Capítulo 2: "Convivência... Apenas aceite!"
Semanas tinham se passado e a imprensa bruxa não parava de falar da repentina volta de Hermione ao continente europeu. Todos os dias eles ficavam plantados em frente ao prédio dela de forma discreta, afinal não podiam chamar a atenção dos trouxas, e sempre tentavam arrancar uma palavra dela. Mas Hermione Jane Granger passava batida e ignorava qualquer um deles. Sempre detestou a imprensa.
Harry cruzou o corredor concentrado nos pergaminhos que tinha em suas mãos. Mais uma vez era uma daquelas propostas que ele fosse patrocinador de alguma coisa, e geralmente ele recusava. Trajava um terno italiano de cor cinza e uma gravata sem detalhe azul-escuro. Foi quando esbarrou em alguém.
-Desculpe. -pediu ele imediatamente.
Harry enrugou o cenho ao ver a pessoa que tinha esbarrado. Um homem vestido com uma capa preta sustentava um ar misterioso e um tanto assustador. Ele ficou observando o tal homem até ele virar no segundo corredor. Sacudiu a cabeça de um lado para o outro e voltou a se concentrar nos seus pergaminhos.
-Mas você devia falar com ela... Pelo menos tentar!
A senhora Weasley pedia para Gina enquanto a ajudava a dar banho na filha. Susan estava peladinha na banheira e batia os pezinhos e as mãozinhas freneticamente espirrando água em todos, no final ainda dava uma gargalhada com aquela boca ainda desdentada. A criança era a cara do pai, mas era ruivinha que nem a mãe.
-Mamãe... Já disse! Hermione não é mais Hermione! – retrucou Gina que esfregava o pescoço da filha.
Susan gargalhava mais ainda, dessa vez era por cócegas. Senhora Weasley sorria de forma coruja para a graçinha da neta e de fato não escutou o que sua filha dissera segundos antes.
-O que você disse? – perguntou a matriarca da família de ruivos.
Gina revirou os olhos, o assunto "Hermione" não lhe agradava muito. Mas isso se devia ao fato como a "amiga" vinha agindo desde que chegou à Inglaterra, e isso de certa forma a magoou. E toda a vez que falavam dela era motivo de irritação na ruiva.
-Mamãe, a senhora tem que entender que Hermione Granger não é mais a mesma... Parece que ela tomou raiva de todos nós! E adivinha? Não temos a mínima idéia do por que!
A senhora Weasley pegou a neta no colo que estava enrolada na toalha e a colocou na cama. Gina pegou a fralda a as roupinhas dela.
-Vocês nem se quer se deram ao trabalho de ir ter uma conversa com ela... Vai ver ela está com algum problema... – Molly ainda insistia no assunto com a filha, e esta estava começando a perder seriamente a paciência.
-Do que adianta?! Eu tentei mamãe, semana passada tentei falar com ela e tenta adivinhar o que eu recebi em troca?! Patada, patada e mais patada! Ah, e mais um pouquinho de patada misturado com frieza!
Hermione entrou na enorme sala de reuniões do Ministério acompanhada de sua chefa, a Doutora Laura Harrison. Elas teriam uma reunião com o Ministro e com o Departamento Executivo. Era visível que ela estava muito nervosa e com sorte teve a certeza de que não falaria nenhuma palavra diante do senhor Ministro e sim a sua chefa.
-Relaxa... Vai dar tudo certo. Tenho certeza de que eles irão patrocinar a nossa pesquisa. – Laura falava tentando manter Hermione calma.
Nesse momento o Ministro entrou na sala acompanhada pelos responsáveis do Dpto. Executivo.
-Boas tarde Doutoras... – cumprimentou ele se sentando em sua cadeira na ponta da mesa.
-Boa tarde senhor Ministro. – cumprimentou educadamente Hermione.
-Olá senhor Ministro, boa tarde. – cumprimentou Laura.
Foi então que Hermione percebeu que Harry estava entre os executivos. Sua cara fechou. E ele também não deixou barato, sua feição também mudara. Ele pensou que esta seria a situação perfeita para tentar algum contato com ela.
