Antes de tudo, uma explicação:
Queridos leitores, a história Sonhos de Cinderela vai seguir a idéia original, eu só dei uma incrementada nas falas e acrescentei algumas cenas que eu achei necessárias para o desenrolar da continuação, da mesma forma que a Chamas do Dragão vai continuar no mesmo enredo. Prometo que a minha nova história Pétalas da Esperança, e uma outra que eu ainda não criei o título vão seguir outras linhas.
Espero que compreendam, beijos carinhosos!
Melzinha
Sonhos de Cinderela
Por Mel
Capítulo II
O brilho dos seus olhos
O dia amanheceu mais frio. Atípico para região e estranho considerando a época do ano. Hong Kong costumava ser ponto de muito calor, poucos chineses estavam preparados para a baixa da temperatura, principalmente quando o dia anterior fora o mais quente do ano. O aquecimento global estava, definitivamente, alterando o clima da terra.
Syaoran revirou-se um pouco na cama. Queria mandar as aulas para bem longe e descansar um pouco. Treinara tanto no dia anterior que sentia dor em cada músculo. Abriu os olhos vagarosamente para deparar-se com Lyu Ma dormindo tranquilamente em sua cama. Sentiu um aperto inexplicável no peito. Depois de uma noite com uma mulher bonita, o ideal seria se sentir realizado, mas...Seu coração estava aflito. Por quê?
Fechou os olhos e respirou fundo. Deveria estar enlouquecendo. Seria o stress das empresas misturado com essa decisão maluca que o clã o está fazendo tomar. Revirou-se na cama despertando a garota.
Lyu Ma (Manhosa): "Já acordou, garotão?".
Syaoran (Levantando-se): "Faz um tempo. Já estamos atrasados, sabia?".
Lyu Ma: "E quem liga para isso?".
Syaoran: "Eu ligo.".
Lyu Ma (Sorrindo maliciosamente): "Você é sempre tão responsável...Ah...Vamos ficar mais um pouquinho, vai?".
Syaoran (Livrando-se dos braços dela); "Não dá...Já está tarde. Detesto perder aulas...".
Lyu Ma (Vencida): "Está bem...Mas depois eu quero mais, hein?".
Syaoran: "Tudo bem...Mas é melhor irmos. Não quero que nos vejam juntos. Isso pode gerar boatos.".
Lyu Ma: "Está com medo de que? Descobrirem nosso caso?".
Syaoran: "Não sou homem de ter medo e muito menos de ter caso fixo com alguém. Você já deveria estar acostumada. Eu nunca quis compromisso".
Lyu Ma (Sentida): "Eu sei disso"
Syaoran (Entrando no chuveiro): "Agora anda rápido. Não vou me atrasar por sua causa".
Ela levantou-se resignada deixando uma lagrima de ódio escorrer pelo rosto branco, secou rapidamente com a palma da mão. Ainda conquistaria o coração de Li, tinha certeza disso e seu maior sonho se realizaria: Ser a matriarca do clã mais influente da China e cumprir a sua missão. Deitou-se novamente lembrando-se do que fora preparada para fazer em prol de seus ideais, se necessário arrancaria o coração do peito e se faria de objeto sexual todos os dias se isso significasse vingança. Olhou para o relógio, estava cedo ainda, cinco minutos a mais não fariam diferença.
O despertador começou a enlouquecer novamente. Estava programado para tocar de dez em dez minutos após a hora marcada e pela quarta vez manifestava seu barulho. Era impressionante a capacidade que Sakura tinha de se acostumar ao ruído ambiente.
Sakura (Tentando apertar o botão do aparelho, de olhos fechados): "Para de tocar coisa, chata! Eu já escutei...".
Lutou alguns minutos com a coberta, debatendo-se na cama. Parecia uma criança mimada brigando para não ir tomar banho. Levantou a cabeça, completamente descabelada e encarou feio o objeto.
Sakura (Pegando o despertador): "Eu ainda vou acabar com você!" (Bocejou, deixando o aparelho na cômoda).
Espreguiçou-se demoradamente. Não estava acostumada com aquele colchão. Suas costas pareciam reviradas. Mais tarde, no dia anterior passou no restaurante para pegar seu uniforme de trabalho, discutiu alguns detalhes com a senhora Tyng e hoje mesmo, após a aula, começaria sua jornada produtiva. Estava muito empolgada para conhecer pessoas novas e ajudar aquele casal de velhinhos que faziam as coisas com tanto amor.
