ZEN
Capítulo II – Cuidado com o que deseja...
31 de Dezembro. 08:00 PM. Tóquio. Koneko no Sume Ie.
A porta do quarto de Aya se abre devagar, abrindo passagem para Omi, que encontra a quase completa escuridão. Demora uns instantes para acostumar a vista, enquanto entra lentamente, na verdade, quase temeroso.
- Aya, eu já... Estou... Indo... – O loiro pára no meio do quarto na penumbra, encantado com a imagem de Aya meditando no meio do aposento em posição de lótus.
Aya não parece notar a entrada de Omi.
- Eu... Eu... – Chega mais perto, hipnotizado pela visão do ruivo à luz da lua.
Omi não consegue deixar de reparar no corpo delgado, longilíneo, as linhas do tórax e dos ombros harmoniosas, as pernas fortes, os cabelos ruivos que parecem ser tão sedosos caídos no seu rosto... Abaixa-se a sua frente, apoiando-se sobre um dos joelhos, chegando tão perto, que quase podia tocá-lo. Pode ver os cílios no rosto iluminado pela lua, fechados, escondendo as íris de um tom raro de violeta.
O belo hacker sente o aroma de incenso no ar e algumas pequenas velas em torno dele emprestam à cena uma aura quase sobrenatural. Pára exatamente naquele lugar, observando boquiaberto o homem, vestido apenas com uma calça folgada, mas sem camiseta. O peito nu, de pele branca e macia, faz com que o garoto engula em seco. Sente o coração doer de ansiedade e os dedos formigarem na expectativa de tocarem na pele dele.
O rosto concentrado se levanta devagar, os olhos violeta surgindo por entre os fios cereja.
"Céus! Como ele é lindo!" – Omi levanta o olhar, encontrando as íris que o observam de perto, uma sensação de frio percorrendo seu corpo por dentro, o coração parando por um instante, em expectativa.
- Eu... Bem... Eu vim... – As palavras não saem, por mais que tente ficar calmo.
- Sim? – Aya pergunta, mantendo as esferas brilhantes como ametistas fixas no rosto delicado de Omi.
- Desculpa incomodar a sua meditação. Eu não sabia... – Diz o chibi, sua boca seca.
- Uso isso pra controlar aquelas manifestações naturais de que falei. - O ruivo se levanta devagar, vendo que Omi faz o mesmo.
O espadachim caminha na direção do pequeno garoto de madeixas loiras, fazendo com que o belo arqueiro recue instintivamente. Pára diante dele, o mais novo tendo que levantar o rosto para encará-lo.
- Você já está indo pro ponto de encontro? – Aya percebe o nervosismo do arqueiro.
- É isso mesmo. Me encontro com o pessoal que também foi convidado e vamos ser levados ao local da rave. – O leve sorriso do espadachim o acalma.
- Está com o localizador? – A expressão do ruivo fica mais séria, pois sabe que a partir desse momento Omi estará sozinho.
- É claro, não se preocupe. – Isso é dito quase que automaticamente, pois ele mesmo está muito nervoso.
- Nós estaremos seguindo vocês de perto. Você vai encontrar com o pessoal, mas estaremos sempre um pouco atrás. – Sorri novamente tentando lhe passar segurança.
Omi o observa por um instante. Aya está sorrindo levemente e isso o acalma e também o encanta, visto que o ruivo não dispensa sorrisos a ninguém, mas neste momento, o líder o faz para ele, o que lhe deixa uma sensação de ser importante, porém, no instante seguinte, afasta esse pensamento... Tudo o que o espadachim quer é acalmá-lo... Apenas isso.
"Não fica sonhando, Omi." – Diz a si mesmo, mentalmente.
Aya se afasta um pouco e o observa, um sorriso maroto surge em seus lábios, mas Omi não vê, visto que parece perdido em pensamentos, provavelmente repassando mentalmente o plano, como sempre faz antes de sair para qualquer missão. Repara então em como ele está... No momento o arqueiro veste uma calça jeans muito justa e uma camiseta sem manga de cotton preta e curta, que deixa seu umbigo aparecendo.
Os lindos olhos violeta percorrem o corpo de Omi minuciosamente. Desde o rosto, pescoço, os ombros destacados pelo top de malha fina... Malha esta que está colada ao peito jovem e firme, o jeans justo delineando as belas pernas, o conjunto que tanto o atrai... E olhando atentamente fica surpreso ao reparar no pequeno piercing que lhe adorna o umbigo, tornando a visão do abdômen ainda mais perfeita.
Aquela visão o perturba, mas procura disfarçar da melhor maneira possível. O olhar frio não denuncia em nada o quanto o desejo o queima por dentro, travando o maxilar para segurar a vontade de agarrar-lhe os cabelos e beijá-lo ali mesmo... Puxá-lo para o seu colo e...
- Não foi você que escolheu essa roupa, não é? – Sorri para ele tentando se ocultar nas sombras por saber que sua excitação é visível.
- Não... Foi o Yohji quem escolheu. – Olha para a roupa e puxa a camiseta, tentando inutilmente cobrir a barriga exposta.
- Ficou muito bom! – O garoto levanta a cabeça e seus olhos se encontram.
- Mesmo? – Omi sente seu coração bater mais rápido ante o elogio.
- Sim. Vai ser muito útil pra atrair a atenção. – Tenta disfarçar o fato de que é ele quem se sente atraído, apesar de temer não estar conseguindo.
- É... – A decepção é evidente em sua voz. – Quem sabe alguém me nota!
- ...! – Aya vê que o garoto se volta para deixar o quarto.
"Que droga! Sou um tolo!" – Omi quer se bater por pensar que poderia chamar a atenção de Aya.
Dá um passo para deixar o quarto, mas o ruivo o segura pelo braço e o puxa para dentro, o que faz seu coração falhar uma batida, para disparar no segundo seguinte e os dois ficam se olhando sem nada dizer, com algo preso na garganta. O garoto tem medo do que vem pela frente, aquele toque desmonta todas as suas defesas e isso fica claro em seus olhos.
- Vai dar tudo certo, Omi. Não fique assim. – Aya solta seu braço, percebendo o efeito que isto causa. Teme que o garoto se sinta de alguma forma agredido por seu ato e se afasta.
- ...! – Omi não consegue dizer nada, apenas tenta controlar a respiração, para que Aya não note o quanto aquele toque o afeta, apesar de sentir que está falhando.
- Desculpe se te machuquei. – Aya diz em tom baixo.
- Você se importa com o que pode acontecer comigo? - O arqueiro fala encarando o ruivo diretamente nos olhos, sendo ousado em sua indagação.
- ...! – Estas palavras atingem o espadachim como um furacão. Não esperava ouvir isso e a surpresa o deixa momentaneamente sem palavras.
Omi o observa em silêncio, tentando ver algo dentro daquelas ametistas.
"Não posso dizer o que realmente sinto por você." – Fica apenas observando o loirinho, percebendo que ele espera alguma resposta, mas sem conseguir que alguma palavra saia de sua boca.
Percebendo que nada será dito, Omi se volta novamente para a saída, cansado de esperar por palavras que não passam de sonhos. Chega até a porta, triste por concluir que tudo que sente é impossível.
"E o pior foi abrir a minha boca grande." – Sente-se horrível por sua ousadia, mais do que pela falta de resposta.
- Eu me importo sim. E muito. Mais do que gosto de admitir. – As palavras de Aya fazem Omi paralisar sob o batente da porta.
Aya vê que Omi se volta devagar e os dois se encaram novamente por um tempo que ele não consegue definir, só que sua coragem se enfraquece ao perceber a ânsia nos olhos azuis. E se fosse um erro revelar o que sente agora?
"O que estou fazendo? Tenho de protegê-lo, não..." – Aya se repreende.
- Aya... Então... – Um fio de esperança nasce no pequeno coração de Omi, que sente como se fosse explodir de felicidade.
- ... Afinal... Somos como uma família! – Aya diz com seriedade, tentando com estas palavras ocultar o que realmente sente.
Aquelas palavras atingem o garoto como um projétil, perfurando-o dolorosamente por dentro. Como... Como pôde alimentar falsas esperanças? Realmente é um tolo por pensar que o inatingível líder olharia para ele com outros olhos... É bobo demais. Realmente apenas uma criança idiota que acredita em contos de fadas.
