Um capítulo com uma pitada de ação. Depois de escrevê-lo estou mais inspirado em relação a algumas coisas, mas isso é só daqui a alguns capítulos.

Espero que curtam!! Boa leitura.

Disclaimer: Vou contar um segredo, não sou J. K. Rowling. Os direitos autorais são delas, não meus.


Capítulo 2 – Prata!

A coragem pulsava firme dentro de si. Ainda não tinha se aprofundado muito na Floresta Limite e uma trilha, mais ou menos visível, seguia mata adentro. Apesar de estar seguindo um caminho, o garoto tinha a nítida impressão que estava fazendo algo de errado. Não deveria ser tão fácil assim. Apenas andar em frente não testa suas habilidades e não atrai um Familiar. Harry percebeu isso e decidiu abandonar a trilha.

"Estou em outro mundo, onde o tempo é diferente. Estou em busca de um animal que será meu espírito guardião e terei controle sobre algum elemento da natureza. Sair de um caminho seguro não parece ser tão estúpido assim" Pensou ele sarcástico.

Tomou uma decisão. Sacou sua espada e começou a avançar pelo lado direito da trilha, deixando-a para trás. Os galhos fechavam em torno de si e ele era forçado a usar a arma para cortá-los e abrir caminho. Parando para admirar a peça, Harry percebeu que ela lembrava um pouco a espada de Godric Gryffindor, apesar de ser maior e um pouco mais pesada.

De repente, ouviu um barulho, algo se remexia nas copas das árvores. Olhou atentamente para o alto, mas não ousou preparar a espada para atacar; poderia ser seu Familiar. De algum modo, ficou feliz com o barulho, fazia quase meia hora que vagava e não tinha ouvido som de animal algum, apenas barulho de água correndo e vento agitando as folhas.

Sem aviso, algo grudou em suas costas, fazendo Harry cair no chão ajoelhado. Rapidamente virou-se para seu atacante, descobrindo sua identidade: Um tronquilho. O animalzinho ainda debatia-se nas suas costas, tentando atacá-lo. Com cuidado, o garoto puxou-o e o prendeu entre as mãos.

"Será que é meu Familiar?" Perguntou-se Harry, encarando os olhinhos do ser em suas mãos "Como eu vou saber?".

- Eu queria que você falasse – Falou Harry distraído, preparando-se para largá-lo.

O tronquilho emitiu um som agudo, como se estivesse rindo. Harry encarou-o confuso e percebeu que ele realmente estava rindo. Depois de alguns segundos, o bicho parou e uma expressão curiosa passou pelo seu rosto.

- Tentando me hipnotizar, jovem? – Perguntou o tronquilho.

Harry tomou um susto e soltou o animal, que simplesmente aproveitou a oportunidade para escalar um tronco e desaparecer no alto de uma árvore.

- Espere, volte – Pediu o garoto – Por favor. Eu preciso de ajuda.

Alguns instantes depois, o animal desceu cautelosamente pelo tronco da árvore, mas manteve-se a uma distância segura de Harry.

- Eu não ajudo destruidores de árvores – Disse o tronquilho raivoso – Eu vi você cortando galhos.

Harry então se lembrou da sua aula sobre tronquilhos, há muito tempo na Floresta Proibida. Esses animais detestam pessoas que cortam árvores, pois é seu lar.

- Eu apenas queria passar, não sabia que estaria destruindo sua casa – Disse Harry.

O animalzinho passou alguns instantes olhando nos olhos do garoto. Depois do que pareceu um exame muito preciso, o Tronquilho desceu o resto da árvore e fez um sinal para que o garoto se aproximasse. Harry obedeceu um pouco relutante, não sabia se havia sido perdoado ou não.

- Acredito em suas palavras, jovem – Disse o Tronquilho – Você sabe por que recebeu uma espada?

- Para me defender contra as criat...os seres daqui – Respondeu Harry, corrigindo-se apressado.

- Não foi isso que vi você fazendo – Respondeu o animal – Quando os novatos entram nesta floresta, eles também aprendem a se integrar a natureza e respeitá-la. Essa é sua primeira lição: Não ataque aqueles que não podem se defender.

Harry sentiu um peso na consciência. Realmente ele tinha cortado os galhos ao invés de apenas afastá-los. O tronquilho pareceu perceber a culpa do garoto e voltou a falar.

- Alegre-se jovem – Disse o Tronquilho – Todos cometem erros. Qual o seu nome?

- Harry.

- Muito bem, Harry, eu agora já posso responder algumas de suas dúvidas.

- Como consigo te entender?

- Você agora tem poderes espirituais – Explicou o Tronquilho, encostando-se na árvore atrás de si – Agora você não está mais surdo aos filhos mais velhos de Gaia.

