Óia eu de novo xD

FullmetalIkarus: Eu sei bem pq vc gostou do capítulo... kkkkk... Olha que eu aceito a oferta hein... xD Querendo que eu bete os hentai, tamos ai... E aproveitei a deixa da sua ideia ali... HAUHAHAAUAU ... É tão bom fazer o Aiolos trollar alguém!

Pure-Petit Cat: Nekooo \o/ Baum ter vc por aqui! To aproveitando esse meu momento odalisca! Na verdade tinha meio que imaginado esse enredo antes de tudo, mas não sabia como desenvolver... \o/ Acho que vc viu o perrengue que foi pra escrever esse hentai, non? xD Só perguntar pro povo do chat ... AHUAHUAH Fiz a Hadyia pra ser exatamente uma vadia, pelo jeito, deu certo \o/ yeah!

Le Petit J: Pois é... Eu gosto de UA's. Acho que dá pra trabalhar e explorar um outro lado dos personagens que numa fic ambientada no próprio universo SS ficaria muito "WTF?". E eu sempre tive meio que paixão por culturas orientais e ler a Qarth e Dorne na obra do Martin me ajudou MUITO a montar o cenário da fic. Lógico que ele estaria nas referências né... xD Saga é meu xodó. Me sinto tão a vontade escrevendo com ele que... só escrevo com ele. Auhauhaa Sacoméné, geminiano sabe explorar todas as facetas de um geminiano. xD E olha que elas não são poucas. Gosto de pensar no Aiolos como um bom amigo do Saga e quis explorá-lo nessa fic tb, pq como vc disse, ele é esquecido nas fics. =/ tb gosto de pensar nele numa forma diferente da do "príncipe" que ele sempre é descrito. Conheço alguns sagitarianos que não são tão certinhos assim, logo, me inspirei neles. \o/ Fico satisfeita que tenha gostado. ^^

Ready 4 the chapter?


Capítulo 2: Fogo.

O dia ia amanhecendo brilhante e ao que tudo indicava seria ensolarado e a brisa fresca que corria lá fora tornava-o mais agradável ainda. Os finos raios de luz que entravam pelas frestas da persiana iluminavam parcamente o quarto, mas quem estava ali, nem se importava com aquilo.

O casal estava aninhado na cama, adormecido. Haviam tido outro tórrido e intenso momento de amor na noite anterior. Já estavam casados havia um ano e a paixão e desejo pelo outro não diminuíra nem um pouco. Estavam sempre trocando carinhos, palavras de amor, sorrisos. Estavam sempre juntos.

Saga se remexeu, alongando os músculos do corpo, afastando aquela preguiça matinal de si, tomando cuidado para não incomodar a esposa, que ainda dormia, com as costas aninhadas ao seu peito. O braço dele envolvia a fina cintura da princesa, como se a protegesse de algo que pudesse fazer mal a ela durante a noite. Era sempre assim.

Abriu lentamente os olhos, achando ter de se acostumar com alguma claridade mais forte no quarto, mas agradeceu mentalmente por ainda estar um tanto escuro. Ainda com cuidado, ajeitou-se de modo apoiar o corpo no braço direito, e a cabeça no punho fechado. Observou o rosto jovem da esposa, entregue ao sono, apoiado debaixo de uma das mãos. Ajeitou-lhe uma mecha de cabelo, colocando-a atrás da orelha, para que pudesse ter mais acesso àquela delicadeza que tanto amava. Vislumbrou o corpo nu, colado ao seu. Era impressionante como a cada dia que passava não conseguia se afastar dela, não conseguia parar de pensar nela. Machucava pensar em sua ausência.

Percorreu, com a mão, a extensão das coxas, passando pela cintura e indo até o ombro dela, depositando nele um terno beijo ao final. Amirah remexeu-se levemente e sentiu um suave arrepio diante daquilo, acordando longo em seguida.

- Desculpe. Não queria acordar você.

- Tudo bem, eu gosto quando é você. Está acordado há muito tempo?

- Talvez. Estava olhando você dormir. Perco a noção do tempo com isso.

- Devo parecer uma boba.

- Acho que o bobo sou eu, não?

- Talvez. – riram juntos.

- Acha que nosso filho já está aqui? – perguntou acariciando a barriga da esposa.