Pegou um livrinho aberto em cima da cômoda.
Sakura (Passando a mão na capa): "Bíblia sagrada"
Respirou fundo, lembrando-se de Tomoeda. Abriu em uma página qualquer e acendeu o abajur. Não sabia o porquê seu pai sempre lhe dizia que Deus a amava. Será que Deus não percebia que ela precisava dos pais ainda? Que levar sua mãe quando ela era um bebê, ou mesmo seu pai sem vê-la formar-se era maldade? Lembrou-se de seu pai ensinando sobre o amor. Folheou mais um pouco o livro até encontrar o que queria.
Sakura (Lendo alto): "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine".
Respirou fundo. Será que haveria uma chance para ela? O que era esse amor que trazia a esperança?
Sakura: "E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria."
Amor! Ela não conhecia seu real significado. Nunca dissera 'eu te amo' para alguém que não tenha sido de sua família. Mas sentia em seu coração a falta de alguém que a valorizasse como mulher. Talvez seu príncipe encantado estivesse em algum lugar escondido... Procurando por ela.
Sakura: "E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria". (Limpou uma lágrima solitária)
Jamais tocara em um homem. Já fora cortejada muitas vezes mas algo em seu interior dizia para esperar a pessoa certa. Seu irmão era muito ciumento e usava isso de desculpas para se livrar dos relacionamentos.
Sakura: "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.O amor nunca falha"- I Coríntios 13.
Jogou-se novamente na cama. Sua vida não tinha sido em nada, fácil! Eram lutas após lutas. Um leão por minuto. Todo o dia levantava-se cedo para ajudar o pai doente. Preparava as aulas de arqueologia, para facilitar o trabalho de Fujitaka e agendava alguns clientes para Touya, recém pós-graduado em biomedicina.
Arrumava a casa, estudava para o teste da bolsa e ainda arranjava um tempinho para trabalhos voluntários na pediatria do hospital. Sentia falta das suas crianças. Quando o pai morreu, sentiu seu mundo desabar. Foram elas, aquelas pequenas criaturinhas cheias de vida que fizeram aos poucos seu sorriso se fortalecer novamente.
Para ajudar, hoje era o aniversário de três anos de morte do pai, e isso causava uma angústia muito grande no coração da bela jovem.
Releu a última frase da Bíblia.
Sakura: "O amor nunca falha".
Um dia encontraria alguém que a amasse. Tinha certeza. Seu pai não a deixaria desamparada. Olhou a hora e resolveu se muitíssimo atrasada.
Sakura (Completamente sem fôlego):"Eu sabia, eu sabia!É a famosa lei de Murphy!Vou chegar atrasada no meu primeiro dia de aula!".
O terceiro sinal tocou e nada da menina encontrar sua sala. Aquela faculdade era enorme. Tropeçou em umas cinco pessoas, antes de deixar a bolsa cair no chão. Suas canetas espalharam-se por todos os lados.
Sakura (Desanimada): "Essa não...O que mais falta me acontecer?".
Syaoran (Rindo): "Você é sempre atrapalhada assim?"
Ela não precisava levantar a cabeça. Sabia muito bem quem era. Aliás o encontro deles fora tão estranho que sonhou com o rapaz a noite inteira. Não era mais uma adolescente boba para ter esses picos emocionais.
Sakura: "Eu e minha boca grande...".(Fitou Li séria) "Perdi a hora".
Syaoran (Sorriu maliciosamente): "A noite foi tão boa assim?"
Sakura (Constrangida): "Isso não é da sua conta...".
Abaixou-se para pegar algumas canetas, evitando olhar para o chinês. Aquele sorriso debochado lhe dava nos nervos.
Syaoran (Provocando): "Mal chegou e já arrasando os corações dos pobre chineses".
Sakura: "Eu não estou arrasando o coração de ninguém..."(Provocou de volta) "E o que eu faço ou deixo de fazer durante a noite é problema meu".
Syaoran (Sorriu de lado): "É mesmo e na verdade não me interessa".
Sakura: "Sei...você que deve ter tido o coração 'arrasado' durante a noite e fica jogando a culpa para cima de mim"
Syaoran (Sério): "Ninguém arrasa o meu coração, Kinomoto...".
Sakura (Revirando os olhos): "Ah esqueci que você é o todo-poderoso. Foi mal" (Olhou para o relógio) "De qualquer forma, você está tão ou mais atrasado do que eu.".
