registrado em seu histórico. A expulsão só acontece em violações de conduta mais severas".
"Sim, Irmã".
"O seu 'Manual para o Aluno' encontra-se na primeira gaveta de sua escrivaninha. Sugiro sinceramente que você o leia esta noite, sem falta".
"Sim, Irmã".
A Irmã Celestine parou, apertando as mãos enquanto olhava o rapazinho à sua frente. Quatre continuava parado perto da porta, quase com medo de se mover e ser atacado pela justiça divina.
"E eu espero, Quatre, que você também possa participar de nossas atividades religiosas. Eu sei que você não é católico. Mas abraçamos todas as fés – a única desvantagem que é nós não temos os recursos para acomodar suas práticas". Ela riu de repente. "Bem... esta é um colégio católico, afinal de contas. Mas aconselho que você se engaje e participe de nossas orações e estudos da Bíblia, bem como das reuniões do Rosário, assim você poderá entender ainda mais nossa fé".
"Sim, Irmã."
"Agora deixe-me lhe dizer o típico dia-a-dia de nossa escola. Sim, a capela é aberta todas as manhãs para a missa. Qualquer um é bem-vindo, caso queira participar. O sino toca para a missa às sete e para as aulas, às sete e trinta. O intervalo acontece após os dois primeiros horários de aula. Mais três horários seguem-se ao intervalo, então você almoça. Exatamente ao meio-dia, o sino tocará para o Angelus[2]. Isto é importante, meu jovem. Você tem que interromper tudo o que você estiver fazendo e ficar de pé na direção da gruta enquanto rezamos. Depois do Angelus, você pode retomar seu horário de almoço. Mais três períodos de aula seguem-se antes dos sinos tocarem o fim do dia escolar, às três da tarde. Você e seus colegas terão turnos para lidarem com o trabalho de limpeza – que será limpar a sala de aula afim das atividades, entre outras tarefas. Então o sino do jantar tocará às seis e as luzes serão apagadas às nove."
"Sim, Irmã".
"Bom. Deixe-me ver... o que mais? Oh, sim. Você está nomeado para a Turma A, que é a classe especial. E não se preocupe. Quando o sino matutino tocar amanhã, você encontrará seus colegas facilmente. Tem alguma pergunta?".
Quatre balançou a cabeça lentamente, sua mente tentando digerir tudo aquilo. Aquela era uma experiência nova e sentia-se um pouco assustado... E horrivelmente só. "Não, Irmã." Foi tudo o que pôde dizer.
Irmã Celestine acenou com a cabeça e finalmente dirigiu-se calmamente à porta. "Bem, eu o deixarei descansar, então". Ela disse. "Oh, quase esqueço... em todo o primeiro sábado de cada mês, cumprimos três das sete Horas Canônicas – a Nona, as Vésperas e as Completas.[3]
Quatre piscou. Ele já havia lido sobre as Horas Canônicas em seus livros de história antes, estava maravilhado por ver que uma escola moderna como aquela estava mesmo disposta a cumprir alguma delas. O olhar em seu rosto deve ter mostrado sua surpresa, uma vez que Irmã Celestine deixou escapar uma risada alta.
"É algo que a escola sempre fez, Quatre." ela disse antes de deixar o adolescente sozinho.
Enfim só, Quatre deu uma olhada ao redor do quarto, tentando desesperadamente achar algum vestígio de conforto na pouco familiar monotonia espartana de seu novo santuário. As paredes, a mobília - tudo era claro, como deveria ser. A pequena cruz pendurada sobre sua escrivaninha de estudos era apenas um pedaço de madeira. Ele nem mesmo tinha cortinas em sua janela.
Ele caminhou lentamente para a janela, que estava diretamente situada do outro lado do quarto em lado oposto à porta. Ele contemplou a paisagem lá fora e descobriu que seu quarto mostrava uma expansão nua de gramado além da cerca de buganvílias que cercavam o edifício. Foi então que percebeu finalmente quão cansado e faminto estava.
"Bem... agora eu posso desempacotar minhas coisas..." murmurou com um suspiro e voltou-se à bagagem, levantou-a, colocando-a em cima da cama, abrindo-a.
A visão que o cumprimentou o fez cair na gargalhada. Várias sacolas plásticas empacotadas com sua comida caseira favorita estavam em cima das outras coisas, na mala. E colada em uma grande bolsa, tinha uma nota de sua irmã:
"Só precisei me mover furtivamente para poder roubar um pouco destas guluseimas". dizia. "Espero que isto venha a fazer esta transição para sua nova vida um pouco menos dolorosa... Boa sorte e cuide-se, meu bem. Com muito amor, Iria."
"Também te amo". Quatre murmurou, ainda rindo, enquanto cuidadosamente - quase respeitosamente, guardava o bilhete – antes de mergulhar de lado, na cama.