- Espero que sim.

- Já imaginou como seria, tê-lo no colo, vê-lo crescer, correr por ai, cavalgar conosco...

- Não se esqueça de que pode ser uma menina.

- Se for, quero que seja igual você. Linda. Corajosa. Talentosa. Tão boa quanto a sua mãe. Tudo que uma rainha deve ser. Tudo o que a minha rainha deve ser. – pontuou a frase com beijos pela mão, braço, ombro e pescoço dela.

Amirah sorriu manhosa na cama. Espreguiçou-se como uma felina em meio as cobertas e o corpo nu do seu príncipe.

- Acha que já estão esperando por nós?

- Ainda é cedo no dia, meu amor. Mas talvez devêssemos nos levantar e mandar chamar os criados. Sabe como seu pai é quando nos demoramos.

- Vamos fingir que não sabemos disso, assim aproveitamos mais um pouco.

- Eu gostaria muito de aproveitar aqui com você. Sabe que sim. Mas é capaz dele mesmo vir aqui e nos puxar dessa cama.

- Então que ele venha.

Enroscaram-se novamente, mas trocaram apenas carinhos apaixonados. Não passaram tanto tempo ali, pois logo os criados vieram atrapalhá-los. Algum tempo depois reuniram-se com Fadil, Sadira, Aiolos e Hadiya para o desjejum.

- Ora, demoraram menos hoje.

- Fadil, deixe-os. – disse a rainha.

A mesa para o desjejum estava farta, como em todos os dias. Havia frutas, cereais, pães, bolos, manteiga, queijo, presunto salgado e vinho.

- Saga, quando terminar de comer, eu quero que ponha a armadura. Virá comigo hoje. Temos muitas coisas para fazer.

- Hoje? Mas meu pai, Saga e eu íamos cavalgar.

- Cavalguem outro dia. Nada de passeios hoje. Seu marido já um homem e será um rei, mas ainda tem coisas para aprender.

- E o que faremos hoje? – perguntou o príncipe.

- Julgamentos.

- Eu nunca entendi os julgamentos dessa terra. – disse Hadiya escolhendo uvas num cacho a sua frente.

- Isso não é assunto para mulheres, Hadiya. Logo, não lhe interessa. – Sadira a repreendeu.

- Deixe mulher. É até bom que ela saiba, já que aqui nessa terra as mulheres são julgadas da mesma forma que os homens.

- Deveria ser diferente não, meu tio? Afinal de contas os crimes dos homens são diferentes dos crimes das mulheres. – perguntou ela agora beliscando a fatia de pão em seu prato.

- Ai é que você se engana. Mas não vou lhe explicar a fundo porque realmente não lhe interessa. Apenas saiba que aqui não há diferenças entre homens e mulheres, velho ou novo, nobre ou plebeu.

- Sim senhor, meu tio. – Hadiya baixou a cabeça aborrecida com as palavras do tio e aquilo ao passou despercebido pelo primo, que riu em silêncio.

- Ouvi dizer que há um nobre sendo julgado hoje, vossa graça. – disse Aiolos remexendo os farelos de bolo que sobraram em seu prato.

- Sim. Um idiota qualquer que achou ser mais esperto e tentou nos roubar.

- Desculpe a impertinência meu tio, mas...

- Mas que diabos menina! – Fadil bateu na mesa - O que quer saber agora?

- É que me ocorreu uma dúvida.

- Pois então pergunte logo de uma vez e me deixe comer em paz!

- Se nobres estão inclusos nisto, quer dizer, se fosse alguém de sangue real, o mesmo aconteceria?

- Quer ser julgada para saber?

- Não senhor.

- Então chega de me fazer acreditar que sua tia não lhe dá lições suficientes sobre como uma dama deve se comportar. Para todo caso, já houve membros da coroa que passaram pelo que aqueles homens e mulheres vão passar hoje. E acabe com essas perguntas cujas respostas não lhe interessam. Saga, estou esperando você. É bom não demorar. Venha Aiolos.

- Sim vossa graça. – o rapaz obedeceu levantando-se e seguindo o rei, mas não sem antes lançar um sorriso debochado para Hadiya.

- Eu devia lhe castigar pela sua imprudência. Me faz parecer uma incompetente na frente do rei! – disse Sadira repreendendo a sobrinha.