- Quer dizer que eu poderei entender os animais? – Perguntou ele impressionado.

- Em outras palavras sim. Nós, o que vocês chamam de animais, somos os que primeiro surgiram de Gaia. Por isso posso te chamar de jovem.

- Por que você disse que eu estava tentando te hipnotizar?

- Uma das habilidades dos filhos mais novos é o de hipnotizar com o olhar. Você me pediu que falasse olhando nos meus olhos, então supus que tivesse tentando me hipnotizar. Isso não funciona com nós, os mais velhos.

Harry entrou lembrou-se de Elza falando para ele se acalmar. Ela tinha olhado nos olhos dele o tempo todo.

"Então ela me hipnotizou?" pensou ele irritado "Quando eu voltar vou ter uma boa conversa com ela".

- Faça a pergunta que está te incomodando – Disse o Tronquilho em tom divertido – Todos sempre fazem quando me encontram.

- Você é meu Familiar? – Perguntou Harry ansioso.

Por mais que achasse aquele animal sábio, não achava que ele seria um bom guardião. O que ele poderia fazer contra Voldemort? Dar lição de moral nele?

- Não, Harry, eu não sou. Meu espírito é livre e sempre será – Respondeu o Tronquilho – Mas eu sei quem é seu Familiar. Ele vem se gabando disso há algum tempo. Nós sentimos quando seremos escolhidos.

- Quem é? – Perguntou Harry prendendo a respiração.

- Isso, você terá que descobrir por si só – Respondeu ele – Agora você deve prosseguir. Vou facilitar seu caminho, siga em direção a nascente do rio, na metade do caminho fica a residência dele.

O Tronquilho apontou para um riozinho semi-escondido pela folhagem. Ele então fez uma reverência e começou a subir a árvore.

- Espere, você não me disse seu nome – Disse Harry, vendo o animalzinho se afastar.

- Meu nome – Começou ele e um estranho brilho esverdeado marcou suas órbitas – É uma história longa e triste. Mas se quer me chamar de algo, me chame de Garú. E nunca se esqueça, não ataque quem não pode se defender.

Com isso, Garú subiu rapidamente e desapareceu entre as folhas.

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Harry seguiu rio acima, ao contrário da correnteza. Ainda estava refletindo sobre a conversa com o tronquilho, não ousando golpear nenhum galho que lhe barrasse a passagem, preferindo afastá-los. O caminho que seguia não era muito trabalhoso, o som da água era cativante. De fato, quanto mais subia o rio, mais aquele som impregnava em sua mente, deixando-o sonolento.

"Algo está errado" pensou ele cambaleando "Existe algum truque aqui".

Ele parou um instante e olhou para as águas ao seu lado. O sono estava se tornando insuportável, seus olhos se fechavam lentamente. Quando Harry já estava pensando em desistir e descansar um pouco, uma planta no meio do rio chamou sua atenção. Não que ela tivesse alguma coisa chamativa, mas ele tinha certeza de tê-la visto durante todo seu trajeto perto da água.

"Vou esperar mais um pouco, acho que há algo de esquisito nesta planta" pensou ele.

Reunindo suas forças, andou até atrás de uma árvore e aguardou. Nem bem fez isso, uma cabeça surgiu de baixo da planta, que na verdade eram os cabelos de uma sereia. Não se parecia com as encontradas no Lago de Hogwarts, esta era bonita e parecia com uma sereia de histórias infantis. Mais impressionante era sua bela voz que cantava uma canção sobre sono e esquecimento.

A sereia nadou até uma pedra no rio e subiu nela, deixando a mostra sua cauda marrom. Ela pareceu confusa e olhava de um lado para o outro, buscando o bruxinho que até pouco tempo estava ali.

- Onde ele está? Pensei que ia se apoiar na árvore – Disse ela – Será que conseguiu fugir da minha bela canção?

Harry pensou se aquela sereia seria sua guardiã, então resolveu sair de seu esconderijo. O garoto mal deu dois passos e ela notou sua presença, imediatamente voltou a cantar. Dessa vez, sua música falava sobre vontade de nadar e deixar as águas encherem os pulmões.

- Espere...pare...eu... – Harry não conseguia articular uma frase, um grande desejo de cair no rio o tomou.

Mesmo lutando com todas suas forças, ele não conseguiu resistir. A tentação era muito grande. Tirou seus óculos e a espada do cinto, colocando-os sobre um monte de grama.

"Só vou mergulhar rápido e depois voltar à superfície. Que mal faria isso?" pensou o bruxo confuso.

