Aux Langueurs d'Apollon
Prólogo – O encontro
– Les Messieurs et La Madame Malfoy. – anunciou o portier.
A porta dupla, branca e folheada a ouro, se abriu, revelando um enorme salão decorado por dezessete espelhos em arco, que refletiam outras dezessete janelas igualmente arqueadas, dando vista para os grandiosos jardins e fontes do Palácio de Versailles. As velas dos numerosos lustres e dos candelabros bruxuleavam, fazendo com que o ouro, que decorava o teto abobadado e os adornos na parede de mármores coloridos, brilhasse como se estivesse em chama, e os cristais piscarem como milhões de estrelas, iluminando os muitos rostos cobertos por máscaras quase igualmente adornadas.
Com a face escondida pela sua própria máscara negra, decorada com nada menos que diamantes, Draco Malfoy não pode deixar de arregalar os olhos e suspirar, surpreendendo-se como uma única sala podia mostrar tamanha imponência. Acompanhando os passos curtos e elegantes do pai, eles adentraram a Galeria dos Espelhos, sendo recebidos por centenas de olhares, de respeito, de inveja, de superioridade, e, por vezes, de desprezo.
A família Malfoy, era uma família nobre que se orgulhava ter mantido, por mais de quatorze gerações, o sangue azul puro. Diferentes a todos os escândalos e corrupções que ocorriam na maioria das famílias da corte, como compra de títulos ou casamentos com plebeus mais abastados, os Malfoy usavam e abusavam do seu histórico de "Sangue-Puro", como eles próprios chamavam, em jogos de influência e poder com outros nobres da corte, e às vezes até mesmo com Votre Majesté em pessoa. Sendo assim, eles não se deixaram intimidar quando praticamente o salão inteiro os olhava. De cabeça erguida e com o nariz empinado, mesmo que oculto por máscaras, abriram caminho com facilidade até a extremidade oposta da Galerie, onde encontrava-se, sentando em um trono inteiramente de ouro decorado com pedras preciosas, Sua Majestade, Le Roi.
O rei, por sua vez, estava entretido conversando com um casal que, por estarem mascarados, Lucius não pode reconhecer. Mas eles conversavam quase informalmente com o rei, e essa intimidade atraia muitos cochichos e discussões entre as cortesãs da corte. Quem era aquela família? E por que estavam tão próximas assim do rei?
A mulher usava um vestido de seda, num tom escuro de esmeralda, decorado com rendas e babados de cetim negro. A sua máscara, também verde, era adornada com ouro e penas de pavão, e realçava seus cabelos ruivos. O homem, usava um manteau de cetim cor de vinho aberto, que revelava um colete de brocado negro e ouro que se prolongava até a base do joelho. A máscara, também negra, não era adornada, e, ao contrário de parecer simples, dava-lhe uma expressão seria e muitíssimo requintada, devido ao brilho dos olhos negros que se viam por trás dela.
Foi somente quando Lucius, Narcissa e Draco se curvaram perante a Vossa Majestade que o rei voltou a sua posição formal e elegante, e cumprimentou-os.
– Lucius e Narcissa. – disse o rei. – É sempre uma honra recebê-los na corte.
– A honra sempre será nossa, Monsieur. Acredito que ainda não tenha conhecido meu filho, Draco?
O loiro menor, sairá de trás de seus pais e fez uma nova reverência.
– É uma honra,Vossa Majestade. – falou o garoto.
– Enchanté, monsieur. Acredito ser a primeira vez que lhe vejo em Versailles, fizestes quinze anos recentemente ?
– Sim, monsieur, no último mês.
Entre as famílias nobres, era comum que tanto os filhos quanto as filhas de sangue azul se apresentassem formalmente a uma festa da corte quando atingissem a idade dos quinze. Até essa data, lhes era dada educação em casa, e eles não podiam participar de cerimônias formais.
– Bom, seja bem vindo. – dissera o rei por fim, e Draco voltou a se postar atrás dos pais.
–Agora, Lucius, creio que conheça o Msr. Potter, ele estava me falando agora mesmo que seu filho, Harry, também completara quinze anos recentemente.
Lucius, é claro, conhecia muito bem James. A família Potter, originalmente uma família de burgueses, atuava no mercado de venda de bens de luxo. Eram donos de uma fábrica de espelhos que, mais tarde, fora contratada pelo rei para criar os espelhos que adornavam o próprio salão em que eles se encontravam. Em gratidão, o rei lhes arranjara um título de barões, que apesar de ser um título baixo, lhes tornava oficialmente parte da nobreza francesa. Eram bastante ricos por si só, e devido aos novos contatos da corte, faziam sua fortuna aumentar em uma velocidade admirável.
