Aviso: Esta fic contém (possivelmente) violência e darklemons.
-I-I- Pecando –I-I-
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1-(das verdades) sobre amor: Amar e confiar.
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Não que estivesse tão quente assim, mas a brisa calorosa da tarde abafava aquele velho e glamuroso Santuário. Milo estava sentado num dos degraus da escadaria que levava à sua casa, completamente distraído. Uma túnica branca de um só lado prendia-se à altura de seu ombro direito com um broche dourado e os fios azuis de seu cabelo voavam levemente quando um ventinho mais forte se abatia sobre a cidade, ao passo que apoiava seu queixo numa mão.
Aioria, que fôra chamado por Saori para conversarem, subia a escadaria assobiando uma música qualquer de sua infância. Ao notar o Escorpião das doze casas sentado ali, abriu logo um sorriso:
"Milo, que fazes aí?"
"Uhn...?" – notando o amigo, sorriu também – "Estava pensando..."
"Posso até imaginar no quê, pela sua cara de apaixonado." – um riso maroto brilhando em seus lábios.
"Ahahaha, tem razão!" – coçou a nuca constrangidamente.
"Ei, agora estou indo falar com a senhorita Saori, mas que tal ir à minha casa depois? A gente podia assistir uns filmes, jogar cartas... Sei lá, qualquer coisa assim, faz tanto tempo que não fazemos mais isso, não é?"
Milo abaixou a cabeça; era verdade, Aioria sempre fôra seu melhor amigo, mas ultimamente quase não se falavam mais. Levantou-se, por fim:
"Claro, eu adoraria." 1
"Ok, depois nos falamos, então."
Milo assentiu com a cabeça e ele passou por si, ambos sorrindo. Sem muito o que fazer por hora, o escorpião resolveu fazer uma visitinha ao seu amor, que devia estar treinando na arena, pois mesmo depois de todos os perigos e inimigos já enfrentados, Camus gostava de estar sempre em forma, não queria enfraquecer pela falta de treinamento. Caminhou meio saltitante até a área de treinos, parando ao lado de Shaka que, agora, que descobrira o amor, queria aproveitar sua vida como um todo e não mais se preocupava em ficar de olhos fechados, muito embora já estivesse acostumado a fazê-lo. A verdade é que fazia tudo isso por Mu, adorava apreciar seu roxinho, ver cada detalhe seu, cada mínima mudança na expressão; podia ter os sentidos mais ampliados quando se abstinha da visão, mas isso de nada lhe valia se não pudesse ver de perto seu belo amado, viver por inteiro toda aquele louco amor. E lá estava ele, assistindo seu calmo e quieto namorado lutar contra Camus.
"Shaka, não quero acabar com as suas esperanças, mas o Mu não pode contra o meu Camus." – disse, com ar de deboche.
"Milo. Por que não senta e observa o Mu acabar com esse seu namoradinho de nada?" – retornou na mesma moeda.
"Huh, do que você chamou meu namorado?" – perguntou extremamente sério e com um brilho raivoso no olhar.
"Ahahahaha! Não me diga que você é um possessivo que não admite piadinhas com o Aquário? Ahahahaha!"
A risada gostosa de Shaka despertou a atenção dos dois lutadores, que interromperam a luta para olhá-lo curiosamente: ouvir Shaka rir, ainda mais gargalhar daquele jeito, era um fato raro e estranho, merecendo a total atenção dos presentes. Milo, percebendo o que acontecia, acompanhado da frase do loiro, também se permitiu rir com gosto:
"Ahahaha! Oras, não me venha com essa!" – sorrindo, sentou-se ao seu lado.
O loiro aos poucos se acalmou, mas Mu, que se encantara com seu koi rindo deliciosamente daquele jeito, não pôde resistir e, abandonando Camus, subiu com desespero as arquibancadas. Segurou o rosto de seu amado entre as mãos:
"Você é tão fofinho..." – ao dizer isso, as bochechas de Shaka tornaram-se mais rubras que tomates, ao passo que Milo desatava a rir novamente.
"Ahahaha! Isso mesmo, ahahaha, fofinho! Ahahahaha!" – descontrolando-se, teve que se apoiar nos cotovelos para não cair rolando pela arquibancada.
Por alguns instantes o loiro perdeu a fala, voltando, completamente envergonhado, com um olhar feio para Mu:
"Que idéia é essa de me chamar de fofinho na frente dos outros?"
"Ah... Desculpe..." – disse um desolado ariano.
"Ah... Ah, Mu, não fique assim, eu..." – Shaka ainda tentou consertar, mas Mu estava chateado mesmo.
"Tudo... Tudo bem. Eu vou voltar pro treino." – já ía se virando quando sentiu uma mão o segurar pelo ombro.