Ali ele ficou e terminou de comer e desempacotar suas coisas em uma hora; fez uso do resto das horas da tarde para se deitar em um cochilo rápido, aconchegando-se no colchão firme, mas confortável. Eram quase cinco e meia da tarde quando despertou, seus olhos abrindo para ver o rosa e laranja do céu do fim de tarde através da janela. A cena lhe deu uma pressão suave no peito e ele sentiu uma súbita necessidade de explorar o campus enquanto os estudantes estavam se juntando no corredor para o jantar. Seu estômago ainda estava cheio da comida que comera há pouco, afinal de contas – e realmente estava sem disposição para se entrosar com quem quer que fosse no momento. De alguma forma, aquele tipo de situação era muito intimidante.
Ele se levantou da cama e apressou-se para fora do quarto, parando frente à balaustrada de pedra e que acompanhava o corredor, para contemplar o lindo pôr-do-sol e sentir seu chamado nostálgico mais uma vez. Andou apressado pelo corredor, os passos ecoando no chão frio de cerâmica da mesma maneira que haviam feito mais cedo na escadaria. A luz agonizante do sol dava ao local uma aparência melancólica, meditativa; especialmente com as estátuas dos santos em seus altos nichos nas paredes, postados como guardas em cada andar, enquanto ele voava degraus abaixo.
No térreo, saiu do prédio do dormitório e através do jardim, tomou um caminho que acreditava ser o que conduziria para a capela e assim encaminhou-se para o campus principal, admirando a paisagem verde e bem tratada que o cercava. Depois de várias voltas por alguns arbustos altos, ele logo se achou aproximando-se por atrás da capela.
Quatre caminhou ao redor do perímetro do belo edifício, contemplando as enormes janelas góticas em forma de arco com um pouco de temor, observando os mosaicos de vidro que refletiam o sol de fim de tarde, tornando tudo vermelho, dourado e púrpura.
Alguns passos além dos arbustos florescendo o levaram ao lado oriental da capela, onde a gruta estava. Os olhos azuis claros de Quatre arregalaram-se à visão que se mostrou diante dele.
A gruta realmente era uma réplica da gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Tudo era igual, até os mínimos detalhes – inclusive as muletas de madeira antigas penduradas dentro das paredes de gruta como símbolos de que o santuário estaria operando curas.
"Emocionante!" O rapaz tomou fôlego, caminhando lentamente até as barras férreas que separavam a gruta do resto dos chãos. Ele olhou dentro, a boca aberta, tamanho o assombro. "Não consigo acreditar. Acho que é para onde todos vêm, quando das sessões do Rosário e outras Liturgias".
Ele tinha se determinado a uma lição de aprendizado sobre a fé católica, antes de ir para a escola e agora entendia o significado do Rosário e da Virgem.
O som súbito de um coro angelical chegou aos seus ouvidos e, observando um pouco melhor, percebeu que havia pessoas na capela, sem sombra de dúvida em uma sessão de oração, ou então uma missa. O hino que estava sendo cantado soava docemente e ele caminhou para o lado da gruta, querendo ficar mais próximo à capela para ouvir um pouco mais. Mas ele percebeu que as janelas da capela ficavam ocultas por trás da gruta e, para ouvir completamente a canção, ele teria que atravessar o portão de ferro que impedia os curiosos de vagar pela área da gruta.
O jovem árabe procurou uma abertura depressa e achou uma pequena área desprotegida coberta por um agrupamento de samambaias. Empurrou as folhas de lado, pisando efetivamente dentro da própria gruta e apressando-se pelo santuário; logo se situou em um caminho estreito que separava a capela e a gruta. Sorriu quando ouviu as vozes mais claramente.
"Acho que poderia chegar mais perto". Disse a si mesmo e caminhou silenciosamente pelo canto descoberto e se plantou contra a pedra áspera, cinza, da gruta, fechando os olhos enquanto permitia-se perder-se no hino que emanava das janelas de vidro colorido a sua frente.
"Agradeço a Ti, meu Deus, pela Irmã Lua e as estrelas,
A Ti que criaste os céus,
Brilhante, precioso, e justo".
"Hmm. Um Hino de Glória. Bonito". O rapaz murmurou enquanto continuava escutando.
"Agradeço a Ti, meu Deus, pelo Irmão Vento,
Pelo ar e pelas nuvens,
Pela calmaria e pelo tempo,
Por que é de Ti de Tua vida que sustentas todas as criaturas".
"Acho que este é um Hino Franciscano – lembro de ter lido algo parecido, antes".
Outro som chegou aos seus ouvidos de repente e ele tentou se desligar dele, tentando continuar a ouvir o resto do hino. Franziu as sobrancelhas ainda mais, quando outro barulho começou a atormentar seu cérebro.
"Agradeço a Ti, meu Deus, pela Irmã Água,
Que é tão útil e humilde,
Preciosa e pura".
"Oh, por Deus!!" ele murmurou, fechando a cara, agora: "Por que alguém está fazendo construção aqui perto? Está me distraindo!"
O som novo que tinha chamado sua atenção estava aumentando ainda mais. Parecia vir do fim da gruta e também parecia como se alguém estivesse erguendo algo ou então se encontrava fazendo algum intenso trabalho físico ou mesmo um esforço manual, por causa dos gemidos e sons de ofego que reconhecia agora.
"Droga!!!" Quatre deixando escapar, continuou tentando focalizar a música na capela.