– Potter. – dissera Lucius, estendendo a mão. – acredito que esse seja seu primeiro evento formal, não me lembro de tê-lo visto outras vezes.
– De fato. – disse James, apertando a mão que lhe fora oferecida. – Espero que possamos nos encontrar nos próximos, então.
– Nos encontraremos. – e com uma nova reverência, Lucius e Narcissa se retiraram, deixando os Potter novamente a conversar com sua majestade, com Draco seguindo-os de perto.
O loiro andava pelo salão atrás de seus pais, cumprimentando todos os tipos de autoridades e pessoas da realeza. Obviamente, sempre para a mais alta realeza. Conhecera muitas possíveis pretendes a esposas, que ele nem sequer demonstrou interesse. Sabia que seu pai escolheria a mais rica e de sangue mais puro para casar com ele, então nem se deu o trabalho de tentar uma aproximação quando a Duquesa de Parkinson, uma garota de cabelos castanhos muito escuros e rosto quadrado que ele de fato achara muito bonita fora apresentada a ele.
– E esta, Draco, é a filha mais velha dos Parkinson, Mademoiselle Pansy. – disse Lucius, observando a reação do filho, que não podia ter sido mais fria.
– Enchanté, Mademoiselle. – respondeu o loiro com um olhar indiferente, fazendo uma pequena reverência, que foi respondida pela morena.
– Moi aussi, Monsieur. – disse a morena, também se curvando. – É seu primeiro baile da corte, não?
– Sim. E devo dizer que estou impressionado com o palácio, é ainda mais grandioso do que ouvi falar.
– Ah, sim, Versailles é fabuloso. Na minha primeira vez eu também... – Mas seu discurso foi interrompido quando Lucius, sem cerimônia alguma se metera na conversa dos dois e, falando um "Perdão, mademoiselle", puxou Draco para apresentá-lo para outra possível pretendente.
– Por que você faz isso? Se quiser que eu case, poderia pelo menos me deixar ter uma conversa decente com alguém que você vá escolher, pai.
– Sua esposa será escolhida independente de você gostar dela ou não, Draco. E você sabe muito bem disso.
– Ah, é? Pois bem então. Escolha qualquer uma, você não precisa me apresentar a elas.
E andando a passos rápidos, se retirou do salão, andando pelo palácio até que não conseguisse mais escutar músicas e risadas.
Fora somente depois de uma hora dando voltas por corredores banhados a ouro, mármore e cristal, que Draco havia se dado por vencido.
– Estou perdido – falou o garoto para si. – Ótimo.
Ele estava em um corredor amplo, e iluminado por alguns poucos candelabros que pendiam na parede. Porém, longe de estar escuro, era iluminado pela enorme lua cheia que pairava no céu, salpicado de estrelas. "É mesmo uma noite linda" pensou o loiro. Das janelas, podia se observar o Parterre du Midi, a parte sul dos jardins do palácio. A fonte ligada fazia a água balançar, e havia algo misterioso em como o reflexo da lua não conseguia se formar, e era constantemente desfigurado.
Foi quando ele esticou a mão para abrir a janela e sentir a brisa noturna que ele escutou, muito longe, o som de um cravo sendo tocado. Uma música lenta e triste¹, mas sem dúvidas, belíssima. Ele ficou ali, parado, com a mão no ar, tonto de ouvir notas tão belas como aquelas no lugar.
Foi somente quando a música parou que ele se resolvera se mexer para procurar de onde ela vinha. Ele caminhou pelo corredor, o mais silenciosamente que pode, quando uma nova música², dessa vez uma muito mais agitada surgia da porta bem em sua frente.
E antes que conseguisse abrir a porta, ele pousou a mão na maçaneta, e hesitou. Ele não sabia quem estava tocando, ou por que estava tocando sozinho àquela hora, mas simplesmente sabia que, quem quer que estivesse do outro lado da porta, sofria. Não fisicamente, mas de angústia, de desespero, quase beirando à loucura.
E, sem pensar, ele escancarou a porta e deparou-se com um par de olhos muito verdes olhando diretamente para os seus olhos cinza.
– Achei que você nunca fosse entrar. – disse Harry Potter.
N/A: Uma mistura de Versailles, Harry Potter, e Pinhão, minha paixões (L) E agradecimentos à minha beta, minha Marie Antoinette 3
E pra quem tiver curiosidade, eis as músicas tocadas:
1) (youtube).com/watch?v=M8CVU0XSu1s
2) (youtube).com/watch?v=zR1BxVluozI
