Capitulo I – Uma Nova Lenda Se Inicia.
Dezesseis anos se passaram desde o assassinato do rei Zeus e a fuga de Aioros com a princesa.
Cidade Coliseum, conhecida no reino por ser a maior localidade de jovens soldados e local onde os cavaleiros de Athenas são sagrados.
Vários jovens vindos de todos os cantos treinam sob o sol forte desta região quente e seca. A chuva era algo raro pela região o que tornava mais difícil todos os treinos diários que aqueles garotos eram submetidos.
Entre todos aqueles que treinavam neste dia estava um jovem de cabelos castanhos escuros com certo brilho vermelho e olhos da mesma cor, com seus dezessete anos. Seu físico era bem desenvolvido em seu pouco mais de um metro e setenta, trajando as vestes de segunda mão dirigidas aos aspirantes a cavaleiros.
- Ufa! Finalmente esta chegando o grande dia em que eu esperei por muitos anos – olhava atentamente para o grande coliseu que dava origem ao nome da cidade das a sua volta – É chegada a hora de passar pelo ultimo desafio para ser sagrado um cavaleiro.
- Não se engane Seiya! Um fracote como você não será capaz de passar pelos testes finais para ganhar a honra de ser um dos guardas de elite destas terras – Uma voz mais grossa penetrou nos ouvidos de todos que ali estavam presentes treinando, tal como era a imponência da figura que a havia dispersado pelo ar.
- Cássios! Ora, Ora se não é você? – um sorriso maroto se postou na face do jovem, olhando seu adversário de treinos de muitos anos – Eu acho que é você que devia estar preparado para desistir e voltar para casa!
Com um movimento de sua mão, Cássios elevou a gigantesca espada que trazia pendurada nas costas, olhando furiosamente para Seiya – Não pense que só porque treinamos praticamente juntos que não irei matar você com essa sua ousadia.
- Hump – Um olhar mais sério dominou a face do mais baixo. Este desencravou a pequena lamina que jazia encravada no chão e, segurando-a firme em suas mãos, empunhou-a prontamente para amparar o ataque do gigante adversário.
Quando o moreno de impressionante tamanho para pouca idade ameaçou avançar contra o outro, uma voz forte e madura soou por trás deles – Parem agora mesmo com essa idiotice!
Ambos pararam e olharam na direção que viera tal voz e puderam deslumbrar que havia três pessoas se aproximando - um homem e duas mulheres, que eram mais velhos do que eles.
- Mestra – Os dois jovens falaram ao mesmo tempo, com um olhar de receio e preocupação. Os dois rapazes sabiam que seriam castigados pelo comportamento que estavam tendo há pouco.
Uma das duas, a que possuía cabelos verdes em varias mechas que lhe cobriam os ombros, tentou se pronunciar, mas logo fora interrompida pelo homem.
- Deixe que eu fale com esses dois primeiro – Seu olhar era sério e cativante, com um sorriso jovial e uma postura de orgulho, que gerava respeito em todos os jovens que estavam ali treinando e pararam com a briga dos dois adolescentes - Vocês dois deviam ser bem castigados pelas suas devidas mestras, mas vou pedir para que elas deixem vocês em bom estado, pois, amanhã, eu quero vê-los dando o melhor de si nos testes.
Aqueles olhos azuis que ele possuía fitavam os dois com grande confiança e censura. Seus cabelos rebeldes, de tom castanho-dourado, balançavam com a brisa que circulava no ar da tarde – Devem saber que de todos os jovens que aqui chegaram nos últimos anos, ambos foram os que melhor demonstraram habilidade e capacidade para receber um posto mais alto dentre todos os soldados deste reino. Não devem se esquecer ou até mesmo desvalorizar a razão destes testes, que lhe serão aplicados, pois só o mais honrado, e o mais dedicado a esta vida de servos humildes de nosso reino recebera o titulo "Cavaleiro de Atenas".
Seiya estava inquieto, querendo dizer algo, fato que não deixou der ser percebido pelos mais velhos que ali estavam – Aioria perdoe-me pela intromissão, mas, será melhor deixar este projeto de cavaleiro que esta na nossa frente falar, pois até mesmo eu temo o estardalhaço que ele ira fazer quando resolver interromper você.
