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II – Confissões
— Naruto... Me perdoe! — Sasuke abaixou a cabeça. Ainda estava sentado no chão, segurando o dedo que inchava e arroxeava rapidamente. — Eu sei que não devia ter feito aquilo, mas...
— Mas o que, Uchiha Sasuke? — A voz de Naruto estava tão dura quanto sua expressão. — Tem ideia do que passei por sua causa? Fiquei sem conseguir andar direito por uma semana! U-ma se-ma-na! Aquele maldito sabonete me causou uma alergia dos infernos no... enfim! — Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. — Sabe a vergonha que passei tentando explicar à médica... — sua voz acabou esganiçando-se — logo uma médica, bonita e gostosa! — Passou as mãos pelo cabelo para se acalmar, diminuindo novamente o volume. — Você tem noção do que me fez passar, só por que não sabe ver um buraco e ficar na sua? E tudo por causa do maldito tesão! Só isso!
Ao ouvir essas acusações, Sasuke levantou-se devagar, ainda de cabeça baixa e se jogou na poltrona em frente ao loiro.
— Não foi só por isso... — Disse em voz baixa.
— Como não? — Estava tão revoltado que mais uma vez esganiçou-se. Pigarreou e falou em seu tom de voz normal, apesar de extremamente irritado. — E por que mais seria, posso saber?
— Foi por que... Por que...
— Teme!
— Eu desejo você há meses! Desde que começamos com aquela coisa com as garotas... Sempre que te via sem roupa... eu... eu... tinha vontade de ter você só pra mim! Pronto, falei! — Sentiu não apenas seu rosto esquentar, mas seu corpo todo, quando disse isso. Era fisicamente possível corar por todo o corpo? Se não era, ele certamente tinha batido algum recorde.
— QUÊ? — Naruto ficou espantado com as palavras do moreno e voltou a sentar-se. A cor que ele ficou ao proferi-las quase o fez acreditar que eram verdadeiras. Quase. — Sasuke, você é gay?
— Claro que não, dobe! — Sasuke levantou-se rápido e começou a gesticular. — Pensei que me conhecesse melh... AI! — Sem prestar atenção ao que fazia, acabou batendo o dedo quebrado no encosto da poltrona. — AH, INFERNO!
Mais uma vez seus olhos se encheram de lágrimas. Ok! Isso era sinal do fim dos tempos, Uchiha Sasuke chorando... E não era só pela dor que sentia em seu dedo, mas também no coração. O bom é que pelo menos o dedo quebrado lhe dava a desculpa perfeita para colocar para fora todo o sofrimento que veio acumulando durante as semanas que em foi desprezado e odiado por Naruto.
Num gesto surpreendente para Sasuke, o loiro aproximou-se e o empurrou delicadamente em direção à cozinha, o fez sentar em uma das cadeiras em torno da mesa, pegou uma forma de gelo e esvaziou em cima de um pano de prato. Suavemente aplicou o gelo no local ferido. Sua expressão estava séria, mas parecia haver mais alguma coisa...
Mesmo com a dor na mão já aliviada, o Uchiha não conseguiu para de chorar. As lágrimas transbordavam de seus olhos, incontroláveis, e depois de um tempo começou também a soluçar... Que os anjos nos guardem! O que está acontecendo com o mundo?
— Vem, vou te levar para o hospital... — Naruto disse em voz baixa.
Sasuke não teve forças nem para negar, deixou-se ser quase carregado para o carro e sentado no banco do passageiro como uma criança. Não trocaram nem uma palavra no trajeto ou enquanto esperavam para que fosse atendido. Quando chamaram seu nome, o moreno levantou-se de cabeça baixa e entrou na sala de emergência. Ficou lá uma eternidade e Naruto já estava ficando impaciente, começando a sentar e levantar vezes seguidas, quando uma enfermeira se aproximou dele.
— Você é o acompanhante de Uchiha Sasuke?
Aquela palavra, por alguma razão, o fez estremecer, mas acabou assentindo.
— Ele já está liberado, mas não pode ficar sozinho hoje. Tivemos que sedá-lo...
— Só por causa de um dedo quebrado? — O loiro espantou-se. — Eu sei que ele estava sentindo muita dor, mas...
— Não foi por causa do dedo. — A enfermeira o olhou, curiosa. — Ele estava muito nervoso, por algum motivo começou a chorar desesperadamente e tremer quando perguntamos como havia acontecido. Para evitar que acabasse prejudicando a fratura devido à sua agitação, foi preferível sedá-lo. Sabe o que pode ter acontecido para deixá-lo tão deprimido?
Arregalou os olhos. Peraí... deprimido? E aquele choro tão sentido... Naruto havia começado a se sentir mal quando viu o estado lamentável do amigo, com certa dor na consciência. E todas aquelas lágrimas...
Não! Para o mundo que eu quero descer, está tudo errado! Em que maldito universo paralelo seria possível usar as palavras depressão e lágrimas numa frase associada à Uchiha Sasuke? Quem era o ser que agora habitava o corpo de seu amigo de infância?