-Bom, senhor Ministro, senhores executivos... Marcamos essa reunião porque temos uma proposta de pesquisa a apresentar para os senhores. – pronunciou-se Laura.
-Ora... Então diga qual é a proposta. – falou o chefe dos executivos.
-É uma poção. A minha assistente, Doutora Hermione Granger, como devem saber veio dos Estados Unidos, e já veio com alguns estudos prontos. Ela me apresentou eles e tirei a conclusão de que essa poção poderia ser feita, e seria de bastante utilidade. – explicou Laura confiante.
Os empresários e o Ministro ficaram em silêncio por alguns segundos, que para Hermione eram eternidades.
- Mas é uma poção para que? – perguntou Harry de surpresa.
-Senhor Potter, é uma poção de cura para àqueles que estão infectados como lobisomens. Mas não é de efeito imediato, é preciso que tenha que tomar pelo menos uns dois ou três frascos. Ainda estamos estudando ao certo a quantidade. – falou Laura.
-Certo... Como chegou tal formulação Doutora Granger? – instigou Harry.
Hermione sobressaltou, não esperava que lhes dirigissem perguntas, ainda mais vinda de Harry Potter.
-Sou bastante inteligente Senhor Potter... Arguciosa com as minhas teses. – respondeu ela.
-Não! O Ministério não irá patrocinar essa poção! E tenho dito. – falou o Ministro convicto e pegando todos de surpresa.
Laura, Hermione e os outros executivos abismaram com tal decisão do Ministro. As duas mulheres pareciam desoladas, chegaram naquela sala transbordando confiança, e de repente levam um "rasteira" como aquela.
-Senhor Ministro, o senhor têm certeza disso? Essa poção traria significativos lucros para o Ministério, além de ajudar muitas pessoas! – tentou argumentar o chefe dos executivos.
Fora em vão. O "Todo Poderoso" do Ministério parecia irredutível na sua decisão.
-Não. Uma poção como essa sairia muito cara! Faria um rombo em nossos cofres. – pronunciou-se o Ministro.
-Não seja por isso. Eu pago do meu bolso, não tem problema. – falou Harry.
Hermione e Laura se encheram de esperança nesse momento. A Doutora Granger por um momento pensou que sairia correndo de braços abertos para Harry, mas logo voltou a ter sua razão no lugar.
-De jeito nenhum! O Ministério da Magia é composto por departamentos e não por individualistas! Ou todos entram num acordo ou não há nada! Nesse caso não entramos num acordo, vocês aceitam patrocinar, mas eu não. E por isso eu digo que esta poção não será fabricada! – esbravejou o Ministro um pouco irritado.
Sendo assim, todos se viram em uma rua sem saída. O Ministro já tinha tomado a sua decisão e estava convicto dela. Não tendo outra opção, todos deixaram à sala de reuniões.
Draco permanecia atento às pessoas que trafegavam pela Travessa do Tranco. Estava vestido devidamente à paisana, sem a menor possibilidade de ser reconhecido. Shakebolt não estava muito longe do loiro, uns dois prédios à direita, na cobertura, ele observava o local de forma mais ampla. E sentado num banquinho, Rony Weasley fingia estar lendo o "Profeta Diário" enquanto de forma discreta olhava para todos os lados.
De repente Lupin sai do "Cabeça de Javali", uma bar geralmente freqüentado por meliantes de má reputação . E começa uma correria, o alerta foi dado para os quatro aurors.
-TODO MUNDO PARADO! AUROR DRACO MALFOY, PERTENCENTE À ELITE! SE ALGUÉM SE MEXER EU DERRUBO! –berrou o loiro apontando a varinha para todos os lados.
-Esta área está cercada por feitiços, portanto ninguém entra e ninguém sai! A Travessa só vai ser liberada quando Bellatrix Lestrange estiver sob nossa custódia! – falou Lupin – Weasley, Shakebolt façam uma ronda por aí. – ordenou ele.