- Tudo bem! Então... Bem... Se é assim. – Lágrimas surgem em seus olhos. – É melhor eu ir.
Aya chega a abrir a boca para dizer algo, mas as palavras não saem...
Dessa vez Omi sai sem qualquer impedimento. Desce as escadas correndo, seu coração apertado e segura as lágrimas o máximo que pode. Passa pela sala, onde Ken e Yohji o esperam para lhe desejar sorte, mas os ignora completamente, pois sabe que não conseguiria falar com eles sem deixar transparecer toda sua dor.
- ...! – Yohji e Ken observam Omi curiosos, enquanto este veste o casaco antes de sair pela porta da frente, batendo-a atrás de si.
- Nós não íamos segui-lo? – Ken olha intrigado para Yohji.
- Alguma coisa grave aconteceu. Mas... Acho que o Aya já vai descer pra sairmos. – Yohji fica preocupado, pois percebera há muito tempo o que os dois sentem um pelo outro.
Aya o observa andando pela rua, se afastando da casa. Vê quando Omi se volta e olha diretamente para sua janela, a luz da lua refletindo em seus fios dourados. Percebe então que a luz reflete algo em seu triste rosto.
"Lágrimas?! Ele está... Chorando!" – Percebe então que seu rosto não está cheio de medo, mas de decepção e isso... Isso o deixa ainda mais perturbado.
ooOoo
31 de Dezembro. 10:00 PM. Local da Rave.
Os dois rapazes descem do quentinho táxi para o frio do exterior. Harry treme, fechando melhor o pesado casaco e Ashler Goldsmith os acompanha, rapidamente afastando-os dos possíveis olhares dos guardas que poderiam denunciá-los. Segura firme no braço dos dois, como se isso ajudasse a afirmar sua posição como o líder do grupo. Malfoy tenta soltar-se do toque incômodo e grosseiro do homem, mas esse movimento só o faz apertar ainda mais o seu braço.
- Não se esqueçam do que eu disse. Não quero vocês se arriscando. É coletar as informações e sair. Ouviu bem, senhor Malfoy? – Fuzila o loiro com os olhos.
- ...! – Draco assente com a cabeça, com uma expressão de quem queria mesmo era vomitar nele.
- Agora vão. Espero vocês por aqui. – Ordena, ficando de braços cruzados.
O loiro puxa o moreno pelo braço, apressando-o, querendo se distanciar o mais depressa possível daquele homem. Depois do nervosismo inicial, ele solta o braço do amigo e desacelera o passo. Começam a andar sem pressa até a porta da frente, tentando aparentar tranqüilidade e logo ambos são conduzidos a um hall de entrada, onde podem tirar seus casacos e entregar numa espécie de chapelaria.
Só então os dois vêem o que o outro está vestindo e é surpreendentemente difícil disfarçar a reação. Ambos observam o companheiro de cima a baixo, lentamente, nunca tendo imaginado que poderiam ficar tão... Tão...
"É melhor deixar pra lá." – Esse é o pensamento imediato dos dois.
Draco veste uma calça de brim preto, muito mais justa do que gostaria, com rasgos horizontais ao longo das belas pernas, revelando a pele alva e macia, com uma fina corrente presa no passador de trás, terminando no da frente. A calça colada fazendo-o parecer ainda mais alto aos olhos verdes de Harry, que rapidamente sobem e vislumbram uma camisa de seda cinza, com as mangas dobradas, totalmente aberta e solta, deixando entrever um peito e um abdômen fortes e definidos. Pisca mais depressa, mas logo se recompõe, tentando disfarçar como a visão daquela pele e músculos o haviam perturbado.
"Por Merlin! O que é isso que eu estou sentindo?" – Harry pensa, atordoado.
Não esperava jamais que aquilo pudesse causar esse efeito nele. O cabelo desalinhado, com alguns fios platinados caindo diante dos olhos cinza, lhe empresta um ar mais natural, emoldurando seu rosto sério. Os lábios de Draco nunca lhe pareceram tão desejáveis, estão tão vermelhos... Harry se segura para não agarrar o loiro e beijá-lo, querendo provar daqueles lábios que lhe parecem tão macios e doces...
"Não. Eu não pensei isso, pensei? Droga! Eu pensei sim." – Puxa o ar devagar, como se isso o ajudasse a se controlar.
Ao mesmo tempo o loiro também não consegue deixar de olhar para o rapaz a sua frente, seus olhos acinzentados estão fixos nele, sem nem sequer piscar, como se, caso fizesse isso, Harry fosse desaparecer num passe de mágica. Repara na calça branca de brim, que delineia as pernas roliças e...
"Não acredito que estou reparando na..." – Por mais que se repreenda, não consegue desviar o olhar e continua reparando naquele corpo belo. Harry veste uma camiseta regata azul-royal, muito justa, fazendo o perfeito contraste, delineando suas formas perfeitas e tudo o que passa pela cabeça de Draco é... Como ele pode ser tão lindo?
Seus olhos então, acabam se encontrando, um percebendo perfeitamente que o outro o observa daquela forma faminta, quase invasiva. Draco vê nos orbes de Harry todo o desejo contido... As esmeraldas estão mais escuras, mas nem por isso menos belas. Os cabelos revoltos, do jeito que gosta. Ele havia passado o gel da forma como lhe ensinara, arrepiando um pouco os fios.
A expressão de Potter desperta sensações diferentes em Draco. A vontade que tem é de jogá-lo no chão e tirar aquelas roupas, deleitando-se com seu corpo moreno, mas a eletricidade nos olhos de ambos os deixa sem graça e disfarçam, olhando para o outro lado, fingindo estar atentos a todo o resto.
"Como ele pode me fazer ter esse tipo de pensamento? Ah, Potter! Você me paga." – Pragueja internamente, apesar de não conseguir afastar aqueles pensamentos.
- Tem certeza que os trouxas se vestem dessa forma? Foi aquela garota bruxa que escolheu. Sabe que odeio fazer compras em lojas trouxa. É um saco! Mas ela escolheu, me mandou experimentar e depois pagou. Nem me deixou questionar. – Draco demonstra no tom de suas palavras toda a insatisfação que sente com a situação, disparando e colocando para fora toda sua insatisfação, mas tudo o que quer é disfarçar o que sente.
Harry ergue uma sobrancelha ante a repentina reclamação do loiro.
- ... E o pior é que me fez furar a orelha! E doeu muito mesmo. Quase matei a menina. – Draco continua a demonstrar toda sua insatisfação, querendo fuzilar alguém pra sentir-se melhor.
Harry sorri, divertindo-se com a autêntica raiva do rapaz, principalmente porque ele fica bonito reclamando daquela forma, quase fazendo bico e... Ele está pensando nisso novamente?! Respira e se concentra, voltando a fitar a face indignada, afinal, ele sabe muito bem como Draco odeia dor e a menina o levou para furar a orelha!
"Ela não sabe como correu perigo de perder a vida." – Só então percebe a pequena argola em sua orelha esquerda, combinando com seu jeito meio selvagem. O moreno ri sozinho, pois está claro que a guia de compras do Malfoy o paquerava descaradamente, mas é claro que o loiro não percebeu.
- Estou me sentindo ridículo nessa roupa. – Afirma Draco.
- Você não está ridículo! – Potter olha novamente, mas logo afasta os olhos. Tentando evitar a mesma sensação que o perturbara alguns minutos antes.
- Ah, não? – Fita-o sério.
- Ficou perfeito para esse tipo de lugar. – Comenta o moreno, devolvendo o olhar.
- Era assim que você se vestia quando ficava na casa dos seus tios? – Observando novamente a roupa do moreno, sabendo que o próprio Harry a escolhera.
- Nem em sonho! – Ele se entristece ao lembrar dos difíceis dias na casa de seus tios. O descaso, a falta de amor, a sensação de abandono... – Eu só usava as roupas velhas do meu primo e você sabe que não usamos o mesmo número.
A lembrança do passado o faz ficar em silêncio, cabeça baixa, olhar triste e isso atinge Draco como nunca antes. Não imaginava que o passado pudesse ser tão doloroso, apesar de tudo pelo que o moreno já passara. Tem vontade de abraçá-lo e dizer que não está mais sozinho, mas... Sabe que não deve.
- Sabe, Potter, sempre tive inveja de você. – Olha para o rapaz que o encara surpreso.