Deixando seus receios de lado, ele pulou no rio. Imediatamente, a sereia estava ao seu lado, sua voz parecia uma sinfonia perfeita. Harry precisava seguir aquela voz, algo tão doce só iria lhe fazer o bem com certeza. A sereia só queria uma coisa, que ele fosse mais fundo. Obedecendo cegamente, o garoto continuou a ir mais fundo, a correnteza afastava-o da margem, levando-o rio abaixo.

"Por quê?" pensou Harry "Porque estou fazendo isso? Eu vou me afogar".

Por que não? Não lute, apenas vá mais fundo.

"Não, eu não quero morrer" pensou ele, lutando contra aquela outra voz em sua mente "Eu preciso subir".

Lentamente, ele começou a nadar para cima.

Não foge. A água é boa, vai mais para baixo. A sereia é sua Guardiã, ela não vai te fazer mal. Desce.

Um momento de indecisão passou pela mente do garoto. Ele precisava respirar, já sentia vontade urgente de ar. Então, sentiu uma força nova crescer dentro de si, bloqueando a canção da sereia e a voz má em sua mente. Era como lutar contra a maldição Imperius, precisava apenas saber dizer não.

Com esforço, lutou contra as suas dúvidas e começou a fugir daquela água mortal. Com algumas braçadas, seus dedos atingiram a superfície, logo seria sua cabeça e ele poderia respirar. Mas as coisas deram erradas, um par de mãos se fechou com surpreendente força sobre seu calcanhar direito e puxaram-no para baixo. Olhou para baixo e viu a sereia sorrindo diabolicamente para ele.

- Vem – Pediu ela – Deixe as águas tomarem seus pulmões. Morra em paz.

O ar faltava em si, sua mente começou a escurecer, Harry sentia que não conseguiria mais agüentar. Tentou chutar as mãos da sereia que o arrastavam mais para o fundo, mas as forças lhe faltavam. Sentiu mais forte que nunca a vontade de respirar, o sufocamento crescia, sentia que aquele era o fim. Seus pensamentos racionais foram varridos e foi o extinto de sobrevivência que falou mais forte.

- NÃO – Gritou ele.

A água invadiu sua boca e ele a engoliu aos montes, logo seus pulmões se encheram de água fria. Todo o ar restante foi expulso.

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Harry ainda podia sentir o aperto da sereia em seus pés. A frieza da água não o incomodava mais, de fato, o líquido agora parecia acolhedor.

"Porque ainda consigo sentir meu corpo?" perguntou-se "Eu deveria estar morto. Será que consigo mover meus braços e pernas?"

O garoto moveu as mãos, sentindo tudo normal. Mexeu as pernas e viu que também estavam respondendo sem problemas. Olhou para a sereia, ela respondeu o olhar com uma expressão surpresa.

- Você não está morto? – Perguntou ela com a voz esganiçada.

- Não – Disse Harry em um tom frio – Agora me solte.

A água ao seu redor se agitou violentamente, empurrando a criatura para longe de si. Harry então entendeu o que estava acontecendo. Havia descoberto seu elemento: Água.

"Quero sair do rio" pensou ele concentrado.

A água pressionou suas costas e com um jato, ergueu-o acima da superfície. Ele sentiu o ar encher seus pulmões e ele começou a rir. O jato que o suspendia, levou-o suavemente até próximo da margem e depositou-o.

- Eu estou vivo – Disse Harry alto.

Uma sensação estranha percorria seu corpo, uma imensa satisfação de estar próximo da água. Ele sentia-se um só com aquele fluido. Do meio do rio, emergiu a sereia. Ela nadou até a margem oposta e se jogou na terra, estava descabelada e seu peito arfava; estava exausta.

- Fazia tempos que eu não via alguém controlar a água dessa maneira pela primeira vez. – Declarou ela, sem olhar para o bruxo.

Harry olhou desconfiado para ela, não conseguia discernir sua forma realmente, pois seus óculos ainda estavam em algum lugar rio acima.

- E só para que você saiba – Continuou ela – Seu serêies tem muito sotaque. Meu nome é Andréa. Garú me pediu para testá-lo.

- Garú? O tronquilho? – Perguntou ele surpreso.

- Não, Garú a borboleta – Respondeu ela sarcástica – Claro que o tronquilho. Ele sentiu magia de água em você e mandou-o até mim. Geralmente ele acerta, mas já cheguei a matar uns 30 Despertos – Completou ela pensativa.

Harry abriu a boca, mas nenhum som saiu. Aquela sereia havia tentado matá-lo só para descobrir seu poder?

- Eu podia ter morrido – Disse ele.

- Realmente você podia ter morrido, mas era um risco calculado. Mas pense por outro ângulo, você descobriu dois poderes de uma vez só.

- Dois?