"Agradeço a Ti, meu Deus, pelo Irmão Fogo,
Por quem Tu fizeste mais clara a noite;
Ele é adorável e agradável, sumamente e forte ". [4]
Os olhos de Quatre arregalaram-se - não por perceber o que o hino terminara, finalmente, mas por causa dos outros tipos de sons que ele estava ouvindo claramente, agora. A respiração parou na garganta quando voltou a cabeça e olhou lentamente na direção que vinham.
"Oh, meu... Deus!!" ele ofegou, segurando uma mão em cima da boca.
A alguns metros dele estavam dois rapazes – alunos, obviamente – transando!
Um dos adolescentes estava apoiado contra a parede da gruta, os braços agarrados firmemente ao redor do parceiro, as pernas nuas enlaçadas da mesma maneira firme e tensa, ao redor da cintura do outro rapaz. Ele tinha uma das mãos fechada em punho, agarrando o cabelo longo, todo trançado, do parceiro em um aperto quase doloroso. O outro rapaz estava de pé, o tecido de suas calças caído ao redor dos tornozelos, braços firmemente agarrados à cintura do outro rapaz sustentando-o contra as pedras, enquanto ofegava, erguia e movimentava os quadris, empurrando-se novamente e novamente para dentro e para fora do outro adolescente, pressionando-o quase que brutalmente contra a parede da gruta, a tensão evidente em seus músculos dos bíceps e nádegas. Um par de calças compridas e uma cueca, largados em uma pilha amassada, jazia aos seus pés.
Quatre sentiu seu rosto queimar e, sem pensar em mais nada, ele se virou e fugiu da cena, correndo pelo campus até que achou o caminho principal para o dormitório Oeste, em direção ao santuário do seu quarto – seus passos ecoando estrondosamente em seus ouvidos. Ele estava de volta ao quarto antes mesmo de se dar conta, apesar de continuar sentindo o rosto queimar mesmo após uma hora.
.
~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~
Continua... ^^
Notas da Tradução:
[2]Angelus – o Terço faz parte das Horas Canônicas e corresponde às seguintes horas do dia: 06:00 hs (Primas), 12:00 hs (Sextas) e 18:00 hs (Vésperas). O Angelus relembra aos católicos, através de preces e orações (o Terço), o momento da Anunciação - feita pelo anjo Gabriel a Maria - da concepção de Jesus Cristo. Maiores detalhes, conferir em: http: / / pt. wikipedia. org/ wiki/ Angelus
[3] No Original, Seven Canonical Hours: 'None, Vespers and Compline' Maiores detalhes sobre as Horas Canônicas, em: http: // w w w. novomilenio. inf. BR/ porto/ mapas/ nmcalenb. htm
[4]"O Cântico do Sol" um hino cantado pelos Frades e por São Francisco, enquanto ele estava morrendo.
.
Nota da Tradutora - Illy-chan:
[1] Chiaroscuro - Quem acompanhou esta fic quando ela era postada no XYZYaoi, conheceu seu nome em português como sendo "Luz e Escuridão".
Este era o título traduzido que eu havia escolhido para a mesma.
A partir de hoje, porém, o novo nome traduzido/adaptado para o português para esta fic será "Luz e Sombra".
Vou explicar o porquê: Kuu_Chan, uma das nossas Tradutoras/Revisoras (uma fofura de pessoa) recebeu em 2008 um cap de 'Chiaroscuro' traduzido por mim para Revisão.
Quando me enviou o mesmo revisado, ela me deu um alerta - disse que o nome que eu escolhera para a mesma, em português, estava equivocado.
O título escolhido pela autora, Lorena – 'Chiaroscuro' – é na verdade, o nome de uma técnica de pintura&desenho que é definido como um forte contraste entre luz e sombra. A Kuu_chan disse ainda que, assim como as palavras 'Allegro', 'Pizza', o termo 'Chiaroscuro' é utilizado no meio artístico em italiano, mesmo.
Como o Trowa apresentado pela Lorena nesta fic tem o dom para pintura, explica-se o porquê do nome ser algo relacionado às artes plásticas. XD
Quando da época em que pedi autorização à Lorena, cheguei a perguntar a ela se havia algum significado mais específico para o nome da fic, que ela mesma pudesse sugerir, enfim. Ela disse que não, que eu poderia adaptar/traduzir o nome como pudesse ficar melhor em português.
Como vemos, porém, sob esta nova luz, a tradução "Luz e Escuridão" no título em português anterior passa uma idéia errada. A Kuu_chan sugeriu mantermos o título totalmente no original e colocarmos uma Nota Explicativa, mas como todas as fics que trabalho trazem tanto o Título Original quanto uma Tradução/Adaptação do mesmo para o português, optei por alterar o título em português da fic para "Luz e Sombra" a partir de então.
Eu só tenho a agradecer à minha linda da Kuu_chan, pela DICA CAÍDA DOS CÉUS!! Thanks, DArling!\O/
Afinal, se tem algo errado, tenho mais é que consertar - e ainda por cima, desculpar-me com as leitoras. ^^*
Beijos, a todas, Illy ^^
E mandem reviews o/
~~ .O. ~~