"Espere." – se levantando, encarou os olhinhos verdes de seu amante – "Perdão, sim? É que você sabe, eu sou um pouco mais reservado..."
"Sim, eu sei. Por isso mesmo que não vou fazer mais essas coisas em público, tá bem?"
"Mu, não faça tanto drama, pequeno..." – olhando para seu koi abatidinho, achou melhor tentar animá-lo... de algum jeito – "Vamos pra sua casa, 'conversar' melhor."
O Carneirinho não queria muito a princípio, mas aquele olhar malicioso que Shaka lhe lançava foi o suficiente para convencê-lo.
"Tá bem." – sentia as faces ruborizarem pela sugestão de "o quê" fariam.
"Isso, vai mesmo, fofinho. Ahahaha!" – Milo riu, não deixando escapar a oportunidade.
O indiano lançou-lhe uma cara de "Depois nós acertamos isso, Escorpião" e virou-se, enlaçando a costa de Mu e o levando para a casa de Áries. Sem ter um desafiante, Camus resolveu parar mais cedo e ficar com seu namorado. Foi até ele, que já parava de rir e se levantava:
"Não deveria rir assim de Shaka." – "sei exatamente como é ter um amante que te envergonha com essas coisas na frente dos outros", pensou.
"Hahaha, mas qual é o problema, se ele é... fofinho? – sem mais demoras, abraçou-se ao pescoço do francês, roubando-lhe um beijo de tirar o fôlego.
Soltaram-se algumas dezenas de segundos depois, Camus completamente esbaforido, ainda tentava entender como Milo tinha tanto gás e energia para beijá-lo sempre tão vorazmente.
"Milo... Quantas vezes vou ter que te dizer que é deselegante fazer isso..."
"Em lugares públicos." – continuou a frase do outro – "Já sei, já sei. Mas estamos sozinhos agora."
"Mas algu..."
"...guém poderia aparecer. Eu sei. Acho que agora sei como o Mu se sente." – zombou, reconhecendo as falas do amante de cor e salteado.
"Tsc, tsc."
Milo já deveria estar acostumado com o comportamento de Camus, posto que o conhecia desde pequeno, mas ainda sim sentia-se magoado com aquelas recusas. Claro que entendia que seu francês era diferente, reservado, e que lhe era difícil conseguir demonstrar atos de amor na frente das outras pessoas, mas uma voz lá no fundinho, a qual ele tentava abafar constantemente, dizia-lhe que Camus tinha vergonha de si, de mostrar que se amavam. E isso lhe doía. Todavia tentou não pensar nisso, mudando logo de estratégia:
"Uhn, então, que acha de irmos para a sua casa?"
Erguendo uma sobrancelha, o francês falou maliciosamente:
"Lhe restam dúvidas?"
"Hehe, não, claro que não." – "Um ponto para mim.", pensou, ao notar o jeito maroto de seu koi, satisfeito consigo mesmo por ter-lhe acendido um foguinho que ele conhecia tão bem: quando a "chama" de Camus era acesa, não havia santo que a apagasse e, mais, o francês era 'ótimo, estupendo, na cama'.
oOoOo
Duas horas depois, Milo ainda estava se recuperando da maravilhosa tarde de amor que tivera com seu amante. Sua cascata azul estava esparramada pela colcha branca, ainda largado na cama, a desfrutar dos últimos vestígios de prazer. Ouviu o barulho da porta sendo aberta à sua esquerda e se virou nessa direção, soerguendo o corpo e apoiando o rosto de belos contornos numa mão aberta, da qual o cotovelo apoiava-se sobre o colchão. Os olhos azulões, sapecas e curiosos, miraram contentes seu amante que recém saíra do banho.
Um insatisfeito Aquário adentrava o quarto envolto num roupão felpudo, procurando por roupas para vestir-se. Milo levantou-se e foi-se até dele, abraçando sua cintura por trás:
"Ora, não me diga que ainda está emburrado só por causa de um banho." – sussurrou enquanto beijava seu pescoço, arrepiando seu francês.
"Hn."
"Ei, já disse... Quando voltar, nós podemos repetir a dose, você sabe que eu agüento."
"Hn." – tornou, vestindo uma cueca.
"Fazemos muito melhor, a noite toda..."
"Hn."
Milo, irritando-se com a atitude do outro, afastou-se e pôs-se a falar com um ar sério e magoado na voz:
"Poxa, Camus, você sabe que é importante para mim ver o Aioria, só que, se eu fosse tomar banho junto com você, nós provavelmente transaríamos de novo e eu não iria mais visitá-lo hoje!" 2
Agora quem se irritara fora Camus que, abotoando sua calça, voltou-se para o koi:
"Quer dizer que esse aí é mais importante do que eu?" – grunhiu, um pouco fora do comum sua atitude nervosa, se comparada à sua calma e racionalidade tradicionais, indignado.