- Você descobriu que recebeu o dom de controlar as águas – Explicou ela – E também despertou mais um poder: o de perceber os feitiços. Um humano não pode ouvir meu canto com clareza, apenas ouvir uma sugestão sutil e acaba achando que é seu próprio pensamento. Você não só percebeu meu encantamento, como também lutou contra ele. Já tinha feito algo assim antes?

- Já lutei contra uma maldição de controle – Respondeu ele, mas ainda estava desconfiado da sereia.

- Bom, seus outros poderes irão despertar com o tempo – Disse ela, erguendo o rosto e olhando nos olhos esmeraldas de Harry – Agora só resta você encontrar seu Familiar.

- Onde ele está? – Perguntou esperançoso.

- É só você...

Um grito inumano vindo da floresta interrompeu a sereia e uma expressão preocupada passou pelo seu rosto. Ela pareceu na dúvida, mas um segundo grito, dessa vez mais agudo, a fez reagir.

- FUJA! – Gritou ela, jogando-se na água – O Ceifador está vindo. Corra para longe, eu irei chamar Garú para ele dar o alerta na cidade. NÃO olhe nos olhos dele.

Dito isso, ela mergulhou e desapareceu nas águas. Aquelas últimas palavras soaram como um mau presságio para Harry. Se ele não podia olhar para os olhos do que quer que tivesse assustado a sereia, então só podia significar uma coisa: uma basilisco.

Ele correu apressado, podia sentir uma vibração no solo. Algo grande estava se aproximando rapidamente. Pensou em se jogar na água, talvez tivesse alguma chance se pulasse no rio. Qualquer plano de ir até o rio foi varrido de sua mente quando seu corpo foi atingido por uma grande cauda. Ele caiu no chão e fechou os olhos com força.

- Para onde está indo pequeno? – Perguntou uma voz cortante.

Harry não respondeu, concentrou seus esforços em levantar. Estava surpreso em não ter recebido uma mordida ainda.

- Não é muito educado deixa de responder a uma pergunta – Disse o réptil – E eu ainda tentei falar em uma língua que esse vermezinho me entendesse.

Harry notou a mudança de linguagem. O basilisco não falava mais a linguagem comum e sim língua das cobras. Descobriu então como podia se livrar da cobra, precisava distraí-la.

- Não precisa se incomodar, eu sei falar sua língua – Respondeu ele usando a língua das cobras. A linguagem fluía facilmente, pois não tinha nem dúvida da proximidade da serpente.

Parecia que seu plano havia dado certo, o animal parou de rastejar. Harry arriscou abrir os olhos um pouco, viu o corpo da criatura em volta de si. A cobra era imensa, talvez um pouco maior que a de Salazar Slytherin. Ele tentou não se desesperar e aproveitar que o basilisco estava intrigado. Analisando melhor a cena, viu que um pequeno trecho perto do rio estava bloqueado apenas pela cauda. Se ele conseguisse que a cobra se mexesse...

- Você é um ofidioglota?Algo raro nos dias de hoje, meu pequeno verme. Uma pena que irei te devorar. Faz muito tempo que não tenho uma boa conversa.

- Não se eu puder impedir.

Concentrando-se o máximo que podia naquela situação, Harry invocou seus recém-despertos poderes. Um jato de água forte saiu do rio e bateu no corpo do basilisco. Apesar de ter sido acertada com força, a grande cobra mal se mexeu do lugar.

- Ainda não tem poder suficiente para me derrubar – Disse ela – Mas mesmo assim devo admitir que foi uma boa tentativa. O matarei rapidamente como recompensa.

Harry não prestou atenção naquelas palavras, pois percebeu um trecho livre do rio, mesmo que o réptil não tivesse sido derrubado, ele havia se mexido um pouco. Com um impulso rápido, saiu correndo em direção a água no mesmo instante que a cobra atacava o lugar onde ele estava.

Com um pulo nada sutil, ele caiu na água. Pensou ter ouvido um sibilar de raiva, mas ignorou, estava em casa. Invocando seus poder, controlou a liquido que o envolvia para impulsioná-lo rio acima, onde jaziam seus óculos e a espada.

Do lado de fora, o basilisco viu sua presa se movimentar rapidamente para longe e logo começou a persegui-lá. Não era tão difícil assim, seu corpo monstruoso tirava do caminho qualquer árvore ou pedra, mas o bruxo se movimentava muito rápido e logo ele ganhou distância. Ela decidiu esperar, cedo ou tarde ele teria de sair, então conheceria a fúria do Ceifador da Floresta.

Calculando o melhor que pode, Harry achou que já deveria estar perto de seus pertences. Ergueu a cabeça fora da água e viu que estava sozinho, nem sinal da cobra. Cautelosamente, saiu da água e procurou na margem, mas não conseguiu encontrar a espada. Queria segurar algo afiado para ter alguma defesa efetiva contra o ser monstruoso.