Syaoran (Vermelho): "Isso sim que não é da sua conta".
Sakura (Riu com gosto): "Não te perguntei nada...Só comentei".
Syaoran: "Você tem a língua muito afiada para uma mulher, sabia? Aqui no meu país é falta de respeito".
Sakura: "Pois é, adivinhe só...(Chegou bem perto deixando o rapaz sem reação) Eu não sou do seu país".
Syaoran (Erguendo uma sobrancelha): "Mas disso eu não tinha dúvida alguma. Nenhuma mulher chinesa me trataria assim, ainda mais sabendo que eu sou o melhor partido do país".
Sakura: "Você se acha um pouquinho, não?".
Syaoran: "Eu não me acho" (Sorriu sedutoramente) "Eu sou".
Sakura: "Você é engraçado isso sim" (Sorriu) "Está sempre na defensiva".
Syaoran (Com o rosto duro): "Você não me conhece direito".
Sakura (Aumentando o sorriso): "Viu, se defendeu de novo".
Ele ia dizer alguma coisa, mas parou ao perceber que iria se defender novamente. Aquela mulher o tirava completamente do sério, mas não podia negar que algo no seu coração disparava quando ele via o atraente rosto fechado daquela menina e aquela sensação o incomodava. Estava gostando muito de provocá-la. Além do mais, ela era a única daquela universidade que não babava em seus sapatos...A única que não estava encantada por seus atributos físicos ou interessada em sua posição e aquilo era no mínimo diferente. O quarto sinal tocou, estavam oficialmente fora da aula. Poderiam entrar apenas no segundo horário.
Sakura (Rendida, sentando-se na escada): "Que ótimo...Perdi a primeira aula e é tudo culpa sua".
Syaoran (Surpreso): "Minha culpa? Ficou doida?".
Sakura: "É sim, sua culpa...Se não tivesse começado com aquela história de 'arrasando corações pela noite', eu não teria me irritado, provavelmente não teria discutido e obviamente estaria dentro da sala de aula".
Ele soltou uma gostosa gargalhada surpreendendo a japonesa.
Sakura: "Que foi?".
Syaoran (Sorriu): "Nada...Só acho que você é meio maluquinha".
Sakura (Cobrindo o rosto com as mãozinhas): "Eu acho que eu acordei de TPM...foi mal".
Syaoran (Sentando-se ao lado dela, ainda sentia as pernas doerem): "Você me fez rir...e isso são pouca pessoas que conseguem".
Sakura (Estranhando): "Sério? Por quê?".
Syaoran: "Personalidade. Sei lá, não gosto muito de dar risada".
Sakura: "Deveria sorrir mais. Faz bem".
Syaoran (Melancólico): "Ultimamente não tenho muitos motivos para sorrir".
Sakura: "Por causa do seu futuro casamento?". (Sem graça) : "Eu vi na televisão".
Syaoran (Limitou-se): "Também".
O que estava acontecendo com ele afinal? Estava abrindo o coração no meio da escada e para uma completa estranha. Acho que seus sentidos estavam abalados.
Sakura: "Não se preocupe" (Falou com sinceridade) "Eu tenho certeza de que você vai encontrar alguém especial".
Syaoran (Curioso): "Como pode ter tanta certeza?".
Sakura: "Oras porque..." (Olhou profundamente dentro dos olhos âmbares) "Você não é tão mau quanto tenta parecer". (Sorriu) Além do mais, no meio de todas as solteiras da China, alguma deve encaixar na sua vida, não acha?".
Syaoran: "Pode ser" (Jogou a cabeça para trás) "Só não queria fazer nada pressionado, com data marcada.".
Sakura (Casual): "Pois não faça...Deixe as coisas acontecerem naturalmente...E talvez você se surpreenda pelo amor".
Syaoran: "Amor" (Soltou o ar com tudo): "Nunca acreditei muito no amor"
Sakura (Sorriu): "Você acredita no vento?".
Syaoran: "Acredito, mas que tipo de pergunta é essa?".
Sakura (Insistindo): "Por que você acredita no vento?"
Syaoran (Confuso): "Ora porque eu o sinto, vejo as folhas balançarem e até estragos que ele causa".
Sakura: "Mas você não vê o vento, certo?".
Syaoran: "Não..."