- Perdão, tia... Eu não queria...

- Você nunca quer nada, não é?

- Minha mãe, acalme-se. – Amirah tomou a mão da rainha entre as suas para acalmá-la.

- Devia parar de fazer isso, Hadiya. Sabe que o rei não gosta dessas coisas. Não vê o estado em que deixa a rainha?

- Eu não fiz por mal, Saga. Juro. – disse num muxoxo, mas por dentro estava completamente derretida.

- A próxima vez é melhor pensar bem antes de falar. – ele continuou, antes de beijar Amirah e levantar-se para fazer o que lhe tinha sido ordenado.

As três mulheres continuaram o desjejum por mais algum tempo e foram se preparar para acompanhar a saída dos homens, como era o costume da terra.

O rei, ainda aborrecido, mal falara com a rainha Sadira enquanto estava no pátio avaliando sua montaria, como fazia sempre, mas antes de montar em seu cavalo lhe abraçou e lhe beijou, deixando tudo mais calmo entre os dois.

Saga aproximava-se numa conversa animada com Aiolos. Ambos usavam uma pesada armadura dourada, como a de Fadil, forjada especialmente para eles. O príncipe trazia uma capa azul e a espada pendurada na cintura e o cavaleiro uma capa vermelha, uma aljava nas costas e um arco nas mãos. Pararam junto a princesa.

- Não vejo a hora de voltar e ficar com você. – Saga disse a Amirah, colocando-lhe uma mexa de cabelo atrás da orelha. – Mas seu pai tem razão. Preciso aprender a ser um rei tão bom quanto ele.

- Acham que vai demorar muito?

- Tio Fadil não gosta de se demorar muito nessas coisas. Ele odeia esses julgamentos. – Aiolos respondeu. – Geralmente faz uns 5 ou 6 , às vezes demora, às vezes não. Depende muito do humor dele. Se estiver ruim, ele vai rápido, se estiver bom, ele pode até ser paciente.

- Acho que sua prima pode ter facilitado as coisas para todos nós. – disse Saga num sorriso. – Mas vai ser meio difícil aturar aquela cara emburrada.

- Ah, ai estão vocês dois. – Sadira se unia a eles, que lhe fizeram uma breve reverência – Por favor, tentem fazer com que o rei não se demore. Teremos lua de Basheera hoje e é melhor que ele não se esqueça disso também. Não será nada correto se os membros da realeza se atrasarem para a celebração.

- Vou lembrá-lo disso, vossa graça, pode ter certeza. – disse Aiolos.

- Talvez ele amoleça o coração com Hadiya. Ela vai dançar esta noite.

O príncipe aproximou-se mais de Amirah e deu-lhe um suave beijo nos lábios.

- Dança pra mim essa noite, na celebração? – lhe perguntou.

- Claro.

- É melhor irmos Saga, senão aquela espada de duas mãos atravessa nossos pescoços e não vai ser nada bonito.

- Nos vemos depois. Amo você.

Os dois rapazes montaram em seus cavalos e tomaram seu caminho atrás do rei. Dias de julgamento não eram lá dias muito bons. O processo todo podia demorar e não era nada agradável de ver. Passariam a manhã toda ouvindo e vendo aquelas punições que variavam de açoites – o que rendia uma morte lenta, dolorosa e sangrenta, membros cortados, enforcamentos e mesmo decapitações.

O rei Fadil ouvia os acusadores e os acusados. Tinha Saga a sua direita e Aiolos a sua esquerda. Ambos em pé, enquanto ele sentava-se num cadeirão digno de sua majestade. Mantinha-se sempre altivo e régio, e diante da sentença dada, fosse cruel como fosse, sua expressão não mudava, enquanto os dois rapazes ainda estremeciam diante dos gritos e do sangue derramado. Mas foram instruídos a não desviar o olhar ou apresentar nenhuma outra reação. Não chorariam no meio da guerra ao matar seus inimigos, chorariam? Vomitariam no momento de cravar a lâmina prateada da espada naquele que deseja lhes fazer a mesma coisa? Correriam de medo ao ouvir as espadas, lanças, maças e escudos encontrando-se uns com os outros no calor da batalha? Tapariam os ouvidos ao ouvir os brados e gritos de desespero dos homens no campo de guerra? Tinham de aprender a aguentar. Tinham de aprender a ser tão duros e frios como o rei diante da morte. Caso contrário, estariam ali, sendo julgados, acusados de traição. Acusados de não defender aquela terra.

