Capitulo 2:Uma visita Misteriosa

- Bem, o que você acha?

Douglas Creevey sorriu diante da jovem mulher ruiva que o olhava cheio de expectativas. Lilian Evans passara o dia inteiro atrás de Douglas para que este avaliasse seu artigo e, agora, ansiava por seus comentários.

- Acho que é o seu melhor artigo Lily – ele disse pondo fim ao suspense.

O elogio fez com que o sorriso da garota se tornasse ainda mais intenso.

- Mesmo? Bem, eu tentei não dar um final muito dramático. Mas você sabe que as vezes deixo-me levar pela imaginação e acabo exagerando um pouco.

- Para falar a verdade Lily, eu achei o final perfeito.

A ruiva foi em direção a janela afim de visualizar a imensidão azul antes de voltar o olhar novamente para o loiro.

- Acha que papai vai concordar em publicá-lo?

- Não vejo razão para ele recusar, é realmente um artigo interessante, e você sabe como o jornal precisa de algo desse tipo.

Lílian sorriu com tristeza, tinha certeza que o pai não iria publicar seu artigo, justamente porque não a considerava uma boa jornalista.

- Queria ter nascido homem – a ruiva desabafou – assim eu poderia ter mais liberdade em escrever, poderia ir visitar o cais e as tavernas que existem por lá, entrevistar todos os tipos de pessoas e... – ela pausa, olhando para o rapaz a sua frente lançando-lhe um fraco sorriso – sei que está cansado de meu ouvir falar a respeito disso Douglas.

- Não se deixe abater Lily, um dia você viverá uma aventura maravilhosa, assim como em suas histórias.

Naquele momento, Benjamin Evans entrou na sala encontrando a filha conversando com um de seus funcionários.

- O que está fazendo aqui parada Lílian? Não lhe passei alguns manuscritos?

- Já os terminei papai, e aproveitei o tempo livre para escrever um artigo – a ruiva disse se aproximando do pai e lhe entregando o papel - eu gostaria que você o lesse.

O senhor Evans passou o olhar pelo papel sem lhe dar muito interesse para em seguida, olhar preocupada para a filha.

- Por que se preocupa em escrever artigos Lily? Você devia se preocupar em casar, ter filhos, criar uma família, eu ainda quero ter um neto sabia? E o que é isso? – ele apontou para o papel que ela lhe entregara – mais uma de suas fantasias? Não seja tão sonhadora minha filha, o mundo não é feito disso.

Benjamin Evans suspirou cansado antes de lhe beijar a testa e sair da sala, deixando uma pequena ruiva desolada para trás. Lílian esperava que seu pai recusasse seu artigo, mas não imaginara que ele seria tão duro.

- Ele vai publicar seu artigo Lily – Douglas se aproximou da garota e lhe abraçou confortavelmente – e um dia você conseguirá vivenciar uma grande aventura.

- Então – se recompôs a ruiva olhando para o amigo – quero que essa aventura comece da seguinte maneira, um lindo homem vai entrar por aquela porta, será alto, com cabelos negros e olhos intensos e, é claro, com um ar de pirata. Melhor, poderia ser um pirata de verdade.

Douglas sorriu ao ver Lílian sorridente novamente.

- Ah, e talvez esse homem apareça hoje mesmo por aqui, o dia está perfeito, nublado e ventando muito. Mas tenha cuidado Lily – ele ri – seu homem entrará como um furacão e com o vento agitando-lhe o cabelo.

Ooooooooooooo

Dois dias se passaram e Lílian não tivera notícias a respeito de seu artigo, esperava ansiosamente que seu pai o tivesse publicado e logo anunciaria o feito. Todavia, a indiferença com que ele havia lhe entregue naquele momento alguns manuscritos a serem trabalhados, era um indicativo de que seu artigo havia sido esquecido.

Naquele fim de dia, o senhor Evans havia conseguido marcar uma entrevista de última hora, deixando Lilian sozinha no escritório. Poucos minutos após sua partida, a ruiva notou alguém entrando na sala, distraída, ela pensou que seu pai esquecera algo e nem levantou a cabeça para olhá-lo. Por fim, após um silêncio constrangedor ela levantara a cabeça procurando saber quem era o visitante.

Boquiaberta, ela julgou estar sonhando, um sujeito com vestes escuras estava a sua frente pingando por causa da tempestade que fazia lá fora, ele possuía cabelos negros e o olhar que dirigia à ela era tão intenso que a deixara sem palavras.

"Céus" – Lílian pensou.

Era como se o pirata de seu artigo criasse vida e estivesse a sua frente.

- Você deseja alguma coisa, senhor?

O estranho tirou a capa encharcada pendurando na cadeira próxima.

- Eu procuro o Senhor L. Evans.

Lílian sentiu o ar lhe faltar, o que um homem como aquele estaria fazendo no jornal de seu pai? E mais, o que ele queria com ela?

Endireitando-se na cadeira ela fitou-o com um brilho de curiosidade no olhar.

