Voltei! Então, como eu disse, a história está quase completa no meu PC, por isso não vou demorar muito para atualizar!
Gente, esqueci de explicar no outro, mas os nomes de alguns personagens não foram esquecido e, sim, eu quem decidi que seriam mantidos! Os nomes dos pais da Tenten e o "De Santis" do Sasuke (já que ele é italiano, precisava de algo que o caracterizasse. Pensem assim: uma mistura de japonês e italiano. Uchiha Fugaku e Mikoto De Santis ou o contrário se preferirem!) :3
Enfim, boa leitura e aproveitem o capítulo!
P.S.: Responderei aos comentários sempre ao final dos capítulos!
Capítulo Dois
— Meu Deus! — exclamou Hina, completamente atordoada.
Eles já haviam parado de dançar! E ele olhava para ela com um daqueles irresistíveis sorrisos discretos! Olhando para o pescoço dele, Hina desejou com todas as forças que o chão se abrisse e um buraco a engolisse.
— Sinto muito! — sussurrou ela afastando-se rapidamente dele, quase caindo.
— Na verdade, fiquei lisonjeado com o... elogio. — Ele se apressou para equilibrá-la. — Felizmente percebi que aquilo ia acontecer, e por isso estamos agora no terraço, aqui fora, distante dos olhares curiosos...
— Fora? — Olhando ao redor, ainda confusa, Hina confirmou que eles estavam, de fato, em um terraço que ela não tinha visto antes! Foi então que percebeu quão envolvida devia estar com Sasuke, pois ele atravessara com ela as portas duplas francesas que levavam ao lado de fora, onde batia o vento mais frio da noite, sem que ela notasse!
Mais uma vez deu um passo incerto para trás, para longe dele dessa vez, e felizmente conseguiu manter-se de pé em segurança. Ainda conseguia escutar a música tocando à distância. Estava mortificada. Queria desaparecer e não conseguia olhar para ele... Não sabia o que dizer para se defender!
Ele estava muito relaxado, com o quadril encostado em uma balaustrada de pedra, e Hina teve a péssima impressão de que ele estava se divertindo... E muito.
— Coloque a culpa no vinho — disse ele com gentileza. Hina concordou, pateticamente agradecida pela desculpa ruim.
— Não estou acostumada a beber... tanto.
— Não — ele concordou.
— E Kiba...
— Encheu sua taça sem parar.
Ela não pretendia dizer aquilo, mas, ao ouvi-lo, olhou para ele imediatamente.
— Não foi isso! — ela protestou, respirou e perguntou: — Ele fez isso?
— Pobre Hinata — disse ele, com frieza. — Foi pega com o truque mais antigo de todos.
Hina se lembrou do que tinha feito com Sasuke e desviou o olhar e fez um gesto descoordenado em direção às portas francesas.
— Acho melhor...
— Voltar para a festa para ele poder continuar lhe embebedando?
— Não. — Os dedos esticados se fecharam com força e ela baixou o braço. — Seu senso de humor é muito ácido, signore.
— E a sua língua é úmida e seus lábios, quentes e macios, signorina.
Foi o bastante. Hina não conseguiria mais tolerar que ele se divertisse a sua custa. Virando-se, caminhou em direção à porta.
— O que vocês dois estão fazendo aqui fora sozinhos? — uma voz diferente foi ouvida.
E nada, nada em seus 22 anos de vida fez com que Hina se sentisse tão mal quanto naquele momento, quando sua amiga, sua linda, apaixonada e fiel melhor amiga, atravessou a porta.
—A sua... madrinha de casamento estava com calor — Sasu respondeu com tranqüilidade. — Precisava respirar um pouco de ar fresco.
Quase sem conseguir se controlar, Hina sentiu um aperto por dentro, uma mistura de culpa e vergonha quando Tenten olhou para ela e disse:
— Você está bem, querida? — Estava verdadeiramente preocupada. — Dio, você não parece nada bem, Hina.
— A culpa é do seu primo — Sasu disse. — Foi ele quem ficou enchendo a taça dela com vinho a noite toda.
— Kiba? Que coisa feia! E eu pedi a ele que cuidasse de você para mim... — Ela se aproximou de Hina e a abraçou. — Por causa do pai severo que tem, você não está acostumada a sair à noite para se divertir, não é, cara! Na verdade, você não está acostumada a beber nada alcoólico!
— Meu pai não é tão ruim — disse Hina, sentindo-se cada vez mais desconfortável.
— Não, ele é péssimo — Tenten retrucou, sem fazer o menor esforço para esconder sua antipatia pelo pai de Hina, o homem a quem ela ainda atribuía a culpa pelo rompimento de seu relacionamento com Neji, dois anos antes. — Ainda estou surpresa por ele ter permitido que viesse para cá, sabendo que teria de se divertir. Tive até de lhe dar algumas roupas para que ele não a forçasse a usar aquelas peças horrorosas que prefere que você vista!
Desejando poder sumir por causa daquela nova demonstração de insensibilidade, Hina se perguntou se aquilo podia ser castigo suficiente pelo que tinha feito com o noivo de Tenten.
Surpreendentemente, Sasu saiu em sua defesa.
— Já chega, cara — ele disse a Tenten. — Ser pobre não é pecado. E sua amiga está com... dor de cabeça. Escutar você dizendo coisas que ela preferiria não discutir na minha presença a está deixando ainda pior.
— Oh, sinto muito, Hina. Não sei controlar minha boca — disse Tenten para remediar a situação. — O que acha de eu levá-la de volta para o hotel? Poderíamos nos retirar mais cedo e Sasu não vai se importar, não é, caro!
A situação só seria pior se um rato saísse de trás da coluna do terraço e contasse a Tenten a terrível verdade sobre o motivo de sua melhor amiga estar ali fora com o noivo dela, pensou Hina ao tentar falar com Tenten, com um nó na garganta que ameaçava se transformar em lágrimas.
— É claro que não — o homem de voz suave concordou.
— Não... mesmo. — Hina estava quase totalmente tomada por raiva de si mesma. — Não posso permitir que você se ausente de sua festa. Kiba disse que ele pretendia se retirar em breve, para se recuperar do cansaço da viagem. Eu... eu posso voltar ao hotel com ele.
— Não, não quero nem saber — respondeu Tenten com firmeza. — E Kiba pode voltar para o hotel conosco para que eu possa repreendê-lo por ter feito isso com você. Sasu vai providenciar um carro.
Solícito, Sasu De Santis se endireitou. Hina sentiu um nó na garganta e recusou-se a olhar para ele, que já entrava no salão novamente.
Ela ia confessar, precisava confessar... mas como? Tenten ficaria chocada. Nunca a perdoaria. A amizade entre elas estaria arruinada para sempre.
Mas e se Sasu contasse antes? E se ele pensasse que seria divertido contar aquilo à noiva? Como Hina viveria se ele fizesse isso?
Eles estavam prestes a entrar na limusine quando Sasu tocou o braço de Hina.
— Não faça isso, ela nunca vai perdoá-la — ele disse com a voz tão baixa que apenas ela o escutou, deixando-a mais chocada do que ele conseguiria imaginar. — E se tiver um pouco de juízo, vai se manter afastada de Kiba Inuzuka — ele completou. Em seguida, virou-se para a noiva para lhe dar um rápido beijo de boa noite.