- Inveja do quê? Nunca tive nada. – Fala surpreso e curioso.
- Os seus pais deram a vida por você. Eu nunca poderia esperar o mesmo. Meu pai é o calhorda que você conheceu, que se divertia muito me "disciplinando". Minha mãe deve me amar, mas... Não sei se ela sabe muito bem o que é isso. – O loiro se sente bem ao ver que a expressão do rosto de Harry se modifica.
Há compreensão e empatia pela triste história da vida do jovem Malfoy e essa é a intenção dele. Jamais fala sobre si mesmo dessa forma, mas, apesar de doloroso, sabe que é a melhor forma de tirar o moreno de suas lembranças. Harry percebe muito bem isso e sorri com gratidão.
A chegada de um grande grupo de jovens chama a atenção deles, trazendo-os de volta àquilo que os trouxera a esse lugar. É um grupo turbulento, excessivamente animado, de garotos que não parecem ter saído ainda da escola. A entrada neste local lembra a chegada a um parque de diversões, cheio de alegria e folia.
- Não consigo entender porque esses garotos trouxas estão tão animados. Eles estão vindo aqui pra destruir suas vidas e sabem disso. – Malfoy, por mais que tente, não consegue entender o que move os trouxas, cheios de contradições.
- Eles são jovens, querem curtir, serem rebeldes, invencíveis... Não são diferentes de nós. – Olha para a garotada entrando barulhenta e tirando seus casacos com pressa. Seus olhos recaem então em um garoto loiro, de olhar triste, que tira o casaco devagar.
- Hum... – Draco ouve aquelas palavras e sabe que tem certo sentido.
- Olha aquele garoto ali. – Harry aponta disfarçadamente.
- Qual? – Draco observa todos, sem distinguir para quem deveria olhar.
- O loirinho, pequeno, que deve ter uns dezessete ou dezoito, mas parece bem menos. – O loiro parece ter identificado, mas sem muita certeza. – Um com o olhar triste.
- Já o vi, mas o que tem ele? – Pergunta, agora fitando o garoto.
- Você já não viu esse olhar? – Seus olhos se perdem em pensamentos. - Não sente nele os mesmos sonhos, aspirações e decepções que vê entre nós?
Draco sorri para ele. A profundidade do espírito de Harry sempre o surpreende. Ele vê e sente nos outros o que o loiro nem pensaria em procurar e ele tem razão. Já vira aquela expressão sim, entre jovens bruxos. Não que se preocupasse em olhar para os outros...
"Já vi toda essa gama de emoções nos olhos... De Harry." – E muitas vezes nos seus próprios olhos, quando parava na frente do espelho para se olhar de verdade.
- É melhor entrarmos. – Harry toca seu braço e os dois caminham em direção ao salão, onde a música techno já toca alto, fazendo os jovens ferverem.
ooOoo
O jovem Weiss segue com os demais garotos em uma van até o local da rave. Sabe muito bem que seus companheiros o seguem discretamente, mas o nervosismo da missão ainda não o incomoda. Não consegue esquecer as últimas palavras que ouviu de Aya.
"Somos como uma família." – Lembra-se dolorosamente...
Então é isso. É só isso? Toda a atenção e o carinho que às vezes percebe em seus olhos é porque o considera um... Irmão. Apenas um irmão. Omi baixa a cabeça, sentindo-se um tolo. Devia saber. Sente-se um idiota romântico, mas não pode condenar o ruivo, a culpa não é dele... A culpa é toda de sua tola cabecinha apaixonada.
Param diante de um antigo armazém e Omi o observa atentamente enquanto desce da van. Lugar cheio de entradas... Será fácil para seus amigos encontrarem uma forma de entrar. Pode se tranqüilizar, mas... Não consegue. Continua a ter aquela sensação de que algo vai dar errado. Os garotos a sua volta entram animados, alguns o arrastando com eles, mas o arqueiro não tem pressa. Entra numa espécie de hall de entrada e se aproxima do local onde tem de deixar o casaco. Tira-o devagar, ainda com a sensação ruim que surgiu ao chegar ao local.
Percebe então dois garotos diferentes. Claramente estrangeiros, talvez turistas, que o observam. Um deles, mais alto, loiro, ar aristocrático, transparece estar desconfortável naquele lugar, enquanto o outro, moreno, um pouco mais baixo, de óculos, sorri para ele. Estranhamente sente-se confortado com isso, mas novamente é puxado pelos garotos com quem veio e entra no salão principal.
O salão já está cheio de jovens, o ritmo da música embalando seus corpos. O calor tornando-se quase insuportável, fazendo com que Omi rapidamente comece a suar. É impossível resistir a toda a agitação e à música quase hipnótica, que leva todos os garotos ao delírio. Ele se sente bem! Quase um adolescente normal, mas não se esquece do porquê de estar ali. Todo esse ambiente de descontração e divertimento disfarça o grande objetivo dessa rave. E o arqueiro está ciente disso. É tudo ilusão, como uma miragem.
Procura circular pelo salão, observando os possíveis pontos de fuga, caso precise. A segurança é bastante reforçada. Repara que no teto há clarabóias que podem ser um bom ponto de entrada para os seus companheiros. Espera que Aya já tenha encontrado um lugar seguro para entrarem. Com certeza só estão esperando seu sinal.
Percebe como a música vai mudando seu encadeamento. De agitada, logo ela vai diminuindo seu ritmo, passando da hipnótica música super agitada, assumindo cada vez mais um ritmo sensual. A música teria algum papel importante na sedução sobre esses jovens? Aproxima-se então de um guarda que acompanha com o corpo a cadência do som.
- Desculpe incomodar, mas hoje vão selecionar pessoas para o "Círculo da Morte"? – Diz inocente.
- Vão sim. Por quê? Está interessado em entrar? - O homem o observa com cuidado e sorri de forma maliciosa.
- Ouvi dizer que é muito bom! Pelo menos foi o que os homens que nos deram os convites disseram. – Omi exibe uma carinha tão meiga que faz o homem observá-lo com muito mais malícia.
- Olha, você deve tentar entrar mesmo, pois o patrão adora garotos loiros. – O arqueiro mantém a aparência inocente, como se não tivesse entendido o verdadeiro sentido daquelas palavras. Isso atrai ainda mais o guarda.
- ...! – Omi pisca os olhos, ainda fitando-o, pois vê que o homem parece disposto a falar algo.
- Vou te dar uma dica. A música é o sinal. Preste atenção, pois há uma seqüência de três músicas de muita sensualidade, seguida por uma música romântica. Aquelas pessoas mais sexys ao dançar nesse momento, e que agradarem ao gosto do patrão, são chamadas a se reunir ao seu seleto grupo. Se você souber dançar direitinho, ele vai te adorar.
- Obrigado. – Se afasta, ainda sob o olhar guloso do guarda.
Então Omi fica atento ao ritmo da música e percebe que se inicia uma que tiraria qualquer um do sério. Todos começam a dançar sensualmente, conforme a cadência, mas o garoto tem de caprichar para ser melhor. Começa então a se mover, usando de toda a sensualidade que sabe ter. Pensa então em seus sonhos e... Naquele corpo esguio, de cabelos vermelhos e olhos violeta. Omi se imagina diante dele, tentando seduzi-lo, o suor escorrendo pelo seu corpo pequeno. Uma eletricidade percorre todo seu ser ao lembrar da imagem daquele corpo seminu, cercado por velas e...
"Como ele é lindo!" – Lembra-se da forma como ele se movimenta e se aproxima.
Fecha os olhos e move seu corpo languidamente, imaginando-se envolvido por aqueles braços fortes, protetores e sensuais. Chega a sentir as mãos bonitas, de dedos finos, envolvendo sua cintura e tocando sua pele, o que faz um arrepio percorrer todo seu corpo e logo ele morde o lábio inferior sem nem sequer perceber.
Todos a sua volta o observam. Os quadris balançando com o ritmo da música, os cabelos dourados refletindo a luz que é jogada sobre ele. A visão do pecado! Nunca poderiam esperar que uma criatura de aparência tão frágil pudesse exalar tanta sensualidade.
Omi se move devagar, de forma compassada, hipnotizando os olhares que caem sobre seu corpo. O abdômen delineado à mostra, as pernas torneadas pela calça justa movendo-se ao compasso da musica sensual que toma conta do ambiente, mas ninguém se atreve a tocá-lo, pois seus olhos fechados parecem tê-lo em um mundo muito distante dali, temendo que ao acordá-lo aquela visão de ingênua sexualidade seja interrompida.