— Eu... não sei! — Forçou-se a dizer, já que a mulher ainda parecia aguardar uma resposta.
— Bom, de qualquer forma, hoje ele não deve ser deixado sem acompanhamento. Não está inconsciente, mas o sedativo o fará ficar um pouco...
— Heeey, Narutooo! — A voz mole de Sasuke interrompeu as explicações da enfermeira. Ele vinha meio amparado por um rapaz de branco, que o segurava pelo antebraço que não estava preso em uma tipoia, para mantê-lo em pé. Parecia cambalear. — Meu amigo! Meu melhor amigo! — O enfermeiro o soltou quando o moreno agarrou-se com o braço livre no pescoço do loiro. Naruto o abraçou pela cintura para que não escorregasse até o chão. Com um olhar assustado, virou-se para a enfermeira.
— Mas que diabos vocês deram a ele? Uma garrafa de vodka?
— Er... Na verdade, ele foi medicado contra a dor e logo depois demos um calmante, mas como ainda estava muito nervoso, e bem... Estávamos em troca de turno, sabe? — A mulher tentava explicar, mas parecia cada vez mais constrangida. — Outro médico o atendeu e acabou receitando um sedativo ainda mais forte... Essa combinação de medicamentos pode ser um pouco... debilitante...
— VOCÊS SÃO MALUCOS? PODERIAM TÊ-LO MATADO!
— Calma, senhor, estamos em um hospital...
— Eu sei disso, mas parece que vocês esqueceram! — Para não piorar ainda mais a situação, Naruto respirou fundo e completou: — Vamos embora, Sasuke!
Dessa vez realmente carregou o moreno até o carro. Enquanto entrava e dava partida, se recriminava mentalmente por ter provocado tudo aquilo. Imbecil! Idiota! Retardado! Tudo bem que estava com raiva... Na verdade, muita raiva! Mas não precisava ter quebrado o dedo do outro... Certo, não era essa a intenção, mas mesmo assim! Lembrava-se de tudo, não era o tipo de pessoa que usa uma falsa amnesia alcoólica para fugir da responsabilidade de seus atos, e sabia que Sasuke também não era assim. Seu maior ressentimento era ter sido usado quando se encontrava num estado tão lastimável, não podia dizer que realmente não houvesse gostado...
Opa! O que estava pensando? Havia gostado de... dar a bunda? Certo isso era muito estranho... Muito mais do que podia assimilar.
Então por que, em nome de todos os deuses dos animes e mangás, por que não parava de pensar naquela maldita noite? Tudo culpa daquele moreno desgraçado, cheiroso, pervertido, gostoso...
— Ah, merda! — Exclamou em voz alta, chamando a atenção de Sasuke, que estava em um aparente estado vegetativo. Devia ter ficado de boca fechada. O moreno colocou a mão em sua perna, coberta apenas pela bermuda fina, acariciando sensualmente e dizendo numa voz que deu arrepios na nuca de Naruto:
— Não fica nervoso comigo, dobe... Eu te amo!
Hein? O que? Como? What? Nani? Ouviu aquilo direito? O convencido, mulherengo, garanhão e pegador de todas as coisas que tivessem peitos, Uchiha Sasuke, estava dizendo que o amava? A ele? Um homem? Só podia ser uma ilusão auditiva ou o efeito do coquetel de sedativos...
Claro que era! O que mais poderia ser... E o que era aquela maldita dor incômoda que sentiu no peito? Era só o que faltava, começar a ter problemas cardíacos!
Sasuke agora parecia ter caído no sono de verdade, então, logo que parou o carro em frente à sua casa, pegou-o mais uma vez no colo e entrou... Ou tentou entrar. Como diabos iria abrir a porta segurando aquele estrupício desacordado? Não pensou muito sobre isso; jogou-o, sem muito cuidado, sobre o ombro, tentando, no mesmo movimento enfiar a chave na fechadura. O moreno não acordou de verdade, mas começou a se mover. As pernas fizeram um movimento brusco e empurraram a porta. Naruto se desequilibrou, mas conseguiu não cair de costas, se apoiando na parede.
— Ugh! — O gemido de Sasuke, quando sua cabeça e ombros foram prensados na parede, trouxe Naruto de volta à razão, fazendo-o perceber que, para não derrubar o moreno, sua mão havia praticamente se enfiado por entre as nádegas do outro. Desencostou-se com cuidado da parede para não quebrar o pescoço dele no processo, mas não tirou a mão de onde estava. Sua respiração se acelerou e ele começou a acariciar suavemente aquela parte da anatomia de seu amigo.
— Puta merda... Que bunda gostosa, Sasuke! — Quase gemeu ao dizer isso, só então se dando conta do que fazia. Parou e, subitamente, pareceu que seu cérebro voltou a funcionar. Tirou o moreno de cima do ombro e o colocou sentado no chão ao lado da porta. Destrancou finalmente aquele último obstáculo e o escancarou. Voltou a pegar Sasuke no colo e o levou para sua cama, deitando-o com cuidado, só então voltando para fechar e trancar a porta.
