Disclaimer: A história e os personagens citados, não me pertencem, eles pertencem ao Masashi Kishimoto.

Casal: SasuHina

Rate: M – A maior parte é só putaria!

Entre o Sol e a Lua

Era uma vez um homem que de tão pobre mal podia sustentar sua família. Eles viviam numa casinha precária, em uma vila remota, sem perspectiva de futuro.

Numa noite, com a chegada do vento do norte assoviando pela floresta, balançando a pequena cabana em que moravam, um imenso urso branco subitamente apareceu à porta.

-Boa noite - disse o urso.

-Boa noite - respondeu o homem. Embora ele nunca tivesse encontrado um urso falante por aquelas redondezas, acreditava que animais falantes eram encantados.

A família do homem rodeou a sala, cercando o visitante peculiar, ansiosa para saber o que o levara até aquela casa humilde.

-Vim por sua filha mais velha - disse o urso, sem cerimônia. -Se ela vier comigo terá tudo que deseja e, além disso, farei você e sua família rica na mesma proporção que hoje são pobres. Iludida pelas palavras do urso branco, a filha mais velha implorou aos pais que a deixassem ir - pois eles insistiam que traria má sorte dar a filha em troca de riqueza. Mas no fim cederam, para que a aventura não fosse negada à jovem.

A arrumação das malas não levou muito tempo, pois a coitadinha não possuía quase nada. Ela juntou coragem e beijou cada parente para se despedir e subiu nas costas do urso branco. Mal teve tempo de olhar para trás e ver a família pela última vez antes de ser levada numa velocidade extraordinária para um imenso castelo. Lá, os serviçais se apressaram em ir e vir para recepcioná-la, Tudo aconteceu tão rápido que ela subitamente se sentiu muito amedrontada.

Percebendo sua ansiedade, o urso instruiu uma empregada idosa e gentil a levar a garota até seu quarto. Mas antes de deixá-la, ele avisou que não tivesse medo, garantindo que o castelo era realmente encantado e que, enquanto permanecesse ali, to dos os seus desejos seriam imediatamente atendidos. Ele deu a ela um sininho dourado acrescentando que, caso falhassem em sua ordem, tudo que ela precisava fazer era tocar o sino pensando em qualquer coisa que desejasse no interior das paredes do castelo e aquilo seria imediatamente realizado. Então, o urso a deixou com a serviçal que saiu amistosamente, acompanhando Hinata até o quarto.

No quarto, logo notou a cama, uma peça de mobília entalhado, forrada com magníficos lençóis de seda. Depois avistou uma penteadeira esplendidamente ornamentada como a cama e coberta de acessórios de ouro maciço para seu uso.

Num dos cantos do quarto havia uma série de armários, cada um maior que o outro, maiores que o quarto que ela compartilhava com sua irmã na casa do pai. Os armários estavam repletos de trajes de diversos tipos e cores, todos feitos sob medida para ela. Escolheu uma peça mais fina do que qualquer outra que jamais possuíra e, pensando em como estaria a família, se instalou na cama confortável que fora especialmente preparada para ela. Sua ansiedade tinha passado quase completamente, mas ao deitar a cabeça em seu travesseiro de veludo, foi tomada por uma inquietação. Tudo era tão perfeito e, ainda assim, ela sentia um estranho vazio.

Estaria com saudades de casa?Não, embora amasse sua família, estava na idade de ter a privacidade de seu quarto, com seus objetos. Além disso, lembrava-se também de se sentir assim na casa de seu pai. Naquela época, achava se tratar de um simples descontentamento, causado por seu desejo por mais coisas, mas aqui estava novamente a sensação, mais forte do que nunca, mesmo em meio a incrível luxo e riqueza.

Antes que pudesse considerar tudo isso por mais tempo, a porta de seu quarto se abriu subitamente, depois se fechou, e ela ouviu alguém entrar. Hinata havia apagado a vela, e a luz da lua não podia entrar pelas cortinas grossas de veludo que cobriam as janelas, o que tornava totalmente impossível ver quem era.

No entanto, ela não ficou imediatamente alarmada, supondo se tratar da criada gentil que regressara para ajudá-la a se preparar para deitar. Ou, talvez, por perceber sua melancolia silenciosa, a mulher talvez tivesse encontrado a cura invisível e a trazido para ela! Não foi isso que o urso prometeu quanto a todos os desejos serem imediatamente concedidos?