As mãos de Omi passeiam por seu corpo, pelo pescoço, descendo pelo peitoral, demorando-se ali, explorando a si mesmo... Passando pelo abdômen, os dedos brincam com o piercing que adorna seu umbigo, seguindo um pouco mais abaixo, chegando perigosamente ao cós da calça justa que o loirinho usa.
Um dos guardas passa pela multidão e pára diante dele. Observa seu ritmo por alguns minutos e, até ele, tem de esconder o efeito que tal visão lhe causa. Fica assim por alguns minutos, os olhos naqueles quadris que ainda se movem devagar. Respira fundo e o toca.
A concentração de Omi, ainda no mundo onde o ruivo o tem em seus braços, é quebrada por um toque gelado. Abre os olhos e nota a sua frente um dos guardas, ainda com a mão em seu braço. Mão gelada e suada, o homem com a respiração descompassada.
- Garoto... Vo-você foi escolhido para o "Círculo da Morte". Venha... Ahn... Comigo. – A voz do guarda sai rouca, mesmo que ele tente mantê-la normal.
O Weiss sorri satisfeito, parte do seu plano está concluída. Agora é esperar para ter certeza da presença do alvo e avisar os outros. Anseia por ver Aya novamente, apesar da forma como deixara a casa. Infelizmente o ruivo é um vício para ele e por mais tolo que se sinta... Aqueles momentos de delírio durante a dança foram dos mais excitantes de sua vida. Isso porque o espadachim estava lá com ele, mesmo que somente em sua mente.
ooOoo
Os dois bruxos entram no salão devagar. Draco empina o nariz, não acostumado com tantos trouxas barulhentos reunidos no mesmo lugar, Harry olha para ele e sorri, pois alguns aspectos de sua personalidade são imutáveis e aquela sua expressão é um deles. Mas em uma coisa tem de concordar, aquele barulho incomoda até a ele. Ambos caminham entre os jovens, sentindo como a temperatura no salão aumenta consideravelmente, em todos os sentidos.
- Não podemos negar que o som é contagiante, não é? – O moreno começa a acompanhar o ritmo, meio sem jeito, em sua total inabilidade para dançar.
- Se você diz... – A expressão de desprezo começa a se desfazer aos poucos, mas jamais admitiria que a música também o envolve. – Vamos fazer o que nosso 'MESTRE' mandou.
Mas as ordens de Ashler Goldsmith são mais fáceis na teoria que na prática, pois as pessoas ou não sabem de nada ou não querem falar. E têm que evitar as suspeitas com que alguns os olham. E esse trabalho infrutífero começa a irritar o jovem Malfoy.
- Eu disse que não ia dar certo, mas aquele... Aquele... Não quis me ouvir. – A raiva é clara em sua voz.
- Eu entendo a razão dele e... – O sempre compreensivo Harry está presente novamente.
- Por que você sempre tem que entender ele? – O rapaz olha para o moreno com a mesma raiva voltada ao auror. – E você sabe que ele está errado.
- Não fala comigo assim! Estou do seu lado. – Potter se irrita com a atitude dele. – Será que você pode deixar de ser um Malfoy pelo menos comigo?
Os dois se encaram. Há muito tempo que os dois não se confrontam dessa maneira, a amizade predominando mesmo nos momentos em que discordam de algo, mas a velha rivalidade está presente neste, mas logo os dois percebem o ponto a que estão chegando.
- Até parece que estamos de volta a Hogwarts, quando nos conhecemos. – O loiro dá um sorriso meio sem graça.
- Parece mesmo. – Os olhos de Harry passam a encarar o chão.
- Mas você sabe que não vamos poder obedecer às ordens do Goldsmith. – Draco encosta-se a uma das colunas do salão.
Harry apenas o fita, sabendo muito bem o que Draco vai falar.
- Precisamos entrar no "Círculo da Morte" e enfrentar o homem em um momento em que ele estiver desprevenido. Concorda comigo? – Os olhos cinza se voltam para Harry.
- Inteiramente. – Ele encosta-se à coluna ao lado do outro. – Mas precisamos descobrir como conseguir sermos escolhidos. Você sabe que nosso orientador vai nos matar.
- Ele que se dane! – Fecha os olhos gostando da mudança de ritmo da música e logo o loiro fica uns minutos sentindo aquela música sensual percorrendo seu corpo. Curte os acordes que o fazem sentir e pensar. Pensar em...
"Tenho que parar com isso!" – Mas sente um toque em seu braço e abre os olhos.
A mão do moreno desperta Malfoy de seus pensamentos e aponta para frente, em um ponto no meio da multidão, onde o pequeno garoto loiro que viram na entrada, dança. O seu ritmo e o movimento de seu corpo os faz desencostar da coluna e ficam observando. Draco engole em seco, pois a sensação que sente não é apenas admiração, e nota que o mesmo acontece também com o moreno ao seu lado.
- Mas onde esse garoto aprendeu a dançar assim? – Draco fala devagar, quase com dificuldade.
- Não sei, mas ele nos deu a resposta. – Percebe como o guarda vem até o loirinho e o escolhe para o grupo especial.
- Nos deu? – Draco ainda não tinha entendido o que Harry queria dizer.
- Já é o segundo garoto escolhido por dançar de forma sensual. Essa é a função da mudança da música. É o momento da escolha. – É a conclusão a que chegou Harry.
- Você está me dizendo que vamos ter que dançar assim? – Ele se coloca na frente do moreno com uma expressão aterrorizada no rosto.
Os olhos verdes confirmam o que Draco teme.
- Nem pensar. – Nega com veemência. Dançar daquele jeito? Não. Não poderia. Seria muito... Perigoso e... De onde ele tirou isso?
- É o único jeito. Eu também não quero, mas... – Harry sente-se um pouco nervoso com tudo aquilo.
- Droga! – Pragueja Malfoy, pois sabe que Potter está certo.
Essa é a única chance que terão para conseguir seu intento e não há como escapar. Respiram fundo e se olham, mostrando que estão decididos a tentar. Resignados, andam devagar até o meio do salão, onde vários jovens acompanham a música. Deixam seus sentidos se levarem pela música, até que se encontram no meio daquele mar de corpos que se tocam no meio da pista e balançam com o ritmo pesado de sensualidade.
Param por um instante, se encarando, de frente um para o outro, verdes nos pratas... Verdes ansiosos... Pratas nervosos. Fecham os olhos e deixam a música sensual envolvê-los. Começam então a acompanhar a cadência imposta pela melodia com os quadris, como haviam visto o loirinho fazer. Se sentem duros, tentam deixar se levar, mas não conseguem relaxar.
Abrem os olhos devagar, ao mesmo tempo em que uma música vai acabando e logo outra vai começando, a letra claramente sensual enchendo o salão com a batida cadenciada, o ritmo encontrando resposta dentro deles. As íris se desviam receosas, os corpos se deparam acompanhando um ao outro, o balanço dos quadris, provocante, hipnotizados pelo desejo que inconscientemente descobrem no corpo um do outro.
No começo é estranho para eles. Os dois têm medo de tudo isso. Sabem que será apenas uma encenação, que não há verdade nisso... Mas o que os deixa tão nervosos? O que os faz tremer tanto? Os dois estão próximos, mas não se tocam. Nenhum deles quer tomar a iniciativa, temendo o que vêm evitando há tanto tempo. Desviam seus olhos, na esperança de esconder seus sentimentos, o maior medo é que ao se encararem, transpareça tudo aquilo que há em seus corações, temendo que o outro veja em seus olhos o que escondem de si mesmos.
Os olhos verdes de Harry se fixam na face de Draco, apesar de evitar as íris acinzentadas, não se atrevendo a encará-lo de frente. Seu coração bate mais rápido ao ver que terá que se aproximar... Tocar aquele corpo que lhe parece perfeito! Sua boca está seca e ele tem que molhá-la, mas isso não parece suficiente. Continua a dança de frente para ele, movendo-se lentamente, querendo tocá-lo e ao mesmo tempo não.
Harry está temendo... Temendo algo sem saber exatamente o quê, mas ao mesmo tempo desejando, ansiando tocá-lo. Por quê? Não sabe ao certo. Admite que ele é bonito, mas... Quando estão perto demais sente que enlouquece... Que algo dentro dele muda por completo e...
