THIS IS WAR!

ShiryuForever94

Categoria: Concurso NFF II/2013, Steampunk, [Projeto]Need For History, Localização Temporal: Guerra da Secessão, EUA.

Slash (MxM), PadAckles, AU, Música Incidental: This is War, 30 Seconds to Mars (simplesmente porque é perfeita).

Advertências: Guerra, Sofrimento.

Classificação: R

Capítulos: 2

Resumo: Não era o melhor momento na vida de Jensen Ackles, um soldado confederado lutando por algo em que não acreditava, mas algumas boas lembranças podiam ser um bom lenitivo.

Por que é STEAMPUNK?: No período retratado já havia locomotivas, mas não pulmões ou respiradores artificiais, que só vieram a existir, e jamais como algo que pudesse ficar preso ao peito de alguém, pelo início do século vinte.

Disclaimer: Esta obra é totalmente ficcional, sem fins lucrativos. Os direitos da obra Supernatural são todos de Eric Kripke.

Dedicatória: Para Fabinho e Marcia Litman, a quem temas históricos agradam em cheio. A todos os fãs de Padackles, porque andei muito afastada do tema, mas a última convenção, em Las Vegas, fez minha paixão por eles reacender. Especialmente para A. Padackles porque ela é incrível.

Avisos: Jared Padalecki e Jensen Ackles nem sabem que nós, ficwriters, existimos (bom, Jensen sabe e lê wincest, mas deixa quieto). Espero que não façam a menor ideia do tanto que abusamos deles. São pessoas reais e não há nenhuma intenção de ofender os atores. Este texto é uma ficção feita por um fã, história total e puramente ficcional, sem fins lucrativos. S são ou não amantes, namorados, gays, bissexuais ou heterossexuais, não é a questão aqui, pois se trata de um texto ficcional e não precisa haver coerência com a realidade (embora em fanfiction de pessoa real seja bom ter um pouco de bom senso)

Total de palavras: 2.497 (incluída a letra da música)

DOIS

Jensen não se lembrava de quase nada. Vozes ao longe, indistintas.

"Aumente a pressão do vapor. Ele precisa respirar."

Jensen tentou abrir os olhos pesados e não conseguiu, mergulhando na escuridão. Quando finalmente acordou, viu-se preso numa espécie de pulmão artificial, uma máquina pesada que respirava por ele, silvando e fedendo. Um pesadelo feito de metal pesado e que o mantinha vivo. Sentiu-se um monstro.

Meses de dor e raiva por estar atrelado naquela geringonça horrorosa e, enfim, a guerra acabou. Poderia ir para casa, mas ainda ficaria preso naquela porcaria de máquina ate que seus pulmões feridos se recuperassem totalmente. De volta para casa, foi recebido por Mackenzie e seu pai e avisado da morte da mãe por tifo, doença comum naqueles tempos horríveis.

Jensen nem mesmo chorou, calejado de tantas mortes e horrores, mas notou o olhar de pena da irmã ao ver aquela coisa em seu peito. Resolveu que ia sobreviver.

Esforçava-se todos os dias, ficando mais e mais forte. Não havia mais escravos, a propriedade estava abandonada, mas todos que ali haviam ficado tentavam recomeçar. Ficou sabendo das histórias das batalhas de Sabine Pass, Galveston e Palmito Ranch, no Texas. Muitos de seus amigos haviam perecido. Apenas seguia em frente, sem saber ao certo o que o futuro lhe traria. Só sabia que ia se livrar daquela monstruosidade em seu peito.

I do believe in the light,
Raise your hands up to the sky
The fight is done, war is won,
Lift your hands toward the sun
Toward the sun, toward the sun, the war is won
Fight fight fight!

Enfim, numa primavera, quase ano e meio depois de sua volta, o médico lhe dissera que poderia tirar aquela máquina resfolegante. Jensen sorriu, mas já não era o mesmo. Magro, frágil, muito pálido, os olhos verdes destacavam-se no rosto ainda bonito, mas triste.