Já era fim de tarde, então resolveu comer alguma coisa. Enquanto fazia isso, lembrou-se das últimas três semanas. Sua vida havia se tornado uma incrível sucessão de fatos monótonos, do trabalho para a aula, da aula para casa, para no dia seguinte começar tudo outra vez. Até o namoro com Ino havia acabado, já que ela e Sakura resolveram ficar juntas de vez. O que mais doeu, porém, foi ter perdido seu companheiro de toda uma vida, que sempre o ajudava a se meter em encrencas, mas também a sair delas.
A verdade, que não queria encarar de forma alguma, mas depois dos últimos acontecimentos estava sendo forçado, era que sempre sentiu alguma coisa mais profunda que apenas amizade por Sasuke. Sempre que o via sem roupas, sentia um calor se instalar em seu corpo, mesmo sem convite.
Mas não era só isso... Perto dele se sentia bem, em casa.
Havia ficado tão furioso por achar que Sasuke só havia se aproveitado de seu estado para ter um pouco mais de sexo, mas ele disse que também o desejava há tempos... Isso era mesmo real?
Terminou de comer e foi para o quarto, se sentando na cama ao lado do moreno adormecido. Tocou suavemente a mão imobilizada para em seguida deslizar, quase sem tocar, os dedos pelo braço e ombro, até chegar ao rosto. Acariciou delicadamente para não perturbar o sono do outro. Já era noite agora, não muito tarde, mas o estresse pelas últimas semanas o deixava mais cansado que o normal. Deitou-se ao lado de Sasuke e sem querer pensar no depois, abraçou o corpo quente com cuidado e ficou fitando seu rosto. Suas mãos começaram a se mover quase que por vontade própria, pelo abdômen definido, as pernas musculosas... Ele era forte, mas sua pele tinha uma suavidade sem igual. Quando sua mão alcançou a virilha do moreno, hesitou um instante, mas acabou por fazer o que tinha vontade: tocou com carinho o pênis adormecido que, mesmo com o dono inconsciente, acabou dando sinal de vida, arrancando um pequeno sorriso do loiro, que se colou ainda mais ao corpo de Sasuke e colocou o rosto na curva de seu pescoço, dando leves beijos e chupadas.
Sua mão ainda estava sobre o pênis do moreno, então percebeu quase instantaneamente quando este acordou... Um suspiro escapou dos lábios de Sasuke, que disse, com a voz ainda mole, mas sem se mover:
— Quem é o pervertido agora, hein?
— Sou eu, desculpe. — Naruto tentou se afastar, mas foi impedido pelo braço que se enganchou em seus ombros.
— Não, fica aqui comigo... Continua. — Apesar de ainda estar grogue, ou talvez exatamente por isso, sua voz saiu com uma suavidade que fez o estomago do loiro gelar e se contrair de uma forma deliciosa.
Não disse mais nada, apenas aproximou seu rosto do de Sasuke e o beijou como nunca em sua vida beijara ninguém, com carinho e delicadeza. Era como um mudo pedido de desculpas por tudo o que havia feito, que aparentemente foi entendido e aceito. A mão do moreno acariciou seus cabelos de um jeito calmo, aprofundando ainda mais o beijo.
Um suspiro trêmulo escapou, vindo do fundo do peito de Naruto, quando ele parou o beijo e passou delicadamente a língua nos lábios entreabertos de Sasuke.
— Agora, vá dormir... Amanhã conversamos.
— Naruto...
— Sim?
— Dorme comigo? Sem mal-entendidos ou arrependimentos desta vez.
Sem responder, ele apenas aconchegou a cabeça de Sasuke em seu braço e o puxou para mais perto, deixando cuidadosamente a mão ferida do moreno entre os dois corpos. Deu um beijo na testa do outro e percebeu que ele já estava dormindo. Ajeitou-se melhor na cama e logo adormeceu também, muito mais calmo e tranquilo do que em qualquer ocasião.
Sasuke foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Ainda estava escuro lá fora, mas o silêncio o fez perceber que estava de madrugada. Era domingo, então não tinha que levantar e se arrumar para trabalhar. Sentia a cabeça repousada em um dos braços de Naruto, enquanto o outro o envolvia carinhosamente. Mexeu-se um pouco e também o abraçou pela cintura, aproveitando o calor que emanava daquele corpo cheiroso junto ao seu. Deu um beijo no ombro que se encontrava perto de sua boca, e esse pareceu ser o sinal que o outro aguardara para despertar.
— Bom dia, Uchiha. — Naruto abriu os olhos e fitou a noite do lado de fora da janela. — Ou não...
— Por que está aqui, Naruto? Ou melhor, por que eu estou aqui? — Depois de terem passado os efeitos dos sedativos, Sasuke parecia ter voltado ao normal, então falou em seu tom frio e sem emoções de sempre. Sentiu Naruto enrijecer junto a si. — Você poderia ter me deixado em casa depois que saímos do hospital... Por que me trouxe para cá?
O loiro afastou-se bruscamente de Sasuke e se sentou na cama, ficando de costas para ele antes de responder, em um tom igualmente frio:
— Foi você quem veio até aqui ontem e disse que precisávamos conversar... Bem, isso ainda não aconteceu, por isso te trouxe.