Sakura: "O amor é assim, nós não o vemos, mas podemos senti-lo em várias circunstancia. Ele não precisa ser necessariamente entre um homem e uma mulher...Mas eu aposto que você ama sua mãe, seus irmãos se é que você tem...".
Li ficou pensativo por uns minutos causando um silêncio gostoso entre os dois. A presença daquela menina lhe trazia uma paz inexplicável e o isso o assustava um pouco. Pôde perceber um pouco de aflição nos olhos verdes enquanto ela folheava os materiais.
Syaoran: "Não se preocupe. Pelo o que pagamos nessa universidade, dá para se dar o luxo de perder uma aula de vez em quando".
Sakura: "Eu sou bolsista" (Comentou casualmente).
Syaoran: "É mesmo?" (Sorriu de lado): "Então você deve ser muito inteligente para conseguir uma bolsa aqui, ainda mais não sendo o mandarim o seu primeiro idioma , isso é quase impossível".
Sakura (Sem graça): "Digamos que eu me esforcei bastante".
Syaoran: (Reparando na jóia que a garota exibia no pescoço): "O símbolo real japonês? Oras, deve ser muito patriota".
Sakura (Segurando o pingente): "Era da minha mãe, ela entregou ao meu pai antes de morrer...".
Syaoran (Sincero): "Eu sinto muito, só estava tentando puxar assunto".
Sakura (Com o olhar triste): "Não tem problema, já faz muito tempo".
Syaoran: "Eu perdi o meu pai quando eu era mais novo também...".
Sakura (Olhou para cima tentando ver alguma coisa por cima das nuvens): "Sempre é difícil perder alguém que AMAMOS"
Ele olhou atentamente para a jovem ao seu lado. Ela era linda como a lua cheia em uma noite de verão. Parecia uma modelo de passarela, posando para uma revista de moda. Seus longos cabelos mel contrastavam com a pele dourada e os olhos profundamente verdes, como esmeraldas reluzentes. Os lábios era carnudos, desenhados e convidativos. Beirava os 1,70 cm de altura e suas curvas era dignas de uma campanha de 'lingerie' americana. Certamente se lhe mostrassem uma foto dela, pensaria que era 'photoshop'...Estava prestes a fazer um comentário quando a voz do amigo o interrompeu.
Ryu: "Li? É você? Não é muito normal ver o poderoso herdeiro do clã atrasado...(Provocou) A noite deve ter sido boa em...Você e Lyu Ma desapareceram da festa e não voltaram mais. (Virou-se espantado observando Sakura): "Aonde essa beleza estava escondida todos esses anos? Você não perde tempo em garotão...Uma para cada dia da semana.".
Sakura(Corando): "Eu não tenho nada com o seu amigo"
Ryu: "Bom saber...(Lançou um sorriso sedutor) "Posso saber o nome dessa tão linda donzela?".
Syaoran (Emburrado): "Donzela, fala sério Ryu, que cantada de velho".
Sakura (Rindo do comentário de Li): "Meu nome é Sakura Kinomoto, muito prazer (Estendeu a mão sorrindo)".
Ryu (Encantado com a menina): "Meu nome é Ryu Fa o prazer é todo meu (Pegou a mão da jovem depositando um beijo demorado).
Li fechou a cara instintivamente e Sakura puxou a mão constrangida.
Ryu (Sorrindo): "Kinomoto é um sobrenome japonês, não?".
Sakura (Sorrindo): "Sou japonesa, venho de uma cidade litorânea chamada Tomoeda".
Ryu: "Ah sim, a famosa Tomoeda... A cidade da princesa Hokaio"
Sakura (Contente): "Conhece a lenda?"
Syaoran (Curioso): "Que lenda?".
Ryu : "Corrija-me se eu estiver errado. Mas dizem que na cidade de Tomoeda houve uma princesa criada por uma família comum, para protegê-la da guerra contra os coreanos. E essa princesa apaixonou-se por um simples professor e fugiu para casar com ele. A lenda diz que ela teve dois filhos, um menino e uma menina e que morreu doente sem saber quem realmente era".
Sakura (Completando): "Algumas pessoas falam que hoje os filhos já atingiram a idade adulta...e são os únicos herdeiros do trono japonês, já que o imperador só teve essa filha" (Sorriu) : "Isso faz com que todas as meninas se sintam um pouco princesas".
Ryu: "Deve ser legal pensar assim"
Sakura (Sorrindo): "E é...".