Ter Kiba com elas no trajeto para o hotel tornou as coisas mais fáceis para Hina, que pôde fingir que cochilava enquanto ele e Tenten conversavam. Ela percebeu vagamente que os dois falavam de modo alterado, mas acreditou que Tenten estivesse cumprindo a promessa de que repreenderia o primo por causa do episódio com o vinho, por isso não deu muita atenção. Além disso, estava com uma dor de cabeça insistente e latejante, daquelas que uma pessoa sente quando está insatisfeita consigo mesma e sabe que vai demorar a passar.
Quando os dois primos decidiram tomar uma última bebida no bar antes de voltarem a seus quartos, Hina resolveu escapar e passar a noite com a cabeça enfiada sob o travesseiro, tentando esquecer o que fizera.
Mas ela deveria ter prestado atenção à conversa, descobriu no dia seguinte pela manhã quando o inferno se fez com as batidas urgentes na porta de seu quarto. Se tivesse ouvido o que os dois falavam, poderia ter impedido Tenten de cometer o maior erro de sua vida.
Tudo o que pôde fazer foi escutar, horrorizada, o que dizia Sofia Mitsashi entre soluços e lágrimas.
— Ela foi embora! — disse a mamma de Tenten histericamente assim que Hina abriu a porta. — Simplesmente pegou todas as coisas durante a madrugada e deixou o hotel! Durante todo esse tempo, ela nunca deu um sinal sequer de que eles estavam planejando isso em segredo. Como ela pôde fazer isso? Como ele foi capaz? O que as pessoas vão dizer? E Sasuke? Ai, acho que não vou tolerar isso. Ela desperdiçou um ótimo futuro. Como pôde fazer isso conosco? Como o tolo do seu irmão pôde vir para cá e levá-la embora?
Imaginando até ali que a sra. Mitsashi estava se referindo a Kiba, Hina perguntou, incrédula:
— Neji!? Tem certeza de que está querendo se referir a meu irmão, sra. Mitsashi?
— Mas é claro que estou me referindo a Neji! — a mulher respondeu. — Ele chegou ontem à tarde, ao que parece. Ficou escondido no banheiro do quarto de Tenten quando fui procurá-la ontem! Dá para imaginar uma coisa dessas? Ela não estava vestida e os lençóis estavam desarrumados! Dio mio, não é preciso pensar muito para adivinhar o que estava acontecendo! Você sabia o que eles estavam planejando fazer, Hinata? Sabia?
O tom de acusação fez com que Hina negasse rapidamente:
— Não! Estou tão chocada quanto a senhora!
— Bem, espero que esteja dizendo a verdade — a sra. Mitsashi disse de modo frio. — Porque jamais vou perdoá-la se souber que você participou dessa coisa indesculpável!
— Pensei que a senhora estivesse dizendo que ela fugiu com Kiba — disse Hina, ainda chocada.
— Kiba? Mas ele é o primo dela! Está tentando deixar a situação ainda pior?
Completamente surpreendida pela resposta, Hina só conseguiu pedir desculpas.
— Agora alguém vai ter de dar a notícia a Sasuke — a mãe de Tenten disse, chorando. — Tenten deixou um bilhete para o noivo, mas ele foi para sua vila no lago Como ontem à noite para preparar tudo para a nossa chegada amanhã, e meu marido foi à cidade cuidar de alguns negócios... ele ainda não sabe o que a filha malvada dele fez para arruinar a nossa vida!
A Vila De Santis ficava sobre um monte rochoso, com seus muros verdes banhados pela luz do sol da tarde.
Hina teve uma sensação de enjôo quando saiu do táxi aquático e pisou no píer particular da vila com a madeira recém-pintada destacada pela luz do sol sob a madeira escura mais velha. Outro barco já estava atracado ali, mais estreito e aparentemente mais rápido, que desmoralizava completamente o táxi aquático que ficou ao seu lado. O pai de Tenten providenciara que um motorista a levasse até Bellagio. Eles haviam conversado para resolver se deveriam contar as notícias a Sasu pelo telefone, mas decidiram que ele deveria ser informado pessoalmente. A princípio, ficou decidido que Giorgio Mitsashi faria a viagem sozinho, mas parecia tão abalado que Hina se ofereceu para ir em seu lugar. Hina se sentia responsável. Como não se sentiria assim, uma vez que seu irmão havia causado tudo aquilo? Mas depois da estupidez que cometera na noite anterior, a última coisa que desejava era encarar Sasu De Santis.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo enquanto caminhava na direção dos portões de ferro que, acreditava, a levariam até as escadas que iam dar na vila. Atrás de si, ouviu o táxi aquático se afastando, com os motores ligados atravessando a água azul e reluzente, fazendo com que ela tivesse a sensação de ter sido deixada no pior lugar do mundo.
Um homem apareceu por entre as sombras do outro lado do portão, fazendo com que ela parasse, encarando-a com seus olhos escuros. Ela devia estar horrível, pois era assim que se sentia com o cabelo solto e o rosto pálido. E ainda estava vestindo a mesma blusa verde e a calça branca que vestira apressadamente naquela manhã, quando a mamma de Tenten havia batido à porta.
— Posso ajudá-la, signorina? — o homem perguntou com seu italiano friamente educado.
Passando a língua com nervosismo pelos lábios, ela disse:
— Vim entregar uma carta ao signor De Santis — Hina respondeu. — Meu nome é... Hinata Hyuuga.
Ele fez um gesto afirmativo de cabeça e pegou um telefone celular, sem desviar o olhar de Hina nem por um segundo enquanto conversava em voz baixa com a pessoa do outro lado da linha. Em seguida, com mais um gesto de cabeça, ele destrancou o portão e o abriu.
— Pode subir, signorina — anunciou.
Murmurando um agradecimento, Hina estava prestes a passar por ele quando um pensamento fez com que parasse.
— Vou... precisar de um táxi aquático para voltar a Bellagio — disse a ele. — Não me lembrei de pedir ao outro que esperasse.
— Cuidarei disso quando a senhora estiver pronta para ir embora — disse ele.
Agradecendo mais uma vez, Hina seguiu em frente e descobriu uma escada de pedra desgastada na lateral da rocha. No topo da escadaria, deparou com jardins bem verdes e cuidadosamente aparados e um caminho que levava a um terraço de pedras e, depois dele, à vila, com as janelas compridas que se abriam com a brisa suave que batia do lago.
Lindo, pensou, mas foi só o que pôde pensar. Estava nervosa demais, ansiosa demais... morrendo de medo, na verdade.
Outro homem esperava por ela no terraço, e a cumprimentou com um meneio de cabeça e pediu que ela o seguisse. Estava frio dentro da vila, a decoração era uma mistura de cores quentes em belos tapetes e quadros com molduras douradas. O homem a guiou por um caminho que dava em portas duplas e pesadas de madeira, bateu e abriu uma delas antes de dar um passo em silêncio para o lado, sinalizando que ela deveria passar.
Hina precisou respirar profundamente antes de continuar e passou pelo empregado, entrando numa bela sala de pé-direito alto, gesso no teto e janelas estreitas e compridas que enchiam o local com a luz dourada de fora. As paredes eram brancas, os móveis escuros e maciços como o piso bem polido. Espaços estreitos eram preenchidos por estantes repletas de livros; uma lareira de pedra tomava boa parte de uma parede. Ao olhar ao redor, para as lindas cadeiras antigas de veludo cor de vinho e para os elegantes sofás, parou diante da mesa entalhada posicionada entre as duas janelas... e do homem que estava em pé, parado, atrás do móvel.
Imediatamente Hina sentiu um nó na garganta e o coração aos pulos. Ele já sabia sobre Tenten, ela percebeu. Estava bem claro em sua expressão fria.