Sem saber bem o que dizer, Sasuke sentou-se na cama ao lado do amigo e o fitou de canto. Ele estava sério e não demonstrava nada em sua expressão, mas a cabeça baixa e os ombros curvados demonstravam que estava tão cansado daquela situação quanto ele próprio.
— Ainda está com raiva de mim?
— Estou! — Naruto o encarou quando disse isso e, em seus olhos havia alguma coisa realmente parecida com raiva, mas se Sasuke tivesse prestado um pouco mais de atenção, antes de desviar o olhar, teria percebido que era... mágoa. — O que você queria, hein, Sasuke?
— Desculpe, eu só não quero... perder sua amizade. — Dessa vez demonstrou um pouco de sentimento em suas palavras. — Eu sei que abusei da sua confiança e me aproveitei num momento em que não estava totalmente consciente, mas... o que disse ontem era verdade, eu te desejava há muito tempo. Sou capaz de fazer qualquer coisa para você me perdoar...
— O que está acontecendo conosco, afinal? — Naruto se jogou na cama e ficou encarando o teto. — Porra, eu não sou gay, e sei que você também não é, então... me responde, que merda é essa?
Sasuke deu um suspiro. Entendia tanto quanto ele e não tinha resposta para essa pergunta. Arrastou-se meio desajeitado pela cama e sentou ao lado de Naruto, virado para ele, com as costas na parede.
— Eu também não sei. Não entendi nada quando comecei a olhar pra você de um jeito... diferente. Eu não sinto isso por mais nenhum outro cara, pode acreditar, mas você eu acho...
— Gostoso. — Naruto completou com um sorriso de lado.
— Humpf! — Sasuke franziu o cenho. — Deixa de ser convencido, dobe!
— Não estou sendo convencido... Foi você mesmo quem disse naquela noite. E eu sou obrigado a confessar que te acho apetitoso! — Um sorriso pervertido apareceu em seu rosto.
Sasuke corou. Com certeza não esperava uma declaração desse tipo do amigo, mas ficou satisfeito.
— E o que vamos fazer?
— Sei lá... Aproveitar? É o que sempre fizemos. Nunca deixamos passar nada que nos dê prazer...
— Hum... É só isso pra você, não é? — Mesmo sem querer, foi inevitável para o moreno demonstrar sua mágoa.
— Não, teme. — Mesmo sem desviar os olhos do teto, Naruto pousou carinhosamente a mão em um dos pés do moreno ao seu lado. — Você é, e sempre foi mais que isso pra mim. — Subiu a mão que estava no pé de Sasuke por sua panturrilha, desceu vagarosamente pela coxa, mas ao alcançar o quadril se desviou e segurou a mão que agarrava fortemente o lençol. Puxou o moreno para que se deitasse sobre ele e não houve resistência. — Você disse que faria qualquer coisa para que eu o perdoasse, não é?
Sem poder ver o sorriso safado que se desenhava nos lábios do loiro, Sasuke apenas meneou afirmativamente a cabeça. Aquele sorriso cresceu ainda mais, e teria causado um calafrio no Uchiha se pudesse vê-lo.
— Ótimo, então eu tenho uma condição.
— Ok, eu aceito.
— Entendi direito? Você está concordando sem mesmo saber o que é? — Naruto tentava manter sua voz o mais séria possível, mas o imenso sorriso que se desenhava em seus lábios seria visível a quilômetros de distância. Inocentemente, Sasuke concordou com a cabeça. — Que bom... Por que eu quero o mesmo que você teve de mim...
Sasuke levantou-se assustado e olhou para o rosto de Naruto, vendo pela primeira vez seu sorriso maligno.
— Eh?
— Exatamente o que está pensando, Sasuke!
— Vo-vo-você que-quer... — Levou a mão à própria bunda, como se antecipasse o que viria pela frente... Ou por trás!
— Isso aí!
Nenhuma palavra foi capaz de sair, por mais que elas se atropelassem na boca de Sasuke. Mesmo que amasse e desejasse o loiro à sua frente, estava em pânico com a possibilidade.
Vendo o nervosismo do moreno, Naruto colocou as mãos em suas nádegas e o puxou de volta, para que se deitasse sobre seu peito. Começou a acariciar lenta, mas firmemente, enquanto beijava seu pescoço.
— Só assim eu vou te perdoar completamente, Sasuke... — Deu uma chupada no lóbulo da orelha do outro, passou a língua na parte de trás e disse num tom sensual: — Assim estaremos quites!
Aquelas carícias já estavam levando Sasuke à loucura, e por mais que tivesse medo do que aconteceria, queria se entregar por completo e mostrar que pertencia a Naruto incondicionalmente.
Ah, pelo amor de tudo o que era mais sagrado! Ele realmente QUERIA fazer aquilo! Sentir o pênis totalmente rígido de seu amigo dentro de si... Amigo? Só podia ser brincadeira... Estava quase perdendo a sanidade nos braços do loiro! Não aguentava mais!