Mas dessa vez não havia a conversa tola da criada, nem sequer uma resposta quando a garota perguntou:

-Por favor, quem é?

Ela lentamente sentou na cama e instintivamente virou a cabeça na direção do intruso, esforçando-se para identificar o significado dos sons embaralhados que ouvia agora. Enquanto olhava para o breu, seus olhos se arregalaram. As órbitas sem visão olhavam de um lado para o outro, num súbito terror.

Depois lhe ocorreu que o invasor havia se despido. Então ouviu alguém se aproximar da cama. Ela mal podia respirar de tão horrorizada, mas, de alguma forma, conseguiu sussurrar:

-Quem é?

O estranho continuou sem dizer nada.

-Quem é? -repetiu ela, mais enfaticamente. -É o senhor, ? - Mas, ao perguntar isso, ela percebeu que não podia ser, pois o urso não usava roupas nem sapatos, como fazia esse visitante não convidado.

A pergunta foi mais uma vez ignorada, já que o intruso calmamente se sentou na cama. Ela agora estava certa de que não poderia ser o grande urso branco, pois o sujeito que estava ao seu lado tinha o tamanho de um homem. Ela não vira nenhum homem no castelo (todos os serviçais que encontrara eram mulheres).

Ela começou a se desvencilhar das cobertas pensando em sair da cama como um raio, quando subitamente uma mão a pegou gentilmente pelos cabelos.

Ofegante, Hinata repetiu a pergunta:

-Por favor, me diga quem é!

Segurando mais firme os cabelos, o homem cuidadosamente os retorceu com a mão, dando voltas até chegar ao couro cabeludo. Depois gentilmente puxou a mão para baixo, forçando sua cabeça e corpo até a cama e abaixo dele. Então ele segurou sua cabeça firmemente, até que os lábios tocaram os dela.

-Sou eu - respondeu ele, num sussurro suave, encostando levemente nos lábios dela, enquanto falava.

-Seu amante, querida.

No instante seguinte seus lábios pressionavam os dela, abrindo-lhe a boca. Os lábios mornos e a língua provocante pareciam responder um chamado de algum lugar das profundezas de seu ser. Ela ficou estarrecida pela reação imediata de seu corpo.

Mesmo assim, a idéia de um estranho completo segurá-la a enchia de terror. Ele ergueu a boca para dar beijinhos ao longo de seu maxilar.

-Preciso saber quem é você - ele sussurrou em meio aos beijos. -E você... você é a razão pela qual estou aqui.

-Mas... - Ela tinha tantas perguntas, mas ele a silenciava com a boca.

Pela posição em que ele se encontrava, acima dela, e a forma como a segurava, ela sabia que se tratava de um homem grande e musculoso. Cheirava a creme de barbear e um perfume delicado. Seus cabelos ainda estavam molhados do banho. Mas quem era ele? Seu beijo era tão intenso que ela tinha consciência de que, a princípio, nem o estava retribuindo. Um sentimento de calor subia de seu útero. Ela tentava manter a lógica e a razão.

- Por favor, implorou ela - acenda uma lanterna para que eu possa ao menos vê-lo. Mas ele não respondeu. Seguiu devorando-lhe os lábios e a pele corada.

Embora seu corpo estivesse cobrindo o dela, ele se mantinha ligeiramente erguido para que seu peso não a esmagasse. Ainda assim, permanecia bem perto, para que ela pudesse senti-lo enrijecendo sobre ela. Seu próprio desejo estava se tornando uma força maior na entrega, comparado à forma como ele segurava seus cabelos. Ela esticou a mão na tentativa de tocar-lhe o rosto, imaginando que pudesse ao menos sentir suas feições com os dedos, mas ele gentilmente afastou lhe a mão e continuou a beijá hálito era quente e agradável. Fragmentos das últimas horas flutuavam em seu pensamento. O estranho, que surgira de repente, disse que tanto ele quanto ela eram a razão para ambos estarem ali. E ela não podia esquecer as palavras do urso, prometendo que o castelo lhe traria tudo que ela desejasse. Mas ela só se lembrava vagamente dos anseios que estivera sentindo quando o estranho entrou em seu quarto, pois todos eles haviam desaparecido com sua chegada!