Andou mais um pouco em direção a nascente e uma sensação de inquietação começou a crescer em seu peito. Foi com grande alívio que discerniu entre as imagens pouco nítidas o que pareceu ser a espada. Correu em sua direção e viu que estava certo. Pôs seus óculos e o mundo entrou em foco, empunhou a espada e se sentiu mais confiante.

- Agora só preciso achar um jeito de voltar para Demétria – Disse ele para si mesmo – Para que lado é a cidade?

O som de folhas agitando-se e de um rastejar mortal chamaram sua atenção. Abaixou o olhar e começou a correr em direção oposta ao barulho. Mal tentou pular na água quando mais uma vez o rabo da serpente cruel o atingiu, dessa vez com uma força assustadora, lançando-o em direção a uma árvore. Seu corpo atingiu com força o tronco e ele sentiu alguns ossos se quebrarem. Sua espada havia voado longe e não conseguia se concentrar para invocar o seu dom sobre a água.

- Já cansei de brincar, meu pequeno verme ofidioglota – Disse a cobra cuelmente – Entregue sua vida para mim.

Harry sentiu o basilisco se aproximar e apertou com mais força os olhos. Esperou o bote mortal, mas ele nunca chegou. Ouviu a serpente gritar surpresa e o som de cascos batendo contra o chão da floresta encheu seus ouvidos. Entreabriu os olhos e ergueu a cabeça devagar, evitando ver a cabeça da serpente. Sua respiração estava difícil, mas ainda foi capaz de produzir um suspiro de alivio. Um brilho prateado estava atacando o basilisco que não conseguia abrir os olhos devido à intensidade da luminosidade.

"O que é isso?" pensou Harry "Um patrono?".

O brilho prateado acertou a lateral da grande cobra, fazendo-a cair. Com um rápido movimento, ela tentou morder a luz, mas não foi rápida o suficiente. Harry então pode ver que um animal estava dentro da luz e que ela emanava da testa dele.

"Um unicórnio" pensou, tentando manter a consciência "Porque está me ajudando? Talvez ele seja...".

O unicórnio aumentou o brilho de seu chifre e golpeou a serpente, que se esquivou, porém a ponta do chifre passou próximo de seu olho esquerdo, formando um grande ferimento que começou a sangrar.

A cobra então deu um sibilo de frustração e expôs suas grandes presas. Mas recuou, fugindo de seu oponente, sua boca gotejava veneno e ela deixou uma trilha atrás de si.

O brilho sumiu e o unicórnio trotou até o garoto machucado. Harry ergueu a mão direita, para tocar o belo animal a sua frente, já que não conseguia mais falar. No momento que seus dedos trêmulos roçaram a fronte do animal, a escuridão cobriu seus olhos e ele desmaiou.

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- Harry, acorde.

O garoto não abriu os olhos, mas tinha acordado. Reconheceu a voz preocupada de Elza vinda de algum lugar distante. Parecia que ela sempre o encontrava de olhos fechados.

- Elza?

- Abre os olhos – Pediu ela – Ou já esqueceu de novo como faz isso?

Ele abriu os olhos e se deparou com várias pessoas o olhando. Luna, Abel, o regente e mais um homem vestido de branco o encaravam curiosos.

- Você sobreviveu por um triz Harry – Disse Luna, a única que não parecia preocupada.

- Os guardas do Portão da Floresta acharam que estava morto – Disse o homem de branco – Mas quando eu o examinei, vi que estava bem, mas completamente exausto. Vou deixar vocês agora, chamem-me se ocorrer alguma coisa.

O homem, que Harry supôs ser um curandeiro, saiu do quarto. Abel estava mudo, parecia preocupado; talvez fosse a perspectiva de ir sozinho na floresta quando atingisse seus vinte mil e alguma coisa anos. O regente sorriu quando o olhar do jovem bruxo encontrou com o seu.

- Muito bem Harry, fico feliz que você tenha sobrevivido a sua prova de fogo – Disse o ancião – Você agora tem seu Familiar. Ele te trouxe até o portão, mas assim que os guardas se aproximaram ele entrou em você e começou a curar seus ferimentos, parece que ele é bem poderoso.

- Mostra para a gente – Pediu Elza – Os guardas disseram que era um grande cavalo branco, mas eu acho que eles estão errados.

Harry olhou para os rostos cheios de expectativa e sorriu sem graça.

- Eu não sei como fazer isso – Admitiu ele.

- Apenas convoque-o mentalmente – Explicou o regente.

O garoto obedeceu e logo sentiu uma quentura confortável no peito. Uma bolinha branca flutuou por uns instantes e logo se transformou no mesmo unicórnio que salvou sua vida. O chifre do animal era de um branco puríssimo assim como a pelagem dele, belas crinas alvas escorriam pelo pescoço dele. O que mais chamava atenção, porém, eram os olhos prateados do unicórnio.