Apoiou-se na cama com a mão enfaixada, sentindo seu dedo latejar, mas não se importou. Com a outra mão puxou com força os cabelos loiros para trás, fazendo-o erguer a cabeça. Nem se preocupou com os lábios, enfiou sua língua na boca carnuda de Naruto e tentava sentir cada milímetro que conseguisse alcançar.
O loiro quase teve um ataque com aquela atitude tão erótica. Deslizou rapidamente as mãos que massageavam as nádegas por cima da bermuda e as colocou por dentro, ignorando totalmente a cueca. Apertou firmemente e seu prêmio veio instantaneamente:
— Ah... Naruto!
— Sasuke... É a minha vez de dizer, vai ser gostoso assim na... — Nem completou a frase; sua boca se direcionou para o pescoço do moreno e o movimento que fazia por toda a extensão era como um único e sensual beijo, sua língua e seus lábios passeavam sem parar, fazendo Sasuke ter a sensação de estar sendo saboreado como uma iguaria rara.
Ele bem que tentou, mas com uma das mãos inutilizadas, não conseguiu o acesso que tanto desejava ao corpo do loiro.
— Tira a porra dessa roupa, Naruto!
O loiro segurou-o firmemente pela cintura e o fez deitar na cama em seu lugar. Ajoelhou-se entre as pernas do Uchiha e começou a tirar a camiseta lentamente. Um sorriso aflorou em seu rosto ao ver o moreno lamber os lábios e depois mordê-los, como se nunca o tivesse visto sem roupas antes. Deliciou-se com as expressões do outro assistindo seu pequeno strip tease. Quando estava apenas com a cueca, fingiu que iria parar por aí, e adorou ouvir a voz irritada dizer:
— Nem pense em fazer isso, dobe!
Deu uma risada que soou extremamente erótica aos ouvidos do moreno... Para falar a verdade, pela situação em que se encontrava Uchiha Sasuke, se Naruto soltasse um soluço pareceria erótico, mas enfim... Aquela risada rouca foi mesmo sensual. Terminou de se despir e decidiu ajudar o outro, que parecia estar com dificuldades até mesmo para tirar a camiseta. Segurou a barra delicadamente, porém puxou-a rápido em um único movimento, arrancando-a do corpo de Sasuke.
— AI! Idiota! — O moreno gritou, quando sentiu o dedo quebrado ser repuxado pelo movimento súbito, acompanhado pela risada debochada do loiro. — Por que será que eu tenho a impressão de que você fez de propósito?
— Deve ser porque eu adoro judiar do meu moreno... Só meu! — com as últimas palavras, empurrou-o para que voltasse a se deitar e foi vagarosamente descendo a bermuda do outro, juntamente com a cueca, acompanhando o caminho com suaves beijos e lambidas, até deixá-lo como veio ao mundo.
— A... ah... às vezes eu acho... que você é bipolar...
— Quem sabe... — Naruto respondeu com a voz suave, deitando-se em cima de Sasuke e o beijando apaixonadamente. — Mas é por isso que você me ama!
— Quem disse que eu te amo? — Mesmo sabendo que era verdade, o orgulho de Sasuke o obrigou a perguntar.
— Você. — Respondeu simplesmente, encarando-o com um sorriso sincero. — E eu acreditei. — Dizendo isso voltou a beijá-lo, enquanto movimentava lentamente o quadril para sentir melhor o corpo sob o seu. Levou a boca de volta ao pescoço e, enquanto ouvia os gemidos roucos emitidos por este, pediu: — Agora diz que me quer, Sasuke...
— De jeito nenhum! — Ele respondeu entre gemidos.
— Diz... — Suas mãos desceram pela lateral do corpo de Sasuke, dando leves arranhões. Sua boca ainda trabalhava no pescoço.
— Não... — Um sussurro rouco.
— Diz... — Sua língua desceu e rodeava um mamilo de maneira torturante.
— Esquece... ah! — A língua continuava seu caminho para baixo e parou na virilha, onde alternava as lambidas com suaves mordidas. Mas não chegou ao destino que tanto desejava.
— Vou te fazer falar... — Naruto virou Sasuke de bruços na cama e subiu no corpo do moreno. Deu uma mordida forte na parte de trás do pescoço e soltou uma risada ao ouvir a reclamação:
— Imbecil! Acha que é assim que vai me convencer?
— Talvez... — No momento nem pensava nisso. Seu nariz passeava levemente pela nuca, estava embriagando-se naquele cheiro delicioso que só o seu moreno tinha. — Cheiroso... — Enterrou o rosto nos cabelos na nuca de Sasuke, que soltou mais um gemido e se arrepiou. — Gostoso... — Uma de suas mãos desceu para as nádegas e as abriu levemente, para encaixar seu pênis. Começou a movimentar o quadril, apenas para intensificar o contato.
Sasuke já estava começando a ter alucinações, de tanto tesão. O que era isso, minha Nossa Senhora dos Otakus? Desde quando seu loiro agia assim? Sabia que ele era sedutor, sexy e mais alguma coisa, mas nunca o tinha visto tão... tão... Cacete! Essa língua descendo por sua coluna de maneira tão sensual devia ser crime... Santa garrafa de sakê! Aquela língua adentrando seu...