O Cavaleiro olhou para sua direita contemplando a ruiva que estava ali parada olhando dele para o jovem que era seu discípulo, semelhante à outra seus cabelos também eram pouco mais compridos que a altura de seus ombros e ao contrario eram mais cacheados em suas mechas, ambas usavam vestes justas cheias de poeira como todos ali, porém era visível que as vestes de ambas as mulheres realçavam as curvas femininas que sempre atraiam olhares de todo os homens mesmo dos mais jovens.
- Absurdo! Deixar um pirralho que tem nada de útil para dizer se pronunciar é um completo absurdo! - A outra mulher se prontificou a interromper a conversa que estava se formando, os olhos verdes insistiam com firmeza para o jovem de cabelos avermelhados – Eu acho um ultraje e muita insolência deste convencido estar querendo ser um cavaleiro.
Aioria observava atentamente e assimilava cada palavra que lhe eram dirigidas e com um suave sorriso tomou a palavra para si – Deixe o falar Shina, eu estou intrigado, quero ouvir o que ele tem a dizer. É sempre bom saber o que os jovens que hoje estão começando um dia nos substituíram estão pensando.
A mulher contrariada resolve deixar o jovem aprendiz falar – Com todo o respeito a única coisa que tenho a dizer é que amanha eu vou mostrar a todos o quanto estão enganados sobre mim, e caso eu falhe eu aceito a tortura que vocês quiserem pelas minhas palavras insolentes Shina – com um sorriso debochado e uma atitude convencida da vitoria, cada um olhava lhe de uma forma diferente.
Cassios o olhava com raiva e desejo de lhe atacar, Shina não muito diferente de seu pupilo desejava arrancar a língua de Seiya por sua ousadia, Aioria um meio sorriso e uma expressão de prazer nos olhos tomavam lhe conta, ao contrario de todos os outros Marim apenas olhava para seu aluno e imaginava até onde aquela personalidade dele o levaria.
Algumas horas mais tarde. Em um dos quartos dos dormitórios, o ruivo estava deitado em sua cama bagunçada, com seus braços sobre a cabeça lembrando se de tudo que já havia passado na sua vida até aquele momento decisivo.
Onze anos atrás, numa pequena cidade nas proximidades de Tokyo.
Duas crianças brincavam do lado de fora da casa, atrás dos arbustos e uma grande arvore cheia de frutos quase maduros, estavam tão distraídos que não ouviam o que acontecia na casa a alguns poucos metros deles.
O casal que estava conversando calmamente como sempre fazia neste horário fora interrompido por batidas fortes contra a porta da frente de sua humilde residência, o homem se levantou e se dirigiu a porta, quando à abriu teve um punhal posto em seu pescoço e a porta arreganhada.
A mulher se espantou ao ouvir o barulho da porta, saiu correndo em direção a porta, mas foi barrada por um sujeito encapuzado que segurava uma espada velha e enferrujada.
- Onde estão todas as jóias e o dinheiro de vocês mulher? – o homem brandiu em direção a senhora e foi interrompido pelo marido.
- Nós não temos jóias! – ele gritou ao homem – só temos um pouco dinheiro que ganhamos com as vendas dos artesanatos.
Calem se – o primeiro sujeito segurando o punhal o encravou no peito do dono da casa, causando a sua esposa soltar um grito de terror que acordou toda a pequena vila que tinha bem em frente a residência da família.
Ambos, o menino e a menina mais velha, ouviram o grito e olharam para trás, mas foram contidos por um homem conhecido e ficaram somente ouvindo os sons vindos da casa com toda a atenção.
- Por Deus! Nós não temos dinheiro, nosso ouro todo foi gasto com a nossa comida que é pouca – a mulher chorava caída no chão olhando o marido sangrando perdendo a consciência apenas a dois passos dela.
Chega de besteiras! - Pronunciou se um terceiro bandido – Eles não têm dinheiro seus idiotas ignorantes – ele olhava para a porta e sentia que em breve a pequena comunidade estaria toda ali na porta e eles não podiam demorar muito tempo naquele local – Matem a mulher peguem o que acharem de valor e saiamos rápido daqui.