Numa guerra seria pior. Eles sabiam disso. Seriam obrigados a matar pessoas inocentes, que como eles, estariam naquele campo de batalha para defender um estandarte, sem a certeza de voltar pra casa.

Aqueles julgamentos e punições podiam ser bem cruéis, mas o velho Fadil também sabia ser justo, piedoso e generoso. Muitas vezes um camponês inocente, um pai de família ou mesmo um pobre coitado, além de livrar-se da terrível punição que poderia receber ainda recebia algo em troca de sua inocência e sinceridade. Alguns outros que não eram tão inocentes assim ainda poderiam receber uma segunda chance, de acordo com seus crimes, mas caso se tornassem reincidentes, da morte não escapariam.

Era melhor ser temido ou amado? Fadil certa vez perguntou aos dois jovens, mas nenhum deles se atreveu a responder. Talvez por não saberem, talvez por medo, mas o rei não os deixou sem resposta.

"O ideal é conseguir ambos. – ele disse enquanto andava pelo amplo salão onde se encontravam. – Mas é extremamente difícil conseguir as duas coisas. No entanto, quando uma delas tiver de se fazer ausente, é muito mais seguro ser temido que amado. Ao ser mais amado, você corre o risco de ser traído, pois a gratidão acaba quando acaba o amor. O homem receia menos ofender, derrubar, trair aquele a quem amava do que aquele a quem temia. O príncipe – virou seu olhar para Saga – ou o rei que confiar em certas promessas de amor, como fundamento do ser poder, estando desprovido de outras preocupações, está perdido. O temor liga-se ao sentimento de medo de uma punição que pode nunca se extinguir. Mas como ser temido, sem ser odiado? – outra pergunta sem resposta – Confesso a vocês meus jovens, não é tão simples. Ser temido não significa agir com crueldade. Por isso antes de julgamentos como estes é inteligente olhar, ouvir e depois falar. Por ultimo, atentar contra o sangue. Deve-se ser lento no crer e proceder de forma equilibrada, com prudência e humanidade, evitando que a excessiva confiança o torne incauto e a desconfiança, o torne intolerável. Devemos andar sempre pela tênue linha entre um e outro. Faça-se amar, faça-se temer, mas não se faça odiar."

Fadil tentava manter o controle daquilo tudo e esperava que Saga agisse da mesma forma. Sabia que o garoto tinha potencial, sabia que aprendia rápido, sabia que compreendia tudo o que lhe era passado, mas saber como ele se sairia só seria possível quando tivesse lhe passado a coroa. E pelas leis e costumes daquela terra, isso só aconteceria quando Fadil fosse se recolher para junto de seus antepassados. Temia por ele, caso não conseguisse. Teria que pensar muito bem no que o faria prometer levar adiante antes de partir.

xOxOxOx

Depois que os homens saíram Sadira reuniu a filha, a sobrinha, as damas de companhia e algumas aias para organizarem as coisas para a celebração da noite.

Basheera era a deusa adorada pelas mulheres. Irmã de Harith e casada com Faris, o cavaleiro. Era uma esposa dedicada ao casamento e bem apaixonada pelo esposo. Porém, o cavaleiro tinha outra paixão: as guerras, de forma que Basheera acabou mantendo-se virgem. Porém, seu desejo em ser mãe refletiu-se em outras mulheres. Todos os meses ela escolhia suas favoritas e lhes abençoava com sua fertilidade. Algumas eram agraciadas, mas outras não. Estas então escolheram um período para lhe fazer oferendas e receber a graça e este período foi o de lua nova, quando iniciava-se um novo ciclo de tudo.

Apesar da paixão de Faris pelas guerras, seu casamento com Basheera era um bom casamento. A deusa virgem era dedicada e o cavaleiro era atencioso, e, exceto o filho, não lhes faltava nada. Era uma união tida como modelo. Tanto que as mulheres lhe celebravam as oferendas para também terem um casamento como o seu. As que haviam sido agraciadas, celebravam para agradecer.