Li não gostou nenhum pouco da forma como eles interagiam. Algo quente corroia seu corpo ao ver os sorrisos maliciosos que o amigo lançava para a japonesa. O que estava acontecendo com ele afinal?
Ryu: "Tem planos para hoje a noite?".
Sakura: "Eu saio dos trabalho as 22h e preciso arrumar uma coisas ainda no quarto, por quê?".
Ryu: "É que hoje à noite irei dar uma festa na irmandade gama. Fica perto do campo de futebol. Se não tiver nada para fazer e estiver com vontade de ir, será um prazer recebê-la.".
Sakura (Sorrindo): "Muito obrigada pelo convite. Mas eu não conheço ninguém, não me sentiria a vontade".
Ryu: "Oras, isso não é verdade. Você me conhece e conhece o Li".
O chinês endureceu a expressão. Não sabia o que era pior, ser babá da novata ou ver o Ryu arrastando um caminhão para a menina.
Sakura: "Eu sei, mas...mesmo assim eu-"
Ryu: "O seu trabalho é longe daqui?".
Sakura: "Não, eu estou trabalhando na Casa Lu Shai"
Syaoran (Casual): "Fica próximo do meu dormitório"
Ryu: "Verdade...por quê não busca ela depois do expediente?".
Sakura (Aflita): "Não! Nem pensar! Eu não quero problemas com essa tal de Lyu Ma, não".
Ryu: "Nisso você tem toda razão" (Sorriu) "Ninguém nunca consegue vencer a Lyu Ma, quando o assunto é 'ferrar' outra pessoa".
Syaoran: "Não têm o porquê a Lyu Ma criar caso de nada porque eu não tenho compromisso nenhum com ela...e ela sabe disso".
Ryu: "Será mesmo amigo que ela sabe disso? Ainda mais agora que todos os jornais estão noticiando que em oito meses você precisa achar uma noiva".
Syaoran (Fechou a cara): "Nem me lembre disso".
Sakura: "Realmente essa pressão é absurda".
Ryu (Um pouco espantado): "Olha isso não é uma reação comum de uma garota...todas as moças aqui da faculdade estão doidas para conquistar o Li. Depois dessa notícia você deveria ao menos aumentar o decote (riu)".
Sakura (Riu do comentário bobo): "Isso parece tão falso..." (Sorriu encabulada ao perceber o olhar que o herdeiro do clã lhe lançava): "Desculpe a sinceridade...Mas o que vai te fazer ser feliz ao lado de uma pessoa por tantos anos, já que não existem divórcios entre as famílias tradicionais, é pelo menos o respeito mutuo...sei lá. Isso também não é da minha conta"
Syaoran (Encantado): "Não é...Mas, eu concordo com você".
Sakura (Olhou para o relógio em seu pulso): "Bom, acho que vou indo. Minha próxima aula é do outro lado da faculdade e é melhor eu estar lá antes que um raio caia em alguma árvore e bloqueie o caminho".
Li riu sem querer chamando a atenção do amigo ao perceber a raridade do momento. Era impressão do rapaz ou havia um certo clima entre os dois?
Ryu: "Kinomoto?".
Sakura: "Só Sakura, por favor".
Ryu (Galanteador): "Sakura, se precisar de ajuda com alguma coisa aqui na faculdade, pode contar comigo, viu? Qualquer coisa. Como um namorado por exemplo".
Sakura (Rindo): "Certo. Obrigada" (Virou-se para Li): "Acho que nos vemos por ai".
Syaoran (Encabulado): "Acho que sim".
Sakura (Sorriu): "Tchau, então".
Ryu e Li (Vendo-a se afastar): "Tchau!".
Syaoran mantinha o mesmo olhar emburrado de sempre, mas dessa vez havia um 'q' especial em seus olhos.
Ryu: "Caraca...".
Syaoran (Soltando o ar): "Pois é...".
Ryu: "Você viu aqueles olhos? Amigo, acho que estou apaixonado".
Syaoran (Incomodado): "Você se apaixona pela sombra".
Ryu: "Pelo visto eu não fui o único que ficou mexido por ela".
Syaoran (Ameaçador): "O que você quer dizer?".
Ryu (Maroto): "Reparou nos olhares que os caras lançaram para ela? Meu amigo...Eles devem estar pensando na mesma coisa em que eu estou agora"
Syaoran (Tentando parecer indiferente): "Nem notei".
Ryu: "Pois eu notei. Ela parece de mentira...Deus do céu".