"Hoje ele está perfeito! Mas... Quando ele não está? As pernas brancas realçadas pelas calças negras... Quase nuas de tantos rasgos, indecentes... Absurdamente justa nas pernas e nos quadris..." – Harry molha novamente os lábios, não conseguindo conter aqueles pensamentos pecaminosos em relação a Draco.
Malfoy se move mais sensualmente, o ritmo da melodia o contagiando aos poucos.
"Hum... A camisa cinza completamente aberta, mostrando... Deuses! O peito liso, a pele perfeita... Eu não devia pensar isso! Mas... Aah... Eu... Estou enlouquecendo... Só pode! Olhando para ele assim..." Sente-se angustiado por desejar o loiro tão desesperadamente.
Seu sangue ferve só de olhá-lo mexendo o corpo tão languidamente... De maneira tão provocante, que faz pequenos arrepios percorrer seu corpo contra sua vontade, o que o obriga a puxar o ar com mais força para dentro de seus pulmões. E quando dá por si, a música envolvera seus sentidos e seu corpo se move mais sensualmente, aproximando-se, preparando-se para o inevitável.
Draco conserva os olhos baixos, não encara os verdes de modo algum. Não consegue entender o que sente, nem os pensamentos que correm soltos na sua cabeça. Nada em sua vida o preparara para tudo que sente... Para os efeitos de toda essa linha de raciocínio que flue por suas veias, na batida desenfreada do coração. Luta contra essas sensações, pois fora criado para ser frio. Sentimentos são perigosos, te tornam fraco, mas ele pensa freneticamente no que vê... O moreno dançando à sua frente...
"Merlin me ajude... Se continuar assim, não vou conseguir me segurar... Onde ele estava com a cabeça para por essa roupa? A calça branca marcando o traseiro... Oh! Isso é insultante!" – Jamais se perdoaria se Harry descobrisse que está obcecado por ele. Coloca-se então de costas para o moreno, evitando assim olhar para ele, acompanhando o ritmo da música, deixando se envolver, seus quadris remexendo na sensual cadência.
- ...! – Potter fica alguns minutos ainda observando o loiro de costas para ele. Draco fez de propósito, não? Por que... Pelos deuses! Ele dançando assim apenas piora sua situação.
"Não consigo desviar os olhos do balanço desses quadris... Dançando assim está me dando idéias... Humm... Ah! Que vontade de agarrar... De apertar... Puxá-lo pelos cabelos loiros e morder essa boca... Ah! Eu não posso fazer isso, não..."– Harry tenta, mas não consegue mais se controlar, mas talvez nem mesmo quisesse fazê-lo na verdade...
Segura-o pelo braço e puxa com força até que fique de frente para ele, rapidamente coloca a mão em sua cintura, sob a camisa toda aberta, que expõe completamente o abdômen e o tórax de pele de alabastro, seus dedos finos se esgueiram até o cós da calça preta de cintura baixa. Sente a pele macia e o toque deixa os dois arrepiados. Com a proximidade Harry pode sentir o perfume delicioso que tem o corpo do loiro, enlouquecendo seus sentidos, aumentando a intensidade de seus movimentos.
Assumindo uma atitude mais agressiva, o moreno se aproxima ainda mais, tocando a cintura de Draco com sua outra mão, enlaçando-o e colocando uma de suas pernas entre as do loiro, que engole em seco, sentindo-se invadido, mas aquilo o agradando imensamente.
Malfoy começa a movimentar os ombros de forma sensual, o que destaca a beleza de seu tórax, faz Potter se aproximar ainda mais e os quadris se moverem conforme o ritmo da música.
Harry segura firmemente a cintura dele, aproximando o rosto do belo pescoço, aspirando ainda mais o perfume entorpecedor e sente quando Malfoy coloca as mãos por dentro da camiseta do moreno, passando as unhas levemente sobre o abdômen definido.
"A vontade que tenho é de agarrá-lo aqui mesmo, arrastá-lo para um canto qualquer e devorá-lo todinho..." – Harry já não contém seus pensamentos, admitindo, no momento, para si mesmo, seus desejos.Os movimentos lânguidos, sensuais, cadenciados, apenas o atiçam mais. Eles se movem juntos, como se fossem um só e a música continua a rolar, aumentando a atmosfera de sedução.
Depois de algum tempo os dois estão tão próximos que sentem que em vários instantes suas peles se tocam, fazendo que se arrepiem. Os lábios de Harry quase tocando o pescoço alvo, evitando o contato de forma excitante. Provoca o loiro, que se aproxima ainda mais, como se exigisse que o moreno tomasse sua pele em uma mordida arrebatadora e pensar nisso o excita.
A respiração dos dois vai ficando cada vez mais ofegante. Há muito tempo essa dança deixara de ser uma encenação, ou talvez nunca tenha sido, afinal, seus corpos se tocam num roçar constante, dissipando arrepios por ambos os corpos. Afastam-se por alguns instantes, descrentes do ponto a que chegaram, um ponto sem volta. Em suas mentes um pensamento em uníssono só diz "o que estamos fazendo?"... Mas já é tarde.
Os quadris se roçam, ondas de eletricidade percorrendo os corpos dos dois, a respiração deles se torna descompassada, os dedos do loiro percorrem levemente os braços de Harry numa carícia leve e o moreno enlaça a cintura de Draco com mais força, aproximando-os ainda mais, os rostos quase se tocando. Quando a música romântica se inicia, os olhos se encontram novamente, carregados de desejo e suspiros prazerosos saem de seus lábios entreabertos.
Eu me pergunto como eu agüentei isso um dia...
Como eu me habituei em um mundo de máscaras cinzas?
Quando você vai em círculos toda a vista parece a mesma.
E você não sabe por quê, então eu olhei em seus olhos...
O mundo se pôs de frente a mim... E eu descobri!
Cada palavra da música parece estar completamente nos olhos dos dois. Suas vidas e seus sentimentos colocados em palavras que penetram em seus íntimos e isso faz com que as últimas barreiras que ainda os detém caiam por completo. Os rostos estão tão próximos que podem sentir o calor de suas respirações, mas isso não parece o bastante...
Harry então se aproxima devagar, langorosamente, seus lábios tocando os do loiro delicadamente, sentindo o calor e a deliciosa textura deles, inebriando-se com o perfume... O ínfimo gosto... Se afasta um pouco, observando se aqueles olhos cinza de alguma forma evitam esse toque, mas só vê que eles o desejam, então volta a tocar aquela boca vermelha, agora com mais força, com mais ânsia, sendo prontamente correspondido.
Eu nunca vivi antes de seu amor!
Eu nunca sentia antes de seu toque...
Eu nunca precisei de alguém para me sentir vivo!
Mas, mais uma vez, eu não estava vivendo totalmente...
Eu nunca vivi antes de seu amor!!!
O beijo vai ficando cada vez mas intenso. Os braços do moreno enlaçam Draco mais forte pela cintura, suas mãos tocando suas costas sob a camisa, numa carícia sensual e romântica, enquanto o loiro, ligeiramente mais alto, o abraça pelos ombros, sentindo-o cada vez mais próximo.
Uma das mãos de Harry sobe devagar por cima da camisa, chegando até a nuca, tocando os cabelos loiros, macios e sedosos, deliciando-se por tê-los entre seus dedos e percebe que seu toque suave causa um leve tremor no outro, que então abraça o moreno com mais força, abandonando seus lábios para então beijar seu pescoço com luxúria, fazendo com que ele gemesse ainda mais forte.
Eu quis mais do que apenas uma vida normal.
Todos meus sonhos pareceram como castelos no céu!
Eu estou diante de você e meu coração está em suas mãos...
E eu não sei como... Eu sobrevivi sem o seu beijo!
Porque você me dá uma razão para existir.
Novamente se beijam com paixão, mas logo os lábios se separam por alguns instantes, deixando-os respirar. Harry então começa a morder o peito forte, enquanto a cabeça loira se projeta para trás, sentindo uma eletricidade incontrolável se apossando de seu corpo, bem como um calor agradável, quase perdendo a consciência.