"Disseram-me que você também vai ser alforriado."

Aquela voz! Jensen virou-se em choque para a porta do quarto. Um homem alto, muito forte, de óculos de aros finos e chapéu de fazendeiro. Ele havia crescido tanto! E que ombros! Sua voz saiu num fio, cansada pelo esforço contínuo de respirar. "Jared. Você voltou."

"Claro que sim. Quando soube que você foi ferido, há algumas semanas, vim o mais depressa que eu pude. Estamos quase em 1867 e você precisa sair dessa cama e me dar um abraço!" O olhar era repleto de amor. O que o mantivera centrado era pensar que veria Jensen de novo.

"Você não foi à guerra?" Jensen ajeitou-se na cama, tentando parecer menos frágil. Ele sempre fora maior e mais forte que Padalecki, mas não mais.

O médico se retirou após desligar a máquina para que fosse retirada no dia seguinte. Jared fechou a porta e caminhou, sentando-se na cama e segurando a mão de Jensen nas suas, que agora eram imensas. "Não. Lembra-se do quão doente eu era? Fui mandado para a Inglaterra quando saímos daqui rumo ao norte, meu pai achou melhor. Só voltei há alguns dias. Soube do que aconteceu a você e corri para cá. Sempre tive a esperança de vê-lo de novo. Estou aqui por você, Jensen. Eu escolhi voltar porque realmente..."

O loiro o interrompeu, apavorado. E se alguém ouvisse?

"Jared... O mundo não mudou tanto, você se lembra de nossas conversas sobre o que sentíamos e como ninguém jamais poderia saber? Não podemos..."

"Se a abolição da escravatura foi alcançada, Jen, nosso amor talvez um dia possa ser aceito. Tenha esperança."

"A-amor?" O coração de Jensen pulava no peito. Tudo voltava. As memórias, as conversas, a solidão quando ele não estava perto. "Você me ama... Ainda? Quer dizer... Eu..."

"Você ainda me quer?" A pergunta veio num sussurro enquanto Jared apenas se inclinava beijando a mão pálida entre as suas.

"Sempre." Jensen sorriu. De repente tudo ficou melhor. Teve esperança de poder se levantar, de ter uma vida, de estar perto de quem tanto amava.

"Vai ter que aprender a cozinhar, arrumar, tudo que for preciso. Não há mais escravos. Sei que você foi criado de maneira diferente, Jensen, mas é bem melhor assim."

"Desde que eu não precise ficar para todos os lados preso a uma máquina louca..."

Como resposta, o seu pulmão artificial guinchou, o último vapor saindo com o resfriamento. Ambos riram.

"Eu..." Jensen desviou o olhar. Não tinha forças. "Eu não consigo me levantar, não ainda."

"Teremos tempo." Padalecki inclinou-se e beijou-o na boca, apaixonadamente. Jensen correspondeu e então se afastou, assustado.

"Você me beijou... Antes não queria..."

"Estou curado. É o primeiro de muitos beijos que pretendo lhe dar."

"Mas, somos homens. O que vão pensar..."

"Se fosse uma garota eu não o amaria tanto. Não me importa o que vão pensar. Se você me ama como eu a você, está tudo bem."

Jensen apenas concordou com a cabeça. Reaprender a viver sem a guerra à espreita. Tentar viver amando outro homem sem ligar para os olhares de horror da sociedade.

Haviam aceitado a abolição da escravatura, quem sabe não aceitariam o amor deles algum dia?

To the right, to the left
We will fight to the death
To the Edge of the Earth
It's a brave new world


Nota da autora: muito obrigada por todos os magníficos reviews! Realmente me animou a escrever mais e mais Padackles. Quem sabe eu retomo minhas maluquices Padacklianas. Espero que gostem deste finalzinho da fanfic e, se acharem que mereço, comentem. Obrigada e até a próxima.