"Que? Ora, que bobagem, Camus!" – surpreendeu-se com a acusação do francês – "Uma coisa não tem nada a ver com a outra!" – reclamou, andando em círculos – "Aioria é e sempre foi meu amigo. E você é o homem que eu amo. Mas ultimamente não tenho valorizado muito a minha amizade com Aioria e por isso que me é importante comparecer ao encontro."
Mas isso pareceu só irritar mais o francês:
"Como assim "encontro"? Então é assim que você chama isso?"
Milo arregalou os olhos, não era possível que Camus estivesse dizendo aquilo...! Como ele podia dizer tanta bobagem? Ele o amava, Camus sabia disso, não tinha razões para essa crise de ciúmes.
"É, encontro, sabe. Quando uma pessoa vê a outra, eles costumam dizer que elas se encontraram!" – disse ironicamente – "Camus, pelos deuses, eu só vou ver o Aioria, ele é meu amigo. E, caramba! Você sabe o quão difícil é para mim resistir a você! Acha que não me foi um sacrifício negar-me a tomarmos banho juntos! Sabe, eu esperava que você me entendesse..." 3
"Faça o que quiser." – veio a resposta fria e Camus saiu do cômodo sem sequer lançar-lhe um olhar.
Diante da atitude fria de seu amado, Milo sentiu uma pontada em seu peito. Abobalhado pelo o que acabara de acontecer, saiu lentamente da casa de Aquário, tentando assimilar os últimos fatos.
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2- Para amar: amar e ter responsabilidade.
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Continua...
oOoOo
1. Não importa se o Milo gosta ou não do Milo no original. Nessa minha fic eles são amigos e ponto!
2. Não acho que o Kamus seja o exemplo da maturidade para não ficar magoado com uma coisa boba e completamente compreensível dessas. Pra mim, ele parece uma pessoa mais séria, apenas isso, pelo que vi na série (Cavaleiros do Zodíaco).
3. Assim como não acho que o Milo seja um galanteador, egoísta e tal, como pintam por aí. Não gosto da personalidade dele, principalmente por causa da maioria das fanfics que o retratam de um jeito que, sinceramente, não me agrada (não que isso não agrade quem escreve e mais os outros tantos que lê, esse é apenas o meu gosto, sacou? n-n). Hoje mesmo, enquanto lia o mangá, podia notar os traços de sua personalidade... Ele também é bem rígido quanto a certas coisas, por exemplo, ele pode julgar com os olhos bravos e firmes que uma traição à Deusa seja imperdoável e também não perdoaria algo assim com facilidade. Por isso, apesar de tudo, acho que ele pode ser uma pessoa doce e com sentimentos profundos. Digo isso porque, realmente, não gosto nem um pouquinho de vê-lo retratado do jeito que é às vezes... Sabe, como se só lhe importasse seu amor (Kamus) e mais nada? E ainda fosse incrivelmente egocêntrico e raso? Pois é, é essa sensação que tenho que também é um dos motivos por eu não gostar dele. (considerem isso como um desabafo, mas não como ofensa, pois de modo algum é a minha intenção ofende alguém: mts pessoas gostam dele assim como o citei, do jeito que eu particularmente não gosto, como também há quem não goste. E, no fim, isso é só uma questão de gostos.)
Notinha:
Opa! Minha primeira fic centrada no KamyxMilo/o/ Hehe, tá certo que eu não gosto muito deles, mas isso, vindo de mim, é algo normal, considerando que de vez em sempre me dá uns surtos de ler e/ou escrever sobre casais que eu não sou muito chegada! n-n" E, ademais, eu estive fortemente impulsionada a escrever esta fic depois de ler uma com o mesmo tema da Maika-sama, mas como eu tava com preguiça demais de criar um personagem original, n-n" resolvi aplicar minha vontade de escrever sobre isso em coisas já existentes/o/ Aí minha cabeça foi rodando por todos os possíveis casais que eu poderia escrever sobre e, adivinhem, este foi o primeiro que veio à minha cabeça! Claro que depois vieram mais um monte, já que descobri ser este um óptimo tema para escrever fics xD, mas já tinha dado-me vontade de escrever sobre eles e, bem, cá está/o/ E estou louca para fazer o Milo sofrer muito ainda... Muahahahaha!
Por ser minha primeira fic deles, podem haver algumas baboseiras que não batam muito com ele, por isso, ficaria grata se, pelo menos alguém, pudesse me dar uns toques.
Reviews são bem-vindas! n-n
Matta ne! Xauzinho
28/02/06