Seria o seu próprio desejo que teria trazido esse estranho até ela? Não estaria ele, de fato, fazendo coisas que ela sempre desejara que alguém fizesse? Mas quem era ele? Ele era real ou apenas um produto de sua imaginação? Oh, mas era impossível pensar com ele ali a beijando! Seus lábios eram insistentes e provocantes, e ela começou a sentir que se entregava ao destino, por mais incerto que fosse, e isso era infinitamente mais prazeroso do que qualquer coisa que encontrara em sua vida até então.

Um novo desejo estava surgindo dentro de Hinata. Ela queria que esses beijos durassem para sempre, mas logo percebeu que ele já estava colocando a mão por baixo de sua camisola. Por um instante ele colocou a mão quente em sua barriga, deixando que ela se acostumasse com seu toque. Ele começou a mover a mão devagar e suavemente, explorando seu corpo com cuidado, detalhadamente, deixando cada parte tocada cheia de desejo, ao passar para a próxima. Sua outra mão ainda segurava seus cabelos, evitando que ela pudesse escapar, embora seu desejo de fugir tivesse desaparecido. Na verdade, os braços dela, parecendo se mover por conta própria, enlaçaram-lhe o pescoço e seus lábios começaram a emitir sons profundos e incompreensíveis para ambos.

O estranho cuidadosamente soltou os cabelos dela.

Ele voltou a colocar os lábios sobre os dela e lentamente baixou as alças da camisola sobre os ombros, troncos e pernas. Ao tê-la inteiramente exposta em suas mãos, ele começou a acariciá-la mais avidamente, sentindo cada centímetro, de sua cabeça até seus pés, como se quisesse vê-la através de seu toque.

Ela tremia sob ele enquanto o homem lentamente prosseguia em seu exame íntimo, parecendo fascinado por cada curva. Ela não tinha dúvidas quanto à reação dele sobre o que descobria, pois podia sentir seu corpo rígido contra o dela.

Mas, a despeito de sua excitação crescente, ele não tinha pressa e seus dedos experientes aos poucos davam lugar a uma língua ainda mais habilidosa. Puxando a roupa de cama com as mãos, ela sentia se submeter completamente sob a sedução desse amante envolvente.

Enquanto isso, as mãos fortes do estranho a seguravam firmemente conforme ele prosseguia excitando-a com a língua. Ela quase desmaiou pelo prazer que ele lhe oferecia, e, exatamente quando sentiu que algo em seu ser estava prestes a explodir, ele se levantou e a acomodou de forma que recebesse seu corpo por inteiro.

Mas ela se agitou contra ele num pânico súbito, quando novamente lhe ocorreu que ela não sabia quem era o homem. Ele parou e se conteve, sem querer tomá-la à força. Tremendo de desejo em todo o seu ser, ela desesperadamente esticou o braço para tocar seu rosto, mas, mesmo no escuro, ele facilmente interceptou seus punhos, segurando-os firmemente acima de sua cabeça, evitando outras tentativas de ela descobrir a sua identidade.

Deitada e presa, seus temores pareciam sem sentido, principalmente enquanto seu corpo estava tomado pelo desejo ardente por quem quer que fosse esse homem. Ele beijou seus lábios com carinho, como se quisesse se redimir por segurar suas mãos, e ela o envolveu com as pernas, dando-lhe, por fim, o consentimento pelo qual esperava.

Seu beijo subitamente ficou mais agressivo, enquanto ele penetrou abruptamente o seu corpo desejoso. Ela virou a cabeça para o lado num reflexo, e olhou a escuridão que os cercava, temporariamente tomada por muitas sensações que a invadiam e transbordavam. Mas na palpitação seguinte, ela virou de volta para ele e recebeu seus lábios ansiosamente, sentindo seu hálito morno e saboreando sua língua.

Inteiramente entregue ao seu amante secreto, ela começou a reagir, movendo seu corpo para aumentar o prazer que ele lhe proporcionava. Desejando abraçá-lo, mas impossibilitada de usar seus braços ainda presos, ela se agarrou a ele com as pernas. Eles continuaram assim noite adentro, até que, finalmente, os dois se aquietaram e dormiram.