-Alguém te viu Remo. O plano falhou! –falou Draco.
-Eu sei... HEY! VOCÊ! VOLTE AQUI! – berrou Lupin vendo um ser suspeito correr e tentando aparatar, mas fora perda de tempo já que o local estava com feitiço contra aparatações.
Draco correu em disparada atrás do sujeito e apontou a varinha:
-Vingardium Leviosa!
O sujeito pairou no ar aos comandos de Draco Malfoy. Mas logo se libertou ao lançar um feitiço estuporante sobre ele, que infelizmente caiu.
-Expelliarmus! – berrou Lupin.
A varinha do sujeito foi parar longe. Agora ele estava indefeso. Então ele se revelou como Bellatrix Lestrange assim que tirou o capuz. Mesmo em desvantagem ela ainda sustentava aquele sorriso amarelo e podre. Olhou ao seu redor e se viu cercada por quatro aurors.
-Olha como estou morrendo de medo! Ui, ui, ui, ui! – falou ela debochada e soltando aquela gargalhada tosca como se assustasse alguém.
-Bellatrix Lestrange você está presa por em nome do Ministério da Magia de Londres por compactar com Tom Riddle/ Voldemort e pelo assassinato de Sirius Black. Não têm direito a nada, apenas um julgamento dentro do Ministério. Vire-se para que eu possa devidamente prendê-la. – falou Rony se aproximando dela ainda com sua varinha em punho.
Ela se arriscou a correr de novo, o ruivo só se deu o trabalho de lhe lançar um feitiço bobo para fazê-la parar.
-Rictusempra!
Lestrange caiu no chão se remoendo de dor. Era como se uma pessoa tivesse lhe acertado na barriga com um tronco de árvore.
-Apaga ela Rony... É melhor do que ficar ouvindo-a resmungar o caminho inteiro. – ordenou Lupin.
O ruivo apenas balançou os ombros e apontou a varinha para ela.
-Estupefaça! – na mesma hora ela desmaiou.
Hermione estava distraída em sua sala, decepcionada com a decisão do Ministro e só se questionava em que momento ela tinha errado, ou que Laura tinha errado na reunião.
-Olá, serei breve. Posso financiar essa poção fora do Ministério. O que me diz?
Hermione se assustou de tal maneira com a entrada dele inesperada que demorou a processar o que ele tinha lhe proposto.
-Não sei... Sei lá Potter! – falou ela começando a ficar nervosa com a presença dele.
-Olha, essa poção é brilhante! O Ministro deve estar caducando por não aceitá-la! Quantas pessoas seriam curadas com ela?! Inclusive Lupin! – falou ele eufórico.
A morena sentiu um formigamento por seu braço e em seguida uma ardência. Teve que se segurar para não demonstrar diante dele tal incômodo. Ela cerrou os olhos, tinha que ser decisiva.
-Me responde uma coisa? Você por acaso está querendo financiar essa poção por pena de mim ou porque quer sair no lucro com isso?! – perguntou ela indignada.
Harry pareceu não acreditar na ousadia dela de lhe fazer esta pergunta. Ele chega à sala dela, de forma educada, mostra entusiasmo, disposto a patrocinar a poção e é com desconfiança que ela lhe recebe. Aquilo foi o "fim da picada", tinha chegado à conclusão de que aquela não era a mesma Hermione que fora sua amiga por anos, era uma pessoa completamente diferente, uma incógnita para ele.
-E ainda tem a coragem de usar esta pergunta: "Quantas pessoas seriam curadas com ela?!". Você está pensando que eu sou otária Potter?! Querendo tirar proveito de algo que eu e a Laura estudamos minuciosamente! É muita cara-de-pau, não acha?! – falou Hermione já perdendo o controle sobre sua pessoa.
Harry sentiu a veia de sua têmpora latejar de maneira rígida, aquela situação já estava começando a lhe tirar a paciência.