- Então, creio que o senhor esteja me procurando, como posso lhe ajudar?

Pego de surpresa, o homem ficou um tempo em silêncio apenas observando-a.

- A senhorita é L. Evans? – Ele jogou sobre a mesa um pedaço do jornal com o titulo "A Lenda do Lobo Do Mar" – Me fale sobre esse artigo que escreveu senhorita Evans.

Lílian pegou o pedaço de papel com o artigo que Douglas conseguira publicar, sem autorização de seu pai, e que falava sobre o Lobo Do Mar.

Lembrou-se de como seu pai ficara furioso por terem publicado algo sem sua aprovação, e agora, parecia que mais alguém estava incomodado por causa do artigo.

- O que exatamente o senhor quer saber sobre este artigo?

- Quero saber como conseguiu as informações sobre o Lobo do Mar e seu navio.

Apesar da aparente irritação do estranho, Lílian não pode deixar de notar os traços de sua beleza, cabelos negros que lhe caiam de forma desorganizada sobre intensos olhos castanhos, um queixo firme com uma pequena cicatriz, músculos que aparentavam ser bem definidos...

"Lílian Evans, concentre-se.. o que iriam dizer a respeito desses pensamentos?" – considerou a ruiva.

Para tanto, Lílian apenas sorriu e comentou com um olhar sonhador.

- Acho-o fascinante.

O estranho arqueou a sobrancelha estranhando a mulher a sua frente.

- O Lobo do Mar - explicou a garota - no momento que soube de sua existência não consegui deixar de escrever sobre ele. Ele protege os fracos, liberta prisioneiros e não permite que o governo roube do povo.

- Mas ele rouba do governo. – interrompeu o estranho

- Acredito que grandes missões requerem grandes custos, senhor.

O olhar do estranho parecia frio como o gelo.

- Por que está tão interessado nesse meu artigo? – perguntou ela.

- Acho que sabe perfeitamente a minha razão.

Confusa Lílian sacudiu a cabeça.

- Não estou entendendo, por que pensas assim?

Naquele momento, algo passou pela cabeça de Lilian, o Lobo do mar deveria ser forte e atraente como aquele homem a sua frente, seus olhos certamente teriam a mesma intensidade e ar selvagem.

- Quero saber sobre suas fontes confiáveis srta. Evans, quem lhe contou sobre o Lobo do mar?

- O senhor está me interrogando?

- Quero o nome do seu informante e já.

- Meu irmão ouviu a historia de um ex-prisioneiro que estava na taverna, ele estivera em um navio inglês que fora atacado pelo lobo do mar, e fora libertado pelo mesmo. Hoje ele é um homem livre.

- Quero o nome desse homem.

- Não sei o nome dele, acredito que tenha sido apenas alguém de passagem pela taverna. – Lílian falou aborrecida, começando a ficar irritada com o homem.

James Potter respirou fundo procurando se acalmar, ele precisava de respostas e essa garota tola parecia incapaz de ajudá-lo. Mas afinal, como um jornal de renome aceitava publicar artigos escrito por uma mulher?

- Senhor, não sei porque esta tão irritado com uma historia que inventei. Eu apenas deixei minha imaginação correr a solta.

- Inventou a historia? – James não podia acreditar nisso, afinal, havia muitas informações verdadeiras a seus respeito no artigo. - Não pode ter inventado , escreveu fatos que realmente aconteceram.

- Escrevi? Mas, eu praticamente inventei o artigo inteiro!

Por que a garota estava a mentir daquele jeito? James se perguntou. De onde conseguira informações que ele tinha sido um órfão e estivera na marinha inglesa e.. Não, não mesmo, eram detalhes demais, ela sabia sobre sua vida, e ele não podia correr o risco que ela publicasse seu verdadeiro nome. O governo inglês não hesitaria em executá-lo.

Ele tinha que fazer o que fosse preciso para impedi-la. Sua paixão pelo mar e pela pirataria eram grandes demais para serem interrompidos por uma garota tola.

De repente Lílian começou a rir.

- Ah, já sei. Foi Douglas que o mandou aqui, quer fazer uma brincadeira comigo.

- Quem é Douglas?

- Douglas Creevey, como se não soubesse quem ele é - Lílian riu novamente – Como não percebi antes, o que é mesmo que ele previu em um dia de tempestade como o de hoje? Ah, que um homem com um ar de pirata entraria por aquela porta e minha aventura começaria.

James sentiu um calafrio. O que essa moça estava falando?

- Por que concordou com isso? – Lílian perguntou deixando James mais confuso – Não me diga que Douglas está interessado em saber onde consegui tais informações. Afinal, eu também sou uma boa repórter e sei colher dados para meu artigo. Você provavelmente é outro daqueles que não acreditam que uma mulher possa ser uma boa jornalista?

James arregalou os olhos, então era essa a moça que investigara e descobrira sobre seu passado, ela era a fonte que ele procurava.