Ao ver seu Familiar, Harry sentiu seu peito se encher de orgulho: havia conseguido um ótimo aliado para sua batalha. Seus olhos se encontraram com o do animal e ao se deparar com aquela prata cinzenta, sentiu uma estranha euforia, provocando pequenos arrepios em suas costas. Ninguém pareceu notar, exceto o regente, pois estavam admirando o unicórnio.

- Mestre – Disse o animal – Fico feliz que tenha se recuperado. Desculpe-me por não me revelar antes na Floresta, mas eu precisava ver o quão valoroso você era.

- Harry – Disse o garoto – Por favor, me chame de Harry. Você não é submisso a mim e sim meu aliado.

- Você é nobre, Harry – Disse a criatura – Me chame de Talos. Será uma honra ser seu guardião.

O garoto sorriu e acariciou a cabeça do unicórnio. O regente então se aproximou dos dois e ergueu uma das mãos.

- Como regente da nossa cidade, eu, Argos, sob a permissão de Gaia, declaro oficialmente Harry James Potter e Talos como espíritos de Demétria – Uma luz dourada vinda da mão do regente banhou o garoto e o unicórnio – Que Gaia proteja vocês eternamente.

Talos relinchou altivo e seu chifre brilhou com uma luz prateada e mais uma vez Harry sentiu aquela estranha euforia. Argos pediu então que todos se retirassem, enquanto daria as últimas instruções para o garoto.

- Antes de você partir – Começou ele – Preciso lhe alertar sobre sua nova condição. Agora que você é parcialmente um ser espiritual, Gaia irá estar sempre com você. Porém, você ainda não tem controle sobre suas novas habilidades, por isso necessitará de um professor, ou melhor, uma professora.

- Você quer dizer...

- Sim, Elza irá se afastar de seu amado Lago do Despertar e terá que voltar para o mundo real, tornando-se professora em Hogwarts. Creio que existe uma vaga de professor de defesa contra as artes das trevas aberta.

Harry, quase esquecido de sua vida na Terra, lembrou-se de Snape e da morte de Dumbledore. A raiva tomou conta de seu coração e a jarra com água perto na cabeceira de sua cama agitou-se perigosamente. Talos mexeu-se inquieto, encostando o focinho na mão do garoto.

- Acalme-se Harry – Pediu Argos – Já estou a par da situação, os outros Despertos já me contaram o que está acontecendo com o seu mundo. A Guerra é iminente e você estará no centro dela, por isso deverá reunir todo poder que conseguir. Elza irá ser uma ótima professora e será de grande ajuda.

- Eu pensei que ela fosse daqui – Disse Harry, tentando mudar de assunto. Um misto de tristeza e raiva ainda borbulhava em seu interior – Quero dizer, ela deve estar sempre perto do Lago, então...

- Apesar de sua função, Elza veio de seu mundo. Ela passa o máximo de tempo aqui, mas chegou a hora dela agir. Alvo deixou uma carta comigo para ser entregue ao atual diretor de Hogwarts, não sei o que diz, pois está lacrada, mas ele garantiu que isso permitiria a entrada de um dos nossos na escola de bruxaria.

Harry concordou com a cabeça e observou Talos trotar até a janela e observar o lado de fora curioso.

- Mais uma coisa – Disse o regente – Você tem namorada? Ou namorado?

O rosto do garoto pareceu pegar fogo de tão vermelho que ficou.

"Que tipo de pergunta é essa?" pensou Harry "E ainda levantando a possibilidade de eu ser gay?".

- Sim...não – Harry não sabia bem o que responder. Tecnicamente não estava namorando mais com Gina, mas pensava que no futuro voltaria com ela – Eu tinha uma namorada.

- Pense nela. O que você sente?

- Saudade, eu acho. Mas o que isso tem a ver?

Argos balançou a cabeça pensativo e explicou.

- Você aceitou os dons de Gaia e ela lhe concedeu um presente em troca: um companheiro. Essa pessoa pode ser tanto homem quanto mulher e você está destinado a ficar com ela, assim como ela está destinada a ficar com você. Vocês se complementarão em todos os aspectos.

Harry deixou o queixo cair de surpresa, não acreditava em almas gêmeas e com certeza não acreditaria naquilo.

- Sinto lhe informar, mas essa garota que você namorava não é essa pessoa – Disse o regente – Se fosse, no minuto que você pensasse nela, iria se...hã...alterar fisicamente e ansiaria por ter contato com ela imediatamente.

- Quer dizer que poderei me apaixonar por qualquer pessoa? – Perguntou ele totalmente corado – E depois irei ansiar por fazer, você sabe o que, com ela? E ainda pode ser homem ou uma mulher?