— Ah... Na-na-ru... — Uma forte mordida na bunda, acompanhada logo em seguida de uma lambida em seu ânus, que nessa hora já parecia piscar de felicidade. — Naruto!
As lambidas continuavam, torturantes, enlouquecedoras, enquanto mãos passeavam por suas pernas, costas, cintura... Deus do céu, quantas mãos aquela criatura tinha? Parecia um polvo!
— Você quer, Sasuke! Diz que você me quer... — um dedo fez pressão naquele ponto já tão sensível, como se fosse adentrá-lo, mas logo sumiu, dando lugar a uma boca que sugou com gosto, antes de também se afastar e dizer — aqui!
Filho da puta! Ele ia mesmo fazê-lo pedir! Então toda essa sedução era pra isso... Mas esse jogo também pode ser para dois! Empinou a bunda subitamente, fazendo com que o rosto que estava tão próximo se enterrasse nela... Um gemido rouco... bom... Uma língua passeando por todo o canal até alcançar... Merda! O feitiço virou contra o... o... Ok! Sem palavras outra vez...
Com o movimento de Sasuke, seus testículos ficaram visíveis e foram prontamente atacados por uma boca ávida, que segurou um e chupou delicadamente. A língua voltou ao seu trabalho de exploração, tateando aquela área tão sensível, enquanto um dedo molhado continuava a acariciar seu ânus.
Se perguntassem, o moreno não saberia dizer seu próprio nome. Uchiha Sasuke? Quem é esse? Sou apenas uma cadela no cio... E o dedo quebrado? Dedos? Eu tenho isso? Só sei de um, que está bem ali atrás...
Estava praticamente de quatro na cama agora, sua cabeça enterrada no travesseiro e as mãos sob este.
E se não sabia nem mais quem era, o que custava pedir, não é mesmo?
— Naruto... Para de graça e me come! Eu te quero dentro de mim!
Ponto para o loiro, que abriu um sorriso de orelha a orelha ao ouvir o pedido. Nem em seus devaneios mais loucos imaginou que seria um pedido tão completo. Ajoelhou-se entre as pernas do moreno, que por um momento pensou que ele faria aquilo de uma vez, sem preparação, e arregalou os olhos de medo, mas Naruto apenas esticou um braço para o criado-mudo e pegou alguma coisa que estava lá. Abraçou Sasuke por trás e levantou seu corpo, fazendo-o apoiar as duas mãos na cabeceira da cama.
— Assim... Quero ver seu rosto enquanto te fodo... Sasuke!
A única coisa que o Uchiha conseguiu fazer foi fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, quando sentiu algo gelado tocar seu ânus. Lubrificante, claro. Até parece que um garanhão como Naruto não teria isso em seu quarto... Mas se ele achava que ia continuar com essa vida pervertida estava muito enganado... Nem que tivesse que deixá-lo exausto de tanto sexo todos os dias, para que não conseguisse nem mesmo pensar em ficar com mais alguém.
O dedo foi entrando devagar e estava bem lubrificado, mas a dor foi considerável.
— Pelos cabelos de Madara... Isso dói pra cacete!
— Hein? Quem é esse? — Naruto parou os movimentos por um instante e olhou no rosto de seu amante.
— Um antepassado... — O dedo voltou a se movimentar e já não havia dor. — Ah, esquece!
A preparação foi torturantemente lenta. O dia já havia nascido, mas nossos queridos protagonistas estavam tão concentrados um no outro que sequer haviam notado. Quando Naruto achou que já estava bom o suficiente, encaixou a ponta de seu pênis no ânus do Uchiha, mas não se moveu. Tocou a cintura do moreno e olhou em seu rosto, parecia estar esperando alguma coisa.
— Vai logo, dobe!
— Como é que se pede?
— Vai se foder!
— Ah, não... — Riu das palavras do outro. — É a sua vez!
Sasuke corou e fez Naruto rir ainda mais. O movimento de seu corpo fez seu pênis roçar mais forte na bunda do moreno, que soltou um gemido rouco.
— Você é um cretino!
— É, sou! Mas um cretino muito gostoso que está prestes a foder essa bundinha... — Deslizou as mãos para a citada parte da anatomia e massageou de maneira deliciosa. — É só você pedir Sasuke!
— Ah, maldito! — Sasuke abaixou a cabeça e fechou os olhos, dizendo num fôlego só: — Me come!
— Não... olha pra mim e diz... — Deu um beijo carinhoso no ombro de Sasuke. Sua mão deslizou para a frente e segurou com carinho o pênis, iniciando leves movimentos de vai-e-vem que quase o fizeram se derreter. — Por favor, Sasuke...
Respirando fundo para se controlar, Sasuke levantou a cabeça e abriu os olhos lentamente. Viu Naruto com a boca ainda em seu ombro e aqueles olhos azuis suplicantes... Quase se perdeu.
— Me fode, Naruto! — Falou sério, apesar de ofegante.
— Seu desejo é uma ordem!