— Acredito que você trouxe uma carta para mim — Sasu De Santis disse. Sem cumprimentos, sem a menor tentativa de tornar as coisas mais fáceis para ela. Mas para que faria isso?
— Como... você sabe? — Hina ousou perguntar. Ele a olhou rapidamente e logo desviou o olhar.
— Ela ia casar comigo. Isso a deixava em uma posição de pessoa de classe inferior à procura de dinheiro, por isso, é claro, coloquei uma equipe para segui-la.
Mas eles não a impediram de fugir com Neji? Hina teria adorado fazer essa pergunta, mas pela maneira como ele estava ali, vestindo seu terno cor de chumbo, de corte perfeito, com a expressão sisuda, a pergunta se transformou em um grande nó na garganta quando ela deu um passo adiante, com a sensação de que pisava em agulhas. Colocou a carta sobre a mesa. Seu coração acelerou quando ele a encarou por um instante antes de esticar o braço e pegar o papel, e deixou que mais alguns segundos se passassem antes de, finalmente, abrir o selo que a mantinha fechada.
Depois disso, não disse nada. Fez-se um silêncio longo enquanto ele mantinha-se atrás da mesa, lendo as palavras que Tenten escrevera, e Hina ficou em pé com os olhos fixos no rosto moreno dele, acreditando que a força de seu orgulho nato devia ser a única coisa que o impedia de se entregar à tristeza.
— Sinto... muito — disse ela, sabendo que aquilo não era o mais adequado a ser dito, mas... O que mais poderia dizer?
Ele mexeu a cabeça rapidamente, os olhos parecidos com cristais negros sob os cílios escuros ainda voltados para a folha de papel, e que permaneceram assim enquanto a carta era colocada sobre a mesa lentamente.
— Você não sabia de nada?
Hina apertou os dedos contra a pele macia da palma de sua mão de maneira tensa e ansiosa.
— Não, de nada — ela respondeu.
— E a família dela?
Hina balançou a cabeça, sem saber o que fazer.
— Você... estava lá ontem à noite... Ela estava radiante. Ela...
— Minha futura noiva gloriosa em sua boa sorte — ele disse, lenta e friamente.
Apertando os lábios, Hina baixou os olhos e nada disse. Estava claro que Tenten estava fingindo muito bem, com a intenção de enganar a todos na noite anterior. Agora tudo parecia terrível, o brilho extravagantemente romântico de uma grande e cruel mentirosa. Ela surgira como uma princesa em seu vestido dourado de seda. Aproximara-se desse homem, sorrindo para ele com encanto e paixão. E todos sorriram enquanto a observavam, todos comentando o fato de os dois formarem um casal fabuloso. Até mesmo Sasu, com seu modo mordaz de analisar as coisas, havia sorrido para a sua linda noiva. No fundo, Hina sentiu inveja da amiga, pois poucas mulheres conseguem realizar o sonho de infância de se apaixonar e casar com um príncipe.
Não que Sasuke De Santis fosse um príncipe, pois não era. Mas tinha as mesmas características dos belos príncipes: moreno, alto, de traços bonitos, corpo perfeitamente desenvolvido e os benefícios extras por ser um homem muito rico, graças à escolha cuidadosa das noivas da família De Santis ao longo dos séculos. Dinastias tinha sido o termo usado por Tenten.
— Vou entrar para uma dinastia, porque tenho o nome certo e a genética certa.
O comentário tinha sido tão inesperado, que Hina ficou chocada:
— Mas você o ama, não é?
— Está brincando, cara? — Tenten perguntara, rindo. — Você o viu. Que garota em são consciência não se apaixonaria por Sasu? Até mesmo você, se tivesse a chance.
Hina sentiu um tremor de culpa ao se lembrar daquela resposta ousada, pois sabia que havia desenvolvido um tipo de fascinação por aquele homem e sua consciência estava pesada... principalmente depois do ocorrido na noite anterior. Mas também franziu o cenho ao perceber, agora, que tinha de encarar o resultado da grande decepção causada por sua melhor amiga. Como Tenten tinha sido esperta ao se esquivar de responder se amava o noivo.
Ela observou quando Sasu pegou a carta novamente, com os dedos compridos e morenos erguendo a folha de papel branco para reler o que Tenten escrevera. Seu rosto manteve-se frio, completamente inexpressivo, mas Hina percebeu que não conseguia respirar. Talvez tivesse a ver com a maneira como ele mantinha os lábios unidos e com o modo com que suas narinas se abriram quando ele inspirou o ar.
Ele estava irritado, percebeu, e era compreensível. Mas era difícil saber se estava triste. Nas poucas ocasiões em que esteve com ele, até mesmo na noite anterior, sempre tivera a impressão de que ele era o tipo de pessoa que não demonstrava os sentimentos.
Frio, duro, insensível, arrogante, ela se flagrou pensando enquanto esperava que ele dissesse alguma coisa. Poderia ter relacionado outros adjetivos, como alto, moreno e irritantemente bonito, mas eles só serviam para descobrir o lado de fora, potencialmente másculo. Era a primeira descrição que dizia tudo sobre sua personalidade. O silêncio continuou até ela sentir os nervos à flor da pele. Em parte de sua consciência, Hina sabia que deveria sair dali agora que a carta já tinha sido entregue, mas estranhamente relutou em deixá-lo sozinho. Ainda se sentia responsável... apesar de saber que não tinha culpa de nada. Sentia... pena dele, mesmo sabendo que provavelmente ele detestaria saber que ela ousava se sentir assim.
Que homem estranho, pensou, porém não pela primeira vez, enquanto esperava diante da mesa, incapaz de desviar os olhos do rosto dele. Mesmo com toda a riqueza, poder e posição importante na sociedade italiana, ela apenas o via como um homem solitário. Mesmo na presença de Tenten, ele passava a impressão de ser reservado de um modo que Hina jamais conseguiria explicar bem.
— Eu... acho que você deve estar querendo saber onde está sua aliança — disse ela, precisando preencher aquele vazio insuportavelmente tenso, e a aliança surgiu na conversa que ela teve com a mãe de Tenten.
— Não — ele negou sem qualquer alteração. — Acho que o fato de ela fugir com um homem pobre selou o destino da aliança.
Hina sentiu um choque, e sua face corou ao se lembrar de que o outro fato nessa história toda, aquele com o que ela estava tendo de lidar, era que Tenten havia fugido com o seu irmão.
— O Ne não é pobre. — Ela sentiu necessidade de defender a renda de classe média do irmão. Afinal, era a única coisa a respeito dele, naquele momento, que ela podia defender.
— De acordo com os seus parâmetros ou com os meus?
Que comentário arrogante! Hina sentiu a raiva começar a controlá-la, mesmo sabendo que não tinha o direito de extravasar o sentimento.
— Bem... — ela virou-se tensa para a porta — acho que é melhor eu ir embora...
— Vai fugir como os outros dois? — disse ele.
— Não — respondeu ela. — Só acho melhor ir embora antes de me irritar.
— Então você se irrita?
— Sim. — Ela virou-se e viu que ele saíra de trás da mesa, rápida e silenciosamente, e não havia percebido seus movimentos. Agora estava encostado na mesa com os braços cruzados, com a carta de Tenten deixada sobre o tampo.
A surpresa fez com que ela emitisse um som. E sentiu um frio na barriga pela maneira como ele observava a blusa verde e a calça branca que ela havia vestido apressadamente naquela manhã, e o cabelo completamente revolto.