- Talvez não se apaixonar. Existem casos onde não se mantém um relacionamento estável por motivos diversos – Disse ele – De qualquer forma, o seu companheiro necessita ter o Sangue, então não será qualquer um.

O bruxo fechou os olhos, tentando assimilar aquelas informações. Imaginou-se descobrindo que seu companheiro era Nevile e tendo que dormir com ele na mesma cama, além de fazer outras coisas. Forçou-se voltar a ouvir o regente.

- Não se preocupe em ter que procurar seu companheiro. Eu tenho a impressão que você já o conhece – Disse ele sorrindo – Quando Talos se revelou, você pareceu ter uma sensação estranha. O que lhe chamou a atenção no unicórnio?

Harry parou para refletir um pouco, já sabia a resposta, mas queria medir o peso daquilo. Talos, por sua vez, aproximou-se dos dois, e o garoto quase pode notar um ar de presunção nele.

- Os olhos prateados – Disse ele finalmente.

Ele olhou nos olhos de seu familiar e aquela sensação voltou. Conhecia poucas pessoas de olhos cinzentos e a possibilidade de ser Draco Malfoy cruzou sua cabeça. Na mesma hora, um estremecimento percorreu seu corpo, mas não soube exatamente se era de repulsa.

Argos notou o conflito interno de Harry e preferiu encerrar aquela conversa por agora, o tempo estava correndo.

- Tenho certeza que você descobrirá as respostas Harry. Mas já está na hora de você voltar para seu mundo, vou chamar os outros.

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De volta a sala do trono, Harry já estava sentindo uma ansiedade crescente. Haviam lhe dito que passou quase sete horas dormindo. Já estava em Gaia há pouco mais de doze horas, um minuto inteiro tinha se passado em seu mundo. Teria menos de um minuto para chegar até a chave-portal e escapar da casa dos Dursley.

- Esta na hora Harry – Disse o regente – Volte para o seu mundo e aguarde o início das aulas. Elza lhe ensinara a controlar os poderes e logo você será capaz de voltar aqui.

- Eu acho que isso é um até logo – Disse Elza, abraçando-o – Apesar de estar chateada por voltar a minha vida normal, é bom saber que logo irei ser uma professora. Não pense que vou te favorecer só porque você conhece esse segredo.

- Te vejo em Hogwarst, Harry – Disse Luna - Vai ser bom ter mais alguém para falar sobre Gaia, ninguém acredita em mim.

O garoto sorriu de forma bondosa para ela, sentindo a costumeira pena.

- Bom, parece que vai demorar alguns anos para agente se ver, ou alguns dias; depende do seu ponto de vista – Disse Abel sorridente, apertando a mão dele – Tomara que você ache seu companheiro logo.

- Quanto a isso – Disse o regente – Evite manter contato físico por muito tempo com alguém que não seja seu companheiro. Seu espírito vai vibrar descontrolado atrás do companheiro, isso pode atrair outras pessoas e acabar despertando-as, mesmo não tendo o Sangue. Mas isso vai passar assim que você se unir, você sabe como, ao seu companheiro.

Harry sentiu as bochechas esquentarem e todos riram dele. Talos se aproximou e fez cara feia para os outros, sentindo o desconforto de seu mestre.

- Posso me abrigar para a viagem Harry? – Perguntou o unicórnio.

O garoto demorou a compreender o que ele queria, mas logo entendeu. Acenou afirmativamente com a cabeça e o unicórnio transformou-se na esfera de luz e penetrou em seu peito.

- Use isso – Disse Argos, colocando o que parecia ser um vira-tempo preso a uma corrente no pescoço de Harry – Nessa ampulheta há um pouco da terra de Gaia, quando chegar a seu mundo, vire-a e ela irá escorrer. Isso irá te ancorar em seu mundo, impedindo que você volte sem querer para cá. Não deixe a terra escorrer toda, ache um objeto de platina antes e use-o, isso vai te ancorar lá até você controlar o poder de cruzar os mundos.

- Primeira aula: como voltar. – Disse Elza séria – Concentre-se em tudo que você deixou em seu mundo, seus amigos, seus objetos. Lembre de tudo que o prende lá e deseje com força voltar para eles.

Harry se lembrou de Rony e Hermione. Lembrou dos Weasleys, de seus amigos, de Dumbledore e de Sirius. Por fim lembrou de um par de olhos cinzentos. O mundo se desfez em um borrão de cores e as luzes pareceram desaparecer.