Um dos salões do castelo estava sendo preparado para a noite de celebração, enquanto as mulheres começavam a arrumar-se para as danças em homenagem a Basheera. As danças envolviam também os elementos fogo, água, terra, ar e alma, cada qual com seu significado.

O fogo significava a intensidade da paixão, a água representava a fluidez do relacionamento, a terra significava a confiança, que deveria ser forte como o solo, o ar significava a amplitude e limpidez do amor, e da união e a alma nada mais era que a junção de todos.

Durante a celebração, várias das participantes dançavam, mas somente algumas representavam os elementos e somente uma representava o elemento alma: a rainha, pois a união entre ela e o rei deveria servir de exemplo para todos, além de representar Basheera e Faris.

Entraram todas numa sala destinada somente às mulheres. Era lá onde ficavam os trajes e elementos que elas usavam durante suas danças. Sadira sentou-se na confortável poltrona enquanto todas as outras sentaram-se a sua volta, em almofadas de seda dispostas pelo chão. Duas das aias trouxeram até a rainha dois baús grandes. Um deles estava trancado com um cadeado dourado e o outro apenas fechado.

- Mamãe, mandou trazer seu baú, a senhora participará dançando esta noite? – perguntou Amirah, sentada ao lado da rainha.

- Não Amirah, já tem algum tempo que não me atrevo mais a fazer os que vocês, mais jovens, fazem. Mas como esta noite você e Hadyia vão fazer parte da celebração, quero lhes emprestar algumas das minhas coisas.

Sadira puxou então uma pequena chave que usava no pescoço e abriu o cadeado dourado de um dos baús. Lá dentro havia joias, trajes, lenços e véus.

- Hadyia, sei que tem um traje maravilhoso separado para hoje, mas gostaria que usasse este. – disse retirando delicadamente um lindo traje de saia azul escura, com uma fenda lateral direita, um cinturão e a parte de cima vermelhos, rebordados com flores e franjas de cristal branco. Emprestou-lhe também pulseiras e braceletes.

- É tudo muito lindo minha tia, obrigada.

- Faça por onde reconquistar o carinho de seu tio esta noite. Entende que como é sangue do meu sangue, sou responsável por seus modos. A próxima vez que enfrentá-lo daquela forma, vou deixar que ele mesmo lhe castigue.

- Sim senhora minha tia. Peço que me perdoe pela impertinência.

- Está tudo bem mamãe. Hadyia não fez por mal. Tenho certeza.

- Enquanto a você Amirah, quero que represente o elemento fogo esta noite. Ninguém melhor do que você para isso hoje, já que Saga lhe pediu que dançasse para ele.

- Não sabe como lhe sou grata minha mãe.

- Deixarei que escolha o traje que usará.

- Não. Gostaria que tomasse esta escolha por mim.

- Então gostaria que usasse esta. – escolheu uma roupa de um vermelho forte, com franjas e bordados com ouro e rubis. Havia também braceletes trabalhados da mesma forma do bordado da roupa, com tiras de seda fina caindo pelos braços. Era um traje extremamente rico.

Hadyia enfureceu-se, mas não deixou transparecer. Por que Amirah tinha que ficar com o melhor traje? Por que ela tinha que representar um elemento e ela, Hadyia, não? Por que infernos Amirah sempre tinha de ser melhor sempre? Com certeza seu tio um dia lhe casaria com algum cavaleiro bêbado, como muitos que existiam ali naquele lugar, e ela também teria os mesmo direitos que a maldita princesinha. Mas antes que isso acontecesse, ela também poderia representar algum elemento. A própria vadia que representaria o ar nem casada era. Teria de dar o seu melhor aquela noite não só para reconquistar o tio, mas para apagar o brilho de Amirah.

- Vai usar seu traje de sete cores, tia? – perguntou para acabar com a euforia da prima.

- Como sempre, Hadyia. É meu dever.

- Sonho tanto com um traje destes.

- Quando for rainha poderá usar o seu Amirah.

- Na verdade, sonho com o seu traje, mamãe.

- Quando chegar a hora terá um tão bonito como o meu. Mas enquanto isso, usará qualquer outro que quiser.

- Estas joias também. Me encantam demais.

- Você as herdará todas, não se preocupe com isso. Além do mais, Saga lhe presenteia com joias mais bonitas que estas.