Jamais se sentiu assim em sua vida, mas definitivamente ama o que Harry o faz sentir. Quer que ele o possua como nunca desejou que alguém fizesse em sua vida e esquecendo-se de onde está, volta a fitá-lo e puxa a boca deliciosa novamente para si, tomando-a dessa vez com tanto amor que até dói.
Eu nunca vivi antes de seu amor!
Eu nunca sentia antes de seu toque...
Eu nunca precisei de alguém para me sentir vivo!
Mas, mais uma vez, eu não estava vivendo totalmente...
Eu nunca vivi antes de seu amor!!!
Tanto Harry como Draco já não sabem como puderam viver tanto tempo sem sentir esse calor. Aquilo que os une neste momento os completa, afasta a solidão que os fizera sofrer por tanto tempo, como se estivessem esperando um pelo outro. No entanto, essa descoberta desperta uma dor intensa, que assume seu lugar em seus corações, pelo simples fato de que perceberam que não podem viver separados! Ambos se querem... Se amam! Desejam a boca, o corpo, o espírito... São um do outro.
E eu não sei por quê...
Por que o sol decide brilhar...
Mas você respirou seu amor dentro de mim bem em tempo!!!
As mãos de Harry percorrem aquela pele macia, descobrindo seus segredos, suas sensações, as reações que arranca do outro e as do loiro encontram aquilo que desejara quando vira aquela calça branca, descobrindo o contorno das nádegas, sua maciez e firmeza. Os dedos do moreno descem então para as coxas torneadas, percorrendo-as, descendo até a parte interna delas, ouvindo um ôfego deixar a boca de Draco com seu movimento e isso apenas o atiça mais, seus lábios agora se devorando com ainda mais ânsia.
Eu nunca vivi antes de seu amor!
Eu nunca sentia antes de seu toque...
Eu nunca precisei de alguém para me sentir vivo!
Mas, mais uma vez, eu não estava vivendo totalmente...
Eu nunca vivi antes de seu amor!!!
A música vai chegando aos seus últimos acordes, mas seus corações descontrolados nem sequer percebem, continuando com os beijos apaixonados. Só querem estar ali! Não existe mais nada no mundo além deles e seus corpos vão revelando a grande excitação que isso lhes causa. Querem um ao outro apesar de tudo... Do passado... Do presente... Do futuro!
Mas um toque os desperta. Se afastam devagar e vêem o guarda parado ao lado deles... E então a verdadeira razão de sua presença ali volta, tirando-os daquele sonho, deixando-os atordoados por um instante. Suspiram desanimados, sabendo que talvez nunca mais voltem a ter um momento assim. Harry abaixa a cabeça, ainda abraçado a Draco, os lábios do loiro tocando sua testa, enquanto tentam acalmar suas respirações.
- Vocês foram escolhidos para o "Círculo da Morte". O patrão gostou de vocês! Venham comigo. – O guarda diz, com um sorriso malicioso nos lábios.
Eles se afastam e se olham com apreensão. O momento que temiam chegara. Desejam que não seja verdade, mas sabem que não adianta. Olham para o homem e seguem em silêncio, já recompostos.
ooOoo
Olhos violetas estão fixos no prédio do armazém. Espera apreensivo pela volta de Yohji e Ken, que procuram uma entrada para penetrarem no local. Não consegue tirar aquelas lágrimas da cabeça. O seu garoto estava triste, na verdade, decepcionado com ele e a culpa é totalmente sua.
Em um momento tão difícil quanto esse, diante de uma missão tão complicada e perigosa, ele, o espadachim frio e implacável, fraquejou diante das duas safiras. E finalmente percebera que seu sentimento é mútuo. Podia ter dito o que realmente sente, abraçando e confortando o garoto antes que partisse. Como deseja que o tempo pudesse voltar atrás...
"E se ele não me perdoar?" – É o pensamento que permeia sua mente... Ou pode acontecer coisa pior...
Lutando contra esse pensamento, Aya percebe a presença de um homem na lateral do prédio em frente ao armazém. Olha atento e percebe o terno antigo, desalinhado, uma vestimenta inadequada para os dias de hoje, mesmo para alguém totalmente alheio à moda. Mas o ruivo já vira roupas como essas e isso o deixa curioso. Sua avó e seus amigos sempre se vestiam assim, como se estivessem vivendo no século errado... No entanto, o que aquele sujeito estaria fazendo ali? Seria um aliado do mafioso Yashiaki ou estaria ali com o mesmo objetivo que os trouxera?
O espadachim se aproxima devagar, silencioso como um gato, e se coloca logo atrás do homem. Ele não parece estar de vigia, mas percebe o nervosismo em suas mãos levemente trêmulas e decide se apresentar, tomando o máximo de cuidado para não assustar o bruxo de meia idade. Coloca-se ao seu lado e vê que só então o homem percebe sua presença.
- ...! – O auror se assusta, mas a expressão calma e o olhar do ruivo na direção do armazém o tranquiliza quanto a suas intenções.
- O senhor está esperando alguém? – O ruivo faz a pergunta, mas seu olhar não muda de direção e há frieza em sua voz.
- Bem... Ahn... Meus... Sobrinhos. – Goldsmith se irrita com a própria inabilidade em improvisar. – E você?
- O senhor é bruxo, não é? – A pergunta do Weiss pega o homem de surpresa.
- O quê? – O auror se alarma. Como aquele rapaz...
- Notei suas roupas. Deveria ajustar-se aos trouxas quando está no mundo deles. – A voz de Aya é impassível como sempre.
O homem o observa com cuidado, a forma direta de sua fala contrasta com a falta de emoção em seu rosto... Muito intrigante! O rapaz alto a seu lado não parece um dos servidores de Yashiaki, então o que ele pode querer? Quem pode ser ele?
- Você é trouxa. Como sabe de... Nós? – Pergunta, ainda defensivo.
- Minha avó era uma de vocês e eu teria sido se meu pai tivesse deixado. – O homem continua desconfiado, mas olha o rapaz com curiosidade.
- Por que está me contando isso? – Aya ouve o questionamento.
- Você está aqui numa missão. – O auror se assusta, pois percebe que o ruivo não pergunta, ele afirma.
"Quem é esse rapaz?" – Questiona-se cada vez mais atordoado e curioso.
- Não lembro como minha avó falava que homens como você eram chamados, mas perseguiam os servidores daquele 'bruxo mau' que aterrorizou o seu mundo e ameaçou o nosso. Ela estava afastada, mas se mantinha informada. – Finalmente os olhos violeta se voltam para o auror de meia idade.
"Ele realmente sabe de muita coisa." – Surpreende-se Goldsmith.
- Você e algum jovem bruxo estão aqui pra pegar o Yashiaki? – A pergunta é feita de maneira séria e exige uma resposta do mais velho.
Ashler percebe então a ponta da katana aparecendo sob a barra do casaco preto e se arma, o ruivo não está sendo sincero com ele. E todo esse interesse... Coloca a mão no bolso de dentro do sobretudo e saca da varinha, apontando-a para o jovem espadachim com uma rapidez impressionante.
- Infelizmente seu interesse não é saudável para a minha missão. – Antes que qualquer feitiço possa sair de sua boca, sua mão é envoldida por um forte fio, que lança a varinha longe e corta sua pele. Tenta se soltar, mas a força que faz só aumenta a resistência.
- É melhor não se mover... Se não quiser se machucar. – Yohji vai se aproximando, sem afrouxar em nenhum momento a tensão do fio que sai de seu relógio e Ken também se aproxima, ficando ao lado dele.
- Quem são vocês? – Pergunta, seu coração disparando ao se ver desarmado, sentindo o fio cortar sua carne, causando uma fina dor que o atordoa.
- Viemos aqui fazer a mesma coisa que você. Esse mafioso, bruxo, seja o que ele for, é o nosso alvo. Vamos matá-lo. Um dos nossos está lá dentro. – Faz sinal para que o loiro solte a mão já ferida do bruxo, enquanto pega a varinha que caíra próximo de seu pé e sem demora, entrega de volta a seu dono.
O auror então observa melhor o estranho grupo. Jovens demais para serem assassinos... Mas sente em sua pele que não estão ali brincando. São pouco mais velhos que os rapazes que enviara para a missão. Realmente impressionante!
- Os bruxos daqui pediram ajuda para nosso Ministério. Esse comensal da Morte... – É cortado pelo jovem de madeixas castanhas, que tem como arma longas garras.