-Você está maluca?! Não, porque só pode ser! Eu só vim aqui para lhe fazer uma proposta de negócios e você já vai tirando conclusões precipitadas?! Você passou sete anos fora e não tem o menor direito de tirar conclusões sobre mim! Eu mudei Granger! – esbravejou Harry.
-Se você mudou ou não, não me interessa nem um pouco! Há tempos que eu tirei você da minha vida! Pouco me importa sobre você! A questão é que eu não aceito a sua proposta! Agora se ponha daqui para fora Potter! Já, antes que eu me estresse ainda mais! Minha cota de você já acabou por hoje!
Harry bufou, ajeitou os óculos e se encaminhou para a porta, e antes de sair deu uma última olhada para a morena. Hermione sentiu aqueles olhos verdes lhe atravessarem alma de forma penetrante e intimidadora.
-Acostume-se com a minha pessoa novamente Granger. Convivência... Apenas aceite! – falou ele antes de bater a porta com extrema força.
A noite caíra na cidade. Uma bela noite, céu limpo, a lua brilhava com certa intensidade esta noite, o que deixava Londres ainda mais charmosa. Para os Weasley, hoje fora um dia longo, principalmente para Gina que teve uma séria discussão com sua mãe por conta de Hermione. A ruiva estava azeda. Já o seu irmão, Rony, ele estava cansado por causa da missão. Mal tinha chegado à Toca e já se largou no sofá.
-Ronald! Retire esses seus pezinhos imundos de cima do sofá! – berrou a azeda número dois da família dos ruivos.
A senhora Weasley esbravejou com o filho enquanto passava pela sala e ainda por cima deu dois tapas nos pés do filho.
Draco deu duas batidinhas de leve na porta do quarto antes de entrar. Ao entrar deu de cara com as duas mulheres de sua vida e sorriu ao ver a cena em que Gina fazia cócegas na pequena barriga de Susan, e esta sorria completamente desdentada.
-Com certeza essa aí tem a personalidade dos ruivos! Olha só como ela é risonha! – falou o loiro abraçando a esposa por trás e sorrindo todo orgulhoso da filha.
-Ainda bem que você chegou. Pegaram aquela desgraçada? – perguntou Gina beijando a face do marido.
Ele apenas concordou com a cabeça no mesmo momento em que pegava a pequena Susan no colo.
-Ganhei um galo na cabeça. Lestrange me derrubou, fiquei desacordado por alguns minutos. Não se preocupe nada grave. – falou ele fazendo cara feia porque sua filha agarrara seus cabelos e não queria soltar de jeito nenhum.
-Vamos embora para casa logo. Tive uma discussão feia com a mamãe e não quero mais ficar aqui. – falou Gina pegando a bolsa da filha.
Hermione estava sentada na pequena mesa que tinha comprado dois dias atrás na sacada de seu apartamento e seu companheiro era uma taça de vinho tinto.
-Hoje você me deu muito orgulho, sabia?
Ela se assustou de tal maneira que deixou a sua taça cair no chão.
-Já não lhe disse que não queria vê-lo dentro do meu apartamento?! – falou ela irritada.
-Poxa... Eu só vim aqui para lhe fazer um elogio, e geralmente eu não faço esse tipo de coisa, e é assim que me recebe? Pensei que a senhorita fosse mais educada... E da próxima vez diz "obrigada", seria uma bela resposta.
Ela fechou os olhos buscando paciência lá do fundo para não ser rude, respirou fundo umas duas vezes, e quando voltou à realidade se deu conta que já estava sozinha novamente. Conjurou mais uma taça e serviu-se de mais vinho.
No outro lado da cidade Harry estava fazendo à mesma coisa, só que em vez de estar na sacada, estava na cobertura de seu apartamento duplex. E ao invés de vinho ele bebia uísque. Já estava na sua terceira dose. Ele se recostou na cadeira de maneira confortável, tirou os sapatos de couro preto, afrouxou sua gravata, abriu os dois primeiros botões de sua camisa e relaxou. Como noite após noite, após um dia longo e estressante como àquele, só a bebida lhe refrescava a cabeça.