Segurou mais firmemente o pênis de Sasuke, mas a mão, ainda melada com o lubrificante usado, deslizava. A outra mão dirigiu-se ao quadril do moreno, segurando com firmeza e iniciou a penetração. Foi lenta, com leves estocadas, e cada vez mais sentia seu pênis dentro do outro. Apesar de dizer que queria ver o rosto do amante no processo, alternava seu olhar entre a face corada de Sasuke, que mordia o lábio inferior e mantinha os olhos apertados, e seu pênis adentrando lentamente aquela bunda maravilhosa. A visão o estava enlouquecendo e sua respiração ficou ofegante. Quando se viu inteiro ali, soltou um gemido alto e rouco, abraçou o outro pela cintura e descansou a boca em seu pescoço. A mão que estava na ereção do moreno ainda fazia movimentos firmes e lentos.
— Sasuke, tudo bem? — Foi praticamente um sussurro. Todo seu autocontrole estava sendo usado para permanecer imóvel. Aquele calor que o envolvia era a sensação mais deliciosa que já teve.
A resposta não veio por um tempo, então, quando veio, entendeu que Sasuke estava pronto.
— Sim.
Começou com movimentos lentos para não machucá-lo, mas as sensações que tinha eram incríveis demais. Apesar de já ter feito sexo com mulheres sem conta e até praticado anal com elas, nenhuma se comparava ao Uchiha à sua frente. Seu coração batia acelerado e em seu interior uma sensação de felicidade se expandia.
— Você é incrível, Uchiha... — Sussurrou rouco, enquanto uma de suas mãos ainda o masturbava e a outra baseava por seu abdômen trabalhado. Distribuía beijos carinhosos no pescoço do moreno entre as palavras. — Isso não é foder.
— Ahn... E o que é, então? — Sasuke perguntou entre gemidos.
— Acho que descobri o que significa fazer amor.
— Naruto...
Iniciou uma série de estocadas fortes e rápidas, só para ouvir Sasuke gemer seu nome em êxtase. Seu pênis saia quase inteiro e entrava rápido de uma só vez. Também gemia descontroladamente, mas não queria que aquilo acabasse tão cedo.
Saiu de dentro de Sasuke e o protesto foi imediato:
— O que acha que está fazendo, dobe?
— Calma, Sasuke... deita.
Puxou o moreno e o ajudou a fazer o que disse. Beijou-o gulosamente antes de se postar entre as pernas dele o segurar seu pênis com ambas as mãos, uma acariciava sua glande com o dedão enquanto a outra tinha os dedos voltados para seus testículos e brincavam com estes.
— Naruto, o que...?
— Shhh. Do jeito que estava eu ia gozar muito rápido. Quero que dure mais, Sasuke. Gosto de fazer amor com você...
— Fazer amor... — O moreno sussurrou de olhos fechados, como se aquelas palavras fossem música para seus ouvidos.
— É, meu moreno... Fazer amor!
Depois dessas palavras, abaixou e, sem aviso, colocou o pênis de Sasuke na boca, sugando longamente, arrancando um gemido alto do amante. Tirou a boca lentamente, movimentando a língua e parou na glande, circundando-a em toques precisos. Durante todo esse tempo não tirou os olhos do rosto de Sasuke, que parecia em êxtase.
— Naruto... eu quero você! Não importa o tempo que durar, vamos fazer quantas vezes você quiser até ficarmos cansados de olhar um na cara do outro, mas... eu te quero dentro de mim... agora!
— Sasuke... Eu não vou cansar de olhar pra você!
Posicionou-se mais uma vez entre as nádegas do outro e enterrou-se de uma vez, fazendo os dois gemerem em uníssono. Dessa vez nem que quisesse conseguiria parar de novo. Seus movimentos foram ficando cada vez mais fortes e ritmados. Sua mão segurava o pênis de Sasuke e acompanhava o ritmo. Eles se olhavam nos olhos e gemiam o nome um do outro.
O moreno sentiu o orgasmo chegando e tentou avisar, mas a única coisa que saiu de seus lábios em meio aos gemidos foi:
— Na... eu... já...
Naruto entendeu e intensificou as estocadas para gozarem juntos. Sentiu o êxtase momentos antes de jatos de esperma saírem do pênis em suas mãos, melando tudo em volta. Nunca havia conseguido isso antes, ter um orgasmo quase simultâneo com uma parceira, então se sentiu realizado. O gemido prolongado de prazer dos dois se misturou e sumiu quase ao mesmo tempo. O loiro caiu ao lado de Sasuke na cama e começou a espalhar aquele líquido que seu amante soltou pelo abdômen dele.
— Ahn... pa-para co-om isso! — Sasuke resmungou entre arquejos pelo carinho estranho.
— Não... reclama! É... coisa sua... — Naruto respondeu com um sorriso, tentando normalizar a respiração.
Ficaram abraçados até pegarem no sono novamente, exaustos, mas satisfeitos.
Quando acordou, Naruto estava sozinho na cama. Sentiu um cheiro delicioso pela casa e deduziu que Sasuke estava fazendo o almoço. Levantou-se, sentindo os músculos um pouco doloridos. Tirou a roupa de cama, marcada pelo prazer dos dois e deu um sorriso. Tomou um banho rápido, mas relaxante e se dirigiu à cozinha. O Uchiha falava com alguém no celular.