Syaoran: "Exagerado".
Ryu: "Ah fala sério! Vai dizer que não percebeu o quão bonita ela é".
Syaoran (Sem muita emoção): "Lógico que percebi, não sou cego" (Recompondo-se) "Mas eu gosto de mulheres mais volumosas...se é que me entende".
Ryu (Desconfiado): "Sei..."
Syaoran (Irritado com o rumo da conversa): "Para com isso! Vamos andando logo para pegar a segunda aula.".
Ryu (Rendido): "Está bem! Está bem...".
A cozinha do restaurante era um lugar limpo e aconchegante. Os armários muito bem cuidados e os poucos funcionários usavam roupas especiais para lidar com o alimento e mostravam todo cuidado daquele precioso casal. Não era a toa que as pessoas gostavam de ir lá.
Sakura sentia-se bem ali. A senhora Tyng era muito bondosa, e o senhor Wong uma graça. Sem contar o pequeno Ken, de dez anos. Era o neto do casal que sempre vinha ajudar os avós quando saia da escola. A senhora So e seu filho Dayo eram simpáticos e receptivos.
Tyng (Secando uma louça): "Não, meu bem... Os copos ficam no outro armário.".
Sakura (Sorrindo sem graça): "Desculpe-me, ainda não estou acostumada"
Tyng: "Logo logo você se acostuma. Esse uniforme ficou ótimo em você!".
E realmente ficara. Era um conjunto de saia de pregas vermelha com uma blusa branca com o símbolo do lugar estampada no peito. Os cabelos longos estavam presos em uma grossa trança e patins completavam o visual.
Sakura (Corada): "Obrigada".
Tyng (Ouvindo o sensor): "Temos clientes, querida! Anote o pedido e passe para o senhor Wong na cozinha, está bem?".
Sakura: "Certo"
Dayo (Seguindo a garota): "Não esquenta,você vai se sair bem".
Sakura (Sorrindo): "Tomara!".
Dayo era um rapaz diferente. Magro, com pernas longas cabelos claros e olhos azuis. Lembrava em muito, Yukito o melhor amigo do irmão de Sakura. Eles estavam na mesma sala em algumas matérias e isso era ótimo. Se bem que Fanlee fora muito receptiva e a ajudara em tudo nesse primeiro dia de aula.
Lyu (Sentando-se): "Não pensei ainda na roupa que eu vou na festa...Vai ser bem casual, não acha?".
Maya: "Qualquer coisa vai ficar ótima em você, amiga! (Bajuladora) Além do mais, você está enlaçando o Li com toda garra... Nem foi na primeira aula hoje...A noite foi tão intensa assim?".
Lyu (Ficando vermelha) : "Digamos que Li é muito bom em tudo o que faz!E que senti bastante sono depois...(Riu)".
Sakura (Chegando e ouvindo parte da conversa): "Boa tarde, já escolheram o que vão pedir?".
Maya (Observou a menina): "Eu já sim. Quero um suco de acerola com adoçante.".
Lyu: "Para mim, um chá gelado com limão.".
Sakura: "Certo. (Anotou tudo) Algo mais?".
Lyu (Rude): "Pedimos algo mais por acaso?".
Sakura (Assustada com o rompante): "Não senhorita. Desculpe-me...Com licença!".
A loira se aproximou de Lyu. Maya Lu era uma bonita mulher. Tinha cabelos claros e cacheados na altura dos ombros, olhos mel e um corpo farto. Na faculdade, era conhecida pelos seus inúmeros romances e por ter dormido com o time todo de futebol.
Maya (Cochichando): "Não é aquela garota que estava conversando com o Li quando chamamos ele para sair, ontem?".
Lyu (Encarando Sakura de longe): "É sim! É ela mesma...Não sabia que ela trabalhava na faculdade".
Maya: "Deve ser uma das alunas que trabalham meio período.(Mexeu um pouco no guardanapo) Ela é muito bonita, não acha?".
Lyu (Indiferente): "Sei lá...Muito bonequinha para o meu gosto.".
Sakura (Chegando com a bandeja): "Aqui está...Bom apetite para as duas.".
Lyu (Após segurar o copo): "Hei! Espera!".
Sakura (Voltando-se para ela): "Pois não?".
Lyu (Após um gole): "Eu pedi chá gelado, certo? Isso aqui está frio! Não está gelado.".