Hadyia ouvia aquilo atentamente, porém, totalmente enojada.

"Maldita Amirah. Tem a tudo e a todos nesse maldito castelo, mas nunca está satisfeita com nada! Se eu tivesse metade do que você tem".

Após escolher o que Amirah e Hadyia usariam aquela noite, a rainha tratou de lacrar novamente seu baú e abrir o outro, para distribuir às outras moças os acessórios que usariam também. Raks AL Sayf*, veil*, Raks el Shemadan*, Raks AL Balaas*, Ghawazee*, Snujs* e flores.

Uma vez todos escolhidos, as mesmas aias que trouxeram os baús, os levaram e todas foram dispensadas.

Amirah voltou ao quarto que dividia com Saga. Aquela estadia na sala das mulheres havia levado a manhã toda. Escorou-se na janela e pôs-se a observar a vista. De um lado via os campos onde costumava cavalgar com o esposo e Aiolos e de outro, o pátio do castelo e o resto da cidade. Fixou os olhos em uma área específica: uma praça mais afastada onde sabia que Saga, Fadil e Aiolos estariam cuidando dos malditos julgamentos. Perguntou-se se já haviam acabado ou ainda estariam condenando e absolvendo alguém. Não gostava quando Saga tinha de acompanhar o pai nessas coisas, mas sabia que era preciso. Era dever absoluto de um rei e se seu marido sentaria no trono régio, precisava a ser igual ao velho Fadil. Uma brisa fria bateu e lhe causou um arrepio estranho. Não gostou nada daquilo. Afinal de contas, aquela brisa não condizia em nada com o clima que fazia lá fora. Seus pensamentos sobre aquilo foram afastados quando dois braços fortes lhe envolveram e um beijo molhado lhe subiu pescoço acima.

- Saga...

- O que está procurando lá fora, hein?

- Você. Estava me perguntando se já haviam acabado.

- Estou aqui agora. Não precisa me procurar mais pela janela.

- Que bom. – ela lhe deu um leve sorriso, mas ele notou algo diferente.

- O que foi? Aconteceu algo?

- Não. Não aconteceu nada. – respondeu afastando-se dele e da janela.

- Você não sabe mentir.

- Não me julgue.

- Não estou julgando. Mas conheço você o suficiente pra saber que tem algo errado.

- Não gosto quando acompanha meu pai para... essas coisas.

- Amirah...

- Eu sei. Eu sei que tem que fazer isso. Sei que é sua obrigação. Mas não gosto. Assim como não gosto de olhar para aquela praça.

- Então não olhe. – envolveu-lhe o rosto calidamente com as mãos.

- Fico aflita quando não volta logo.

- Por que? Nada pode me acontecer lá.

- Porque sei que não gosta disso tanto quanto eu.

- Odeio. Ainda é muito difícil aguentar aquilo tudo. Ouvir. Sentir. Ver. Eu não sou o escudo que seu pai é. E estou longe de sê-lo. Isso me dá um pouco de medo porque eu preciso ser tudo o que ele é.

- Não se martirize por isso.

- Às vezes me sinto muito pressionado, mas preciso passar por isso. E você deveria parar de olhar pra essa praça cada vez que tenho que ir para lá.

- Fico imaginando as coisas que se passam por lá.

- Não faça isso. Não tente imaginar esse tipo de coisa. Isso não é pra você. E você jamais aguentaria ver o que eu tenho de ver. – serviu-se de um cálice do vinho que estava em cima de uma mesinha.

- Fiquei pensando no que Hadyia perguntou ao meu pai mais cedo. Sobre o julgamento de membros da realeza. O que realmente acontece com eles?

- Ele me contou sobre isso certa vez. Uma rainha desonrou o casamento sagrado. Foi pega em flagrante, levada para as celas com todos os outros por julgar, foi julgada e recebeu a morte como condenação.

- É de dar medo. Às vezes isso pode parecer tão injusto. E tão violento.

- São ouvidas todas as partes, meu amor. Julgamos de acordo. Também concordo que seja violento e torço pra que seu pai não me faça prometer levar isso adiante. Mas pare de pensar nisso. Não lhe faz bem. Agora pode me dizer o que você tem? Por que eu sei que não é só isso.

- Não dá pra esconder nada de você, não é mesmo?