Na manhã seguinte Hinata acordou sozinha e por mais que tentasse não conseguiu encontrar um único homem no interior do castelo. Em vez disso, descobriu vários cômodos, quartos cheios de tecidos de todos os estilos e texturas; quartos contendo inúmeras prateleiras de linhas e lã de toda espessura e tonalidade; quartos com flores cultivadas; um cômodo estava repleto de todo tipo de botão imaginável. Resumindo, para cada ocupação a que uma dama podia desejar se engajar havia um quarto contendo uma enorme variedade de materiais para aquela atividade.

Acontece que, embora Hinata fosse obrigada a passar todos os dias sozinha, ela nunca tinha tudo o que gostaria ou a interessava. E a cada noite o seu amante misterioso vinha deitar ao seu lado no escuro, sempre partindo antes do amanhecer, para que ela nunca pudesse ter qualquer visão dele. As semanas iam e vinham e, apesar de ter passado a amar as noites, ela começou a se cansar dos dias isolados, mesmo com a variedade de materiais que estavam disponíveis para a sua diversão.

Um dia, lembrando as palavras do urso branco ao chegar ao castelo, ela tocou o sininho dourado e desejou vê-lo. Ele imediatamente apareceu. Mas ela não estava certa de como proceder. -Quem - começou ela -é o senhor desse castelo?

-Sou eu - respondeu ele.

Ela ficou em silêncio por um instante. Queria pedir informações sobre o homem que vinha vê-la a cada noite, mas lhe ocorreu que seu amante poderia tê-la enganado quanto ao urso branco. Talvez o urso ficasse zangado pela descoberta de suas intimidades noturnas. Como ela desejava que sua mãe estivesse ali para aconselhá-la!

Esse pensamento deu-lhe uma nova idéia, e ela perguntou ao urso se ele poderia levá-la para visitar a família. O urso imediatamente concordou, sob uma condição.

-Logo depois que você chegar - alertou ele -sua mãe irá tentar chamá-la para falar-lhe em particular. Evite fazê-lo, ou trará má sorte para nós dois.

A jovem pareceu relutante em concordar com essa condição, porque uma conversa particular com a mãe era exatamente o que ela queria. Mas finalmente consentiu por estar ansiosa para ver sua família, e pensou que poderia haver outro meio para obter as respostas que buscava.

Os serviçais logo foram chamados para fazer suas malas e ela foi novamente conduzida nas costas do urso. Em pouco tempo eles surgiram diante de uma mansão enorme. -Você chegou - disse o urso. -É aqui que sua família mora agora.

Ela ficou contente e se apressou para estar com eles. Mas o urso ainda se deteve por um instante, profundamente apreensivo.

-Lembre-se de meu aviso! Não fique sozinha com sua mãe, isso será muito ruim para nós dois.

O seu regresso ao lar foi realmente feliz, e nenhum de seus parentes queria mais nada. Ela não se esqueceu da promessa ao urso branco. E, como ele havia previsto, sua mãe fez várias tentativas para ficarem a sós, mas ela conseguiu ludibriar cada uma delas.

Porém, sua mãe não era fácil de enganar e finalmente conseguiu arranjar uma conversa particular com a filha, em que muitas perguntas foram feitas para descobrir como as coisas no castelo do urso branco realmente eram. Não demorou para que Hinata confidenciasse à mãe sobre o homem misterioso que entrava em seu quarto toda noite.

Sua mãe ficou muito alarmada por tudo o que a filha disse e, dando-lhe uma vela, a instruiu a levá-la e escondê-la sob o travesseiro.

-Quando o estranho estiver dormindo, acenda a vela e você poderá descobrir sua identidade.

Levando esse conselho, a jovem fez a jornada de volta ao castelo, com a vela escondida entre seus pertences.

Logo chegou a noite, e transcorreu como de costume; assim que a escuridão caiu sobre seu quarto, seu amante anônimo veio vê-la. Ela sentira sua falta enquanto estava longe e ansiava por seu toque no quarto escuro. Ele não a deixou esperando, pois também a desejara durante sua ausência.