Sakura (contraindo o rosto): "Perdoe-me senhorita é que o carregamento de chá acabou de chegar e não ficou muito tempo na geladeira. Se a senhorita quiser posso trazer algumas pedras de gelo!Ai fica tudo certinho!(Sorriu)".
Lyu (Detestando o jeito meigo de Sakura): "Não precisa...Perdi a vontade de tomar...E não espere que eu pague por isso!".
Sakura: "Não! O erro foi nosso, senhorita. Não se preocupe"
A japonesa se retirou e foi atender a uma outra mesa.
Maya: "Viu só como ela é educada? Se fosse o Dayo já teria feito um escândalo e jogado o chá na sua cara. (Mudou o foco da conversa) Mudando de assunto, o Li vai buscar você para a festa hoje?".
Lyu (Contrariada): "Não, ele não quer mostrar que temos algo...".
Maya: "Bobagem, a faculdade toda sabe ué".
Lyu: "Mas você conhece ele, orgulhoso até a morte. Ainda mais agora que todos sabem que ele precisa escolher uma 'noiva', as meninas irão caprichar no visual".
Maya: "Com certeza, e não se surpreenda se ele 'pegar' alguém na festa. Ele adora provar que está no controle de tudo".
Lyu: "Pois é... Com certeza ele deve pegar alguém, mas que se dane, eu sou a favorita no final das contas".
Maya: (Virando-se para o lado) Hei! Olha a Yakioto... Aquela doida já está fazendo suas esquisitices novamente!".
Lyu olhou na direção em que amiga apontava. Deparou-se com uma menina baixa de cabelos ruivos e grandes óculos, olhando para os alunos e anotando algo em um enorme bloco de notas. Rieko Yakioto.
Maya: "Ela é meio esquisita!".
Lyu: "Ela não cresce... Vive achando que é um detetive em busca de provas forenses...Japoneses são meio malucos.".
Maya: "Coitada, né amiga?!".
Lyu: "Eu que o diga...".
Sakura (Sorrindo): "Certo! Trarei em um minuto, senhor!".
Saiu feliz da mesa. Estava se dando bem, apesar da aspereza de alguns clientes. Não invertera nenhum pedido e constantemente recebia dicas de Dayo. Ela ria com os comentários grossos do rapaz sobre algumas meninas e divertia-se com a senhora So puxando a orelha do filho e mandando-o trabalhar direito. Até já estava sendo chamada pelo primeiro nome, o que a fazia sentir-se mais à vontade.
Ela estava retornando com o pedido da mesa cinco quando uma pequena criatura começou a rodeá-la.
Sakura (Estranhando): "Está tudo bem?".
Rieko: "Hum...Interessante!".
Sakura (Com uma gota na cabeça): "O que é interessante?".
Rieko (Anotando algo no bloquinho): "Você é nova por aqui, não é?".
Sakura: "Sou sim!".
Rieko: "Certo...Certo...Por acaso você não viu coisas estranhas na faculdade?".
Sakura: "Coisas estranhas?".
Rieko (Se aproximando mais da menina): "Coisas estranhas!".
Sakura (Assustada): "Como fantasmas?".
Rieko: "Isso!" (Olhos brilhando) "Fantasmas!".
Dayo (Chegando atrás): "A comida vai esfriar, Sakura! Melhor você servir logo!".
Sakura: "Certo!" (Virando-se para Rieko): "Volto em um minuto!".
A menina colocou os pedidos na mesa, desejou um ótimo apetite a todos e voltou-se novamente para a ruiva.
Sakura: "Olha eu nunca vi um fantasma! Mas eu não gosto nem um pouco deles.".
Rieko: "Interessante.".
Sakura: "O que?".
Rieko: "Você é a única pessoa da faculdade que conversa comigo!".
Sakura: "Nossa...E por que isso?".
Rieko (Observando os olhares curiosos): "Meu sonho é me tornar uma grande detetive e às vezes levo isso muito a sério!".
Sakura (Sorrindo): "Sonhar sempre é bom!".(Limpando as mãos e estendendo-as) "Meu nome é Sakura Kinomoto!".
Rieko (Retribuindo aos comprimentos): "O meu é Rieko prazer!".
Sakura: "Sem querer parecer indelicada, mas hoje é meu primeiro dia de trabalho e preciso ficar nos falar depois do expediente o que acha? Quer sentar e tomar alguma coisa?".
Rieko: "Aceito um suco de laranja.".
Sakura (Sorrindo): "Volto rapidinho.".