- Não, não dá. E nem deve fazer isso. Sou seu amigo antes de tudo, lembra?

- Claro que eu lembro. Jamais poderia esquecer.

- Então pode me contar.

- Ainda a pouco, quando estava na janela, olhando para a praça, senti algo estranho. Uma brisa fria e uma sensação ruim. Não sei o que pode ser, mas...

- Mexeu com você.

- Sim. E muito.

- Esqueça isso. Não é nada. Foi apenas uma brisa. Como muitas outras que correm por ai. Pare de pensar nessas coisas. Pense em mim. Isso te faz melhor.

- Muito melhor. – ela sorriu e lhe beijou.

Saga a ergueu do chão para colocá-la sentada na cama. Amirah afastou-se mais para o meio do colchão e ele deitou-se em seu colo, sentindo seus cabelos serem remexidos pelos dedos delicados.

- O que acha de recomeçarmos o que estávamos fazendo essa manhã? – perguntou desejoso.

- Eu acho uma boa ideia.

xOxOxOx

Hadyia estava no balcão da varanda que dava para o salão do trono. Encostada em uma imensa coluna. Ainda não havia engolido nada do que tinha escutado até aquele momento.

Primeiro aquela reprimenda daquele velho bêbado e babão. Pé na cova dos infernos. Ele era mais um que estava na sua lista. Se não lhe interessasse mesmo, não perguntaria. Desgraçado. Jamais devia ter feito aquilo. Mas sua hora chegaria. Ah chegaria.

Assim como a hora de sua maldita priminha. Estava farta daquela princesinha metida. Sempre obtendo o melhor, sempre apagando seu brilho. Ela seria a primeira da sua lista. Tinha que pensar em algo para acabar com o esplendor daquela insuportável. Uma queda acidental, uma picada de cobra, um bandido assaltante. Tinha pensado em cada uma daquelas opções, mas todas lhe pareciam tão amadoras. E todas lhe deixariam um rastro que poderia ser seguido até encontrá-la. Era certo que precisaria de ajuda, pois qualquer coisa que fizesse sozinha levantaria uma série suspeitas. Tinha que manter sua boa imagem no castelo.

Aliás, maldita hora que seu pai lhe enviou para aquela maldita terra. Não queria saber de ser educada na realeza. Queria apenas ficar em casa, sem ninguém para lhe atormentar a vida. A única coisa que foi realmente proveitosa ali naquele inferno de lugar se chamava Saga. Mas é claro que o príncipe perfeito já tinha que estar prometido a maldita metidinha.

- Dizem por ai que quem está muito quieta está tramando algo. Vindo de você já é algo rotineiro. O que está tramando dessa vez? – Aiolos apareceu ali, tão sorrateiro quanto ela.

- Jogar você daqui de cima.

- Uuuhh... Nossa, veja como estou tremendo de medo. Como pretende fazer isso? Vai me esperar virar de costas, vai aproveitar o momento, vai usar de alguma alternativa tão ardilosa quanto você?

- Por que você não me deixa em paz?

- Porque eu sei o que você quer. E eu não vou deixar que consiga.

- Você acha que sabe.

- Acho?

- Eu só quero que me deixe em paz! Por que diabos você não entende? É estúpido demais pra isso? E o que está fazendo aqui? Não devia estar lambendo os passos do rei?

- O rei está descansando. E ele próprio me mandou encontrar uma puta. Por coincidência encontrei você. Ah, espera. Você não é puta. Perdão.

- Ainda bem que você sabe.

- Sei. Chamá-la assim é uma ofensa... para as pobres putas. Qualquer uma delas é muito melhor que você.

- Vai pro inferno seu estúpido.

- Ir pro inferno? Achei que mandaria eu me foder. Nem pra fazer isso você é boa...

- Se sente-se confortável pra isso, vá com todo o gosto.

- Ah, vou mesmo. Foder uma puta loira deliciosa. Coisa que você não é, não é mesmo?

Se seus olhos pudessem ser uma arma letal, Aiolos estaria morto neste exato momento.

- Não se esqueça Hadyia, eu estou de olho em você.

Continua...


Raks AL Sayf: é uma modalidade em que a bailarina dança com a espada, equilibrando-a em partes do corpo. A espada usada é feita especialmente para isso. Podem variar entre sabres e cimitarras.