- Comensal o quê? – O vê erguendo uma sobrancelha e percebe que não adianta usar a terminologia do seu mundo.
- ... Esse 'bruxo das trevas' já causou muito estrago e agora está se estendendo ao mundo de vocês. Isso é muito perigoso! Essa droga, como vocês chamam, é uma poção poderosa. Esse homem é extremamente perigoso.
A menção ao perigo que representa faz o ruivo tremer pela primeira vez desde que a missão começou. Omi está ali na toca do lobo e precisam ajudá-lo, olha para os seus companheiros com expressão preocupada, mas o desânimo dos dois não o faz se sentir melhor.
- Então agora que precisamos entrar mesmo. Conseguiram encontrar um ponto de entrada? – Olha para o loiro que acena negativamente com a cabeça.
- Pontos de entrada até existem, mas não conseguimos entrar de forma alguma. – É Ken que responde, adiantando-se, muito preocupado.
- Vocês nunca vão entrar... – Goldsmith se sente mais a vontade, pois a ação passa a entrar no terreno que conhece muito bem.
- Por que diz isso? – Yohji pergunta assim que o auror pronuncia as palavras.
- Esse prédio está cercado por dois feitiços que limitam a minha ação e a de vocês. Uma restrição de idade, que barra completamente aqueles que forem mais velhos, por isso não conseguiram entrar, e um que barra fetiços de entrar ou sair. – Explica com calma.
- Mas que merda! – Ken pragueja ao perceber que não poderão ajudar Omi.
- Acredito que lá dentro possam ser usados, afinal há outros bruxos com ele, mas devem impedir que saiam do prédio. Se não fosse isso meus garotos poderiam usar um feitiço para sair. – Suspira, desejando que Harry e Draco apareçam logo...
Aya avança na direção do armazém, devagar, mais preocupado do que nunca com Omi. Aquela situação é inaceitável, mas está acontecendo para seu total desgosto... Os três não podem fazer nada para ajudá-lo e ele vai se envolver no "Círculo da Morte"...
"Eu não deveria tê-lo deixado ir. Devia tê-lo segurado comigo quando pude." – Se repreende mentalmente.
- E o que podemos fazer? – Continua a olhar para o prédio, pensamento perdido no pequeno de cabelos dourados.
- Só podemos esperar. – Goldsmith diz resoluto, esperando que Potter e Malfoy obedeçam suas ordens ou estará altamente encrencado com o Ministério. Afinal, enviar dois alunos para uma missão perigosa recebe uma das penalidades mais rigorosas para um orientador. Perderia tudo o que conquistara com seu trabalho. Treme, pois não acredita que o maldito garoto loiro vá fazer o que ordenou.
"Por que diabos aceitei trazê-lo? Queria vê-lo morto pelo que o pai dele fez a minha esposa. O sangue fala mais alto." – Rosna mentalmente.
Os Weiss ficam todos juntos, um ao lado do outro, observando impotentes o prédio a sua frente. Odeiam quando estão assim, de mãos atadas. E pior, o chibi está em risco e nada podem fazer.
- O garoto vai encontrar um jeito de sair. Ele é o mais esperto de nós. – Yohji coloca a mão no ombro do ruivo, sabendo muito bem o que ele sente.
- Mas ele é minha responsalidade... – Os olhos violeta se tornam tristes, brilhando com a luz da lua. - ... Ele é meu amor! – Sussurra para si mesmo.
ooOoo
Noboru Yashiaki está sentado em seu 'trono', como costuma chamar a confortável poltrona em que se senta para observar os jovens pelos terminais do circuito fechado. O bruxo de cerca de cinquenta anos, um tanto acima de seu peso ideal e cabelos grisalhos, acomoda-se melhor para observar.
O momento da escolha do "Círculo da Morte" é o ponto alto para ele. Os jovens ansiosos para se oferecerem, desejando estar próximos, sem nem sequer imaginar o que planeja. Se diverte muito ao ter todos aqueles garotos em sua cama, onde pode fazer o que quiser, aqueles olhinhos fascinados pelo seu poder apenas o excitam. Se soubesse que era tão bom aproveitar da credulidade e ambição dos trouxas, teria feito isso antes. Acomoda-se em seu 'trono' e espera a chegada dos escolhidos. E dessa vez tem uns casos especiais, com os quais vai poder se divertir muito. Sorri sozinho.
Alguns guardas acompanham seis garotos até suas acomodações privativas, onde uma imensa cama redonda está diante dos terminais, tendo ao lado o 'trono', de onde Noboru os observa entrar. Eles são colocados em fileiras de três, de cada lado da imensa poltrona. O homem se levanta devagar e anda na direção dos escolhidos.
- Vocês tiveram o privilégio de serem escolhidos para fazerem parte desse meu grupo seleto. Só os melhores conseguem ficar tão próximos. – Ele sabe como esse discurso causa ótimo efeito nos impressionáveis trouxas, que se sentem especiais.
Os três garotos, que de nada sabem, suspiram felizes com essas palavras.
- Mas essa noite foi surpreendente. – Anda até Omi e fica diante dele.
- ...! – As esferas azuis se erguem para observá-lo e Omi engole em seco, pois percebe a luxúria naqueles olhos estranhamente verdes.
"Espero que eles venham logo..." – Sente medo deste homem como nunca sentira antes em uma missão.
- Tem certeza que não tem menos de dezessete anos? Você não parece ter mais de quatorze... Mas aquela sua dança... Onde aprendeu a dançar assim? – Sorri para ele com malícia, passando a língua pelos lábios.
- É entrar no ritmo da música... – Omi responde, mas percebe que não era necessário. Yashiaki só olha para o seu corpo, nem mais o nota e da mesma forma que chegou a ele o homem se afasta e passa para o outro lado e encara os dois jovens ingleses a sua frente.
- E vocês dois? Até pedi para o guarda esperar um pouco, pois queria aproveitar até o fim o show que vocês deram. – Sorri malicioso.
- ...! – Os dois evitam se olhar, envergonhados por terem se deixado levar dessa forma e em público.
- Mas estou lisonjeado pelo Ministério ter se importado comigo ao ponto de enviar alguém pra me investigar. – Diz, agora mais sério, fitando-os profundamente.
À menção do Ministério, o sangue nas veias deles gela. Já não são jovens inocentes neste joguinho de poder, mas inimigos com quem o bruxo mais velho quer brincar. Ficam paralisados por alguns instantes sem saber como reagir diante dessa revelação, até que Draco esconde o braço esquerdo atrás das costas e se move, para então encarar o homem que já ia se afastando.
- O que o Primeiro Ministro da Inglaterra tem a ver com nossa vinda a sua rave? – Diz com uma expressão de surpresa inocente, que assusta até a Harry.
"Como ele consegue ser tão dissimulado!?" – Harry se pergunta, sem deixar transparecer em sua face, sua surpresa ante as palavras do loiro.
- ...! – Yashiaki, por sua vez, retorna e o encara bem de perto e procura em seus olhos algum sinal dele estar mentindo.
- Somos turistas e nos falaram muito bem dessas suas raves. Finalmente alguma coisa decente nesta cidade, pois até agora tem sido muito chato. – Comenta, fazendo cara de tédio para mostrar como está 'chateado com essa cidade'...
Noboru sorri. Ou o garoto fala a verdade ou... Ele mesmo mente desta maneira sem problemas. Mas ele é jovem demais para já ter sido um comensal da morte. Desiste de tentar entendê-lo, pois sua diversão está apenas começando. Volta-se e fica no centro do grupo de escolhidos.
- Não sei se vocês sabem, mas muita gente já tentou se infiltrar nesse grupo para me prender, me matar ou... Por isso existem alguns truques de segurança. – Começa a falar.
Os garotos trouxas apenas murmuram entre si.
- Primeiro, este prédio está cercado por um feitiço de restrição de idade, que impede qualquer adulto de entrar aqui, seja por onde for. – Diz com calma e há certo prazer em sua voz ao pronunciar as palavras.
Os olhos do loirinho se abaixam, pois percebe que sua ajuda nunca virá.
- Segundo, há um outro feitiço que permite o uso de magia aqui dentro, mas nenhuma pode sair ou entrar. E terceiro... – Omi fica apenas ouvindo, pensando no que pode fazer sozinho, quando percebe o movimento de Yashiaki.