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Quando sua visão voltou ao normal, Harry sentiu o chão duro embaixo de si. Ergueu-se, percebendo estar com suas roupas normais de novo. Então ouviu seu nome ser chamado com urgência, os membros da Ordem pareciam quase desesperados. O garoto olhou rapidamente pela janela e viu as figuras encapuzadas e sua cicatriz explodiu em dor. Quase que cegamente, cambaleou para fora do quarto, trombando com Tonks na escada. Ele apenas segurou o braço dela, puxando-a para baixo.

Os dois chegaram bem a tempo de tocar a pá enferrujada. No segundo que fizeram isso, a chave se ativou e a porta da frente da casa explodiu. O olhar do garoto cruzou com o de Voldemort e o Lorde das trevas lançou uma maldição, mas já era tarde, o garoto havia escapado.


Coffe Break:

Algumas explicações:

Só para esclarecer umas coisinhas. O nome Talos foi baseado em um robô gigante que protegia a Ilha de Creta na mitologia grega. Argos veio também da mitologia grega e é o nome do barco em que Jasão, um herói grego, fez sua jornada em busca do Velocino de ouro.

Eu espero que tenham gostado do capítulo, pois eu gostei bastante de escrevê-lo.

Revisem por favor.

Ps: Tô aceitando sugestões para o sobrenome alemão de Elza!! Minha idéia é: Elza Seeberg.

N/B: Puts! Que adrenalina, meu povo! (arfando) O Voldy quase pega hum? E o bichinho deele, não eh a coisa maaaaaaaais fofa? E os olhos prateados? (se remexe de alegria) Muito bem elaborada mesmo. Eu A-M-E-I! Deixe reviews meu povo! Eu nunca vi uma pessoa atualizar tão rapido uma fic deeeeesse tamanho! Pra mim soh tinha mais mês que vem. :D Vamos agradecer da devida maneira, não? Beijos

Próximo Capítulo: Harry está de volta, mas ele vai descobrir que ocorreram mudanças no mundo mágico. Gina vai tentar reconsquitar o garoto, mas ela vai ter uma surpresa. Rony, Hermione e Harry vão para Hogwarst e ocorrerá o primeiro encontro com Draco, o que vai acontecer? Aguardem!! Nome Provável - Sexy Eyes

Resposta as revisões:

Tety Potter-Malfoy: Minha beta querida!! Um Dragão? Que exagero, pelo menos o animal ele não vai capturar. Agora tem um certo dragão que talvez ele consiga, vamos ver.

May Malfoy Snape: Draco ser um dragão? Não!! Draco é um humano normal e que por sinal vai fazer a primeira aparição no próximo capítulo. Fico muito feliz que tenha achado bem escrito o primeiro capitulo, tomara que esse segundo também esteja a altura. A história ainda vai ter muitas reviravoltas, agurde hehe.

Princess Andromeda: Espero que tenha desconfudido mais a idéia da fic. Com o tempo você se acostuma!! Haha você acha que sabe o que são Narguilês? Relaxe, aguarde mais alguns capítulos e ele vai mostrar o que sabe fazer (opa, deixa eu fechar minha boca). Quanto as notas da beta espalhadas, estou analisando isso ainda, mas acho que devido as reviravoltas que vão ter na história, eu prefiro que fique uma nota única no fim do capítulo para não perder a linha de pensamento.

Juh Yagami: Claro que o de Harry não pode ser comum, tem q ter algo a mais, só que ainda não revelei tudo, isso só lá no final. Quanto a ele ficar falando sozinho, bom, ele vai tentar dar uma disfarçada hehe. Draco tem pouquissimo conhecimento sobre Gaia, espera mais alguns capítulo. Felizmente, o guardião de Harry ñ é mal-humorado, mas as vezes pode ser teimoso...ainda estou vendo isso dos comentários da minha beta, mas eu prefiro que fique um comentário único no fim do capítulo.

Estrela Polar: Atualizada e nem demorou. Só não garanto uma regularidade nas atualizações huahua. Espero que goste desse capítulo.

Fabrielle: Relaxe, eu também estou super sem tempo. Mas significa muito vc ter arranjado um tempinho para deixar uma revisão!!

Ge Black: Muito obrigado pelos elogios Ge. Bom, esse Narguilé ainda vai ter importância, mas só daqui a alguns capítulos. Realmente minha fic é um "caldeirão" de coisas, essa foi minha intenção mesmo, misturar um pouco de tudo, espero que esteja atendendo suas espectativas. As notas da beta no meio das frases é algo a ser discutido, mas eu prefiro que seja só um comentário no final, pois podem quebrar a tensão de uma cena. Abel ainda vai aparecer bastante e prometo que em um capítulo a boca grande dele vai ser vital para a história huahua.

Tixa-chan: Que bom que está gostando, o que achou desse segundo capítulo? Com Harry nada é inteiramente normal não é mesmo? Eu precisava dar um Familiar para ele a altura hehe. Espero continuar te agradando.