Logo em seguida foi ouvido o ultimo grito e as duas crianças quiseram correr para casa, mas o visinho que as encontrou não permitiu, já era idoso de mais para ajudar o casal, mas ainda tinha força para conter duas crianças pequenas.
Alguns minutos depois toda a cidade estava parada a porta olhando os corpos do casal morto em sua sala, procuravam pelos filhos do casal, pensavam que eles podiam ter sido levados pelos criminosos, porem pouco depois os dois chegam junto ao idoso que segurava suas mãos.
Um ano e meio depois, estavam em Tokyo, um pouco mais velho, mas, inconfundivelmente mais magros e com as roupas esfarrapadas, corriam por entre becos e feiras de frutas onde roubavam para poder sobreviver.
Por seis meses o senhor que os salvou de serem mortos juntos dos pais cuidou deles, porem a idade avançada logo lhe encontrou e por fim acabou falecendo, deixando os irmãos sozinhos no mundo outra vez.
Uma tarde de um dia de outono, Seiya estava correndo por entre algumas ruas procurando algum lugar para se espreitar e roubar alguma comida, quando tentando desviar de algumas pessoas esbarrou em homem com roupas bem caras seguido ao lado por uma menina aparentemente mais nova do que ele próprio e outro sujeito que caminhava mais atrás que o olhou com tanta raiva que só faltou ser agredido por ter esbarrado no tal homem.
Depois de ter escapado dessa confusão ele encontrou uma barraca vendendo algumas frutas e não pensou duas vezes, corre paralela a banca de frutas e com ambas as mãos agarraram a maior quantidade de frutas que foi capaz de segurar.
- Pega ladrão, essa criança esta me roubando – Os gritos do feirante foram ouvidos, mas ele não saiu de perto de suas mercadorias, sabia bem como funcionavam ataques de ladrões, primeiro vinha um e causava uma distração e depois quando o vendedor se distrai outros vinham e roubavam muito mais.
Seiya correu até uma praça bem deserta e encontrou sua irmã mais velha esperando por ele, ambos dividiram as frutas e comeram com gosto, antes de conseguirem terminar de comer ouviram gritos de soldados, sim soldados eles já haviam aprendido em um ano que nunca poderiam ser pegos se quisessem viver ou ficar juntos.
Separaram-se, essa era a melhor estratégia se separar para diminuir a quantidade de guardas atrás de cada um, Seiya correu passando por varias pessoas novamente progredindo por pequenos becos e outros afins, entrou por uma porta entre aberta de onde seria uma espécie de cozinha.
- Eu nunca imaginei que tinha uma cozinha aqui! – falou bem baixinho pra si mesmo, não avistará ninguém até o momento então achou melhor sair de fininho enquanto ainda tinha condições de se esgueirar, e foi o que fez se encontrou dentro de uma espécie de mansão, deveria ser a casa de viagens de alguma família rica, pois tudo era luxo – Nossa! Quem mora aqui deve ser podre de rico, isso aqui não parece uma casa e sim uma espécie de palácio – Andava entre os corredores e finalmente ouviu uma melodia fina e suave que o atraiu, o arrastou praticamente para uma porta que estava aberta.
A melodia suave e envolvente vinha de um piano e sentada atrás do piano havia uma menina de cabelos lilases um olhar triste e total entrega a musica. Ele a reconheceu era a menina que estava de mãos dadas ao homem que esbarra a pouco, ele sabia que se essa era a casa dela, então a chance de encontrar com qualquer um daqueles dois homens que viu mais cedo eram grandes.
- Quem esta ai? – a pequena voz fina e autoritária vinda da menina o pegaram de surpresa, ele achou que estava sendo bem silencioso, tentou disfarçar sua presença miando – Um gato? Quem é o abusado que esta ai?
Tremeu e tentou correr, mas ouviu passos fortes, homens vinham em sua direção não teve escolha a não ser entrar no quarto do piano e correr para se esconder em um ponto atrás das cortinas grandes e sedosas que escorriam pelas paredes.
A menina só olhou o menino se esconder ela achou completamente estranho a sua atitude mas nem teve tempo de se mover para o lado dele e a voz adentrou o quarto
- Saori!
Continua no próximo episodio