Como amante, ela o conhecia bem, mas ainda se perguntava de quem era a língua que saboreava seus lábios. De quem era o hálito quente que arfava sobre sua pele delicada? De quem eram os dedos fortes que golpeavam e exploravam os inúmeros lugares ocultos de seu corpo, e a quem pertenciam os braços que a seguravam com firmeza? De quem era o corpo que a preenchia tão completamente, de tantas maneiras? E ela não conseguia se conter e deixar de se entregar de coração aberto, por mais questionável que fosse.

Finalmente ele dormiu ao seu lado. Ela apalpou embaixo de seu travesseiro em busca da vela que colocara mais cedo e, descartando os alertas do urso quanto à má sorte, acendeu-a e colocou diante do rosto do estranho. Ali ela viu o mais lindo príncipe que poderia imaginar e imediatamente se apaixonou por ele, sentindo que tinha de beijá-lo naquele exato momento. Ela se inclinou e gentilmente tocou-lhe os lábios e, ao fazê-lo, uma gota da vela caiu sobre seu peito. Ele acordou imediatamente, inquisitivo:

-O que você fez?

A jovem apaixonada não podia imaginar seu descontentamento até que ele explicou que era, de fato, um príncipe, Uchiha Sasuke, e que fora prometido em casamento a uma princesa a quem ele não amava. Quando se recusou a casar-se com ela, sua madrasta lançou-lhe uma maldição, segundo a qual ele apareceria de dia como um urso branco e, à noite, regressaria à sua forma humana. Sua única chance de escapar ao casamento indesejado e à maldição era permanecer sem ser visto por seu verdadeiro amor durante um ano inteiro.

-Agora preciso ir para o castelo que fica a leste do sol e a oeste da lua e me casar com a princesa horrenda - disse ele.

Ela chorou amargamente ao ouvir tudo isso, mas nem as lágrimas ou os pedidos poderiam mudar o destino, e eles passaram aquela noite infelizes, abraçados um ao outro, no escuro.

Na manhã seguinte, a pobre dama acordou sozinha. O castelo e o príncipe haviam desaparecido. A única coisa que restara era o monte de farrapos que ela trouxera consigo na primeira viagem até ali. Hinata chorou até a última lágrima que possuía.

-Preciso achá-lo e trazê-lo de volta - finalmente resolveu. Mas onde era o castelo que ficava a leste do sol e a oeste da lua? Onde ela poderia achar Sasuke?

Ela pegou sua trouxa e partiu pela estrada mais próxima. Depois de viajar uma pequena distância, se deparou com uma velha senhora sentada à beira da estrada. Perguntou se a mulher sabia como chegar ao castelo que ficava a leste do sol e a oeste da lua.

-Você é o verdadeiro amor do príncipe que vive lá? -perguntou a mulher, já ciente de tudo. -Ora, sim, - respondeu Hinata. -Você conhece o caminho para lá?

-Não - gargalhou a mulher, como se fosse uma piada. Mas depois ela acrescentou mais gentilmente. -Leve essa maçã dourada, pode ser útil para você em sua viagem.

Então a jovem pegou a maçã e seguiu seu caminho. Em pouco tempo, ela se deparou com outra velha senhora à beira da estrada. A quem também abordou pedindo orientações de como chegar ao castelo.

-Você só pode ser o verdadeiro amor do príncipe - disse a velha, exatamente como a anterior. -Sim, sou eu - respondeu ela. -Por favor, poderia me dizer o caminho para o castelo?

Mas essa senhora não podia oferecer nenhuma orientação quanto ao local do castelo do príncipe. Ela deu à jovem um prendedor de cabelos encantado, instruindo-lhe a usá-lo caso encontrasse o príncipe, pois, ao fazê-lo, lhe traria boa sorte.

Ainda sem a menor idéia de como encontrar o príncipe, Hinata de coração partido continuou, a certa altura, encontrou mais uma senhora ao longo da estrada. Com essa mulher ela manteve um contato semelhante ao que tivera com as duas anteriores. Esta lhe advertiu que procurasse pelo vento do leste para a informação que desejava e, ao lhe dar uma pena mágica, a instruiu para lançá-la diante de si e segui-la até o lar do vento do leste.