O homem caminha até diante de Omi. Fica parado diante dele, que levanta os olhos e os dois se encaram. De repente, Yashiaki segura os dois pulsos do garoto com força. Ele tenta resistir, mas a força de seu oponente, apesar de fora de forma, é descomunal.
- ... Há um detector de dispositivos eletrônicos... Transmissores, localizadores, coisas do gênero... Infelizmente seus amigos não vão poder ajudá-lo agora. – O homem o toma em seus braços, seu corpo pequeno saindo do chão com sua força.
Harry faz menção de sair em ajuda ao loirinho, mas Draco o segura discretamente pelo braço e os dois se olham. Há raiva nos olhos verdes. O loiro não pode se omitir como sempre fizera durante toda sua vida, mas os olhos de Malfoy estão carregados de medo. O mesmo medo que vira naquela noite em que poupara sua vida. Se o moreno fizer qualquer movimento para defender o garoto, seus disfarces serão descobertos.
- ...! – Potter ajeita os óculos e abaixa a cabeça.
- Mas matar você seria muito fácil! Então vai ter o prazer de experimentar a droga que tanto quer combater. – Omi se debate em seus braços com desespero, apesar de estar bem claro que é inútil.
"Maldito!" – Omi rosna mentalmente, a imagem de Aya vindo-lhe a mente, mas sabe que ele não pode salvá-lo.
Um dos capangas do mafioso traz para Yashiaki uma seringa cheia de um líquido amarelado. Os olhos de todos estão pregados à cena, reparando em cada detalhe e nada fazendo. O homem lentamente aplica o conteúdo no braço do arqueiro, que rapidamente sente seu corpo amolecer.
"O... O que está acontecendo?" – O pequeno se pergunta, começando a sentir os efeitos da droga.
- Infelizmente, a quantidade que lhe dei é demais para alguém do seu tamanho, então não sei se vai conseguir suportar. Pena, você é um garoto muito bonito, podia me divertir muito com você. – Sorri maldoso.
O corpo pequeno cai e fica no chão tremendo com cada vez mais força. Todos o olham, desejando fazer algo, mas sem coragem para tal. Seus gritos de dor e desespero ecoando pela sala, em um tormento incomparável.
Isso vai além da resistência de Harry, que corre até ele e o envolve com seus braços, para então olhar para Draco e desaparecer. A rapidez do movimento impedira qualquer reação, mas faz com que imediatamente Noboru se volte para o jovem loiro, que logo é imobilizado por dois dos guardas. Ele se aproxima e encara com raiva os olhos cinza.
- Então eu estava certo! – Vasculha as roupas de Draco e encontra sua varinha muito bem disfarçada na costura da camisa. Aproxima-se e puxa a cabeça dele para trás segurando forte os cabelos em sua nuca.
Draco apenas trinca os dentes quando sente seus cabelos sendo puxados.
- Eu devia matá-lo agora mesmo. Você tentou me enganar. – Diz o bruxo, irritado.
- Eu não tentei. Eu o enganei! – A expressão dele é desafiadora. Agora não tem mais nada a perder.
Yashiaki aponta a varinha para o rosto do rapaz, que adota uma postura cada vez mais arrogante.
- Exijo ser tratado com a distinção que mereço. Minha família é das mais importantes. – Draco diz em sua arrogância característica.
- Que família distinta é essa que o deixa trabalhar para o Ministério? – O tom da voz é irônico, mas a expressão revela sua irritação.
- Nós, os Malfoys...
- Você é Draco Malfoy?! – Os olhos do homem brilham, sua feições revelando satisfação.
Draco se arrepia e teme que revelar seu sobrenome possa ter sido um erro.
- Então tenho o 'traidor' nas minhas mãos? Você só não é mais odiado que Harry Potter. – Ri o ex-Comensal.
A surpresa fica estampada nos olhos do loiro, que não tinha idéia da dimensão que esta situação assumira. Tenta se mover, mas está bem imobilizado, olha com arrogância para o homem, tentando deixar claro que não o teme, mas isso atiça ainda mais a raiva nos olhos do ex-comensal, que novamente o segura pelos cabelos e força os olhos cinza a encararem os seus diretamente. Nesse instante há um vislumbre de inspiração e Noboru começa a gargalhar.
- Espera um instante... Se você é... O outro garoto é... – Os olhos do homem faíscam de prazer. Pensa nas possibilidades se tiver o 'salvador do mundo'. – Então foi por isso que traiu sua família? Por sexo? E com Harry Potter?
Os olhos de Draco estão cada vez mais arrogantes. O ódio estampado em sua expressão. Não espera que nenhum dos servidores do Lorde das Trevas consiga entender seus motivos e não perde tempo tentando explicar, mas essas insinuações o irritam. Não entende muito bem o que sente por Harry, pois nunca sentiu nada igual, mas não é apenas sexo... E nada tivera a ver com sua decisão.
"Sou muito mais inteligente do que isso." – Diz mentalmente.
- Mas você vai se redimir me ajudando a pegá-lo. Afinal, você já foi um de nós. – Puxa seu braço esquerdo e vê a tatuagem reveladora. O garoto nunca pensara em tirá-la, pois está sempre ali para lembrá-lo da difícil decisão que tomara.
- Eu não vou fazer isso. – Seus cabelos loiros são puxados com mais força, o rosto dos dois tão próximos que pode sentir o hálito do mafioso.
- Você é um idiota mesmo! Ele o abandonou aqui... Nas minhas mãos. Por que você deveria ser leal a ele? – O homem quase grita, enquanto amarra as mãos do rapaz nas costas, mais irritado do que nunca com o olhar do jovem aristocrata.
- Ele fez o que devia e... Por acaso você sabe o que é lealdade? Não é a mesma coisa que medo. Não era isso que os mantinha fiéis a Ele? – Satisfeito por irritá-lo.
- Se não quer ajudar então vou ter de usá-lo como isca. E julgando pelo calor dos dois juntos, tenho certeza que ele vai tentar resgatá-lo. – Fala resoluto.
Draco fica calado, pois sabe que o outro está certo.
- Mas isso não quer dizer que não possa me divertir com você até lá. E esse olhar arrogante vai deixar de existir. – As palavras saem com um sádico prazer, seus olhos verdes faiscando com as idéias que permeiam sua mente.
Noboru Yashiaki empurra o garoto sobre a cama, as mãos amarradas naquela posição lhe causam muita dor ao cair sobre o colchão. O homem fica olhando para ele ali, sobre a cama, indefeso, mas ainda assim... Volta-se para os guardas.
- Tirem estes outros garotos daqui. Ele não pode ter saído do prédio. Quero que o procurem. Dou um prêmio a quem o trouxer. - Volta a olhar para o loiro.
- Sim, senhor! – Dadas as ordens, os guardas tiram os outros três garotos da sala e vão a procura do jovem bruxo... E daquele que está nos braços dele.
- E você vai ter que assistir ao momento em que vou matá-lo e me tornar o bruxo mais poderoso de todos. Maior que Voldemort! – Diz Yashiaki, passando a lígua nos lábios, olhando Draco de maneira sádica e perversa.
Continua...
ooOoo
Este capítulo chega exatamente no dia do aniversário de Draco Malfoy, o loiro que seria apenas um coadjuvante nesta fic, mas devagarinho tomou conta e acabou se tornando o protagonista. E neste capítulo as coisas mais do que esquentam, além de sermos apresentados ao Comensal da Morte que tanto deseja ser maior que Voldemort. E finalmente os dois mundos se cruzam, com os Weiss encontrando os bruxos e depois disso tudo é possível.
A música que embala a sensual dança de Harry e Draco é "Before Your Love" de Kelly Clarkson. E vai se mostrar importante ao longo de toda a fic.
Sinceros agradecimentos e beijos a minha beta Yume Vy, por seus deliciosos comentários e sugestões. Sua betagem vale a pena, mesmo que vc viva me dizendo que demora demais. Te adoro, amore.
Beijos agradecidos aos reviews de Felton Blackthorn, Ana Granger Potter, Kiara Salkys, biaski, Sy.P e Babi-chan. Desculpe a demora na atualização, mas espero que valha a pena a espera.
Um super beijo especial a minha amiga do coração Samantha Tiger Blackthorn, que afinal é a presenteada com essa fic. Sinto sua falta, coração.
05 de Junho de 2007.
00:33 AM.
Lady Anúbis
