A/N: a história é contada sob dois pontos de vista: o de Sin (texto normal) e o de Pepp (texto em itálico).


Parte 2. De estrelas e martinis

Ele ficou parado sem dizer nada. Naquele momento nem tive tempo de refletir se o tinha ofendido, pois Hoshi irrompeu pela porta em que havíamos entrado. Depois de me cumprimentar, virou-se para ver se estava tudo em ordem com as coqueteleiras e algumas garrafas. Abri minha boca para falar-lhe, mas ele foi mais rápido:

- Quem é seu convidado, Sin? – perguntou Hoshi.

"Sin"? Esse nome causou-me tanta estranheza quanto o cumprimento com beijo no pescoço e mãos que escorregavam a partir dos quadris.

- Este é Peppermint – respondi sorrindo.

Hoshi virou-se para analisa-lo. Após alguns poucos segundos – a vida no Nefertary dera-lhe uma habilidade de julgamento rápido – estendeu-lhe a mão.

- Hoshi. Sou colega de trabalho de Sin – ele falou de modo tão sério que mal consegui abafar uma risada.

Peppermint retribuiu o comprimento e, por ter franzido a sobrancelha ao ouvir o nome de Hoshi, ele completou, com o habitual sorriso de quando dava essa informação:

- Significa "estrela" em japonês.

Depois disso, Hoshi deixou-nos de lado, pois a casa começava a encher. Voltei-me novamente para Peppermint, perguntando-lhe se não iria mesmo querer algo para beber.

- Sin? É este seu nome?

- Mais ou menos... - respondi, sentindo minhas bochechas arderem.

Peppermint sorriu-me, aquele sorriso extasiante novamente.

- Um gibson.

- Um gibson para Pepp – respondi virando-me, a fim de preparar o drink.

Dançar nunca esteve entre as minhas paixões. Além disso, em um lugar como o Nefertary, eu me sentia ainda menos à vontade. O que me restava a fazer, então, era permanecer sentado ao bar – embora isso não me parecesse algo muito digno, mas ao menos me permitia observa-lo. Observar, já que a música alta e os intermináveis pedidos limitavam as chances de conversa. *Suspiro* Confesso que me foi agradável, embora eu não devesse ter tomado tantas doses.

Quando eu e Pepp saímos do Nefertari, eram quase seis horas. O sol devia ter acabado de nascer, sentíamos apenas uma brisa, que refrescava da agitação do trabalho.

- Você faz isso todas as noites? – perguntou ele.

- Trabalhar no Nefertary? – ele assentiu com a cabeça - Não... só de quinta a sábado.

Enquanto respondia, observei em Pepp um gingar que ele não tinha na noite anterior.

- Você não costuma beber tanto, não é? - indaguei, encarando-o.

Ele olhou para mim como uma criança que acaba de levar uma bronca, mas que está orgulhosa pela travessura.

- Não se preocupe comigo.

Pepp aproximou-se de mim. Ele me lançou um olhar que me fez sentir revirar por dentro. Quando desviei meus olhos de seu rosto, ele acariciou meus cabelos e encostou seus lábios na minha testa. Seu toque era leve, macio, fazia pedir por mais.

- Tenho que ir trabalhar agora. Não desaparece, tá?

Ao dizer isso, saiu andando, virando na rua seguinte, e me deixando ali, como se tivesse me esquecido.