Hinata arremessou a pena mágica à sua frente e esta foi logo tragada por um vento forte que vinha do oeste. Seguindo a pena mágica, ela avançava muito mais depressa e rapidamente se viu à porta do Vento Leste. Entretanto, sua jornada estava longe de terminar, pois o Vento Leste não sabia a localização do castelo a leste do sol e a oeste da lua. Então ela o levou ao seu irmão, o Vento Oeste, que a levou para ver o Vento Sul, até que finalmente ficou decidido que o Vento Norte era o único que poderia ajudá-la.

E, assim, depois de muitos dias e noites de viagem, ela saltou sobre as asas do Vento Norte e seguiu a caminho do castelo que ficava a leste do sol e a oeste da lua.

Quando o Vento Norte finalmente a deixou na entrada do tão procurado castelo, ela estava horrorosa e, por mais que tentasse, não conseguiu entrar. Frustrada, ela sentou embaixo de uma imensa janela para pensar em algo que pudesse fazer. Inconscientemente, começou a brincar com a maçã dourada que fora dada pela primeira mulher à beira da estrada. Ela lançava a maçã para o ar, pegando-a, quando caía.

E a madrasta do príncipe a viu brincando com a maçã dourada da janela acima. A mulher mesquinha instantaneamente resolveu que queria aquele tesouro e ofereceu à moça qualquer coisa em troca.

-Eu desejo ver meu verdadeiro amor, o príncipe Uchiha Sasuke - anunciou a menina ousada.

A madrasta do príncipe foi pega de surpresa por essa resposta audaciosa, mas permitiu que ela entrasse a fim de ter a chance de tirar a maçã dela.

-Se você é realmente o verdadeiro amor de meu enteado, Sasuke - começou a mulher engenhosa- então sem dúvida poderia apontá-lo em meio a uma centena de homens.

-É claro - respondeu a garota.

-Bem, nesse caso, eu lhe concederei uma chance de identificar seu grande amor em meio a cem homens, em troca dessa maçã dourada.

-Com prazer – concordou Hinata, segurando a maçã, mas, pensando bem, ela acrescentou: - é claro que também precisarei de um banho e um vestido novo.

A madrasta concordou com suas condições, dando uma gargalha maliciosa e arrancando-lhe a maçã das mãos, depois tocou uma sineta chamando um serviçal.

Hinata se banhou em água aromatizada, depois recebeu um lindo traje lilás para vestir. Lembrando as palavras da segunda mulher à beira da estrada, ela ergueu os cabelos e os prendeu com o pente encantado.

Ela seguiu a criada até a sala de jantar. Porém, ao chegar, encontrou uma sala vazia, com apenas um lugar posto à mesa. Um belo serviçal entrou, trazendo-lhe inúmeros pratos deliciosos para o jantar.

-Eu não irei jantar com o príncipe? -perguntou ela.

-Após o jantar, a senhora será levada diante dos homens e poderá identificá-lo.

Ela comeu o que pôde do jantar, em silêncio.

Logo após a refeição, foi conduzida à sala onde finalmente poderia ver seu amado, Sasuke. O serviçal a deixou à porta. Respirando fundo, ela a abriu. Lá estava a madrasta do príncipe.

-Onde está Sasuke? -exigiu a jovem, frustrada.

-Ele está bem ali, atrás daquela porta - respondeu a madrasta, apontando para outra porta, do outro lado da sala.

-Porém - acrescentou ela enquanto Hinata corria naquela direção -, há algumas coisas que você precisa saber antes de entrar ali. -Ela sorriu e prosseguiu. -Há cem homens naquela sala. Todos eles foram enfeitiçados, portanto não podem sair do lugar onde estão, nem produzir som algum. Foi necessário fazer isso, pois, se você realmente ama Sasuke, deverá encontrá-lo sem que ele a ajude.

-Eu não preciso ouvi-lo falar para encontrá-lo, e ele também não precisará vir até mim - respondeu ela.

-E também - continuou a madrasta, ignorando sua afirmação e abrindo um sorriso mais largo -, já que você reforçou a maldição original trazendo luz sobre a escuridão, agora você terá de renunciar à luz e novamente adentrar a escuridão para encontrar e salvar seu amado príncipe.

A jovem ficou ofegante.