Veil: o véu é como uma extensão dos braços da bailarina, proporcionando um ar de mistério, leveza e encanto. Pode-se dançar com um, dois ou até nove. A dança mais famosa é a dos 7 véus.

Raks el Shemadan: dança na qual a bailarina usa um candelabro na cabeça. O candelabro pode ter de 7 a 14 velas. Quanto menor o número, menor o tamanho do candelabro e mais delicado.

Raks AL Balaas: é a dança com jarro. Surgiu quando as mulheres se dirigiam ao Rio Nilo para lavar suas roupas e buscar água. No caminho, cantarolavam e dançavam para amenizar o peso do trabalho.

Ghawazee: dança com pandeiro. É tocado apenas em alguns momentos para marcações d música.

Snujs: címbalos de metal presos aos dedos, usados um par em cada mão. Podem ser tocados pelos músicos ou pela própria bailarina enquanto dança.


E então amores, gostaram do capitulo?

Espero que não tenham ficado tristes pq não teve hentai nesse. xD Até cogitei, mas fiquei com medo de pesar o início da história, pq ja tivemos um no primeiro capítulo... Mas se serve de consolo, ainda haverão outros...

Capitulo anterior eu falei, falei, falei, e não disse o que significava "Kayip". Então, na tradução sigfinica "Perdido." Desculpem a nossa falha. xD

Né... Incorporei um pedaço do discurso de Maquiavel. Achei que valia a pena a ousadia e achei que o resultado foi bom. Afinal de contas, o Fadil é um rei que ao que parece segue alguns desses preceitos. E ele precisava passar esse valor pro Saga. E eu precisava passar esse momento a vocês. xD

Incorporei também algumas teorias utilizadas na dança do ventre, como a parte dos elementos. Porém modifiquei apenas os significados e adicionei o elemento alma. Mas a quem interessar possa resolvi por os significados reais dos elementos.

Fogo: expressão de sensualidade, poder, controle, ousadia, mistério. O olhar marcante, uma postura sensual, de mulher elegante. Quando a mulher se sente bonita, poderosa, sensual, ousada. Na verdade é o nosso "tempero" de sensualidade e feminilidade. Pessoas tipo fogo estão sempre bem arrumadas, extremamente femininas, chega a ser impossível não prestar atenção quando entram em um ambiente. (Particularmente, meu elemento favorito.)

Terra: traz uma expressão forte e decidida!. Movimentos que mantém nossa conexão dos pés com o solo e impulsos para o solo. Pessoas tipo terra são pé no chão, organizadas, focadas, decididas, líderes, etc.

Água: esta expressão está ligada à alegria de viver, descontração, o hábito de celebrar a vida e ser "moleca". Na dança encontramos os momentos que a bailarina se comunica com o público, com alegria,brincadeiras, etc. O trabalho de improviso também é bem vindo para "deixar fluir". Felicidade, descontração, o deixar fluir naturalmente como água, contornando os obstáculos com facilidade e flexibilidade. O aspecto de compartilhar, de ser solidária, compartilhar, de dividir, de unir, alegrar. Está ligado à nossa capacidade de aproveitar os momentos da vida, curtir, rir cantar e dançar, para alegrar nossos dias. Deixar fluir como água. Podemos utilizar ondulações numa pulsação mais alegre e festiva. Pessoas tipo água são brincalhonas, adoram festa, são levadas facilmente por suas emoções.

Ar: esta expressão é quase angelical, leve, algo que dá um toque de espiritualização à dança. Ligado a nossa conexão com o divino,à nossa capacidade de olhar além das aparências, de amar todos os seres do Universo. Encontramos na expressão da dança, através das ideias leves, da sutileza de um gesto, na energia transformadora de uma dança realizada com sabedoria interior. A força do bem, do coração, e eliminação do ego. Pessoas tipo ar, tem capacidade de visualizar outros pontos de vista, são espiritualizadas, sábias.

Existem tbm outros elementos usados na danças além daqueles já supracitados, como a bengala, os punhais, os leques, as tacinhas... apenas não quis colocá-los.

Fanfiction tb é cultura... xD

Então amores, é isso. Eu espero que gostem do capitulo e não se esqueçam das reviews. \o/