Observou-a curioso. Lílian Evans usava roupas escuras e muito simples,os olhos por debaixo dos óculos pareciam ser verdes, mas não dava para ter certeza. Os cabelos ruivos estavam presos em um penteado discreto. Certamente uma mulher que decidira trabalhar porque não conseguira um marido com facilidade.

Lílian não pareceu notar que o estranho parara de falar, nem que tinha confirmado suas suspeitas.

- Agora sei o motivo da tristeza de Douglas quando saiu para a entrevista com o homem cuja esposa pôs fogo na casa – ela riu – queria estar presente para ver minha reação quando o senhor aparecesse com essa historia.

James piscou perplexo. O que essa mulher estava falando?

- Desculpe-me senhor, apesar da boa vontade de Douglas em pregar-me uma brincadeira, ele fez uma bobagem. Gostaria que fosse embora pois estou a esperar minha irmã que acabara de chegar no coche que parou em frente a nossa porta.

Lílian sem hesitar, colocou o braço no de James e o levou ate a porta. Ao abri-la notou a presença de dois homens com as vestimentas semelhantes a de James.

James viu seus companheiros e mais uma vez naquele dia se surpreendera, Peter e Remus tinham tido o atrevimento de lhe seguir ao invés de esperá-lo longe daquele lugar, afinal, corriam tanto perigo quanto ele mesmo.

A porta do coche se abriu e James notou a presença de uma mulher jovem dentro dele.

- O que está fazendo com um estranho Lílian? – a loira que acabara de chegar perguntou franzindo a testa.

- Oh Petúnia, não se assuste, este homem é um amigo de Douglas e já está de saída.

Lílian voltou-se para James se despedindo.

- Até logo senhor, mande minhas lembranças a Douglas e diga que sua brincadeira infelizmente não dera certo.

Em minutos, James se viu sozinho , parado sobre a chuva fina que começava a cair e tendo seus dois amigos o observando com um olhar divertido.

- Está bem Lílian Evans – ele murmurou quando o coche desapareceu com as duas moças – Saiba que quando nos encontrarmos novamente não terá ninguém para protegê-la.

Ooooooooooooooo

- O que disse Pontas? – perguntou Remus se aproximando de James.

Irritado com Lílian, com a mulher antipática que chegara no coche, com a desobediência de seus amigos, Tiago James Potter perdera a paciência de vez.

- Afinal, o que vocês dois estão fazendo aqui?

Pedro ficou vermelho como um pimentão, mas Remus nem se abalou.

- Ora Pontas, viemos ajudá-lo - respondeu exibindo um enorme sorriso – Pensamos que mais duas espadas poderiam eliminar esse que anda divulgando sua historia.

James ficou olhando para os dois sem saber ao certo o que fazer.

- Aluado, quantas vezes tenho que repetir que não somos assassinos?

- Sei disso pontas – Remus sorriu – estava a brincar.

James não gostava muito dessas brincadeiras que Remus,Peter e Sirius faziam, se tais brincadeiras chegassem a ouvidos errados, seria questão de tempo para que as pessoas pensassem que o Lobo do Mar era um pirata sanguinário.

James queria segurar seus amigos pelo pescoço, mas por mais brabo que estivesse, nunca tocaria um dedo neles. Devia muito a eles em questão de dedicação e amizade. Essa era uma dívida tão grande que nunca conseguiria pagá-la.

Se não fosse Remus, ele nunca teria conseguido sobreviver aos anos que fora prisioneiro da marinha inglesa. E mesmo que Remus fosse inconveniente as vezes, ele possuía um coração generoso.

- Então Pontas, o que faremos com esse jornalista? – perguntou Remus

- Deixaremos ele falar o que quiser a seu respeito sem puni-lo?

- Pode ter certeza que isso não vai acontecer Rabicho – James imaginou a srta. Evans engolindo um pouco de água salgada e sorriu – Acontece que esse jornalista em questão não é ele, e sim ela. Terei de mudar a estratégia.

Um relâmpago cruzou o céu e foi seguido por um trovão, imediatamente uma chuva mais forte começara a cair.

- Droga, Rabicho, vá com o Aluado imediatamente para o navio e bebam um rum bem forte para se aquecerem, não quero meus companheiros doentes.

- Ora, não vai ser uma água de chuva que vai derrubar um pirata do meu calibre, pontas – Remus resmungou.

- Pois uma pneumonia não somente irá derrubá-lo como irá colocá-lo em um caixão para sempre – riu James.

Remus resmungou.

- Você nos trata como se fôssemos crianças fracas e desobedientes.

- Quanto ao desobedientes não posso dizer nada, mas sobre o crianças, eu apenas fico preocupado com meus amigos, não quero que vocês fiquem doentes por causa de assuntos meus.

- Está bem capitão – Remus falou – o senhor pode tratar de seus negócios que Pedro e eu estamos retornando para o Black Wolf, preparando para zarpar a qualquer momento.

Com um último olhar para os amigos, James pegou as rédeas do cavalo e seguiu pelo mesmo caminho que o coche havia tomado minutos antes.