-Você quer dizer que eu terei de distingui-lo dos outros 99 no escuro?

-Se o amor for realmente verdadeiro, isso pode ser feito - respondeu a mulher cruel, voltando a dispensar a jovem ao tocar a sineta dos serviçais. Mas antes de deixá-la sozinha, voltou-se para acrescentar: -cuidado com quem você fala na sala, pois a sua escolha do "amor verdadeiro" será segundo aquele com quem você falar primeiro. -E ela se foi.

A moça se voltou para a criada que atendeu à campainha, uma mulher mais velha, que a olhava gentilmente:

-Eu lhe serei grata se puder me oferecer algum conselho - implorou Hinata.

-Tire suas roupas - disse a idosa, calmamente.

-O quê? -exclamou a garota.

-Tire suas roupas - repetiu a mulher. -Será assim que você vai escolher o homem que você conhece. -Mas e se... -ela parou, incerta.

-É a única forma - respondeu a velha sagaz. Depois disso você não terá outra chance.

Vendo a sabedoria das palavras da mulher mais velha, ela rapidamente tirou as roupas. Depois abriu a porta e adentrou a escuridão. A porta atrás dela se fechou imediatamente.

Embora a sala estivesse em silêncio, Hinata podia sentir a presença dos homens que se aglomeravam no recinto espaçoso. Ela seguiu em frente, lentamente. Ocorreu-lhe que ela jamais havia tocado no rosto de seu príncipe, pois ele impedira todas as suas tentativas de desvendar sua identidade. Ela só o vira rapidamente, aquela vez, sob a luz da vela; Ela só o conhecia como amante. Isso seria o suficiente para ajudá-la agora?

De repente, ela sentiu alguém ao seu lado. Esticando a mão no escuro ela descobriu um homem ali, em pé. O homem esticou a mão e a segurou. Com o coração disparado, Hinata o deixou se aproximar. Suas mãos deslizaram ao longo de seu corpo, tocando suas partes íntimas. Ela tentou se concentrar nas mãos dele e relembrar exatamente como as mãos de Sasuke a faziam sentir quando ele a tocava. Seriam essas mãos que a acariciavam agora? O homem colocou uma das mãos entre as suas pernas, afastando-as e introduzindo o dedo em seu corpo quente.

Mas algo estava errado. Os dedos que ali tocavam eram frios, não quentes como os de Sasuke. Com um gritinho de horror, ela se afastou das mãos do impostor.

O homem seguinte tinha mãos bem mais quentes. Assim como o anterior, ele a tocou intimamente, sem reservas. Será que todos os homens seguravam e agarravam uma mulher daquela mesma maneira?

Mas parecia haver algo familiar em seu toque. Ela elevou o rosto em sua direção, em meio à escuridão. Seus lábios imediatamente desceram aos dela, num beijo suave. Pressionando o seu corpo de encontro ao dele, ela lentamente passou os braços ao redor de seu pescoço, achando que esse poderia ser seu príncipe. Seu corpo começou a reagir aos beijos e carícias, e ela lentamente assimilou que esse não poderia ser seu príncipe, pois seus beijos eram molhados demais!

E ela percorreu toda a extensão da sala, numa busca vã por Sasuke. Houve, de fato, algumas vezes em que ela pensou tê-lo encontrado, porém, temendo escolher o homem errado, ela sempre se abstinha de falar. Mesmo assim ela abraçou os homens que a lembravam aquele que amava, sim, chegando a permitir que alguns deles a tomassem, ali mesmo, no meio da sala, achando que finalmente havia encontrado Sasuke, para, momentos depois, acabar descobrindo que não podia mesmo ser ele.

Seu corpo inteiro sacudiu de frustração e ansiedade pela dimensão da tarefa que se encontrava diante dela. Ela estava em constante estado de excitação ao andar pela sala, fazendo coisas inimagináveis, com totais estranhos. E, ao cair da noite, ela não conseguia distinguir um toque de outro, mas só esperava por um sinal milagroso que a iluminasse e libertasse daquela busca a qual havia sido forçada a suportar. E todo o tempo sabia que Sasuke estava ali, enquanto ela atravessava a sala, silenciosamente ouvindo seus gemidos e gritos, percebendo sua inabilidade de desistir dos braços de cada impostor antes de dar um pouquinho de si mesma para ele.