Na noite anterior, agira como uma tola. Naquela manhã, tinha sido acordada pelos gritos e acusações histéricas dos pais de Tenten, que continuavam ressoando em sua mente. E então, aquilo: aquele homem completamente desconcertante que ela precisava encarar porque os pais de Tenten não eram capazes de fazer isso... E ele estava olhando para ela como se não acreditasse que ela ousava sair do quarto vestida daquele modo. Bem, tente passar maquiagem quando seus dedos pararem de tremer, ela pensou, como se conversasse com ele, enquanto era avaliada com aquele olhar desrespeitoso. Procure pensar em quais roupas vestir diante de uma multidão, entre elas um homem rejeitado, quando ficar insatisfeito com todas as combinações.
— Durante a semana que você passou aqui em meu país, vi você desempenhar o papel de pateta de Tenten, para seu temperamento nervoso e inconstante — disse ele de modo tão repentino que Hina se assustou. — Eu vi você confortá-la, acalmá-la e até alegrá-la. Mas não me lembro de tê-la visto a ponto de perder a paciência com Tenten diante das coisas embaraçosas que ela lhe disse. Então por que acha que vai ficar irritada comigo?
— Você... atacou a minha família.
— Eu ataquei o seu irmão — disse ele. — Não acha que tenho o direito?
Obviamente ele tinha o direito. Ontem, há essa hora, ele era a metade de um casal lindo, a apenas uma semana do casamento. Seria o casamento do ano na Itália, mas agora estava prestes a se tornar um escândalo que seria um prato cheio para a imprensa e fora seu irmão o responsável por tudo aquilo.
Hina moveu-se desajeitadamente, fazendo um gesto como se pedisse desculpas, apesar de sentir-se chicoteada pela maneira como Sasu falava.
— Eu lhe dou o direito de menosprezar meu irmão — ela disse. — Vou lhe dar o direito até de ficar irado comigo, por eu ser irmã do homem que fugiu com a sua noiva. Mas não vou — e ela ergueu o queixo, os olhos desafiadores — ficar aqui enquanto você ridiculariza o fato de não sermos ricos como você.
— Eu fiz isso?
Hina pressionou os lábios e fez um gesto afirmativo com a cabeça. Ele não era a única pessoa a ter seu orgulho ferido naquele dia. Já tivera de tolerar comentários muito maldosos dos pais de Tenten sobre seu irmão que tinham sido difíceis de engolir.
— Então peço desculpas.
Hina não acreditava nele. Olhando para ele, não conseguia ver nenhum sinal de arrependimento em seu tom de voz. Mas respondeu educadamente, mesmo assim:
— Obrigada. Agora, se não se importa, vou embora...
Mais uma vez ela estava prestes a se virar quando ele a deteve.
— Como chegou aqui?
— De táxi aquático que peguei em Bellagio.
Ele fez um gesto afirmativo de cabeça.
— Então, pelo visto, você está presa aqui até que eu providencie seu retorno.
— Seu... empregado no píer disse que providenciaria...
— Trata-se de hierarquia, srta. Hyuuga — ele a interrompeu. — Minhas ordens têm mais importância por aqui.
Ele estava competindo, Hina percebeu, abrindo os lábios para dizer algo, porém fechando-os novamente quando, de repente, notou que ele queria brigar. Ela seria capaz de aceitar? A pergunta surgiu enquanto seu bom senso dizia que ela deveria sair de lá, porque não seria páreo para ele. Sasu morava naquela linda vila às margens do lago Como, era dono de um belo apartamento em Milão, e por esse motivo ela ficara surpresa com o fato de ele ter ocupado uma suíte no dia anterior, além de outras três lindas casas que Tenten mencionara, em diferentes partes do mundo. Levava um estilo de vida sofisticado, típico dos grandes abastados do mundo dos negócios. Até viajava pelo mundo no conforto do próprio jatinho particular. E bem ali fora, ancorado no píer particular, estava o barco motorizado branco que poderia levá-la ao outro lado do lago em dez minutos... mas ele estava se recusando a dar a ordem porque estava disposto a brincar com alguém e ela, convenientemente, estava ali.
Hina desviou o olhar dele mais uma vez, sem saber o que fazer em seguida.
— Você sabe que está sendo mal-educado — disse ela, por fim.
— Arroxeados... — ele disse.
— Arroxeados... o quê? — ela perguntou, completamente surpresa com o comentário.
— Seus olhos quando você fica brava — respondeu ele. — Na maior parte do tempo, eles são de um tom perolado.
— E soltam faíscas quando sou posta contra a parede — ela reagiu.
— Deixe-me ver, então. Você sabia desde o princípio o que eles estavam planejando.
Não tinha sido uma pergunta.
— Não — Hina insistiu. — Já disse que eu não sabia. — Mas, mesmo dizendo isso, por dentro ela se sentia culpada, pois talvez tivesse percebido que alguma coisa acontecia, mas havia sido muito mais simples deixar as suspeitas de lado.
— Não pensei que você fosse mentirosa, Hinata — ele disse com frieza.
— Não estou mentindo! — Com a expressão fechada, irritada consigo mesma e com ele e com aquela situação terrível na qual havia se colocado, continuou: — Não vi que isso ia acontecer — insistiu mais uma vez —, mas confesso que me sinto um pouco responsável, pois acho que poderia ter percebido alguma coisa.
— Porque você sabia que eles eram amantes?
Ele tinha de dizer aquilo com tanta calma? Tentando ficar menos tensa, ela respondeu, decidindo ser direta, uma vez que ele não parecia ter sentimentos:
— Sim. Durante algum tempo, muitos anos atrás.
— Namoradinhos de infância — ele esboçou um sorriso. Um pouco mais que isso, ela pensou ao unir os lábios e não dizer nada. Depois, como não conseguia encarar o olhar desafiador dele, suspirou e disse:
— Você tinha razão a respeito da diferença de condição social. Ele nunca será bom o bastante para ela.
— Enquanto eu preenchia todos os requisitos para um Mitsashi?
Hina deu de ombros dessa vez. O que mais poderia fazer? Ele satisfazia todos os critérios. Era tudo o que os Mitsashi esperavam para sua linda filha. Neji, não. Neji era um homem de classe média da Inglaterra. Havia aproveitado a educação em escolas públicas necessária para dar um pontapé inicial em sua vida, mas não passava disso. Até aquela crise financeira, sua família vivia com conforto com o dinheiro ganho em um negócio pequeno, nem mais, nem menos. Esperavam que Neji assumisse os negócios do pai um dia e que se casasse com alguma moça inglesa e gentil de classe média que não exigiria que ele lhe desse mais do que podia.
Tenten, por outro lado, sempre esperaria mais. Sempre teria o que quisesse na vida, mesmo que tivesse de comprar com seu dinheiro. Neji não saberia lidar com isso. Seu ego sofreria um baque tão grande e ele jamais conseguiria ser feliz, enquanto Sasu tinha tanto dinheiro que não se importaria nem um pouco que sua bela mulher gastasse o dinheiro dele, e seu ego ficaria intacto.
— Ela vai voltar — prometeu Hina. — Ela só precisa de um tempo para... organizar as idéias.
— Não o coração? — A comparação direta fez com que Hina sentisse vergonha.
— Tenho certeza de que ela ama você — insistiu ela. — Só não está preparada para se comprometer com um casamento. Se você der algum tempo para ela, eu...
As sobrancelhas brilhosas se arquearam de maneira curiosa.
— Está mesmo sugerindo, srta. Hyuuga, que devo esperar até que Tenten organize as idéias?
Era isso o que ela estava fazendo? Erguendo a cabeça, respondeu:
— Se você a ama... sim.
— Então você é uma tola romântica, porque isso não vai acontecer. — Ele se moveu repentinamente, afastando-se da mesa. — Há um casamento marcado para o próximo sábado de manhã e pretendo fazer com que ele aconteça.
Sem uma noiva? Hina olhou para ele.
— Está dizendo que... vai encontrá-la e arrastá-la de volta para que se case com você? — Ela riu ao imaginar Tenten sendo arrastada por aquele homem pelo corredor da igreja, dando chutes no ar e gritando.
— Não. — Virando-se, ele voltou a pegar a carta de Tenten, dessa vez para dobrá-la com cuidado e precisão. — Pretendo substituí-la por outra pessoa.
Hina estava bastante confusa.
— Simples assim?
— Simples assim.
Ele a surpreendeu rasgando a carta em pedacinhos, e calmamente os jogou numa cesta de papel ao lado da mesa. Foi uma demonstração tão grande de desprezo por Tenten e por tudo que ela deveria representar para ele, que Hina começou a se sentir mal.
— Você vai ter de se apressar para colocar sua vida em ordem, é claro, mas com minha ajuda acredito que tudo pode ser resolvido a tempo.
Ela desviou o olhar dos pedaços de papel. Demorou alguns segundos para que compreendesse o que ele dissera... e, quando compreendeu, Hina deu alguns passos tortos para trás.
— Minha vida... está bem assim.
— Não duvido — ele disse. — Mas será que vai estar bem amanhã, quando eu informar às autoridades que seu irmão esvaziou a conta de sua empresa?
— Isso... não teve a menor graça — respondeu Hina, seu coração começando a bater forte porque a conversa tomara um tom muito estranho. — Sei que você está magoado e irado, e compreendo que precisa descontar tudo isso em alguém. Mas isso não lhe dá o direito de mentir sobre a minha família!
— Sobre o seu irmão. — Mais uma vez Sasu deixou clara a diferença. — Restrinjo minhas acusações a apenas um membro de sua família. Ao restante, darei o benefício da dúvida... por enquanto.
Ele a irritava mais a cada palavra cruel pronunciada.
— Você suspeita que meu pai seja ladrão? Em que se baseia para pensar que pode dizer uma coisa dessas?
— Eu me baseio, como você diz tão bem, por ser um banqueiro — ele respondeu. — E, por ser um banqueiro, não costumo deixar que a emoção vença a razão.
— Você está me confundindo — Hina olhou para ele com indignação.
— Então, permita que eu explique. Tenten é uma moça muito rica.
— Eu sei disso — ela respondeu.
— Um pouco de... podemos dizer, engenhosidade familiar, faria com que ela acreditasse que seu namoradinho de infância estava rico.
— Acho que você precisa ficar um pouco sozinho para pensar — Hina disse a ele e fez o que deveria ter feito minutos antes: virou-se para ir embora.
— Seu... relacionamento próximo com ela me deixou curioso — ele continuou, dizendo com a mesma calma de antes enquanto ela se afastava. — Por isso, decidi que seria bom investigar você e sua família.
— Investigar? — Mais uma vez ela se virou para encará-lo. — Então, em que se baseia desta vez para acreditar que tem o direito de fazer isso?
— O direito de futuro marido de Tenten por estar... Bem, um pouco curioso a respeito de sua amizade com ela. Você não faz o tipo dela, srta. Hyuuga — ele disse de modo direto. — Qualquer pessoa pode ver que Tenten está em outro nível, mas aí está você, hospedando-se no melhor hotel em Milão à custa do dinheiro da família dela, vestindo roupas que ela lhe deu para que você não se sentisse deslocada entre os amigos ricos dela, e prestes a ocupar o papel de madrinha orgulhosa no casamento.
— Estava prestes a fazer isso — ela respondeu, furiosa com o tom nojento que ele estava dando a tudo que dizia.
— Estava — reconheceu ele com um meneio de cabeça. — Por isso decidi investigar um pouco. E sabe o que descobri? Hyuuga não está simplesmente passando por uma crise financeira passageira como me disseram, mas sim está prestes a falir completamente. Seu pai está afundado em dívidas. Seu irmão detesta a vida como engenheiro e se ressente do fato de que se espera que ele se mantenha nos negócios.
Hina estava furiosa.
— Neji queria ser um artista.
— Oh, a idéia romanticamente perfeita para ele — Sasu disse com sarcasmo. — Moreno, com boa aparência e sensível, ele é o par perfeito para uma garota impressionável como Tenten... enquanto você — ele continuou, antes que Hina pudesse dizer alguma coisa —, você é a pessoa perfeitamente comum para manter Tenten encantada e cega diante do que seu irmão realmente está fazendo. Hina endireitou os ombros tensos e trêmulos.
— Terminou de humilhar a minha família? — perguntou, com vontade de lhe dar um tapa.
— Soberba — ele disse. — Gosto disso.
— Mas eu não gosto de você! — ela disse. — Tenten e eu somos amigas desde que tínhamos 12 anos... a riqueza dela ou a minha pobreza nunca foi um problema entre nós, porque não é disso que depende uma amizade verdadeira! A minha família trabalha muito para ganhar a vida, signor — ela fez sua defesa com orgulho. — Todos nós trabalhamos muito! Não passamos a vida aproveitando as mordomias como um playboy de família abastada, porém totalmente problemática da qual você, infelizmente, saiu! E se o meu irmão é diferente de todos nós, pelo menos ele sabe que é amado! Enquanto você, signor, com sua enorme riqueza e arrogância herdada, nunca deve ter sido amado para ser tão frio e duvidar tanto de tudo e de todos a ponto de ter de desenterrar a vida de todas as pessoas sem que elas saibam!
— Problemática? — Seus olhos brilhantes a examinaram. — Você tem um modo muito depreciativo de analisar o histórico da minha família, srta. Hyuuga. Isso me deixa curioso para saber de onde tirou a sua informação e, ainda mais, do motivo de ter procurado saber.
Hina ficou tensa, como se ele a tivesse acertado um soco. Decidiu andar na corda bamba.
— Eu... Tenten — respondeu, detestando a sensação de seu rosto corando, porque sabia que tinha a culpa de ter passado horas pesquisando sobre ele na internet. — Ela disse que casar com você seria como fazer parte de uma dinastia, porque tinha o nome e a genética certos — continuou. — Foi um comentário tão frio e profissional para mim que pensei que ela estivesse brincando quando disse isso, mas agora vejo que não era brincadeira alguma, ou você estaria magoado demais com o que aconteceu para pensar em me fazer essa sugestão tão fria!
— Terminou? — perguntou ele quando ela finalmente pareceu terminar. Com o corpo todo trêmulo, Lizzy apertou os lábios e balançou a cabeça, afirmando.
Ele fez o mesmo, e desencostou da mesa.
— Então, terminados os ataques, vamos retomar o assunto do nosso casamento — ele disse.
— Não vou casar com você! — Hina quase gritou. Ele estaria maluco?
Sasu contornou a mesa.
— Você me beijou ontem à noite.
A lembrança fez com que ela respirasse profundamente. Tinha esperanças de que ele houvesse se esquecido daquilo. Ela rezara a noite toda, pedindo que aquele beijo roubado terrível e chocante, não tivesse passado de um sonho.
— Eu estava embriagada...
— Você parecia estar embriagada. — Ele começou a abrir a gaveta e tirou uma pasta grossa que colocou sobre a mesa. — É claro que você podia estar tentando me distrair para que eu não percebesse o que Tenten estava aprontando.
Hina ficou abismada ao ouvir aquele comentário cínico a respeito de seu comportamento idiota, mas quando abriu a boca para falar, não conseguiu dizer nada.
Ele sorriu... de modo frio.
— Tudo pode ser mal interpretado, Hinaya. Quando você se aproximou de mim como uma virgem tímida e meiga, eu fiquei... lisonjeado? E agora? — Ele abriu a pasta. — Veja como as coisas podem parecer diferentes à luz fria do dia e com o bom senso restabelecido. Venha dar uma olhada...
Não era uma sugestão. Hina sentiu um arrepio no corpo quando forçou as pernas trêmulas a voltarem para a mesa. Ele virou a pasta, e marcou com o dedo a parte onde ela devia olhar. Ela viu um extrato bancário com o sobrenome Hyuuga impresso na parte superior.
— Como... você conseguiu isso? — ela perguntou.
— Sou um banqueiro — ele a lembrou, mais uma vez. — Com os contatos certos e as ligações corretas, posso conseguir o que quiser.
Havia um sentido duplo no comentário, mas Hina não percebeu.
— Olhe para onde estou apontando — disse ele. Ela obedeceu, e ficou paralisada. — O histórico mostra que a conta de sua empresa recebeu uma grande injeção de fundos dois dias atrás — ele disse o que ela já tinha visto. Cinco milhões e meio... Hina nunca tinha visto cinco milhões e meio escritos em um papel. Para ela, era uma quantia gigantesca. — Se você analisar a movimentação — Sasu insistiu —, verá que os cinco milhões e meio foram sacados novamente no mesmo dia.
— Não — disse ela, recusando-se a acreditar no que ele estava sugerindo e saindo do torpor que a envolvia. — Preciso telefonar para meu pai. — Muito pálida, ela se virou, zonza, e seguiu em direção à porta.
— Você não vai telefonar para ninguém — disse ele com a voz calma. — Nesse exato momento tenho o controle dessa situação e pretendo mantê-lo. Envolver outra pessoa vai colocar esse controle em risco.
— Controle sobre o quê? — Hina se virou para encará-lo.
— Sobre você — ele respondeu. — Até você trazer a carta de Tenten, eu ainda estava tentando descobrir por que seu pai havia conseguido o empréstimo de que precisava para salvar a empresa, sacado o dinheiro todo e o depositado em outro lugar.
Hina de repente sentiu que precisava sentar. A única cadeira disponível estava a metros da mesa. Sentou-se ali. Sua cabeça estava confusa, e o quebra-cabeça complicado que formava o que estava de fato acontecendo naquele momento era demais para sua compreensão.
— Seu irmão é a única pessoa que, além de seu pai, tem acesso autorizado à conta. Junte as peças, Hinata — ele a incentivou. —Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que seu irmão pegou o dinheiro para pagar a fuga romântica com Tenten. Se você teve participação no desaparecimento dos dois, espero que tenha percebido que ficou aqui para segurar as pontas.
Naquele exato momento, Hina não se preocupou consigo mesma. Estava preocupada com o pai. Se, e quando, ele descobrisse o que Neji fizera, iria...
— Devo dizer que, é claro, se você for verdadeiramente inocente nisso tudo, vai segurar as pontas da mesma maneira — aquela voz odiosa se fez ouvir —, porque eu quero uma reparação por ter sido feito de idiota. E se para isso você tiver de usar o vestido de Tenten e casar comigo no lugar dela, então é isso mesmo o que vai acontecer.
— Pelo amor de Deus! — Ela se levantou. — Você não acha que essa situação já é ruim o bastante para pensar somente no próprio umbigo?
Ele riu. Hina não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
— Você tem uma maneira bastante esquisita de se expressar. — Se a mesa não estivesse entre eles, ela teria se lançado sobre ele, com fúria! — Não vou casar com você! — ela teve de se contentar com os gritos.
— Por que não? — Sentando-se na cadeira diante da mesa, ele lançou um olhar desafiador a ela. — Tem alguma coisa de errado comigo?
— Não me peça para fazer uma lista — disse Hina, envolvendo o corpo com os braços e olhando para ele enquanto pensava em mil coisas, tentando compreender aquela situação maluca. — Você tem olhos de leão — disse sem perceber!
— Os leões demarcam o território, protegendo suas fêmeas, mas eles não caçam — ele respondeu de maneira relaxada.
— Isso tem algum sentido? — Hina perguntou, desejando que não tivesse dito nada a respeito dos olhos dele.
Ele deu de ombros.
— Estou pronto para acasalar. Quero... filhotes. Não precisei caçar Tenten porque ela sempre esteve ali, no pano de fundo da minha vida, pronta para mim quando crescesse. Agora, é você. — Ele mantinha os malditos olhos negros fixos no rosto dela. — Você também não precisa caçar, porque a peguei e a prendi graças à tendência de seu irmão para roubar e pela atração que você sente por mim e que não consegue esconder.
— Não me sinto atraída por você de forma alguma — ela negou veementemente.
— Então por que me deu aquele beijo doce?
— Oh, por favor. — Ele parecia um cão com um osso delicioso para saborear. —Não foi um beijo! Sem querer esfreguei minha boca em seu pescoço. E, além disso, eu estava embriagada — completou, para deixar tudo bem claro.
— Embriagada de atração há meses — ele respondeu. — Sua atração por mim ficou clara em sua linguagem corporal desde a primeira vez em que nos encontramos em Londres, e você não conseguia parar de me admirar — disse ele com arrogância. — E estava clara quando nos encontramos no elevador em Milão. E definitivamente continuou presente ontem à noite quando dançamos juntos, quando me entreguei à tentação e a guiei para o terraço. E com certeza estava no esfregão irresistível que você deixou seus lábios darem e na ponta macia de sua língua em meu pescoço.
Sentindo-se completamente envergonhada, Hina rebateu:
— Você tem mais de dez anos a mais que eu... Para mim, o signor é muito velho.
— Trinta e quatro para 22 é uma boa diferença, cara. — Era a primeira vez que ele usava aquela palavra com ela e Hina sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha como um pecado terrível.
— Isso quer dizer que posso lhe oferecer minha experiência e fidelidade, pois aproveitei todos esses anos. Você vai me dar sua juventude, beleza, seu lindo corpo macio e em forma, e sua lealdade, quando esquecer sua amiga e seu irmão para proteger seu pai do pior escândalo no qual o nome dele pode ser envolvido.
— Você é muito frio. — Com os braços ao redor do corpo, ela estremeceu.
— Não entre os lençóis.
— Então é isso? — Hina perguntou. — Entre os lençóis eu receberei seu calor e sua fabulosa experiência, e longe deles vou desempenhar o papel de sua esposa rica, mimada, jovem para ser exibida como um troféu e livrar... você de uma situação ruim? Nada de afeto, nada de amor?
— O amor é uma ilusão.
— Vindo de você, acredito que sim.
— Vai falar da minha família problemática de novo?
— Estou falando do fato de eu não gostar de você.
— Mas me deseja como louca — disse ele como se contasse um segredo. Hina ficou tensa e franziu o cenho. — Você fica excitada apenas olhando para mim — ele continuou. — Sabe, instintivamente, que o sexo será muito bom entre nós e isso a incomoda como uma dor insistente. Se eu saísse de minha mesa agora e a envolvesse em meus braços, você se entregaria.
— Sem a cama e os lençóis? — O sarcasmo se fez notar antes que ela conseguisse controlá-lo. Se pretendia fazer com que o comentário fosse um balde de água fria na autoconfiança excessiva de Sasu, não funcionou, pois ele riu... um som atraente, profundo e delicado.
— Posso me adaptar, bella mia, se tiver estímulos.
Detestando a pose tranqüila, com ar de superioridade e certeza de suas atitudes, ela resolveu desafiá-lo:
— Então, e se um dia eu desejasse, digamos, entrar em seu escritório e exigir que fizéssemos amor enquanto você estivesse ocupado ao telefone, ganhando mais milhões?
— Essa é uma de suas fantasias? — ele perguntou, fazendo com que ela corasse. — Nesse caso, eu faria o possível para satisfazê-la. — Ele a olhou de cima a baixo. — A calcinha não é problema, a calça exige um pouco mais de cuidado, e se sua fantasia me forçar a ganhar milhões enquanto eu a satisfaço, quanto mais prazeroso for para você, mais fácil será para mim.
— Minha nossa! Você é insuportável — Hina deu-lhe as costas, quase sem acreditar que ele dissera tudo aquilo com tamanha calma insolente e detestando a si mesma por ter lhe dado a oportunidade.
— Sou apenas mais experiente do que você nesse jogo. Apesar de pensar em fazer sexo sobre a minha mesa enquanto eu falo ao telefone ser novidade — ele disse. — Talvez experimentemos.
Ela ergueu os ombros e levou as mãos a eles como se, ao fazer isso, conseguisse manter a sugestão de Sasu distante. Não importava que soubesse ter iniciado aquilo. Ele tinha razão: era muito mais experiente nesse jogo do que ela, e tudo o que conseguiria fazer desafiando-o dessa maneira seria colocar-se cada vez mais dentro da armadilha dele.
— Você sabe para onde os amantes em fuga foram? — A pergunta foi feita repentinamente.
— Não — ela respondeu.
— Então, será que sabe que seu cabelo parece uma das jóias mais brilhantes quando reflete a luz do sol que está entrando pela janela atrás de você?
Aquela observação dita de modo delicado fez com que seus cabelos cobrissem o rosto quando ela se virou.
— Por favor! Pode parar com essa brincadeira maluca? — pediu.
— Não é brincadeira — ele negou, e estava relaxado na cadeira, muito certo de suas atitudes e de tudo que ousara dizer a ela ao ponto de Hina não conseguir desviar o olhar de Sasu, não conseguir perceber a sensualidade que emanava de todas as partes do corpo dele, como um homem cheio de desejo. Os olhos entreabertos, o brilho negro de seus olhos. A boca que havia relaxado para mostrar sua capacidade de aproveitar os prazeres dos sentidos e o desafio de sua expressão que não era exatamente um desafio, mas uma mensagem calorosa e promissora.
— Case comigo na próxima semana e transformarei sua vida sexual decepcionantemente comum em uma aventura de arrepiar — ele sugeriu.
Hina ficou surpresa.
— Quem lhe disse que minha vida sexual é...
— Tenten. Quem mais?
Sua melhor amiga, Tenten, dissera aquilo sobre ela... para ele?
— Ela me disse que você teve dois namorados, e nenhum dos dois foi além da primeira aventura entre os lençóis. Homens ingleses, claro — disse —, sem qualquer delicadeza.
— E você acha que falar comigo desse jeito demonstra delicadeza? — O embaraço e a mágoa dominavam Hina. Nunca se sentira tão desapontada com Tenten nos dez anos de amizade! Como ela ousara falar sobre sua vida pessoal? Como ousara contar mentiras tão maldosas sobre ela? — Pois saiba que eu não acho — ela respondeu. — E não vou mais escutar nada sobre isso.
Ela se virou... mais uma vez para partir.
Mas aquela voz incansavelmente fria não a deixava se afastar.
— Case comigo na próxima semana e vou livrar seu pai das dívidas, quitar o empréstimo e enviar minha equipe de especialistas para ajudá-lo a resolver o problema e recuperar sua empresa — continuou, fazendo com que ela ficasse paralisada mais uma vez. — E vou cuidar de tudo até que o negócio consiga se recuperar. Não case comigo na próxima semana e vou incendiar tudo, criando um escândalo, e ficar assistindo a tudo, impassível.
O fim, Hina percebeu o ponto mais baixo ao qual ele se submetia a chegar para salvar seu orgulho.
— Alguém me deve, Hinata — ele continuou dizendo. — Ou você paga a dívida ou a cobrarei da sua família. O fato de eu sentir desejo por você é a única coisa que lhe dá o privilégio de escolher.
— Isso é apenas vingança — disse ela.
— A vingança é um tipo de paixão, amore. Meu conselho é que você aceite a oferta enquanto a vontade de me vingar continua forte.
Palavras... ele usava bem as palavras. Tão bem que estava envolvendo Hina e as emoções dela em sua armadilha. Confusa, ela se posicionou diante de uma das janelas, observando o lago reluzente com as montanhas nebulosas e cinzas à distância, e a cidade de Bellagio, uma imagem branca do outro lado do lago.
Tão perto e, ainda assim, tão longe, pensou vagamente. Poderia ficar presa na ilha com Sasu como seu raptor. Como ele já havia deixado bem claro, ela não iria a lugar algum sem que ele consentisse.
E Neji, pensou ela. Por que ele havia feito aquilo? Ele era mais velho que ela apenas 18 meses, e já tivera bons motivos para se ressentir com seu pai, que se recusava a aceitar o fato de que o filho tinha o direito de escolher o que fazer da vida. Teria ele pegado o dinheiro numa tentativa irada de atingir o pai? Será que Tenten o incentivara a tomar tal atitude, por ter sido o pai deles quem havia colocado dois anos antes um ponto final nos planos que eles tinham de casar?
A sra. Mitsashi dissera a Hiashi Hyuuga que ele estava podando o relacionamento da maneira errada. Impedir que os dois se encontrassem criaria um caso à lá Romeu e Julieta, alertara de modo dramático. Com drama ou sem, parecia que o que ela previra tinha se tornado realidade, pelo menos em partes. Hina esperava que os dois não chegassem a beber veneno.
Mas levar as coisas tão longe daquela maneira parecia um tanto fantástico para Hina, principalmente porque sabia que os dois já tinham se envolvido em outros relacionamentos desde que haviam rompido, e o mais importante deles envolvia aquele homem sentado diante de Hina esperando por uma resposta.
E precisava admitir que estava magoada por nenhum dos dois ter confiado nela para contar o que aconteceria. Mas talvez essa parte não tivesse sido tão errada, pois ela teria tentado impedi-los, e eles deviam saber disso.
— O que vai acontecer com eles quando decidirem reaparecer? — perguntou ela.
— Tenten não fez nada de errado além de mudar de idéia a respeito de casar comigo — disse ele secamente. — Quanto ao seu irmão, depende de seu pai e do banco o que vai acontecer com ele.
Tranquilo, direto e honesto. Ele não se importava em repetir que estava segurando a foice perto do pescoço de Neji. Ou que ela estava.
— Não vou usar o vestido de Tenten — disse ela. — Não vou casar com você na igreja. Não permitirei que compre o que não for absolutamente essencial para o papel que vou desempenhar para você. E não vou parar de trabalhar, porque preciso ganhar dinheiro para devolver cada centavo que você investir na Hyuugas's.
— Você vai casar comigo da maneira com que tudo foi arranjado — replicou ele. — Você vai aceitar com alegria tudo que eu escolher para você e não vai voltar a trabalhar.
Lizzy virou-se para ele e ficou chocada com o golpe baixo que recebeu, porque ele era muito...
— Não pode simplesmente me colocar no lugar de Tenten dessa forma — disse ela ao tentar controlar o que seu corpo tentava fazer com que sentisse. — As autoridades não vão aceitar!
— Correndo o risco de ser muito repetitivo, digo que o dinheiro manda.
O dinheiro manda. E mandava mesmo.
— Acho que odeio você — disse ela.
— Mesmo assim, você vai assumir o lugar de Tenten com orgulho e dignidade e fazer com que todos acreditem que nós dois, e não eles, descobriram que não podiam viver separados. E você não vai me dar nada além do nosso primeiro filho. Com esse objetivo em mente, irá para a cama comigo com calor e honestidade... o que quer dizer que não vai lutar contra o que nós dois desejamos.
— Posso ir agora? — Hina estava com tanta vontade de chorar que mal conseguia se controlar, e seu pedido embargado fez com que ele dissesse um palavrão em voz baixa.
Sasu ficou em pé, fez um movimento como se fosse ajudá-la, mas rapidamente se controlou.
— Daqui a pouco. — Seu belo rosto bem delineado voltou a mostrar a expressão fria, dura e impenetrável. — Precisamos discutir mais alguns detalhes.
— Discutir? — disse Hina. — Isso quer dizer que tenho direito a dar minha opinião?
—Provavelmente, mas parece que não, porque eu estava prestes a dizer que prefiro conversar com seu pai antes de você. E não aceito objeções — disse quando ela tentou falar. — Além disso, você não vai retornar ao hotel em Milão, pois vai ficar morando aqui de agora em diante.
Hina levou os dedos aos lábios para impedir que eles tremessem.
— Como uma prisioneira.
— Não — replicou ele. — Aqui posso protegê-la do efeito que sofreremos depois que eu fizer o anúncio hoje, mais tarde, quando o hotel em Milão ficará em polvorosa. Também suspeito que os Mitsashi não gostarão dessa mudança nos acontecimentos. Você vai sentir pena deles, mas eu, por outro lado, não.
— Que bobagem — disse ela, rindo. — Por que acha que eles delegaram a mim a tarefa de vir aqui?
Momentaneamente, os olhos negros dele demonstraram surpresa.
— Porque eles estão com medo. Ótimo, isso é bom para nós.
— Você pode parar de falar como se isso tivesse alguma coisa a ver comigo, quando, na verdade, não tem? — Hina soluçou. — Sou apenas o peão que você está usando para salvar sua arrogância ferida!
— Os peões são peças muito importantes no tabuleiro de xadrez.
— Oh, cale-se — replicou ela. — Você não percebe como é irritante o fato de você sempre ter uma resposta para tudo?
— Acho que não. — Ele esboçou um sorriso irônico. — Vou tentar me livrar desse hábito.
Respirando profundamente, Hina voltou a perguntar:
— Posso ir agora?
Ele pegou o telefone sobre a mesa, apertou algumas teclas e começou a passar instruções em italiano a quem estava do outro lado da linha, enquanto Hina escutava e rezava para não achar os tons de sua voz tão atraentes quando ele falava sua língua materna.
— Você entendeu alguma coisa do eu que disse? — ele perguntou um momento depois.
— Um pouco — respondeu ela. O fato de ser amiga de Tenten fez com que aprendesse a falar italiano muito bem com o passar dos anos. — Você estava providenciando um quarto para mim.
— Vai ficar pronto em alguns minutos. — Contornando a mesa, ele começou a caminhar na direção de Hina. Ela ficou tensa, instintivamente apoiando o peso do corpo nos calcanhares, como faz um corredor quando espera o som do tiro de partida.
— O... o que foi? — gaguejou quando ele ficou parado diante dela.
Ele não disse nada, apenas lançou-lhe um olhar fixo e desconcertante e levou a mão a seu rosto com um toque loucamente provocante e delicado.
Hina assustou-se; uma parte de si queria se afastar, mas a outra se recusava a fazer isso, o que deixaria claro coisas que ela não desejava que ele soubesse.
E ele era belo, não havia como negar, por mais que quisesse. Apesar de toda a frieza e arrogância, de sua cruel determinação de fazer tudo a seu modo, e a raiva contida que Hina instintivamente sabia que estava escondida atrás de todo aquele controle, Sasu De Santis era dono de uma beleza física perigosamente atraente. Ele semicerrou os olhos ao aproximar os dedos do canto da boca de Hina.
— Vou propor um acordo — disse ele com um tom sussurrado, prestes a revelar algo muito pessoal. — Você pode me pagar o dinheiro que me deve com beijos. Digamos... um euro por beijo. Começando agora...
Ele baixou a cabeça e entreabriu os lábios, escorregando os dedos para a nuca de Hina, atrás de seus cabelos.
Empurre-o, um único neurônio tentou alertá-la, mas ela manteve-se parada, sentindo um arrepio por dentro e fascinada pela expressão do rosto dele enquanto se aproximava do dela.
Uma respiração leve e incontida entreabriu os lábios dela e Sasu os tomou com um toque de sua língua e começou a beijá-la, roçando os lábios contra os dela, quente, suave e inegavelmente... bom. Em seguida, ele se afastou um pouco, fitando-a nos olhos para ver a reação.
— Cinzas — murmurou e sorriu. — Vou ter de me esforçar mais.
Ele voltou a baixar a cabeça, passando os dedos pelo rosto dela para conseguir um segundo beijo e, dessa vez, a entrada sensual de sua língua. Ela sentiu um calor por dentro e quase não percebeu o gemido que não conseguiu conter. Mais uma vez ele se afastou.
— Quase roxos e você já me pagou dois euros. — Sorriu rapidamente, soltou o rosto dela e virou-se para se afastar, abrindo a porta e fechando-a ao sair, deixando Hina parada ali, tomada pela consciência de que acabara de dar a ele, gratuitamente, a prova que Sasu precisava de que o que ele dissera a respeito dela desejá-lo era verdade. Ela não resistira. Vinha lutando contra a atração que sentia por ele havia semanas. E se inflamou quando Sasu a beijou. Apesar de o incêndio ter sido breve... acontecera. Ele percebera isso. O acordo entre eles estava selado.
Bem, antes de mais nada, as respostas aos comentários! \o/
Luciana Fernandes: Acho que seu comentário se comprovou! kk Ele realmente quer o corpo dela nu! Mas acho que isso ia acontecer de um jeito ou não :3 kkk. Obrigada por ter comentado e lido e espero-te no próximo!
Naty: Fico muito feliz que tenha ficado tão animada com a história! Acho que este capítulo respondeu a todas as suas perguntas! kkk Muito constrangedor, mas afirmo para ti que o Sasuke vai deixar as coisas piores! kkk Espero-te no próximo!
Jessica-semnadaparafazer123: Fico feliz que tenha gostado! E esperarei que acompanhe a todos! :3 E obrigada pelo toque! Revisei esse e tinham alguns faltando também, irei voltar ao primeiro e corrigir! Espero-te no próximo e obrigada por ter lido!
Renatadeiro: Fico realmente feliz que tenha gostado da história! A Michelle Reid é uma das minhas autoras favoritas por esta história e seu enredo é incrível! Leia o livro original quando puder! Obrigada por ter lido e espero-te no próximo!
Enfim, obrigada a quem comento e espero mais reviews com suas opiniões e suposições sobre a história! :3
Até o próximo garotas! :3