— ... não. Deu tudo certo... claro, mas... — Virou-se e deu de cara com Naruto. — Espera, ele acordou. — Estendeu o celular. — Ele quer falar com você...
O loiro ergueu uma sobrancelha e pegou o telefone.
— Alô? Ah, e aí, Itachi? — Sasuke não conseguia ouvir o que o irmão falava, então tentava se guiar pelas expressões e palavras de Naruto. — Sim... Está tudo certo... Er... falou, meio sem querer, mas... Ele estava sedado... Houve um pequeno acidente... — Nessa hora Sasuke lhe lançou um olhar mortal e o loiro coçou a cabeça sem graça. — Não, nada sério, só um dedo... Ele estava muito nervoso, então... Bem, pela conversa que tivemos, acho... er... ahn, bem... Meio que, fiz ele devolver o favor...
— VOCÊ O QUÊ? — Dessa vez Sasuke conseguiu ouvir perfeitamente as palavras do irmão. Corou, fechou os olhos e sua mão voou para o rosto, escondendo um dos olhos e parte de uma das bochechas. Essa não era a melhor maneira de Itachi saber das coisas entre eles, mas Naruto nunca foi conhecido por sua sutileza, afinal de contas.
Ainda com o telefone longe da orelha para não ficar surdo com os gritos que Itachi pudesse voltar a soltar, respondeu em tom alto e inocente:
— Mas ele gostou!
Ok, ficaria viúvo antes de se casar... Sasuke sentou-se na cadeira e ficou olhando de boca aberta para Naruto. Podia ver um vulto assassino aparecendo por trás do loiro com uma faca enorme nas mãos, como se Itachi tivesse o poder de se teletransportar. Sacudiu a cabeça e aquela imagem se desfez, deixando apenas um loiro com a expressão apavorada.
— UZUMAKI NARUTO! — A voz parecia estar junto com eles naquela cozinha. — COMO SE ATREVEU A TIRAR A VIRGINDADE DO MEU IRMÃOZINHO?
Peraí, o que? Itachi tinha ficado maluco? Naruto parecia pensar o mesmo.
— Como é? Virgindade, Itachi? Ele já não é mais virgem desde os catorze anos! — O Uchiha mais velho parecia ter se acalmado um pouco, ou pelo menos parou de gritar, pois Sasuke não pode ouvir o que ele disse dessa vez. — Ah, sim, nesse lugar, é claro...
Sasuke dessa vez quase se enfiou debaixo da mesa de tanta vergonha, mas só escondeu o rosto entre as mãos e ficou ouvindo o restante do diálogo.
— Fazer? Como assim?... Itachi, ele já tem vinte e dois anos, trabalha... É eu sei que mora com você, mas... er... Namorando, eu acho...
— UZUMAKI! — A aura negra voltou, e dessa vez o loiro pareceu senti-la, pois olhou assustado para trás e teve um calafrio. — EU VOU TE MATAR!
Com o segundo grito, o celular escorregou das mãos de Naruto e se desmontou no chão. Não chegou a quebrar, mas a bateria voou e foi parar embaixo da pia, onde permaneceu, já que nenhum dos dois teve coragem de buscá-la. Era como se, quando tocada, fosse materializar um assustador Uchiha mais velho segurando uma foice ensanguentada.
Um silêncio pesado se instalou na cozinha, só sendo quebrado quando o cheiro de algo queimando começou a invadir o ambiente e Sasuke se levantou, abrindo o forno e retirando o que estava lá. Abanou a fumaça com um pano de prato e quando parou, escorou-se no fogão com ambas as mãos e, ainda de costas, perguntou:
— Então... Namorando, não é?
— Bem... Se você quiser...
— Não acha que vai dar o que falar?
— E daí? — Naruto deu de ombros. — Desde quando nos preocupamos com o que outras pessoas dizem?
— Certo...
— Então, você quer?
— Uhum...
— Tudo bem então, est... — Foi interrompido pelo som de seu próprio celular, que recebeu uma mensagem. Entreolharam-se, pois já sabiam de quem devia ser. O loiro foi até a sala e pegou o aparelho. Quando voltou estava pálido. Não disse nada, só entregou o telefone para que Sasuke visse o que estava escrito.
"From: Itachi
Uzumaki, se você fizer meu irmãozinho sofrer, eu te caço até no inferno!"
— Olha pelo lado bom... Parece que ele aceitou! — Sasuke esboçou um sorriso de lado.
— Quanto a isso ele não precisava se preocupar... Já disse que estamos juntos e pronto! Não volto atrás com a minha palavra, esse é meu jeito ninj... Não, 'pera! — Olhou intrigado para o moreno. — De onde tirei isso?
— Sei lá... De algum mangá, talvez?
— Ah, quem se importa? Vem cá... — E puxou o moreno para mais um beijo apaixonado, e o primeiro que trocavam como namorados.
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FIM
Aguardo opiniões e observações!