As lágrimas escorriam por suas bochechas enquanto ela se forçava a seguir em frente, desanimada, mas incapaz de desistir até que o encontrasse.

Ela seguia em frente cambaleante, cegamente, rezando por um milagre. E ali, à sua frente,estava outro homem. Ela se aproximou dele com lágrimas no rosto. O homem abruptamente a agarrou num abraço e esmagou-lhe os lábios sob os dele. Ela não podia se lembrar de já ter sido beijada tão violentamente e se esforçou para se afastar do tranco selvagem que estava causando hematomas em sua pele. No entanto, ele não afrouxou, e ela quase gritou por ajuda, mas, na mesma hora, lembrou que não podia falar. Se falasse, não somente perderia Sasuke para sempre, mas possivelmente também seria obrigada a ficar com esse homem bruto! Foi tomada por um terror insuportável, ao se dar conta de que o estranho violento poderia forçá-la sem que ela pudesse sequer pronunciar uma única palavra.

Mas o homem pareceu se conter e diminuiu a pressão, mas não o bastante para que ela pudesse escapar dele. Por alguns instantes, ele simplesmente a segurou junto de si, e ela podia sentir seu coração disparado dentro do peito. O rosto dele estava enterrado em seus cabelos e, por um momento, hipnotizado pelo aroma, ele relaxou a pressão e inalou seu perfume adocicado.

Pensando que esta seria a sua oportunidade de sair correndo, ela se soltou do abraço e se virou para escapar. Naquele instante a presilha encantada caiu de seus cabelos e os soltou, enquanto seu apreensor tentava pegá-la. Suas madeixas soltas caíram diretamente numa das mãos dele, que a fechou firmemente, prendendo-as. Ela foi abruptamente forçada a frear sua fuga.

Lenta e propositalmente, ele enrolou seus cabelos em volta de sua mão, dando voltas, trazendo-a cada vez para mais perto, até que o rosto dela estivesse a apenas alguns centímetros do seu. Algo dentro dela revolveu. Com a mão ainda agarrando seus cabelos, ele gentilmente a puxou, forçando sua cabeça para trás e a posicionando diretamente abaixo. Ela sentiu seu hálito morno familiar em seus lábios antes que ele os tomasse num beijo suave, exatamente como os antigos beijos que ela agora lembrava tão bem. Ela estremeceu em pensar que quase saíra correndo dele. Mas porque ele fora tão violento quando ela se aproximou?

Hinata subitamente corou ao imaginar Sasuke ali, em pé, no escuro, ouvindo os sons enquanto ela se entregava aos impostores que habilmente a enganaram, fazendo-a pensar que eram ele. Ela se deu conta de que a raiva o levou a agarrá-la com tanta brutalidade.

Mas ele agora estava carinhoso com ela, enquanto seu corpo fundia-se no dela, bem ali, onde ele fora obrigado a ficar até que ela o libertasse. Eles se agarraram na escuridão e, finalmente, certa de ser o verdadeiro príncipe, ela sussurrou:

-Eu te amo.

Diante dessa admissão, eles regressaram ao castelo do urso branco, onde ambos haviam deitado juntos, em sua própria cama. Havia cem velas acesas ao redor do quarto e os dois se olhavam, impressionados pelo que havia acontecido.

Sasuke e Hinata, seu verdadeiro amor se casaram, é claro, e viveram felizes para sempre, desde aquele dia. Hinata às vezes sonha com aquele amante desconhecido e, em algumas ocasiões, ele vem até ela.

Mesmo agora, nessa mesma noite, Sasuke está esperando do lado de fora do quarto até que esteja totalmente escuro, quando ele entrará silenciosamente...

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Acredito que eu tenha demorado bastante pra postar esse novo capítulo, mas é que eu andei ocupada durante esse tempo, muita coisa acontecendo na minha vida. Espero que vocês gostem, porque eu particularmente gostei bastante *-*

Quem quiser dar sugestão para o casal do próximo capítulo, fique a vontade, eu adoraria a ajuda, só que já fiquem sabendo, só casais com a Hinata *u*

Beijos, até a próxima. c: